quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014





O ressentimento leva o sujeito a criar todo um cenário propício para legitimar o seu direito de ressentir-se; a versão dos fatos pode mudar conforme suas necessidades, ele será acalantado por um ligeiro prazer, cada vez que reafirmar a sua posição de vítima. 

No entanto, nada mais é do que uma grande " ilusão de solução. "

É uma catexia latente, permanente, que ocupa espaço de outras mais nobres.

Isto, quando não desencadeia outras neuroses." 












 De meu ponto de vista, o gozo que o sujeito extrai do queixar-se, do lamuriar-


se, do vitimizar-se já é, em si, uma neurose, quando acontece com freqüência e se repete, com pequenas variações destes "cenários" criados, inconscientemente, onde ele busca ocupar este lugar de "sofredor". Muitas pessoas fazem isso sem perceber como é repetitivo e desgastante este queixar-se, quanta libido investem neste sintoma (as "lamentações do neurótico"). Em análise, o sujeito conseguirá, aos poucos, aperceber-se deste gozo doentio que extrai do próprio sofrimento, da repetição das queixas, da insistência na vitimização e poderá, então, tentar mudar o funcionamento desta engrenagem, interromper a repetição e libertar-se dos ressentimentos acumulados, quase sempre associados a culpas e medos. A princípio, os analisantes queixosos e ressentidos não conseguem notar nem aceitar a ideia de que "gozam" com isso, mas aos poucos acontecem as mudanças, as novas escolhas, a descoberta do desejo, que possibilita o movimento e a transformação. 

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