segunda-feira, 15 de março de 2010

QUANDO A GENTE RESOLVE SE AMAR... ... ...




Quando a gente resolve se amar, a vida acontece de outro jeito, adquire cores e movimentos, perfumes e texturas que não se deixavam ver antes disso. A gente muda de dimensão, deixa o deserto para trás, e é verão o ano inteiro. E, de dentro do espelho, outra pessoa olha em nossos olhos...uma pessoa que a gente nem sabia que existia.”



(La Zingarah)

SOLIDÃO E ARREPENDIMENTO...


SOLIDÃO E ARREPENDIMENTO ...

"É um fato absolutamente consumado de que a solidão é puramente uma soma de energia egoísta enraizada em nossa alma, e embora a pessoa talvez tenha razão em relação ao seu passado de sofrimento e seus esforços para não repetir novamente tal drama, a mensagem básica é a de que não devemos seguir dita trilha de isolamento". - ANTONIO CARLOS- PSICÓLOGO

"A solidão jamais pode ser encarada como sinônimo de tristeza, depressão ou infelicidade como boa parte das pessoas pensam, pois se seguirmos este raciocínio estaremos encobrindo o verdadeiro problema básico- A marca mais forte da solidão é a repetição constante de uma mesma experiência ou destino afetivo outrora vivenciado. O desafio final é exatamente este ponto, como se libertar de algo enraizado em nosso ser que nos leva sempre de volta ao início de uma jornada de desamparo e desilusão"- ANTONIO CARLOS- PSICÓLOGO.

No âmbito interpessoal fica claro que na atualidade um dos fatores de maior sofrimento psíquico é sem dúvida nenhuma a solidão sentida como um elemento corrosivo da saúde e bem estar pessoal. Se fôssemos obrigados a produzir um manual de sobrevivência psíquica para a nossa era, a primeira regra seria o aprendizado de como aumentar nossa tolerância à frustração. A solidão caminha exatamente no oposto, acentuando a desolação dos acontecimentos pretéritos; bloqueando a oportunidade de novas experiências de prazer, sendo que a conseqüência inevitável é a cristalização do luto eterno em nossa alma, obrigando a pessoa diariamente a vivenciar todo o tipo de medo e desconfiança perante novas perspectivas.
Uma das raízes pouco exploradas da solidão em todos os trabalhos teóricos é a questão do arrependimento. Talvez este seja um dos mais paralisantes sentimentos humanos, pois ao mesmo tempo carrega uma semente de orgulho perante a reparação de um erro, e o tédio ou falta de motivação para uma nova experiência. Aprofundando a tese acima descrita, a prova máxima do arrependimento é quando temos certeza de que nossas vivências atuais são muito piores do que os acontecimentos dolorosos de nosso passado, e é exatamente esta vivência dolorosa que a solidão visa não repetir, à custa do convívio vital com outros seres humanos.
É um fato absolutamente consumado de que a solidão é puramente uma soma de energia egoísta enraizada em nossa alma, e embora a pessoa talvez tenha razão em relação ao seu passado de sofrimento e seus esforços para não repetir novamente tal drama, a mensagem básica é a de que não devemos seguir dita trilha de isolamento.
A questão dinâmica da solidão se dá através de duas vertentes: Qual a capacidade de investimento profundo num novo plano afetivo versus a quantidade de mágoa acumulada pelo passado da pessoa transtornada pela carência? O aspecto central desta conscientização é a avaliação de onde provém nosso conflito básico, se no passado, presente ou o temor do futuro. Obviamente que dependendo do grau de sofrimento todas as três esferas podem ser afetadas, mas é fundamental a localização pelo menos parcial do início de determinado drama existencial.
A questão é absolutamente clara, a solidão é sinônimo irrefutável do passado, criando uma película em nossa esfera afetiva totalmente impermeável a qualquer nova experiência gratificante. Então devemos nos perguntar baseados nesta conclusão o que de nosso passado é profundamente saudável ou aproveitável? Sem dúvida alguma descobriremos que determinado acúmulo de experiências preenchem quase que na totalidade a possibilidade de um destino pessoal completamente diverso do que estamos acostumados a vivenciar. Neste ponto devemos inserir a questão do perdão no âmbito da solução da encruzilhada do problema apresentado.
Se boa parte das religiões tivessem um caráter sério, o perdão jamais poderia ser um instrumento de regozijo próprio ou de poder pessoal perante alguém que sabemos que sempre esteve em déficit com sua natureza humana, mas sobretudo a consciência pessoal e inalienável de que devemos prosseguir, pois caso contrário o resultado será a somatória de mágoa ou autocomiseração adquiridas no transcorrer de nossas experiências. Sempre a derradeira esperança é a possibilidade de realização futura, desde que cultivemos nosso potencial ou dever pessoal para novas empreitadas.
A solidão jamais pode ser encarada como sinônimo de tristeza, depressão ou infelicidade como boa parte das pessoas pensam, pois se seguirmos este raciocínio estaremos encobrindo o verdadeiro problema básico, pois a marca mais forte da solidão é a repetição constante de uma mesma experiência ou destino afetivo outrora vivenciado. O desafio final é exatamente este ponto, como se libertar de algo enraizado em nosso ser que nos leva sempre de volta ao início de uma jornada de desamparo e desilusão.
Todo o processo acima citado nos leva a conclusão de que a solidão apenas nos mostra como estamos absolutamente despreparados para a questão da morte em todos os sentidos, sendo que jamais reconhecemos que determinados sinais sociais nos mostram a finitude de nossas experiências gratificantes acumuladas, nos mostrando que a mais dolorosa experiência humana sempre foi a mudança em todas as esferas da existência, e a falta de instrução ou treinamento para algo tão óbvio da natureza humana passa a ser um dos pilares de toda a estrutura social e pessoal que petrificam o ser humano no medo e apatia. Jamais devemos nos esquecer que em suma a solidão apenas representa a total falta de investimento na esfera da troca afetiva.

texto do psicólogo-
antonio araujo

A RIQUEZA DE UM CASAMENTO ROMÂNTICO...



Do ponto de vista teórico, os casamentos com altos e duradouros lances de romantismo deveriam ser muito mais freqüentes que aqueles baseados em uma sexualidade rica e exuberante. Mas, na prática, isso não ocorre. Não quero dizer que sejam tão comuns as uniões sexualmente satisfatórias, mas que são raríssimos os casais que conseguem viver, ao longo de várias décadas, uma experiência sentimental bonita, daquelas de encher o coração de alegria e os olhos de lágrimas, de tanta emoção.
As coisas costumam ser mal colocadas desde o começo. A grande maioria dos casamentos ocorre entre uma pessoa apaixonada e outra que prefere ser objeto da paixão. Enquanto a primeira – mais generosa – oferece, a segunda – mais egoísta – recebe. A mais generosa tem coragem de amar. A egoísta tem medo de sofrer e se protege da dor do amor ao não se abrir demais para a relação. As uniões desse tipo apresentam momentos bonitos, é claro. Possibilitam até mesmo uma vida sexual de permanente conquista. Sim, porque o egoísta nunca se entrega totalmente ao outro, de modo que o generoso estará sempre tentando conquistá-lo. Esse fenômeno costuma gerar alguns instantes de profundo encontro, mas são momentos vãos, que logo se desfazem. E o corre-corre das brigas e da luta pela conquista volta.
No entanto, esse é apenas um dos aspectos da questão. Outro fator de peso está nas diferenças de temperamento (generosos e egoístas são bastante diferentes), de gosto e interesses. Na vida prática, no dia-a-dia, as divergências de opinião e a falta de um projeto comum provocam irritação permanente. E isso não vale só para as grandes diferenças. O cotidiano se faz realmente nas pequenas coisas: Onde vamos jantar? Que amigos vamos convidar? Onde vamos passar as férias? A que filme vamos assistir? Como agiremos com as crianças? O que faremos com os parentes? E assim por diante. São justamente estas pequenas contradições que provocam a irritação, a raiva e, portanto, a maioria das brigas. As afinidades aproximam as pessoas, enquanto as diferenças as afastam. Além do mais, a oposição é a raiz da inveja: o baixo inveja o alto; o gordo, o magro; o preguiçoso, o determinado; o introvertido, o sociável. E a inveja é inimiga do diálogo. Nesse tipo de união, as brigas serão o normal no relacionamento, e os momentos de encontro e harmonia serão exceções cada vez mais raras.
Eu disse que, do ponto de vista teórico, a felicidade romântica no casamento poderia ser bastante comum porque o amor não padece do desejo de novidade que tanto agrada ao sexo. Ao contrário, o amor é apego, é vontade de aconchego, de tranqüila intimidade. Trata-se de um sentimento que floresce e frutifica melhor quando tudo é exatamente igual e antigo. Gostamos da nossa casa, daquela velha roupa que nos agasalha tão bem. Gostamos de voltar aos mesmos lugares do passado, da nossa cidade, do nosso país. Queremos também sentir essa solidez e estabilidade com o nosso parceiro amoroso. Amor é paz e descanso e deriva justamente do fato de uma pessoa conhecer e entender bem a outra. Por isso, é importante que as afinidades, as semelhanças, predominem sobre as diferenças de temperamento, caráter e projetos de vida. Seres humanos parecidos poderão viver uma história de amor rica e de duração ilimitada. Não terão motivos para divergências. Não sentirão inveja.
Um último alerta – além da lição que se pode tirar da experiência, acima descrita, dos raros casais que vivem harmoniosamente – é que cada um deve procurar se unir a seu igual. Só assim o amor não será um momento fugaz. Para que a intimidade não se transforme em tédio e continue a ser rica e estimulante, é necessário que o casal faça planos em comum e que depois se empenhe em executá-los. De nada adianta fugir para uma ilha deserta para curtir a paixão maior. Quem fizer isso provavelmente voltará, depois de dois meses, decepcionado com a vida e com o amor. A vida é um veículo de duas rodas: só se equilibra em movimento. Para que duas pessoas se tornem uma unidade é preciso criar um objetivo: ter filhos, construir uma casa, um patrimônio, uma carreira profissional, um ideal… o conteúdo em si não interessa. Seja qual for, é a cumplicidade que o transforma em algo fundamental. Fazer planos é sempre uma aventura excitante. É sobre eles que mais adoramos sonhar juntos.

domingo, 14 de março de 2010

SEXO .... POLÍTICA E O PODER FEMININO DE MUDANÇA....



Ao longo dos primeiros anos da chamada revolução sexual (1960 em diante) havia uma idéia clara de que a emancipação da sexualidade implicaria numa diminuição da competitividade entre as pessoas que, por isso mesmo, se tornariam mais doces e amistosas. Isto determinaria um clima social de cumplicidade e companheirismo ao invés das tensões próprias do capitalismo e da sociedade de consumo que estava nascendo. O resultado é mais que conhecido: o livre exercício da sexualidade, especialmente do exibicionismo feminino, provocou efeito exatamente oposto. Ou seja, os homens ficaram extremamente sensibilizados e estimulados pelo fato das moças se mostrarem mais atraentes e disponíveis para o sexo e partiram para uma disputa brutal para conseguirem o sucesso necessário para serem os eleitos das mais belas.
A busca por sucesso, fama e fortuna se agravou e o capitalismo competitivo e consumista se estabeleceu de uma forma plena. As moças passaram a se preocupar mais ainda com a aparência física – mesmo aquelas também empenhadas em desenvolver atividade profissional e independência econômica – e os homens, depois da luta por sucesso material, também têm se empenhado em aparecer como belos aos olhos das mulheres. O mundo se tornou mais do que nunca aristocrático, onde beleza e riqueza (prendas raras) são os ingredientes mais valiosos.
Na verdade, a única novidade mesmo é a preocupação masculina com a aparência física. Sim, porque a história da humanidade tem sido esta. Os homens buscam o destaque e o poder para poderem se apresentar e serem recebidos sexualmente pelas mulheres mais belas e atraentes, que são as mais cobiçadas por quase todos. As mulheres menos belas se sentem tristes, assim como os homens menos ricos. Estes fazem parte da imensa maioria da população e parece gastarem a vida sonhando com o dia – ou com a hipótese quase mágica – em que poderão fazer parte daquela elite que teria tudo o que se pode pretender desta vida. A mim me entristece ver de forma assim clara e um tanto banal as razões que levaram estas elites a criarem organizações sociais brutalmente desniveladas, onde a desigualdade impera. A tristeza é maior ainda quando percebo que a maioria da população, aquela composta pelos excluídos, apóia e compactua com estes pontos de vista. Ou seja, acham legal a injustiça e a desigualdade social derivarem de prendas inatas, especialmente a beleza física feminina. Acham legal que a beleza física valha mais que as virtudes de caráter. Enquanto pensarem assim é claro que o mundo continuará a caminhar na mesma direção que tem caminhado e tudo leva a crer que irá nos levar, em poucos anos, para o abismo.
Uma conclusão importante que podemos extrair destas últimas décadas é a seguinte: os autores que relacionaram a sexualidade com a política (Marcuse, Reich, Foucault entre outros) tinham razão. A forma como vivemos nossa sexualidade em uma dada sociedade não é, em absoluto, inofensiva. Não há ingenuidade em relação ao tema. Uma prática sexual que estimule o jogo de sedução e conquista, que valorize beleza e riqueza (propriedades aristocráticas) estará gerando uma população de infelizes e frustrados. Eles poderão continuar sonhando com o dia em que serão incluídos no clube dos privilegiados, mas poderão agir de outra forma. Imaginem se as mulheres, de repente, passarem a valorizar mais os moços bons, gentis, delicados e atenciosos com elas, parceiros e cúmplices (com gosto em ouvir sobre suas vidas ao invés de só gostarem de falar de si e de suas glórias). Isso teria um potencial revolucionário extraordinário, pois os homens, como sabemos, querem mesmo é fazer sucesso com as mulheres. Se elas passarem a valorizar propriedades mais dignas no lugar dos corpos sarados e muito dinheiro no bolso (independente da sua origem) estariam promovendo uma revolução moral, social, econômica e política!
Muitos pensadores contemporâneos vêm desenvolvendo esta idéia. Ou seja, pensam muito seriamente no fato de que se algo de muito relevante e revolucionário pode vir a acontecer nos próximos tempos deveremos sua introdução às mulheres. Elas detêm um poder social, econômico e político crescente. Elas são a maioria na maior parte das universidades. Elas poderão repetir os procedimentos masculinos ou contribuir de forma radical para que possamos voltar a sonhar com sociedades mais justas. O fato delas estarem desenvolvendo condições de auto-suficiência econômica criará condições para que as escolhas sentimentais possam ser menos voltadas para os tradicionais interesses materiais e mais relacionadas com a presença de um parceiro carinhoso e respeitoso. Se isto acontecer, estaremos no início de um novo mundo.
Acho também que para isso poder acontecer temos que superar o mais depressa possível esta fase em que a sexualidade desvinculada de relacionamentos representativos está fazendo a cabeça de um grande número de moças e rapazes, como se estivessem se lambuzando no melado (nunca houve tamanha facilidade nesta área como agora). Quanto a isso não me preocupo muito porque penso mesmo que se trata de uma fase e que os próprios rapazes cada vez mais estarão interessados mesmo é em relacionamentos mais estáveis, duradouros e nos quais se poderão construir bases para uma intimidade mais profunda e que tanto nos gratifica e aconchega.

SER, TER OU PARECER.......




Estimulado pela “SP Fashion Week”, me pus, mais uma vez, a pensar sobre o que pretendemos com o que nos cobre – além de nos protegermos contra o frio e a vergonha. O tema é o da vaidade, esse prazer erótico fortíssimo presente em todos nós e que nos leva ao desejo de chamar a atenção, despertar olhares de admiração. Não adianta tentarmos nos livrar da vaidade, pois ela é parte integrante do nosso instinto sexual. Buscamos o destaque.
Ao comprarmos novas peças já levamos em conta o impacto que causarão. Ao nos prepararmos para sair, nos sentimos erotizados imaginando a reação “dos outros”. Buscamos usar o que melhor nos veste, o que nos caracteriza, o que nos faz atraentes. Gastamos uma boa parte do nosso tempo diante do espelho, tentando aprimorar nossa imagem.
Gostamos de parecer especiais e nos preocupamos bastante com nossa aparência (inclusive aqueles que adoram parecer desleixados!). Algumas pessoas gostam que sua imagem reflita aquilo que são: esportistas, intelectuais, artistas, membros de uma tribo tipo “góticos” ou “punks”, empresários de respeito, senhoras joviais e assim por diante. Tratam de usar roupas e adereços típicos, compondo sua imagem de forma discreta ou estravagante de acordo com o que pretendem transmitir.
Outras pessoas gostam de se exibir de acordo com o que têm, refletindo mais que tudo sua condição econômica: usam relógios caros, bolsas e sapatos de grifes renomadas – o que também lhes garantem um reforço de que são pessoas na moda e de gosto apurado –, jóias poderosas etc.
Outras ainda são fascinadas pela beleza das peças que muitas vezes são também as mais caras, sendo que têm os meios para se cobrir com elas. A preocupação maior é estética, de modo que costumam estar mais preocupadas com a qualidade do que com a quantidade do que possuem. Elas parecerão de acordo com o que são e têm. Vejo coerência nas atitudes das pessoas que se encaixam nos 3 casos. Penso que, além de se sentirem envaidecidas pelos eventuais elogios recebidos, poderão se sentir bem do ponto de vista da auto-estima – que só se alimenta de atitudes e conquistas verdadeiras.O que pensar, porém, daqueles que parecem o que não são ou não têm? Como fica a auto-estima daquela mulher que usa as roupas mais extravagantes e que se sabe sexualmente travada? Como se sente quem chama a atenção dos conhecidos por desfilar com uma bolsa ou relógio falsos? E aquele que se veste e age como intelectual e que jamais leu um livro? Não há auto-estima que resista! Penso que “o crime não compensa”, pois não há “mutreta” possível quando se trata da vida íntima. Seria muito melhor usar a imaginação e encontrar uma outra forma, mais criativa, de se apresentar diante dos olhos das outras pessoas.
Dr. ´Flávio Gikovate

AMAR A SI MESMO ANTES DE AMAR AOS OUTROS?




Sempre me surpreendo ao ouvir as pessoas falarem, com convicção, frases conhecidas, tidas como verdades, sobre as quais pouco refletiram. Elas correspondem às crenças, pontos de vista que herdamos daqueles que nos antecederam. Temos o dever de repensar tudo, uma vez que novos conhecimentos podem criar maneiras mais sofisticadas de encarar os temas que tanto nos interessam.
Esta é uma destas frases: “se eu não conseguir me amar primeiro, não serei capaz de amar ninguém”. Isso é dito e pensado a propósito da possibilidade de estabelecermos um relacionamento íntimo, estável e de boa qualidade. Não se está falando em termos genéricos, de modo que ela não está diretamente ligada ao ditame bíblico de que devemos “amar ao próximo como a nós mesmos”.
O “próximo” do texto bíblico é qualquer pessoa com a qual estabelecemos algum tipo de relação e não aquele ser especial com quem queremos estabelecer um relacionamento íntimo, de preferência estável e definitivo. Além disso, penso que a idéia religiosa diz respeito ao tratamento e aos direitos, ou seja, de que devemos considerar os outros como portadores de direitos iguais àqueles que atribuímos a nós.
A forma como tenho pensado acerca do amor não nos permite falar em amor por si mesmo. Isso porque ele acontece sempre em condições interpessoais. O amor corresponde ao sentimento que temos por aquela pessoa cuja presença provoca em nós a adorável sensação de paz e aconchego. A primeira manifestação desse sentimento corresponde ao que acontece entre mãe e filho, talvez ainda durante a vida intra-uterina, mas, certamente, a partir do nascimento: a criança, desamparada e ameaçada por desconfortos de todo o tipo, se sente bem e aconchegada pela presença física da mãe e a ama; esta, por sua vez, sente enorme prazer em estar com seu bebê no colo e sente por ele enorme amor justamente porque ela também se sente aconchegada por ele.
O primeiro sentimento interpessoal é o de amor. É claro que a criança, frustrada pela ausência da mãe, também pode ficar revoltada e chorar muito por se sentir abandonada. Talvez o segundo sentimento seja mesmo de raiva, que também é interpessoal (depende de um agressor externo). À medida que os meses se passam e a criança vai se diferenciando, ela passa a pesquisar o mundo que a cerca, inclusive a si mesma. Ao tocar certas partes do seu corpo, experimenta uma sensação muito agradável de excitação. NÃO trata-se de excitação sexual, esta sim pessoal e auto-erótica.
Quando se pensa no sexo e amor como parte do mesmo processo, o que não é o meu ponto de vista, pode-se pensar que exista algum tipo de afeição da criança (e depois do adulto) por si mesmo. Acontece que com a separação entre esses dois fenômenos (sendo fato que o amor acontece antes do sexo), podemos pensar no sexo como um fenômeno pessoal, mas não no amor como tal. Assim, existe auto-erotismo, mas não existe amor por si mesmo: o amor pede objeto e o primeiro objeto é nossa mãe.
Estas considerações são de natureza mais teórica. Vamos agora à prática, na qual constatamos que a grande maioria das pessoas não tem um bom juízo de si mesma. Isso significa que elas não têm boa auto-estima, o que costuma ser tratado como sinônimo de ausência de amor por si mesmas. Estima é uma palavra que pode estar associada a amor, mas também significa valor; penso mais neste segundo aspecto, de modo que baixa auto-estima significa que não estou satisfeito com o meu jeito de ser. Eu sou o juiz e também aquele que é avaliado, no caso, de forma negativa. Se isso, de fato, implicar em incapacidade para amar, podemos afirmar que o amor não existe!
O que acontece não é nada disso. Aquele que tem de si um juízo negativo costuma se interessar por alguém que seja o seu oposto. Isso sim é a regra do que acontece na realidade: nos encantamos pelos que são o oposto de nós, já que não gostamos nem um pouco do nosso jeito de ser. As pessoas que acompanham meu trabalho sabem que considero este tipo de aliança um tanto precária e, hoje em dia, com tendência a uma vida curta.
Podemos dizer que quem não tem boa auto-estima (expressão melhor do que “aquele que não se ama”) tende a amar seu oposto. A qualidade deste tipo de relacionamento é muito duvidosa, de modo que, nesse sentido, podemos dizer que aqueles que têm uma boa auto-estima (expressão que substitui, com vantagens, “aquele que se ama”) tendem a estabelecer relacionamentos amorosos muito melhores encaixados e bastante mais gratificantes.
Ao pensarmos por esta ótica e se considerarmos como amor apenas este segundo tipo de relacionamento, entre pessoas de temperamento e caráter afins, podemos dizer que ele depende vitalmente de uma boa auto-estima. Como ela é rara, também serão raros os relacionamentos amorosos. Acontece que não me parece razoável pensar assim, já que os relacionamentos entre opostos também implicam em aconchego e intimidade – apesar dos problemas, conflitos, ciúmes e brigas de todos os tipos. Assim, só poderíamos mesmo é afirmar que para sermos muito felizes no amor temos antes que nos entender conosco mesmos. Talvez seja essencial um avanço na capacidade de ficar bem consigo mesmo, de correção daqueles aspectos que não gostamos em nós e do atingimento de um estado de conciliação com nossa forma de ser para que possamos estar verdadeiramente prontos para um relacionamento amoroso no qual as delícias do aconchego possam nos satisfazer plenamente.
dr. flàvio gikovate.
psicologo e escritor

NÃO ESTAMOS SÓZINHOS....


Nem tudo na vida são flores... Em algumas curvas talvez o medo nos domine...As dúvidas se aglomerem e por não encontrarmos respostas, como nosso coração se flagela...Caminhos são cortados, modificados e nem ao menos somos consultados...Quedas repentinas e que causam tristeza...Incertezas...Receios pelo porvir...Vontade de parar o tempo...De colecionar só alegrias...Vontade que a mudança ocorra logo...Ansiedade pela mudança que não pode ser evitada...Sonhos...Projetos...Lágrimas e sorrisos que se misturam...Vontade de gritar...De pegar a bolsa e fui...De ficar em silêncio, simplesmente longe de tanto tumulto...Renovar...Reencontrar a esperança...Ir adiante...Perdas que doem...Paciência e resignação, nem sempre fáceis de serem cultivadasQuantas questões...E nenhuma garantia...A vida apenas segue o seu rumo e lá vamos nós ...Porém, se todas as respostas nos faltam,........... É NA DIREÇÃO DAS RESPOSTAS QUE IREMOS ...... Com a única certeza que jamais se apagará:-NÃO ESTAMOS SOZINHOS!!!

A ARMADILHA DA AUTO-SABOTAGEM!!!!


Há momentos da vida que reconhecemos que estamos prontos para dar um novo salto, para efetivar uma mudança profunda. Nos lançamos num novo empreendimento, numa nova relação afetiva, mudamos de cidade e até mesmo de apelido. Mas, aos poucos, nós nos pegamos fazendo os mesmos erros de nossa vida passada. É como se tivéssemos dado um grande salto para cair no mesmo buraco. Caímos em armadilhas criadas por nós mesmos. Nos auto-sabotamos. Isso ocorre porque, apesar de querermos mudar, nosso inconsciente ainda não nos permitiu mudar! Em nosso íntimo, escutamos e obedecemos, sem nos darmos conta, ordens de nosso inconsciente geradas por frases que escutamos inúmeras vezes quando ainda éramos crianças. Toda família tem as suas. Por exemplo: Não fale com estranhos é uma clássica. Como a nossa mente foi programada para não falar com estranhos, cada vez que conhecemos uma nova pessoa nos sentimos ameaçados. Uma parte de nosso cérebro nos diz abra-se e a outra adverte cuidado. Num primeiro momento, o desafio em si é encorajador, por isso nos atiramos em novas experiências e estamos dispostos a enfrentar os preconceitos. No entanto, quando surgem as primeiras dificuldades que fazem com que nos sintamos incapazes de lidar com esse novo empreendimento, percebemos em nós a presença desta parte inconsciente que discordava que nos arriscássemos em mudar de atitude: Bem que eu já sabia que falar com estranhos era perigoso. Cada vez que desconfiamos de nossa capacidade de superar obstáculos, cultivamos um sentimento de covardia interior que bloqueia nossas emoções e nos paralisa. Muitas vezes, o medo da mudança é maior do que a força para mudar. Por isso, enquanto nos auto-iludirmos com soluções irreais e tivermos resistência em rever nossos erros e aprender com eles, estaremos bloqueados. Desta forma, a preguiça e o orgulho serão expressões de auto-sabotagem, isto é, de nosso medo de mudar. Dificilmente percebemos que nos auto-sabotamos. Nós nos auto-iludimos quando não lidamos diretamente com nosso problema raiz. A auto-ilusão é um jogo da mente que busca uma solução imediata para um conflito, ou seja, um modo de se adaptar a uma situação dolorosa, porém que não represente uma mudança ameaçadora. Por exemplo, se durante a infância absorvemos a idéia de que de ser rico é ser invejado e assim menos amado, cada vez que tivermos a possibilidade de ampliar nosso patrimônio nós nos sentiremos ameaçados! Então, passaremos a criar dívidas, comprando além de nossas possibilidades, para nos sentirmos ricos, porém com os problemas já conhecidos de ser pobres. Não é fácil perceber que a traição começa em nós mesmos, pois nem nos damos conta de que estamos nos auto-sabotando!Na auto-ilusão, tudo parece perfeito. Atribuímos ao tempo e aos outros a solução mágica de nossos problemas: com o tempo a dor de uma perda passará; seu amado irá se arrepender de ter deixado você e voltará para seus braços como se nada houvesse ocorrido. No entanto, só quando passarmos a ter consciência de nossos erros é que não seremos mais vítimas deles!Temos uma imagem idealizada de nós mesmos, que nos impede de sermos verdadeiros. Produzimos muitas ilusões a partir desta idealização. Muitas vezes, dizemos o que não sentimos de verdade. Isso ocorre porque não sentimos o que pensamos! Muitas vezes não queremos pensar naquilo que sentimos, pois, em geral, temos dificuldade para lidar com nossos sentimentos sem julgá-los. Sermos abertos para com nossos sentimentos demanda sinceridade e compaixão. Reconhecer que não estamos sentindo o que deveríamos sentir ou gostaríamos de estar sentindo é um desafio para conosco mesmos. Algumas de nossas auto-imagens não querem ser vistas! É nossa auto-imagem que gera sentimentos e pensamentos em nosso íntimo. Podemos nos exercitar para identificá-la. Mas este não é um exercício fácil, pois resistimos em olhar nosso lado sombrio. No entanto, uma coisa é certa: tudo que ignoramos sobre nossa parte sombria, cresce silenciosamente e um dia será tão forte que não haverá como deter sua ação. Portanto, é a nossa auto-imagem que dita nosso destino. O mestre do budismo tibetano Tarthang Tulku, escreve em seu livro The Self-Image (Ed. Crystal Mirror): A auto-imagem não é permanente. De fato, o sentimento em si existe, no entanto o seu poder de sustentação será totalmente perdido assim que você perder o interesse por alimentar a auto-imagem. Nesse instante, você pode ter uma experiência inteiramente diferente da que você julgou possível naquele estado anterior de dor. É tão fácil deixar a auto-imagem se perpetuar, dominar toda a sua vida e criar um estado de coisas desequilibrado... Como podemos nos envolver menos com nossa auto-imagem e nos tornar flexíveis? Somos seres humanos, não animais, e não precisamos viver como se estivéssemos enjaulados ou em cativeiro. No nível atual, antes de começarmos a meditar sobre a auto-imagem, não percebemos a diferença entre nossa auto-imagem e nosso 'eu'. Não temos um portão de acesso ou ponto de partida. Mas, se pudermos reconhecer apenas alguma pequena diferença entre a nossa auto-imagem e nós mesmos, ou 'eu' ou 'si mesmo', poderemos ver, então, qual parte é a auto-imagem. A auto-imagem pode representar uma espécie de fixação. Ela o apanha, e você como que a congela. Você aceita essa imagem estática, congelada, como um quadro verdadeiro e permanente de si mesmo, explica Peggy Lippit no capítulo sobre Auto-Imagem do livro Reflexões sobre a mente organizado por seu mestre Tarthang Tuku (Ed. Cultrix).Na próxima vez que você se pegar com frases prontas, aproveite para anotá-las! Elas revelam sua auto-imagem e são responsáveis por seus comportamentos repetitivos de auto-sabotagem. Ao encontrar a auto-imagem que gera sentimentos desagradáveis, temos a oportunidade de purificá-la em vez de apenas nos sentirmos mal. O processo de autoconhecimento poderá então se tornar um jogo divertido e curioso sobre nós mesmos!
Bel Cesar é psicóloga e pratica a psicoterapia.

DÚVIDAS DO COTIDIANO.....


Crescemos acreditando que o sexo e o amor andam juntos. E agora, como fica se o que observamos é bem diferente? Como explicar que a maioria dos machões que tanto desejam as mulheres são mesmo é chegados nos homens com quem bebem, confidenciam e se gabam de suas conquistas nas mesas dos bares? Como explicar que a maioria dos homossexuais sejam tão íntimos das mulheres e que sintam desejo pelos homens - em especial por aqueles que não são homossexuais explícitos - com os quais têm um relacionamento tenso e cheio de hostilidades recíprocas? Resposta: Tudo nos leva a pensar que, em nossa cultura, a sexualidade está mesmo é associada à agressividade e não ao amor e à amizade. Temos que parar de nos iludir e observar os fatos: o jogo de conquista e sedução é extremamente violento, de modo que podemos concluir que tesão e ódio andam juntos. Afinal de contas, porque as mulheres se interessam tanto em colocar próteses de silicone em seus seios se a maioria dos homens não gosta do efeito táctil que elas provocam? Resposta: A prótese provoca um efeito visual interessante, especialmente quando a mulher está com uma roupa decotada. Pode despertar o desejo visual masculino, prometendo algo que será um tanto frustrante na intimidade. Parece que despertar o desejo visual à distância é percebido como mais importante do que agradar o parceiro. Além do mais, as mulheres assim turbinadas podem se sentir por cima de suas concorrentes. Se um homem – ou uma mulher – se encanta por um dado parceiro em virtude do seu modo de ser, porque é que depois, ao longo do convívio, insiste tanto para que ele se modifique?Resposta: Nos encantamos por alguém por causa da admiração que suas qualidades nos provocam e também por causa da presença de alguns defeitos que nos permitem alguma defesa contra uma intensidade amorosa que não seríamos capazes de suportar. As qualidades nos atraem enquanto que os defeitos nos afastam. Resulta um grau de intimidade que toleramos. O parceiro sabe que não poderá se modificar porque isso determinaria um desequilíbrio perigoso para a continuidade do relacionamento. O casal briga bastante e tudo fica exatamente como está! Afinal de contas, o que uma mulher pretende quando usa, por exemplo, uma bolsa de grife, uma daquelas muito cobiçadas em virtude de estarem na última moda e serem caríssimas?Resposta: Os motivos podem ser variados, mas a única coisa indiscutível é que uma bolsa não provoca os olhares masculinos da forma que uma calça velha e justa pode fazer. Não conheço muitos homens que se sentem atraídos por mulheres em virtude de suas bolsas. Elas são, mais que tudo, símbolos de poder, de modo que suas donas são imediatamente percebidas como pertencentes à classe dominante – e, é claro, tratadas como tais. Não há dúvidas que a maioria das bolsas são muito belas, mas são usadas mesmo é para definir status social e também para provocar a inveja das outras mulheres. O que leva uma pessoa a quem ajudamos muito, que morou em nossa casa por um bom tempo e a quem demos todo o tipo de apoio moral e material, a desenvolver tamanha raiva contra a gente? Ela não deveria ser reconhecida e grata?Resposta: Outro dia, lendo a resenha de um livro, o autor citou Cícero (orador e político romano do século I antes de Cristo), que dizia que a gratidão é a maior de todas as virtudes. À primeira vista, pode parecer um exagero, já que aprendemos a pensar que todos aqueles a quem ajudamos não farão mais que a obrigação de nos serem gratos. Mas a verdade, a regra geral, é que aquele que recebe favores materiais ou ajuda emocional costuma desenvolver enorme hostilidade contra nós. A ingratidão é filha da inveja. É assim: aquele que recebe se sente por baixo, humilhado. Como precisa receber, não tem outra escolha e aceita o que estamos oferecendo. Quanto mais receber, mais humilhado e ressentido ficará. Acabará arranjando algum pretexto e se afastará, nos agredindo e nos acusando de algo que não fizemos. É preciso pensar duas vezes antes de decidirmos ajudar alguém!

DR. FLÁVIO GIKOVATE.

SINAIS QUE A VIDA TE DÁ.....


Depressa, depressa! Não vai dar tempo, você está atrasado, estão te esperando e ainda mais o trânsito, a chuva... Que horror tudo isso! Muitas e muitas vezes é assim que vivemos. É assim que muitas pessoas vivem!A chuva cai lá fora e parece envolver a cidade numa dormência total, como se as pessoas, as árvores, as casas tudo estivesse úmido e envolvido em uma sonolência que traz consigo, não a serenidade de nossas almas, mas o desassossego geral.Os dias parecem se arrastar penosamente.O ser humano há algum tempo perdeu o sentido das coisas e não consegue reconhecer os sinais que a vida nos dá.Quando mergulhamos nesse mundo de falta de calma, serenidade e tranqüilidade, criamos ao nosso redor um redemoinho de energias densas que nos cegam perante as energias que nos levariam a caminhos ideais.Os sábios antigos tinham uma outra forma muito inteligente de fazer esta colocação. diziam da importância de viver o momento presente, entender e vivenciar cada energia, cada pessoa, cada circunstância que lhe aparecer no aqui-agora. Mergulhar de fato no seu momento atual. Fazendo isso, você perceberá que a vida lhe dá sinais que podem transformar sua existência.

ANÁLISE PSICOLÓGICA DO SUICIDIO....


SUICÍDIO E TIMIDEZ(ANÁLISE PSICOLÓGICA)Pretendo neste estudo apontar os aspectos psicológicos que levam ao suicídio; bem como fazer um paralelo com a timidez, já que demonstrarei que ambos os processos caminham em paralelo; apenas a forma ou o resultado comportamental é que diferem. Há muito que estes dois fenômenos deveriam ser prioridade de uma política séria de saúde mental, pois as conseqüências são devastadoras; tanto no nível de perdas humanas, como um comprometimento total na qualidade das relações sociais. Obviamente a problemática é mundial; vide o episódio no Japão sobre o suicídio coletivo dos "hikikomoris" (tímidos ou reclusos). Neste caso específico a timidez caminhou para o suicídio, devido às pressões de uma determinada cultura que talvez não preste a atenção devida ao relacionamento humano, mas tão somente ao desempenho profissional e competição, embora não seja um aspecto encontrado apenas no Japão. A timidez como demonstrei em vários outros trabalhos* não é apenas um retraimento ou vergonha de se colocar no âmbito social, mas uma conduta neurotizada de tentar obter um poder ou vantagem através da não divisão do potencial íntimo do sujeito. O tímido teme a situação de prova a todo o momento; quando se retira do contato cria uma ficção de vitória por não ter que passar por determinado apuro, mesmo que isto lhe custe um prazer futuro. Foi o psicólogo ALFRED ADLER, contemporâneo de FREUD, que primeiro percebeu o simbolismo da timidez. Para o mesmo, o tímido tinha como meta de vida disfarçar seu profundo complexo de inferioridade. Ao contrário do que muitos imaginam, se tornam pessoas bem sucedidas do ponto de vista econômico, visando compensarem o lado pessoal rebaixado. O tímido na verdade comete uma espécie de "estelionato social"; sua lei é retirar, sendo que os aspectos de egoísmo estão totalmente presentes. Nos relacionamentos afetivos são aquelas pessoas que insistem em manter uma vida totalmente privada; como exemplos máximos: jamais permitem uma conta bancária em conjunto, seus ganhos e posses são mistérios para o parceiro; detestam discutir qualquer assunto relacionado a sentimentos; parece que o casamento foi uma coisa que lhes aconteceu e não uma escolha pessoal; seu prazer máximo é aguardar uma determinada ausência do outro para que possam se dedicar a determinado hábito ou prazer que não desejam compartilhar; enfim, aliam o prazer ao anonimato. O último estágio do processo da timidez é a depressão profunda ou o transtorno do pânico e até o suicídio, quando a pessoa não consegue mais nenhum tipo de satisfação devido a sua conduta masturbatória perante a vida. O suicídio entra exatamente neste ponto, sendo um último apelo ou protesto em relação a um poder desejado ou que foi retirado da pessoa. Ao contrário do que muitos pensam, o suicídio não é o último estágio do sofrimento, mas um atalho mórbido para não o vivenciar, sendo que assim como o tímido sua meta é a fuga. Não farei aqui nenhuma menção aos casos de doenças terminais ou eutanásia, pois estão numa categoria à parte; apenas enfocarei os aspectos psicológicos do suicídio nos casos que não há essa pressão por doença física. O suicídio e timidez têm como temática básica à questão de como enfrentar a profunda solidão. O primeiro não enxerga nenhuma alternativa para resolver o dilema; o segundo se acostumou e desfruta da mesma. O suicida desenvolve o pensamento de que não possui "nenhuma chance" sobre seus dilemas. Mas o por que desta radicalidade com tantas evidências de recomeço que a vida oferece? A questão passa por um aspecto temporal. Determinado trauma ou experiência de angústia pode causar a deturpação da noção do tempo, dando a impressão clara que determinado evento será novamente repetido. O suicida visa exatamente fugir dessa sua certeza inevitável do recomeço de sua dor. É como se seu passado tivesse destruído todas as suas defesas mentais, restando eliminar sua vida para não sucumbir perante a repetição citada. A fé sempre falha numa personalidade onde o tempo denota pura angústia.O suicida acabou se treinando para esquecer suas virtudes e fugir da dor que está novamente batendo a porta Neste ponto é vital fazermos uma diferenciação entre a teimosia e perseverança. A primeira é típica da personalidade suicida ou tímida, pois a leitura mental é linear, baseada no sofrimento ou em determinado saudosismo que a pessoa não deseja se despojar. Tanto o tímido como o suicida acha que seus esforços são em vão para mudar determinada condição. Apenas a conduta difere, sendo que o tímido adota uma introversão de comportamento e o suicida acaba por extroverter sua raiva contra si próprio. A perseverança ao contrário, é a mais pura arte de tentar ou buscar o não atingido através da convicção plena no potencial pessoal. O tempo não deixa de ser um prazer ou mestre para aqueles que se detém no processo, e não em resultados imediatos. A paciência é sinônima de vida, sendo que a rebelião é válida para darmos determinado passo, não para nos evadirmos de nossas tarefas. O suicida como dizia Adler reclama um poder a todo tempo, não permitindo que a interação dele com o chamado "destino" permeie sua vida. Almeja ser o carrasco de si por não aceitar a submissão a qualquer tipo de evento que fuja de seu domínio. Aceitar apenas o peso do presente, ou a angústia do passado e a certeza de um futuro continuado de sofrimento é negar a dimensão da vida sob todos os ângulos possíveis. Jamais existirá uma situação única de sofrimento ou até mesmo de criatividade; enfim, jamais estaremos sós, a não ser que fechemos as portas para a percepção da verdade. O fato é que tanto o suicida quanto o tímido adquiriram uma total intolerância de se sentirem fracos por determinado período. Voltando a questão exposta anteriormente da cisão temporal, poderíamos perguntar o por que apenas do lado negativo prevalecer na mente? Uma experiência de extrema gratificação jamais conseguirá tal efeito? Então o lado positivo está fadado à negligência ou esquecimento? A resposta é que o chamado trauma abala totalmente o sentido de poder pessoal e sentimento de superioridade. Nenhum ser humano almeja galgar uma posição de destaque para depois a perder. O problema é que este deleite que já fazia parte do cotidiano do indivíduo, quando retirado, tem o efeito devastador de potencializar todos os temores de determinada pessoa. A psicanálise sempre acreditou que esta fenda no narcisismo ou vaidade do sujeito se relacionava ao famoso "complexo de Édipo", sendo que a criança jamais aceitava ser preterida no papel amoroso perante um dos genitores. Tal abordagem sempre foi parcial; não é a perda do papel de destaque que abala, mas uma profunda convicção neurótica enraizada no elemento do ódio, que jamais aceita "perder" sob qualquer hipótese. É absolutamente incrível como várias escolas psicanalíticas deram tanta importância a fase oral (amamentação) e não a souberam interpretar. A essência do período infantil é "sugar" em todos os aspectos; na adolescência a ênfase é no desligamento perante os pais para que supostamente possa ser experimentada a liberdade ou determinados prazeres proibidos na fase anterior; o poder adulto se traduz principalmente na sobrevivência econômica, segurança material e emocional. Todo ser humano avança e retrocede nestes três pólos; e a tarefa da psicologia é simples: verificar quais deles estão inundando o consciente e inconsciente da pessoa. Há décadas ouvimos a falácia de que o suicida pode ser corajoso pelo seu ato. Jamais pode haver coragem na fuga de um processo doloroso que faz parte da vida, por mais que o detestemos. O tímido ao contrário do suicida consegue sobreviver, mas ambos têm em comum o ódio perante si próprios. No mito do complexo de Édipo há uma passagem simbólica sobre a essência da vida quando há a necessidade de se decifrar o enigma da esfinge; que resumidamente pergunta o que começa andando em quatro pernas (criança); depois duas (adulto); e finalmente três (a velhice simbolizada por uma bengala); o fato é que não é apenas o envelhecimento ou decrepitude que dão o sentido da vida, mas principalmente todas as fantasias de poder que tivemos em todas as épocas da vida e como se dissiparam; o que realmente conquistamos? Uma das únicas prevenções contra o suicídio é ter em mente a certeza de que tal ato não é motivado por nenhum acontecimento trágico, mas o fato de não ter historicamente ninguém para compartilhar seu drama. A solidão é o alicerce e combustível para toda incursão no desespero. Todo distúrbio psicológico é um tipo de comportamento que arrebata a consciência dando uma tônica de algo vitalício. Talvez todo o drama se deva a ficar estagnado na tristeza pessoal e social, se esquecendo da capacidade de proporcionar algum tipo de ânimo. O tímido ou suicida é o mais puro ator da amargura que ninguém deseja presenciar, como também é um péssimo representante da esperança. Desejar realmente salvar uma vida é não condenar a incapacidade de alguém para as funções coletivas; tentando "garimpar" na pessoa algo de especial que a mesma desconhece. Esta deve ser a função prioritária da psicoterapia nos dois tipos citados. Obviamente tal tarefa não é nada fácil, pois tanto o tímido quanto o suicida tentam culpar eternamente seu meio por não lhes terem propiciado mais potência pessoal; a ousadia de se retirar do meio social denota total desprezo pelas pessoas, apesar de ambos se acharem excêntricos ou até corajosos por tal ato. A mensagem é que não irão aceitar mais nenhuma regra ou obrigação de compartilhar algo de sua pessoa; sendo que eles mesmos agora serão os senhores absolutos no tocante ao manejo do sofrimento, ou se devem ou não continuar existindo Falando mais uma vez da prevenção, esta deveria se ater ao ponto da perda do controle, fazendo com que determinado indivíduo caminhe para o inusitado, se afastando da sociedade. As duas moléstias são a afirmação absoluta da solidão extrema como remédio para as aflições pessoais; se vingando de um mundo totalmente insensível e difícil no trato pessoal. Não que tal concepção esteja incorreta, mas penso que todos devem estar fartos de denúncias que não acompanham ações de transformação. O suicida tem a plena certeza de que sua extinção será um ato revolucionário, quando na verdade é a mais terrível desistência perante tudo o que imaginamos. A retirada social diz também do sentimento ou sensação de traição; ambos são inconformistas com a não durabilidade ou corte de determinada gratificação ou desejo de continuidade. Neste ponto, talvez os pais possam refazer o histórico do nascimento do egoísmo social, como exemplo, quando a criança relutou de todas as formas possíveis diante da vinda de um irmão; na adolescência o sofrimento e desespero descabido por não terem consumido determinada paixão. Se houve tentativa de suicídio, não se trata apenas do fato de tentar chamar a atenção, mas o estabelecimento de determinado apelo mórbido perante situações de crise. Lembro-me de um pesadelo certa vez relatado por um paciente, que o abalou profundamente: "Havia uma briga ou acerto de contas entre gangues, e traiçoeiramente um deles tirou uma espécie de arco e flecha de aço, desses dos filmes de ação e cegou cruelmente seu oponente".Quando acordou teve uma sensação real e desesperadora que seu fim estava próximo; fosse por possuir uma doença incurável, ou por não conseguir sair de seus conflitos pessoais, já que havia passado por uma separação conjugal totalmente conflitante. O incrível neste caso é que seu pesadelo revela a somatória avassaladora de todos os seus medos possíveis e imagináveis. Seu inconsciente abriu as portas da consciência para todos os temores. Entrou num profundo quadro de depressão e se aproximou seriamente do suicídio. O caso apresentado relata fielmente a fragilidade de determinada personalidade frente a expectativas irracionais ou até reais; mostrando a incapacidade para as elaborar. O fato a ser esclarecido é quando ocorre a perda total da autoconfiança, como é típico dos suicidas. A resposta embora um pouco esdrúxula, passa por uma questão de treinamento. Assim como outras necessidades fisiológicas, nossa mente precisa constantemente adotar uma postura sadia. ALFRED ADLER falava da importância corriqueira de selecionar um grupo de pessoas e dizer para as mesmas o quanto eram importantes e queridas pelo sujeito. Tal ação teria a finalidade de abrandar a inundação da consciência pelo irracional, se fixando numa tarefa de harmonia e solidariedade. Como está difícil hoje em dia selecionar tal grupo! Penso que é muito mais fácil dissuadir qualquer tipo de trauma, pesadelo, ou conteúdo intrapsíquico, do que partir para a prática afetiva. Mais uma vez nos deparamos com uma das essências da timidez: peregrinar por todo o sofrimento individual possível apenas para escapar das obrigações de relacionamentos sociais. É totalmente propício neste estudo estabelecer em que circunstâncias psicológicas ocorrem de fato o suicídio. A resposta é uma total intersecção entre a personalidade tímida e suicida; ocultando de todos o desejo de praticar o ato abominável contra si próprio. O suicida faz questão de brindar seu meio com a máxima novidade possível; a extinção de sua pessoa. O desaparecimento pessoal trará a punição eterna contra todos que desprezaram suas vocações não efetuadas; semeando todas as condições para que no presente e futuro se desenvolva o ápice da culpa em seu meio. A impaciência sobre sua vida é compensada pela certeza e paciência perante seu propósito de vingança que está por vir. O ato é um epitáfio para protestar sobre como suas sensações e sentimentos não causaram o impacto que gostaria. Compartilhar a dor e pensar no companheirismo estão fora de questão, mantendo a solidão máxima de sua intenção nefasta. Logicamente a desistência do suicida é motivada pela fuga total da contrariedade. Sempre devemos tomar o máximo de cuidado para não nos tornarmos "maus perdedores". ADLER observou apropriadamente que os casos de suicídio não são em função de coisas graves: doença, desemprego ou falência, perda de um filho, por exemplo; embora possam ocorrer nestas circunstâncias. A questão que ele descobriu é a banalidade de situações que convergem para tal ato. A contrariedade cotidiana pelo "pouco" sempre será muito mais grave. ADLER também constatou o histórico do comportamento infantil que poderia num futuro desencadear tal processo: crianças que simulavam doenças; desmaios; total perda de apetite; etc. O complexo de inferioridade possui uma de suas vertentes exatamente neste ponto; ampliar uma experiência corriqueira de infortúnio para uma dimensão extremamente exagerada. ADLER acreditava que até fisicamente este processo ocorria, quando um determinado órgão era transformado na somatória dos conflitos (inferioridade de órgão-como assim chamava). A psicosomática moderna comprova tal tese. A sabedoria é a plena aceitação de perder algo que há um bom tempo nos causa pesar; assim sendo, a teimosia citada anteriormente é sempre um reforço para medidas desenfreadas. O suicida radicaliza mais uma vez este conceito para a vida como um todo. O tímido se encolhe perante todas estas sensações. Muitos falam da suposta curiosidade ou protesto contra a morte, que levaria o suicida a cometer tal ato, forçando sua antecipação. Penso mais uma vez que nada disto procede. A essência da questão é uma personalidade em total desequilíbrio. Nenhum ser humano irá apressar algo que é duradouro por sua natureza. O ponto é a intolerância frente ao medo. Psicologicamente o suicida teme completamente a morte; o que ocorre é uma reação psicótica perante este temor desproporcional, contrariando por completo a verdade de seu íntimo. O suicida superdimensiona esta fenda mental, agindo apressadamente para dissuadir sua incompletude perante o susto e medo. Como seria interessante que a medicina se concentrasse no estudo de tal questão, ao invés de procurar apenas fatores bioquímicos. O suicida assim como os tímidos, em última instância negam suas verdades: infelicidade e bloqueio histórico para pedir ajuda. A única saída é se conscientizarem na psicoterapia de que suas vidas têm sido a fuga por completo de situações que desencadeiem uma sensibilidade para qual nunca aceitaram treinamento; percebendo como sempre foi torturante ter que se expor. Infelizmente a própria psicologia não "ousa" muitas das vezes em casos considerados problemáticos, se atendo a velhas fórmulas ou conceitos teóricos ineficazes perante o contexto de nossa época. A psiquiatria nivela ou socializa todas as enfermidades pela medicação. Ambas têm sido ineptas na empatia com o sofrimento do homem moderno, sendo o fruto de um modelo de civilização totalmente decadente. A melhora da qualidade de vida do ponto de vista material traz compensatóriamente um aumento exorbitante do medo generalizado da pessoa; e isso não é apenas conseqüência do apego, mas da impossibilidade de explorarmos os contatos e relações afetivas. A timidez já é há muito tempo o distúrbio psicológico que traduz fielmente nosso modelo social; forçando todos ao conformismo e abstinência da satisfação pessoal. Quanto maior a atitude egoísta ou de retirada social, maior será a ilusão de uma blindagem que nos poupe do sofrimento e decepção pelas expectativas que alimentamos por determinada pessoa. O que acontece nos dias de hoje é à busca da salvação do ego pessoal através da concentração em determinado pólo. Superestima-se uma habilidade pessoal ou profissional com o intuito da fuga da rejeição. Seja a beleza; o computador para o tímido; dinheiro; ou até mesmo a inteligência, todos tentam a sobrevivência num mundo onde a própria alma se tornou uma espécie de vitrine; escondendo as demais potencialidades do ser humano. Todos se tornam míopes no sentido não apenas de visualizarem suas reais possibilidades; mas também no tocante as reais conseqüências de suas capacidades perante uma sociedade onde o consumo engoliu todas as características humanas. Enfim, o suicídio, timidez e solidão são a exposição mais precisa do inferno de nossa alma, embora os três elementos possuam características de introversão.
ANTONIO.C A. ARAUJO

CONSEQUÊNCIAS DO NAMORO VIRTUAL!!!!


Sites de namoro:Pesquisa inédita no país acerca das consequências do namoro virtual -->"Quem optou por um modelo de vida baseado na competição, seja econômica ou narcisista, selou um destino de solidão". (ALFRED ADLER-PSICÓLOGO). Em outros textos sobre o namoro virtual havia ressaltado que essa forma atual de busca de parceiros afetivos via net, tinha como característica principal à aceleração das etapas de desenvolvimento do processo amoroso, sendo que as relações geradas por essa modalidade conduziam quase sempre a relações descartáveis de afetividade, como se fossem o vulgo “ficar”, só que transportado para o plano virtual. A verdade máxima implícita na matéria é que a solidão de nossa era acaba sendo absorvida pelo setor da informática, ou seja, problemas de relação de cunho essencialmente humanos como o diálogo, por exemplo, acabam repassados para uma esfera totalmente oposta. Obviamente as pessoas que procuram tal serviço embora muitas vezes não admitam, foram marcadas afetivamente por experiências de extrema frustração amorosa. Isso por si só conduz a convicção de que essas pessoas quase já não acreditam mais na possibilidade de novo prazer afetivo, dada a grande carga de agressividade oriunda de toda essa trajetória. A questão da necessidade de novo parceira (a) versus todo o passado extremamente mal resolvido e incompleto deveria ser um ponto central de reflexão. Em resumo fica patente que o usuário do namoro virtual não acredita que outro ser humano possa lhe proporcionar prazer ou satisfação, pois está totalmente aprisionado ao seu passado de desencanto afetivo e amoroso como disse acima. Embora diga em tom veemente que deseja novas experiências, seu único intuito é “navegar”, realizando dessa forma seus anseios voyerísticos, pois seu temor máximo é o da aproximação. O fato marcante é que o indivíduo solitário, preso dessa máquina supostamente encarregada de lhe proporcionar contatos-o computador, se fechou em um estilo de vida absolutamente acomodado e reticente a uma profunda troca amorosa. Assim sendo, embora busquem contatos ou aventuras, as pessoas que se utilizam o computador tendem a tecerem exigências quase que perfeccionistas de beleza ou conduta, o que sempre afastará a mínima possibilidade de uma nova amizade ou namoro verdadeiro O exposto acima apenas reflete o pânico que a pessoa vivencia diante da possibilidade de uma nova rejeição, e sua defesa é a exigência da perfeição ou a fantasia num grau extremo. Seria de fundamental importância por parte das pessoas que buscam o namoro através da virtualidade, refletirem até que ponto mecanismos artificiais ajudam ou reforçam determinada situação traumática que atormenta seus mais profundos anseios e desejos Enfim, a conclusão é a de que as pessoas que dependem quase que exclusivamente da virtualidade para fazer contatos, seja através dos chamados chats ou sites de namoro, não acreditam mais em si próprias, e esse profundo sofrimento ou rancor resultante são totalmente direcionados para relacionamentos baseados na disputa de poder, narcisismo e descrença numa profunda intimidade entre dois seres humanos, se adotando papéis distorcidos para se obter gratificação sexual ou companheirismo.

sábado, 13 de março de 2010

PORQUÊ????


Como vou esperar o respeito do outro, se o outro é meu espelho, e ele vê que eu não me respeito...?Como vou evitar que o outro me humilhe, se o outro é meu espelho, e deixo claro a ele que não dignifico a mim mesmo...?Como vou desejar ser honrado pelo outro, se o outro é meu espelho, e ele percebe que não honro a mim mesmo...?Como pretendo que o outro goste de mim, se o outro é o meu espelho, e ele sente que eu não gosto de mim mesmo...?Como ouso reclamar o ser manipulado pelo outro, se o outro é meu espelho, e é nítido para ele que eu não domino a mim mesmo...?Como questiono o outro decidir por mim, se o outro é meu espelho, e lhe deixo claro o quanto sou incapaz de decidir por mim mesmo...?Como vou querer que o outro honre meus desejos, se o outro é meu espelho, e não consegue notar desejo algum em mim mesmo...?Como posso impedir que o outro viva por mim, se o outro é meu espelho, e meu reflexo indica que não tenho personalidade para viver por mim mesmo...?Como posso negar que o outro se ama através de mim, se o outro é meu espelho, e seu coração vê o meu, que não amo a mim mesmo...?Como vou exigir o valor que vem do outro, se o outro é meu espelho, e ele não enxerga em mim qualquer valor por mim mesmo...?Como me espanto pelo desprezo do outro, se o outro é meu espelho, e ele mesmo se espanta porque eu não prezo a mim mesmo...?Como acho justo sofrer por virar uma utilidade para o outro, se o outro é meu espelho, e meu comportamento lhe indica que eu não possuo vontade por mim mesmo...?Como posso impedir o outro de me derrotar, se o outro é meu espelho, e nos nossos embates, surge a verdade, que se sou fraco, é porque nem conheço a mim mesmo...?Como vou deixar de obedecer ao outro, a todos os outros, a qualquer um outro, se não posso obedecer a mim mesmo...? Porque...“manda-se naquele que não pode obedecer a si próprio...”

AUTOCONHECIMENTO!!!!


A primeira definição para o autoconhecimento é a aceitação plena de todos os sentimentos que habitam a alma humana, deixando de lado a hipocrisia ou fala social de que não sentimos determinadas emoções, do tipo: raiva, ódio e vingança. A tão almejada paz interior só advém quando não negarmos o que permeia a vida...

SOMOS TODOS IRMÃOS!!!!


sexta-feira, 12 de março de 2010

CORAÇÃO DE DIAMANTE!!!!



Corações embrutecidos são como diamantes
que o tempo apagou a natureza de carvão
Translúcidos, dentro deles não há nada
Expulsaram todos inquilinos
Lacraram todas as portas e janelas
Nada entra, nada fica
Solitários, enfeitam anulares
Afirmando compromissos e promessas em altares
Traduzem sonhos, espectativas
que o cotidiano guarda em gavetas
da escrivaninha ou da alma
Encantam, fascinam
Porque desejamos o proibido
Mas o coração diamante é sempre irredutível
Orgulhoso, morre só
Mas não volta à ser carvão
Forma humilde
que o amor transforma em brasa
Alquimista incorrigível não desisto
Vou soprar em seus ouvidos o meu amor
Até despertar sua natureza de fogo
Fogo do amor que não apaga
Queimando todas as mágoas
Pra que este coração volte à ser só amor.
Franklin Maciel

DISTÚRBIO DE ANSIEDADE NA NOSSA ERA ATUAL......


Na verdade, todos os distúrbios da ansiedade de nossa era (opressão na garganta, gastrite, taquicardia, enxaqueca, excesso de salivação, auto-imolação, tiques nervosos), dizem de como as pessoas se sentem extremamente solitárias, confusas e medrosas. O medo ou receio de novas decepções no plano externo potencializa o interno como observei acima. O grande problema disso tudo é o preconceito das pessoas de revelarem suas falhas ou medos; sendo que essa timidez seria um correlato moderno da moral antiquada que visava à repressão sexual. A essência de ambos os fenômenos é pura e simplesmente abafar todos os conflitos, entrando nesse estágio a medicação como arma para sedar o não resolvido. O fato é que impressiona a absoluta alienação no começo deste novo século. Aquilo que mais se deseja afastar (sofrimento) virou o maior objeto de disputa seja pelas drogas ilícitas ou lícitas, ou pelas religiões, sendo que a psicologia se mantém num papel intermediário, embora devesse ser encarada como "AUTOCONHECIMENTO" e nunca estudo comportamental, pois do contrário estará impregnada pelo ajustamento e condicionamento.

A evolução no estudo do sofrimento ou ansiedade é descobrir como uma determinada dificuldade ou perda tem uma leitura psíquica ou orgânica de cunho irreparável. Isso fatalmente remete a determinado acontecimento passado de inconformismo de ter perdido alguma oportunidade valiosa na esfera afetiva; ansiedade e arrependimento também caminham juntas. Mas porque tínhamos a certeza no passado que determinado investimento daria certo e não o aproveitamos? Coloca-se aqui mais outra equação da ansiedade; pois no passado não havia a contaminação da esfera econômica, estávamos amplamente abertos para a questão amorosa sem divagações ou cobranças e descobrimos que o passar do tempo apenas solidificou nosso esforço para uma segurança econômica que barrou uma possibilidade de felicidade que não cultivamos. O passado não é composto por traumas somente, mas, por avisos sistemáticos que negamos. A grande pergunta neste ponto é como recuperar a ingenuidade perdida com toda a carga de conhecimento negativo ou desesperança que se adquiriu no decorrer dos anos? Uma parte da resposta até é simples; as pessoas no geral não conseguem se desligar do império automático da mágoa e ódio quando se sentem frustradas, embora advoguem o oposto, que não cultivam rancores.

A ansiedade não deixa também de ser um processo de escolha para o individuo, pois o mesmo pode atravessá-la com uma sensação plena de aprendizado e enriquecimento interno, ou fica estacionado pura e simplesmente na angústia. Uma coisa fundamental a ser considerada é que aquilo que a pessoa considera que lhe faltou ou que lhe lograram, passando a reclamar o que lhe é devido no decorrer dos anos, pode justamente comprometer por completo sua saúde psíquica. A mágoa e rancor são como um ácido sulfúrico num copo de água cristalino que representaria a essência do desejo ou satisfação. Como expliquei em outro estudo, determinadas emoções negativas visam à proteção instintiva da espécie apenas, não devendo ser cultivadas constantemente. A ansiedade negativa se torna uma espécie de anabolizante que cria uma couraça em torno da pessoa, mas tal “massa muscular” blinda de forma destrutiva o indivíduo.


Mas porque o sujeito não vê que tal mágoa lhe dilacera a possibilidade futura de felicidade? Alguns diriam que tal pessoa neste estágio já estaria amplamente mergulhada na vingança, isto é totalmente verdade, mas, porque também não consegue optar por algum tipo de perdão? Neste ponto temos de avaliar a incompletude de tal conceito pela tradição religiosa. O perdão jamais pode ser apenas em relação a quem, ou o que nos acarretou danos, mas, principalmente deve ser obtido pela própria manutenção do potencial positivo da pessoa, resguardando aquilo que tem ou poderia trocar de forma plena, não permitindo em nenhuma hipótese que fosse contaminado pela amargura e infelicidade alheias. Sabedoria e amor de certa forma é saber preservar, não permitindo a fuga de nossas habilidades ou as provas de nossa autoestima. Quando se cai no império nefasto da comparação ou opinião alheia podemos apostar que nossa vida será uma eterna ciranda de atribulação e ansiedade. Não estou advogando que o isolamento ou solidão sejam o refúgio, mas que há critérios na convivência social, e um deles é não dissolver nossa personalidade porque ficamos com medo ou envergonhados perante observações ou comentários na maioria das vezes proferidos por absoluta má intenção ou ignorância. A crítica é magnífica quando nosso filtro interno sabe selecionar a pureza ou impureza da fala do outro. A manutenção precisa de tal medida é vital para a sobrevivência do ego da pessoa.

antonio c. a. araújo.

psicologo e terapeuta de casais.

ENCONTRAMOS OS MAIS LINDOS TESOUROS,QUANDO MERGULHAMOS FUNDO NO NOSSO VERDADEIRO "EU".....



Só é superior aquele que consegue dividir algo de seu íntimo; É um pouco mais nobre quem conseguir fazer tal tarefa por uma boa dose de tempo; Aquele que persiste em tal missão chega próximo de ser um espelho de algo parecido com o ser supremo que o ser humano deveria encarnar. Não podemos mais admitir a era de talentos desperdiçados”. - ALFRED ADLER-PSICÓLOGO.

quinta-feira, 11 de março de 2010

TIPOS PSICOLÓGICOS DA NOSSA ATUALIDADE....


Definir os tipos psicológicos de nossa era não é tarefa árdua, mas diria pessimista e recheada de sofrimento. O primeiro psicólogo da história a tentar defini-los (CARL GUSTAV JUNG) certamente sentiria um mal estar absoluto, pois seu modelo consistia em quatro tipos específicos: introvertido; extrovertido; colérico e fleumático. O primeiro era resistente ao contato social, o segundo era amplamente narcisista, o terceiro encarnava o tipo agressivo, e o último a frieza de sentimentos. Transportando para nossa atualidade gostaria de expor ainda quatro tipos básicos: o perverso; o tímido; o autopunitivo ou sabotador e o impulsivo-agressivo. Obviamente estes não explicam o ser humano por completo,(%) apenas é uma espécie de criar um quadro para o entendimento pessoal e social.
-O PERVERSO
-O TÍMIDO
-O AUTOPUNITIVO OU SABOTADOR.
- O IMPULSIVO-AGRESSIVO.
psicólog e terapeuta de familia e casal
antonio c. a. araujo

O TIPO IMPULSIVO-AGRESSIVO......


Sobre o impulsivo-agressivo também é outro ponto complicado. Este talvez seja o tipo psicológico que mais carrega o peso da exclusão em todos os sentidos possíveis. Seu temperamento explosivo logicamente causa uma incrível dose de ira ao seu redor. Embora sejam pessoas extremamente sinceras e honestas na maioria das vezes, pecam por uma falta de controle que as ajudariam na compreensão de seu meio. Apesar da boa autoconfiança e estima desse tipo, ainda assim não toleram a rejeição, mas como mecanismo de defesa inconsciente a provocam numa tentativa desesperada de domar o que mais temem, obviamente quase sempre fracassam e passam a maior parte de suas vidas no clássico mecanismo de FREUD da compulsão para sempre reviver experiências semelhantes de frustração. O problema central desse tipo não é bem a agressividade como muitos pontuam, mas um radicalismo exagerado numa ética que a maioria da sociedade insiste em não compartilhar. São eternos idealistas ou paladinos de causas certamente improváveis, que se estendem para seu campo pessoal e afetivo. Na verdade tal tipo não elaborou o luto por perdas de infância ou então a experiência de prazer sentida outrora teve uma duração muito curta, não se conformando que “sua vez durou tão rápido”. Empresta também um pouco do sabotador no aspecto do temor a solidão, já que não se conforma com a mesma, acaba a criando justamente para se testar, conforme mencionei antes, através de um mecanismo inconsciente. Obviamente este tipo também possui ao contrário do que demonstra um grande complexo de inferioridade, por justamente precisar responder com ferocidade toda a demanda que se coloca sobre sua pessoa. O temor de se sentir covarde é justamente o maior expoente de sua fraqueza. Este tipo se consolida principalmente na adolescência, onde a necessidade de auto-afirmação ganha importância fenomenal. O que mais estarrece a observação clínica de tais pessoas é seu histórico de atrair situações ou sujeitos com tanta ou mais impetuosidade que os mesmos, colecionam verdadeiras tragédias no terreno pessoal e profissional, tendo uma enorme dificuldade de estabelecer vínculos duradouros nos círculos mencionados. Quando há o transbordamento de toda a paixão citada costumamos ver na história o surgimento de todos os tiranos e ditadores sabendo de antemão qual será o destino dos mesmos. ERICH FROMM em sua belíssima obra “anatomia da destrutividade humana”, classificou tal tipo como de caráter sádico-anal que se transformaria numa paranóia quase que de caráter alucinatório.Citou como exemplo o caráter de JOSEPH STALIN, que não hesitava em acusar e colocar sob julgamento seus mais próximos e colaboradores íntimos. Não se tratava apenas do delírio persecutório em si, mas que, a insegurança, ameaça e de novo inferioridade não de dissipavam nem com a conquista do poder, sendo necessário o desenvolvimento de maior carga de fúria para compensar tal frustração, é um ciclo de horror que a humanidade há séculos já conhece muito bem. O problema é que muito se estudou sobre tal psicose, mas nunca se levou a sério o estudo de como a mesma é capaz de seduzir e ludibriar milhares de pessoas. Na verdade a figura do ditador não é admirada pelo suposto traço de certeza que transparece, mas justamente pela coragem do mesmo de viver todas as suas pulsões ou instintos sem limites. Há uma grande semelhança com o perverso neste ponto, na verdade, não há um tipo puro, todos em muitos casos se tornam híbridos. Sinto-me profundamente injustiçado quando sou acusado de politizar a psicologia, penso que o problema não é politizar a mesma, mas garantir o não mercantilismo no terreno psíquico, pois é notório como reproduzimos via consciente e inconsciente todos os ditames de mercado da época em que vivemos. Consumo desenfreado e irracional é idêntico a fome insaciável de gozo do perverso, só para citar um exemplo. A questão final que temos de lidar é o que fazer, ou melhor, como se defender da chamada neurose atual. A antropologia poderia nos dar alguma pista neste sentido, pois se pensarmos nos povos primitivos, o conflito, o contato com o inconsciente era de exclusividade do chamado xamã, figura mística da tribo que encarnava todos os anseios coletivos. O problema de nossa atualidade é que não existe mais essa proteção ou espaço confinado, todos acabam vivenciando esse espaço consciente e inconsciente altamente perturbador e fora de controle, e como única saída parece que só sobra o lado material como compensação pífia de toda essa ansiedade e insegurança vivida pelo homem contemporâneo. Não custa repetir o que já disse exaustivamente em outros trabalhos, ou realmente partimos para uma relação de intensa amizade com o intuito de salvarmos o outro e a nós mesmos, ou o que restará será apenas metáfora, sonho e ilusão de uma satisfação perversa e polimorfa, desprovida de um senso de companheirismo e prazer real.

O TIPO AUTOPUNITIVO....


Sobre o tipo autopunitivo todos reconhecem bem suas características: sofrimento pleno no transcorrer das diversas passagens de sua vida, ultra solidariedade com os mais desafortunados, não permitindo que seja merecedor de qualquer desenvolvimento ou prazer, deve seguir a horda dos despossuídos de autoestima, teme totalmente despertar a inveja perante sua pessoa, se esconde completamente de qualquer posição de poder ou destaque, ritualismo, normas e obsessividade são seus padrões corriqueiros de comportamento. Na verdade o maior pavor deste tipo é similar ao da timidez, medo da crítica, a diferença é que o tímido possui melhor mecanismo de defesa, tipo o bunker econômico que construiu. No autopunitivo a carga é direta, sem nenhum escudo. Podem ter ocorrido traumas de infância, ou pouco reforço na sua imagem de ego, mas independente de tais fatores seu olho clínico sempre foi o de compartilhar a miserabilidade psíquica alheia. Notem que tal caráter vai completamente à contra mão de nossa estrutura social de egoísmo e insensibilidade. O importante é cumprir todas as normas para evitar o terror de ser notado. A psicanálise explica tal caráter como à angústia da castração, se sentir subtraído de um atributo ou poder maior. O famoso psicólogo francês JAQUES LACAN, introduziu neste aspecto, o conceito da fase do espelho, onde a criança em determinada fase de seu desenvolvimento se reconheceria como objeto único, separada de qualquer complemento materno, não se veria mais em partes. Pois é justamente nessa fase que solidificamos uma crença sobre nosso potencial. Embora não seja seguidor de tais conceitos, notei que muitos relatos de pacientes acerca de quando se deu sua percepção que era único neste mundo, vinham acompanhados de dois sentimentos incrivelmente opostos; ou se achava hiper valorizada, com intensos sentimentos de grandeza e poder do que poderá ocorrer em seu futuro, ou uma angústia e decepção paralisantes, sentidas por uma frustração perante sua imagem.Tais episódios nada mais são do que a origem genética do conceito de ALFRED ADLER sobre complexo de superioridade e inferioridade, assim sendo, o tipo descrito navega quase sempre no segundo, negando por completo o primeiro. Mas porque seu não merecimento ao desejo de superioridade? Além de problemas descritos com auto imagem, é um repúdio contra as responsabilidades que uma posição superior desencadearia. O autopunitivo esgotou toda a sua energia no privado, doméstico, não sobrando nada para sua vaidade social positiva. É como se tivesse feito uma maratona pela manhã e a tarde não tem mais empenho para nada. Já cumpriu suas tarefas, então deseja descansar ou se retirar, pois do contrário deverá lidar com a vergonha, outro terror para o mesmo. Esse último sentimento é motivado não por fatores reais, pois na maioria das vezes a pessoa sabe muito bem que têm seus encantos, o ponto básico é a necessidade do luto constante. O autopunitivo é uma espécie de carpideira a cada receio ou ameaça de liderança ou poder pessoal. Novamente na contra mão do que vemos regularmente. Mas então concluímos que todos devem almejar ao poder? Não necessariamente, a questão é a economia de sentidos e prazer, resistir em ser ou trocar a fundo seu real valor, pois incrivelmente o medíocre não tem vergonha de nada, se expõe ao ridículo apenas para angariar a atenção, ao contrário do autopunitivo, que retém sua energia, se transformando num avarento psíquico contra si próprio.

O TIPO TÍMIDO....


Em contrapartida ao tipo psicológico PERVERSO, descrito temos o TÍMIDO, toda a ousadia do primeiro é totalmente negada no segundo; ao contrário do outro o tímido odeia desafios, principalmente quando sente que os mesmos serão um teste para sua auto-imagem, teme profundamente ser rejeitado, e não tem confiança alguma em seu potencial afetivo ou de conquista. Descrevi este tipo detalhadamente no decorrer de meus outros textos. O tímido tenta tirar lucro de sua não participação, conhecendo e sendo um bom ouvinte do outro e retendo totalmente a fala sobre si próprio. O histórico dessa patologia remete a diversos fatores constitucionais: falta de um ambiente familiar mais caloroso e afetivo, não reforço dos pais em relação aos ganhos pessoais da criança, e principalmente uma imagem depreciativa de seu lado físico e afetivo. O tímido acredita ser incapaz de despertar a atenção alheia quando o tema central é sua pessoa. O fato que mais marcou minha atenção no estudo durante anos sobre tal tipo é algo que talvez não fosse muito percebido pela psicologia, a canalização de toda a energia reprimida das áreas citadas para a esfera material. É impressionante como comecei a notar que quase todo tímido era tremendamente bem sucedido na questão econômica, e achava um tanto estranho, já que a falta de sociabilização poderia ser um obstáculo para seu progresso. Mas tudo faz um tremendo sentido num mundo onde pouco importa vínculos, e sim máquinas, cálculos ou informática, o tímido é o senhor supremo do impessoal, sabe tirar um proveito mágico desse atalho que a sociedade oferece. Torna-se um cidadão exemplar, exatamente para jamais ser alvo do que mais teme que é a crítica.Na verdade voltando a falar de espelhos da sociedade o tímido representa uma parte de nossa era, abdicação da emoção e motivação genuína, em troca rotina e caráter metódico. Cumprem perfeitamente todas as convenções sociais, seu núcleo é estar constantemente protegido, seja pelo lado econômico ou por se diluir na multidão solitária. Seu preço obviamente é a falta constante de uma inspiração criativa, que deleite seu sentido de vida. O tímido pode ser encarado como aquele personagem descrito por WILHEM REICH em seu famoso livro “escute Zé ninguém”, como o homem moderno, submisso por completo aos ditames sociais, sem prazer verdadeiro, mero personagem, nunca diretor de sua peça de vida, o medo reina absoluto em seu cotidiano, acho que não preciso dizer mais nada. Sobre a questão política colocada por REICH, o mesmo enfatizava que era o homem comum quem verdadeiramente impedia qualquer tipo de transformação. O que a maioria dos psicólogos sociais e sociólogos não perceberam é que a entropia do movimento político não se deu apenas pelo fim do chamado estado socialista, está é apenas uma parte do problema. Na cena brasileira após o estado repressor assistimos o surgimento do totalitarismo do estado jurídico, sendo assim qualquer transgressão como greves ou coisa do tipo não só é punida com pesadas multas aos sindicatos, mas também a aniquilação de lideranças com sucessivos processos judiciais contra os mesmos, e numa sociedade em que ninguém tem disponibilidade de tempo para nada, tal medida é fatal contra qualquer rebelião. Percebam que se pensarmos no histórico de alguns movimentos, não era a ditadura que era temida, pelo contrário, era honroso lutar contra a mesma, fora o lucro político de tal fato, se não me engano boa parte de nossos políticos atuais foram militantes contra a ditadura. O estado sabe muito bem que uma tirania será quase de imediata respondida com ódio, seja a guerrilha ou protestos, mas a burocracia não, pois a função da mesma é justamente sufocar qualquer espírito. Estou dizendo isso, pois tal fenômeno explica a verdadeira timidez social em termos de qualquer mudança, tudo é imposto, e o indivíduo está desaparecendo nessa neblina burocrática, o resultado é o que já pontuei em outros textos, a transferência de um protesto social para transtornos psicológicos, obviamente que não estou explicando a origem destes apenas por tal evento, mas é parte de seu alicerce. Não apenas a célebre frase de JOHN LENNON (“não confiem em ninguém depois dos trinta”), mas, principalmente a motivação e vontade morrem talvez após essa idade, e o que sobra é a busca de um conforto material paralisante e recheado do mais puro vazio, e todos sabem disso, mas estão completamente viciados, e vamos “tocando a vida”, esse é o fato. O incrível é que esse estado de direito impositivo burocrático acabou por ser a própria salvação da psicanálise, nunca a mesma esteve tão em voga, justamente pelo excesso de proibições na esfera pessoal, ou seja, o clássico conceito da repressão, chave mestra da teoria citada nunca andou tão em moda.

COMO DESVENDAR NOSSO DESTINO? Se refletirmos sobre o sentido da vida, logo perceberemos que se trata da discussão mais antiga da humanidade. O debate se torna polêmico ao falarmos de um destino estabelecido, gerando todo um componente místico sobre o assunto. Gostaria nesse estudo de enfocar os aspectos psíquicos do tema, abstraindo por completo qualquer aspecto de natureza religiosa; pois caso contrário, estaria preso numa única corrente de pensamento. O fato é que nenhum ser humano escapa de refletir sobre suas metas ou o sentido que outorga à sua existência, e caso esse processo não seja efetuado, sobrará tão somente um imenso vazio pessoal e existencial. Em nossa realidade social marcada principalmente pela competição econômica, qualquer menção a palavra destino é imediatamente relacionada ao poder, status e prestígio social;sendo que a pessoa que não obter tais metas nem pode ousar tentar traçar seu rumo, devendo se resignar com todo o tipo de carências pessoais e sociais.Apesar dessa exclusão forçada por determinados modelos impostos, gostaria de ressaltar a primeira conclusão acerca deste estudo sobre o destino:"Todas as nossas amizades, relações pessoais ou profissionais, parceiros afetivos, são nada mais do que o espelho de nossa alma e meta de vida que estamos atraindo e buscando". Nunca foi necessário qualquer método bizarro de análise pessoal para desvendarmos nossos rumos, basta olharmos ao nosso redor que encontraremos quase que todas as respostas para nossos acontecimentos e eventos que cercam nossas vidas. Talvez para algumas pessoas seja difícil tal percepção, em virtude de uma tendência para a vitimização e autocomiseração. Há uma norma em quase toda a psicologia, de se buscar explicações no longínquo em detrimento da proximidade do sujeito. Quase sempre estamos reproduzindo no âmbito pessoal elementos da esfera coletiva. Qualquer escola de psicologia cometerá um gravíssimo erro, ao tentar desvendar o sentido da vida de um indivíduo sem levar em consideração determinados eventos sociais que afetam a personalidade. A única coisa nova que pode surgir em nossa sociedade é a não reprodução do jogo da exploração social à que todos estão submetidos, causando toda a miserabilidade afetiva de nossa era. É dever do psicólogo reunir todas as imagens contidas no psiquismo do paciente, que nada mais são do que o reflexo de toda a sua relação social;e que papel ocupam em ditas relações:superioridade, inferioridade, inveja, ambição ou necessidade de compartilhar. A própria criatividade é a prova máxima da divisão de alguma riqueza interior, que se coloca a disposição de outras pessoas, causando uma sensação de redenção ao criador da obra, pois a essência de toda a arte é a transformação do sofrimento individual em uma mensagem de esperança e perseverança para alguém que ainda não conseguiu enxergar as coisas de uma maneira profunda e introspectiva. Voltando a temática de como nossos relacionamentos expõe nosso destino, gostaria de citar um exemplo ocorrido em terapia. O paciente tinha cerca de quarenta anos e sua problemática girava em torno da extrema timidez e solidão. Sabotava qualquer tipo de contato social, seja no ambiente de trabalho ou nas relações pessoais. O fato que me chamava bastante atenção era sua pontualidade e comparecimento constante à terapia, já que este tipo de paciente costuma fugir de qualquer tarefa social. Determinado dia o paciente me contou que havia recebido um telefonema de uma pessoa que não conhecia,e embora fosse uma ligação por engano, a pessoa que lhe telefonou começou a contar detalhes extremamente pessoais;como a perda do marido, a doença do pai, sua extrema carência sexual dentre outros. A conversa se desenrolou por horas, sendo que o paciente anotou o telefone da pessoa para em outra ocasião continuar o diálogo. Após alguns dias quando retornou a ligação, descobriu através de outra pessoa que realmente havia alguém com tal nome naquele número, mas havia falecido acerca de dois anos. Quando o paciente acabou de contar dito relato, não me senti inclinado a uma percepção metafísica do fato, mas tive uma sensação extremamente forte de que o mesmo havia conversado consigo mesmo acerca de seu futuro;sendo que naquele momento se projetou toda uma cena de como seria a vida do mesmo num futuro próximo;já que a mulher era mais velha e tinha um histórico incrivelmente similar ao do paciente. Quando relatei minha percepção o mesmo entrou em estado de choque, pois foi capaz de visualizar que todas as pessoas que conheceu, representavam pedaços de sua personalidade que nunca tinham sido conscientizados pelo mesmo;sendo que havia sempre uma tendência para reviver tais experiências ou encontrar o mesmo tipo de pessoas que conhecera no passado.FREUD chamou esse processo de "compulsão à repetição"; que denominava como uma carga neurótica que o sujeito carregava e sempre se repetia até elaborar tal conteúdo reprimido. CARL GUSTAV JUNG, um dos primeiros psicólogos a romper com as teorias de FREUD, deu o nome de "sincronicidade" para tal processo, e este seria definido como uma série de eventos similares que não tem uma relação prévia de causa e efeito, mas que possuem uma relação no psiquismo coletivo da humanidade. Assim sendo, esse psiquismo citado funcionaria como uma espécie de antena que captaria vivências similares em pessoas desconhecidas, que tem relação com as experiências vividas pelo sujeito. Nossas relações sociais expõem constantemente elementos inacabados de nossas vivências pretéritas, e é nesse ponto que surgem os maiores problemas de relacionamento. Se pensarmos na questão do casamento ou relação afetiva, teremos a prova do descrito acima. Alguém que lide com casais por determinado tempo, logo descobrirá que cada parceiro é uma espécie de terapeuta forçado para o outro, revelando todos os pontos cegos da pessoa. Quando uma esposa se queixa da ausência do marido por exemplo, sempre por detrás desse real e infeliz acontecimento, surge a urgente necessidade de maior independência, crescimento e autonomia da mulher, embora a mesma só consiga visualizar sua necessidade e carência sentida na relação. Um relacionamento do tipo descrito sempre será um constante foco de tensão e atrito, pois ambos diariamente revelarão o que está subdesenvolvido em seu parceiro. A reflexão central sobre este assunto é se estamos ou não preparados de fato para desfrutar do imenso gozo e prazer de uma relação, ou se a mesma permanecerá uma eterna terapia incompleta de nossos sonhos perdidos. Obviamente deveria ser um prazer ter alguém que nos mostre o que nos falta, mas como fomos treinados para a competição, total individualismo e orgulho, acabamos por recusar tal dádiva. Se pretendermos realmente desvendarmos nossos destinos, temos de refletir sobre quais as emoções que mais orbitaram em nossas vidas: raiva, carência, mágoa, rejeição, amor, segurança, confiança dentre outras. A somatória das mesmas será a pista mais fiel sobre nosso futuro pessoal e profissional. A análise do tipo de pessoas que nos cercam, como foi descrito anteriormente é um elemento extremamente confiável para averiguarmos a essência de nossa alma que tantas vezes temos receio de enxergar. O fato é que a maioria dos seres humanos de nossa época preferem se confrontar com todo o tipo de emoções negativas e relacionamentos medíocres; evitando a dor profunda da solidão, que aliada ao vazio de nossa época se torna insuportável. A solidão revela ainda toda a fragilidade de um ser humano desamparado e o remete diretamente ao mais aterrorizante de todos os dilemas, a morte, pois tentamos a negação da mesma por todas as vias possíveis, negando todo o processo da natureza, como se fosse possível nos separarmos desta última. Como já foi dito milhares de vezes, quem teme a morte em última instância teme a vida. O medo da análise de nossa própria personalidade é a tentativa desesperada para não rompermos situações ou relações que nos causam imenso sofrimento. O apego é o elemento mais destrutivo e corrosivo da natureza humana, criando no indivíduo uma existência fictícia, o inferiorizando para lidar de modo direto com o princípio da realidade. O apego é uma tentativa absolutamente neurótica da negação da morte em todos os sentidos, e se a pessoa construiu uma idéia totalmente irreal de que as coisas jamais deverão se extinguir, a conseqüência lógica é o total descompromisso com o desenvolvimento e mudança;pois se há a ficção da eternidade, o resultado só pode ser uma acomodação mórbida no sofrimento diário vivido pela pessoa. Enfim, deveríamos refletir sobre o quanto estamos dispostos a investir na mudança, se seremos sujeitos passivos de determinadas emoções arraigadas, ou se estamos dispostos a conduzir nossas vidas para um rumo extremamente diferente do que estamos acostumados a sentir diariamente. A coragem está totalmente ligada à percepção e vontade.

psicólogo

terapeuta de casais e familia.

antonio c. a. araujo

quarta-feira, 10 de março de 2010

PARA NOS RELACIONARMOS COM O PARCEIRO SE FAZ NECESSÁRIOS OBSERVARMOS SUAS QUALIDADES E TAMBEM SEUS DEFEITOS....


Os antigos acreditavam que o coração era o órgão responsável por nossos sentimentos e emoções. Hoje sabemos que é no cérebro, mais especificamente na região chamada amígdala, que eles se processam. Se as pessoas soubessem mais sobre esse assunto, muitas brigas e conflitos afetivos seriam evitados.Hoje está claro, por exemplo, que, ao colocar intencionalmente a atenção em alguma coisa, aumentamos o significado que ela tem para nós. Assim, se durante muito tempo damos excessiva importância aos problemas que não resolvemos, o cérebro valoriza-os, ao mesmo tempo em que diminui o registro daqueles que foram solucionados. Isso faz com que nos sintamos sobrecarregados e evitemos pensar no assunto, deixando crescer ainda mais a lista dos problemas sem solução. Conclusão: ficamos cada vez mais deprimidos e fragilizados.Por outro lado, se colocamos a atenção nos problemas que resolvemos, o cérebro torna isso mais significativo. Nossa autoestima e nossa autoconfiança aumentam e ficamos estimulados a resolver problemas em lugar de evitá-los. O ideal, portanto, é equilibrar a atenção que dedicamos às coisas. O que isso tem a ver com amor? Tudo.Quando conhecemos alguém que nos interessa, colocamos atenção em suas qualidades, nas coisas que acreditamos ter em comum, enaltecemos tudo que a pessoa faz por nós. Em contrapartida, damos atenção mínima aos seus pontos negativos e negamos as diferenças que tem conosco. Em outras palavras, o idealizamos. Com o tempo, a realidade se faz presente e a idealização não se sustenta. Aí começam os problemas. Sentimos-nos traídos, enganados.A verdade é que nosso cérebro distorceu nossa visão. Ao cair na real, cometemos outro erro: passamos a depositar atenção dobrada nos defeitos da pessoa e nas diferenças que tem conosco, eliminamos seus pontos positivos, negamos o que temos em comum - parece que o antigo amor-perfeito agora só faz coisas que nos aborrecem e por isso desejamos nos afastar.Imagine, leitor, o inferno em que se transforma a vida do casal. Fica difícil fazer com que um entenda que o outro não pretende magoar ou aborrecer, que a mágoa e a dor podem ser fruto do significado que um dá ao comportamento do outro. Significado esse que teria menos importância se fosse entendido como parte da pessoa e não o todo.As coisas seriam mais fáceis se nos empenhássemos em colocar atenção igual no que o outro tem de positivo e de negativo. Teríamos uma visão mais equilibrada, seríamos mais justos, mais tolerantes.Uma forma de alcançar essa habilidade é valorizando os aspectos positivos toda vez que aparecem. E fazer isso com forte intenção. Boa ideia é preparar uma lista das coisas positivas que se percebe no outro ao longo de um dia. Como o cérebro registra melhor o que escrevemos com nossa letra, vale a pena usar as mãos. Tente também brincar com o assunto. Faça um abecedário de coisas bacanas que vê no parceiro - Apoio, Bondade, Carinho... - e depois convide-o a fazer uma lista das qualidades que vê em você. E comparem o que escreveram. Pode ser divertido e produtivo. O objetivo é manter o foco nas virtudes do outro, pois a primeira coisa que fazemos quando ele nos aborrece é esquecê-las.
* Rosa Avello, psicoterapeuta na capital paulista,