Parceiros que querem apimentar a vida a dois devem evitar as certezas.
A certeza é a morte do relacionamento ...
Por isso é importante o mistério .
Um dos desafios do casal numa relação prolongada é o de superar a monotonia, que é capaz de consumir seu amor.
Muitas fórmulas picantes são propostas para apimentar sua vida, em geral maliciosas, sexuais e superficiais!
Mas o tempo pode ser o principal tempero do amor, caso o casal saiba driblar as armadilhas das certezas recíprocas e o desejo continue pulsando.
Para quem vive apenas relações esporádicas, encontrar o par já é situação excitante, pois há a novidade do instante, temperada pela falta de compromisso com o dia seguinte ou com encargos.
Os descolados, em triunfo momentâneo sobre a solidão, comemoram o prazer da" efêmera " união e a brindam com a promessa de satisfação - e da liberdade mútua.
Eles nem desconfiam do vazio que os espera caso continuem a se defender de uma relação dita estável.
Mas essa admirável leveza da sensualidade também ocorre no caso de os casais estarem no início de seu romance, quando ainda festejam a descoberta recíproca de seus encantos e celebram o acaso que os uniu.
Se o novo, ou a ausência de compromisso, é o tempero dessas uniões, como apimentar relações de casais que ficam juntos de maneira (supostamente) estável?
Há uma quase inevitável armadilha de os casais acharem que já se conhecem.
Desse modo, a "comida" pode se tornar enjoativa.
Então, como evitar os impasses, os terríveis labirintos, e não cair nos constantes becos sem saída das relações prolongadas, em que ambos se desanimam?
O que fazer para os casais se pouparem do tenebroso mergulho na quase insuportável mesmice do outro - claro, do outro, porque não se vê a própria mesmice!
Há, para isso, os superficiais conselhos picantes, maliciosos, que não passam de paródias, clichês de criatividade:
a surpreendente roupinha de enfermeira, os gadgets eróticos das sex-shops, os filmes pornôs, o convite inesperado para o motel, as massagens na banheira - enfim, o último exercício sexual oriental.
Há nisso um esforço para os casais se "descongelarem".
Claro que até o mais feliz dos pares pode brincar, gozando essas fórmulas em várias situações picantes, pois é certo que quanto mais lúdico, brejeiro for um casal, para mais longe ele afastará os fantasmas da monotonia
Mas é uma contradição se tentar apimentar uma união com fórmulas convencionais.
Cedo elas causariam tédio.
Não existem truques que temperem e garantam a renovação consistente.
Há, isso sim, atitudes singulares que sustentam a individualidade de cada casal, a criatividade e o ânimo da vida, as inquietações partilhadas com o outro.
Por exemplo,...
não existem temperos mais explosivos do que verdade e franqueza. Mas devem ser expressas com jeito, considerando a capacidade do outro de suportá-la.
Uma relação prolongada aumenta a intimidade, mas isso pode liberar ou inibir.
Se as imagens recíprocas são congeladas, cheias de certeza, formalizadas, fica-se com vergonha de
experimentar coisas novas e, assim, se joga água na fogueira da renovação.
Se os dois reconhecem que cada um não se limita ao que já conhecem, o vínculo ganha fôlego.
O maior tempero é a constatação de que tudo é instável: mudamos a cada dia; sentimentos podem se alternar entre amor e repúdio; emoções se revezam entre satisfação e frustração; o clima oscila da monotonia à mudança.
Se o amor e o desejo suportam as intempéries, o tempo se torna o picante tempero de um casal.
Caso contrário, o tempo poderá ser o seu túmulo.

Como todos os outros, excelente post!
ResponderExcluirAbraços e uma semana maravilhosa!