quarta-feira, 11 de junho de 2014

Como sempre, a insegurança gera sede de poder.. A fantasia subjacente é de dominação.




















Na fantasia sempre somos mais corajosos.

MINHA ALMA ESTA ASSIM.....DELICIA DE ALMA....

Não estamos habituados a entrar em contato com a intimidade dos outros porque não estamos habituados a entrar em contato com a nossa.



















O ESTRANHO MORA EM NÓS

Quando o bebê que antes sorria para todos e se deixava carregar no colo por qualquer um começa a chorar na presença de pessoas estranhas, dizemos que ele começou a “estranhar” aqueles com os quais não está habituado. 


Antes de entrar nessa fase de estranhamento, nenhuma pessoa lhe parecia incomum; nenhum rosto lhe parecia ameaçador. Até mesmo a face de animais e brinquedos lhe despertava o mesmo sorriso espontâneo.

 A naturalidade amistosa com que ele reagia a tudo e todos que se aproximavam dele é perdida no instante em que o habitual se torna para ele sinônimo de segurança. Pois, se o habitual se torna sinônimo de segurança, o que foge ao habitual se torna necessariamente ameaçador. À primeira vista, não é possível atribuir racionalidade alguma ao temor do que foge ao habitual. Racionalmente, o ter medo de alguém ou de alguma coisa só se justifica quando a presença desse alguém ou dessa coisa já nos causou infortúnios no passado.

 Só deveríamos reagir com medo na presença do que já estamos habituados. Não há sentido algum em ter medo do que não conhecemos. Essa forma de raciocinar é bastante coerente, e apesar de o medo tão comum que temos do desconhecido aparentemente estar em discordância com ela, uma análise pouco mais profunda desfaz esse equívoco.

O bebê que começa a estranhar aquilo e aqueles com que não está habituado, e que se torna um adulto acostumado a estranhar e a temer tudo que desconhece e todo aquele que não considera “normal”, muito provavelmente vai passar a vida inteira sem compreender que o alvo de seu estranhamento não é nada e nem ninguém que foge ao que lhe é habitual.



 O que é estranhado pelo bebê não são as pessoas que ele desconhece. 

O bebê estranha a solidão que ele experimenta na ausência das pessoas que ama. E uma vez que a presença de pessoas estranhas significa para ele a ausência das pessoas que ama, na presença de pessoas estranhas ele se sente sozinho. Na presença de pessoas estranhas ele experimenta um contato consigo mesmo que lhe causa desprazer. E na medida em que esse contato desprazeroso consigo mesmo se torna habitual, ele começa a reagir negativamente na presença de pessoas estranhas, como se essas pessoas fossem a causa do seu desprazer. Na verdade, a causa de seu desprazer é o contato dele consigo mesmo.

 A causa de seu desprazer é a solidão; solidão com a qual ele nunca consegue se habituar, mesmo que ela já tenha se tornado habitual. 

A solidão habitual com a qual ele não se habitua é o estranho que mora nele mesmo.


 E uma vez que o contato com o estranho que mora nele mesmo é condicionado pela presença de pessoas que fogem ao que ele considera normal e por situações que fogem ao que ele considera habitual, essas pessoas e essas situações serão erroneamente identificadas por ele como a ameaça que, na verdade, só existe dentro dele mesmo.

Todos temos medo de confessar aos outros o que se passa intimamente dentro de nós. 



Todos temos medo de que os outros estranhem o que temos a dizer; todos temos medo de que os outros pensem que não somos normais. Esse medo é bastante realista. 

Pois, a possibilidade de os outros nos acharem estranhos e anormais se lhes confessarmos nossa intimidade mais profunda é real, assim como é bastante real a possibilidade de pensarmos a mesma coisa deles em situação semelhante. Não estamos habituados a entrar em contato com a intimidade dos outros porque não estamos habituados a entrar em contato com a nossa. 

Sentimo-nos ameaçados na presença daquilo que nos outros foge ao que consideramos normal porque não conhecemos nada daquilo que foge ao que consideramos normal em nós próprios. E mesmo quando conhecemos a anormalidade que existe em nós, mesmo quando essa anormalidade já nos é habitual, ainda assim não conseguimos nos tornar habituados a ela.

 Não conseguimos aceitá-la, não conseguimos compreendê-la. 

Consequentemente, condenamo-la quando a vemos refletida nos outros. Nada do que é humano deveria nos causar ojeriza ou estranhamento. Todas as formas de agir e pensar, inclusive todas as formas de sexualidade, violência ou crueldade podem ser compreendidas por nós caso não tenhamos medo de enxergar no outro um semelhante.

 Pois, o outro que nos parece estranho também existe em nós, ainda que discordemos do que ele pensa e do que ele faz. Se o bebê antes conseguia sorrir para todas as faces, por mais diferentes que elas fossem da sua - e por mais diferentes que elas fossem umas das outras - talvez ainda exista em nós o potencial para voltarmos a fazer o mesmo.

Daniel Grandinetti – Belo Horizonte

Só quando a imaginação se sente segura de si mesma podemos criar.

Um PAI ausente esta mais "presente " que um PAI presente. . .








"Um pai ausente está mais presente que um pai presente."




















Isso acontece porque ao dormir o aparelho psiquico continua trabalhando. É preciso dormir para «decantar» o problema.
















Enquanto resistimos a olhar de perto nossas várias faces,



 fazemos acordos frouxos, construímos relacionamentos provisórios, moramos 


em lugares que mais se parecem com acampamentos.


 Agimos como se não fossemos ficar, como se tivéssemos acabado de chegar ou 

como se estivéssemos prestes a partir.


 Há os que vivem "como se" estivessem vivendo...




Evelin Pestana