sábado, 13 de março de 2010

PORQUÊ????


Como vou esperar o respeito do outro, se o outro é meu espelho, e ele vê que eu não me respeito...?Como vou evitar que o outro me humilhe, se o outro é meu espelho, e deixo claro a ele que não dignifico a mim mesmo...?Como vou desejar ser honrado pelo outro, se o outro é meu espelho, e ele percebe que não honro a mim mesmo...?Como pretendo que o outro goste de mim, se o outro é o meu espelho, e ele sente que eu não gosto de mim mesmo...?Como ouso reclamar o ser manipulado pelo outro, se o outro é meu espelho, e é nítido para ele que eu não domino a mim mesmo...?Como questiono o outro decidir por mim, se o outro é meu espelho, e lhe deixo claro o quanto sou incapaz de decidir por mim mesmo...?Como vou querer que o outro honre meus desejos, se o outro é meu espelho, e não consegue notar desejo algum em mim mesmo...?Como posso impedir que o outro viva por mim, se o outro é meu espelho, e meu reflexo indica que não tenho personalidade para viver por mim mesmo...?Como posso negar que o outro se ama através de mim, se o outro é meu espelho, e seu coração vê o meu, que não amo a mim mesmo...?Como vou exigir o valor que vem do outro, se o outro é meu espelho, e ele não enxerga em mim qualquer valor por mim mesmo...?Como me espanto pelo desprezo do outro, se o outro é meu espelho, e ele mesmo se espanta porque eu não prezo a mim mesmo...?Como acho justo sofrer por virar uma utilidade para o outro, se o outro é meu espelho, e meu comportamento lhe indica que eu não possuo vontade por mim mesmo...?Como posso impedir o outro de me derrotar, se o outro é meu espelho, e nos nossos embates, surge a verdade, que se sou fraco, é porque nem conheço a mim mesmo...?Como vou deixar de obedecer ao outro, a todos os outros, a qualquer um outro, se não posso obedecer a mim mesmo...? Porque...“manda-se naquele que não pode obedecer a si próprio...”

AUTOCONHECIMENTO!!!!


A primeira definição para o autoconhecimento é a aceitação plena de todos os sentimentos que habitam a alma humana, deixando de lado a hipocrisia ou fala social de que não sentimos determinadas emoções, do tipo: raiva, ódio e vingança. A tão almejada paz interior só advém quando não negarmos o que permeia a vida...

SOMOS TODOS IRMÃOS!!!!


sexta-feira, 12 de março de 2010

CORAÇÃO DE DIAMANTE!!!!



Corações embrutecidos são como diamantes
que o tempo apagou a natureza de carvão
Translúcidos, dentro deles não há nada
Expulsaram todos inquilinos
Lacraram todas as portas e janelas
Nada entra, nada fica
Solitários, enfeitam anulares
Afirmando compromissos e promessas em altares
Traduzem sonhos, espectativas
que o cotidiano guarda em gavetas
da escrivaninha ou da alma
Encantam, fascinam
Porque desejamos o proibido
Mas o coração diamante é sempre irredutível
Orgulhoso, morre só
Mas não volta à ser carvão
Forma humilde
que o amor transforma em brasa
Alquimista incorrigível não desisto
Vou soprar em seus ouvidos o meu amor
Até despertar sua natureza de fogo
Fogo do amor que não apaga
Queimando todas as mágoas
Pra que este coração volte à ser só amor.
Franklin Maciel

DISTÚRBIO DE ANSIEDADE NA NOSSA ERA ATUAL......


Na verdade, todos os distúrbios da ansiedade de nossa era (opressão na garganta, gastrite, taquicardia, enxaqueca, excesso de salivação, auto-imolação, tiques nervosos), dizem de como as pessoas se sentem extremamente solitárias, confusas e medrosas. O medo ou receio de novas decepções no plano externo potencializa o interno como observei acima. O grande problema disso tudo é o preconceito das pessoas de revelarem suas falhas ou medos; sendo que essa timidez seria um correlato moderno da moral antiquada que visava à repressão sexual. A essência de ambos os fenômenos é pura e simplesmente abafar todos os conflitos, entrando nesse estágio a medicação como arma para sedar o não resolvido. O fato é que impressiona a absoluta alienação no começo deste novo século. Aquilo que mais se deseja afastar (sofrimento) virou o maior objeto de disputa seja pelas drogas ilícitas ou lícitas, ou pelas religiões, sendo que a psicologia se mantém num papel intermediário, embora devesse ser encarada como "AUTOCONHECIMENTO" e nunca estudo comportamental, pois do contrário estará impregnada pelo ajustamento e condicionamento.

A evolução no estudo do sofrimento ou ansiedade é descobrir como uma determinada dificuldade ou perda tem uma leitura psíquica ou orgânica de cunho irreparável. Isso fatalmente remete a determinado acontecimento passado de inconformismo de ter perdido alguma oportunidade valiosa na esfera afetiva; ansiedade e arrependimento também caminham juntas. Mas porque tínhamos a certeza no passado que determinado investimento daria certo e não o aproveitamos? Coloca-se aqui mais outra equação da ansiedade; pois no passado não havia a contaminação da esfera econômica, estávamos amplamente abertos para a questão amorosa sem divagações ou cobranças e descobrimos que o passar do tempo apenas solidificou nosso esforço para uma segurança econômica que barrou uma possibilidade de felicidade que não cultivamos. O passado não é composto por traumas somente, mas, por avisos sistemáticos que negamos. A grande pergunta neste ponto é como recuperar a ingenuidade perdida com toda a carga de conhecimento negativo ou desesperança que se adquiriu no decorrer dos anos? Uma parte da resposta até é simples; as pessoas no geral não conseguem se desligar do império automático da mágoa e ódio quando se sentem frustradas, embora advoguem o oposto, que não cultivam rancores.

A ansiedade não deixa também de ser um processo de escolha para o individuo, pois o mesmo pode atravessá-la com uma sensação plena de aprendizado e enriquecimento interno, ou fica estacionado pura e simplesmente na angústia. Uma coisa fundamental a ser considerada é que aquilo que a pessoa considera que lhe faltou ou que lhe lograram, passando a reclamar o que lhe é devido no decorrer dos anos, pode justamente comprometer por completo sua saúde psíquica. A mágoa e rancor são como um ácido sulfúrico num copo de água cristalino que representaria a essência do desejo ou satisfação. Como expliquei em outro estudo, determinadas emoções negativas visam à proteção instintiva da espécie apenas, não devendo ser cultivadas constantemente. A ansiedade negativa se torna uma espécie de anabolizante que cria uma couraça em torno da pessoa, mas tal “massa muscular” blinda de forma destrutiva o indivíduo.


Mas porque o sujeito não vê que tal mágoa lhe dilacera a possibilidade futura de felicidade? Alguns diriam que tal pessoa neste estágio já estaria amplamente mergulhada na vingança, isto é totalmente verdade, mas, porque também não consegue optar por algum tipo de perdão? Neste ponto temos de avaliar a incompletude de tal conceito pela tradição religiosa. O perdão jamais pode ser apenas em relação a quem, ou o que nos acarretou danos, mas, principalmente deve ser obtido pela própria manutenção do potencial positivo da pessoa, resguardando aquilo que tem ou poderia trocar de forma plena, não permitindo em nenhuma hipótese que fosse contaminado pela amargura e infelicidade alheias. Sabedoria e amor de certa forma é saber preservar, não permitindo a fuga de nossas habilidades ou as provas de nossa autoestima. Quando se cai no império nefasto da comparação ou opinião alheia podemos apostar que nossa vida será uma eterna ciranda de atribulação e ansiedade. Não estou advogando que o isolamento ou solidão sejam o refúgio, mas que há critérios na convivência social, e um deles é não dissolver nossa personalidade porque ficamos com medo ou envergonhados perante observações ou comentários na maioria das vezes proferidos por absoluta má intenção ou ignorância. A crítica é magnífica quando nosso filtro interno sabe selecionar a pureza ou impureza da fala do outro. A manutenção precisa de tal medida é vital para a sobrevivência do ego da pessoa.

antonio c. a. araújo.

psicologo e terapeuta de casais.

ENCONTRAMOS OS MAIS LINDOS TESOUROS,QUANDO MERGULHAMOS FUNDO NO NOSSO VERDADEIRO "EU".....



Só é superior aquele que consegue dividir algo de seu íntimo; É um pouco mais nobre quem conseguir fazer tal tarefa por uma boa dose de tempo; Aquele que persiste em tal missão chega próximo de ser um espelho de algo parecido com o ser supremo que o ser humano deveria encarnar. Não podemos mais admitir a era de talentos desperdiçados”. - ALFRED ADLER-PSICÓLOGO.

quinta-feira, 11 de março de 2010

TIPOS PSICOLÓGICOS DA NOSSA ATUALIDADE....


Definir os tipos psicológicos de nossa era não é tarefa árdua, mas diria pessimista e recheada de sofrimento. O primeiro psicólogo da história a tentar defini-los (CARL GUSTAV JUNG) certamente sentiria um mal estar absoluto, pois seu modelo consistia em quatro tipos específicos: introvertido; extrovertido; colérico e fleumático. O primeiro era resistente ao contato social, o segundo era amplamente narcisista, o terceiro encarnava o tipo agressivo, e o último a frieza de sentimentos. Transportando para nossa atualidade gostaria de expor ainda quatro tipos básicos: o perverso; o tímido; o autopunitivo ou sabotador e o impulsivo-agressivo. Obviamente estes não explicam o ser humano por completo,(%) apenas é uma espécie de criar um quadro para o entendimento pessoal e social.
-O PERVERSO
-O TÍMIDO
-O AUTOPUNITIVO OU SABOTADOR.
- O IMPULSIVO-AGRESSIVO.
psicólog e terapeuta de familia e casal
antonio c. a. araujo

O TIPO IMPULSIVO-AGRESSIVO......


Sobre o impulsivo-agressivo também é outro ponto complicado. Este talvez seja o tipo psicológico que mais carrega o peso da exclusão em todos os sentidos possíveis. Seu temperamento explosivo logicamente causa uma incrível dose de ira ao seu redor. Embora sejam pessoas extremamente sinceras e honestas na maioria das vezes, pecam por uma falta de controle que as ajudariam na compreensão de seu meio. Apesar da boa autoconfiança e estima desse tipo, ainda assim não toleram a rejeição, mas como mecanismo de defesa inconsciente a provocam numa tentativa desesperada de domar o que mais temem, obviamente quase sempre fracassam e passam a maior parte de suas vidas no clássico mecanismo de FREUD da compulsão para sempre reviver experiências semelhantes de frustração. O problema central desse tipo não é bem a agressividade como muitos pontuam, mas um radicalismo exagerado numa ética que a maioria da sociedade insiste em não compartilhar. São eternos idealistas ou paladinos de causas certamente improváveis, que se estendem para seu campo pessoal e afetivo. Na verdade tal tipo não elaborou o luto por perdas de infância ou então a experiência de prazer sentida outrora teve uma duração muito curta, não se conformando que “sua vez durou tão rápido”. Empresta também um pouco do sabotador no aspecto do temor a solidão, já que não se conforma com a mesma, acaba a criando justamente para se testar, conforme mencionei antes, através de um mecanismo inconsciente. Obviamente este tipo também possui ao contrário do que demonstra um grande complexo de inferioridade, por justamente precisar responder com ferocidade toda a demanda que se coloca sobre sua pessoa. O temor de se sentir covarde é justamente o maior expoente de sua fraqueza. Este tipo se consolida principalmente na adolescência, onde a necessidade de auto-afirmação ganha importância fenomenal. O que mais estarrece a observação clínica de tais pessoas é seu histórico de atrair situações ou sujeitos com tanta ou mais impetuosidade que os mesmos, colecionam verdadeiras tragédias no terreno pessoal e profissional, tendo uma enorme dificuldade de estabelecer vínculos duradouros nos círculos mencionados. Quando há o transbordamento de toda a paixão citada costumamos ver na história o surgimento de todos os tiranos e ditadores sabendo de antemão qual será o destino dos mesmos. ERICH FROMM em sua belíssima obra “anatomia da destrutividade humana”, classificou tal tipo como de caráter sádico-anal que se transformaria numa paranóia quase que de caráter alucinatório.Citou como exemplo o caráter de JOSEPH STALIN, que não hesitava em acusar e colocar sob julgamento seus mais próximos e colaboradores íntimos. Não se tratava apenas do delírio persecutório em si, mas que, a insegurança, ameaça e de novo inferioridade não de dissipavam nem com a conquista do poder, sendo necessário o desenvolvimento de maior carga de fúria para compensar tal frustração, é um ciclo de horror que a humanidade há séculos já conhece muito bem. O problema é que muito se estudou sobre tal psicose, mas nunca se levou a sério o estudo de como a mesma é capaz de seduzir e ludibriar milhares de pessoas. Na verdade a figura do ditador não é admirada pelo suposto traço de certeza que transparece, mas justamente pela coragem do mesmo de viver todas as suas pulsões ou instintos sem limites. Há uma grande semelhança com o perverso neste ponto, na verdade, não há um tipo puro, todos em muitos casos se tornam híbridos. Sinto-me profundamente injustiçado quando sou acusado de politizar a psicologia, penso que o problema não é politizar a mesma, mas garantir o não mercantilismo no terreno psíquico, pois é notório como reproduzimos via consciente e inconsciente todos os ditames de mercado da época em que vivemos. Consumo desenfreado e irracional é idêntico a fome insaciável de gozo do perverso, só para citar um exemplo. A questão final que temos de lidar é o que fazer, ou melhor, como se defender da chamada neurose atual. A antropologia poderia nos dar alguma pista neste sentido, pois se pensarmos nos povos primitivos, o conflito, o contato com o inconsciente era de exclusividade do chamado xamã, figura mística da tribo que encarnava todos os anseios coletivos. O problema de nossa atualidade é que não existe mais essa proteção ou espaço confinado, todos acabam vivenciando esse espaço consciente e inconsciente altamente perturbador e fora de controle, e como única saída parece que só sobra o lado material como compensação pífia de toda essa ansiedade e insegurança vivida pelo homem contemporâneo. Não custa repetir o que já disse exaustivamente em outros trabalhos, ou realmente partimos para uma relação de intensa amizade com o intuito de salvarmos o outro e a nós mesmos, ou o que restará será apenas metáfora, sonho e ilusão de uma satisfação perversa e polimorfa, desprovida de um senso de companheirismo e prazer real.

O TIPO AUTOPUNITIVO....


Sobre o tipo autopunitivo todos reconhecem bem suas características: sofrimento pleno no transcorrer das diversas passagens de sua vida, ultra solidariedade com os mais desafortunados, não permitindo que seja merecedor de qualquer desenvolvimento ou prazer, deve seguir a horda dos despossuídos de autoestima, teme totalmente despertar a inveja perante sua pessoa, se esconde completamente de qualquer posição de poder ou destaque, ritualismo, normas e obsessividade são seus padrões corriqueiros de comportamento. Na verdade o maior pavor deste tipo é similar ao da timidez, medo da crítica, a diferença é que o tímido possui melhor mecanismo de defesa, tipo o bunker econômico que construiu. No autopunitivo a carga é direta, sem nenhum escudo. Podem ter ocorrido traumas de infância, ou pouco reforço na sua imagem de ego, mas independente de tais fatores seu olho clínico sempre foi o de compartilhar a miserabilidade psíquica alheia. Notem que tal caráter vai completamente à contra mão de nossa estrutura social de egoísmo e insensibilidade. O importante é cumprir todas as normas para evitar o terror de ser notado. A psicanálise explica tal caráter como à angústia da castração, se sentir subtraído de um atributo ou poder maior. O famoso psicólogo francês JAQUES LACAN, introduziu neste aspecto, o conceito da fase do espelho, onde a criança em determinada fase de seu desenvolvimento se reconheceria como objeto único, separada de qualquer complemento materno, não se veria mais em partes. Pois é justamente nessa fase que solidificamos uma crença sobre nosso potencial. Embora não seja seguidor de tais conceitos, notei que muitos relatos de pacientes acerca de quando se deu sua percepção que era único neste mundo, vinham acompanhados de dois sentimentos incrivelmente opostos; ou se achava hiper valorizada, com intensos sentimentos de grandeza e poder do que poderá ocorrer em seu futuro, ou uma angústia e decepção paralisantes, sentidas por uma frustração perante sua imagem.Tais episódios nada mais são do que a origem genética do conceito de ALFRED ADLER sobre complexo de superioridade e inferioridade, assim sendo, o tipo descrito navega quase sempre no segundo, negando por completo o primeiro. Mas porque seu não merecimento ao desejo de superioridade? Além de problemas descritos com auto imagem, é um repúdio contra as responsabilidades que uma posição superior desencadearia. O autopunitivo esgotou toda a sua energia no privado, doméstico, não sobrando nada para sua vaidade social positiva. É como se tivesse feito uma maratona pela manhã e a tarde não tem mais empenho para nada. Já cumpriu suas tarefas, então deseja descansar ou se retirar, pois do contrário deverá lidar com a vergonha, outro terror para o mesmo. Esse último sentimento é motivado não por fatores reais, pois na maioria das vezes a pessoa sabe muito bem que têm seus encantos, o ponto básico é a necessidade do luto constante. O autopunitivo é uma espécie de carpideira a cada receio ou ameaça de liderança ou poder pessoal. Novamente na contra mão do que vemos regularmente. Mas então concluímos que todos devem almejar ao poder? Não necessariamente, a questão é a economia de sentidos e prazer, resistir em ser ou trocar a fundo seu real valor, pois incrivelmente o medíocre não tem vergonha de nada, se expõe ao ridículo apenas para angariar a atenção, ao contrário do autopunitivo, que retém sua energia, se transformando num avarento psíquico contra si próprio.

O TIPO TÍMIDO....


Em contrapartida ao tipo psicológico PERVERSO, descrito temos o TÍMIDO, toda a ousadia do primeiro é totalmente negada no segundo; ao contrário do outro o tímido odeia desafios, principalmente quando sente que os mesmos serão um teste para sua auto-imagem, teme profundamente ser rejeitado, e não tem confiança alguma em seu potencial afetivo ou de conquista. Descrevi este tipo detalhadamente no decorrer de meus outros textos. O tímido tenta tirar lucro de sua não participação, conhecendo e sendo um bom ouvinte do outro e retendo totalmente a fala sobre si próprio. O histórico dessa patologia remete a diversos fatores constitucionais: falta de um ambiente familiar mais caloroso e afetivo, não reforço dos pais em relação aos ganhos pessoais da criança, e principalmente uma imagem depreciativa de seu lado físico e afetivo. O tímido acredita ser incapaz de despertar a atenção alheia quando o tema central é sua pessoa. O fato que mais marcou minha atenção no estudo durante anos sobre tal tipo é algo que talvez não fosse muito percebido pela psicologia, a canalização de toda a energia reprimida das áreas citadas para a esfera material. É impressionante como comecei a notar que quase todo tímido era tremendamente bem sucedido na questão econômica, e achava um tanto estranho, já que a falta de sociabilização poderia ser um obstáculo para seu progresso. Mas tudo faz um tremendo sentido num mundo onde pouco importa vínculos, e sim máquinas, cálculos ou informática, o tímido é o senhor supremo do impessoal, sabe tirar um proveito mágico desse atalho que a sociedade oferece. Torna-se um cidadão exemplar, exatamente para jamais ser alvo do que mais teme que é a crítica.Na verdade voltando a falar de espelhos da sociedade o tímido representa uma parte de nossa era, abdicação da emoção e motivação genuína, em troca rotina e caráter metódico. Cumprem perfeitamente todas as convenções sociais, seu núcleo é estar constantemente protegido, seja pelo lado econômico ou por se diluir na multidão solitária. Seu preço obviamente é a falta constante de uma inspiração criativa, que deleite seu sentido de vida. O tímido pode ser encarado como aquele personagem descrito por WILHEM REICH em seu famoso livro “escute Zé ninguém”, como o homem moderno, submisso por completo aos ditames sociais, sem prazer verdadeiro, mero personagem, nunca diretor de sua peça de vida, o medo reina absoluto em seu cotidiano, acho que não preciso dizer mais nada. Sobre a questão política colocada por REICH, o mesmo enfatizava que era o homem comum quem verdadeiramente impedia qualquer tipo de transformação. O que a maioria dos psicólogos sociais e sociólogos não perceberam é que a entropia do movimento político não se deu apenas pelo fim do chamado estado socialista, está é apenas uma parte do problema. Na cena brasileira após o estado repressor assistimos o surgimento do totalitarismo do estado jurídico, sendo assim qualquer transgressão como greves ou coisa do tipo não só é punida com pesadas multas aos sindicatos, mas também a aniquilação de lideranças com sucessivos processos judiciais contra os mesmos, e numa sociedade em que ninguém tem disponibilidade de tempo para nada, tal medida é fatal contra qualquer rebelião. Percebam que se pensarmos no histórico de alguns movimentos, não era a ditadura que era temida, pelo contrário, era honroso lutar contra a mesma, fora o lucro político de tal fato, se não me engano boa parte de nossos políticos atuais foram militantes contra a ditadura. O estado sabe muito bem que uma tirania será quase de imediata respondida com ódio, seja a guerrilha ou protestos, mas a burocracia não, pois a função da mesma é justamente sufocar qualquer espírito. Estou dizendo isso, pois tal fenômeno explica a verdadeira timidez social em termos de qualquer mudança, tudo é imposto, e o indivíduo está desaparecendo nessa neblina burocrática, o resultado é o que já pontuei em outros textos, a transferência de um protesto social para transtornos psicológicos, obviamente que não estou explicando a origem destes apenas por tal evento, mas é parte de seu alicerce. Não apenas a célebre frase de JOHN LENNON (“não confiem em ninguém depois dos trinta”), mas, principalmente a motivação e vontade morrem talvez após essa idade, e o que sobra é a busca de um conforto material paralisante e recheado do mais puro vazio, e todos sabem disso, mas estão completamente viciados, e vamos “tocando a vida”, esse é o fato. O incrível é que esse estado de direito impositivo burocrático acabou por ser a própria salvação da psicanálise, nunca a mesma esteve tão em voga, justamente pelo excesso de proibições na esfera pessoal, ou seja, o clássico conceito da repressão, chave mestra da teoria citada nunca andou tão em moda.

COMO DESVENDAR NOSSO DESTINO? Se refletirmos sobre o sentido da vida, logo perceberemos que se trata da discussão mais antiga da humanidade. O debate se torna polêmico ao falarmos de um destino estabelecido, gerando todo um componente místico sobre o assunto. Gostaria nesse estudo de enfocar os aspectos psíquicos do tema, abstraindo por completo qualquer aspecto de natureza religiosa; pois caso contrário, estaria preso numa única corrente de pensamento. O fato é que nenhum ser humano escapa de refletir sobre suas metas ou o sentido que outorga à sua existência, e caso esse processo não seja efetuado, sobrará tão somente um imenso vazio pessoal e existencial. Em nossa realidade social marcada principalmente pela competição econômica, qualquer menção a palavra destino é imediatamente relacionada ao poder, status e prestígio social;sendo que a pessoa que não obter tais metas nem pode ousar tentar traçar seu rumo, devendo se resignar com todo o tipo de carências pessoais e sociais.Apesar dessa exclusão forçada por determinados modelos impostos, gostaria de ressaltar a primeira conclusão acerca deste estudo sobre o destino:"Todas as nossas amizades, relações pessoais ou profissionais, parceiros afetivos, são nada mais do que o espelho de nossa alma e meta de vida que estamos atraindo e buscando". Nunca foi necessário qualquer método bizarro de análise pessoal para desvendarmos nossos rumos, basta olharmos ao nosso redor que encontraremos quase que todas as respostas para nossos acontecimentos e eventos que cercam nossas vidas. Talvez para algumas pessoas seja difícil tal percepção, em virtude de uma tendência para a vitimização e autocomiseração. Há uma norma em quase toda a psicologia, de se buscar explicações no longínquo em detrimento da proximidade do sujeito. Quase sempre estamos reproduzindo no âmbito pessoal elementos da esfera coletiva. Qualquer escola de psicologia cometerá um gravíssimo erro, ao tentar desvendar o sentido da vida de um indivíduo sem levar em consideração determinados eventos sociais que afetam a personalidade. A única coisa nova que pode surgir em nossa sociedade é a não reprodução do jogo da exploração social à que todos estão submetidos, causando toda a miserabilidade afetiva de nossa era. É dever do psicólogo reunir todas as imagens contidas no psiquismo do paciente, que nada mais são do que o reflexo de toda a sua relação social;e que papel ocupam em ditas relações:superioridade, inferioridade, inveja, ambição ou necessidade de compartilhar. A própria criatividade é a prova máxima da divisão de alguma riqueza interior, que se coloca a disposição de outras pessoas, causando uma sensação de redenção ao criador da obra, pois a essência de toda a arte é a transformação do sofrimento individual em uma mensagem de esperança e perseverança para alguém que ainda não conseguiu enxergar as coisas de uma maneira profunda e introspectiva. Voltando a temática de como nossos relacionamentos expõe nosso destino, gostaria de citar um exemplo ocorrido em terapia. O paciente tinha cerca de quarenta anos e sua problemática girava em torno da extrema timidez e solidão. Sabotava qualquer tipo de contato social, seja no ambiente de trabalho ou nas relações pessoais. O fato que me chamava bastante atenção era sua pontualidade e comparecimento constante à terapia, já que este tipo de paciente costuma fugir de qualquer tarefa social. Determinado dia o paciente me contou que havia recebido um telefonema de uma pessoa que não conhecia,e embora fosse uma ligação por engano, a pessoa que lhe telefonou começou a contar detalhes extremamente pessoais;como a perda do marido, a doença do pai, sua extrema carência sexual dentre outros. A conversa se desenrolou por horas, sendo que o paciente anotou o telefone da pessoa para em outra ocasião continuar o diálogo. Após alguns dias quando retornou a ligação, descobriu através de outra pessoa que realmente havia alguém com tal nome naquele número, mas havia falecido acerca de dois anos. Quando o paciente acabou de contar dito relato, não me senti inclinado a uma percepção metafísica do fato, mas tive uma sensação extremamente forte de que o mesmo havia conversado consigo mesmo acerca de seu futuro;sendo que naquele momento se projetou toda uma cena de como seria a vida do mesmo num futuro próximo;já que a mulher era mais velha e tinha um histórico incrivelmente similar ao do paciente. Quando relatei minha percepção o mesmo entrou em estado de choque, pois foi capaz de visualizar que todas as pessoas que conheceu, representavam pedaços de sua personalidade que nunca tinham sido conscientizados pelo mesmo;sendo que havia sempre uma tendência para reviver tais experiências ou encontrar o mesmo tipo de pessoas que conhecera no passado.FREUD chamou esse processo de "compulsão à repetição"; que denominava como uma carga neurótica que o sujeito carregava e sempre se repetia até elaborar tal conteúdo reprimido. CARL GUSTAV JUNG, um dos primeiros psicólogos a romper com as teorias de FREUD, deu o nome de "sincronicidade" para tal processo, e este seria definido como uma série de eventos similares que não tem uma relação prévia de causa e efeito, mas que possuem uma relação no psiquismo coletivo da humanidade. Assim sendo, esse psiquismo citado funcionaria como uma espécie de antena que captaria vivências similares em pessoas desconhecidas, que tem relação com as experiências vividas pelo sujeito. Nossas relações sociais expõem constantemente elementos inacabados de nossas vivências pretéritas, e é nesse ponto que surgem os maiores problemas de relacionamento. Se pensarmos na questão do casamento ou relação afetiva, teremos a prova do descrito acima. Alguém que lide com casais por determinado tempo, logo descobrirá que cada parceiro é uma espécie de terapeuta forçado para o outro, revelando todos os pontos cegos da pessoa. Quando uma esposa se queixa da ausência do marido por exemplo, sempre por detrás desse real e infeliz acontecimento, surge a urgente necessidade de maior independência, crescimento e autonomia da mulher, embora a mesma só consiga visualizar sua necessidade e carência sentida na relação. Um relacionamento do tipo descrito sempre será um constante foco de tensão e atrito, pois ambos diariamente revelarão o que está subdesenvolvido em seu parceiro. A reflexão central sobre este assunto é se estamos ou não preparados de fato para desfrutar do imenso gozo e prazer de uma relação, ou se a mesma permanecerá uma eterna terapia incompleta de nossos sonhos perdidos. Obviamente deveria ser um prazer ter alguém que nos mostre o que nos falta, mas como fomos treinados para a competição, total individualismo e orgulho, acabamos por recusar tal dádiva. Se pretendermos realmente desvendarmos nossos destinos, temos de refletir sobre quais as emoções que mais orbitaram em nossas vidas: raiva, carência, mágoa, rejeição, amor, segurança, confiança dentre outras. A somatória das mesmas será a pista mais fiel sobre nosso futuro pessoal e profissional. A análise do tipo de pessoas que nos cercam, como foi descrito anteriormente é um elemento extremamente confiável para averiguarmos a essência de nossa alma que tantas vezes temos receio de enxergar. O fato é que a maioria dos seres humanos de nossa época preferem se confrontar com todo o tipo de emoções negativas e relacionamentos medíocres; evitando a dor profunda da solidão, que aliada ao vazio de nossa época se torna insuportável. A solidão revela ainda toda a fragilidade de um ser humano desamparado e o remete diretamente ao mais aterrorizante de todos os dilemas, a morte, pois tentamos a negação da mesma por todas as vias possíveis, negando todo o processo da natureza, como se fosse possível nos separarmos desta última. Como já foi dito milhares de vezes, quem teme a morte em última instância teme a vida. O medo da análise de nossa própria personalidade é a tentativa desesperada para não rompermos situações ou relações que nos causam imenso sofrimento. O apego é o elemento mais destrutivo e corrosivo da natureza humana, criando no indivíduo uma existência fictícia, o inferiorizando para lidar de modo direto com o princípio da realidade. O apego é uma tentativa absolutamente neurótica da negação da morte em todos os sentidos, e se a pessoa construiu uma idéia totalmente irreal de que as coisas jamais deverão se extinguir, a conseqüência lógica é o total descompromisso com o desenvolvimento e mudança;pois se há a ficção da eternidade, o resultado só pode ser uma acomodação mórbida no sofrimento diário vivido pela pessoa. Enfim, deveríamos refletir sobre o quanto estamos dispostos a investir na mudança, se seremos sujeitos passivos de determinadas emoções arraigadas, ou se estamos dispostos a conduzir nossas vidas para um rumo extremamente diferente do que estamos acostumados a sentir diariamente. A coragem está totalmente ligada à percepção e vontade.

psicólogo

terapeuta de casais e familia.

antonio c. a. araujo

quarta-feira, 10 de março de 2010

PARA NOS RELACIONARMOS COM O PARCEIRO SE FAZ NECESSÁRIOS OBSERVARMOS SUAS QUALIDADES E TAMBEM SEUS DEFEITOS....


Os antigos acreditavam que o coração era o órgão responsável por nossos sentimentos e emoções. Hoje sabemos que é no cérebro, mais especificamente na região chamada amígdala, que eles se processam. Se as pessoas soubessem mais sobre esse assunto, muitas brigas e conflitos afetivos seriam evitados.Hoje está claro, por exemplo, que, ao colocar intencionalmente a atenção em alguma coisa, aumentamos o significado que ela tem para nós. Assim, se durante muito tempo damos excessiva importância aos problemas que não resolvemos, o cérebro valoriza-os, ao mesmo tempo em que diminui o registro daqueles que foram solucionados. Isso faz com que nos sintamos sobrecarregados e evitemos pensar no assunto, deixando crescer ainda mais a lista dos problemas sem solução. Conclusão: ficamos cada vez mais deprimidos e fragilizados.Por outro lado, se colocamos a atenção nos problemas que resolvemos, o cérebro torna isso mais significativo. Nossa autoestima e nossa autoconfiança aumentam e ficamos estimulados a resolver problemas em lugar de evitá-los. O ideal, portanto, é equilibrar a atenção que dedicamos às coisas. O que isso tem a ver com amor? Tudo.Quando conhecemos alguém que nos interessa, colocamos atenção em suas qualidades, nas coisas que acreditamos ter em comum, enaltecemos tudo que a pessoa faz por nós. Em contrapartida, damos atenção mínima aos seus pontos negativos e negamos as diferenças que tem conosco. Em outras palavras, o idealizamos. Com o tempo, a realidade se faz presente e a idealização não se sustenta. Aí começam os problemas. Sentimos-nos traídos, enganados.A verdade é que nosso cérebro distorceu nossa visão. Ao cair na real, cometemos outro erro: passamos a depositar atenção dobrada nos defeitos da pessoa e nas diferenças que tem conosco, eliminamos seus pontos positivos, negamos o que temos em comum - parece que o antigo amor-perfeito agora só faz coisas que nos aborrecem e por isso desejamos nos afastar.Imagine, leitor, o inferno em que se transforma a vida do casal. Fica difícil fazer com que um entenda que o outro não pretende magoar ou aborrecer, que a mágoa e a dor podem ser fruto do significado que um dá ao comportamento do outro. Significado esse que teria menos importância se fosse entendido como parte da pessoa e não o todo.As coisas seriam mais fáceis se nos empenhássemos em colocar atenção igual no que o outro tem de positivo e de negativo. Teríamos uma visão mais equilibrada, seríamos mais justos, mais tolerantes.Uma forma de alcançar essa habilidade é valorizando os aspectos positivos toda vez que aparecem. E fazer isso com forte intenção. Boa ideia é preparar uma lista das coisas positivas que se percebe no outro ao longo de um dia. Como o cérebro registra melhor o que escrevemos com nossa letra, vale a pena usar as mãos. Tente também brincar com o assunto. Faça um abecedário de coisas bacanas que vê no parceiro - Apoio, Bondade, Carinho... - e depois convide-o a fazer uma lista das qualidades que vê em você. E comparem o que escreveram. Pode ser divertido e produtivo. O objetivo é manter o foco nas virtudes do outro, pois a primeira coisa que fazemos quando ele nos aborrece é esquecê-las.
* Rosa Avello, psicoterapeuta na capital paulista,

terça-feira, 9 de março de 2010

SEGUINDO


"Porque você não pode voltar atrás no que vê.
Você pode se recusar a ver, o tempo que quiser:
até o fim da sua maldita vida, você pode recusar, sem necessidade de rever seus mitos ou movimentar-se de seu lugarzinho confortável.
Mas a partir do momento em que você vê, mesmo involuntariamente, você está perdido:
As coisas não voltarão a ser mais as mesmas e você próprio não será o mesmo."



Caio Fernando Abreu
(Excerto)

segunda-feira, 8 de março de 2010

CHORAR


Chorar compulsivamente é uma tentativa inesgotável da fixação na mais profunda dependência emocional, desejando a regressão a uma etapa infantil da vida, a fim de se obter todo o afeto negado, se travando um duelo entre a carência emocional que clama por toda a atenção, juntamente com as tarefas afetivas da pessoa no atual momento de sua vida, que infelizmente se recusa a realizar. A mensagem é clara: não há pressa no crescimento e amadurecimento, apenas um protesto infindável pelo não reconhecimento de sua pessoa por parte principalmente de seus pais, ou ainda um velório interminável de suas pendências passadas, reclamando toda à atenção do meio para seu imenso sofrimento, priorizando a autocomiseração e desamparo. "ANTONIO CARLOS- PSICÓLOGO".

Outro tema desprezado pela psicologia ao longo de sua história se refere à questão dos elementos psicológicos do choro. É interessante como uma reação fisiológica e psíquica, presente em quase todos os distúrbios comportamentais e de personalidade, não mereceu a atenção devida no decorrer dos trabalhos psicológicos apresentados. O choro é inicialmente a mais pura admissão de um processo de tristeza ou consternação, sendo que com o mesmo, a pessoa desiste do hábito arraigado em nossa cultura da dissimulação e constante tentativa de mostrar que se é forte do ponto de vista pessoal perante seus semelhantes. O choro mostra a maneira mais límpida de como revelamos nosso íntimo para os outros, e se há um sentido positivo com esta atitude. É exatamente neste ponto, que devemos tratar o choro como um fator selecionador, tentando o separar de fatores neuróticos envolvidos em tal descarga afetiva.

Chorar compulsivamente é uma tentativa inesgotável da fixação na mais profunda dependência emocional, desejando a regressão a uma etapa infantil da vida, a fim de se obter todo o afeto negado, se travando um duelo entre a carência emocional que clama por toda a atenção, juntamente com as tarefas afetivas da pessoa no atual momento de sua vida, que infelizmente se recusa a realizar. A mensagem é clara: não há pressa no crescimento e amadurecimento, apenas um protesto infindável pelo não reconhecimento de sua pessoa por parte principalmente de seus pais, ou ainda um velório interminável de suas pendências passadas, reclamando toda à atenção do meio para seu imenso sofrimento, priorizando a autocomiseração e desamparo.

Para este tipo de personalidade que eleva o choro a categoria de um deus, a sua felicidade pessoal é a eterna esperança de receber aquilo que jamais pode usufruir, sendo que acaba não percebendo que o amor ou afeto sempre será algo atual, pois do contrário, o tédio e revolta inundam por completo o arcabouço emotivo da pessoa, caso a mesma se fixe quase que em absoluto nas imagens passadas. A pergunta básica é: O que fazer para determinada pessoa que vive rodeada de fantasmas passados possa retomar concretamente sua afetividade? Como eliminar seu implacável julgamento negativo? Em outros trabalhos, sempre realcei que a neurose em determinado momento se transforma numa espécie de "entidade" à parte, tomando por completo a personalidade do indivíduo. É algo quase que inesgotável do ponto de vista energético. Um exemplo disto é a patologia da anorexia nervosa, onde a pessoa nunca terá a certeza de estar em conformidade com os padrões estéticos impostos não apenas pelo social, mas por si própria, definhando por completo para que receba um elogio tão distante para sua autoestima. A atenção pessoal no caso em questão, assim como no choro compulsivo, está voltada para o universo masoquista, forçando o meio ambiente no reforço desta conduta neurotizada, pois se acostumou a obter atenção emocional apenas desta forma. O problema maior não é apenas a perda do orgulho pessoal, mas a ausência da percepção de que a forma de nutrição emocional que utiliza é um emaranhado neurótico, pois acaba sempre envolvendo pessoas muito mais debilitadas que o próprio sujeito imbuído do complexo do choro, sendo que o gozo das mesmas é o testemunho constante do sofrimento alheio

O choro conduz fielmente ao ponto central da depressão e tristeza, ou apenas é uma fuga da ansiedade, ou das experiências dolorosas de abandono e esquecimento do sujeito perante o meio social? Se diariamente notamos uma total insensibilidade do meio que nos cerca, não será esta representação psíquica uma espécie de último apelo para que outros desenvolvam algum afeto para com a pessoa? Parece que esta energia afetiva estacionária é como um último forte na defesa dos cuidados emocionais que a pessoa sentiu nunca ter recebido, sendo que a demonstração é sempre o apelo e a representação do sofrimento. Outra pergunta que se faz necessária é: Que experiências emocionais desejamos vivenciar? Dor, angústia, sofrimento, ou busca pelo prazer? Obviamente quando não temos um sólido projeto emotivo, as experiências passadas de frustração preencherão todos os espaços. O tão propalado conceito de "inteligência emocional", nada mais é do que a escolha da pessoa sobre qual tipo de afetividade deseja vivenciar corriqueiramente: prazer ou exploração das imagens inacabadas de tormento e dor.

Na nossa sociedade atual de narcisismo, competição e culto à superioridade pessoal, não deixa de ser curiosa à fixação do choro na tentativa da conquista de benefícios afetivos. Seria um processo inverso perante as expectativas de perfeição exigidas? A resposta é negativa, pois o processo do choro compulsivo é apenas a contraparte do esforço neurótico que todos fazem para obter uma posição de destaque e primazia perante o meio, sendo que o choro é uma espécie de "arranjo psíquico", para que a pessoa não passe diretamente pela situação da prova, como dizia o psicólogo ALFRED ADLER. A prova, para o mesmo é a aceitação e confirmação da comunidade perante o talento e importância individual do sujeito, e se o mesmo sofre de um complexo de inferioridade ou impotência social irá remanejar sua criatividade e potencial para uma descarga afetiva interminável, adiando eternamente a exposição de seus conteúdos íntimos perante o social.O choro é a antecipação mórbida da crítica intolerável que a pessoa sente que jamais conseguirá digerir. É fundamental a vivência terapêutica no intuito do paciente perceber que a prova de sua sensilibidade emotiva está direcionada contra o mesmo, sendo que deverá aprender a usar sua energia disponível em atividades criativas e prazerosas, evitando o represamento afetivo gerado pela angústia e frustração diante de seu passado.


ANTONIO CARLOS ALVES DE ARAÚJO - Psicólogo

“Quando o Sr. das horas me disse que já havia passado, olhei ao meu redor e percebi que no espelho eu já era outro, que as cores que gostava já não eram mais o azul nem o verde. E por quem eu havia feito juras de amor eterno não era mais quem eu queria por perto. As flores já haviam encantado os colibris e as borboletas, e no alto da colina eu já podia avistar um outro vale. Fui seguindo adiante.Quem somos afinal, se no amanhã já não somos os mesmos que eramos ontem......

sábado, 6 de março de 2010

ALGUMAS LEIS DA FÌSICA (DE NEWTON)......


Algumas Leis da Física (de Newton) para nos ajudar:

Lei 1: Todo corpo continua em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças aplicadas sobre ele.

Nós não queremos esperar por uma força externa para nos mover. O movimento deve nascer de dentro para fora – AÇÃO.

Lei 2: A mudança de movimento é proporcional à força motora imprimida, e é produzida na direção da linha reta na qual aquela força é imprimida.


Exemplo do Diamante: Quanto maior a pressão em cima do carvão, mais belo será o diamante.

Quanto maior nossa pressão em nos movimentar, agirmos, mais belas serão as sementes que plantaremos.

Lei 3: A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade, ou, as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas a partes opostas.


Comprender que toda a Ação positiva que eu decidir tomar o Oponente estará ao meu lado tentando fazer dar errado na mesma proporção.

——————————

.AINDA ESTOU PENSANDO NO TÍTULO.....


Acredito que todo mundo sabe que nós – a humanidade – recorremos mais a Deus, a Luz em momentos de grande dor e desespero. Quando nossa mente racional, nosso dinheiro, nossos médicos, nossos advogados, chefes, curandeiros, etc. não podem mais resolver nossos problemas, aí procuramos ajuda do alto, ajuda da Luz. Somos assim. Mas não nascemos assim. Apenas nos tornamos assim...vítimas e completamente escravos de nossas percepções ilusórias sobre o que é possível e sobre o que é impossível.


E POR ISSO, de vez em quando, o universo descarrega algum tipo de desastre, seja ele natural ou canalizado por algum ser humano – um terrorista, por exemplo – para nos “sacudir” e acordar nossa consciência para ajudar o próximo e lembrar do quanto necessitamos do Criador, da Luz.


Mas a noticia que eu não queria dar é a seguinte: estamos vivendo uma época onde TUDO é muito rápido, cada vez mais rápido, e isso será mais verdade ainda após 21 de Dezembro de 2012. Existem várias teorias místicas para o que ocorrerá a partir dessa data, mas os Cabalistas simplificam: “Será uma época onde o julgamento acontecerá muito mais rápido do que qualquer outro tempo.” Ou seja, as leis de causa efeito serão quase que instantâneas. Faremos algo e logo receberemos o efeito. E pela consciência atual de toda a humanidade, já podemos prever que grandes coisas negativas estarão em potencial para acontecer nessa época.


Porém, existe um pedaço da população mundial que não está somente preocupada com o quanto vai lucrar financeiramente no final do mês, nem está preocupado se um dia irá pra cama com aquela modelo que faz a propaganda de sua cerveja preferida, nem está preocupado quando poderá ter aquele sapato que aquela popstar usou em sua última turnê. Podemos ser aquele pedaço de pessoas que fará toda a diferença no destino final do filme chamado “Vida”.


Estou falando tudo isso porque estamos nos melhores dias do ano para fazer mudanças no mundo através de mudanças em nós mesmos! Mudanças de hábitos; extinção absoluta de comportamentos egoístas; controle total sobre nossos pensamentos e desejos; obtenção de uma certeza absoluta sobre a Luz e suas misteriosas maneiras de nos dar tudo que desejamos e necessitamos, e uma alteração de nossa consciência para um nível onde vemos e entendemos que TODOS SOMOS UM.

OCUPADA... EM SER FELIZ...




Quando uma pessoa procura ajuda psicológica geralmente está com algum problema que pode estar relacionado com algo que vem fazendo-a infeliz, então procura os profissionais da área da saúde pedindo uma solução rápida, ou melhor, que aquela tristeza que a acompanha, suma de uma vez por todas.

Esse assunto nos faz refletir o lugar que a felicidade ocupa na atualidade, pois percebemos que o valor dado à felicidade em nossa cultura vem se modificando. E é a mídia que escancara para toda a população o significado que oferecemos a ela.

Na capa da revista Época de julho de 2007 havia a seguinte chamada “Dinheiro não traz felicidade, mas financia beleza”. Primeiro me chamou a atenção pela importância de se alcançar a beleza e em segundo pelo que se nomeia de felicidade. E o que se percebe é que com o passar dos anos estas pessoas que financiaram sua beleza na busca pela felicidade, não param por aí, continuam incansavelmente procurando inúmeras formas de serem belas e mesmo alcançando a plenitude da beleza ainda continuam insatisfeitas. Então, de onde surge tanta insatisfação? Freud em seus estudos já entendia o ser humano como aquele que sente falta, pois nossa psique busca incessantemente a satisfação, logo que é alcançada, gera-se o desejo de uma nova satisfação, fazendo-nos sempre querer mais.

Uma rede famosa de supermercados, traz como marca de sua campanha, a felicidade, com a seguinte frase: O que faz você feliz? E coloca ao público simples coisas da vida, as quais, algumas podem ser obtidas na prateleira de um supermercado. E mesmo com a felicidade tão acessível ao público, as pessoas continuam insatisfeitas. Isto se projeta no consumismo, onde comprar é a maneira encontrada para tentar preencher essa felicidade que parece que nunca será alcançada. Com isso nos deparamos com uma sociedade que exagera na comida, nas drogas, nas compras, nos medicamentos, e a conseqüência destes excessos são a tristeza e a infelicidade.

A imprensa publica diariamente casos de famílias que se desestruturam em função do exagero deste consumismo. No ano de 2008, na revista Veja, havia a seguinte reportagem: Era uma vez uma família feliz; esta reportagem relata a estória de um engenheiro carioca que assassina toda a sua família e em seguida comete suicídio. As suspeitas do motivo de tal ato seria pelo fato de não poder mais continuar mantendo o seu padrão de vida. Para esta família o dinheiro era visto como a felicidade. Em 2007, soube-se que uma família catarinense passou por problemas muito semelhantes a anterior, vivendo turbulências graves, algumas decisões foram tomadas, mexendo com a estrutura psicológica de todos, no entanto um dos membros da família traz para o lar um animal, e inconscientemente lhe dá o nome de “VIDA”. Todos passaram a cuidar e se preocupar com a “VIDA” e foi através desse animal que os laços amorosos dessa família foram resgatados e juntos se fortaleceram para vencerem os obstáculos impostos pelo simples fato de viver.

É importante que o ser humano reflita sobre sua vida, se já rendeu a sua felicidade a um desses exageros e se questionar porque ainda continua vazio. O que movimenta o mundo e faz o ser humano se reproduzir e ser diferente dos animais é a sua capacidade de fazer vínculos amorosos e familiares, principalmente o poder de sentir algo por outra pessoa, e esse sentimento se chama amor. O combustível da vida é o amor e só este traz a felicidade.


REVISTA QUALIDADE DE VIDA

sexta-feira, 5 de março de 2010

APRENDENDO A DIZER "NÃO" A QUEM SE AMA...


Somos herdeiros da estética romântica. Um de seus axiomas é nunca dizer não a quem se ama. Uma tremenda besteira. Dizer não é uma das formas de amar. Quem acredita que deve alguma coisa a outro porque é amado nem de perto sabe o que significa amor e confunde manipulação com amor.

É dizendo não aos filhos nos momentos que estão errados é que educamos, é dizendo a nossos cônjuges defronte a um pedido absurdo que dizemos que amamos a nós mesmos e por isso nosso amor pelo parceiro é real e não apenas uma troca de necessidades.

Diga não ao inaceitável, ao insuportável, ao indigno. O mau hábito de ser um monstro para o cônjuge e familiares e ser um anjo para estranhos é mais comum do que se imagina e trás mais traumas do que é possível suportar. Quando perceber que querem te manipular, diga não. Quando perceber que querem te sacrificar, diga não. Quando perceber que querem te culpar, diga não. Quando perceber que querem te inferiorizar, diga não. Esqueça de brigar, lutar, disputar, fortalece o outro lado, apenas não aceite, apenas diga não.

Cada vez que você diz não ao absurdo que recebe do outro, ganha um ponto na contagem de sua auto-estima e se ama um pouco mais. Amando-se um pouco mais amará o outro que tentou lhe impor um absurdo. Sabendo dizer não amorosamente, aos poucos, vai consertando qualquer situação, mesmo aquelas que parecem impossíveis de serem consertadas.

postado por
Marcelo Marinho.

TOMADA DE CONSCIÊNCIA....


A resistência à tomada de consciência é um fenômeno psicológico universal. Desde Adão e Eva (ou até antes) sabemos (ou sentimos) que tomar conhecimento tem consequências. São essas que tememos. Adão e Eva após comer a maçã se deram conta de que estavam nus e eram mortais. Não é que antes eles andavam vestidos e viviam eternamente. Estavam tão pelados e eram tão mortais quanto depois, só que não o sabiam. Isso faz toda a diferença.



No mundo de hoje, em que medida podemos nos dar ao luxo de permanecer inconscientes? A intensidade dos conflitos pessoais e coletivos é um sintoma do fato que há algo querendo entrar no âmbito da consciência, há algo que precisa ser visto, tratado, acolhido, elaborado, integrado. A luta do ego contra a tomada de consciência produz o conflito.



Tomar consciência é um ato de discriminação. Ao entrarmos num quarto iluminado veremos com precisão uma cadeira, uma cama, uma mesa, as imagens não são borradas. Isso significa que o que notamos se refere a precisos fatos da nossa vida e personalidade, e não a noções genéricas. A reação esperada é ficar de boca aberta e olhos arregalados, é talvez sentir vergonha ou alívio. Qualquer que seja a reação emocional, a consciência traz a possibilidade de botar as mãos nesse algo e trabalhá-lo, pois consciência é sempre consciência de algo (veja-se, E. Husserl), nunca uma abstração. É somente graças a ela que saimos da condição de passividade e nos tornamos agentes construtores de nossas vidas.

texto de adriana nogueira.
A luta do ego contra a tomada de consciência é que produz o conflito.

O MUNDO É UM ESPELHO,POIS SE SORRIRES PARA ELE,ELE SORRIRÁ PARA TI... .... ...


O mundo é um espelho, pois se sorrires para ele, ele sorrirá para ti.

O QUE ESPERAMOS DO FUTURO....



Que ser humano você vai querer ser no futuro.?


Vivemos numa sociedade capitalista que valoriza o ter e poucos conseguem preocupar-se com o ser. Acredito que nascemos a partir de um ciclo de evolução constante, estamos vivos para evoluir como seres humanos.
A vida torna-se mais saborosa quando conseguimos elevar nossos sentimentos e sair da mesmice diária, rotineira, de cumprir obrigações sem refletir em como e por que nossas atitudes são realizadas.

Você já pensou que ser humano você vai querer ser no futuro?
Para responder a essa pergunta, talvez você precise de outras.
Que ser humano você é hoje? O que você conhece sobre você mesmo? Quais são seus objetivos e metas? Quais são seus medos, desejos, sentimentos por si e pelos outros?

Pare e pense nisso por um momento.
Como vai sua auto-estima? E sua tolerância, sua capacidade ética, seu respeito com o outro, seu auto-respeito, seu equilíbrio emocional, sua maturidade afetiva, seus amores, seus desafetos? Como você resolve suas dores? Enterra a cabeça no travesseiro e chora escondido? Não chora... Você é daqueles que conta a todos sobre sua vida indiscriminadamente, dividindo todos seus sentimentos e pensamentos ou mesmo do tipo que pensa tanto antes de dividir seus sentimentos que acaba muitas vezes escolhendo a pessoa errada para compartilhá-los? Pensa antes de agir, age antes de pensar... é ponderado ou impulsivo, respeita o espaço do outro ou é invasivo?
Sabe ouvir ou só sabe impor sua fala? É tímido, passivo ou arrogante e imperativo? É autoritário ou tem autoridade? É amado? Ama-se? É dependente emocional, co-dependente, independente ou solitário?

Quem é você?

Como essa sua forma de ser, agir, pensar sentir, ajuda sua vida e como te atrapalha? Traz a você mais dor ou mais amor... alegria ou sofrimento?
Que tipo de ajuda você precisaria hoje para se melhorar como pessoa?
Essas são algumas das inúmeras perguntas que podemos nos fazer na busca de um entendimento verdadeiro sobre o nosso eu; é claro que coloquei aqui apenas alguns extremos, pois meu objetivo é apenas estimular a reflexão, mas temos que considerar inúmeras variáveis entre essas posições.

O ser humano é tudo isso, múltiplo, genial, idiota, limitado e infinito... tudo ao mesmo tempo, numa trama dinâmica e complexa. A genialidade do ser humano está em ter a capacidade de se perceber, avaliar sua identidade e buscar seu aprimoramento e seu desenvolvimento.
Saber o ser humano que você deseja ser no futuro implica em ter noção de quem você é hoje e em ter um objetivo a ser alcançado.

O advento da escolha é conhecido como livre arbítrio. É como se pudéssemos, a qualquer momento de nossas vidas, voltarmos nossa atenção para nosso passado, refletindo sobre a história pessoal que estamos construindo; nosso presente, elaborando nossas atitudes e sentimentos e para nosso futuro, planejando, direcionando e redirecionando nossa vida a partir do aprendizado adquirido nesta jornada, num movimento dinâmico.

A vida é uma estrada que pode ser curta ou comprida, só depende de como você responde a essa pergunta inicial. A resposta lhe dará os parâmetros que conduzirão sua jornada, pois cria a possibilidade de entendimento de seu espaço no mundo como indivíduo, como pessoa em todos os seus papéis e dimensões e acima de tudo amplia o humano que está em nós.
A companhia que você terá durante este caminho também dependerá desta resposta. Seu prazer, sua felicidade ou sua dor dependem deste grau de consciência que você desenvolve sobre você mesmo.
shirley r.bitu.
psicoterapeuta.
Acredito no sol
mesmo quando não está brilhando;
Acredito no amor
mesmo quando não o sinto;
Acredito em Deus
mesmo quando Ele está calado...

O PARADOXO DO NOSSO TEMPO...



O PARADOXO DE NOSSO TEMPO

O paradoxo de nosso tempo na história é que temos edifícios mais altos, mas pavios mais curtos; auto-estradas mais largas, mas pontos de vista mais estreitos; gastamos mais, mas temos menos; nós compramos mais, mas desfrutamos menos.

Temos casas maiores e famílias menores;mais medicina, mas menos saúde. Temos
maiores rendimentos, mas menor padrão moral.

Bebemos demais, fumamos demais, gastamos de forma irresponsável, rimos de
menos, dirigimos rápido demais, nos irritamos muito facilmente, ficamos
acordados até tarde, acordamos cansados demais, raramente paramos para ler
um livro, ficamos tempo demais diante da TV e raramente pensamos...

Multiplicamos nossas posses, mas reduzimos nossos valores. Falamos demais,
amamos raramente e odiamos com muita frequência. Aprendemos como ganhar a vida, mas não vivemos essa vida.
Adicionamos anos à extensão de nossas vidas, mas não vida á extensão de nossos anos. Já fomos à Lua e dela voltamos, mas temos dificuldade em atravessar a rua e nos encontrarmos com nosso novo vizinho.

Conquistamos o espaço exterior, mas não nosso espaço interior. Fizemos
coisas maiores, mas não coisas melhores. Limpamos o ar, mas poluímos a alma.

Estes são tempos de refeições rápidas e digestão lenta; de homens altos e
caráter baixo; lucros expressivos, mas relacionamentos rasos. Estes são
tempos em que se almeja paz mundial, mas perdura a guerra no lares; temos
mais lazer, mas menos diversão; maior variedade de tipos de comida, mas
menos nutrição.

São dias de duas fontes de renda, mas de mais divórcios; de residências mais
belas, mas lares quebrados.

São dias de viagens rápidas, fraldas descartáveis, moralidade também
descartável, ficadas de uma só noite, corpos acima do peso, e pílulas que
fazem de tudo: alegrar, aquietar, matar.

É um tempo em que há muito na vitrine e nada no estoque; um tempo em que a
tecnologia pode levar-lhe estas palavras e você pode escolher entre fazer
alguma diferença, ou simplesmente apertar a tecla Del.

(Anônimo)

ALGUNS DISFARCES QUE COSTUMAMOS UTILIZAR QUANDO ESTAMOS COM RAIVA......


E QUE MOTIVOS TERÌAMOS PARA DISFARÇAR A NOSSA RAIVA???
É SIMPLES:-
Não queremos ser chamados de mal educados.
Fomos educados pelos nossos pais e a religião,que reagir a álguem ou uma situação que nos incomoda- é coisa de gente deseducada,e sem contar com os adjetivos... negativos....Sendo a raiva um sentimento enevitável - faz parte da nossa condição de humanos - lançarmos mão de alguns recursos a fim de minimizá-la:-
Criamos uma roupagem e maquiamos nossos sentimentos.
Reagimos nos tornando "Críticos contumazes","Irônicos de carteirinha" ou "Humoristas ferinos".

quinta-feira, 4 de março de 2010

Economizando afeto.......


A retenção ou economia dos afetos é a queixa mais comum que ouço dos diversos casais analisados; existe o potencial, mas parece que há uma eterna espera da prática, e o que se vê é uma total expropriação da felicidade e satisfação em prol do conflito e tortura no convívio diário.
flávio gikovate.
psicotrapeuta.

DESABAFO!!!!


Minha mensagem será
Não tenho mais saliva para falar.
Às vezes me falta a paciência,
Temos que encontrar forças para lutar.
Abrir os olhos para ver,
E não fingir enxergar.
Tocar e sentir,
E não fingir se incomodar.




Relacionamentos estão se desgastando,
Os valores morais se decepando.
Onde está a solidariedade humana,
Eu continuo procurando.
Estamos cada vez nos ocupando mais,
A cobiça está tomando conta de si.
Do que adianta construir castelos,
Sendo que a qualquer momento pode ruir.





Quando a matéria ficar abaixo de tudo,
O que sua alma irá carregar?
Quando o castelo ruir,
Quem irá lhe levantar?
Somos todos como um,
Então porque queremos ser mais que os outros?
Qual a razão de ter o melhor pedaço de concreto,
e ter uma vida vazia sem ninguém por perto?




Estender á mão aos que necessitam,
Não precisa estar com moedas de ouro.
Ajudar sem olhar a quem,
Doar palavras de conforto.
Abraçar sem ser quando ganhar presentes,
Descobrir o amor em seu real significado.
Querer compreender para não errar,
Aprender á ser solidário.




Por Fábio Santos 3/2/2010 20:06:25
Desconheço pais que, ao receberem um filho de 8 anos chorando porque algum outro bateu nele, digam: "faça como Cristo: ofereça a outra face"
Quando palavras e ações estão em desacordo, devemos considerar que as ações definem a verdade. As palavras estão a serviço de iludir o outro.

FORÇAS DE PROTEÇÃO!!




Entre as portas do visível e do invisível,
uma tênue barreira nos separa da eternidade.

Além da materialidade passageira das coisas,
fica o reino das coisas verdadeiras!!!
Que a gente carrega como um tesouro no coração.

Laços inquebráveis de um amor insuperável.
Ternuras profundas de uma amizade real!!!
Mãos que se selam como guardiões
em nossa caminhada.

Espíritos de luz iluminando o nosso coração!!!
Fantasmas familiares como guias,
como forças de proteção.

Aí a gente vê que o tempo não vale nada,
que é pó na estrada da evolução.
(Mensagem retirada do CD: Só Você de Fábio Jr. Ao vivo)

quarta-feira, 3 de março de 2010

ENTENDENDO OS ENSINAMENTOS ........


No Sermão da Montanha, o Mestre Jesus afirmou: Bem-aventurados os pobres de Espírito, porque deles é o reino dos céus.

Ainda hoje muito se fala sobre tal ensinamento, eis que grande interesse desperta em todos os que tomaram conhecimento dos ensinos de Jesus.

No entanto, tal ensino, como tantos outros, resta ainda incompreendido pelos homens.

O que, afinal, o Mestre pretendia proclamar?

Jesus proclama que Deus quer Espíritos ricos de amor e pobres de orgulho.

Os Espíritos ricos são aqueles que acumulam os tesouros que não se confundem com as riquezas da Terra.

Seus bens não são jamais corroídos pelas traças, tampouco podem ser subtraídos pelos ladrões.

Os pobres de Espírito são os que não têm orgulho. São os humildes, que não se envaidecem pelo que sabem, e que nunca exibem o que têm.

A modéstia é o seu distintivo, porque os verdadeiros sábios são aqueles que têm idéia do quanto não sabem.

Por isso, a humildade é considerada requisito indispensável para alcançar-se o reino dos céus.

Sem a humildade nenhuma virtude se mantém.

A humildade é o propulsor de todas as grandes ações, em todas as esferas de atuação do homem.

Os humildes são simples no falar.

São sinceros e francos no agir.

Não fazem ostentação de saber, nem de santidade.

A humildade, tolerante em sua singeleza, compadece-se dos que pretendem afrontá-la com o seu orgulho.

Cala-se diante de palavras loucas.

Suporta a injustiça.

Vibra com a verdade.

A humildade respeita o homem não pelos seus haveres, mas por suas reais virtudes.

A pobreza de paixões e de vícios é a que deve amparar o viajor que busca sinceramente a perfeição.

Foi esta a pobreza que Jesus proclamou: a pobreza de sentimentos baixos, representada pelo desapego às glórias efêmeras, ao egoísmo e ao orgulho.

Há muitos pobres de bens terrenos que se julgam dignos do reino dos céus, mas que, no entanto, têm a alma endurecida e orgulhosa.

Repudiam a Jesus e se fecham nos redutos de uma fé que obscurece seus entendimentos e os afasta da verdade.

Não é a ignorância nem tampouco a miséria que garantem aos seres a felicidade prometida por Jesus.

O que nos encaminha para tal destino são os atos nobres, embasados na caridade e no amor incondicional.

Precisamos, também, adquirir conhecimentos que nos permitam alargar o plano da vida, em busca de horizontes mais vastos.

Pobres de Espírito são os simples e nobres.

Não os orgulhosos e velhacos.

Pobres de Espírito são os bons, que sabem amar a Deus e ao próximo, tanto quanto amam a si próprios.

São aqueles que observam e vivem as Leis de Deus. Estudam com humildade.

Reconhecem o quanto ainda não sabem. Imploram a Deus o amparo indispensável às suas almas.

Era a respeito desses homens que o Mestre Nazareno, em Suas bem-aventuranças, estava se referindo.

Muitos são os que confundem humildade com servilismo.

Ser humilde não significa aceitar desmandos e compactuar com equívocos.
Ser humilde é reconhecer as próprias limitações, buscando vencê-las, sem alarde, nem fantasias.

É buscar, incansavelmente, a verdade e o progresso pessoal, nas trilhas dos exemplos nobres e dignos.

PARA COMPREENDER O TERMO "VACUIDADE."..


Vacuidade
“Dizemos: ‘Tudo vem da vacuidade’. Um rio inteiro, ou um espírito inteiro é vacuidade. Quando atingimos esta compreensão, encontramos o verdadeiro significado* da vida. Quando atingimos esta compreensão, podemos ver a beleza da vida humana. Antes de realizarmos este fato, tudo o que vemos é apenas uma ilusão enganadora. Às vezes, superestimamos ou ignoramos a beleza, porque nosso espírito* pequeno não está de acordo
com a realidade.” (Suzuki, 1977, p. 121).
“Antes de compreendermos a idéia de vacuidade, tudo parece existir
substancialmente. Mas, uma vez realizada a vacuidade das coisas, tudo se torna real — não substancial. Quando realizamos que tudo o que vemos faz parte da vacuidade, não podemos experimentar o apego por nenhum fenômeno; compreendemos que tudo não passa de formas e cores temporárias.
...Quando entendemos pela primeira vez que tudo tem somente uma existência temporária, ficamos geralmente decepcionados; mas esta decepção provém de uma má
concepção do homem e da natureza... porque nossa maneira de ver as coisas está
profundamente enraizada nas nossas idéias egocêntricas. Mas, quando realizarmos
efetivamente esta verdade, não sofreremos mais”. (Ibid., p. 143-144).
Extraido do Livro: Nova Linguagem Holistica - Pierre Wei

ESTAMOS OCUPADOS DEMAIS.....




Em uma das suas conferencias sobre a experiência da morte, o padre Maurice Zundel formulava a questão nestes termos: O que fazemos da nossa vida? Estamos à procura de nós mesmos, fugimos de nós, reencontramo-nos de forma intermitente e nunca chegamos a fechar o círculo, a definir-nos a nós próprios, a saber quem somos... Não temos tempo, a vida passa tão depressa, estamos absorvidos pela preocupações materiais ou por diversões... e, finalmente, a morte chega e é em sua presença que tomamos consciência de que a vida poderia ter sido algo de imenso, de prodigioso, de criador. Mas já é tarde demais... e a vida só adquire todo o seu relevo no imenso desgosto de uma coisa inacabada. É, então, que a morte, justamente porque a vida ficou inacabada, aparece como um sorvedouro......
Pde. Maurice Zundel

MEDO DE MUDANÇA....


Muitos têm medo de mudanças, mesmo que esta mudança as abra a uma existência melhor e mais feliz. O abandono dos antigos hábitos, a perda do conhecido, cria em algumas pessoas um clima intolerável de insegurança. Não há realmente segurança senão no previsível, mesmo que isto signifique infelicidade e sofrimento.

O desejo de segurança é muito pronunciado nos psicóticos. Em sua infância lhes foi ensinado que toda mudança é uma ameaça. A separação da mãe ou do ambiente familiar foi-lhes apresentado como o equivalente da morte e do caos. Esta noção vai criar, nestas pessoas, um medo de toda e qualquer mudança.

Muita segurança impede a evolução da pessoa, mas muita liberdade vai causar também muita angústia. A criança não sabe mais quais são seus limites. Portanto, o medo de não ser como os outros vai gerar um outro medo: "O MEDO DE CONHECER-SE A SI MESMO"

TEXTO EXTRAIDO DO LIVRO
CAMINHOS DA REALIZAÇÃO-DOS MEDOS DO "EU" AO MERGULHO NO SER.
EDITORA VOZES.
JEAN YVES LELOUP.

MEDO DAS DIFERENÇAS...(MEDO DE SER DIFERENTE)...


O medo da diferença

Neste momento reencontramos o arquétipo de Jonas.(JONAS DA BIBLIA QUE FOI ENGOLIDO POR UMA BALEIA) Talvez ele esteja buscando, através da sua fuga do chamado de Deus, o anonimato mais do que a afirmação da sua própria personalidade. É interessante observar nesta passagem, que alguns podem utilizar a mística, os ensinamentos espirituais para fugir da sua personalidade e regredir ao impessoal ao invés de supera-la. Neste aspecto, a espiritualidade pode servir de pretexto para fugir à afirmação do seu Eu.

Afirmar-se é afirmar-se como diferente. Afirmar-se diferente não quer dizer afirmar-se contra, mas afirmar-se no que temos de próprio, na missão particular que nos foi dada para servir a todos.

O que é pedido a Jonas é que ele não seja apenas um sábio que vive no anonimato de uma cabana no fundo do bosque, mas que seja também um profeta. O silêncio que está nele não é uma ausência de palavras, é a mãe da palavra. Antes de se calar, antes de saborear a beleza do silêncio, ele deverá dizer sua própria palavra.

Antes de chegar a este estado de não-desejo e não-medo, no cume do nosso “vir-a-ser”, do nosso tornar-se, neste estado de Paz integrada, devemos viver esse desejo. Só poderemos supera-lo após tê-lo realizado.

É preciso falar para ir além da palavra. É preciso desejar para ir além do desejo. Algumas vezes nós nos servimos da espiritualidade, nos refugiamos em um falso silêncio e em um não-desejo, que é uma ausência de vida, uma falta de vitalidade que está mais próxima da depressão do que do estar desperto, alerta, mais próximo da despersonalização do que da transpersonalização.

Jonas teme o ciúme e a incompreensão dos seus irmãos. Ele teme ser rejeitado e morto pelo ostracismo de seu povo. Ele teme ser um “colaborador”, um inimigo do seu povo.

O complexo de Jonas não é, apenas, um medo do sucesso, um sentimento de culpa diante do sucesso, um medo de suscitar inveja nos outros. O complexo de Jonas é, também, o medo de ser diferente, de ser rejeitado por aqueles que são diferentes.

Rollo May dizia: “Muitos fatores provam que a maior ameaça, a causa mais nítida da angústia do homem ocidental contemporâneo, não é a castração, mas o ostracismo.” Ou seja, a situação considerada como terrível e aterrorizante é a situação de ser rejeitado pelo grupo ao qual pertencemos.

Muitos de nossos contemporâneos passam por uma castração voluntária, isto é, renunciam ao seu poder, à sua originalidade, à sua independência, pelo medo da rejeição, do exílio. Eles adotam a impotência e o conformismo (para Rollo May o conformismo será a doença mais grave do nosso século) devido à ameaça eficaz e terrível do ostracismo.

O conformismo sempre foi considerado necessário à sobrevida de um grupo e à sua harmonia interna, mas este conformismo pode se tornar opressivo e provocar doenças. Estes fenômenos são observados, algumas vezes, em certos grupos espirituais. Tomam-se as mesmas atitudes, a mesma maneira de olhar mais ou menos inspirada, repetem-se as mesmas frases, sem verdadeiramente pensar em integra-las. Entra-se, assim, em uma atitude mais ou menos esquizóide.

Há aqueles que representam o papel que lhes é pedido, mas o Ser verdadeiro não está neles. Neste caso, ocorre uma espécie de mal-estar, que pode gerar uma doença. Um discípulo de São Tomas de Aquino um dia lhe perguntou: “Se minha consciência me pede para fazer alguma coisa e o Papa me pede para fazer outra, a quem eu devo obedecer?”

Esta questão é muito atual. No lugar do Papa você pode colocar o seu guru, o sol ou a lua, uma pessoa ou autoridade suprema, a referência que você busca quando coloca uma questão profunda. O que acontece se esta autoridade lhe diz para fazer alguma coisa e o seu desejo interior lhe manda fazer outra? A quem obedecer? A qual voz escutar?

Santo Tomas de Aquino dá uma resposta a seu discípulo que talvez surpreenda alguns. Ele não diz: “Obedeça ao Papa”, mas: “Obedeça à sua própria consciência, obedeça à sua consciência procurando esclarecê-la.” Não separe as duas partes da frase: “Obedeça à sua própria consciência” e, ao mesmo tempo, “procure esclarecê-la”.

Essa frase de São Tomas de Aquino é uma boa frase terapêutica. Se ele tivesse dito: “É preciso obedecer ao Papa”, ele teria feito dessa pessoa um hipócrita ou um esquizofrênico. Esta atitude pode ser observada em alguns católicos ou em pessoas que pertencem a outros grupos humanos. Obedecem à autoridade, mas uma personalidade interior se dissocia, pouco a pouco, dos seus atos. Neste divisão entre o que fazemos e o que pensamos vai se introduzir um mal-estar, ou um “estar mal” que gera a doença.

Podemos nos enganar, mas não podemos mais nos mentir. É preciso aceitar que podemos nos enganar, mas ao mesmo tempo devemos buscar esclarecer o nosso caminho, mantendo ambos unidos. Por vezes,ter a coragem de nos diferenciarmos do nosso meio e daqueles que, para nós, constituem uma autoridade. Caso contrário, descobriremos que estamos nos destruindo naquilo que temos de mais autêntico.

O medo de Jonas é o medo de ser diferente, de ser rejeitado por aqueles dos quais ele se diferenciou. O conformismo pode provocar um certo número de patologias. Quantos pássaros tiveram suas asas cortadas ou aparadas para que ficassem felizes e confortáveis em suas gaiolas douradas?

Na lenda do Grande Inquisidor de Dostoievski, esse diz ao Cristo, que retorna à terra: “Vai ser preciso suprimi-lo novamente, porque você vai tornar as pessoas muito infelizes, tornando-as muito livres. Nós queremos tornar os homens felizes. Nós dizemos: faça isto ou aquilo e tudo correrá bem. Ao invés, você quer que os homens sejam livres. Você não diz: façam isso, façam aquilo. O homem é infeliz na sua liberdade. Nós queremos libertar o homem do peso da sua liberdade.”

Este texto continua sendo atual. Estamos, incessantemente, à procura de alguém, de um ensinamento ou de uma instituição que nos diga o que é bom e o que é ruim e que nos isente do exercício da nossa liberdade. Um mestre verdadeiro não nos isenta da nossa liberdade. Ele nos dá elementos de reflexão, um certo número de exercícios ou de práticas a viver a fim de que nos tornemos livres por nós mesmos. Suas palavras não substituem as nossas palavras, elas nutrem nossas palavras. Seu desejo não substitui o nosso desejo. Não somos suas marionetes, seus soldadinhos ou discípulos fanáticos dos seus ensinamentos, mas nos tornamos pessoas livres, nutridas pelas luzes e pela riqueza que ele pode nos comunicar.

A vontade de ser como todo mundo traz um sentimento de impotência excepcional. Os psicólogos humanistas vão nos mostrar que a pressão social é tal e tão forte que a maior parte das pessoas tenta resolver os seus problemas pessoais adaptando-se cegamente, às normas e aos valores do grupo. Cortados da sua atenção primaria, empregam o critério de adaptação como o único ponto de referência para julgar se uma atitude, individual ou coletiva, é aceitável.
Como dizia Harlow: “Parece que a pressão de se conformar (de se adaptar) às normas do grupo é irresistível, mesmo quando esta adaptação está claramente em conflito com as percepções, com as atitudes e convicções do indivíduo.” Este é um bom critério de discernimento.

Um grupo são, saudável, é capaz de conter pessoas muito diferentes, que pensam de maneira diferente e que se enriquecem com suas diferenças. Porque se todos pensarem a mesma coisa, se todos entrarem na mesma concha, não pensaremos mais... Nossa relação deixará de ser uma relação de aliança e se tornará uma relação de submissão a uma doutrina comum. É como a água da chuva que, ao cair em um campo, gerasse flores de uma única cor.

É interessante notarmos que, quando um ensinamento pode florescer sob diferentes formas, ele encontra aplicações em ambientes e mundos diferentes. É o sinal de que estamos num espaço que colabora para nossa evolução em vez de nos destruir, de nos bloquear.

TEXTO EXTRAÍDO DO LIVRO .
CAMINHOS DA REALIZAÇÃO
EDITORA VOZES
JEAN YVES LELOUP

MEDO DO SUCESSO!!!


medo do sucesso

Em 1915, Freud observou, tratando as neuroses, um fenômeno inesperado em alguns de seus pacientes: o sucesso profissional provocava neles uma grande ansiedade. Freud explicou este fato através de um postulado: “Para algumas pessoas, o sucesso equivale a uma morte simbólica do genitor do mesmo sexo”. Quando conseguimos alguma coisa, temos medo de humilhar nossos pais.

Uma tal idéia vai criar, junto à ansiedade, um sentimento de culpa, produzindo um estado de melancolia que pode durar vários anos. Freud descrevia essas pessoas como aquelas a quem o sucesso destrói. Pelo medo de fazer melhor que os seus pais, de vencer onde eles não conseguiram, seja a nível profissional, seja a nível afetivo.

Este medo existe em crianças, mas frequentemente o encontramos em adultos também. Adultos que não se permitem ser felizes como casais porque na união de seus pais havia muito sofrimento ou adultos que se sentem culpados por ganhar dinheiro se em sua família não se ganha dinheiro.

Isso pode parecer curioso, porque nós sempre desejamos que nossos filhos sejam melhores do que nós fomos. É o que os pais geralmente dizem. Eles dizem... mas nem sempre dizem de todo o coração, pois se um filho torna-se mais rico ou mais feliz, ele lhes escapa, sai da família e inconscientemente (nós estamos na esfera do inconsciente, é claro) eles seguem seus filhos no mesmo estado social em que eles pararam e no mesmo estado de dificuldade afetiva em que eles pararam.

Enquanto o sucesso fica ao nível do sonho, do desejo, a neurose do sucesso não necessariamente se manifesta, mas desde que este sucesso se torna uma realidade, por exemplo, após uma promoção, pode ser que aquele que foi beneficiado não o suporte. Talvez vocês conheçam pessoas com este tipo de problema – que obtiveram uma promoção e, curiosamente, em vez de se alegrarem, adoeceram.

Freud dirá que as pessoas adoecem, porque um de seus sonhos, o mais profundo e duradouro, se realiza. Não é raro que o Ego tolere um sonho como inofensivo, enquanto sua existência for apenas uma projeção e que pareça nunca se realizar. É como quando sonhamos ter um homem ou uma mulher e, quando ele ou ela estão lá, nós achamos nosso sonho improvável e o ignoramos.

O Self pode, entretanto, defender-se arduamente desta situação, desde que a realização se aproxime e a concretização seja uma ameaça. Eu creio que este estudo é muito interessante porque existem entre nós muitas pessoas que sonham, que idealizam o sucesso, a plenitude. No entanto, por que estes sonhos jamais se realizam? Eu conheço homens e mulheres muito inteligentes que se organizam sempre e de tal maneira que fracassam em seus exames quando têm capacidade de vence-los. Por que? É o que nós chamamos de neurose do fracasso. No momento em que vamos vencer, no momento em que nosso sonho vai se realizar, inconscientemente nos arranjamos para falharmos. Podemos observar este mecanismo em algumas pessoas como um processo muito doloroso e incompreensível.

Neste contexto, poderíamos dizer que Jonas recusa a voz interior do Ser que o chama, que o chama para que se supere, porque desta maneira ele superará seu pai. Esta é uma explicação edipiana da neurose do fracasso. Tememos o sucesso e suas repercussões, pelo medo de ultrapassarmos nossos pais, seja em felicidade, em educação, em fortuna ou em status. Podemos, assim, nos tornarmos uma ameaça para nossos pais e sermos rejeitados por eles. Vocês percebem que é sempre a presença desta criança em nós que tem medo de não ser amada, que tem medo de não ser reconhecida.

Freud dá, igualmente, o exemplo de um professor universitário que durante muitos anos aspirara à cátedra do seu mestre. Quando seu sonho se realizou, pela aposentadoria do seu mestre, ele foi invadido por uma depressão da qual só saiu depois de longos anos.

Um psicólogo como Fenichel verá, como uma causa profunda do medo de vencer, o sentimento de indignidade. Temos, pois, de observar em nós a nossa relação com o sucesso. Nosso desejo do sucesso e nosso medo do sucesso. E neste medo do sucesso talvez esteja incluído um sentimento de indignidade – esta depreciação de si mesmo que talvez seja a herança de um certo número de julgamentos que nos foram dirigidos. Quando se repete a uma criança que ela nunca será nada, que ela não é inteligente ou que não sabe cantar, ela integrará esta programação. E se um dia ela chegar ao sucesso, inconscientemente, ela pensa que este sucesso não é justo.

Citando Finchel: “O sucesso pode significar a realização de alguma coisa imerecida, que acentua a inferioridade e a culpa. Um sucesso pode implicar não somente em castigo imediato, mas também em aumento de ambição, levando ao medo de futuros fracassos e de sua punição.”

Para Karen Horner, o medo do sucesso resulta do medo de suscitar inveja nos outros, com perda conseqüente do seu afeto. Alguns têm medo de vencer porque não querem que os outros sintam ciúmes dele, o que é muito arcaico. Os gregos expressavam isso da seguinte maneira: “Os deuses têm inveja do sucesso dos homens.” Porque eles consideravam que o sucesso dos homens retirava as suas prerrogativas.

A maioria dos primitivos pensa que muito sucesso atrai para o homem um perigo sobrenatural. Heródoto, em particular, vê em todos os lugares da história a obra da inveja divina. Quando os homens e mulheres são muito ambiciosos, atraem toda sorte de infelicidades. Só está seguro o homem que é obscuro. “Para viver feliz, viva escondido”, para viver feliz, viva deitado.

EXTRAIDO DO LIVRO.
CAMINHOS DA REALIZAÇÃO
ED. VOZER.
JEAN YVES LELOUP - Pdre,Psicólogo e antropólogo.

SEGUNDO O FILÓSOFO PLATÃO DIZIA......


O que é o perdão? O perdão é não aprisionar o outro nas conseqüências negativas de seus atos.
(...) Como fazer para que este perdão se torne algo verdadeiro?
Platão dizia:-.. "QUEM TUDO COMPREENDE,TUDO PERDOA”. Aquele que " CONHECE A SI MESMO ,COM SUAS AMBIGUIDADES", pode compreender o outro em suas sombras (defeitos,falhas). Portanto, inicialmente, o perdão pode ser uma questão de inteligência, de compreensão. Perdoar você significa que eu o compreendo, mas não quer dizer que (...) o que você fez é bom. Compreendo que você é um ser humano, que é capaz de me enganar como eu próprio faria se, provavelmente, estivesse nas mesmas condições.

UM OLHAR DE ACEITAÇÃO......DAS NOSSAS IMPERFEIÇÕES


Tornar-se adulto é passar da idade dos contrários para a idade do complementar, para um outro modo de olhar as coisas. Se alguém diz algo contrário ao que penso e sou capaz de entender esse contrário como complementar, vou crescer em consciência e em compreensão. Se em vez de rejeitar ou negar alguns elementos de minha vida obscura, sou capaz de acolhê-los, tornar-me-ei mais inteiro.

A sombra é o que dá relevo à luz. Quando amamos alguém, um dos sinais de amor verdadeiro é que amamos os seus defeitos. É fácil amar os defeitos de nossos filhos. É difícil amar os defeitos dos adultos ou de nossos cônjuges. Esse amor de que falamos não significa complacência, não é dizer ao outro que me agrada o que ele tem de desagradável, pois isso seria mentira e hipocrisia. O amor de que falamos é dar ao outro o direito de ser diferente. É dar a ele o direito de experimentar sua liberdade. De experimentar em mim mesmo esta capacidade de amar o que é amável e de amar, também, o que não é amável. Dessa maneira passaremos de uma vida submissa para uma vida escolhida (p. 83).

[...] Nossa vida vale pelo olhar que é posto nela. Os olhares de juiz nos enchem de culpa. Há olhares benevolentes, misericordiosos e ao mesmo tempo, justos. Precisamos desses olhares porque todos nós temos necessidade de verdade e de sermos amados. Por vezes, os olhares que encontramos são muito amorosos, muito doces, mas falta a eles a exigência desta verdade. Outras vezes, os olhares que se colocam sobre nós são plenos de verdade e justiça, mas falta a eles a misericórdia e o amor.

[...] Há um olhar integral do qual temos necessidade a fim de nos vermos tal e qual somos. Porque a verdade sem amor é inquisição e o amor sem verdade é permissividade. Estas são reflexões gerais e cada um pode entrar em particularidades que lhes são próprias, sentindo se existe em sua vida alguém que pode suportar sua sombra sem julgá-la, apesar de não se mostrar complacente com ela. Creio que todos nós temos a necessidade, pelo menos uma vez em nossas vidas, de um tal olhar pousado sobre nós. Nesse momento não teremos mais necessidade de mentir, de nos iludirmos, de usarmos máscaras. Podemos mostrar nossa verdadeira face, nosso verdadeiro corpo, com seus desejos e seus medos. Podemos mostrar nossa verdadeira inteligência com seus conhecimentos e suas ignorâncias. Mostrar-se com o coração verdadeiro, capaz de muita ternura e também capaz de dureza e indiferença. Mostrar-se como não-perfeito, mas aperfeiçoável. Sob este olhar nossa vida pode crescer. Porque o olhar que nos julga e nos aprisiona em uma imagem nos faz ficar parados, enquanto que o outro olhar nos impulsiona a dar um passo adiante desta imagem que os outros têm de nós (p. 100).

texto de jean-yves leloup
extraido de seu livro..."Álem da luz e da sombra"