
Na verdade, todos os distúrbios da ansiedade de nossa era (opressão na garganta, gastrite, taquicardia, enxaqueca, excesso de salivação, auto-imolação, tiques nervosos), dizem de como as pessoas se sentem extremamente solitárias, confusas e medrosas. O medo ou receio de novas decepções no plano externo potencializa o interno como observei acima. O grande problema disso tudo é o preconceito das pessoas de revelarem suas falhas ou medos; sendo que essa timidez seria um correlato moderno da moral antiquada que visava à repressão sexual. A essência de ambos os fenômenos é pura e simplesmente abafar todos os conflitos, entrando nesse estágio a medicação como arma para sedar o não resolvido. O fato é que impressiona a absoluta alienação no começo deste novo século. Aquilo que mais se deseja afastar (sofrimento) virou o maior objeto de disputa seja pelas drogas ilícitas ou lícitas, ou pelas religiões, sendo que a psicologia se mantém num papel intermediário, embora devesse ser encarada como "AUTOCONHECIMENTO" e nunca estudo comportamental, pois do contrário estará impregnada pelo ajustamento e condicionamento.
A evolução no estudo do sofrimento ou ansiedade é descobrir como uma determinada dificuldade ou perda tem uma leitura psíquica ou orgânica de cunho irreparável. Isso fatalmente remete a determinado acontecimento passado de inconformismo de ter perdido alguma oportunidade valiosa na esfera afetiva; ansiedade e arrependimento também caminham juntas. Mas porque tínhamos a certeza no passado que determinado investimento daria certo e não o aproveitamos? Coloca-se aqui mais outra equação da ansiedade; pois no passado não havia a contaminação da esfera econômica, estávamos amplamente abertos para a questão amorosa sem divagações ou cobranças e descobrimos que o passar do tempo apenas solidificou nosso esforço para uma segurança econômica que barrou uma possibilidade de felicidade que não cultivamos. O passado não é composto por traumas somente, mas, por avisos sistemáticos que negamos. A grande pergunta neste ponto é como recuperar a ingenuidade perdida com toda a carga de conhecimento negativo ou desesperança que se adquiriu no decorrer dos anos? Uma parte da resposta até é simples; as pessoas no geral não conseguem se desligar do império automático da mágoa e ódio quando se sentem frustradas, embora advoguem o oposto, que não cultivam rancores.
A ansiedade não deixa também de ser um processo de escolha para o individuo, pois o mesmo pode atravessá-la com uma sensação plena de aprendizado e enriquecimento interno, ou fica estacionado pura e simplesmente na angústia. Uma coisa fundamental a ser considerada é que aquilo que a pessoa considera que lhe faltou ou que lhe lograram, passando a reclamar o que lhe é devido no decorrer dos anos, pode justamente comprometer por completo sua saúde psíquica. A mágoa e rancor são como um ácido sulfúrico num copo de água cristalino que representaria a essência do desejo ou satisfação. Como expliquei em outro estudo, determinadas emoções negativas visam à proteção instintiva da espécie apenas, não devendo ser cultivadas constantemente. A ansiedade negativa se torna uma espécie de anabolizante que cria uma couraça em torno da pessoa, mas tal “massa muscular” blinda de forma destrutiva o indivíduo.
Mas porque o sujeito não vê que tal mágoa lhe dilacera a possibilidade futura de felicidade? Alguns diriam que tal pessoa neste estágio já estaria amplamente mergulhada na vingança, isto é totalmente verdade, mas, porque também não consegue optar por algum tipo de perdão? Neste ponto temos de avaliar a incompletude de tal conceito pela tradição religiosa. O perdão jamais pode ser apenas em relação a quem, ou o que nos acarretou danos, mas, principalmente deve ser obtido pela própria manutenção do potencial positivo da pessoa, resguardando aquilo que tem ou poderia trocar de forma plena, não permitindo em nenhuma hipótese que fosse contaminado pela amargura e infelicidade alheias. Sabedoria e amor de certa forma é saber preservar, não permitindo a fuga de nossas habilidades ou as provas de nossa autoestima. Quando se cai no império nefasto da comparação ou opinião alheia podemos apostar que nossa vida será uma eterna ciranda de atribulação e ansiedade. Não estou advogando que o isolamento ou solidão sejam o refúgio, mas que há critérios na convivência social, e um deles é não dissolver nossa personalidade porque ficamos com medo ou envergonhados perante observações ou comentários na maioria das vezes proferidos por absoluta má intenção ou ignorância. A crítica é magnífica quando nosso filtro interno sabe selecionar a pureza ou impureza da fala do outro. A manutenção precisa de tal medida é vital para a sobrevivência do ego da pessoa.
A evolução no estudo do sofrimento ou ansiedade é descobrir como uma determinada dificuldade ou perda tem uma leitura psíquica ou orgânica de cunho irreparável. Isso fatalmente remete a determinado acontecimento passado de inconformismo de ter perdido alguma oportunidade valiosa na esfera afetiva; ansiedade e arrependimento também caminham juntas. Mas porque tínhamos a certeza no passado que determinado investimento daria certo e não o aproveitamos? Coloca-se aqui mais outra equação da ansiedade; pois no passado não havia a contaminação da esfera econômica, estávamos amplamente abertos para a questão amorosa sem divagações ou cobranças e descobrimos que o passar do tempo apenas solidificou nosso esforço para uma segurança econômica que barrou uma possibilidade de felicidade que não cultivamos. O passado não é composto por traumas somente, mas, por avisos sistemáticos que negamos. A grande pergunta neste ponto é como recuperar a ingenuidade perdida com toda a carga de conhecimento negativo ou desesperança que se adquiriu no decorrer dos anos? Uma parte da resposta até é simples; as pessoas no geral não conseguem se desligar do império automático da mágoa e ódio quando se sentem frustradas, embora advoguem o oposto, que não cultivam rancores.
A ansiedade não deixa também de ser um processo de escolha para o individuo, pois o mesmo pode atravessá-la com uma sensação plena de aprendizado e enriquecimento interno, ou fica estacionado pura e simplesmente na angústia. Uma coisa fundamental a ser considerada é que aquilo que a pessoa considera que lhe faltou ou que lhe lograram, passando a reclamar o que lhe é devido no decorrer dos anos, pode justamente comprometer por completo sua saúde psíquica. A mágoa e rancor são como um ácido sulfúrico num copo de água cristalino que representaria a essência do desejo ou satisfação. Como expliquei em outro estudo, determinadas emoções negativas visam à proteção instintiva da espécie apenas, não devendo ser cultivadas constantemente. A ansiedade negativa se torna uma espécie de anabolizante que cria uma couraça em torno da pessoa, mas tal “massa muscular” blinda de forma destrutiva o indivíduo.
Mas porque o sujeito não vê que tal mágoa lhe dilacera a possibilidade futura de felicidade? Alguns diriam que tal pessoa neste estágio já estaria amplamente mergulhada na vingança, isto é totalmente verdade, mas, porque também não consegue optar por algum tipo de perdão? Neste ponto temos de avaliar a incompletude de tal conceito pela tradição religiosa. O perdão jamais pode ser apenas em relação a quem, ou o que nos acarretou danos, mas, principalmente deve ser obtido pela própria manutenção do potencial positivo da pessoa, resguardando aquilo que tem ou poderia trocar de forma plena, não permitindo em nenhuma hipótese que fosse contaminado pela amargura e infelicidade alheias. Sabedoria e amor de certa forma é saber preservar, não permitindo a fuga de nossas habilidades ou as provas de nossa autoestima. Quando se cai no império nefasto da comparação ou opinião alheia podemos apostar que nossa vida será uma eterna ciranda de atribulação e ansiedade. Não estou advogando que o isolamento ou solidão sejam o refúgio, mas que há critérios na convivência social, e um deles é não dissolver nossa personalidade porque ficamos com medo ou envergonhados perante observações ou comentários na maioria das vezes proferidos por absoluta má intenção ou ignorância. A crítica é magnífica quando nosso filtro interno sabe selecionar a pureza ou impureza da fala do outro. A manutenção precisa de tal medida é vital para a sobrevivência do ego da pessoa.
antonio c. a. araújo.
psicologo e terapeuta de casais.
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