
"Os pacientes falam que usam drogas para “preencher um vazio insuportável”, para “encarar o dia a dia”, para “suportar ficar vivo”. Tentam preencher algo que não é possível, que é o buraco da angústia que existe para todo ser humano. Ninguém é completo, nem pode ser totalmente satisfeito. Cada um encontra uma forma de paliar isto. Alguns fazem seus sintomas na fala, outros recorrem a produtos químicos, à comida, etc.
Os pacientes descobrem na análise que é falando de sua história que podem mudar o rumo de suas vidas. À medida que vão falando para um analista, vão trocando o gozo estúpido que a droga dá por palavras. A droga vai caindo e o sujeito vai se sustentando em seu discurso. Vão organizando suas histórias e seus corpos e não precisam mais gozar solitariamente e aí descobrem que precisam dos outros como parceiros, que precisam falar do mal que lhes acontece e assim podem colocar-se no mundo de outra forma."
(Andreneide Dantas)
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