Sem sombra de dúvida necessitamos do mesmo para atender nossas necessidades vitais.
O complicador é quando as necessidades de consumo se agregam às questões afetivas, no sentido de compensar uma falta ou carência.
Nenhum carro, casa ou produto pode ter tal função, já que o inconsciente não aceita permutas para suas solicitações.
Deter-se no consumismo é apenas uma fuga narcisista para ser invejado ou obter poder sobre alguém, em face da infelicidade pessoal generalizada.
E como é extremamente dilacerante percebermos o quanto somos e estamos infelizes.
O dinheiro apenas abafa nossa total carência que não conseguimos resolver.
A amplitude do desejo de retenção monetária reflete também um seguro cultivado diariamente contra algo extremamente valioso emocionalmente que a pessoa deixou escapar.
O "rico" é aquele que sabe ou já passou pela horrenda experiência da privação, sendo que o acúmulo é a defesa mais racional para evitar a repetição de tão amarga vivência.
Afetivamente em nossa era o processo é similar, pois a troca de amor para a maioria pode implicar em mágoa ou perda, assim sendo, todos acabam se tornando avarentos por precaução.
. O grande problema é que fica a impressão de jamais termos a certeza se realmente somos "bons" ou capazes em determinada área de nossas vidas.
Dada esta dúvida, todos saem correndo atrás de fama, dinheiro ou poder, a fim de abafarem o desastre do fracasso pessoal, que é conseqüência na maioria das vezes do medo da opinião alheia e das expectativas que achamos que os outros têm a nosso respeito
