terça-feira, 4 de março de 2014









Sê paciente; espera
que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento
que a mereça.


Eugénio de Andrade











Nomear é um jeito do outro reconhecer o que é.....







Em todo casal, o mais íntimo do vínculo é o que fornece energia para a "ilusão fundante". 

O encontro com o outro desperta em cada um dos membros do casal o mais primitivo e o mais elaborado. 

De um ao outro, o narcisismo de cada um passa por um processo de reviramento.

 Do outro sonhado ao outro real, entra em jogo a possibilidade de olhar para si próprio.












 EVelin Pestana psicanalista








O recalcado é sempre um penetra indesejável.

 Enquanto a histérica logo o expulsa, o obsessivo recebe-o bem, mas 

finge que não o conhece.

Que a soma de seus desejos seja a plenitude

Somos todos desejos ambulantes,buscando preencher nossos anseios.










 O ser humano não moveria um único dedo se não fosse por algum desejo interno.





















A chamada "pulsão escópica", a energia que brota dos orifícios 
oculares, a que é responsável pelo olhar (não é o ver, enxergar, é o olhar...) é uma das mais primitivas e mais importantes do humano. É também através dela (juntamente com o escutar) que Freud elaborou a fonte das nossas fantasias primordiais: elas são feitas a partir de "fragmentos de coisas vistas e ouvidas", com elas compomos a memória inconsciente que nos fornece uma grade de leitura para o mundo. Junto com o escutar, o olhar é nossa primeira forma de contato com o outro, com o mundo. O valor da pulsão escópica também está na fonte do "desejo de saber, de aprender". Daí nossa alta sensibilidade à perda desses sentidos: são veículos de libido, atuam na imagem que fazemos de nós e do outro, respondem pelo sentimento de "estarmos vivos"; não importa o valor dado às fantasias inconscientes vindas dessas pulsões, elas respondem por nossa existência de forma significativa.

DESEJAR para realizar!

Tumblr_ml7ly9yoxp1rp4rsxo1_400_large

Infelizmente, é mais fácil pra o ser humano fazer "rupturas" do que construir "pontes".













A infância é o tempo em que imaginamos o puro prazer - "o mundo, o outro existem como continuidade de mim, estão aí pra realizar meus desejos." 


É o tempo da necessária onipotência criativa da criança (Winnicott), cujo manejo tanto põe a trabalhar os adultos, no sentido de colocar limites aos desejos ilimitados da criança. 

A maior dificuldade dos adultos reside na identificação, para com a criança, a esse tempo de "puro prazer": a criança se torna depositária das fantasias de desejo dos adultos, já frustrados em boa parte delas. 

Para as crianças, os pais criam um mundo onde não podem existir frustrações. Desconhecem o fato de que ao agirem assim, estão transformando potência criativa em potência destruidora de si mesmos e da própria condição infantil da criança.


 Desconhecem o fato de que a potência criativa da infância já é fruto de algum, necessário, reconhecimento da realidade. 


Não fossem alguns limites já estabelecidos, não haveria, nem mesmo para a criança, a necessidade de criar. 

O tempo do "puro prazer" só existe na fantasia: tanto na das crianças, quanto na dos adultos.








Infelizmente, é mais fácil pra o ser humano fazer rupturas do que construir pontes.



 O fundamental, a raiz da saúde, está no fazer pontes entre o inconsciente/infantil e a vida, seja ela a da infância ou a da chamada vida "adulta".

Uma vez construídas as necessárias pontes, o olhar inocente, no sentido de infinitas descobertas por serem feitas na vida, persiste, e é fonte da nossa possibilidade de lidar melhor com nossa economia e dinâmica psíquicas; nos da condições de lidar com a crueza da vida... 



A quebra da inocência, do poder lançar um olhar amoroso sobre si e sobre o mundo se dá, de forma traumática, nas rupturas, sempre imediatistas, na tentativa de eliminar um desprazer - o de termos que nos construir constantemente - que perdura enquanto perdurar a vida.

O conhecimento é a reforma de uma ilusão.












É através do conhecimento que nós libertamos dos dogmas, tabus, preconceitos,

 que nos prendem nas teias da vida cotidiana..