Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do zodíaco.
Gabriel Garcia Marquez
E gente de alma leve tem dessas coisas: Aonde for, enxerga amor.
Mychele Magalhães Velloso
A dificuldade em lidar com o sintoma advém do fato de que todo sintoma está enraizado em fantasias de onipotência e impotência.
Todo sintoma é construído de forma a nos defender dos graves momentos de fragilidade inerentes à história de todo ser humano.
As fragilidades vividas na infância se acentuam diante da tendência infantil a idealizar os pais, para mais ou para menos.
Todo sintoma, seja ele qual for, exige de nós o encontro com um analista capaz de ultrapassar tanto a onipotência como a impotência da fantasia.
Nesse percurso, é preciso lidar com o que a psicanálise chamou de "ganhos secundários" da doença, através da conivência daqueles que nos rodeiam: nossa sociedade recusa a fragilidade, exacerba os ganhos a qualquer custo e nos torna ainda mais prisioneiros de nossas próprias fantasias.
Evelin Pestana
"O impulso de controlar outras pessoas é, como sabemos, um elemento essencial na neurose obsessiva.
A necessidade de controlar outras pessoas pode até certo ponto ser explicada por um impulso defletido de controlar partes do self (EU)
Quando essas partes foram excessivamente projetadas para dentro de uma outra pessoa, elas só podem ser controladas através do controlar a outra pessoa.
Uma raiz dos mecanismos obsessivos pode, então, ser encontrada no tipo particular de identificação que advém dos processos projetivos infantis.
Essa conexão pode também lançar alguma luz sobre o elemento obsessivo que tantas vezes entra na tendência à reparação.
Pois o sujeito é levado a reparar ou restaurar não apenas um objeto em relação ao qual ele vivencia a culpa, mas também a reparar ou restaurar partes do self."
Melanie Klein.
A pulsão só se pacifica pela palavra.
Onde não há palavra, impera a hostilidade.