quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

A FOBIA SOCIAL REVELA A FARSA DA NOSSA IDENTIDADE. . .



A FOBIA SOCIAL REVELA A FARSA DA NOSSA IDENTIDADE

A Psicologia e o senso-comum usam a expressão ‘identidade’ para se referir à nossa personalidade sem se darem conta do tanto que essa expressão é verdadeira e adequada. Nosso eu é de fato uma identidade, mas não uma identidade consigo mesmo. Nosso eu estabelece sua identidade com o mundo. Quem somos nós? Não é possível responder essa pergunta a não ser fazendo referência ao mundo, seus objetos e a outras pessoas. Somos o filho de alguém, o morador de algum lugar, o torcedor do time tal, que exerce essa profissão qual, tem essas qualidades e aqueles defeitos. O sujeito só se define pelos seus objetos. Ou seja, na prática, definimos nosso eu por aquilo que temos, por aquilo que fazemos, pelas nossas relações com outras pessoas, com lugares ou situações... jamais definimos nosso eu por aquilo que somos. Pois, na verdade, o eu não é nada além disso tudo... o eu é justamente a identidade com tudo isso. Mas, se por um lado o eu é a identidade com tudo isso, por outro ele precisa ser diferente de tudo isso. O eu não pode ser simplesmente idêntico ao mundo. Para ser no mundo e viver nele, ele precisa se distinguir dele. Assim, o eu que vive e se relaciona no mundo é consciente de ser diferente desse mesmo mundo, e sua identidade com ele permanece inconsciente.

A identidade inconsciente do eu com o mundo significa que o mundo, e principalmente as pessoas com que o eu se relaciona, existem na essência daquilo que o eu é. Se no fundo de nossa alma nós somos idênticos às pessoas com que nos relacionamos, isso significa que não temos segredos para elas, que não podemos esconder nada delas... existimos em situação de completa abertura e igualdade com elas. Em outras palavras, o ‘olhar do outro’ existe dentro de nós, e ele conhece e enxerga perfeitamente o que realmente somos. E qual é a verdade que esse olhar do outro enxerga? Ele enxerga justamente nossa diferença com o mundo do qual deveríamos ser idênticos. Apesar de sermos idênticos ao mundo no fundo de nossa alma, na vida vivida somos diferentes dele, e esse olhar do outro que existe dentro de nós enxerga claramente isso e nos critica por isso! Conseqüentemente, nossa vida no mundo consiste num esforço (consciente ou inconsciente) de enganar o olhar desse outro interior e de passar aos outros reais que existem no exterior a imagem de que somos idênticos a eles; de que pensamos igual a eles, gostamos das mesmas coisas que eles, fazemos parte das mesmas tribos que eles. Mesmo quando nos revoltamos ou rebelamos também estamos atuando nessa farsa. O adolescente só se revolta depois de fracassar repetidamente nas suas tentativas de simular sua identidade com o mundo. E ele vê na revolta um meio de modificar o mundo para tornar mais fácil a simulação da identidade com ele.

Se me permitem exagerar um pouco, direi que nossa vida é um grande teatrinho, uma grande encenação. Vivemos tentando passar ao mundo uma imagem que difere daquilo que somos. As coisas dão certo se acreditamos que ao enganar os olhares das pessoas reais que existem no mundo estamos conseguindo enganar o olhar do outro que existe em nosso interior. Entretanto, quando o olhar do outro interior se reflete no olhar do outro que está à nossa frente, não conseguimos disfarçar o embaraço. A situação mais típica é o falar em público. Frente à presença esmagadora de dezenas e até centenas de olhares exteriores, o olhar do outro interior também adquire presença esmagadora em nós e esmaga nossa farsa! Mas, às vezes basta a presença de uma única pessoa. E até mesmo a ausência de qualquer pessoa real pode bastar para que o olhar do outro interior se torne mais real que a ausência real exterior!

Quando o olhar do outro interior resiste às nossas tentativas de enganá-lo, sentimos como se estivéssemos sendo pegos em flagrante. Não sabemos mais como nos comportar, ficamos sem reação, abobadados. Nossa farsa está sendo ameaçada. No entanto, essa farsa é exatamente aquilo que nós somos, e a ameaça à farsa é uma ameaça ao nosso próprio ser. Há aqueles que experimentam apenas uma leve vergonha, e até fazem piada com o caso. Mas, há aqueles que experimentam grandes doses de ansiedade, e até o pânico. E tudo isso porque levamos a farsa a sério. Se nosso eu é uma farsa, a melhor opção é reconhecê-la e aceitá-la como farsa. É justamente nosso esforço de querer dar à farsa ares de legitimidade que nos torna presas fáceis das críticas do olhar do outro interior.




https://www.facebook.com/cotidianoepsicologia

sábado, 22 de dezembro de 2012

O orgulho e a baixa auto-estima são sempre os dois lados da mesma moeda: Quando um se manifesta abertamente, o outro se manifesta implicitamente. . . .







O que muita gente ainda não percebe é que a baixa auto-estima é um produto do orgulho e 

da vaidade. 

Somente pessoas vaidosas e orgulhosas sofrem de baixa auto-estima. 

Se o vaidoso orgulhoso quer ser ou a aparentar ser sempre mais e melhor do que 

realmente é, então aquilo que ele realmente é será objeto de baixa estima

para ele mesmo.





sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Se você odeia algo que existe Isso é você, embora seja triste. Pois você é eu e eu sou você. . .


Se você odeia algo que existe.... Isso é você, embora seja triste.






 Pois você é eu e eu sou você. . .
“Venha, faça os discursos que quiser


Você fala de si, e não do mundo.
Pois há espelhos no lugar
Da luz e do brilho das janelas.
Você vê a si mesmo, e não a nós.
Só projeções, livre-se delas.
Self mais pobre, recupere
Aquilo que é apenas seu,
Torne-se essa projeção
Entre nela bem a fundo.
O papel dos outros é o seu.
Venha, recupere e cresça mais.
Assimile o que você negou.

Se você odeia algo que existe
Isso é você, embora seja triste.
Pois você é eu e eu sou você
Você odeia em si mesmo
Aquilo que você despreza.
Você odeia a si mesmo
E pensa que odeia a mim.
Projeções são a pior coisa.
Acabam com você, o deixam cego
Transformam montinhos em montanhas
Para justificar seu preconceito.
Recupere os sentidos. Veja claro.
Observe aquilo que é real,
E não aquilo que você pensa.”

~ Fritz Perls, “Escarafunchando Fritz: dentro e fora da lata do lixo” (pgs 22 e 23)

Sentir solidão não é estar só,....... é estar vazio. Sêneca

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Algumas pessoas tornam-se artificialmente adultos antes da hora para poderem lidar com a imaturidade do ambiente no qual foram criados.


O corpo é o tambor da pulsão invocante, que dança nas linhas da partitura de um Outro.




"O corpo é o tambor da pulsão invocante, que dança nas linhas da partitura de um Outro.

 A música, o real da língua, é aquilo que se ouve e que, sem se entender, faz o corpo balançar e dançar." 

Antonio Quinet





‎"O que eu fui ontem e anteontem já é memória. Escada vencida degrau por degrau, mas o que eu sou neste momento é o que conta, minhas decisões valem para agora, hoje é o meu dia, nenhum outro."

(Martha Medeiros)

Libertem-se dos sentimentos que produzem morte e se abram para aqueles que produzem renovação em suas vidas!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A mente condicionada age como um “robô”. . . E o pior, chega à conclusão e repete pensamentos baseada apenas nos condicionamentos criados a partir de experiências antigas.


A mente reativa possui esta característica: despreza a realidade e busca no passado condicionado explicação para o presente

. E julga segundo o que está condicionado em sua mente.

Faz


 drama .....  e coloca uma lente de aumento em seus

 problemas.

"Se você aprende a se soltar do passado, acelera seu processo de evolução"....


Se quiser ser feliz....


viva o presente...


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Destrói o que tem e deseja o que não tem (autoboicote).

O inconsciente , é simplesmente aquilo que está para além de nossa imagem refletida no espelho.


‎"As coisas não mudam, nós é que mudamos.










O início de um hábito é como um fio invisível, mas cada vez que o repetimos o ato reforça o fio, acrescenta-lhe outro filamento, até que se torna um enorme cabo e nos prende de forma irremediável, no pensamento e ação."
 
Orison Swett Marden

Tantas previsões, só provam, o quanto não suportamos o imprevisivel.


Somos feitos de conflito porque nosso desejo é fundamentalmente transgressivo.. . . . Livia G.Rosa


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A vida é contrato de risco, marcada pelo desejo.


 

Eu sou o outro (lista de reprodução)

A verdade não tem dono... Ela não é de ninguém...Ela é subjetiva.






A VERDADE
A verdade não tem dono
Ela não é de ninguém
Se cada um tem a sua verdade
Quem é que realmente a tem?
A verdade é um território
Paralelas linhas de um trem
Como tudo é provisório
Ela é também
A verdade é uma mentira
É mentira e mais além
A mentira é uma verdade
Imaginada por alguém
Cada um tem a sua verdade
Letra: Kali C
Música: Baruck

domingo, 16 de dezembro de 2012

O desejo é a expressão dessa falta de satisfação absoluta.











As nuances do amor.

A psicanálise é um discurso sobre o amor. 


Para Lacan, no princípio era o amor. 


Com essa frase Lacan inicia o Seminário VIII, sobre a transferência, onde fala do Evangelho de São João, cuja primeira frase diz que no início era o verbo. 

O verbo é essencialmente amor e daí a idéia de que todo discurso é um discurso amoroso. Mas o discurso amoroso é também um discurso odioso, a cobrir gestos odiosos e palavras estúpidas.

Lacan descreve três momentos sobre o amor.


 O amor como paixão do ser, o amor em sua vertente de engano e o amor como significaçào vazia.

 A falta, o encontro e a suplencia.

Para Freud, a psicanálise é um tratamento pela via do amor, é a base de todo laço humano e um dos fundamentos da cultura.

 
Na experiência analítica, o amor tem o nome de transferência e é um conceito fundamental da psicanálise.
Por isso falar do amor em psicanálise é falar da sexualidade, do desejo e da pulsão. “Eu te amo e porque amo algo em ti mais do que tu, eu te mutilo”. 


Em psicanálise só se fala de amores: amor ao pai, amor filial, amor cortês, amor a Deus, amor eterno e, fundamentalmente, amor de transferência. 


A transferência é a entrada na verdade do amor.

O amor, tal como o conhecemos hoje, é resultado de transformações singulares e contingentes que ocorreram ao longo dos séculos no ocidente. 
O desejo como desejo do Outro e o amor como demanda, se referem ao Outro, presente ou ausente, e têm o objeto a em posição de causa. 
A estratégia de Lacan é “Servir ao amor para se servir dele”. 
O amor faz todo o possível para ocultar a sua falha de origem, o desconhecimento fundamental que promove a respeito de sua própria incompletude.
O amor opera seus milagres e estabelece limites. É próprio do amor impedir que se veja certas coisas, certos defeitos da pessoa amada, mantendo determinado saber bem longe da consciência.
Quanto maior o amor, maior o recalcamento. Há uma relação muito próxima entre o amor, o recalcamento e a formação de sintomas. Lacan diz que o amor, como paixão do eu, visa a ignorância e o desconhecimento. Também se ama para não saber, para ser objeto de privação, para sofrer, para fazer sofrer. 



1. O amor na antiguidade.



Aristófanes, descrito no Banquete de Platão, narra um mito que tem como ideal a fusão fazer de dois, Um. Em seu mito, descreve que no início havia três gêneros, tinham forma redonda, quarto braços e quarto pernas, dois rostos e dois sexos, sendo um com dois sexos masculinos, outro com dois sexos feminino e um andrógeno, com um sexo masculine e outro feminino. Por serem arrogantes, foram punidos, partidos ao meio e condenados a viver a procura da parte perdida para voltar a viver o amor da completude. Como não ver nesse mito as três possibilidades de atrações sexuais?
Outro mito, narrado por Platão no Banquete é o de Eros, o amor, filho de Póros, o ingênuo e rico, o que tem algo, o amado, e Penia, a esperta e pobre, a que falta algo, a amante. Esses dois mitos estão no fundamento do amor ao modo que o concebemos no ocidente.
Lacan, no Seminário VIII, trabalha o Banquete de Platão e fala do amor e o articula sob as coordenadas do ter ou não ter. Érastès, o amante, é marcado pela falta que desconhece. Érôménos, o amado, desconhece o que tem e que causa o desejo do amante. 
Lacan quando fala de amor fala do amor entre um homem e uma mulher. É filosófico o amor que se refugia contra a experiência sexual de encontro com a alteridade, o feminino.
Freud fala do amor o faz a partir do conceito de narcisimo, inspirado no mito de Narciso. Narrado por Ovídio, conta de um jovem extremamente belo e formoso que desprezava o amor. Tirésia, o sábio, profetizou que ele viveria uma longa vida desde que jamais contemplasse a sua própria imagem. Por recusar o amor da ninfa Eco que, desiludida deixou-se morrer de inanição. , Narciso é punido pela deusa Nêmesis, deusa da vingança, o considerou responsável pela morte de Eco, e o puniu vingou-se fazendo-o contemplar a própria imagem no lago, onde foi saciar sua sede repentina. Ao ver sua imagem refletida nas águas, Narciso se enamorou da própria beleza e também se deixou morrer de inanição.

2. Amor Cortês e seus Ideais no Renascimento.



Denis Rougemont, no livro O amor e o Ocidente, demonstra que o amor, tal qual o conhecemos, é resultado de um processo corajoso ao longo da história. Certamente que existia relacionamentos entre homens e mulheres baseados no amor e na atração física, não era normal, quase sempre muito perigoso. Amar era sinônimo de arriscar-se. Influenciado pelo cristianismo, o amor antigo deu origem a outras versões do amor dentre elas o amor cortês. O amor cortês é uma modalidade de amor que se apóia na renúncia ao objeto.
Lacan ressalta a importância do cristianismo no surgimento do amor cortês. É do amor cortês que resulta o amor romântico, passando, antes, pelo amor galante do século XVIII, considerado o século das perversões e libertinagens, onde a exaltação dos sentidos, a volúpia, as relações sexuais pre-matrimoniais precoces, o culto às tecnicas do amor e o gozo amoroso como fim em si mesmo geraram a libertinagem que se converteu em moda, uma espécie de versão antiga do que ocorre na atualidade e que Zygmunt Bauman denomina de amor líquido.
O amor cristão, ao apresentar o mandamento do amor universal, de amar o próximo, produziu algo novo, um movimento entre os três registros, deslocando o amor narcísico do imaginário ao simbólico com efeito na subjetividade e no corpo.
Na idade media o casamento era fundado na caritas (estima, agrado) e o amor desejante era considerado obsceno. No século VI aparece a mulher em primeiro plano, a figura da virgem Maria.
Na esteira do culto à mãe de jesus, o amor cortês surge como o culto à mulher, na música, na poesia e na literatura. As histórias romannescas de Tristão e Isolda, Abelardo e Eloísa, Lancelot e Ginevra, Romeu e Julieta, fundaram um imaginário onde o amor aparece como falta, proibido ou impossível, a ser falado, narrado, cantado, mas não realizado. Surge nas cortes as poesias trovadorescas, o amor cortês, que aos poucos vai contagiando os pobres. Mas até o final do século XVIII, os filhos não se casam, eram casados pelos pais que, seguindo a tradição, arrajavam os casamentos baseados em princípios econômicos de conveniência.



3. O amor romântico.



Herdeiro do amor cortês, o amor romântico fundou o matrimônio romântico, monogâmico e monoteísta e transferiu amor para os filhos. Os ideais do amor romântico foram sendo difundidos na sociedade e assistimos ao declínio dos casamentos por interesse. 


O amor romântico é um tipo de amor que tende à unidade e à completude, criando um sentimento de plenitude e de complementariedade com outra pessoa com a qual se está identificado como ideal de eu. 


Para Freud, o amor dos pais pelo filho é o narcisismo dos pais renascido e transformado em amor objetal. No texto, “O Mal estar na Civilização”(1930), acrescenta: “Uma pequena minoria de pessoas acha-se capacitada, por sua constituição, a encontrar felicidade no caminho do amor. Fazem-se necessárias, porém, alterações psíquicas de grande alcance na função do amor antes que isso possa acontecer.” 


A psicanálise propõe como a primeira forma de amor, a primeira experiência vivida, o amor a si mesmo, chamado por Freud de amor narcísico; e a segunda, o amor anaclítico, o amor ao Outro, representado pela mãe, aquele que nos deseja, que nos satisfaz em nossas necessidades e nos protege. O primeira relação de amor é nacísica.


 Ama-se para ser amado.

Lacan chamou de paixões do ser, o amor, o ódio e a ignorância; e de paixões da alma, a tristeza e a mania.


 A ignorância como paixão é um dos elementos que constituem o amor de transferência. A paixão visa o outro como objeto, o amor visa o outro como ser.

O amor só pode ser concebido numa relação simbólica, mediada pela palavra. O milagre do amor, diz Lacan, é quando o érôménos (o amado) vem no lugar do érastès (o amante) e se torna o sujeito da falta, aquele que deseja.
Amar é próprio da condição humana.


 Experimentamos o amor na medida em que nos deparamos com nossa a falta a ser. 

O amor opera seus milagres mas também estabelece seus limites, e um deles é impedir que vejamos certas coisas, mantendo um certo saber bem longe da consciência, bem recalcado. 

O amor é o caminho de volta ao narcisismo, de modo que amar é por o eu ideal no outro e ama-lo por isso.

A nossa condição estrutural nos impulsiona a buscar num outro aquilo que nos falta, pensando que irá nos completar. Essa é a concepção neurótica do amor de casal, do amor como complemento do ser. 


Temos aqui o par amante e amado.

 Aquele que é carente, faltante, e aquele a quem supõe-se que tem em si o que falta ao outro.

O amante busca no amado algo que lhe falta e que supõe que ele tem mas não encontra.


 O amado não sabe pelo que é amado e não tem o que o amante supõe.

 O que o amado pode fazer é devolver amor, passando do lugar de amado ao lugar de amante e respondendo ao eu te amo, dizendo: eu também te amo.

 O encontro amoroso causa, ao mesmo tempo, a ilusão de completude e a certeza da falta: o outro é a minha falta e dou a minha falta ao outro. 

O fracasso da relação amorosa aparece quando o homem adota uma posição passivo-masoquista, obrigando a mulher a adotar uma posição fálico-ativa. A mulher quer ter e o homem não quer dar porque teme perder. Por essa via encontram-se os fracassos do amor.


O amor se baseia na ilusão de que o encontro de duas faltas pode ter êxito e gerar, causar nova harmonia.


 O nascimento de um filho obriga a reconhecer e aceitar a falta e identifiar-se mutuamente com a falta do Outro.

Amar é dar o que não se tem a alguém quem não o é, disse Lacan. Dar o que não se tem é dar a falta constitutiva. O amor como dom ativo está para além da facinação imaginária e narcísica. Por ser amor à diferença, dirige-se ao ser do outro. 


É quando amamos o outro mais que a nós mesmos. Por isso dizemos que o enamoramento é um estado de loucura transitória. Cada vez que nos enamoramos podemos perceber que dois fenômenos se repetem: a supervalorização do outro enquanto objeto amoroso, sexual e o empobrecimento do nosso próprio eu.


 O estado apaixonado mostra o domínio do objeto da libido em detrimento da libido do eu.

O abandono dói. 



Perder o objeto amado é perder uma parte de si mesmo, uma vez que toda a libido investida no objeto amado, diante da perda fica livre e gera dor, solidão e angústia, até que se faça o luto e a libido retorne ao eu para que possa investi-la novamente e volte a amar. 

Freud, Pulsões e seus destinos (1915), diz que se uma relação com um dado objeto for rompida, freqüentemente o ódio surgirá em seu lugar, de modo que temos a impressão de uma transformação do amor em ódio.


Em Sobre o narcisimo: uma introdução (1914), acrescenta: “Um egoísmo forte constitui uma proteção contra o adoecer, mas, num último recurso, devemos começar a amar a fim de não adoecermos, e estamos destinados a cair doentes se, em conseqüência da frustração, formos incapazes de amar.”


O amor situa-se entre a repetição e a invenção. Para Freud, o amor é repetição. Amar é repetir, reencontrar o objeto substitutivo do objeto interditado.

Para Lacan Amar é inventar, elaborar o saber.


 O amor é um modo de dirigir-se ao objeto a, através das palavras de amor, das cartas de amor. 

Amar é nomear o objeto a e poder reencontrá-lo.

Lacan, Seminário I vai dizer que o amor como paixão imaginária é um amor que deseja ser amado, e que só o amor permite ao gozo condescender ao desejo, isto é, ser favorável ao desejo, gozar da renúncia e da falta. 


Suplementar a falta, preenche-la! 

Quem ama goza de desejo.

A psicanálise é uma cura pelo amor, baseada na premissa de que o desejo de saber é do amor desejante e o desejo de não saber é da paixão da ignorância. 


Curar-se do destino é uma condição necessária para que o sujeito possa inventar um novo laço amoroso.


 A cura pelo amor ocorre quando se passa a amar em conformidade com o tipo narcísico.

 A cura pelo amor põe à disposição do sujeito sua capacidade de amar e trabalhar.

O desejo é a expressão dessa falta de satisfação absoluta. 


O amor dá sentido àquilo que, no campo do sentido, não tem nenhum sentido.


Jorge Sesarino - VII Jornada de Saúde Mental e Psicaná'líse da PUCPR. Outubro de 2012.