sexta-feira, 30 de novembro de 2012






No livro,The Mindful Child, Susan Greenland conta uma fábula sobre um homem velho que vivia com seu filho numa fazenda perto de uma pequena aldeia. Um dia o cavalo do fazendeiro fugiu. Os vizinhos disseram-lhe que lamentavam o que estavam a ouvir sobre seu infortúnio.

 O fazendeiro disse: "Vamos ver."

No dia seguinte, o cavalo do fazendeiro voltou para casa, acompanhado por dois fortes, cavalos selvagens. Os vizinhos disseram:-

 "Que maravilha!" O fazendeiro disse novamente: "Vamos ver."

No dia seguinte, o filho do fazendeiro tentou montar um dos cavalos selvagens. Ele foi jogado ao chão e sofreu uma fratura na perna. Os vizinhos disseram: "Como é trágico." O fazendeiro respondeu: "Vamos ver."

No dia seguinte, os líderes militares chegaram na pequena aldeia para recrutar todos os jovens para o serviço militar. O filho do fazendeiro ficou isento por causa da sua perna quebrada. Os vizinhos parabenizaram o agricultor e o fazendeiro disse: "Vamos ver."

A fábula ilustra que os eventos podem ter ambos os efeitos, positivos e negativos. 

Encontrar o meio termo e não pensar em extremos é outra maneira de mudar as suas percepções e ajudar a diminuir o seu sofrimento.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Os verdadeiros se unem pelos sentimentos. Os falsos se unem pelas ideologias.

"Não existe criatura capaz de amar outra criatura tal como ela é.












"Não existe criatura capaz de amar outra criatura tal como ela é.
 Pedimos ao nosso amado para se adaptar à fantasia que sobre ele projetamos.
 Talvez o auge do amor partilhado consista no furor dos parceiros em se transformar um ao outro segundo suas respectivas fantasias." 
J.-D. Nasio

“Para abrir um novo caminho,é preciso ser capaz de se perder.” _ Jean Rostand




Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos

Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão

Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci

Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante


Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas

Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar

Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei

Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.
[Martha Medeiros]



segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Nada existe fora do "Agora". . . Você alguma vez vivenciou, realizou, pensou ou sentiu alguma coisa fora do Agora? Acha que conseguirá algum dia?






O passado e o futuro não são tão reais quanto o presente?


Afinal, o passado determina quem somos e

de que forma agimos no presente.

E os nossos objetivos futuros determinam as atitudes que tomamos no

presente.



Você alguma vez vivenciou, realizou, pensou ou sentiu alguma coisa fora do Agora?


Acha que conseguirá algum dia?


É possível alguma coisa acontecer ou ser fora do Agora?

A resposta é óbvia, não é mesmo?

Nada jamais aconteceu no passado, aconteceu no Agora.

Nada jamais irá acontecer no futuro, acontecerá no Agora.




Se você vai a uma igreja, pode 
ouvir passagens do Evangelho como “Não vos inquieteis pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo”



“Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é 
apto para o reino de Deus”. 
Mestre Eckhart, mestre espiritual do século treze, resumiu tudo isto com poucas e 
belas palavras, ao afirmar: “O que impede a luz de nos alcançar é o tempo. 
Não há maior 
obstáculo para Deus do que o tempo”
Quanto mais nos concentramos no tempo, no passado e no futuro, mais 
perdemos o Agora, a coisa mais importante que existe.

Por que o Agora é a coisa mais importante que existe? 


Primeiramente, porque é a única 

coisa. 
É tudo o que existe.
 O eterno presente é o espaço dentro do qual se desenvolve toda 
a nossa vida, o único fator que permanece constante. 

A vida é agora. 


Nunca houve uma 
época em que a nossa vida não fosse agora, nem haverá.


 Em segundo lugar, o Agora é o 
único ponto que pode nos conduzir para além das fronteiras limitadas da mente.


Acessando o poder do Agora. . . 

VIVENDO NO AQUI E AGORA.

domingo, 25 de novembro de 2012

O segredo está em acabar com a ilusão do tempo. O tempo e a mente são inseparáveis. Tire o tempo da mente e ele pára, a menos que você escolha utilizá-lo.






Estar identificado com a mente é estar preso ao tempo.
 É a compulsão para vivermos 
quase exclusivamente através da memória ou da antecipação.
 Isso cria uma preocupação 
infinita com o passado e o futuro, e uma relutância em respeitar o momento presente e 
permitir que ele aconteça. 
Temos essa compulsão porque o passado nos dá uma identidade e o 
futuro contém uma promessa de salvação e de realização. 

Ambos são ilusões.

Quanto mais nos concentramos no tempo, no passado e no futuro, mais 
perdemos o Agora, a coisa mais importante que existe.

Por que o Agora é a coisa mais importante que existe? 

Primeiramente, porque é a única 
coisa. 
É tudo o que existe.
 O eterno presente é o espaço dentro do qual se desenvolve toda 
a nossa vida, o único fator que permanece constante. 
A vida é agora. 
Nunca houve uma 
época em que a nossa vida não fosse agora, nem haverá.
 Em segundo lugar, o Agora é o 
único ponto que pode nos conduzir para além das fronteiras limitadas da mente.




sexta-feira, 23 de novembro de 2012







Recentemente,a psicanalistae historiadora francesa..... Elisabeth Roudinesco (2008, p. 13) afirmou  em seu livro...intitulado....

A parte obscura de nós mesmos
Uma história dos perversos .......

 “os perversos são uma parte de nós mesmos, uma parte de nossa humanidade, pois exibem o que não cessamos de dissimular:-


 nossa própria negatividade, a parte obscura de nós mesmos”.





terça-feira, 20 de novembro de 2012

Como fazer as pazes com o seu passado castrador







O passado faz parte das nossas vidas. 
O passado vive em nós.
 Por vezes o passado pode ter sido tão incisivo que nos deixa marcas carregadas de negatividade. Se pouco a pouco transformamos essa negatividade numa cruz que carregamos diariamente, o peso da cruz pode ser tal que nos inferniza a vida. 
 Todos podemos recordar momentos das nossas vidas que consideramos como terríveis. Mas, se esses acontecimentos na atualidade afetam a sua vida de forma a empobrecê-la do ponto de vista emocional, esses acontecimentos não foram apenas terríveis no passado, eles continuam dia após dia a abrir feridas. Certamente alguns desses acontecimentos foram duros, exigiram de si, fizeram-no sofrer, foram injustos, afastaram-no do caminho que pretendia realizar.
 Talvez você tenha ficado ressentido e isso se verifique na sua forma de pensar, na sua atitude e comportamentos, não só consigo mesmo, mas também com os outros. Eventualmente você sente a sua vida a fugir-lhe entre os dedos, e até pode ter desejado ser de uma outra forma. 
Mas apesar de todos os esforços, o passado aparece-lhe tal “fantasma” e atormenta-lhe a vida. Conseguir superar o passado castrador pode trazer à sua vida algo de muito bom, tal como tem acontecido a pessoas que conseguem elevar-se acima dos seus acontecimentos traumáticos e retiram valor para as suas vidas. Em psicologiaapelidamos esse fenómeno de crescimento pós-traumático.

PRESO NO PASSADO

Em algumas tentativas desesperadas de ultrapassar o seu passado, pode até ter enveredado por comportamentos menos próprios e institui alguns maus hábitos na sua vida. Tem consciência disso, mas acabou por aceitá-los e convive agora com eles. Afeiçoou-se, assumiu-os como seus,  fazendo agora parte de si. É como a célebre frase: “Se não consegues vencê-los junta-te a eles“. Assim parece acontecer com o nosso passado, com os caminhos que vamos percorrendo e que nos empurram para um trilho de insatisfação. Sabemos que estamos no lado errado da margem, mas como não encontramos forma de atravessarmos para o outro lado, vamos levando a vida olhando para o lado desejado. Nós estamos do lado errado e vamos contemplando o lado em que desejaríamos estar. É como uma tortura permanente. É como estar a viver no passado olhando para o presente. Vivemos a vida que julgamos ter de viver, olhando para aquela que gostaríamos de estar a viver. Este cenário tem tudo de destruidor, de gerador de infelicidade.
“Lamentar uma dor passada, no presente, é criar outra dor e sofrer novamente.” - William Shakespeare
Não quero com esta descrição transmitir a ideia que não é possível deixarmos o passado onde ele pertence, no passado. Os acontecimentos negativos passados vivem em nós como memórias que deixaram uma tatuagem emocional de grande impacto, que nos empurram para a outra margem. Ou melhor, nós criamos a “ilusão” que os acontecimentos passados nos empurram para a outra margem. Mas, na verdade o que nos retira do caminho desejado são todas as alterações que fomos fazendo na nossa forma de pensar, sentir e agir. À luz do passado fomos instituindo crenças limitadoras que moldaram de forma negativa a nossa forma de ser.
“Não hipoteque os seus sonhos e a si mesmo ficando preso no passado castrador. Você é tudo quanto você têm.”
Aceitar o passado é benéfico, mas aceitar passivamente o quão os acontecimentos passados nos alteraram negativamente, aceitar os comportamentos indesejados que nos “forçou” a adotarmos, isso não, isso é destruidor. Devemos aceitar as consequências que os acontecimentos passados tiveram, mas cuidadosamente analisar o impacto que podem ter tido em nós, e o quanto o ressentimento, angústia e deceção gerada nos afeta a forma como enfrentamos atualmente a vida. O quão a forma como agimos à luz dos acontecimentos negativos passados nos prejudica a vida presente e futura.
A reter: Abraçar o seu passado, mesmo que seja um passado muito castrador, é um dos maiores presentes que você pode dar a si mesmo.
O que acontece quando você fica preso na lamentação, vitimização, vergonha e outros sentimentos negativos? Isso tem um enorme impacto negativo na sua vida atual, promove a infelicidade e impede que você siga em frente. O passado castrador é como uma sombra escura e deprimente, acinzentando tudo o que você faz, sente e diz. É importante abraçar este tempo escuro da sua vida e até mesmo perceber que pode ter sido um trampolim para a pessoa que você se irá tornar, mas apenas se for capaz de aprender com ele, seguir em frente e concentrar-se no que é importante: o presente e o futuro e a ideia que você tem daquilo que quer vir a tornar-se.
A reter: Não deixe que as suas falhas, angústias, incertezas, medos, pensamentos e sentimentos negativos oriundos do passado se transformem no seu carrasco. Não deixe que isso determine as suas ações e muito menos quem você é. Você tem de decidir os seus objetivos e o que pretende ser, por você mesmo. Pelo seu estado de ser mais elevado, positivo, otimista e esperançoso.

ponte

ACEITE E FAÇA AS PAZES COM O PASSADO

Aceite o seu passado, faça as pazes com o seu passado. Isso promove a superação dos acontecimentos castradores. No entanto, perceba que o condicionamento que o seu passado pode ter feito na sua vida e na sua forma de olhar o mundo, empurrou-o para a margem do rio que você não quer estar. É preciso monitorizar que efeitos pejorativos isso tem vindo a ter na pessoa que você é hoje, e o que pode fazer para mudar para melhor. O que pode fazer no que diz respeito à aprendizagem de novos comportamentos, atitudes e formas de pensar para libertar-se das angústias do passado?
Então, como pode você ver o lado positivo na escuridão do seu passado? Como pode você fazer as pazes com o seu passado castrador e potenciar a sua vida?
  • Lembre-se que você estava num lugar diferente na sua vida. Nesse momento difícil as circunstâncias eram diferentes do que são agora. Podem estar no momento atual a gerar-lhe arrependimento, ou angústia ou algum tipo de reatividade negativa. Se você está arrependido e sente remorsos ou sentimento de culpa, perceba que você teve os seus motivos para agir da maneira que causou o problema. Talvez o seu comportamento tenha permitido aguentar uma determinada situação. Talvez você agisse por segurança ou por medo. Ou talvez você não tivesse atingido um estado de desenvolvimento e conhecimento que lhe permitisse agir satisfatoriamente. O que importa perceber hoje, é que a situação não pode ser comparada com a maneira como você pensa, sente e age na atualidade. Olhe o seus erros passados de forma a retirar algo que lhe sirva para seguir em frente sem cometer os mesmo erros. Se foi um acontecimento que esteve fora do seu controle, mas que o perturba, alterou a sua rotina ou forma de estar na vida, entenda que nada lhe serve indignar-se com a situação. É você que sofre com os sentimentos negativos daí advindos e certamente não o capacitam em nada.
  • Veja o seu passado como um portal que o conduziu para o lugar que você está agora. Talvez você esteja numa relação mais saudável. Talvez você já tenha superado as suas lutas com a redução de peso e ter um relacionamento saudável com seu corpo agora. Talvez você tenha encontrado a carreira dos seus sonhos ou, talvez, você só tenha crescido como pessoa. Se a apreciação que faz do estado em que se encontra é de sofrimento, então importa ter esse sentimento como ponto de partida e perceber que existe a possibilidade de olhar o seu passado por outra perspetiva. Olhe o passado pela perspetiva positiva. Olhe o seu passado menos bom como uma possibilidade de elevar-se acima dos acontecimentos que o fizeram e continuam a fazer sofrer. Você tem agora possibilidade de olhar para si como um agente do seu futuro. Como uma pessoa que pode perceber o quanto o seu passado o tem afetado e decidir não deixar que isso se perpetue. Você tem a possibilidade de lidar com a deceção do seu passado, desapegar-se dele, aproveitar o que pode vir a servir-lhe e inibir o que o prejudica.  Comemore esse fato.
  • Use-o para o bem. Verifique se a sua experiência pode ser uma mais valia para outras pessoas que possam esteja a sofrer com algo idêntico à sua experiência passada. O que você pode fazer para usar o seu passado para criar uma mudança duradoura na vida de outras pessoas? Como você pode usar as lições que aprendeu para ajudar outras pessoas na mesma situação? Dê aos seus acontecimentos difíceis do passado uma boa razão e utilidade e usando-os para fazer deste mundo um lugar melhor.
  • Deixe ir o passado. Utilize a sua capacidade imaginativa e de visualização criando um cenário na sua mente que leve em consideração o ponto um, e perdoe a si mesmo, ou aqueles que o magoaram, ou à própria vida que possa ter sido incisiva e trágica. Seja sincero e compassivo para com você mesmo. Ao desapegar-se do seu passado dando um novo significado aos acontecimentos perturbadores você permite curar o passado. Encerre esse capítulo da sua vida com o final que você deseja e possa servir-lhe no futuro. Não, você não vai esquecer o que aconteceu, mas agora isso pertence ao passado e você pode olhar para o futuro sem inibição ou perturbação das suas decisões e bem-estar

  • Viva no presente. Não se paralise pelo passado.
‎”Encarar a vida pela frente… Sempre… Encarar a vida pela frente, e vê-la como ela é… Por fim, entendê-la e amá-la pelo que ela é… E depois deixá-la seguir… Sempre os anos entre nós, sempre os anos… Sempre o amor… Sempre a razão… Sempre o tempo… Sempre… As horas.”
- Virginia Woolf
Faça as pazes com o seu passado e viva a sua vida.
http://www.escolapsicologia.com


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

"Enfim sós!" não representa um brado de amor, mas um suspiro de alivio por poder afinal desafivelar a couraça, depor as armas, e descansar...





A historia muda... Isso é inevitável... Muda até mesmo por que, se não mudasse, não aguentaríamos...
O êxtase é por natureza, breve, um momento de iluminação que rasga o cotidiano, e nos leva as grandes compreensões e aos grandes gestos...
A batalha da conquista daquela pessoa, do convencimento dos outros, amigos e parentes, de que aquela pessoa é afinal á pessoa certa...
A batalha para tentar estabelecer uma relação, um casal, ou um casamento... E toda a batalha social, econômica, prática, familiar, através da qual nos separamos do núcleo em que vivemos, que pode ser a casa dos pais, ou um casamento anterior, para estabelecer um novo núcleo... 
O impulso necessário para realizar isso nos deixa já descadeirados às portas do casamento... Posso estar enganado, mas tenho a impressão de que a famosa frase: "Enfim sós!" não representa um brado de amor, mas um suspiro de alivio por poder afinal desafivelar a couraça, depor as armas, e descansar...
Depois da paixão, queremos repouso, para goza-la em paz. 
Mas repouso e paixão não andam juntos...






 Quem se afina mais com serenidade é o amor...
E amor, já vimos, não é a mesma coisa que paixão.

 Disso, porém, nos esquecemos constantemente, e procuramos um, onde só pode estar o outro...

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

.CIÚMES - INVEJA E PROJEÇÃO








Toda EMOÇÃO pode ser positiva, mas toda emoção pode trazer resultados bons e ruins. Dependendo de como cada um controla seus sentimentos. A questão é que, ao que parece, “muitos de nós não controlamos os impulsos do ciúme”.
É quase impossível na raça humana existir alguém que não sente um pingo de ciúme em um relacionamento a dois. Quando temos um objeto de amor, é comum que não queiramos dividi-lo com outro. O ciúme é uma emoção normal, porém, há variações de intensidade.
No ciúme patológico: o ser humano vive num eterno conflito entre os impulsos (o que deseja realizar) e as normas (o que deve ou pode fazer). Percebemos que em cada situação existem tipos de convivência, por exemplo, “os desajustados”: aqueles que se deixam dominar pelos impulsos, e os que vivem sempre “dentro dos padrões”. Esse último, muito racional, se uniu ao emocional, para viver nele o que reprime em si mesmo, e vice-versa. Quando o desejo não pode ser controlado racionalmente, temos um desajuste emocional, então é preciso muito mais que força de vontade para vencê-la. Um obsessivo-compulsivo precisa ser tratado com medicação e terapia.
Quando falamos em projeção é possível perceber que ela aparece desde a infância, encontra-se na base da interação com a realidade, portanto, é comum imputar ao mundo nossos interesses: adjetivos, aptidões e anseios. Vemos as coisas de acordo como somos. Nossa identidade se confunde com a realidade. A projeção se torna um mecanismo de defesa psíquico quando visa nos resguardar de ideias insuportáveis ou sentimentos descabidos. Tem como objetivo preservar a boa imagem que fazemos de nós.
É um mecanismo psíquico pelo qual o sujeito expulsa, rejeita de si mesmo e projeta no outro os seus sentimentos: desejo, raiva, inveja, etc. São traços de personalidade que, frequentemente, desdenha ou recusa em si mesmo
Por exemplo: uma criança rebelde, que bate em seus coleguinhas e confronta seus cuidadores se assusta ao olhar um cachorro, afirmando que o cachorro é bravo e que tem medo de ser mordida. O que a criança faz? Desloca para o animal aquilo que costumava fazer com os outros. Assim, acontece com os jovens que praticam o bullying, utilizam o mesmo mecanismo psíquico – projetam em pessoas o que odeiam possuir. Perseguem da mesma forma como um Paranóico que se sente perseguido. Essa projeção está na base da Paranóia e na base de todos os preconceitos.
Às vezes é mais fácil a fuga de um perigo externo do que mudar seu impulso interno agressivo, angustiante e/ou inaceitável. Porém, o impulso que é projetado no outro é um processo que se repete. Pois não se trata do que os outros fazem com o paranóico, e sim, o que ele faz, pensa e sente.
Então, nos relacionamentos amorosos, o mecanismo é chamado de ciúme patológico e acontece quando a pessoa se defende de seus próprios desejos. Por exemplo: a infidelidade – ele projeta no parceiro a infidelidade. Esse mecanismo de projetar os próprios desejos pode ser tão bem executado que costuma levar alguns parceiros a duvidar deles mesmos. De alguma forma inexplicável, o ciumento patológico consegue juntar situações, lembrar cenas e acusações que aparecem em alguma verdade inconsciente do outro, mas não nos fatos! 
Assim, ele desloca para o outro aquilo que habita nele, e desvia a atenção do seu próprio inconsciente. Sente-se aliviado, porque, agride o outro para não se agredir. E ao mesmo tempo descarrega os sentimentos proibidos que causam angústia e ansiedade. Vale dizer, o inconsciente anda ao lado do consciente. E nem tudo é inconsciente.
O filósofo Platão comparou o ser humano a uma carruagem: os cavalos são os instintos, o cocheiro é a razão e as rédeas, à vontade. Segundo ele, a maturidade depende de quanto o cocheiro manda nos cavalos. Essas pessoas parecem não conseguir domar seus cavalos, isto é, controlar seus sentimentos. Felizmente, o ciúme é educável e pode ter suas arestas aparadas — para a solidez da relação.
O autoconhecimento e a capacidade de nos conhecer: minimiza a ação desse terrível mecanismo.
A força de vontade não é suficiente para vencer uma compulsão.
 Ao perceber que não tem o controle da situação, procure ajuda profissional.
 Do mesmo jeito que, se tivesse uma dor de cabeça aguda, iria atrás de um neurologista, sem considerar tal providência uma atitude radical.
http://luzzianesoprani.com.br/c

segunda-feira, 12 de novembro de 2012














Experiências ocorridas no início da infância, e que ficaram fora do nosso controle, podem ditar nossos futuros sentimentos com a mesma força dos códigos do DNA.

" Judith Viorst"

domingo, 11 de novembro de 2012








Foto: "Hoje é proibido sofrer. No entanto, a depressão importa. A melancolia é fundamental para a criação e para a felicidade. Estamos erradicando uma força cultural brutal, a musa por trás de muita arte, poesia e música. Estamos aniquilando a melancolia. Há uma nova ciência, a ciência da felicidade. Parece realmente ser uma era de perfeito contentamento, um grande mundo novo de sorte persistente, alegria sem problemas, felicidade sem penas. Mas sem um desencanto com o sentido da vida, sem um ceticismo crítico, sem a morte no pensamento, ninguém chega a uma reflexão decente." Arnaldo Jabor





"Hoje é proibido sofrer. No entanto, a depressão importa.

 A melancolia é fundamental para a criação e para a felicidade. Estamos erradicando uma força cultural brutal, a musa por trás de muita arte, poesia e música. Estamos aniquilando a melancolia.

 Há uma nova ciência, a ciência da felicidade. Parece realmente ser uma era de perfeito contentamento, um grande mundo novo de sorte persistente, alegria sem problemas, felicidade sem penas.

 Mas sem um desencanto com o sentido da vida, sem um ceticismo crítico, sem a morte no pensamento, ninguém chega a uma reflexão decente."





 Arnaldo Jabor

sábado, 10 de novembro de 2012

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

"Olho Gordo" pode ser Autossabotagem, Segundo Estudo Assim, o “olho gordo” poderia atingir até quem está no Japão.





Mesmo quem não acredita no poder do "olho gordo", sabe do que se trata: é o nome que se dá às supostas energias negativas transmitidas por alguém à outra pessoa, por raiva, inveja, despeito e outros sentimentos do tipo. A vítima poderia sofrer seus efeitos em diferentes níveis: de riscar acidentalmente o carro novo a ficar doente. Outros sinais seriam sentir desânimo, cansaço, baixo astral e uma sensação de que, por mais que se batalhe, nada dá certo. Para afastar os efeitos do "olho gordo", muita gente busca proteção com rezas, amuletos, simpatias.

Mas, afinal, "olho gordo" existe? E, se existe, pega? Para Etienne Higuet, professor do programa de pós-graduação em Ciências da Religião da Umesp (Universidade Metodista de São Paulo), primeiro é preciso entender o conceito de superstição: crenças e práticas que não são consideradas válidas pelas instituições religiosas oficiais --que no Brasil são, sobretudo, cristãs-- e tidas ainda como vãs e irracionais pela ciência.
"Acreditar que o olhar de certas pessoas têm um poder mágico vem de um fundo religioso muito antigo e arraigado nas culturas ameríndias, afro-americanas e europeias, especialmente latinas e camponesas, que o cristianismo institucional nunca conseguiu abafar completamente", afirma. Etienne explica que essa ideia subsiste no inconsciente coletivo e, no Brasil, ganha força com a herança das culturas indígenas e africanas, a intensa adesão local ao espiritismo e o sincretismo entre todas as tendências religiosas.
Para o especialista da Umesp, o "olho gordo" corresponde à imensa vontade humana de poder controlar o destino. Só que esse desejo encontra múltiplos obstáculos, de modo que qualquer fracasso pode ser facilmente atribuído a pessoas mal intencionadas ou detentoras de forças que elas mesmas não conseguem controlar. "Pode ser um meio de não assumir a responsabilidade por certos fracassos ou acontecimentos, atribuindo o ocorrido a outras pessoas ou a forças irracionais incontroláveis", diz.
Na opinião do psicanalista Leonard F. Verea, especialista em Medicina Psicossomática e Hipnose Clínica, as chamadas energias negativas acabam atingindo quem crê na sua força e no seu poder. "Essas pessoas, em geral, não têm boa autoestima nem valorizam o suficiente as próprias qualidades. A insegurança às torna suscetíveis às opiniões alheias", conta. Para ele, uma forma de se preservar do "olho gordo" seria se transformar no próprio amuleto, fortalecendo o pensamento positivo e a autoimagem.
A intenção de quem supostamente emite energias negativas pode ser consciente ou não. Marta Leopoldo dá o exemplo de quando batemos o dedo numa porta e a chutamos, com raiva. "Essa atitude nada mais é do que dar o troco. É como se quiséssemos que a porta sentisse a nossa dor", diz. A pessoa que emana o "olho gordo" está sofrendo e incomodada, mas nem sempre se dá conta das razões. Ao "secar" alguém e presenciar o outro se dando mal, de algum jeito, ela se sente acolhida e aliviada, pois repartiu sua amargura.
Para a psicóloga Marta Rita Leopoldo, especialista em terapia junguiana e pós-graduada em neuropsicologia, nossa mente é extremamente complexa e pode, inclusive, nos boicotar. "Às vezes, por questões inconscientes, achamos que não merecemos determinadas coisas, que vão de bens materiais a relacionamentos amorosos. Abrimos espaço na vida para que as coisas deem errado", declara.
Ela comenta a já citada situação de ralar sem querer o automóvel novinho no portão da garagem. Para ela, no fundo, a pessoa não se sente merecedora de tê-lo. Ao estragá-lo, se sente mais confortável. Ainda segundo Marta Leopoldo, o medo é um fator que atrai as "más vibrações". Vale o mesmo exemplo do carro: o motorista tem tanto receio de lesar o bem que acaba justamente fazendo o que mais teme. "E aí, ao considerar esse acontecimento um sinal de ‘olho gordo’, se sente mais aliviado. 'Pelo menos já aconteceu', é o que pensa no íntimo", fala a psicóloga. O que isso significa? Que talvez o “olho gordo” possa ser produzido por nós mesmos.
Dificilmente a ciência consegue explicar todos os fenômenos –em especial aqueles que supostamente acontecem na mente humana– e deixa uma importante margem para as crenças. Uma premissa da física quântica, no entanto, defende que não só o “olho gordo” existe como pode ser visto em laboratório.
"Para a física quântica, a matéria não é o mais importante. O que importa são os movimentos das energias, questões que vão além daquilo que ocorre no cérebro", afirma a cientista a psicoterapeuta Claudia Riecken, ativista quântica e seguidora do indiano Amit Goswami (uma das estrelas do documentário "Quem Somos Nós?", de 2004), referência mundial em estudos que buscam conciliar ciência e consciência.
Segundo Claudia Riecken, toda intenção gera uma frequência de ondas que altera o campo magnético das pessoas –daquelas que emanam e de quem recebe. "E isso é percebido em exames feitos por neurocientistas, através de mudanças nos fótons [partículas de luz] detectadas no cérebro", conta ela, declarando que não existem fronteiras que atrapalhem os resultados. Assim, o “olho gordo” poderia atingir até quem está no Japão.
Para a cientista, é possível barrar os pensamentos negativos ao trabalhar o próprio campo magnético de energia –através da compaixão, da autoestima, do perdão. "A inveja do outro fisga a sua. O ‘olho gordo’ só pega em quem também o traz dentro de si e quer competir, brigar, disputar", declara. De acordo com Claudia, atacar de volta nunca é o melhor estilo de se defender.
Uma conclusão é comum entre os especialistas: se existe "olho gordo" ou não, o melhor é não prestar atenção ao redor, mas em si mesmo. Para Etienne Higuet, docente de Ciências da Religião, as pessoas têm razão em acreditar na presença maciça do mal no mundo, especialmente no mal que as pessoas desejam para as outras. "A influência de mentes perversas nunca deve ser superestimada", diz.