quarta-feira, 31 de outubro de 2012
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
DEVOLTA PARA O VERDAEIRO EU. . .
"Traga você de volta.
Permita-se viver dentro dos seus próprios sonhos.
A pior solidão é aquela que nasce da ausência de si mesmo."
Erica Gaiã
o
Permita-se viver dentro dos seus próprios sonhos.
A pior solidão é aquela que nasce da ausência de si mesmo."
Erica Gaiã
o

ESTAR BEM X PARECER BEM
Em tempos de hiper realismo, em que imagens, sons, cheiros nos são colocados como mais reais que os reais (telas de LED mostram uma gota de orvalho numa flor de forma como nunca veremos na natureza), tudo deve ser aumentado e exagerado para ser percebido.
Para que as pessoas sejam percebidas como bonitas, felizes, bem sucedidas, para transmitirem a idéia de que estão BEM, exageram nos sinais, nos sintomas, investem tempo, dinheiro e energia para gerar essa percepção em quem está em volta.
E o mercado está aí para oferecer estes “adicionais” a nossas vidas, para que elas sejam percebidas como divertidas, para que nossos relacionamentos sejam invejados, para que nosso lazer seja glamuroso, nosso visual demonstre que pertencemos ou desejamos pertencer a determinada tribo…
Até porque hoje ainda contamos com uma platéia virtual nas redes sociais, para a qual imagens e informações que traduzam esse PARECER BEM são geradas a todo momento.
Mas, de novo, isso toma tempo, dinheiro e energia.
Assim como ESTAR BEM também exige certo investimento de tudo.
E com o que, neste momento da vida, estamos gastando mais (tempo, dinheiro e energia):
ESTAR BEM ou PARECER BEM?

Fonte da imagem: google.com
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
DISCURSO DE POSSE NO AMOR
Agora tenho escutado muito de mulheres hetero o seguinte: “não sei se o amo, acho que é um sentimento de POSSE o que tenho por ele.” Cheguei até a cogitar que isso estivesse com alguma frequência sendo dito por algum personagem de novela de tanto que eu estava escutando na clínica. E perguntei mesmo para algumas pessoas.
Daí cheguei a conclusão de que a influência não é a novela, mas sim a lógica de consumo.
Algumas mulheres (as histéricas endividadas) parecem ter começado a sentir que AMAM os elementos que garantem sua estética, portanto seu sentimento de pertencimento, antes garantidos pelo casamento, pelo sucesso do parceiro. Agora AMAM aquele pretinho que valoriza a silhueta, o tom do cabelo que o fulano do salão acertou dessa vez, a finalmente alcançada bolsa de marca estrangeira. E, para os parceiros, reservam o sentimento de POSSE.
Algo me diz que se trata de uma tendência forte para a próxima estação e já deve estar sendo ditada em muitos blogs de moda por aí…

Fonte da imagem: hojevouassim.com.br
http://manifestopsicanalitico.com/2012/09/28/discurso-de-posse-no-amor/
http://manifestopsicanalitico.com/2012/09/28/discurso-de-posse-no-amor/
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Maria Rita Kehl ,psicanalista
Sobre Ética e Psicanálise, p.32.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Relações líquidasVida contemporânea favorece o desprendimento afetivo |
Christian Ingo Lenz Dunker
| © Banana Republic images/Shuttertstock |
![]() |
Boa parte da literatura sobre luto e perda trata também, indiretamente, do difícil trabalho de recomeçar. Certos clínicos argumentam que um grande amor só acaba quando conseguimos iniciar outro. De fato, mesmo sozinhos nós continuamos amando. Cedo ou tarde a série dos amantes começa a dar os braços uns aos outros, como em um anel de benzeno que se fecha sobre si mesmo. Reconstruímos histórias imediatas ou antigas, reforçamos os laços colaterais de amizade, reinvestimos ligações primárias, criamos amores possíveis como na literatura e no cinema. Reinventamos amores impossíveis com nossa memória e fantasia. Freud dizia que a neurose ataca nossa capacidade de amar, substituindo-a pela fuga da realidade, quando o objeto se esvai, ou pela fuga para a realidade, quando é o “aparelho de amar” que se vê danificado.
Na década de 90 cardiologistas japoneses descreveram a síndrome do coração partido (takotsubo), similar a um ataque cardíaco, com testagem positiva para enzimas e alteração do funcionamento do ventrículo esquerdo – mas sem obstrução coronariana. Contudo, o quadro é reversível e não deixa sequelas, afetando caracteristicamente mulheres em pré-menopausa, que passaram por grandes perdas ou desilusões amorosas. A síndrome está associada ao estilo de vida moderno, que vem transferindo para o universo das relações amorosas os princípios de desempenho, avaliação de resultados, análise de risco e segurança jurídica que presidem as relações de trabalho e produção.
A descoberta faz lembrar um experimento clássico no qual dois ratos nadam em um tanque de água. O primeiro é deixado livremente até morrer exausto após duas ou três horas. O segundo é retirado da água um pouco antes do momento crítico e recolocado na mesma situação, após um descanso. O animal que passou pela experiência de ter sido salvo “no último instante” parece aprender algo muito poderoso, pois se torna capaz de nadar por um tempo dez vezes maior do que o outro. O exame do coração do primeiro rato mostra que ele parou em bradicardia (diminuição da frequência cardíaca), ou seja, lentamente ele foi desistindo de funcionar, deixando-se derrotar pela tarefa “sem sentido” de nadar sem saber aonde aquilo ia dar. Já o segundo rato lutou até explodir.
Também na clínica algumas separações que não terminam nunca, talvez não sejam casos de dificuldade em aceitar a perda, mas de recusa a começar de novo. Aquilo que é sentido como insubstituível no amor que agora se foi, talvez seja o correlato de uma boa experiência anterior de “salvamento no último segundo”. A permanência irresistível e insidiosa em algo que nos possui, com toda a sua sujeira, turvação e amargura, talvez seja uma espécie de retorno do que a vida líquida recalca, uma vingança do desejo de permanecer para sempre, sem ter de começar de novo. A síndrome do coração partido ataca na primavera, a estação dos começos. Os ratos que começam de novo não conseguem mais reconhecer a hora de parar. Na vida em formato de videogame aprendemos muito sobre como deletar pessoas e apagar e-mails, mas pouco sobre a arte de desistir, de se despedir e guardar as fotos de recordação, com carinho e gratidão, depois de ter feito tudo o que é possível.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
FACES DA MESMA MOEDA....
Amor e ódio.
Muita gente acha que são antônimos.
Eu discordo. Mais me parece que esses dois sentimentos são irmãozinhos.
Sim, acho mesmo é que o amor e ódio andam de mãos dadas.
Pois veja só. Ninguém está tão suscetível ao ódio do outro quanto aquele que é amado. Ninguém pode odiar uma pessoa pela qual não tem, ou não teve algum tipo de amor.
O oposto do amor é a indiferença.
O oposto do amor é a indiferença.
O amor é uma coisa muito difícil, o que acaba implicando em imensas complicações em todos os relacionamentos. Amar é querer mais do que o outro pode lhe dar.
É querer o impossível do outro.
E ser amado é querer ser ainda mais amado. E também querer o impossível do outro.
É querer o impossível do outro.
E ser amado é querer ser ainda mais amado. E também querer o impossível do outro.
Enquanto o amor ama, o ódio vigia.
Pois por um deslize, o amante/amado pode pôr todo um relacionamento por água abaixo,
assim, como num piscar de olhos.
Pois por um deslize, o amante/amado pode pôr todo um relacionamento por água abaixo,
assim, como num piscar de olhos.
De um dia pro outro tudo aquilo que se chamava de amor pode passar a ser chamado de ódio. No entanto, a presença do ódio muitas vezes não aniquila o amor. Amodeia-se.
Porque ambos os sentimentos são os dois lados da mesma moeda.
O amor é mesmo paradoxal.
Quer não querendo.
O amor é mesmo paradoxal.
Quer não querendo.
Confia desconfiando.
É um beijo de olhos abertos.
Um voo sem asas.
Isso parece meio louco?
Mas o amor, por si só, não é mesmo uma coisa sem razão?
Querer fazer de dois, um é ir contra a lógica matemática
Querer fazer de dois, um é ir contra a lógica matemática
. Desejar ter o outro de corpo e alma, é ir contra as leis da física.
Entregar uma parte preciosa de si nas mãos do outro, sem saber como é que esse outro vai cuidar de tal preciosidade...
Isso faz algum sentido?
Entregar uma parte preciosa de si nas mãos do outro, sem saber como é que esse outro vai cuidar de tal preciosidade...
Isso faz algum sentido?
Bem, mas o amor é ilógico.
É justamente quando os sentidos não mais importam. Porque os melhores sentimentos fazem-se é de sentires.
Ana Suy psicanalista,
http://significantess.blogspot.com ·
Ana Suy psicanalista,
http://significantess.blogspot.com ·
Escrito para a Revista Energia
Publicado na edição de setembro
sábado, 13 de outubro de 2012
Tentar ser livre - seguindo sua estrela.
As Carícias e o Iluminado
Chega de viver entre o medo e a Raiva! Se não aprendermos a viver de outro modo, poderemos acabar com a nossa espécie. É preciso começar a trocar carícias, a proporcionar prazer, a fazer com o outro todas as coisas boas que a gente tem vontade de fazer e não faz, porque "não fica bem" mostrar bons sentimentos! No nosso mundo negociante e competitivo, mostrar amor é... um mau negócio. O outro vai aproveitar, explorar, cobrar...
Chega de negociar com sentimentos e sensações. Negócio é de coisas e de dinheiro- e pronto! O pesquisador B. Skinner mostrou por A mais B que só são estáveis os condicionamentos recompensados; aqueles baseado na dor precisam ser reforçados sempre senão desaparecem. Vamos nos reforçar positivamente. É o jeito - o único jeito - de começarmos um novo tipo de convívio social, uma nova estrutura, um mundo melhor. Freud ajudou a atrapalhar mostrando o quanto nós escondemos de ruim; mas é fácil ver que nós escondemos também tudo que é bom em nós, a ternura, o encantamento, o agrado em ver, em acariciar, em cooperar, a gentileza, a alegria, o romantismo, a poesia, sobretudo o brincar - com o outro.
Tudo tem que ser sério, respeitável, comedido - fúnebre, chato, restritivo, contido... Há mais pontos sensíveis em nosso corpo do que as estrelas num céu invernal. "Desejo", do latim de-sid-erio, provém da raiz "sid", da língua zenda, significando ESTRELA, como se vê em sideral, relativo às estrelas. Seguir o desejo é seguir a estrela - estar orientado, saber para onde vai, conhecer a direção...
"Gente é para brilhar", diz mestre Caetano. G
ente é, demonstravelmente, a maior maravilha, o maior playground e a mais complexa máquina neuromecânica do Universo conhecido. Diz o Psicanalista que todos nós sofremos de mania de grandeza, de onipotência. A mim parece que sofremos de mania de pequenez. Qual o homem que se assume em toda a sua grandeza natural?
"Quem sou eu primo..."Em vez de admirar, nós invejamos - por não termos coragem de fazer o que a nossa estrela determina. O Medo - eis o inimigo. O medo, principalmente do outro, que observa atentamente tudo o que fazemos - sempre pronto a criticar, a condenar, a pôr restrições - porque fazemos diferente dele. Só por isso. Nossa diferença diz para ele que sua mesmice não é necessária. Que ele também pode tentar se livre - seguindo sua estrela.
Que sua prisão não tem paredes de pedra, nem correntes de ferro. Como a de Branca de Neve, sua prisão é de cristal - invisível. Só existe na sua cabeça. Mas sua cabeça contém - é preciso que se diga - todos os outros que, de dentro dele, o observam, criticam, comentam - às vezes até elogiam! Por que vivemos fazendo isso uns com os outros - vigiando-nos e obrigando-nos - todos contra todos - a ficar bonzinhos dentro das regrinhas do bem-comportado - pequenos, pequenos. Sofremos de megalomania porque no palco social obrigamo-nos a ser, todos, anões.
Ai de quem se sobressai, fazendo de repente o que lhe deu na cabeça. Fogueira para ele! Ou você pensa que a fogueira só existiu na Idade Média? Nós nos obrigamos a ser - todos - pequenos, insignificantes, inaparentes, "normais"- normopatas diz melhor; oligopatas - apesar do grego- melhor ainda. Oligotímicos - sentimentos pequenos - é o ideal... Quem é o iluminado? No seu tempo, é sempre um louco delirante que faz tudo diferente de todos. Ele sofre, principalmente, de um alto senso de dignidade humana - o que o torna insuportável para todos os próximos, que são indignos.
Ele sofre, depois, de uma completa cegueira em relação à "realidade"(convencional), que ele não respeita nem um pouco. Ama desbragadamente - o sem vergonha. Comporta-se como se as pessoas merecessem confiança, como se todos fossem bons, como se toda criatura fosse amável, linda, admirável. Assim ele vai deixando um rastro de luz por onde quer que passe. Porque se encanta, porque se apaixona, porque abraça com calor e com amor, porque sorri e é feliz. Como pode, esse louco? Como pode estar - e viver! - sempre tão fora da realidade - que é sombria, ameaçadora; como ignorar que os outros - sempre os outros - são desconfiados, desonestos, mesquinhos, exploradores, prepotentes, fingidos, traiçoeiros, hipócritas... Ah! Os outros... (Fossem todos como eu, tão bem-comportados, tão educados, tão finos de sentimentos...)
O que não se compreende é como há tanta maldade num mundo feito somente de gente que se considera tão boa. Deveras, não se compreende. Menos ainda se compreende que de tantas famílias perfeitas - a família de cada um é sempre ótima - acabe acontecendo um mundo tão infernalmente péssimo. Ah! Os outros... Se eles não fossem tão maus - como seria bom... Proponho um tema para meditação profunda; é a lição mais fundamental de toda a Psicologia Dinâmica: Só sabemos fazer o que foi feito conosco. Só conseguimos tratar bem os demais se fomos bem tratados. Só sabemos nos tratar bem se fomos bem tratados. Se só fomos ignorados, só sabemos ignorar. Se só fomos odiados, só sabemos odiar. Se fomos maltratados, só sabemos maltratar.
Não há como fugir desta engrenagem de aço: ninguém é feliz sozinho. Ou o mundo melhora para todos ou ele acaba. Amar o próximo não é mais idealismo "místico"de alguns. Ou aprendemos a nos acariciar ou liquidaremos com a nossa espécie. Ou aprendemos a nos tratar bem - a nos acariciar - ou nos destruiremos. Carícias - a própria palavra é bonita. Carícias ... Olhar de encantamento descobrindo a divindade do outro - meu espelho! Carícias... Envolvência ( quem não se envolve não se desenvolve...), ondulações, admiração, felicidade, alegria em nós - eu e os outros. Energia poderosa na ação comum, na co-operação.
Na co-munhão. Só a União faz a força - sinto muito, mas as verdades banais de todos os tempos são verdadeiras - e seria bom se a gente tentasse FAZER o que essas verdades nos sugerem, em vez de críticos e céticos e pessimistas, encolhermos os ombros e deixarmos que a espécie continue, cega, caminhando em velocidade uniformemente acelerada para o Buraco Negro da aniquilação.
Tudo tem que ser sério, respeitável, comedido - fúnebre, chato, restritivo, contido... Há mais pontos sensíveis em nosso corpo do que as estrelas num céu invernal. "Desejo", do latim de-sid-erio, provém da raiz "sid", da língua zenda, significando ESTRELA, como se vê em sideral, relativo às estrelas. Seguir o desejo é seguir a estrela - estar orientado, saber para onde vai, conhecer a direção...
"Gente é para brilhar", diz mestre Caetano. G
ente é, demonstravelmente, a maior maravilha, o maior playground e a mais complexa máquina neuromecânica do Universo conhecido. Diz o Psicanalista que todos nós sofremos de mania de grandeza, de onipotência. A mim parece que sofremos de mania de pequenez. Qual o homem que se assume em toda a sua grandeza natural?"Quem sou eu primo..."Em vez de admirar, nós invejamos - por não termos coragem de fazer o que a nossa estrela determina. O Medo - eis o inimigo. O medo, principalmente do outro, que observa atentamente tudo o que fazemos - sempre pronto a criticar, a condenar, a pôr restrições - porque fazemos diferente dele. Só por isso. Nossa diferença diz para ele que sua mesmice não é necessária. Que ele também pode tentar se livre - seguindo sua estrela.
Que sua prisão não tem paredes de pedra, nem correntes de ferro. Como a de Branca de Neve, sua prisão é de cristal - invisível. Só existe na sua cabeça. Mas sua cabeça contém - é preciso que se diga - todos os outros que, de dentro dele, o observam, criticam, comentam - às vezes até elogiam! Por que vivemos fazendo isso uns com os outros - vigiando-nos e obrigando-nos - todos contra todos - a ficar bonzinhos dentro das regrinhas do bem-comportado - pequenos, pequenos. Sofremos de megalomania porque no palco social obrigamo-nos a ser, todos, anões.
Ai de quem se sobressai, fazendo de repente o que lhe deu na cabeça. Fogueira para ele! Ou você pensa que a fogueira só existiu na Idade Média? Nós nos obrigamos a ser - todos - pequenos, insignificantes, inaparentes, "normais"- normopatas diz melhor; oligopatas - apesar do grego- melhor ainda. Oligotímicos - sentimentos pequenos - é o ideal... Quem é o iluminado? No seu tempo, é sempre um louco delirante que faz tudo diferente de todos. Ele sofre, principalmente, de um alto senso de dignidade humana - o que o torna insuportável para todos os próximos, que são indignos.
Ele sofre, depois, de uma completa cegueira em relação à "realidade"(convencional), que ele não respeita nem um pouco. Ama desbragadamente - o sem vergonha. Comporta-se como se as pessoas merecessem confiança, como se todos fossem bons, como se toda criatura fosse amável, linda, admirável. Assim ele vai deixando um rastro de luz por onde quer que passe. Porque se encanta, porque se apaixona, porque abraça com calor e com amor, porque sorri e é feliz. Como pode, esse louco? Como pode estar - e viver! - sempre tão fora da realidade - que é sombria, ameaçadora; como ignorar que os outros - sempre os outros - são desconfiados, desonestos, mesquinhos, exploradores, prepotentes, fingidos, traiçoeiros, hipócritas... Ah! Os outros... (Fossem todos como eu, tão bem-comportados, tão educados, tão finos de sentimentos...)
O que não se compreende é como há tanta maldade num mundo feito somente de gente que se considera tão boa. Deveras, não se compreende. Menos ainda se compreende que de tantas famílias perfeitas - a família de cada um é sempre ótima - acabe acontecendo um mundo tão infernalmente péssimo. Ah! Os outros... Se eles não fossem tão maus - como seria bom... Proponho um tema para meditação profunda; é a lição mais fundamental de toda a Psicologia Dinâmica: Só sabemos fazer o que foi feito conosco. Só conseguimos tratar bem os demais se fomos bem tratados. Só sabemos nos tratar bem se fomos bem tratados. Se só fomos ignorados, só sabemos ignorar. Se só fomos odiados, só sabemos odiar. Se fomos maltratados, só sabemos maltratar.
Não há como fugir desta engrenagem de aço: ninguém é feliz sozinho. Ou o mundo melhora para todos ou ele acaba. Amar o próximo não é mais idealismo "místico"de alguns. Ou aprendemos a nos acariciar ou liquidaremos com a nossa espécie. Ou aprendemos a nos tratar bem - a nos acariciar - ou nos destruiremos. Carícias - a própria palavra é bonita. Carícias ... Olhar de encantamento descobrindo a divindade do outro - meu espelho! Carícias... Envolvência ( quem não se envolve não se desenvolve...), ondulações, admiração, felicidade, alegria em nós - eu e os outros. Energia poderosa na ação comum, na co-operação.
Na co-munhão. Só a União faz a força - sinto muito, mas as verdades banais de todos os tempos são verdadeiras - e seria bom se a gente tentasse FAZER o que essas verdades nos sugerem, em vez de críticos e céticos e pessimistas, encolhermos os ombros e deixarmos que a espécie continue, cega, caminhando em velocidade uniformemente acelerada para o Buraco Negro da aniquilação.
Nunca se pôde dizer, como hoje: ou nos salvamos - todos juntos - o nos danamos - todos juntos
José Ângelo Gaiarsa
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