Quando tudo em nós se torna apenas cobrança, a única saída possível é pensar em desistir de nós mesmos.
Podemos nos tornar apenas ressentimento.
Podemos ser extremamente cruéis não apenas com o outro, mas, sobretudo, com nossa própria existência.
É então que confundimos a dor de ser com aquilo que ainda não somos, não temos, não fizemos.
A vida, em si mesma, nos cobra "apenas" a necessidade de ir adiante, apesar de nós mesmos, apesar dos outros.
![]()
Grande parte do temor de ir ao encontro de nossos desejos vem do fato de que, no inconsciente, o Eu encontra-se inflacionado: guardamos em nós a imagem impressionante da perfeição.
Quanto mais nos cremos perfeitos, mais tememos a nós mesmos.
O encontro com o outro-eu se torna, assim, uma ameaça a ser constantemente evitada.
Perdemos, dessa forma, a possibilidade de verdadeiramente nos tornarmos "grandes".
Evelin Pestana
Podemos nos tornar insuportáveis para o outro e para nós mesmos.
O não contato com a própria agressividade torna o mundo um lugar hostil, onde tudo e todos estão contra nós. Não há lugar para o engano, para o esquecimento, para o desconhecimento.
Tudo se torna uma grande certeza: a de que o mundo nos deve, a de que o outro sempre terá mais e melhor do que nós, a de que tudo o que vier do outro jamais poderá nos fazer bem.
Não reconhecida, não elaborada, a agressividade, sob a forma do ódio, da inveja, "CONGELA A ALMA,"
enquanto ferve o coração.
![]()
Não há um só movimento na vida que possa ser feito sem a capacidade de fantasiar, de criar e contar com a força do desejar.
Há, entretanto, os que desejam se movimentar, mas não contam com a força das marcas com as quais vamos construindo o caminho.
Falta-lhes passar pela experiência de estar de fato com o outro. Movimentar-se na vida implica em termos riqueza de mundo interno.
Para ir para fora, é preciso também poder ir para dentro.
O humano precisa construir condições para fazer a experiência do paradoxo.
Evelin Pestana,