terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

. . . A carência é a convicção interna do percebimento de que ninguém é capaz de preencher nosso vazio existencial..... .












Nossa meta atual que ruminamos diariamente é o fato de ganharmos dinheiro.



 Sem sombra de dúvida necessitamos do mesmo para atender nossas necessidades vitais. 



O complicador é quando as necessidades de consumo se agregam às questões afetivas, no sentido de compensar uma falta ou carência. 

Nenhum carro, casa ou produto pode ter tal função, já que o inconsciente não aceita permutas para suas solicitações.

 Deter-se no consumismo é apenas uma fuga narcisista para ser invejado ou obter poder sobre alguém, em face da infelicidade pessoal generalizada.

 E como é extremamente dilacerante percebermos o quanto somos e estamos infelizes. 

O dinheiro apenas abafa nossa total carência que não conseguimos resolver. 

A amplitude do desejo de retenção monetária reflete também um seguro cultivado diariamente contra algo extremamente valioso emocionalmente que a pessoa deixou escapar.

 O "rico" é aquele que sabe ou já passou pela horrenda experiência da privação, sendo que o acúmulo é a defesa mais racional para evitar a repetição de tão amarga vivência.

 Afetivamente em nossa era o processo é similar, pois a troca de amor para a maioria pode implicar em mágoa ou perda, assim sendo, todos acabam se tornando avarentos por precaução. 

O grande problema é que fica a impressão de jamais termos a certeza se realmente somos "bons" ou capazes em determinada área de nossas vidas.

 Dada esta dúvida, todos saem correndo atrás de fama, dinheiro ou poder, a fim de abafarem o desastre do fracasso pessoal, que é conseqüência na maioria das vezes do medo da opinião alheia e das expectativas que achamos que os outros têm a nosso respeito




Antonio Carlos Alves de Araujo - Psicólogo