
Como vou esperar o respeito do outro, se o outro é meu espelho, e ele vê que eu não me respeito...?Como vou evitar que o outro me humilhe, se o outro é meu espelho, e deixo claro a ele que não dignifico a mim mesmo...?Como vou desejar ser honrado pelo outro, se o outro é meu espelho, e ele percebe que não honro a mim mesmo...?Como pretendo que o outro goste de mim, se o outro é o meu espelho, e ele sente que eu não gosto de mim mesmo...?Como ouso reclamar o ser manipulado pelo outro, se o outro é meu espelho, e é nítido para ele que eu não domino a mim mesmo...?Como questiono o outro decidir por mim, se o outro é meu espelho, e lhe deixo claro o quanto sou incapaz de decidir por mim mesmo...?Como vou querer que o outro honre meus desejos, se o outro é meu espelho, e não consegue notar desejo algum em mim mesmo...?Como posso impedir que o outro viva por mim, se o outro é meu espelho, e meu reflexo indica que não tenho personalidade para viver por mim mesmo...?Como posso negar que o outro se ama através de mim, se o outro é meu espelho, e seu coração vê o meu, que não amo a mim mesmo...?Como vou exigir o valor que vem do outro, se o outro é meu espelho, e ele não enxerga em mim qualquer valor por mim mesmo...?Como me espanto pelo desprezo do outro, se o outro é meu espelho, e ele mesmo se espanta porque eu não prezo a mim mesmo...?Como acho justo sofrer por virar uma utilidade para o outro, se o outro é meu espelho, e meu comportamento lhe indica que eu não possuo vontade por mim mesmo...?Como posso impedir o outro de me derrotar, se o outro é meu espelho, e nos nossos embates, surge a verdade, que se sou fraco, é porque nem conheço a mim mesmo...?Como vou deixar de obedecer ao outro, a todos os outros, a qualquer um outro, se não posso obedecer a mim mesmo...? Porque...“manda-se naquele que não pode obedecer a si próprio...”
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