quarta-feira, 14 de novembro de 2012

.CIÚMES - INVEJA E PROJEÇÃO








Toda EMOÇÃO pode ser positiva, mas toda emoção pode trazer resultados bons e ruins. Dependendo de como cada um controla seus sentimentos. A questão é que, ao que parece, “muitos de nós não controlamos os impulsos do ciúme”.
É quase impossível na raça humana existir alguém que não sente um pingo de ciúme em um relacionamento a dois. Quando temos um objeto de amor, é comum que não queiramos dividi-lo com outro. O ciúme é uma emoção normal, porém, há variações de intensidade.
No ciúme patológico: o ser humano vive num eterno conflito entre os impulsos (o que deseja realizar) e as normas (o que deve ou pode fazer). Percebemos que em cada situação existem tipos de convivência, por exemplo, “os desajustados”: aqueles que se deixam dominar pelos impulsos, e os que vivem sempre “dentro dos padrões”. Esse último, muito racional, se uniu ao emocional, para viver nele o que reprime em si mesmo, e vice-versa. Quando o desejo não pode ser controlado racionalmente, temos um desajuste emocional, então é preciso muito mais que força de vontade para vencê-la. Um obsessivo-compulsivo precisa ser tratado com medicação e terapia.
Quando falamos em projeção é possível perceber que ela aparece desde a infância, encontra-se na base da interação com a realidade, portanto, é comum imputar ao mundo nossos interesses: adjetivos, aptidões e anseios. Vemos as coisas de acordo como somos. Nossa identidade se confunde com a realidade. A projeção se torna um mecanismo de defesa psíquico quando visa nos resguardar de ideias insuportáveis ou sentimentos descabidos. Tem como objetivo preservar a boa imagem que fazemos de nós.
É um mecanismo psíquico pelo qual o sujeito expulsa, rejeita de si mesmo e projeta no outro os seus sentimentos: desejo, raiva, inveja, etc. São traços de personalidade que, frequentemente, desdenha ou recusa em si mesmo
Por exemplo: uma criança rebelde, que bate em seus coleguinhas e confronta seus cuidadores se assusta ao olhar um cachorro, afirmando que o cachorro é bravo e que tem medo de ser mordida. O que a criança faz? Desloca para o animal aquilo que costumava fazer com os outros. Assim, acontece com os jovens que praticam o bullying, utilizam o mesmo mecanismo psíquico – projetam em pessoas o que odeiam possuir. Perseguem da mesma forma como um Paranóico que se sente perseguido. Essa projeção está na base da Paranóia e na base de todos os preconceitos.
Às vezes é mais fácil a fuga de um perigo externo do que mudar seu impulso interno agressivo, angustiante e/ou inaceitável. Porém, o impulso que é projetado no outro é um processo que se repete. Pois não se trata do que os outros fazem com o paranóico, e sim, o que ele faz, pensa e sente.
Então, nos relacionamentos amorosos, o mecanismo é chamado de ciúme patológico e acontece quando a pessoa se defende de seus próprios desejos. Por exemplo: a infidelidade – ele projeta no parceiro a infidelidade. Esse mecanismo de projetar os próprios desejos pode ser tão bem executado que costuma levar alguns parceiros a duvidar deles mesmos. De alguma forma inexplicável, o ciumento patológico consegue juntar situações, lembrar cenas e acusações que aparecem em alguma verdade inconsciente do outro, mas não nos fatos! 
Assim, ele desloca para o outro aquilo que habita nele, e desvia a atenção do seu próprio inconsciente. Sente-se aliviado, porque, agride o outro para não se agredir. E ao mesmo tempo descarrega os sentimentos proibidos que causam angústia e ansiedade. Vale dizer, o inconsciente anda ao lado do consciente. E nem tudo é inconsciente.
O filósofo Platão comparou o ser humano a uma carruagem: os cavalos são os instintos, o cocheiro é a razão e as rédeas, à vontade. Segundo ele, a maturidade depende de quanto o cocheiro manda nos cavalos. Essas pessoas parecem não conseguir domar seus cavalos, isto é, controlar seus sentimentos. Felizmente, o ciúme é educável e pode ter suas arestas aparadas — para a solidez da relação.
O autoconhecimento e a capacidade de nos conhecer: minimiza a ação desse terrível mecanismo.
A força de vontade não é suficiente para vencer uma compulsão.
 Ao perceber que não tem o controle da situação, procure ajuda profissional.
 Do mesmo jeito que, se tivesse uma dor de cabeça aguda, iria atrás de um neurologista, sem considerar tal providência uma atitude radical.
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