quinta-feira, 28 de junho de 2012

ANÁLISE PSICOLÓGICA DA DESCONFIANÇA. . .

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Até a pessoa mais leiga já percebeu que uma das maiores fontes de sofrimento psicológico é a desconfiança perante determinada situação ou pessoa. 



Seu ápice seria o transtorno mental conhecido como paranóia-a invasão da mente por idéias e pensamentos torturantes; ou ainda delirantes sobre perseguição e ameaça contra a própria pessoa. 


Este estudo irá se deter essencialmente nos aspectos psíquicos da paranóia, deixando de lado os elementos psiquiátricos da mesma, como por exemplo: etiologia dos delírios paranóicos e estados alucinógenos. 

A paranóia é o retorno absoluto de todo o potencial de vingança e ódio que se volta contra o sujeito em questão.



 Determinado trauma possui a capacidade de subdivisão para pequenas vivências de desprazer ou medo que adquirem extrema importância na mente de uma pessoa.
 A trajetória da paranóia é o deslocamento do centro para a periferia, fazendo com que esta última tome o lugar absoluto das preocupações do indivíduo. A síntese deste processo é a perda da saúde mental para detalhes que o sujeito não consegue se desvencilhar.


 Perceber a estreita ligação com o medo é essencial para compreendermos tal moléstia. Inicialmente houve uma experiência negativa, frustrante ou de terror sobre o sujeito. Toda a leitura mental presente e futura se baseará na espera de nova catástrofe em todas as áreas: morte; doença; exclusão ou loucura; pois o paranóico cultua inexoravelmente à volta da perturbação. 


Uma das conseqüências é o desenvolvimento de um espírito vingativo e bélico a qualquer nova aproximação social ou afetiva. O paranóico desenvolveu um tipo de orgulho e rigidez perante uma perda; antecipar constantemente um medo nada mais é do que o inconformismo sobre uma passagem pretérita. 

A paranóia inicialmente é uma defesa contra a inveja. Pensemos naquele tipo clássico presente nas escolas, que alarde para todos que foi muito mal na prova; sendo que mais tarde se descobre que foi o mais bem sucedido.



 O problema neste exemplo é o cultivo do pessimismo e a constante antecipação de um evento negativo; que mais tarde causarão a impregnação da mente pelo medo, seja real ou não. 


Claro que o exemplo citado não levará a uma futura paranóia, mas apenas como um pedaço minúsculo de como se começa algo.


 A "falsa modéstia" é uma tentativa perigosa de anular as potencialidades de determinado indivíduo, para que se sinta pertencente a uma massa homogênea que nunca o critique. Qualquer perturbação que atingiu a mente teve um histórico de cultivo, paralelo às experiências que o sujeito não conseguiu elaborar, como descrito anteriormente.


 O grande dilema de todas as escolas psicológicas é se conseguem ou não refazer por completo a história psíquica e afetiva da pessoa. 

FREUD em seu famoso estudo do caso * "Schreber", concluiu que a paranóia seria a negação e transformação de um desejo homossexual para uma idéia persecutória. Fez também uma relação com o ciúme, onde apontou que uma pessoa presa deste sentimento, apenas projeta ou transfere para o outro seu próprio desejo de traição. 



Embora a etiologia do ciúme tenha os elementos projetivos elucidados por FREUD, é estranho que o mesmo tenha feito uma associação direta entre paranóia e homossexualismo. Esta fusão seguindo a experiência clínica, apenas acontece em casos extremos de negação do desejo homossexual ou bissexual. ALFRED ADLER dizia que a paranóia estava associada diretamente com o complexo de inferioridade que martirizava o paciente. 


O fato de se sentir perseguido constantemente seria uma alternativa mental para se julgar importante perante a sociedade; "afinal todos estavam contra ele". Embora tal análise pareça simplista, ADLER acertou quando disse que a paranóia teria a função de preencher alguma coisa.


 A falência da palavra, da crença ou da razão, nos conduzem para tal percepção. Determinado pensamento negativo irá se instalar quando ocorre um desvirtuamento da sensibilidade. 


Se o cotidiano tem a função de massificar ou banalizar toda a vida do ser humano, algo terá que restar para ter a função de sensibilizar a pessoa, mesmo que seja no caminho da extrema dor. Se alguém como dizia ADLER passa sua vida almejando o poder e destaque; paralelamente se sentirá depositário das experiências mais dolorosas do meio psíquico e social; pois ao mesmo tempo em que a sociedade reforça a ambição, instala também a culpa por alguém desejar se sobrepor. 

Cito como exemplo um sonho de um indivíduo que sofria de paranóia: "Sonhei que estava na minha casa; estava diferente, maior e mais luxuosa; ouvi barulhos como se fossem assaltantes querendo a invadir; notei que a casa tinha vazamentos em quase todos os cômodos; Além disso, na porta de entrada notei um inseto totalmente diferente, que se transformava em algo terrivelmente ameaçador". É incrível a análise desta manifestação onírica. 



Note-se que o sujeito sonhou com uma casa mais valiosa do que possuía; não tardou para os elementos de culpa e desconfiança invadirem sua mente. Tudo sinalava para um desfecho negativo; problemas estruturais na casa, ameaça de invasão, e insetos se transformando em monstros. Isto demonstra que não irá demorar a pessoa ser aniquilada. A paranóia amplifica a insegurança da perda, jamais permitindo que o sentimento de posse, acompanhado da certeza de sua ética tranqüilize o indivíduo. Clinicamente pacientes paranóicos sofrem de insônia e pesadelos corriqueiramente. 

A paranóia espelha nosso dever inconscientemente instalado de desconfiar ou odiar sempre. Ser perseguido apenas é o cume mental de uma cultura política e social que apregoa que jamais teremos amigos ou reais companheiros, mas meros colegas que almejam tomar nosso lugar. 



A paranóia também não admite nenhum tipo de otimismo, sendo sua função a eterna vigilância perante um provável dano. É impressionante como a medicina e alguns setores da psicologia omitiram no decorrer do tempo a estreita ligação entre paranóia e distúrbios psicosomáticos. 


Estes, na maioria das vezes não possuem nenhuma causa física, estando associados a uma espécie de intuição da pessoa contra futuras perdas. Observei durante minha experiência clínica diversos casos onde o papel do sintoma é um alerta do corpo perante o apego do paciente e seu caráter gregário, não admitindo nenhuma mudança ou desfecho de perda. 


O sintoma, nestes casos é a antecipação daquilo que a pessoa teme, mas, que talvez devesse encarar a fundo. Poderia relatar como exemplo, uma dezena de casos de casais na iminência da separação, sendo que os conflitos se transformaram em distúrbios neuro vegetativos, ou em determinados tiques nervosos, que tem como função: revelar o medo perante a intuição da resolução da crise através da perda, como foi observado, causando a distração de determinada situação insolúvel, transferindo para o corpo uma idéia intolerável ou inaceitável, na tentativa de se ganhar tempo sobre um sofrimento que o indivíduo não consegue elaborar. 


A hipocondria também possui uma estreita ligação com a paranóia; sendo que a pessoa sente que seu corpo é mais do que vulnerável a todo tipo de doenças. 

O poder sempre explorou cruelmente a questão da persecutoriedade. Alguém que foi vítima de tortura, ou perseguição política feroz, quebrou a barreira da paranóia enquanto fantasia para se transformar em realidade. 



Como dizia FREUD na questão sexual, fazendo um paralelo com a paranóia: "uma coisa é o caráter fantasioso do incesto, sendo que determinado indivíduo que foi vítima real do mesmo, não escapará de uma grave neurose". 


A partir do momento que a desconfiança se torna absoluta realidade, se destrói toda a base egóica de poder pessoal e principalmente da saúde mental da pessoa. Contestar algo é uma rebelião contra imagens arcaicas paternas e maternas*, embora não possamos jamais deixar de crer, que alguém genuinamente deseje melhorar as coisas. 
A contestação inevitavelmente traz a perseguição e muitas vezes a culpa. A sociedade sabe explorar determinadas fraquezas inconscientes de quem a desafia. A política é uma tentativa adulta (fase genital)*, de ser aceito socialmente e com poder, compensando a carência de reconhecimento perante antigas imagens familiares ou sociais. 


Como observei acima, não se trata de desacreditar na intenção social de quem quer que seja, mas, apenas aclarar que a política esconde os anseios mais gananciosos e de poder que o ser humano possui, camuflando neuroses e complexos de toda espécie.


 A paranóia é o transtorno mental mais "politizado" de todos, pois além de sua arena ser um jogo social, o poder dirigido contra a própria pessoa sempre será a tônica. 

A paranóia inverte a polaridade das sensações perante determinados acontecimentos; o inesperado ou raro se torna o cotidiano na mente do sujeito, podendo se tornar o imediato. 



Uma mente onde a catástrofe está presente o tempo todo irá deturpar por completo todo o tipo de relacionamento. 


O pessimismo ou antecipação constante da perda é também essencialmente a projeção ou retorno mental de uma conduta individualista ou egoísta que o sujeito nutriu no decorrer de sua história de vida. A idéia delirante de persecutoriedade nada mais é do que o caminho psíquico inverso de alguém que se ambientou ou teve prazer com a hostilidade como modelo de vida.


 Está mais do que ultrapassada a noção de que uma doença mental é algo inesperado que aflige o indivíduo, como um vírus ou bactéria. A mesma é resultante da subjetividade do trato social que o sujeito formou ao longo de suas experiências.
 O distúrbio mental estará sempre associado ao tempo, no sentido da somatória de crenças e experiências que produzem uma máxima quase que irreversível na psique da pessoa. 

A mensagem última da paranóia é que além da perda, a pessoa necessariamente será humilhada e totalmente desnuda em seus aspectos negativos. A agressividade que aumenta a cada instante traz a contrapartida do medo à retaliação. 



A ansiedade está totalmente presente, obrigando o indivíduo a se preocupar imediatamente com determinado receio histórico; mesclando culpa e raiva perante sua situação de indecisão e insegurança. 


A ansiedade espelha também a angústia plena pela falta de um reconhecimento social que nos conforte. 
A idéia religiosa transpassa para a psique do sujeito. Todos crêem num lado pessoal de "divindade", que anseia por ser cultuado pelo outro. A ansiedade patológica ataca exatamente nesse ponto, quando se descobre que até o presente ninguém acreditou ou investiu em nossa necessidade de idolatria. 


A paranóia detém uma mensagem mais do que cruel dizendo que apenas aquele indivíduo pôde produzir reações agressivas em contato com seu meio; sendo que o ciclo vicioso se instala na junção entre a raiva, medo e certeza da perseguição. Jamais há a clareza do motivo real da perseguição; tudo o que se conclui é que o indivíduo jamais poderá fazer parte de uma convivência harmoniosa entre seus pares.


 O pessimismo é uma variante menor da paranóia, sendo que a semelhança entre ambas é "a pessoa viver como se estivesse num país hostil e inimigo", como observava ALFRED ADLER. 

FREUD sempre sustentou que o ser humano buscava o prazer de todas as formas; a concentração de suas teses na sexualidade são a prova de tal pensamento. Porém, não deixou de se sentir incomodado com determinados distúrbios que talvez contrariassem tal afirmação



. O masoquismo e a paranóia se chocavam com determinada assertiva, pois eram distúrbios neuróticos totalmente associados a dor, contrariando a tese descrita por ele. 


Então o mesmo elaborou o conceito do "INSTINTO DE MORTE"; algo inerente à natureza humana que teria a função do retorno ao inanimado. Muitos críticos de sua obra até os dias de hoje contestam tal conclusão, pois não vêem nenhuma base científica ou psíquica para esta afirmativa.


 O fato que talvez muitos se esqueçam é sobre a transitoriedade de todas as experiências da vida. 


Tanto o paranóico, ciumento ou masoquista, jamais terá a certeza da posse de algo. Como resposta a esta angústia dilacerante desenvolvem um constante conceito e certeza do sofrimento inevitável, no sentido de degradarem o objeto de prazer, pois, como o temor da perda é insuportável, o sofrimento diário lhes daria algum alívio de como lidar com o fim de suas expectativas ou desejos.


 Evitando o choque e luto de uma perda astronômica, ensaiam lidar com a morte em doses homeopáticas, que infelizmente se tornam agudas. A paranóia é a persistência de se colocar todos os "holofotes" sociais em cima de determinado sofrimento individual. 

O delírio ou manifestação extrema do ciúme se insere no contexto da desconfiança e paranóia. Como disse antes, a psicanálise de FREUD considerava o mesmo uma projeção dos anseios reprimidos de determinada pessoa, desconfiando intensamente do parceiro, a fim de não ter de lidar com seus próprios impulsos ou desejos de traição sexual. O hiato acerca desta tese é que o ciúme revela uma grande soma de inveja e competição. A idéia de que o outro consiga mais prazer ou destaque em determinada área da vida, se torna o ponto central de ódio e desespero. O ciúme é uma representação da futura derrota num processo de competição afetiva e sexual; que na verdade ocorre todos os dias nos diferentes setores da sociedade. A dor e angústia ocorrem por esta competição se dirigir plenamente ao ego do indivíduo; ao contrário de outros setores sociais onde a pessoa poderá racionalizar a perda perante a enorme concorrência. O ciúme é doloroso exatamente por este fato, a disputa é apenas com uma ou poucas pessoas e situações, se evidenciando todo o complexo de inferioridade do sujeito. O ciúme coloca alguns pontos de interrogação do tipo: a experiência do prazer é uma ilusão, perante o tormento diário vivenciado? Será que para determinada pessoa ocorre uma proibição do gozo, após ter encontrado o parceiro ideal? A angústia sobre perdas que jamais teremos controle? 

Em síntese o ciúme é a mais pura manifestação invejosa de uma imagem supostamente de perfeição que o outro nos passa cotidianamente; também é a necessidade quase que absoluta do conflito em detrimento de uma parceria de crescimento.O ciumento sempre irá lidar com a horrenda conclusão de que sua insegurança é devido ao fato de que seu objeto amoroso foi conquistado por pura sorte; estando inferior em vários pontos perante o parceiro: beleza, sedução, inteligência e carisma dentre outros. Será que a experiência da paixão profunda só ocorre com alguém que sentimos ser superior ou nos desafia? O ciúme é a descoberta mais do que cruel que teremos de pagar uma conta altíssima pelo depósito de nossas fantasias no outro. A verdade é que o ciúme espelha a idéia difundida pelo sistema econômico de que o "valioso" é praticamente inacessível ao homem comum; sendo que quem deseja algo que supostamente é especial terá de lidar infinitamente com a desconfiança e medo do "roubo". 

Lendo todos os conceitos colocados se abre a reflexão inexorável sobre o que é o respeito dentro de um relacionamento. A paranóia com toda a certeza é a antítese do mesmo, tanto para a pessoa, quanto para sua relação. A paranóia é o total depósito mental do passado na atualidade dos relacionamentos; sendo uma experiência íntima de caráter essencialmente destrutivo; tendo como intuito à chamada da atenção maciça sobre a pessoa. ADLER também observou o caráter de pessoa mimada no distúrbio da paranóia; pois o sujeito apela para todos os demônios que a mente pode criar a fim de obter uma posição de destaque e primazia em relação aos problemas da coletividade onde se insere. A luta do paranóico objetiva sugar toda a energia circundante para a chamada da atenção perante sua falha de caráter que jamais poderá ser suprida: sentimento de desamparo e abandono. O paranóico desde cedo nutriu a sensação de ser o "último da fila" em todas as situações. 

Apenas gostaria de ressaltar a contradição que o paranóico carrega em relação à problemática social da solidão. Se esta última talvez seja o fator de maior tormento de nossa atualidade, como pode uma pessoa sistematicamente afastar todos os seus contatos interpessoais? A resposta é uma tanto simples e clara; o paranóico almeja colecionar e se vangloriar de todas as injustiças supostamente sofridas ao longo de suas conturbadas e complicadas relações que estabeleceu, não que neguemos que o mesmo tenha sofrido ou sido explorado durante sua história pessoal, mas, o fato central é a vigilância exacerbada perante uma nova possibilidade de angústia ou frustração. O mesmo escolhe revirar constantemente a escória do sentimento humano, talvez para provocar uma sensação de destaque às avessas. O embrião da personalidade autocrática é a fuga extrema não apenas da crítica, mas, do efeito global que a mesma acarreta em seu complexo de inferioridade, que sempre está disposto a avançar em todos os setores da vida da pessoa. 

A paranóia não deixa de ser também uma espécie de contra imagem da fama, nesta, a pessoa será perseguida por ser um modelo de prazer coletivo; já na paranóia todo o assédio é produto da auto crítica, ódio e medo de várias situações reais ou não vivenciadas pela pessoa, seja interna ou externamente. Se pensarmos em termos de relação econômica e social poderemos fazer um paralelo com a questão da paranóia ou desconfiança. É doloroso o fato de se possuir ou vivenciar algo que não possa ser desfrutado; o dispêndio de energia com a desconfiança e medo tomam por completo a real consecução do prazer. O desejo de consumo possui o mesmo mecanismo, tornando a pessoa eternamente insatisfeita e a procura de novos objetos, assim que acabou de consumir algo que achava que era seu desejo. A paranóia se alia a eterna sensação de dívida, pois o indivíduo acometido de tal distúrbio não almeja pagar os tributos da vida para a consecução de sua saúde mental, que em síntese seria usufruir plenamente do que se têm: troca afetiva e sexual; econômica e social. 

Infelizmente nunca fomos educados para a troca de sentimentos. Cada ser humano possui uma espécie de "identificador pessoal de desejos", que lhe dá um sentido e orientação na dura tarefa de viver. Porém, parece que algumas pessoas estão com o mesmo quebrado, caindo no desespero profundo, tentando tomar anseios alheios ou coletivos criados pela sociedade como seus referenciais íntimos. A inveja como frisei acima é uma companheira inseparável da paranóia, pois tudo que não emana de uma profunda reflexão e certeza pessoal irá acarretar dor e sofrimento. A amargura e ansiedade que corroem o homem moderno têm sua gênese na falta de uma base sólida de valores reais. "Correr sem saber para onde", "desejar o que não temos certeza de que nos agrade", "sentir ciúmes de algo falido por puro desejo de posse", são os atributos da psique coletiva doente. Compete a cada um a tentativa de se conhecer, caso não deseje caminhar para o abismo ou cegueira social; enfim, perceber como dizia ADLER: "Quem não está pronto para dividir, não está apto a ter ou ser". 

*FREUD acreditava que o impulso da agressividade é herdeiro diretamente do complexo de Édipo mal resolvido; sendo que a criança não se conformava jamais de perder a posse sobre um dos genitores em função do matrimônio. Esse sentimento seria transformado em rebelião e contestação na fase adulta. 

*A fase genital é o período onde a pessoa está apta a usar a sexualidade no sentido pleno do prazer e amor. É a última transição da puberdade para a fase adulta. 



ANTONIO  Carlos Araujo psicologo

BIBLIOGRAFIA: FREUD, SIGMUND. O CASO SHEREBER. OBRAS COMPLETAS. 

FREUD, SIGMUND. O TABÚ DO INCESTO. OBRAS COMPLETAS. 

FREUD, SIGMUND. ALÉM DO PRINCÍPIO DO PRAZER. OBRAS COMPLETAS. 

ADLER, ALFRED. O SENTIDO DA VIDA. MADRID: EDITORA PAIDÓS, 1936. 

“Quem alimenta a dor... não suporta o prazer”

Tem gente que viaja o mundo inteiro e nunca sai do seu próprio lugar.




"Alguns viajam pelo mundo todo, mas nunca tiveram a coragem ou habilidade para viajar para dentro de si mesmos..."



quarta-feira, 27 de junho de 2012

Você repete freqüentemente que é preciso reinventar o amor. Como se faz isso?





Você [Alain Badiou] é um dos poucos filósofos contemporâneos que introduziu em sua reflexão algo único, quer dizer o amor. 


Você repete freqüentemente que é preciso reinventar o amor. 

Como se faz isso?

- O amor é um gesto muito forte porque significa que é necessário aceitar que a existência de outra pessoa se converta em nossa preocupação. Minha ideia sobre a reinvenção do amor quer dizer o seguinte: uma vez que o amor se refere a essa parte da humanidade que não está entregue à competição, à selvageria; uma vez que, em sua intimidade mais poderosa, o amor exige um tipo de confiança absoluta no outro; uma vez que vamos aceitar que esse outro esteja totalmente presente em nossa própria vida, que nossa vida esteja ligada de maneira interna a esse outro, pois bem, já que tudo isto é possível, isto nos prova que não é verdade que a competitividade, o ódio, a violência, a rivalidade e a separação sejam a lei do mundo. O amor está ameaçado pela sociedade contemporânea. Essa sociedade bem que gostaria de substituir o amor por um tipo de regime comercial de pura satisfação sexual, erótica, etc. Então, o amor deve ser reinventado para defendê-lo. O amor deve reafirmar seu valor de ruptura, seu valor de quase loucura, seu valor revolucionário como nunca o fez antes. Não se deve deixar que o amor seja domesticado pela sociedade atual - que sempre busca domesticá-lo-. Em outros tempos, as sociedades clericais e tradicionais buscaram domesticá-lo pelo matrimônio e a família. Hoje se busca domesticar o amor com uma mescla de pornografia livre e de contrato financeiro. Mas devemos preservar a potência subversiva do amor e afastá-lo dessas ameaças. E isso é extensivo a outras coisas: a arte também deve afastar-se da potência do mercado, a ciência igualmente. Ali onde há um pensamento humano ativo e desinteressado há um combate para libertá-lo dos interesses.





terça-feira, 26 de junho de 2012

Este sentimento todo ser humano já sentiu na vida quando era criança e pensava que era o....... centro do universo.






 Este sentimento todo ser humano já sentiu na vida quando era criança e pensava que era o.......

centro do universo.

 Quando descobriu que não era sentiu-se excluído.

 Sentiu-se excluído toda a vez que papai e mamãe saiam e ele ficava só em casa. 

Quando tinha que ir para o quarto e papai e mamãe ficavam na sala.

 Quando papai e mamãe iam para o quarto deles e ele ficava só no quarto.
 Quando papai e mamãe se olhavam e diziam coisas um para o outro e ele estava excluído.

 Isto gera uma dor e esta dor volta toda vez que acontecem eventos nos quais eu não estou incluído.
 Dependendo de como esta fase da vida foi elaborada e de como anda a minha autoestima, lido melhor ou pior com o sentimento de exclusão.



 Toda criança sentiu em algum nível os sentimentos de exclusão e rejeição porque uma criança pequena é demasiadamente dependente, insegura, insuficiente e vulnerável, uma vez que ela não tem um aparelho psíquico suficientemente desenvolvido, nem formado. 

Quando ela vê que o papai e a mamãe fazerem coisas que para ela são impossíveis como andar, falar, escrever, cozinhar, carregar uma cadeira ou amarrar o cadarço do tênis com perfeição, estes se tornam seus heróis e sua necessidade de receber afeto e atenção destes pais é excessiva, por isso, é impossível não frustrar.

 E a frustração, por sua vez é fundamental para a criança crescer e amadurecer.



Este sentimento também todos já sentiram na vida e de alguma maneira, uns menos outros mais, ficou marcado em nós.
Toda criança sentiu em algum nível os sentimentos de exclusão e rejeição porque uma criança pequena é demasiadamente dependente, insegura, insuficiente e vulnerável, uma vez que ela não tem um aparelho psíquico suficientemente desenvolvido, nem formado.


 Estes sentimentos nos marcam e nos acompanham durante a vida deixando feridas e

 quando o outro  não  adivinha os NOSSOS desejos, nos frustra e não corresponde as nossas expectativas as feridas 
voltam a doer.


 Como nos curamos desses sentimentos?


 Não sei se já descobriram a cura total, mas é possível amenizar a dor –
http://leamichaan.wordpress.com

domingo, 24 de junho de 2012

Por favor, parem de me ROTULAR!. . .O autoconhecimento é fundamental para atingir seus objetivos pessoais e profissionais. . .











Por favor, parem de me ROTULAR!

Desconsidere como rótulos os resultados dos testes, a justificativa é que: eles não refletem 100% do avaliado, ou seja, vc não é só isso, por isso dirija seu foco para seus comportamentos, e não gaste sua energia se defendendo... 

Mas, clientes submetidos a testes falam do incômodo de serem rotulados como: agressivos, perfeccionistas, tratores, bonzinhos, calmo, a
nsiosos...

Afinal, por que isso os incomoda?
Qual é a força que existe em uma verdade mentirosa?

Muita vez o resultado de um teste gera um paradoxo, pois a interpretação do teste feita pelo sujeito pode ser alienante se este se deixa nomear identificando-se e fixando-se em seu conteúdo. 



Ou seja, em vez de ajudar atrapalha: a identificação (sou isso) tem por base a propriedade do ser humano de se identificar com as coisas. 


E a priori generaliza-se toma-se como sendo absoluto algo que é da ordem de uma verdade incompleta, pode ser mentira, e as pessoas ficarão tontas correndo atrás da verdade.

Me incomoda pois, sou rotulável!

E quando me rotulam isso me irrita bastante deixando-me agressivo, não consigo rejeitar esse rótulo que cola em mim, e essa mentira faz parecer que minha inteligência nada mais seja que uma “resistência”.

Por que o resultado de um teste funciona como um desconhecimento de si mesmo que irrita o sujeito? 



Trata-se de uma verdade sem selo de garantia?

Apontar um sintoma não é tratar, e pode fixar o sujeito ainda mais...







Tratar um sintoma requer uma mudança paradigmática, na expectativa de se garantir no Outro da linguagem, suposto juiz das verdades...







Tratar um sintoma requer uma mudança paradigmática, na expectativa de se garantir no Outro da linguagem, suposto juiz das verdades...

sexta-feira, 22 de junho de 2012









A força do ser humano e o impulso do corpo estão ancorados no desejo, somos atores dos nossos atos inconscientes.
 Não conseguimos fugir de nós mesmo, a própria tentativa de fuga é a volta a si mesmo ...






 Eduardo Lucas Andrade

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O Efeito Sombra: Encontre o Poder Escondido na Sua Verdade (FULL FILM HD)

DESEJO. . .










DESEJO

Você acha que o medo de perder inibe o desejo?


Sim, porque não existe desejo que não implique em perda.



 Tanto que quem não sabe perder, não consegue desejar.


 Desejar é perder, pelo menos perder todas as outras coisas que você poderia ter feito em vez da que você vai fazer.

Desejar o desejo pode ser mais gratificante do que realizar o desejo?


De certa forma, a gente sempre deseja o desejo. 



Até porque, a coisa mais importante para os desejos da gente é que eles sejam reconhecidos, inclusive, a começar, reconhecidos por nós mesmos, e, eventualmente, pelos outros que estão ao redor da gente.

 Realizá-los é o de menos.


 O que o desejo quer é ser reconhecido, e isso é condição básica de uma certa saúde mental.




Contardo caligaris psicanailsta

quarta-feira, 20 de junho de 2012

A RAIZ DA DIFICULDADE EM FAZER ESCOLHAS



A RAIZ   DA   DIFICULDADE   EM   FAZER   ESCOLHAS. . . 

Tente se lembrar da última vez em que teve que tomar uma grande decisão em que estavam presentes diversas possibilidades de escolha. 


Provavelmente, antes de decidir-se por uma das alternativas, você experimentou uma sensação bastante incômoda chamada ANGÚSTIA. 


A imensa maioria das pessoas tem dificuldade em fazer escolhas justamente por causa desse sentimento tão desagradável. 


A fim de evitá-lo, adiam, enrolam e postergam indefinidamente suas tomadas de decisão.

Você consegue discernir de onde vem a experiência da angústia, isto é, por que o ato de escolher não é acompanha 
 de tranquilidade e serenidade, mas dessa sensação desprazerosa que combina ansiedade e aflição?


Muitas pessoas responderiam a essa pergunta argumentando que a angústia vem do fato de que ao nos decidirmos por uma determinada opção, abrimos mão de todas as outras. Nesse sentido, teríamos dificuldade em tomar decisões por que não suportaríamos abandonar as demais possibilidades que a vida nos oferece.


Seríamos todos avarentos em relação às nossas alternativas existenciais.

Outra hipótese sustentada por muita gente é a de que a raiz da angústia da escolha seria o nosso medo de assumir responsabilidades. 



Toda escolha implica na admissão por parte daquele que escolhe de sua condição de SUJEITO e não de objeto perante a vida, ou seja, de sua responsabilidade diante do destino que sua existência tomará.




 De fato, a maioria de nós teme demasiadamente essas consequências do ato de escolher, preferindo que outros tomem decisões em nosso lugar. 


A explicação é óbvia: caso as decorrências da escolha sejam ruins, prejudiciais, destrutivas, a responsabilidade será do outro e não nossa.

Conquanto eu admita que ambas as hipóteses fazem sentido e são, de fato, válidas parcialmente para a explicação da gênese da angústia da escolha, tendo a considerar que a verdadeira raiz de nossa dificuldade em decidir situa-se no significado que qualquer escolha tem para a nossa relação com o mundo.

Explico: a experiência psicanalítica nos mostra que uma das questões-chave que habitam o cerne do ser de cada pessoa é a seguinte: -



"O que o mundo quer de mim?".


 Essa é a questão que desde bebezinhos nos fazemos, desde o momento em que, de repente, a mamãe passou a nos deixar um pouco de lado e voltar a ter olhos para o papai, para o emprego, para o telefone que toca... 


Desde aquele momento, em que a mãe é todo o nosso mundo, nos perguntamos: "Afinal de contas, o que eu preciso ser ou fazer para que esse 'mundo' volte a olhar para mim como antes, me amar incondicionalmente como antes e a me dar toda aquela atenção como antes?".

Isso significa que cada uma de nossas escolhas está de alguma forma enquadrada e referenciada por essa pergunta. 



Nesse sentido, antes de tomarmos qualquer decisão, antes de nos perguntarmos: "Escolho x ou y?", nos fazemos outra indagação ainda mais fundamental: "Como serei amado pelo mundo? Escolhendo x ou escolhendo y?".


 É óbvio que não estou dizendo que nós façamos esse questionamento conscientemente.


 É claro que não. 


Trata-se de uma pergunta inconsciente e à qual nós respondemos com soluções também inconscientes (que a psicanálise chama de fantasias).

Minha hipótese, portanto, é de que nossa dificuldade em fazer escolhas decorre do fato de que tememos que nossas decisões estejam "erradas" do ponto de vista do que o "mundo" (o Outro) vai pensar de nós.



 A angústia vem justamente daí, como efeito do nosso desconhecimento em relação ao desejo do mundo. 


Dito de outro modo, estamos permanentemente às voltas com a pergunta: -
"Quais escolhas certas devo fazer para ser amado, para que eu esteja de acordo com o que o mundo deseja que eu seja?"


.Lucas Napoli psicanalista.

terça-feira, 19 de junho de 2012

A defesa em relação ao sentir é o veneno da alma. . .


















A defesa em relação ao sentir é o veneno da alma. Se tiver que sofrer sofra, se tiver que amar, ame. E por último:- O “conheça-te a ti mesmo” O que demanda uma introspecção, um silenciar o eu-ego (sempre mau conselheiro), para achar novos caminhos para velhos problemas.
Reinventar a vida....sempre.....porque...
sempre haverá uma soluçao criativa....

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Contardo Calligaris reflete o amor



Foto: Janete Longo
Contardo Calligaris reflete o amor (Foto: Janete Longo)
Ele é psicanalista, tem uma coluna semanal na Folha de S. Paulo, lançou em 2008 seu primeiro romance “O Conto do Amor" e recentemente o segundo, “A Mulher de Vermelho e Branco”. Certamente não é pouco assunto para querer conversar com ele. Mas só para romancear mais um pouco, o Dia dos Namorados está aí para puxar o assunto para o lado do amor. Ele topou o encontro para montar um pequeno glossário amoroso – simpática e generosamente comentado por Contardo Calligaris.


ESSENCIAL 
Criativa: O que é se sentir essencial para o outro e o outro ser essencial para gente?
Contardo Calligaris:
 É o fio de uma navalha. Uma história na qual o outro não é essencial para mim nem eu para ele, não é o que a gente chama de amor. Mas, ao mesmo tempo, o fato do outro ser essencial para mim e eu para ele desliza para o patológico, ou seja, fundamentalmente para um tipo de narcisismo de origem materna.



NARCISISMO MASCULINO
Os homens estão convencidos de que sua simples presença deveria ser uma razão de total contentamento de suas companheiras. Isso vem da relação totalmente privilegiada que os meninos têm com a mãe. Eles herdam dessa época a ideia firme de que eles devem fazer a felicidade do outro. Um homem aguenta muito mal que a mulher que ele ama esteja deprimida – mesmo que não tenha nada a ver com ele. Porque ele imediatamente projeta que é por causa dele, ele vive isso como a declaração de insuficiência. O homem tem esse defeito de achar que ele é essencial porque ele acredita ser a fonte do prazer e da felicidade da companheira, o que frequentemente, e com toda a razão, as mulheres não entendem, ou entendem mas se recusam a atuar nessa pantomima da felicidade cada vez que um homem aparece.


NARCISISMO FEMIMINO
Ao contrário, as mulheres estão sempre completamente incertas quanto a sua capacidade de tornar o parceiro feliz. As mulheres são sempre muito mais inseguras. “Será que ele está gostando de mim?” “Será que ele enjoou de mim” – se não enjoou, vai enjoar...


ABSOLUTAMENTE ESSENCIAL A mulher está numa posição de insegurança quanto à sua posição de essencial (entre aspas) na vida do homem, e o homem não tem esse problema. Ele é suficientemente neurótico para pensar que não precisa que ela ligue duas vezes ao dia, porque de qualquer jeito, ele é absolutamente essencial na vida dela.


CASAL
Um casal que vale a pena ser vivido por ambos tem uma relação na qual um tem fundamentalmente a função de permitir que o outro se autorize a fazer o que ele (o outro) quer. A função de cada um de nós em relação ao nosso parceiro ou parceira é a de fazer com que eles não amarelem diante do próprio desejo. Se não for assim, então você não está com o parceiro certo.


ENTREGA 
Ser capaz de iluminar o desejo do outro.


SEXO
Existe outra dimensão da entrega, que é a sexual, que tem a ver com iluminar o desejo do outro. Uma das definições para sexo é como uma espécie de declaração de máxima intimidade, em que cada um dá ao outro a intimidade máxima. Essa é apenas uma resposta, podem ser tantas...


FANTASIA
A sexualidade vive de fantasias, femininas e masculinas. Um casal que funciona é onde o parceiro lhe permite ter a coragem de suas fantasias sexuais, que não o impede de tê-las, que não o limita. Então isso complica muito. Primeiro porque uma boa maioria das pessoas sequer reconhece suas fantasias sexuais, tanto homens quanto mulheres. Portanto, existe o problema de não saber do que se alimenta enquanto transa. E, segundo, facilmente a gente tem a reação de censurar a fantasia do outro.
Na segunda parte da entrevista, Contardo fala mais sobre sexo - "é onde a maioria dos casais fracassa" -, sorte no amorseparaçãoterapia de casal e deixa um conselho para o Dia dos Namorados.



Continuação da entrevista com Contardo Calligaris:
SEXO DE MENOS
O sexo, aliás, é o lugar onde a maioria dos casais fracassa. Eu acho que, talvez, o consultório de um analista seja um lugar especialmente pessimista para olhar para isso, porque, claro, você recebe a demanda de quem se queixa. Mas deste observatório, a quantidade de casais que convivem há muitos anos, que são casados, que têm filhos ou não, e que têm uma vida sexual inexistente, é enorme.

SEXO DE QUALIDADE
Os casais deveriam avaliar a qualidade do sexo. Mas essa conversa necessariamente não existe, até porque eles vão mentir... A gente mede isso primeiro pela frequência. Mas o que na verdade a gente mede mesmo é se um dos dois se queixa.

SEXO PREGUIÇA
Um casal chega ao consultório dizendo que não transa há um certo tempo, você pergunta quanto, e eles respondem 14 anos. E por que só chegaram agora? Porque sexo dá preguiça e, às vezes, as pessoas constroem um casal justamente para se livrar dessa incumbência. Eu, como psicanalista, não acho nada sobre isso. Porque para mim é saudável tudo o que não produz queixa subjetiva, então, se eles são felizes...

SORTE NO AMOR Parece meio idiota dito por um psicanalista, mas eu acho que o amor, que as relações, são também, em grande parte, uma questão de sorte. Os encontros são acasos, são coincidências. Existem períodos na vida das pessoas que elas não encontram ninguém por quem se interessem, não encontram mesmo.

DEDINHO PODRE?
Acho interessante do ponto de vista psíquico quando as pessoas parecem sempre se interessar por pessoas com as quais não vai funcionar o relacionamento. São pessoas que não vão além de um encontro ou dois, e eles se sentem de alguma forma preteridos e ficam naquele.... pombas, de novo eu!

ENTRE DOIS AMORES
Pode acontecer? Como resolve?
Sim, suponho que sim. E ó, tem que escolher, porque vou te dizer, amar duas pessoas ao mesmo tempo dá uma preguiça, um trabalho horroroso, acho que tem que escolher. Pode amar muitos, mas o meu conselho é amar um de cada vez.

SEPARAÇÃO
Separar é pelo menos quase tão difícil quanto encontrar alguém. Tem pessoas que realmente podem viver anos na tentativa de se separar e não conseguir, por mil razões diferentes, e lá se vão mais 6 meses das vidas das pessoas, sem prazer algum. Eu acho, francamente, com pouquíssimas exceções, que não se tem nada a dizer na separação. Se as pessoas se separassem mais rapidamente seria mais fácil de dizer: “olha, tudo bem, nós vivemos 3, 4, 5, 10 anos, porque foi legal e importante, na minha vida e espero que tenha sido também na sua”.

TERAPIA DE CASAL
Normalmente a terapia de casal só faz sentido quando os dois querem continuar juntos. O que acontece, na metade dos casos, é que eles dizem que querem ficar juntos, mas, na verdade, acabam se separando depois de alguma sessões. O que é ótimo, porque afinal permitiram que acontecesse o que tinha que acontecer.

A DOR DA SEPARAÇÃO
Acho que tem uma grande parte de um componente narcisista na dor de separação amorosa, aquele momento do “ela ou ele não me quis mais”, que tem a ver com a relação da gente com a mãe. Esta é a falta, por assim dizer, mais estúpida da dor da separação. Tem a falta efetiva que alguém nos faz, não só na presença cotidiana, mas na função que essa pessoa tinha na nossa vida, inclusive no nosso desejo – não só no nosso desejo sexual, mas no nosso desejo de desejar. E tem uma quantidade de outras faltas. Para mim, por exemplo, uma das faltas mais penosas é o patrimônio de histórias vividas juntos, que passamos a não ter mais com quem compartilhar na memória. A partir de certo momento da vida, você sabe que nenhum companheiro ou companheira futura, por exemplo, poderá conhecer seus pais porque eles já morreram. Essa também é uma dimensão de perda que eu acho bem significativa.

DESEJO
Você acha que o medo de perder inibe o desejo?
Sim, porque não existe desejo que não implique em perda. Tanto que quem não sabe perder, não consegue desejar. Desejar é perder, pelo menos perder todas as outras coisas que você poderia ter feito em vez da que você vai fazer.

Desejar o desejo pode ser mais gratificante do que realizar o desejo?
De certa forma, a gente sempre deseja o desejo. Até porque, a coisa mais importante para os desejos da gente é que eles sejam reconhecidos, inclusive, a começar, reconhecidos por nós mesmos, e, eventualmente, pelos outros que estão ao redor da gente. Realizá-los é o de menos. O que o desejo quer é ser reconhecido, e isso é condição básica de uma certa saúde mental.

E, por fim, Contardo recomenda para esse Dia dos Namorados, com amor:
A razão de existir de um casal é para que você permita ao seu parceiro ou parceira viver ao máximo o desejo dele ou dela. Então, não tem negociações entre um casal, do tipo: “Eu renuncio a minha coleção de selos, se você renuncia a ter um cachorro em casa.” Isso não existe. Não discuta a relação, nem no Dia dos Namorados, nem nunca.