domingo, 31 de março de 2013













Não se pode fugir à própria estrada.


 Estradas retas nada ensinam.




 Evelin Pestana










De certa forma, todos sabemos o que evitar no mapa emocional de cada um de nós. Preferimos andar por cima do território, evitando os tropeços, as fendas, num equilíbrio sempre precário, desgastante, ameaçador... 

Entretanto, se caminharmos pelo território, podemos construir pontes, nivelar o terreno, construir espaços onde poder repousar. 

Saber do mapa (emocional) não é conhecer o território. 

Os perigos reais do território são sempre mais transponíveis do que as ameaças fantasiadas do nosso mapa emocional. 


Evelin Pestana


sábado, 30 de março de 2013




"Para fazer Amor é preciso mais, muito mais, do que despir o corpo.

 É preciso despir o Ser até à inocência.



 E entregar-mo-nos nus, despidos do mundo sem medo de perder a alma."_______________



"Ama. Ama por inteiro.
 Ama sem nada pelo meio. 
Ama, ama, ama, ama. Ama. 

Porque é só por aquilo que te faz perder a respiração que vale a pena respirar."____



João Morgado

In: Diário dos Infiéis








O medo é o avesso de uma coragem que foi esquecida; não é o oposto da coragem.

 A principal função do medo talvez seja a de nos lembrar que a vida passa. . . 





A principal função do medo talvez seja a de nos lembrar que a vida passa. . . 

Foto: Moram em nós muitas pessoas. A questão é saber se podemos conhecê-las, escutá-las, aprender com elas. Despertá-las. (Evelin Pestana, Casa Aberta - Página, Psicanálise, Arte e Educação)






Moram em nós muitas pessoas. 

A questão é saber se podemos conhecê-las, escutá-las, 

aprender com elas. 

Despertá-las.










Foto: Na repetição dos fracassos, descobrimos sempre depois o tipo de armadilha em que nos colocamos: se nos oferecemos ao outro para libertar o outro e a nós mesmos; ou, se nos oferecemos ao outro para, juntos, permanecermos no velho e conhecido roteiro: o do apego à dupla vitima-algoz. Repetir o fracasso tem por função revelar a nós mesmos que, em uma fração de segundos, o instante de entrar pode se tornar também o instante de sair. (Evelin Pestana, Casa Aberta - Página, Psicanálise, Arte e Educação).








Na repetição dos fracassos, descobrimos sempre depois o tipo de armadilha em que nos colocamos: se nos oferecemos ao outro para libertar o outro e a nós mesmos; ou, se nos oferecemos ao outro para, juntos, permanecermos no velho e conhecido roteiro: o do apego à dupla vitima-algoz. 


Repetir o fracasso tem por função revelar a nós mesmos que, em uma fração de segundos, o instante de entrar pode se tornar também o instante de sair.


 Evelin Pestana








As verdades são bonitas... A gente é que não saber ver. Acha verdade coisa feia...

Foto: As verdades são bonitas... A gente é que não saber ver. Acha verdade coisa feia... (Evelin Pestana, Casa Aberta - Página, Psicanálise, Arte e Educação).

sexta-feira, 29 de março de 2013





















A quantidade de felicidade que você tem depende da quantidade de liberdade que você tem no seu coração.

Thich Nhat Hanh








Em mim atravessam vários EUS que desconheço, conheço e reconheço, em um bailado tão intenso quanto a vida.










Renascer só é possível quando deixamos morrer o que não nos serve mais.


 A vida passa pela aceitação de quem somos e pela escolha de quem queremos nos tornar.....



 Evelin Pestana



















Foto: Criar a própria identidade é poder ler nossas próprias marcas: nossa história é o que nos torna absolutamente exclusivos, originais em relação uns aos outros. Na igualdade da morte para todos, a única diferença possível é fazer-se senhor das marcas herdadas; tornar próprio o que nos é próprio. A maior parte de nós se compõem de histórias e marcas ainda não lidas. (Evelin Pestana, Casa Aberta - Página, Psicanálise, Arte e Educação).





Criar a própria identidade é poder ler nossas próprias marcas: nossa história é o que nos torna absolutamente exclusivos, originais em relação uns aos outros.



 Na igualdade da morte para todos, a única diferença possível é fazer-se senhor das marcas herdadas; tornar 



próprio o que nos é próprio. A maior parte de nós se compõem de histórias e marcas ainda 




não lidas.











sábado, 23 de março de 2013






"...E encontrei tanto a liberdade como segurança em minha loucura:
a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido,
pois aquele que nos compreende
escraviza alguma coisas em nós..."







Como me tornei louco...

Gibran Khalil Gibran

Como me tornei louco
Aconteceu assim:
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido,
despertei de um sono profundo
e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas
- as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas
- e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando:
"Ladrões, ladrões, malditos ladrões!"
Homens e mulheres riram de mim
e alguns correram para casa, com medo de mim.
E quando cheguei à praça do mercado,
um garoto trepado no telhado de uma casa gritou:
"É um louco!"
Olhei para cima, para vê-lo.
O sol beijou pela primeira vez minha face nua,
e minha alma inflamou-se de amor pelo sol,
e não desejei mais minhas máscaras.
E, como num transe, gritei:
"Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!"
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto a liberdade como segurança em minha loucura:
a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido,
pois aquele que nos compreende
escraviza alguma coisas em nós.
 — com Maria Eliza de Carvalho.


BUSCANDO O EQUILIBRIO...

Boa parte de uma análise se destina a construir mais do que tornar consciente o inconsciente.






Trata-se, antes de mais nada, de propiciar um campo de recepção e acolhimento do sofrimento negado.

 Sem continente preparado, não há sofrimento que possa trazer um novo começo...

sexta-feira, 22 de março de 2013

O egoísmo pode ser o recobrimento de muitas dores que não puderam ser vividas.







Para Freud, o egoísmo é "o amor do eu por si mesmo", principal elemento da infância, quando o mundo gira ao redor da criança, alimentado pelo narcisismo dos pais. 

Para Winnicott, esse tempo faz parte do "amor impiedoso", tempo em que a existência do outro como tal ainda não pode ter lugar.

 Na vida adulta, a permanência do egoísmo em forte escala é um traço de um desenvolvimento emocional que não aconteceu, mas não define a patologia em si. 
A conotação de "pecado" é dada pela Igreja e pela Educação. 

Na realidade, o egoísmo é signo de que faltou ao Eu passar pela etapa da "preocupação com a própria agressividade"; faltou ao eu o reconhecimento da realidade, a diferença entre o eu e o outro ainda não se estabeleceu. 


O egoísmo pode ser o recobrimento de muitas dores que não puderam ser vividas. 




(Evelin Pestana















Costumamos idealizar as pessoas que amamos e que nos amam.

 Mas nem sempre essas mesmas pessoas são realmente capazes de nos escutar.

 Quanto maior o amor, menos vemos, vemos ouvimos. 

Quando isso acontece, o amor precisa de cura.

 É da natureza do amor adoecer de si mesmo...

 Evelin Pestana

quinta-feira, 21 de março de 2013

Já nascemos tatuados.







Não há um só relacionamento amoroso que não deixe marcas. 

A pressa em começá-los ou terminá-los pode ser indício de que cremos ser possível passar pelo amor "em vão".






Foto: O bom funcionamento do self depende das ligações entre psique e soma (Winnicott), construídas na infância, a partir do encontro com o outro. Quando essa ligação não se estabelece, estamos sempre partindo, sempre chegando, sem pra onde, sem saber de onde. (Evelin Pestana, Casa Aberta - Página, Psicanálise, Arte e Educação)

Ilustração: "Esperando a coragem chegar" - em pensamentopsiqueblogspot.com






O bom funcionamento do self depende das ligações entre psique e soma (Winnicott), construídas na infância, a partir do encontro com o outro. 

Quando essa ligação não se estabelece, estamos sempre partindo, sempre chegando, sem pra onde, sem saber de onde.


 Evelin Pestana
Ilustração: "Esperando a coragem chegar" - em pensamentopsiqueblogspot.com






quarta-feira, 20 de março de 2013



Foto: A neurose é paradoxal: implícita na recusa do reconhecimento do outro, a tentativa é de ser "como o outro", em suas qualidades e atributos. Não reconhecer de fato a admiração que temos pelo outro é ir ao encontro do que a neurose mais tenta evitar: a solidão. O reconhecimento pelo valor do outro, explicitamente, é o único caminho para lidar com a solidão. Citar o outro, nomear seus valores, reconhecer suas qualidades é o início da construção de uma rede de relacionamentos onde não somos apenas "mais um". Citar o outro, nomear o outro é para poucos. Mas faz parte da necessidade de todos. Não há atalhos para a conquista do respeito próprio e do outro. (Evelin Pestana, Casa Aberta - Página, Psicanálise, Arte e Educação)







A neurose é paradoxal: implícita na recusa do reconhecimento do outro, a 


tentativa é de ser "como o outro", em suas qualidades e atributos.

 Não reconhecer de fato a admiração que temos pelo outro é ir ao encontro do 


que a neurose mais tenta evitar: a solidão.

 O reconhecimento pelo valor do outro, explicitamente, é o único caminho para 


lidar com a solidão. 

Citar o outro, nomear seus valores, reconhecer suas qualidades é o início da 


construção de uma rede de relacionamentos onde não somos apenas "mais um".

 Citar o outro, nomear o outro é para poucos. 


Mas faz parte da necessidade de todos.


 Não há atalhos para a conquista do respeito próprio e do outro.






Foto: Não há como acessar a realidade externa sem passar pela realidade interna. Entre o interno e o externo,  há  a lente da alma. Há os que veem, mas não olham. (Evelin Pestana, Casa Aberta - Página, Psicanálise, Arte e Educação).









Não há como acessar a realidade externa sem passar pela realidade interna.

 Entre o interno e o externo, há a lente da alma.

Há os que veem, mas não olham.




Evelin pestana psicanalista




Podemos fazer todo tipo de manobra existencial, no entanto, não podemos escapar de nós mesmos e de todo nosso temor de vida.




Uma mulher não perdoa uma única coisa no homem: que ele não ame com coragem. 
Pode ter os maiores defeitos, atrasar-se para os compromissos, jogar futebol no sábado com os amigos, soltar gargalhada de hiena, pentear-se com franjinha, ter pêlos nas costas e no pescoço, usar palito de dente, trocar os talheres de um momento para outro.
 Qualquer coisa é admitida, menos que não ame com coragem. 
Amar com coragem não é viver com coragem.

 É bem mais do que estar aí. Amar com coragem não é questão de estilo, de gosto, de opinião. Não se adquire com a família, surge de uma decisão solitária.
 Amar com coragem é caráter. Vem de uma obstinação que supera a lealdade. Vem de uma incompetência de ser diferente. 
Amar para valer, para dar torcicolo.

 Não encontrar uma desculpa ou um pretexto para se adaptar, para fugir, para não nadar até o começo do corpo. Não usar atenuantes como “estou confuso”. Não se diminuir com a insegurança, mas se aumentar com a insegurança.
 Não esquecer de comentar pelo receio de ser incompreendido. Não esquecer de repetir pela ânsia da claridade. 
Amar como se não houvesse tempo de amar.


 Amar esquisito, de lado, ainda amar. Amar atrasado, com a respiração antecipando o beijo. Amar com fúria, com o recalque de não ter sido assim antes.

 Amar decidido, obcecado, como quem troca de identidade e parte a um longo exílio.

 Amar como quem volta de um longo exílio.

- [Carpinejar]



http://metamorfosesdaalma.blogspot.com.br/




A outra face da onipotência é o medo de um fracasso que já aconteceu: ninguém pode controlar a

 tudo e a todos.


 Os excessos são tentativas de anular a vida.

(Evelin Pestana, Casa Aberta - Página, Psicanálise, Arte e Educação)