segunda-feira, 30 de julho de 2012





Fizemos dos olhos uma espécie de espelhos virados para dentro, com o resultado, muitas vezes, de mostrarem eles sem reserva o que estávamos tratanto de negar com a boca. 

[José Saramago]

IO CHE NON VIVO (SENZA TE)

Io Che Non Vivo Senza Te........... (Tradução)








Estamos aqui sozinhos
como cada noite
mas você é mais triste
e eu sei o porque.

Sei que quer dizer-me
que não é feliz
que eu estou mudando
e que quer me deixar.

Eu que não vivo
mais de uma hora sem você
como posso estar uma vida sem você
você é minha, é minha
nunca algo, o sabe,
nos separar um dia poderá.

Venha cá, escute-me
eu lhe quero bem
lhe peço fique
ainda comigo.

Eu que não vivo
mais de uma hora sem você
como posso estar uma vida sem você
você é minha, é minha

Eu que não vivo
mais de uma hora sem você
como posso estar uma vida sem você
você é minha, é minha

sexta-feira, 27 de julho de 2012


‎"Não, solidão, hoje não quero me retocar
Nesse salão de tristeza onde as outras penteiam mágoas
Deixo que as águas invadam meu rosto
Gosto de me ver chorar
Finjo que estão me vendo
Eu preciso me mostrar
Bonita
Pra que os olhos do meu bem
Não olhem mais ninguém
Quando eu me revelar
Da forma mais bonita
Pra saber como levar todos
Os desejos que ele tem
Ao me ver passar
Bonita
Hoje eu arrasei
Na casa de espelhos
Espalho os meus rostos
E finjo que finjo que finjo
Que não sei"

Chico Buarque-A Mais Bonita
esta música cantada por Maria Bethânia:

http://www.youtube.com/watch?v=MZt5Ygfs1PE

terça-feira, 24 de julho de 2012












O dialogo amoroso é igualmente feito de silêncios. 


Não somete o silêncio de um enquanto ouve o outro. Mas, também os silêncios em que ambos, continuam seu discurso...
São aqueles momentos, tão frequentes sobre tudo depois dos encontro sexual, em que felicidade e apaziguamento se fazem tão intensos a ponto de superarem as possibilidades da fala...


A paz se estabelece no não-dito, depois qualquer palavra representa um risco de ruptura na perfeição deste equilíbrio... 
Se estou tão perturbadoramente feliz me calo, porque não me ocorre nada, absolutamente nada que eu pudesse dizer...
 A plenitude faz de mim um ser anterior a palavra, me remete a condição de bebê alimentado e enxuto, beatifico na satisfação de todos os seus desejos...


É porque conheço a essência do meu silêncio, ouço o silêncio da amada (o) o mesmo sentimento...
Pela primeira vez seu silêncio me tranquiliza como uma declaração de amor... 


E nem me ocorre de perguntar: 




"O que é que você está pensando?"

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Borderline - A Falta de Noção de Si Mesmo...








A personalidade borderline é caracterizada pela falta de noção de si, ou seja, essas pessoas tendem a não saber quem elas são, do que gostam ou do que esperam da vida. 

Por isso, tendem a ter dificuldades em fazer escolhas, tendem a ser contraditórios em suas opiniões e atitudes, e muitas vezes relatam crise de identidade. 

Isso também leva o paciente a dizer que se sente vazio e dependente do outro, pois ao não ter uma auto-referência, há uma tendência a esperar a referência do outro, isto é, que o outro lhe diga o que ser, como ser, o que fazer, etc.

Como a personalidade é construída basicamente pela interação da pessoa com o meio, pode-se dizer que a crise de identidade no borderline é decorrente da falta de estímulos do ambiente externo que poderiam auxiliar a pessoa a construir a auto-referência, a noção de si mesmo, a noção de sua personalidade.
http://vidadeumaborderline.blogspot.com.br

segunda-feira, 16 de julho de 2012



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Nem só de ausências são preenchidos os pequenos espaços no amor... Vazios ocorrem também no períodos de resfriamento. 


Basta termos a impressão de que já não somos tão amados, para que se crie um espaço diferente...
É o espaço da dúvida, em que hesitamos em acreditar que a desconfiança seja devida apenas a nossa excessiva exigência amorosa, sem que nada de real no outro a confirme...
Ou então, crer que a nossa sensibilidade apurada pelo amor captou sinais talvez quase imperceptíveis, e que realmente o outro já não é o mesmo em relação a nós... Sabemos que no primeiro caso deveríamos agir sobre nós mesmos, lutando contra a insegurança, sem cobrar do outro aquilo que ele não nos deve...
No segundo, ao contrário, deveríamos nos voltar para o outro afim de obter a informação verdadeira...
Mas sem saber ao certo qual seja a situação, oscilamos entre uma e outra possibilidade, insensivelmente botando um pé atrás e estabelecendo um novo clima...
Vazios são também os períodos em que somos nós que amamos menos... Períodos em que os defeitos do outro nos parecem mais consistentes, às vezes até insuportáveis, e chegamos a descobrir novos para justificar a irritação que sentimos e que, tão diferente do amor que sentíamos ontem, não queremos atribuir somente a nossa própria mudança...
É também a fuga mais conveniente para não termos que partir em grandes escavações, a fim de descobrir as causas reais do nosso desamor... 



Nas quebras de imagem, outros vazios se formam.


 Como em uma pintura antiga, numa relação duradora à imagem idealizada do amado vai se cumprindo de pequenas rachaduras, aquilo que em artes se chama craquelê. A maioria destas rachaduras acontece se sequer percebamos. Mas há depressões mais profundas, que de repente nos abalam...
A cada um nos perguntamos:-
 "Será que ainda conseguirei ama-lo (a)?"  
Enquanto a pergunta dentro de nós não encontra sua resposta, há um empalidecimento do amado(a), ele já não é tão sólido como objeto de amor... Em muitas vezes sem que ele se quer saiba por que, também não somos para ele amantes tão intensos (um dos medos quando suspeitamos que o outro(a) esteja esfriando em relação a nós é de que tenha ocorrido na imagem idealizada que ele(a) tem de nós um sulco grave, capaz de determinar nosso destino sem que tenhamos qualquer controle sobre ele).
Dificuldades econômicas, problemas com o trabalho, com a saúde (sem sabermos), tudo pode contribuir para esburacar o amor... 
E há sempre muito que podemos fazer para que aos espaços vazios correspondam outros tantos espaços cheios...




A continuação do texto esta no meu site:www.ronaldodemattos.com com o título: Os vazios , na sessão Psicanálise.

domingo, 15 de julho de 2012

‎"A idéia de se desperdiçar tempo é falsa.




‎"A idéia de se desperdiçar tempo é falsa. 




Isso nunca acontece. 


Usamos nosso tempo dentro de nossas capacidades.


 Se não estamos “produzindo” como o mundo nos cobra é por que ainda não somos capazes disso.


 Contudo, 


se o que se pretende é a realização, 


que é dependente da criatividade, 


então teremos que ser tolerantes quanto nosso tempo ocioso até que a 




criatividade chegue. . . .






Acho insuportável essa pressão social para estarmos sempre fazendo alguma coisa, ainda que seja algo que não presta para nada.








A ociosidade passou a ser um pecado, um crime.








 E o ócio criativo? 








Como alguém que vive sempre atarefado pode ser livre para criar, para fazer poesia, para sonhar, para compor uma sinfonia? 





Penso que o que chamam de vagabundagem pode - e deveria muitas vezes - ser interpretado por viver o presente, estar no presente, o que é uma atitude zen. 





Libertemo-nos dessas amarras,





 produzamos no momento certo, nos deleitemos com o prazer de nada fazer e simplesmente se permitir ser, no aqui e agora! 





Garanto que teremos menos neuróticos e mais artistas; talvez menos ricos, mas mais pessoas felizes. Que tipo de sociedade é melhor? 





Qual realmente queremos?





http://www.pensar-seasi-mesmo.blogspot.com.br/2011/11/paradoxo-do-tempo-livre-entrevista-de.html



quinta-feira, 12 de julho de 2012

A virtude não iria longe se a vaidade não lhe fizesse companhia.












O que tomamos por virtudes muitas vezes não passa de um conjunto de ações diversas e de diversos interesses que o acaso e a nossa indústria sabem ajustar; e nem sempre é por valentia e por castidade que os homens são valentes e as mulheres castas.

A virtude não iria longe se a vaidade não lhe fizesse companhia.

(...) Os vícios entram na composição das virtudes como os venenos na dos remédios. 



A prudência mistura-os, tempera-os, e serve-se deles eficazmente contra os males da vida.

[La Rochefoucauld, In: 'Reflexões']
 —



Não consigo mais aceitar relações pela metade. Em outras palavras, raspas e restos não me interessam. [Caio Fernando Abreu]

quarta-feira, 11 de julho de 2012

fidelidade obrigatória não é virtude. . .








a vida é um teatro

Há cinco meses, comecei a namorar uma garota e nós combinamos um relacionamento aberto, pois ela não queria deixar de sair com o ex ou algum outro. Topei por gostar dela e também para experimentar esse tipo de relação. 
Só que não gostei e terminei o namoro.
Mas ela quer continuar.
 Diz que deseja ficar somente comigo.
 Não acredito que o medo de me perder seja suficiente para ela abrir mão dos seus desejos.
 E nem acho justo. 
Se eu não consegui me sacrificar, por que ela deveria fazer um sacrifício? 

Foi apenas um triste desencontro. 

Será que eu estou errado de não confiar nela?


BETTY MILAN RESPONDE

Você está certo de respeitar o seu sentimento e de seguir a sua intuição. 
Se não gostou do “relacionamento aberto”, não tem por que continuar.
 Só mesmo se você fosse masoquista.
 Se não acreditou na possibilidade de a namorada ser fiel, é porque intuiu que a ex não tem vocação para isso. 
Até pode ficar somente com você, porém não ficará feliz.
 Viverá contrariada.
 Como diz Nelson Rodrigues, quando a fidelidade é obrigatória, ela é uma virtude vil. 
Nada é pior do que forçar a barra.
 Verdade que o amor pode mudar uma pessoa e que a ex talvez tenha se apaixonado por você. Mas bom mesmo é encontrar a pessoa que não precisa mudar, a pessoa certa.
 Aquela que corresponde ao nosso ideal, é exatamente como a gente imagina que deveria ser. Ou é melhor ainda do que o ideal, uma pessoa que sequer ousamos imaginar. Por incrível que pareça, isso acontece.
Por outro lado, quem ama não se sacrifica. 
Ama simplesmente. 
No amor, o desejo de um é o do outro.
 Um realiza a sua liberdade apostando na liberdade do outro.
 Por isso, o amor é sinônimo de contentamento. 
Ainda que ele possa ser “um contentamento descontente”, como escreveu Camões na sua lírica. Descontente porque até na presença do amado o amante pode dizer: “E estando me faltas”. Este grande verso é de Neide Archanjo, poeta brasileira contemporânea.
O que você viveu não tem nada a ver com o sentimento amoroso, que ignora o projeto de relacionamento aberto ou fechado.
 Não nasce e não se sustenta em nenhum projeto que não seja o de viver o amor, sonhar acordado e bendizer a espera.
 O amante não contradiz o amado, que assim pode ser como ele é. Nada conta tanto para o amante quanto a coincidência e nada lhe é mais estranho do que a desavença.
 Ele não diz eu quero, diz eu gostaria.
 A delicadeza é a sua característica e a sua presença pode ser comparada à claridade. Faz ver um arco-íris, um céu como nenhum outro.
 Pela experiência única que propicia, o amor é eterno, nunca vai deixar de existir. 
Como o livro, que nenhuma versão digital pode substituir.

 Nada se equipara ao prazer do livro nas mãos, do dedo prendendo a página ou deslizando sobre a frase no papel. 
O livro, a gente dá e recebe.
 Às vezes, com uma dedicatória inesquecível, que faz dele um exemplar especial, único. 
Betty Milan psicanalista


Nosso subconsciente é o canal que está ligado ao mundo Espiritual, é o canal que está conectado a tudo e a todos, sendo assim possui um poder inestimável e infinito.



Como podemos controlar nosso subconsciente para mudar nossas vidas?
 A mente consciente comanda o subconsciente, ela dá as ordens e o subconsciente segue. 
O desafio está em dar as ordens certas. 
Provavelmente esta metáfora explique melhor:
Em um navio existia um comandante e sua tripulação, o comandante tinha o destino de ir à Austrália, mas como nunca tinha navegado para aqueles lados, pediu instruções a um grupo de cavalheiros que se encontravam beirando o porto, os cavalheiros instruíram o comandante e esse mesmo passou estas instruções à tripulação, a tripulação confiava em seu comandante e seguiu as ordens exatamente como foram passadas. 
A tripulação começou a se mover, levantou âncoras, e colocou o navio nas coordenadas que o comandante havia dito.
 Feito isso seguiram navegando, mas depois de alguns dias o comandante e toda sua tripulação notaram que o clima ficava cada vez mais frio, e passado mais dias ainda blocos de gelos começaram a surgir no mar, mas o comandante insistia que o caminho era por ali, e assim foi até se completar um mês e toda a tripulação junto com o comandante morrerem congelados.
Nota-se aqui uma história triste mais que poderia ser evitada se o capitão tomasse consciência que o caminho que seguia era para a destruição. 
A nossa mente consciente é o comandante do navio que passa as ordens para a tripulação (mente subconsciente), é essa segue as ordens exatamente como foram passadas.
 Cabe a nós, decidir para onde vamos, e assim passar essas ordens à nossa tripulação mental, se concluirmos que o caminho não está nos fazendo bem, tomamos outro rumo.

terça-feira, 10 de julho de 2012

MULHER. . . .
















UMA MULHER TEM SEMPRE ALGO DE PERDIDA

“A sexualidade feminina dá notícias de certo fracasso, se não for exagero dizer isso, da metáfora paterna, pois o falo não recobre todo o campo do desejo da mãe. Algo do significado para um sujeito frente ao desejo materno permanece enigmático já que a mãe também é mulher e não há como transmitir à sua filha o que é ser mulher; algo na mãe escapa à lei simbólica, ela também é nãotoda submetida à função fálica” Carmen Silvia Cervelatti (EBP/AMP)

Não deixe de ler o texto na íntegra:



 http://www.boletimoutraspalavras.com.br/op/outras_palavras010.pd








"Senão é como amar uma mulher só linda.
 E daí? Uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza, qualquer coisa de triste, qualquer coisa que chora, qualquer coisa que sente saudade. Um molejo de amor machucado, uma beleza que vem da tristeza de se saber mulher...


" Vinícius e Toquinho, Samba da Bênção

sábado, 7 de julho de 2012

“As pessoas, quando educadas para enxergarem claramente o lado sombrio de sua própria natureza, aprendem ao mesmo tempo a compreender e amar seus semelhantes.” (C. G. Jung.)








"Há uma alquimia interna no íntimo de cada ser humano que, misteriosamente, mescla sentimentos com impulsos para a vida.
O amor participa da alquimia da vida, como o tempero de Deus, para que ela seja degustada.
Depressão é medo. 
Medo que está na alma, no inconsciente, precisando ser transformado em energia para a criatividade.
Depressão é ausência de luz na consciência e fuga
de si mesmo."

Do Livro Alquimia do Amor- Depressão, Cura e Espiritualidade, de Adenáuer Novaes

terça-feira, 3 de julho de 2012

Sorria! Pesquisas mostram que valorizar a felicidade produz insatisfação e mesmo depressão



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Sorria!
Pesquisas mostram que valorizar a felicidade produz insatisfação e mesmo depressão
Na frente da câmara fotográfica, ninguém precisa nos dizer "Sorria!"; espontaneamente, simulamos grandes alegrias, sorrindo de boca aberta.
 Em regra, hoje, os retratos são propaganda de pasta de dentes -se você não acredita, passeie pelo Facebook, onde muitos compartilham seus álbuns, rivalizando para ver quem parece melhor aproveitar a vida.
O hábito de sorrir nos retratos é muito recente. Angus Trumble, autor de "A Brief History of the Smile" (uma breve história do sorriso, Basic Books), assinala que esse costume não poderia ter se formado antes que os dentistas tornassem nossos dentes apresentáveis.

Além disso, os retratos pintados pediam poses longas e repetidas, para as quais era mais fácil adotar uma expressão "natural".
 O mesmo vale para os daguerreótipos e as primeiras fotos: os tempos de exposição eram longos demais. 

Já pensou manter um sorriso por minutos?

Outra explicação é que o retrato, até a terceira década do século 20, era uma ocasião rara e, por isso, um pouco solene.
Mas resta que nossos antepassados recentes, na hora de serem imortalizados, queriam deixar à posteridade uma imagem de seriedade e compostura; enquanto nós, na mesma hora, sentimos a necessidade de sorrir -e nada do sorriso enigmático do Buda ou de Mona Lisa: sorrimos escancaradamente.
Certo, o hábito de sorrir na foto se estabeleceu quando as câmaras fotográficas portáteis banalizaram o retrato. Mas é duvidoso que nossos sorrisos tenham sido inventados para essas câmaras. 

É mais provável que as câmaras tenham surgido para satisfazer a dupla necessidade de registrar (e mostrar aos outros) nossa suposta "felicidade" em duas circunstâncias que eram novas ou quase: a vida da família nuclear e o tempo de férias.

De fato, o álbum de fotos das crianças e o das férias são os grandes repertórios do sorriso. No primeiro, ao risco de parecerem idiotas de tanto sorrir, as crianças devem mostrar a nós e ao mundo que elas preenchem sua missão: a de realizar (ou parecer realizar) nossos sonhos frustrados de felicidade. Nas fotos das férias, trata-se de provar que nós também (além das crianças) sabemos ser "felizes".
Em suma, estampado na cara das crianças ou na nossa, o sorriso é, hoje, o grande sinal exterior da capacidade de aproveitar a vida.

 É ele que deveria nos valer a admiração (e a inveja) dos outros.
De uma longa época em que nossa maneira e talvez nossa capacidade de enfrentar a vida eram resumidas por uma espécie de seriedade intensa, passamos a uma época em que saber viver coincidiria com saber sorrir e rir. 

Nessa passagem, não há só uma mudança de expressão: o passado parece valorizar uma atenção focada e reflexiva, enquanto nós parecemos valorizar a diversão. Ou seja, no passado, saber viver era focar na vida; hoje, saber viver é se distrair dela.
Ao longo do século 19, antes que o sorriso deturpasse os retratos, a "felicidade" e a alegria excessivas eram, aliás, sinais de que o retratado estava dilapidando seu tempo, incapaz de encarar a complexidade e a finitude da vida.
Alguém dirá que tudo isso seria uma nostalgia sem relevância, se, valorizando o sorriso e o riso, conseguíssemos tornar a dita felicidade prioritária em nossas vidas. Se o bom humor da diversão afastasse as dores do dia a dia, quem se queixaria disso?

Pois é, acabo de ler uma pesquisa de Iris Mauss e outros, "Can Seeking Happiness Make People Happy? Paradoxical Effects of Valuing Happiness", em Emotion on-line, em abril de 2011 (http://migre.me/9CT8e).

Em tese, a valorização ajuda a alcançar o que é valorizado -por exemplo, se valorizo as boas notas, estudo mais etc. 

Mas eis que duas experiências complementares mostram que, no caso da felicidade (mesmo que ninguém saiba o que ela é exatamente -ou talvez por isso), acontece o contrário: valorizar a felicidade produz insatisfação e mesmo depressão.

 De que se trata? Decepção? Sentimento de inadequação?

Um pouco disso tudo e, mais radicalmente, trata-se da sensação de que a gente não tem competência para viver -apenas para se divertir ou, pior ainda, para fazer de conta. 
Como chegamos a isso?
Pouco tempo atrás, na minha frente, uma mãe conversava pelo telefone com o filho (que a preocupa um pouco pelo excesso de atividade e pela dispersão). 

O menino estava passando um dia agitado, brincando com amigos; a mãe quis saber se estava tudo bem e perguntou: "Filho, está se divertindo bem?".