quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014


Quando tudo em nós se torna apenas cobrança, a única saída possível é pensar em desistir de nós mesmos.


Podemos nos tornar apenas ressentimento.


Podemos ser extremamente cruéis não apenas com o outro, mas, sobretudo, com nossa própria existência.



 É então que confundimos a dor de ser com aquilo que ainda não somos, não temos, não fizemos.


 A vida, em si mesma, nos cobra "apenas" a necessidade de ir adiante, apesar de nós mesmos, apesar dos outros.


Grande parte do temor de ir ao encontro de nossos desejos vem do fato de que, no inconsciente, o Eu encontra-se inflacionado: guardamos em nós a imagem impressionante da perfeição.
Quanto mais nos cremos perfeitos, mais tememos a nós mesmos.

O encontro com o outro-eu se torna, assim, uma ameaça a ser constantemente evitada.

 Perdemos, dessa forma, a possibilidade de verdadeiramente nos tornarmos "grandes".
















Evelin Pestana
Podemos nos tornar insuportáveis para o outro e para nós mesmos.

O não contato com a própria agressividade torna o mundo um lugar hostil, onde tudo e todos estão contra nós. Não há lugar para o engano, para o esquecimento, para o desconhecimento.


 Tudo se torna uma grande certeza: a de que o mundo nos deve, a de que o outro sempre terá mais e melhor do que nós, a de que tudo o que vier do outro jamais poderá nos fazer bem.

 Não reconhecida, não elaborada, a agressividade, sob a forma do ódio, da inveja, "CONGELA A ALMA,"

enquanto ferve o coração.



Não há um só movimento na vida que possa ser feito sem a capacidade de fantasiar, de criar e contar com a força do desejar.




Há, entretanto, os que desejam se movimentar, mas não contam com a força das marcas com as quais vamos construindo o caminho.


Falta-lhes passar pela experiência de estar de fato com o outro. Movimentar-se na vida implica em termos riqueza de mundo interno.
 

Para ir para fora, é preciso também poder ir para dentro.






O humano precisa construir condições para fazer a experiência do paradoxo.




Foto: Não há um só movimento na vida que possa ser feito sem a capacidade de fantasiar, de criar e contar com a força do desejar. Há, entretanto, os que desejam se movimentar, mas não contam com a força das marcas com as quais vamos construindo o caminho. Falta-lhes passar pela experiência de estar de fato com o outro. Movimentar-se na vida implica em termos  riqueza de mundo interno. Para ir para fora, é preciso também poder ir para dentro. O humano precisa construir condições para fazer a experiência do paradoxo. (Evelin Pestana, Casa Aberta - Página, Psicanálise, Artes, Educação). 

Ilustração: Alexey Ezhov.
















Evelin Pestana,