quinta-feira, 18 de março de 2010

QUEM NÃO RECEBER O REINO DE DEUS COMO UMA CRIANÇA,NÃO ENTRARÀ NELE...


Somos ainda seres em evolução, nascidos em um planeta de transformação, e as experiências do nascimento e da infância poderão deixar marcas dolorosas. A criança muitas vezes poderá ter sido rejeitada e magoada. Outras vezes as experiências físicas ou psicológicas não foram tão negativas, mas foram percebidas como tais pela criança, seja pelo ciúmes, egoísmo, ou condicionamentos anteriores, deixando na psique o registro de uma criança ferida.

O tema da “criança” foi abordado no Evangelho de diferentes maneiras. Uma delas é a que nos recorda de que somos crianças no espírito, na evolução, mas que nessa pequena dimensão criança repousa a centelha do espírito divino em sua pureza original, que confia, busca e se entrega.

Em Marcos capitulo 10, versículo 13-16 conta-se que algumas pessoas traziam crianças para que Jesus as tocasse. Os discípulos, porém as repreendiam.Vendo isso Jesus se aborreceu e disse: - “Deixai as crianças virem a mim. Não as impeçais, porque a elas é que pertence o reino de Deus. Em verdade vos digo: quem não receber o reino de Deus como uma criança, não entrará nele”. E abraçava as crianças impondo as mãos sobre elas, as abençoava.

Este versículo indica que se não resgatarmos aquela essência numinosa da criança concebida, não despertaremos o Reino de Deus que nos habita. Este Reino não é uma realização material, mas sim espiritual, é um estado de consciência mais amplo. Um estado da plenitude, paz, equilíbrio e harmonia. Um Reino de bondade e felicidade. A criança divina é que nos traz o amor incondicional, a confiança original, a leveza para “entrarmos” nesse Reino. A criança divina tem asas, voa acima das limitações humanas, pois se agarra aos “pais” divinos. Esta dimensão psíquica se permite ser protegida, esclarecida e amparada.

A criança divina em suas asas, poderá levá-lo as mais lindas paisagens, levá-lo ao bom, verdadeiro e belo. Ela brinca, tem alegria e espontaneidade. É a manifestação do eu superior, a essência maior que faz a travessia do espiritual sutil ao espiritual manifesto.
Jean-Yves Leloup, no romance de Maria Madalena, descreve a cerimônia do lava pés, que Cristo realizou com os apóstolos, como sendo uma experiência de lavar e curar todos os males da criança ferida, para que então eles pudessem se libertar dos bloqueios, caminharem levando a Boa Nova que era a mensagem do Cristo Vivo, aquele que não morre jamais.

Assim nós precisamos também cuidar de nossa criança ferida, acolhê-la, legitimar suas dores, mas ir além; não alimentar suas ressentimentos e experiências de injustiças, que só iriam, impedir nossa evolução, não nos deixando enxergar o sentido maior e aprendizagem desta existência.

É necessário ajudar a criança interior, sentida, magoada que às vezes insiste em nutrir e alimentar seu papel de vítima para ter migalhas de atenção humana, perdendo o grande banquete que Deus lhe oferece de uma vida mais plena para aqueles que ousam caminhar, confiar.

Podemos curar as feridas desta criança, ajudá-la a caminhar, mas, sobretudo recordá-la de que em essência ela é divina. Lembrá-la que uma força maior a fez sobreviver e chegar até os dias atuais, apesar de todas as dificuldades encontradas. Novas oportunidades surgirão e novos passos poderão ser dados. A vida venceu mesmo quando o olhar limitado não conseguia alcançar a amplitude e significado de todo sofrimento.

Esse é o convite: - Despertar a criança divina para receber o Reino de Deus.

Essa é a mensagem: - Seguir em frente, porque dela é o Reino dos céus, da transparência e do amor incondicional.

Por traz de toda criança ferida, há uma criança divina pedindo passagem. Ela nos agradece e nos recompensa, quando permitimos que ela ocupe o seu lugar. Manifesta em nossa vida a simplicidade, a expressão mais pura do amor.

Nela é que reside preciosos tesouros de nossa espiritualidade, tais como a alegria, a entrega, a bondade, espontaneidade e confiança incondicional ao Pai, a grande forma de Amor que a tudo criou. Que nos deu olhos para ver, mas que tudo fará para que verdadeiramente possamos enxergar com o nosso coração. Tal como afirmava o pequeno Príncipe de Saint Exupéry: - “Só se vê bem com o coração o essencial é invisível aos olhos.” Nossa criança divina, enxerga com coração... , nos desperta para a Vida.
extraido do livro
"maria madalena
autor jean yves leloup

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