quinta-feira, 8 de maio de 2014
Freud (1905), no início de sua obra, alertou aos neuróticos de que eles fantasiam o gozo, a satisfação que os perversos são realmente capazes de efetivar. O neurótico sonha, fantasia, e se assusta com o que o perverso é capaz de levar a efeito. O neurótico é aquele que crê e que, por isso, se assusta, se esmera em manter-se no bem, evitando se aproximar, pelo desconhecimento, do que o humano porta de eminentemente agressivo em sua natureza. A perdição do neurótico é exatamente esta: evitar o gozo e a satisfação praticadas pelo perverso, apostando na ilusão das boas intenções. O fato, todavia, é que a crença na ilusão do gozo perverso não dá aos neuróticos o poder de reagir, de dizer "não" ao gozo que o perverso continua a buscar pela acumulação de riquezas sem fim, não importando os meios. Se a neurose pudesse ser atravessada, se os "homens de bem" pudessem se aproximar de nossa potencial agressividade, temeríamos menos reconhecer o gozo daqueles que nos governam. Seríamos capazes de dizer "não". Seríamos mais capazes de realmente apostar na vida que queremos ter. Esperar que essa vida nos seja proporcionada por aqueles que teoricamente deveriam responder por nossas condições básicas de segurança e sobrevivência é crer no pai todo-poderoso da infância: aquele capaz de tudo nos dar... e também de tudo nos tirar. Inclusive a vida.
(Evelin Pestana Psicanálise, Arte e Educação)
(Evelin Pestana Psicanálise, Arte e Educação)
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