segunda-feira, 5 de abril de 2010

ABERRAÇAO!!!

Fui criada ouvindo pai, mãe e tia dizerem que sexo era a parte mais suja do ser humano. Além de ser constantemente vigiada, só tive contato com o sexo masculino aos 15 anos, no colégio misto. Não namorei por medo de engravidar. Meu pai era machista e violento. Ameaçava me matar se eu engravidasse. Tomei horror a crianças. Ele me dizia que eu era responsável pela união da família dele e da minha mãe. Mas aos 16 anos, fui estuprada por um pai de santo, que teoricamente conseguiria resolver os problemas da família, e tomei horror aos homens.
Aos 36 tive pela primeira vez uma relação sexual com meu primeiro namorado, que era tão incapaz de me dar carinho quanto meu pai e minha mãe. Sexo sem carinho eu não quero. Dá pra entender? Hoje, canto os homens e tento esquecer o carinho mas, na hora H, minha vagina se fecha. Será que me tornei frígida ou tenho que fazer uma cirurgia para resolver esse problema? Será que devo contratar um garoto de programa?

E o medo?

Tornei-me médica para ver o corpo, o sexo e as pessoas de forma racional.


Cuido da genitália masculina. Tenho poder sobre o pênis, mas prazer com ele eu não tenho, pois não consigo confiar no seu dono.

BETTY MILAN
RESPONDE:

Você escreve que “sexo sem carinho eu não quero”. E você me pergunta: “Dá pra entender?”. Eu entendi. Mas parece que não é o seu caso. Você não só teve um primeiro namorado incapaz de te dar carinho como também transa hoje com homens de quem você só se aproxima pelo sexo. Ou seja, faz o contrário do que quer, está em permanente contradição com você mesma e a vagina contraída é a expressão disso. Você diz “vem” para o outro se aproximar e não ter como chegar verdadeiramente.
Sua conduta é sádica porque foi isso que você aprendeu com a sua família, que não teve por você o menor respeito. Emporcalhou o sexo com o discurso: “É a parte mais suja do ser humano” e a maternidade com a ameaça de morte. Óbvio que a solução não está na cirurgia e tampouco no garoto de programa. Ela está no discurso que você poderá reinventar se fizer análise. Por outro lado, você precisa se perguntar o que significa para você cuidar da genitália masculina. O médico em princípio não tem poder sobre qualquer parte do corpo do doente. O único poder que ele tem é o de curar, se isso lhe for dado.
Por Betty Milan
revista veja

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