quarta-feira, 17 de março de 2010

DICAS PARA ESTIMULAR A NOSSA CRIATIVIDADE!!!!


Segundo o psicólogo cognitivo Robert J. Sternberg, a criatividade pode ser definida como "... o processo de produção de algo que é original e de valor" (2003). A criatividade é toda sobre encontrar novas maneiras de resolver problemas e situações que se aproxima. Esta não é uma habilidade restrita a artistas plásticos, músicos e escritores, é uma habilidade útil para pessoas de todas as esferas da vida. Se você sempre quis para impulsionar sua criatividade, essas dicas podem ajudar.
1. Comprometer-se ao desenvolvimento de sua criatividade
O primeiro passo é se dedicar integralmente ao desenvolvimento de suas habilidades criativas. Não adie seus esforços. Metas de Setembro, recorrer a ajuda dos outros e pôr de lado tempo cada dia para desenvolver suas habilidadeS
2. Torne-se um perito
Uma das melhores maneiras de desenvolver a criatividade é se tornar um especialista nessa área. Por ter uma rica compreensão do tema, você será mais capaz de pensar de novo ou de soluções inovadoras para os problemas.
3. Recompensa sua curiosidade
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Um obstáculo comum para desenvolver a criatividade é o sentido que a curiosidade é uma indulgência. Ao invés de repreender a si mesmo, recompensar-se quando você está curioso sobre algo. Dê a si mesmo a oportunidade de explorar novos temas.
4. Perceber que a criatividade é a sua própria recompensa vezes
Enquanto recompensar a si mesmo é importante, também é importante para desenvolver a motivação intrínseca. Às vezes, a verdadeira recompensa da criatividade é o processo em si, não o produto.
5. Esteja disposto a assumir riscos…
Quando se trata de construir a sua criatividade, você precisa estar disposto a correr riscos a fim de avançar suas habilidades. Apesar de seus esforços não podem levar ao sucesso de cada vez, você ainda será impulsionar o seu talento criativo e as habilidades do edifício que irá atendê-lo bem no futuro.
6. Construa sua confiança
Insegurança em suas habilidades podem suprimir a criatividade, que é por isso que é importante para criar confiança. Tome nota dos progressos que você tenha feito, recomendo seus esforços e estar sempre à procura de formas de recompensar a sua criatividade.
7. Faça a tempo para a criatividade
Você não será capaz de desenvolver seus talentos criativos se você não dar tempo para eles. Agenda algum tempo cada semana para se concentrar em algum tipo de projeto criativo.
8. Superar as atitudes negativas que o Bloco Criatividade
De acordo com um estudo de 2006 publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences, humores positivos pode aumentar a sua capacidade de pensar criativamente. Segundo o Dr. Adam Anderson, autor sênior do estudo, "Se você está fazendo algo que exige que você seja criativo ou estar em um think tank, você quer estar em um lugar com bom humor." Foco na eliminação de pensamentos negativos ou auto-críticas que possam prejudicar sua capacidade de desenvolver fortes habilidades criativas.
9. Fight Your Fear of Failure
O medo de que você pode cometer um erro ou falha em seus esforços pode paralisar seu progresso. Sempre que você encontrar-se abrigam tais sentimentos, lembre-se que os erros são apenas parte do processo. Enquanto você pode ocasionalmente tropeçar em seu caminho para a criatividade, você acabará por atingir suas metas.
10. Brainstorm de idéias inspiram Novo
Brainstorming é uma técnica comum em ambientes acadêmicos e profissionais, mas também pode ser uma poderosa ferramenta para desenvolver a sua criatividade. Iniciar suspendendo seu julgamento e auto-crítica, em seguida, começar a escrever as idéias e as possíveis soluções relacionadas. O objetivo é gerar tantas idéias quanto possível em um período relativamente curto de tempo. Em seguida, se concentrar em esclarecer e refinar suas idéias, a fim de chegar à melhor escolha possível.

NÃO ACREDITA NO AMOR,POR MEDO DE SOFRER...


Tornei-me uma pessoa que não acredita no amor. Talvez por nunca ter encontrado alguém que me amasse de verdade. Aprendi a me amar e amar os animais mas, em relação aos homens, esse sentimento não brota mais. Já me apaixonei várias vezes e só sofri com isso.

Meu namorado me faz acreditar que não vale mesmo a pena perder tempo sofrendo por ninguém. Que não se deve esperar nada. Só que eu não consigo me separar dele. Traio e fico feliz com a traição. Não corto a relação, não me liberto.

Desejo ser livre, conhecer homens apenas para me divertir, sem compromisso, sem me apegar… Só que tenho medo de ficar sozinha.Como faço para realizar o desejo de ser livre??????

betty milan responde...

Ter se apaixonado não quer dizer ter amado. O mais provável é que você não tenha amado ninguém de verdade. Inclusive você própria. Se você se amasse verdadeiramente, não ficaria com um homem de quem não espera nada e que você tem prazer em trair, ou seja, com quem mantém uma relação sadomasoquista. Você faz dele um corno - mas, por outro lado, fica com um homem que você desvaloriza, se torna vítima da vingança. É a história do feitiço que se volta contra o feiticeiro.

Você não se liberta porque não pode abrir mão do gozo sadomasoquista que a relação atual propicia. Em outras palavras, se deixa escravizar por este gozo, do qual precisa se libertar se quiser passar para outra, se quiser trocar de pele.

Agora, para que outra você quer passar? Parece que a sua proposta é a do libertino, que faz pouco do amor e sobretudo não quer se apegar. Contudo, na prática, a proposta frequentemente não se realiza. O libertino acaba se envolvendo. Um bom exemplo disso é o romance de Laclos, Ligações Perigosas. Você pode ler ou assistir ao filme - de tão bom, o texto teve mais de uma adaptação para o cinema.

O libertino se envolve porque o amor é a nossa vocação primeira, a vocação dos mortais. Faz a eternidade soar e assim suspende a morte. Nada nos satisfaz mais. Daí talvez o poema de Drummond:

Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar?
Amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar
Sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Por Betty Milan
revista veja

A FELICIDADE DO ENCAIXE AMOROSO...


Nada provoca nas pessoas maior sensação de felicidade do que o encaixe amoroso. Por outro lado, nada provoca no ser humano maior pavor do que a felicidade. E ao se aproximar o encaixe amoroso, as pessoas sujeitam-se a qualquer negócio para se afastar, porque a sensação de felicidade, plenitude, completude e harmonia é tamanha que o indivíduo passa a ter certeza de que, no mínimo, um raio cairá sobre a sua cabeça e ele, seguramente, morrerá. E a sensação é essa mesma, é fortíssima; quem ainda não a sentiu é porque não chegou perto da felicidade; ao chegar, verão que isso é absolutamente verdadeiro, não é uma hipótese, é um fato. É um medo difuso, uma iminência de catástrofe responsável pela existência milenar dos rituais supersticiosos; e o medo da felicidade é a sua causa: pessoas batendo na madeira e fazendo "figas" quando estão muito felizes. Se não houvesse medo não existiria esse ritual de proteção da "ira dos deuses" – parece que até eles se enfurecem quando estamos muito felizes. Tememos a nossa destruição pelos invejosos. E todo o conceito de "olho gordo" também se fundamenta e vem à tona nesse medo da felicidade. Sentimos que não temos estrutura para suportar tudo o que temos e que, certamente, algo de ruim nos acontecerá. Com isso, nós mesmos malogramos nossa felicidade; antes que os deuses "nos matem", destruímos sozinhos aquilo que nos está dando tanta alegria!

Essa é a grande causa da maior parte das brigas e dificuldades entre as pessoas que se amam demais e se entendem muito bem; sempre inventam um problema para ficar na dúvida se devem ou não ficar juntas. Não havendo obstáculos externos, quando jovens e decidem se casar, um sempre acaba falando ao outro: "Não sei se estou pronto, se quero, se já é hora", etc.; começa-se a procurar "pêlo em ovo". Quando demoram mais na decisão de se casar, aumenta a chance de ser um bom casamento! Uma mau casamento pode ser decidido em três dias. Na verdade, o problema é "apenas" o medo da felicidade manifestando-se e, por vezes, bloqueando a sexualidade principalmente nos homens, o que é muito fácil, pois o homem é um animal fraco e meio assustado.

O medo da felicidade implica atraso na coragem de as pessoas se comprometerem e errarem na escolha (assim, não correrão o risco de "morrerem destruídas por um raio"). Se o ficar rico redunda em muita felicidade, é preferível ficarmos pobres, porque assim "garantiremos a nossa sobrevivência". É dessa forma que aparece psiquicamente a questão do medo da felicidade. E temos de tentar entender a sua origem; creio que está ligada ao trauma do nascimento e, portanto, é uma coisa dificílima e sem "cura". Não conheci ninguém sem esse medo.

Sem dúvida, existem pessoas com menos medo; e elas são os nossos ídolos – dotadas de uma incrível coragem em todos os níveis, até no profissional. Mas aí, ao serem bem-sucedidas nessa área, destroem o sentimental. Quero ver as pessoas felizes e também que tudo lhes dê certo, porque dar certo no sentimental e ficar pobre é fácil. Quero que o indivíduo consiga tudo o que for bom para ele sem entrar em pânico, nem ter de "negociar" com os deuses, fato este curiosíssimo; sim, porque são negociações exatamente como as salariais: "Tenho isso, então dou aquilo; abro mão daquele outro; sustento meu irmãozinho vagabundo porque assim apaziguo a minha culpa de ter as coisas que tenho". E assim todos vão negociando sempre para aplacar a "ira dos deuses".

De uma forma ou de outra, nosso cérebro registrou a fase da simbiose uterina como um período de harmonia – talvez sem contratempos – quando comparado com o que acontece depois do nascimento. O primeiro registro cerebral é a harmonia e o segundo é a sua dramática ruptura: o nascimento, que é o grande trauma, tão bem descrito por Otto Rank – na minha opinião, um dos psicanalistas mais importantes. Sempre que se chega a uma sensação de harmonia parece que se ativa a lembrança em algum lugar do cérebro que nos assusta. Agora, não é mais o nascimento, é a morte. A destruição parece que se torna iminente sempre que a situação está muito agradável.

Volto a dizer: nada provoca uma sensação de medo mais forte que a felicidade amorosa, até por ser o que mais se parece com a simbiose uterina e, portanto, com a origem do próprio fenômeno, do medo da felicidade. A sensação de paz representa o útero. Se tudo estiver bem, evidentemente a próxima sensação é a de que algo horrível acontecerá e destruirá a paz.

Todo o pensamento místico e religioso acabou por reforçar isso terrivelmente com concepções ligadas à idéia de que o prazer e a felicidade são pecados, ou, pelo menos, não são grandes virtudes; mas o sofrimento, o sacrifício e coisas desse tipo o são. Portanto, quando o indivíduo está feliz, além de ter o medo da felicidade – e, conseqüentemente, essa sensação desagradável de iminência de tragédia –, também começa a se sentir em pecado. E esta sensação parece aumentar as chances de real punição, não só pela inveja dos humanos, mas também pela "ira dos deuses".

Para mim, esse é o grande obstáculo para se atingir a felicidade e está sendo subestimado. Não há solução absoluta para isso: a consciência – saber que tais mecanismos existem e que quando está tudo bem tendemos a fazer bobagens – é fundamental. Quantas vezes não ouvimos: "Está tudo bom, mas estou com medo de que não vai durar". O que isto significa? Eu mesmo já não estou agüentando tanta felicidade e tomarei uma providência para liquidar esse bem-estar, me autodestruir.
Hoje em dia, quando tenho um pensamento desse tipo, imediatamente penso: "O que é que vou fazer por não estar suportando tanta felicidade?" Eu me interdito, quer dizer, me impeço de fazer qualquer coisa que fuja da minha rotina básica, e se o fizer será destrutivo. Estou prontinho para cometer um erro, porque estou muito bem! E isso reativa um reflexo condicionado profundo e difícil de ser desfeito totalmente.

Enfim, termino reforçando um elemento, digamos assim, mais geral e mais teórico. A verdade é que nestes 100 anos de desenvolvimento da psicologia, as questões do amor e do casamento em nada evoluíram. As pessoas continuam pensando muito mal sobre o assunto, além de desinformadas. Foram muito mais bem informadas sobre a questão sexual do que sobre a questão romântica. A desinformação grassa e um amontoado de idéias, na minha opinião, duvidosas – pelo menos não-provadas – abundam, as quais, insisto, deveriam ser banidas do nosso pensamento. Conjeturas que não podem ser confirmadas ou infirmadas são um perigo para o pensamento; deixam-nos em uma situação meio sem saída. Elas passam a ser uma questão de fé e a ciência não pode viver de questões de fé. Bons conceitos têm de levar a bons resultados, caso contrário, é porque não são bons. Quando teoria e prática não combinam, tem de valer a prática. E na nossa especialidade, muitas vezes tem valido a teoria, que é o que não nos interessa; só se ela chegar a algum resultado prático, concreto, útil e de val
or.
texto do livro "vida a dois"
dr.f´lavio gikovate.
psiquiatra e psicanalista.

UMA ANÁLISE SOBRE A RECEPTIVIDADE DA MULHER EM RELAÇÃO AO SEXO....


A Mulher Está Mesmo Sempre Receptiva Para o Sexo

Tenho um pouco de medo das comparações que costumamos fazer entre o que observamos em outros animais e em nós. As semelhanças existem, é claro. Acho, porém, que devemos dar maior ênfase às diferenças, pois são elas que definem cada espécie. Assim, costuma-se dizer que as mulheres, dferentemente de outras fêmeas, vivem num cio permanente. Vamos refletir um pouco sobre esta questão palpitante.

As fêmeas dos mamíferos superiores entram no cio quando estão ovulando, ou seja, quando estão disponíveis para a fecundação. O subproduto de hormônios femininos fazem surgir odores especiais na urina delas; estes são captados pelos machos daquela espécie. Ao dectarem o cheiro peculiar ficam excitados e partem em disparada na direção daquela fêmea que o está exalando. Disputam com outros machos a primazia da cópula que, ao ocorrer, dá início ao processo que interrompe o ciclo reprodutor da fêmea. Assim, percebemos que as fêmeas das outras espécies estão disponíveis e atraem os machos apenas durante o período de fertilidade, ou seja, durante o cio.

Nas comparações que fazemos ao estudarmos o tema em nossa espécie, fica claro que as mulheres atraem os homens durante todo o ciclo menstrual, inclusive durante a menstruação. Se analisamos o caso do ponto de vista do desejo que elas despertam nos homens, podemos pensar que vivem um cio constante, visto que as outras fêmeas só atraem os machos durante esse período específico. Este seria um modo muito incompleto de analisar a questão, além de me parecer um tanto curioso tentarmos pensar sobre o que acontece com uma mulher apenas por aquilo que ela desperta nos homens. Dizer que a mulher vive no cio me parece uma visão masculina e, até certo ponto, machista.
Temos que nos ater ao outro lado da questão, que é o que acontece com a mulher. O fato de o desejo sexual, na nossa espécie, ser intermediado basicamente pela visão faz com que a mulher apareça como interessante sexualmente ao olhos dos homens o tempo todo. Isto não quer dizer que ela se sinta disponível para a intimidade sexual durante todos os dias do mês. E mais: mesmo se pode ter relações a qualquer tempo, não quer dizer que não existam dias do ciclo nos quais se sinta mais excitada. Não é mesmo impossível que estes dias de maior disponibilidade coincidam com aqueles da ovulação. Uma coisa é a mulher despertar o desejo do homem o tempo todo e outra coisa é ela estar o tempo todo com a mesma disposição para o sexo.

Insisto em que isto não nos permite nenhuma conclusão a respeito do que as mulheres sentem a respeito do assunto. Como a norma tradicional e nossa cultura sempre foi a de que cabe os homens a iniciativa sexual, sendo que até há pouco tempo não era dado à mulher o direito de recusa, é claro que nunca se questionou com seriedade o que, de fato, acontece com ela.

Não é impossível que muitas mulheres vivenciaram sentimentos de incopetência sexual por não estarem sempre com um desejo equivalente ao que despertavam em seus companheiros. É claro que muitos homens se sentiram rejeitados injustificadamente porque não encontraram mulheres disponíveis para eles – para o sexo e não para eles – exatamente naqueles dias em que elas tanto os provocavam e excitavam por sua aparência sensual com maior facilidade porque a dependência prática que se estabelece é muito menor. Inteiros que se aproximam e se amam não se sentem donos do outro pelo simples fato de os amarem. Não existem os direitos de mandar e desmandar no outro apenas porque há o elo amoroso. Inteiros que se sentem insatisfeitos podem ir embora. Esta é a novidade maior, pois não há mais lugar para abusos e dominações.

Assim, sem que tenhamos percebido, a capacidade de conceder que caracteriza as pessoas generosas tem diminuído em virtude de elas poderem ficar melhor consigo mesmas. Passam a pretender parceiros mais delicados, mais preocupados com o direito delas, menos egoístas. Assim, egoísmo e generosidade estão saindo da moda. Sim, porque se o generoso quer que se preste atenção nele e nos seus desejos de ser generoso e está se encaminhando na direção do senso de justiça. Com isto ao haverá mais lugar para o egoísmo que só existe porque há generosidade. O que tem acontecido? Inteiros se aproximam, se “curtem” , estabelecem elos onde há preocupação permanente em agradar o outro ao mesmo tempo que não abrem mãos de seus direitos individuais. A palavra-chave desta nova e mais sofisticada forma de amar é a mesma que sempre e existiu nas amizades: RESPEITO.

DROGAS E CRACK:-ESTUDO PSICOLÓGICO E SOCIAL.


Drogas: crack: Estudo psicológico e social





Este estudo é um guia para a extrema aflição de pais ou responsáveis e amigos de pessoas que viveram ou vivem esta verdadeira tragédia moderna e nada silenciosa diria. Não irei abordar nenhum aspecto médico dos efeitos do consumo da droga, pois não seria minha área, me atendo exclusivamente aos fenômenos psicológicos. Para não perder tempo à essência de dita droga é a aceleração em todos os sentidos, uma espécie de “banda larga” de todas as drogas; o que o álcool ou outros entorpecentes levariam anos para consumir o indivíduo, esta o faz em pouquíssimo tempo. O próprio modo de uso da droga denota seu simbolismo: lata de alumínio, cinza de cigarro, tudo que podemos não apenas considerar lixo, mas ao mesmo tempo diz da frieza e falta absoluta de preocupação com qualquer aspecto da saúde, aliás o que dirá dos efeitos da exposição do alumínio no organismo. O suposto atrativo desta droga é o baixo custo da mesma (cerca de 5 reais a pedra), porém, ledo engano, já que é a droga que mais leva a perdas financeiras por incrível que pareça, pois a pessoa a fuma durante dois, três dias quase que ininterruptamente, pois o efeito dura cerca de dez minutos, então no final das contas é uma falsa imagem de droga barata, pois seu consumo é desenfreado. Na verdade o crack é a loucura potencializada do próprio sistema de consumo que talvez inveje o mesmo, um produto para ser consumido diariamente, apelando de todas as formas possíveis para obtê-lo.



O perfil do usuário da droga passa essencialmente pela solidão, já que boa parte dos usuários gosta de consumir a droga sozinhos, em hotéis ou motéis, a não ser que não tenham recursos para o mesmo, consomem em grupo. A quase ausência de cheiro da droga (levemente borracha queimada), facilita seu uso em quase qualquer local, este é um dos fatores que também ajudou a disseminar tal entorpecente. Inicialmente a droga como disse era consumida quase que por indigentes digamos, (nos estados unidos é conhecida como a cocaína dos mendigos), para após se disseminar em todas as classes sociais; o fato é que guardando as devidas proporções, é uma droga que leva o individuo `a total mendicância, mantendo parece seu rótulo de origem. Diz-se que vários outros tipos de drogas induzem ao uso do crack, tipo maconha e álcool. A afirmação é absolutamente verdadeira, pois se ativa uma euforia que é a base para o início do consumo do crack, adiante irei discorrer sobre esse ponto. O fato é que repetindo o que disse tudo leva a aceleração em nossa sociedade, seja o crack que irá matar mais rápido, anabolizantes, sites de namoro que aceleram os relacionamentos, cortando fases cruciais dos mesmos, cirurgias de estômago para apressar regimes, então se criou também uma droga acelerada em todos os aspectos (dependência e efeitos colaterais).



Alguns pais cujos filhos são dependentes de crack me disseram incrivelmente que um dia gostariam de experimentá-lo a fim de entender tanto amor e dedicação perante a droga. Isto é mais uma prova do devastador poder desta droga, pois ao contrário de outras arrasta quase que todos para seu redemoinho malévolo. O crack é o resto de cocaína misturada com bicarbonato de sódio, amônia e água destilada que resulta nas pedras que são fumadas no cachimbo ou lata; nesta última se amassa a mesma, se coloca cinza de cigarro junto com a pedra, se fazendo orifícios na lata, se acende e a pedra vai se consumindo e o usuário traga a fumaça pelo bocal. É cerca de 6 a 10 vezes mais forte que a cocaína, fazendo o efeito para o cérebro em apenas 15 segundos após a inalação; causa aumento de pressão, suor intenso, aceleração dos batimentos cardíacos, insônia e desnutrição quase que completa. Já é a droga mais consumida na classe média alta, em função de vários fatores (acessibilidade, quase ausência de cheiro e o baixo preço, pois a lei da economia também impera nesse setor, embora como disse seja um falseamento a droga custar pouco).



Os usuários relatam em boa parte dos casos sentirem idéias ou delírios paranóicos que vão ser flagrados consumindo o crack, ou puras idéias de perseguição ou que serão assassinados; tais fenômenos também ocorrem com outras drogas, mas parece que a paranóia é o ponto crucial desta. Outro fator preponderante é que o consumo quase sempre foi motivado anteriormente por um suposto estado de euforia, como se a sensação de felicidade empurrasse o usuário para o consumo do entorpecente. A verdade é que a droga é a tentativa mais tresloucada de perpetuar algo impossível, um eterno estágio de satisfação ou êxtase. Taxativamente digo que o usuário desta e de outras drogas sofre de transtorno bipolar ou a antiga síndrome da dupla personalidade. Por um lado todos notam que são pessoas extremamente amáveis, sedutoras, agradáveis, sendo que todos desejam sua convivência ou companhia. São doadoras por natureza, cordiais, ajudam os mais necessitados e solícitos no infortúnio alheio. Mas a droga rapidamente revela sua outra faceta de crueldade, egoísmo e pouca relevância com o sofrimento dos familiares e amigos. O estado de drogadicção faz com que toda a agressividade latente venha à tona; usando a própria simbologia do crack, é como uma lata que colocássemos dentro do mar para retirar a areia do fundo, no caso todos os instintos caóticos e destrutivos que um ser humano pode vivenciar. A questão social e psicológica pouco debatida em relação aos entorpecentes, não é necessariamente uma droga em questão, mas que a coisa se assemelha ao desenfreado consumo tecnológico, ou seja, qual será a grande novidade de um televisor ou aparelho eletrônico, e paralelamente o que virá após cocaína, crack ou outros entorpecentes? O mecanismo é o mesmo e todos tem de estar atentos para tal fenômeno. Que qualquer droga é nociva já é mais do que um apanágio na literatura médica, a grande questão é o porque sempre determinado problema se reveste de uma capa ou roupa nova; imitação do modelo de consumo é claro.



Qualquer tentativa de tratamento passa inicialmente pela compreensão mais do que profunda que se criou com a droga um deus corruptor, que lhe fornece um prazer onde o preço é inquestionável: a total escravidão psíquica e física da pessoa. Um outro problema muito sério na questão da droga é o conceito da chamada co-dependência. Esta é via régia consciente e inconsciente que mais alimenta pelo lado psíquico a permanência da drogadicção. São os familiares ao redor do drogado que sob a justificativa de estarem imersos no problema, acabam tirando uma vantagem absolutamente neurótica da situação. Necessitam do cuidar do outro como um farol para sua vida que até então estava pacata ou sem sentido. Há uma espécie de pacto com o sofrimento, pois o mesmo desvia todo o foco da atenção de problemas pessoais e existenciais não resolvidos. Quantos pais na vivência clínica que observei atuavam tal fenômeno, principalmente ao vê-los dando dinheiro ao filho mesmo sabendo que o mesmo iria consumir drogas, com a desculpa de evitar que caísse na marginalidade, ou ainda quantos tratamentos não observei serem interrompidos quando se diagnosticou que algum familiar também deveria se submeter a uma psicoterapia. A co-dependência apesar de todo o infortúnio dá vida e preenchimento para aquela pessoa que se encontrava ociosa do ponto de vista psicológico, é também uma posse e apego sobre o outro, sendo a certeza de que apesar de tudo o que está vivenciando poderia talvez adiar o confronto com sua solidão pessoal ou carência, por isso a entrega plena para o problema do filho ou parente.



Outra essência psicológica da co-dependência fica bem evidente: necessidade de regressão a estágios primários ou infantis de cuidado ou amparo por parte do usuário, e reconquista de um poder absoluto sobre a pessoa por parte dos familiares. É um retorno à fase oral no drogadicto com aquele imenso prazer de sucção sentido quando era bebê, acompanhado de um familiar nas necessidades anteriores ou posteriores desse estágio. É imensa a sedução de regredir a uma etapa onde necessitará de cuidado extremo, e do outro lado à sobrevivência do drogado dependerá quase que inteiramente dos responsáveis ou familiares, esse é o traçado exato da co-dependência, voltar ao vínculo de outrora, só que por um lado totalmente trágico ou neurotizado. Sem dúvida a conseqüência de todo esse processo é a doença que se instalará em todos que participam disso.



Mas afinal de contas quais os substratos inconscientes que reforçam a compulsão? Agressividade, solidão, narcisismo, carência, timidez. Fica difícil dizer qual deles é preponderante. Em quase todos os usuários a agressividade e revolta latente sempre foram à tônica de seu psiquismo. A solidão juntamente com a carência forma o repertório psicológico do sujeito; a timidez é sempre freqüente, odiando falar de si próprio, aliás esta última é um ícone da maioria dos usuários do crack ou outras drogas, pois o dito entusiasmo, euforia ou alegria que poderiam ser compartilhados com alguém, são totalmente “privatizados” numa esfera química, compulsiva, doentia e totalmente individualista. O narcisismo também é um grande aliado do problema, sendo que a maioria dos usuários sofre desse distúrbio, seus familiares conhecem muito bem os sintomas: arrogância, prepotência, teimosia, falar demais e escutar pouco, provocações dentre outros. Afora esse histórico narcisista podemos inferir que se vangloriam por sensações únicas que a droga lhes proporciona, uma espécie de xamã às avessas em nosso cotidiano.



O crack sob a ótica psicológica é escolhido principalmente por aquelas pessoas que apresentam um caráter extremamente narcisista como disse, mas o leitor deve se perguntar porque uma droga tão “suja” possa ser referência para tal personalidade? Exatamente pela dialética da questão, alguém com extremo orgulho ou vaidade se lança no mais profundo abismo de perder tudo o mais rapidamente possível, o famoso processo da compensação ou contradição agindo sempre de forma inconsciente. Esse é exatamente o poço de todos que se aventuram em tal empreitada, achando que teriam o controle sobre algo tão macabro, é o erro mais mortal de todos e até ingenuidade, pois se nem com o álcool a pessoa consegue uma parceria equilibrada, o que dirá de algo que é o resto de uma química tão destrutiva. Voltamos ao narcisismo principalmente da juventude achando que poderia desafiar aquilo que não tem nenhuma competência para lidar, essa é outra questão psíquica da droga, se testar, desafiar e depois ficar totalmente preso na armadilha. A conseqüência psicológica mais nefasta que observei nos usuários do crack é a amplificação ao extremo da ansiedade. Mesmo nas raras ocasiões onde se encontram sem o uso, seu comportamental delata a todo o instante dito fenômeno, não conseguindo a concentração e eficácia para qualquer tipo de projeto ou raciocínio, ou seja é uma droga que continua agindo quase que indefinidamente, não importando num dado momento se há ou não o consumo, mas sobretudo a persistência dos sintomas; é um processo um tanto diferente da crise de abstinência alcoólica, onde há a falta mas não existe tanto o efeito, no crack não dá para diferenciar o que é a dita crise e o efeito propriamente, e sempre o condutor disso tudo é a extrema ansiedade. O crack na própria definição de alguns usuários é a “raspa mais profunda de um lixo produzido pelo capeta”, o fato interessante também segundo os usuários é o clima não só de terror ou paranóia descritos anteriormente, mas a imensa carga negativa criada pela droga, já que diversas pessoas morreram brutalmente na cadeia de produção e venda da mesma. Este fato do clima circundante perante a droga é novo e deveria ser objeto de um estudo mais aprofundado.



O drogado sem nenhuma sombra de dúvida é uma pessoa sensível, sendo que a droga era sua esperança de tentar algo diferente, uma ruptura com o horror do tédio diário em nossa sociedade. Além do fracasso de tal meta, há ainda um elemento pior que o mesmo nunca se dá conta, de que sua doença conseguiu até atrair a solidariedade e compaixão de seu meio, o que seria precisamente a cura para qualquer tédio, mas infelizmente a nuvem de entorpecimento em sua percepção não lhe permite que visualize tal fato. Um outro problema em relação aos familiares é o forte sentimento de inveja desenvolvido por alguns irmãos por terem a certeza de estar se privilegiando uma pessoa que a despeito de todo o sacrifício depositado, não consegue não apenas ser grata, mas que também não estabelece mais nenhum tipo de vínculo, excetuando com a droga. Não se pode falar de cura para o crack, justamente por ele ter sido eleito como algo divino na estrutura psíquica do usuário. Assim como jamais se pode destruir o conceito de deus, na droga se dá o mesmo justamente pela religiosidade que a mesma contém ao reverso. Não há qualquer prova científica do uso de drogas poder ser genético, o que há no início é um distúrbio psíquico que levou ao uso para depois se tornar um fator químico.



O tão alardeado conceito da curiosidade de experimentar uma droga é totalmente limitado do ponto de vista psicológico. Pois esta pessoa com a curiosidade geralmente é um adolescente carente, solitário ou com forte complexo de inferioridade, ou então alguém como disse extremamente narcisista onde sua ousadia faz a escolha pela “banda larga das drogas” já nas primeiras vezes. É preciso não se criar mitos, ninguém tem curiosidade de chegar perto de uma cobra extremamente venenosa, a não ser que queira um exibicionismo suicida. Qualquer curiosidade quanto a algo que interfere na mente do sujeito denota de cara um problema mal resolvido do ponto de vista psíquico, e é importante todos saberem disso, pois do contrário estaríamos romantizando o uso da droga. Outro mito é que a droga é uma fuga dos problemas do cotidiano, ninguém poderá se furtar das adversidades da vida, e todos tem consciência disso. A droga é uma muleta para alguém que num determinado ponto assumiu ou sentiu-se derrotado, ou não soube elaborar sua revolta pessoal, ou ainda que teima em que seu meio fosse exatamente o modelo que tem em sua mente. Quando ouvimos aquele famoso relato que necessitou da bebida ou qualquer outra coisa para aliviar um pouco a timidez, a esfera mental da pessoa já sabe que se encontra na perda ou com um sério problema que não consegue resolver, assim sendo a droga passa a ser a válvula de escape para o não confronto com o mais puro medo, pois insisto que a pessoa já sabe de antemão que não iria efetuar tal projeto sonhado, não é a fuga, mas dissimular seu complexo de inferioridade.



O problema da suposta cura das drogas, não passa apenas pela dificuldade de superação do pólo químico, mas poucos perceberam que a droga é um catalisador ao extremo do apego e medo da mudança, sendo o atestado máximo da descrença em algo diferente, um alinhamento da neurose obsessiva compulsiva com uma rotina de caos. Na seqüência elaborei alguns passos apenas do ponto de vista psicológico, uma espécie dos 12 passos do AA estritamente psíquico como disse, para que usuários e familiares reflitam talvez com um profissional toda a problemática.





1) Aceitar que sua busca inicial pelo crack ou qualquer outra droga foi motivada não apenas pela curiosidade ou embalo, mas nasceu do espírito competitivo do sujeito, além do forte desejo de infringir limites, revolta (contra a família ou o meio social), solidão, comparação, tristeza e inveja perante algo material ou pessoal. A droga sempre irá representar um conflito psicológico assumido ou não.



2) A extrema necessidade de consumo cresceu em paralelo ao absoluto fracasso e indolência de sua vida pessoal, e a droga representa a potencialização de um comodismo na sua rotina de infelicidade e destrutividade.



3) A falta de tentativa para uma recuperação está associada à sua profunda insensibilidade em relação às pessoas que realmente gostam e se importam com o indivíduo, e tal desleixo se torna um instrumento sádico contra si próprio e seu meio.



4) A busca pela droga representa a timidez ou incapacidade de troca do sujeito, privatizando determinado prazer de forma alucinatória, se recusando a satisfação no plano real.



5) O drogado nunca almejou depositar a confiança em alguém, por arrogância ou prepotência, tais fatores inibem verdadeiras ações de ajuda ou restauração.



6) O drogado é um imenso narcisista, e tal característica sempre o levou a extrapolar qualquer senso de limite, isso se torna um aliado em sua extravagância que apenas trouxe dor e sofrimento para seus familiares e amigos.



7) Sua ambição desmedida contraditoriamente o leva a perder tudo, não apenas em função da droga, mas acaba forçando também que seu meio invista tudo apenas nele, não bastasse esse egoísmo não assimilado pelo sujeito, o mesmo nunca tem o valor real das coisas, a regra é apenas obtê-las, não importando se terão ou não uma duração. Notem que boa parte dos drogados tem como peculiaridade serem talentosos ou com espírito empreendedor, porém acabam sempre no fundo do poço por não refrearem seus instintos megalomaníacos.



8) Perceber que a ansiedade sempre foi à alavanca mestre para o início do comportamento de drogadicção, e o fracasso em controlar a mesma é nunca ter feito realmente um inventário psicológico sobre suas reais necessidades ou desejos, estes sempre foram difusos no decorrer de sua história de vida.



9) Perceber que a palavra “cura” não tem nenhum significado no caso da droga, já que será um espírito ou entidade que rondará seu psiquismo até o final de sua vida, assim sendo, o projeto para a melhora passa por a cada dia sabotar a primazia e hegemonia do vício.



10) Sendo novamente enfático, a compulsão é quase que incurável, desse modo o próprio indivíduo deverá fazer a transposição da mesma para atos e comportamentos que o beneficiem, e contar com a ajuda de si mesmo e profissional de que conseguirá tal empreitada.



11) Quando sair de uma internação ou estiver “limpo”, amplificar ao máximo a sensação de bem estar que a ausência da droga fornece e perceber como é valioso tal momento. O fato é que se a droga era uma religião, tem agora de cultivar essa devoção no sentido contrário, exaltando diariamente sua capacidade de recuperação e mudança.



12) Este talvez seja o princípio mais simples e o mais importante, saber que sozinho jamais conseguirá superar tal dificuldade, pois a droga é como a imagem de um lutador profissional contra um amador, assim sendo necessita-se de ajuda ou mais pessoas para lutar contra tão forte oponente, enfim, o orgulho ou arrogância contra um adversário com o dobro da capacidade só levará o indivíduo à derrota.



13) Perceber como a mentira foi sempre à substância mais aderente na problemática da droga, e que deve lutar diariamente para não se utilizar a mesma seja em qualquer área, pois assim como algumas drogas levam a outras, a mentira certamente pavimenta sempre uma estrada para a recaída.



14) Novamente falando em ansiedade perceber as seqüelas da mesma em atitudes ou comportamentos diários, e ter consciência de que quanto mais tentar uma hegemonia ou imposição de seus conceitos ou idéias, mais poderá voltar ao estado de outrora, pois outro conceito da droga é a insistência de um passado comportamental do ponto de vista psicológico.

Á MAGOA SE DESVANECE QUANDO...


A mágoa se desvanece quando aceitamos que determinada pessoa nos doou por algum tempo algo bom, mas não foi capaz de dar continuidade aos nossos anseios Enxergar desta forma é praticamente nossa única chance de não cairmos no cultivo ao ódio e mágoa, e também percebermos a lição de constantes perdas que a vida nos impõe.

terça-feira, 16 de março de 2010

MÁGOA E SAUDADES..(.ANÁLISE PSICOLOGICA)






Se pensarmos em nossas experiências passadas descobriremos duas formas de se lidar com o acúmulo de energia afetiva: uma é o inconformismo ou sentimento de revolta perante o que não obtemos ou ainda sobre algo que perdemos; a outra é a convicção interna de que nosso potencial não foi violado, embora tenhamos passado por experiências traumatizantes; e que tal potencial continua presente para ser dividido com alguém que sentimos ser especial para nosso ser. Inteligência neste mundo é a certeza da permanência de algo a despeito de toda frustração que vivenciamos, sendo que a maturidade é a troca da ingenuidade pela certeza de que podemos recomeçar sempre, abafando nosso rancor pessoal. O que é importante descobrirmos é se as outras pessoas de nosso convívio realmente nos amam ou apenas precisam de nós, pois ao tomarmos ciência dessa verdade, estaremos nos conscientizando sobre o quanto de poder ou amor depositamos em alguém. A saudade é a prova de que o ódio ou raiva são apenas defesas circunstanciais ou passionais perante nossas infelicidades, pois a mesma acaba quase sempre se sobrepondo a todas as dores vividas. A saudade é a certeza máxima de que quase sempre não temos controle e somos literalmente tragados pelas emoções, embora não as desejemos mais. Um dos aspectos positivos desta descoberta é que não que não aceitamos a morte de nosso afeto; isto é fundamental sabermos, embora devamos escolher outra forma ou pessoa para vivenciar ditas experiências. O mais importante é a sobrevivência de algo genuíno que tentamos viver. A mágoa se desvanece quando aceitamos que determinada pessoa nos doou por algum tempo algo bom, mas não foi capaz de dar continuidade aos nossos anseios Enxergar desta forma é praticamente nossa única chance de não cairmos no cultivo ao ódio e mágoa, e também percebermos a lição de constantes perdas que a vida nos impõe.

Temos de entender por que tudo quase sempre acaba em conflito. Por exemplo, por que escolhemos as pessoas erradas? Gostamos de levar uma relação como um desafio, e a paixão ardente ou desejo sexual muitas vezes podem ser pistas ao contrário do que estamos sonhando, revelando um futuro fracasso na tentativa de conquistarmos alguém. A paixão ou desejo muitas vezes não é o caminho mais seguro para a experiência do amor; apenas podem provar a dimensão de nossa carência e o quanto necessitamos de alguém para nos distrair da dolorosa sensação de vazio interior. A dialética da paixão é sentir algo arrebatador que faz com que esqueçamos nossa miserabilidade diária; em contrapartida, o fruto da mesma também pode ser a mágoa e ódio quando descobrimos que não detemos nenhum tipo de poder sobre o sentimento do outro. Nada corrói mais nossa alma do que a não correspondência de determinado investimento emocional, assim como a facilidade do companheiro em abandonar por completo e rapidamente o relacionamento. Constantemente nos sentimos fracos e abatidos, e a realidade é que em raras ocasiões de nossas vidas encontramos uma âncora para amenizarmos a turbulência de nossa insatisfação. Quando passamos por determinada decepção amorosa começa uma verdadeira corrida contra o tempo, pois é como o soar de um alerta que nos diz que qualquer futura expectativa acabará no mesmo sofrimento outrora experimentado. Este é o começo do desenvolvimento de uma neurose ou cultivo ao medo que se nada for feito nos acompanharão pelo resto de nossas vidas. O sabor do prazer ou gozo sempre será atormentado pelo medo da repetição do flagelo pessoal.

Todos de certa forma sabem que uma determinada pessoa é incapaz de preencher as expectativas de uma outra na sua totalidade, sendo que a mágoa por esta ótica é a raiva ou acúmulo de frustração não porque a pessoa necessariamente falhou, mas, por nos sentirmos "dependentes", seja de uma pessoa ou imagem. É fundamental um tempo para que a pessoa possa trabalhar com tais lembranças dolorosas, sendo esta uma das funções primordiais da psicoterapia. "Poderia dar certo; estou com saudades; me sinto subtraído sem a sua presença por mais dolorosa que fosse". Estas são as mensagens subliminares da mágoa que constantemente vem acompanhada ou revestida de saudade. É fato que esta última, apesar de tudo, é vital para a vida de um ser humano, pois nos aponta um caminho ou determinada história de experiência gratificante. A saudade revela sua companheira, a angústia, que nada mais é do que um sentimento pleno de impotência pessoal para recomeçar algo. A angústia é exatamente o terrível choque inicial que nos diz que não temos nenhuma chance ou saída. É a experiência subjetiva que mais se aproxima da morte. A própria paranóia caminha em paralelo, pois constantemente nos guia para a sensação de catástrofe, roubando por completo nosso tempo pessoal.

Analisando com paciência os dados acima, concluiremos que de certa forma a saudade é uma rebelião contra a certeza da perda ou morte, transferindo todo seu peso para a esfera emocional. Sempre necessitaremos de uma esperança de continuidade. Sabemos que nosso tempo é curto, diferentemente de outras espécies que visam completarem uma tarefa para a perpetuação instintiva da vida. Nosso dilema é muito maior, passando pela questão crucial do que vamos realmente deixar? Há muito tempo a psicologia já deveria ter introduzido a noção de que determinado bloqueio ou trauma, nada mais é do que o medo da morte deslocado para um evento afetivo. O que caracteriza o inconsciente atual é o temor de que a entrega plena para algo ou alguém nos trará a morte com maior rapidez. O sentido da economia seja no plano material ou pessoal é a tentativa de dosar todas as experiências, com a promessa de se ganhar mais tempo. O êxtase é substituído por uma rotina neurótica, que pelo menos traz a recompensa da postergação do final. A saudade como vemos se insere neste contexto amplo, e nada mais é do que um subterfúgio para não encararmos a máxima experiência de perda. Seja pela estética, segurança econômica ou religiosidade, o ser humano nunca revelou de forma tão clara e primitiva seu terrível pavor da morte, e nossa cultura é apenas um recheio mórbido e tedioso dessa verdade. Ao invés da busca romântica do ser amado como ocorria nos tempos antigos, parece que os esforços atuais caminham no sentido de quem sobreviverá perante toda a miséria em todos os níveis.

Fala-se muito na importância do desapego para minorar o sofrimento da mente. Acontece que o mesmo advém não de uma forma excêntrica de isolamento ou meditação, mas, quando conseguimos lidar com a bagagem do sofrimento e também ajudar para que outros trilhem uma estrada com menos angústia e tormento pessoal, apesar dos constantes erros no decorrer de tal tarefa. O desapego só tem um sinônimo chamado: "divisão". A mágoa também ocorre quando não há um apontamento ou reconhecimento de um esforço consciente ou inconsciente em benefício do outro; esta é uma das melhores pistas acerca de quem realmente nutre uma afeição especial por nossa pessoa. Percebam que em nossos tempos não é difícil o teste sobre quem realmente se encontra disponível; o grande problema passa a ser a imensa carga de carência ou fantasia que depositamos na outra pessoa, cegando por completo nossa percepção. A perda da ingenuidade se dá exatamente neste ponto, quando sentimos que nossas fantasias não têm mais o poder de entorpecer nossa mente, sendo que não gostamos de tal sensação ou perda de uma ilusão. Com toda a certeza a saudade jamais terá o poder de recuperar a potência das fantasias pretéritas. Mas o leitor irá indagar como evitar todo o exposto acima, já que parece que um dos maiores vícios do ser humano é exatamente o brincar ou manipular sentimentos alheios. Parece que a única coisa que nos resta da decepção é a análise do caráter de alguém. Entretanto, gostaria de ressaltar que a energia para qualquer recomeço é oriunda do mais profundo poço de pensamentos e frustrações que herdamos dos relacionamentos. A saída é não ter medo na mais profunda acepção da palavra, acerca dos piores pensamentos ou sensações que possam invadir nossas mentes. Qualquer combate contra a depressão ou negatividade passa necessariamente pela aceitação de que ambas já fazem parte de nosso cotidiano.

Ponderar sobre se o medo é muito mais potente do que a própria vivência negativa é condição fundamental para garantirmos nossa estabilidade mental e emocional. Descobriremos em seguida, que a saudade, mágoa ou ódio se entrelaçam em vários pontos ou circunstâncias com nossos mais profundos sentimentos de insegurança. A imagem positiva ou prazerosa da saudade, muitas vezes pode ser uma alucinação ou miragem que camufla o pânico pessoal, nos desviando da tarefa sempre vital do recomeço. O próprio amor que achamos que sentimos por determinada pessoa pode esconder dito pavor do reinício ou da perda, provando que nosso sentimento é somente apego. O desafio diário é manter uma relação ao menos saudável e amigável com nossos pensamentos, o que convenhamos, cada vez está mais difícil. Quase não conseguimos mais nos conscientizar da dialética de todos os processos da existência, e a cada dia nos tornamos mais compulsivos e apegados à questão da segurança em todas as esferas. A saudade e mágoa são a mais pura prova viva de que apesar de toda racionalização ou terapia que tenhamos efetuado, o conteúdo doloroso teima em permanecer vivo e atuante em nosso ser. Insisto novamente no entrelaçamento de diferentes emoções; quando mentalmente desejamos reviver experiências gratificantes passadas, se abre o portal para as mais drásticas vivências de angústia e depressão.

A história da psicanálise de FREUD corrobora o ímpeto pela nostalgia de experiências passadas. O mesmo disse que o amor nada mais era do que a sublimação ou desvio do instinto sexual para um projeto de convivência. O ponto ausente nesta tese é que o amor não é somente o desespero para se reativar um cuidado ou atenção que obtemos no passado, mas, uma completa fuga da certeza de que a partir de determinado momento do desenvolvimento de nossa vida, talvez tenhamos de conviver mental ou fisicamente com a experiência da dor sem nenhum amparo ou proteção. A própria doença mental é uma ficção do retorno a um período de ausência de responsabilidade ou conflito, sendo o aborto de qualquer tipo de desafio. A saudade em determinada via se junta a inveja como sentimento doloroso. Isto ocorre por determinada pessoa sentir que a outra lhe roubou uma parte "preciosa" de seu íntimo; e nada é mais torturante do que o pensamento obsessivo sobre a pessoa que nos deixou ter crescido após a separação, justamente através de algo único que a deixamos levar; pois caso a mesma permanecesse fragilizada, haveria sempre a esperança do retorno. O sofrimento da saudade sempre é amplificado por se saber que a partir de determinado momento não haverá a fuga para preocupações corriqueiras, sendo que quase nenhum ser humano foi treinado para vivenciar a experiência profunda do conflito, pois todos partem para escapismos das mais variadas formas. A síntese é que o amor também possui uma via de fuga perante experiências de medo e frustração, e não devemos deixar que o mesmo cresça nesta perspectiva.

Voltando a questão da interligação das emoções, descobriremos que a saudade também traz a tona o desejo de vingança. Esta é a mais pura confissão da insatisfação e derrota pessoal, sendo uma defesa mental contra a admissão do sentimento de inferioridade. O grande problema atual dos relacionamentos, é que parece que muitas pessoas querem viver tudo quando justamente a relação já se extinguiu. O fato é que quando se descobre amar alguém após a perda, isto jamais será um sentimento genuíno, mas, a mais pura prova de apego e posse. É muito difícil o lidar com tal situação, pois a angústia resultante também está enraizada na inveja e ciúmes. Este alerta tardio corrobora a inutilidade do orgulho pessoal, sendo que resta a reflexão sobre o quanto valia a pena determinada convivência. Infelizmente como disse acima, todos têm uma tendência a se concentrar em questões menores. Até uma possível infidelidade muitas vezes é equivalente a determinados segredos do passado que não ousamos revelar, embora no final sejam de uma banalização que nos surpreende. O fundamental é se conscientizar sobre qual o sentimento que restou, positivo ou negativo, e como podemos tentar reutiliza-lo numa nova parceria. Enxergar plenamente o lado positivo da derrocada é perceber que a própria criatividade sempre emana do conflito. A saudade deveria ser então o combustível para uma nova busca como citei anteriormente. Claro é o fato de que jamais poderemos ter uma maturidade suficiente para evitar novos erros. Aguçar nossa inteligência é compreender que os medos têm se sobreposto perante qualquer tipo de emoção ou sentimento. A medicina no último século expandiu o desafio do aumento da expectativa de vida, graças aos avanços científicos da área. Do ponto de vista psicológico, qual seria a meta na atualidade? Descoberta de mais remédios contra a depressão, sofrimento ou tédio? Penso que a resposta mais segura é o investimento no auto conhecimento.

Quem a todo custo clama por ser amado corre um grande risco. A mente receptiva para os anseios de alguém, muitas vezes desenvolve uma repulsa perante a excessiva demanda ou carência do outro. Quase todos fazem uma leitura que o excesso em determinada esfera afetiva se torna uma espécie de escravidão, sendo que ninguém quer ocupar o posto de inferioridade. Infelizmente isto ocorre com freqüência, e a saída tem se tornado a insensibilidade e fuga de um aprofundamento amoroso. Este é o retrato mais atualizado dos relacionamentos. O pânico coletivo é descobrir um dia que fomos objetos do depósito das piores partes de um ser humano, que jamais desejou uma troca verdadeira. Resumindo, não haveria nenhum mal na saudade, se a mesma não se associasse às piores emoções do ser humano, como p.ex: ódio, rancor e inveja. A compreensão plena e tranqüila de que determinadas lembranças jamais se extinguirão, como se fossem instintos como a fome ou sede, certamente nos colocaria num patamar de evolução. É total utopia o controle da mente. O máximo que podemos conseguir é o esvaziamento do depósito da frustração e animosidade que carregamos diariamente. Este é um treino que pode durar uma vida. O velho ditado popular de que a cura para uma frustração amorosa é a iniciar uma nova, não deixa por um lado de ser uma bobagem, pois o risco da comparação é um golpe fulminante para qualquer recomeço. A única saída é tentar se preparar e pensar sobre a dicotomia em qualquer aspecto da existência. O tédio ou a indolência que se sente num novo relacionamento é a prova do exposto acima.

A grande contradição deste texto é que após todas estas dissertações, o leitor sentirá que suas lembranças nunca foram tão ativadas. Seja amor, apego, ciúmes, inveja ou ódio, temos de admitir que determinado conteúdo afetivo jamais se esvaece; sendo que nosso sonho é o controle ou desligamento perante algo em que não fomos prontamente atendidos. Nosso lado infantilizado da exigência da satisfação de necessidades individuais através de outra pessoa, jamais deixará de ser o espectro de nossa alma. Nosso dilema existencial passa pela tentativa do esquecimento de frustrações, que nada mais são do que o ódio internalizado por sentirmos que não podemos ocupar um lugar de poder no universo alheio. A experiência do abandono sempre será uma das maiores torturas psicológicas que determinado ser humano tenta não vivenciar, sendo que a saudade é o mecanismo de defesa automático para compensar tal drama.

Bibliografia:
ADLER, ALFRED. O caráter neurótico. MADRID: Editora PAIDÓS, 1932.

O PROCESSO DO ÓDIO E AMOR...(ANÁLISE PSICOLÓGICA






"A hipocrisia é o mais belo monumento do ódio, sendo que seus lugares de visitação pública são: a política, a moral e a religião". (ANTONIO CARLOS- PSICÓLOGO)

"Amor, trabalho e relações sociais deveriam ser o centro da existência humana, porém, a tríade que guia nossa conduta nesses tempos é representada por: ódio, inveja e sabotagem do prazer.

"Só haveria algo positivo na inveja se pudéssemos reproduzir fielmente o modelo de vida de alguém realmente criativo.


Discutir o processo do ódio é sem dúvida nenhuma o maior preconceito relativo às questões humanas. É quase impossível encontrar alguém que admita sentir ou nutrir tal sentimento, dada toda a educação cristã presente em nossa sociedade. O fato é que admitido ou não, este é um sentimento que representa a essência humana, e não precisaremos observar muito para descobrirmos como se encontra disseminado em todas as condutas e desejos do ser humano.

O amor não deixa de ser algo totalmente ambíguo se pensarmos em seu desenvolvimento num determinado ser humano. Alguém que nunca quase foi amado ou protegido, crescerá sob a égide do ódio ou revolta; em contrapartida, é bastante comum vermos uma pessoa que foi amada e educada corretamente, crescer com o desejo de jamais se desvencilhar da proteção, ou até mesmo do caráter de exploração perante seu meio circundante, apenas desejando continuamente receber. A chama do amor é estritamente uma independência pessoal, aliada à um intenso desejo de receber e dar o prazer das mais diferentes formas: sexual, pessoal ou social. Obviamente a pessoa preparada para o amor, é aquela que conseguiu se livrar de todas as armadilhas pretéritas da criação social, sendo que será sempre um inflamado desejo de investimento no presente, não a dissipação de nossas energias afetivas na lembrança de um passado de dor, ou apenas a fantasia e ilusão de um futuro de felicidade.

Infelizmente poucas pessoas percebem que o amor é uma espécie de portal para as mais diversas emoções humanas: raiva, ódio, solidão, desamparo, abandono, êxtase, culpa dentre outras. O problema passa a existir quando desejamos apenas vivenciar as emoções positivas, esquecendo o outro lado da moeda. O amor em um relacionamento acaba quando nos sentimos indiferentes a felicidade e satisfação do outro, e o mesmo jamais existiu quando não temos energia ou vontade para revertermos tal quadro. Como quase todos sabem, o contrário do sentimento amoroso não é o ódio, mas, a indiferença, que não deixa de ser a prova máxima da incapacidade da escolha correta. Quase todos tentam começar a trilha do amor pela busca da beleza ou desejo sexual, sendo que o ponto crucial é se o outro está plenamente capacitado para nos completar. A própria beleza é uma entidade a parte, não necessitando do amor para sua existência; sua permanência e término seguem um caminho totalmente isolado de outros processos, devido a importância que o meio lhe outorga. O amor é um projeto que sempre incluirá mais de uma pessoa, e quando o desejamos apenas para um desejo privado, estamos apenas cultivando um sofrimento pessoal.

O grande mistério a ser resolvido quando tratamos deste assunto é : Quem é acariciado plenamente com o amor do outro? Alguém que o desejou desenfreadamente? Aquele que desde a tenra idade foi treinado para o mesmo? A personalidade quieta e tranqüila? Ou será que o mesmo é pura questão de sorte? Com toda a certeza, a ansiedade e frustração passam a ser barreiras naturais para a obtenção do mesmo. O que é vital percebermos seria os elementos que corroem dito sentimento. Sobre a própria troca, poucos param para refletir sobre suas sensações e estado emocional no momento em que lhes é exigido doar algo. Seja na sexualidade ou em outra área, o importante é a observação não apenas se o parceiro é capaz de cumprir nossos desejos, mas seu estado mental e como disse, emocional perante os mesmos; sempre o amor será um teste infinito da vontade. Tais reflexões nos levam a perceber qual papel adotamos perante alguém: devedor, culposo, submisso, ou uma pessoa livre e integrada. Não será difícil tomarmos consciência de que o amor para muitos é a fuga absoluta do dever, regredindo ou desejando um estágio de solidão, que por mais doloroso que seja, tranqüiliza a pessoa que resiste plenamente à doação. Também é notório o fato de que qualquer sentimento positivo jamais pode ser plantado no solo da inveja ou competição, do contrário, a relação sempre caminhará para uma tensão inesgotável.

Depois de milhares de explicações, teses e conselhos, é interessante notar como o projeto do amor é talvez um dos mais frágeis do arcabouço da personalidade humana. Como a desilusão e mágoa não demoram a aflorar quando nos vemos envolvidos por determinada pessoa. Parece que nosso sonho ou a mais profunda imagem idealizada de alguém, morre ao primeiro sinal de problema no percurso da relação. Inclusive quase todos compartilham da equação de que quanto maior o sonho, maior será a derrocada. Seria então o amor uma antítese absoluta do desejo ou imaginário temporal cultivado por nós? Seria o amor a prova derradeira de que não possuímos o poder sobre a realização concreta de nossos desejos e fantasias? Na maioria das vezes, nos deparamos com o conhecimento subjetivo de que nossas relações fracassadas apenas espelharam um processo incrivelmente pequeno de apego e orgulho. O amor sempre está associado ao ódio em virtude da corriqueira frustração pessoal da inversão do poder nos relacionamentos, quando se sabe que o parceiro já não mais necessita de nossa afetividade, e contudo, continuamos presos em uma imagem passada que o outro não deseja mais compartilhar. A raiva passa então a ser um mecanismo psicológico de defesa, perante todas as decepções que estão por vir. A raiva e o ódio sempre serão uma fácil escusa para um ser humano totalmente incapacitado para a busca de seu prazer e felicidade pessoal. Deveríamos aprender com tais sentimentos negativos, pois os mesmos são um dos mais precisos instrumentos de medição daquilo que realmente nos falta.

No decorrer da história da psicologia, quase sempre se ressaltou a permanência de resíduos infantis na afetividade adulta, sendo que boa parte dos relacionamentos atuais comprovam tal tese, pois, são nada mais do que uma mescla de infantilismo psíquico aliados à um neurótico desejo de proteção e amparo. Temos muito o que aprender sobre esta matéria, caso não desejemos que nosso futuro pessoal seja uma somatória de caos, terror e experiências de pura decepção. A prática da psicoterapia é essencial para a tomada de consciência de todas as questões levantadas, sendo que o seguir um caminho sem reflexão ou ajuda do próximo só eleva o potencial destrutivo de determinada pessoa.

Infelizmente as pessoas gostam de brincar com palavras, sendo que se faz sempre uma distinção entre os chamados "sentimentos hostis": inveja, raiva e ódio principalmente. Se pararmos para uma reflexão mais apurada descobriremos se tratarem de sinônimos, pois os três elementos citados estão diretamente relacionados à tentativa de impedir o livre fluir de determinado potencial humano. Obviamente quando impedimos que alguém se desenvolva em todos os sentidos, estamos tentando esconder todas as nossas frustrações pessoais e principalmente o prestar contas com nosso próprio potencial não efetuado. Aferir nosso potencial perante outrem sempre será uma das mais dolorosas experiências humanas. Quanto maior nosso sentimento de estarmos aquém de alguma expectativa ou determinada pessoa, maior será nosso desejo de procurarmos companheiros para nossa miserabilidade pessoal, sendo esta a essência máxima do ódio ou inveja, independente das posses ou recursos materiais de cada um.

Esmiuçando um pouco mais a tese acima descrita, concluímos que a própria mágoa nada mais é do que a constante atualização do ódio , sendo que adoramos nutrir dito sentimento diariamente. Em algumas ocasiões perdemos o controle, então surge a vingança como resposta ao apego do qual não desejamos nos livrar. Infelizmente toda a sociedade está mergulhada nesse processo, e quanto maior nosso complexo de inferioridade mais combustível é liberado para aumentar a chama do ódio. O efeito colateral mais grave disso tudo é que a cada dia está mais difícil efetuarmos determinadas tarefas que nos fazem bem ou nos proporcionam prazer, sendo que somos vítimas da sabotagem social e pessoal.

A verdade é que não temos capacidade para lidar com a frustração, sendo que somos absortos pela fúria quando as coisas não saíram como planejado. Deveríamos admitir que não possuímos nenhum treino para a contrariedade ou crítica, seja construtiva ou não, e o sentimento resultante é a raiva contra a pessoa que nos apontou algo.

É incrível observar como determinado sentimento tão arraigado na natureza humana é totalmente reprimido, agindo sempre nos bastidores de nossas relações.

Talvez nossa única saída seja sempre termos uma segunda opção, embora isso comprometa de forma definitiva as seguintes qualidades: confiança, entrega, dedicação e principalmente fidelidade. É incontestável que o ódio consegue sobrepor inclusive a questão do tempo, pois determinada contrariedade é suficiente para anular toda a energia depositada em algo ou determinada pessoa, sendo que o rancor sempre se torna a sensação resultante.

O tributo maior cobrado pelo ódio é estar à disposição do mesmo constantemente, exaurindo nossa energia para algo que realmente poderia dar certo. Como sempre há uma compensação, a única utilidade de viver dita experiência é a perda da ingenuidade, pois a mágoa nos revela com que tipo de pessoa estamos lidando verdadeiramente. Houve uma significativa mudança da introversão para a extroversão no processo acima descrito, pois na época dos primórdios da psicologia de FREUD se falava em repressão e sintomas oriundos da falta de prazer, pois as pessoas somatizavam sua infelicidade, e embora isso ocorra ainda hoje, há uma progressiva tendência para a exteriorização do dano pessoal, comprometendo ou se torcendo pela insatisfação alheia. O fato marcante é o extremo sentimento de tédio e aprisionamento na rotina diária, e as conseqüências psíquicas são: total insatisfação, angústia e principalmente impotência de lidar com ditas questões. Todos nos sentimos presos, seja na insatisfação, infelicidade, raiva ou vício de qualquer espécie. Assistimos passivos o desenrolar de nossa vida na mais pura insatisfação, juntamente com a extrema angústia de nossos desejos não realizados.

Somos muito sensíveis às experiências negativas e frustrantes, sendo que necessitamos urgentemente da novidade para reavermos nosso equilíbrio psicológico. Este apenas se manifestará no ato criativo, na nossa certeza interior de sempre produzirmos algo e nunca no tamanho de nossas economias ou vaidades pessoais.

Se prestarmos suficiente atenção para o ponto acima descrito, veremos a importância decisiva de sempre estarmos prontos para um recomeço. A própria questão religiosa do perdão se torna obsoleta no contexto citado, pois perdoar sempre é um ato que implica o extremo peso do passado com todas as suas impregnações e seqüelas, e não existe nenhum método religioso ou terapêutico que faça que nos esqueçamos de nossas pendências, exceto a certeza máxima e confiança pessoal de que nossa energia ainda não está acabada, e por respeito ao nosso íntimo devamos prosseguir, embora a maioria das pessoas não esteja preparada para tão árdua tarefa. O principal combustível do ódio é sem dúvida nenhuma o apego, pois o mesmo além de gerador da mágoa nutre de forma inimaginável o rancor, sendo que a tradução deste sentimento é o puro ódio por não se possuir mais determinada coisa.

Historicamente a psicologia provou que a grande raiz do sofrimento psíquico é o passado do indivíduo, sendo que o mesmo acarreta um distúrbio no sentido de reequilibrar a saúde psicológica perdida. Então é necessária a reflexão sobre o preço pago por todos sobre as convicções pessoais e religiosas que carregamos. Quanta soma de angústia ou desespero se fará necessária até a tomada de alguma atitude em relação ao que já ficou para trás? Sabemos que o egoísmo e individualismo são as piores saídas, embora permaneçamos nos mesmos por causa de nossa impotência e espírito individualista.

A tragédia do amor é a falta do mesmo ritmo de um sentimento que deveria ser compartilhado por duas pessoas, ocasionando o máximo de sofrimento para quem deseja estar profundamente envolvido. Infelizmente o amor nega a percepção das diferenças, bem como a possibilidade ou não de se alterar tal quadro; o resultado é a tortura pessoal diária e o aumento exacerbado da fome de nosso espírito por algo que realmente nos preencha.

Todos em algum momento de suas vidas já perceberam que o desejo só nos afasta a cada dia daquilo de que mais necessitamos. Quanto maior nossa volúpia por algo, mais distante se torna nosso sonho de nos sentirmos felizes e confiantes em nossa pessoa. O desejo só não é destrutivo quando temos a pessoa amada ao nosso lado e diariamente temos o deleite de cultivar o amor da relação. Tal fato porém é raríssimo, e como a maioria das pessoas não está capacitada para entregar aquilo que é o mais valioso, a chama do ódio permanecerá constantemente acesa. Desejar na ausência só alimenta nossa miséria pessoal se não traçarmos estratégias para a mudança do quadro citado.

Outro aspecto extremamente importante do ódio a ser elaborado é a questão da perda da identidade pessoal; pois quem estiver mergulhado em dito sentimento transfere sua alma ou os mais íntimos desejos para outra pessoa, seja através do rancor ou vingança, mas o fato é que a partir desse ponto sua vida pessoal é secundária perante o que nutre ou sente pelo outro.

Se verdadeiramente a humanidade almejasse alguma evolução no aspecto do ódio todos teriam que discutir abertamente suas raízes, principalmente no âmbito familiar. Por mais óbvio que seja para qualquer observador não religioso, é impressionante como se nega o fato dos pais desejarem o mesmo destino para seus filhos, sendo que muitas vezes esse desejo é camuflado pela dedicação e sacrifício, sendo que a conseqüência é um exacerbado sentimento de culpa carregado pelos descendentes.

A felicidade demonstrada por uma criança nada mais é do que a ausência da crítica perante determinado evento. Sua alienação básica é o seguro contra o mundo insano, ao mesmo tempo que nos relembra eternamente que poderíamos nos esquecer de certas coisas e seguirmos adiante.

O ódio sempre é um termômetro dos ataques ou injustiças dirigidas ao nosso íntimo. O grande problema é achar que suposto sentimento é o mesmo que destrutividade, sendo o objetivo desta última apenas a aniquilação. Obviamente um ato destrutivo pode ser resultante de um ódio intenso acumulado, porém não podemos nos esquecer que o ódio também pode ser benéfico ao nos mostrar o que nos causa mal estar.

Ódio e amor só caminham juntos devido ao fato do primeiro ser a prova máxima do fracasso de nosso investimento afetivo. O amor é o teste máximo do sucesso ou fracasso pessoal de um ser humano, e nem mesmo o dinheiro ou ambição são capazes de sobrepor tal afirmativa, apenas podem criar um anestésico temporário. O conceito acima descrito é tão nítido que nos tempos atuais as pessoas evitam o envolvimento profundo justamente com receio do sentimento alheio, que para muitos é o teste máximo do amor próprio. Para uma grande maioria ser amado incomoda, pois ditas pessoas não estão dispostas a retribuição. A sedução e conseqüente sentimento de poder há muito substituíram a verdadeira entrega.

A conclusão é que sempre nos identificamos com o vencedor, e temos um terrível medo de a cada dia estarmos mais distantes desse ideal internalizado. Nossa compaixão não é tanto pelo fracassado, mas principalmente uma autopiedade por toda a nossa insegurança. Enfim, a religião é uma tentativa de se criar uma mentira sobre a verdadeira natureza humana , pois a evolução e melhora das relações pessoais e sociais passam necessariamente pela diminuição do poder e controle entre as pessoas, mas infelizmente só temos assistido a mecanismos que impedem o prazer e desenvolvimento natural dos seres humanos. Não ser nocivo implica necessariamente não passar as piores coisas para alguém, coisa rara em nosso cotidiano. Como a cada dia que se passa nosso sofrimento pessoal tem se intensificado, desaprendemos ou não mais desejamos passar nosso melhor pedaço da alma humana.

A MUDANÇA CAMINHA EM PARALELO COM A DIMINUIÇÃO DA SAUDADE.........


A mente é um tribunal que sempre emite uma sentença eterna de sofrimento e angústia, caso não haja a intervenção terapêutica; e o psicólogo competente deverá não ter medo de fazer o papel de advogado e juiz de seu paciente, para que possa o liberar de um tormento que jamais terá um desenlace satisfatório. Apenas a passividade e a escuta são como determinadas testemunhas que foram convidadas para assistir a pena capital de um condenado. Ajuda nunca será um observatório do caos psíquico; nem também um turbilhão de emoções incontroláveis; mas o estabelecimento da confiança em uma pessoa de certa forma "estranha", que soube interpretar exatamente aquilo que sempre nos despertou medo, mágoa e ódio, mas que tanto insistimos para que permanecesse vivo nos recônditos de nossa mente.
A terapia não é apenas a dificuldade da revelação do segredo, mas o trabalho que sangra a nossa alma que é o de retirar o valor ou preço elevado de determinados afetos.O que quero ressaltar é que dito envolvimento deve ser a percepção por parte do paciente de que o terapeuta encarna a real figura de um amigo de que tanto precisou e jamais encontrou durante sua vida. A cláusula pétrea é mostrar ao paciente a verdade mais dolorosa possível: que no presente momento está infeliz e sofre brutalmente com toda a carga de tal condição; mas que tal estado jamais pode ser eterno. Nenhum ser humano é capaz de passar por determinada dificuldade feliz ou satisfeito. O que quase ninguém percebe é que num futuro próximo determinado potencial criativo é descendente de tal trava pretérita.
A felicidade é o tempo da gestação e elaboração de aspectos mórbidos e destrutivos que acabam se dissipando na esperança, desde que a pessoa não desista e saiba que esta última é a pura experiência subjetiva; mas extremamente real quando se possui a certeza do valor próprio; e o terapeuta deve ajudar o paciente a descobrir onde está escondido tal potencial.Fala-se tanto em mudar através do psicólogo, mas o que é isso realmente? A mudança caminha em paralelo com a diminuição da saudade, tanto positiva quanto negativa. Nenhum sofrimento jamais pode ser esquecido; mas também nenhum novo passo pode ser dado enquanto a energia estiver concentrada no passado. Todos conhecem a memória, e sabem de seu poder torturante neste âmbito. Esta é a batalha máxima que o psicólogo deverá travar com seu paciente.
O remoer a ferida evita o Pânico de se consumir aquilo que é bom. Não é necessariamente o "medo de ser feliz", mas que tal felicidade se esgote caso a gozemos diariamente. Poucos percebem tal questão. Temos no inconsciente uma idéia de "economia do prazer", sendo que o mesmo deve ficar guardado ou ser poupado. O núcleo econômico de nossa sociedade assim como a ambição é este: evitar a qualquer custo o vazio depois de determinada conquista. Em nossos tempos temos oferta de tudo em abundância: inteligência, sabedoria, beleza e diversas outras coisas. Discutir tudo isto seria um tanto tautológico. A única carência é o acesso a tudo o que é valorizado. Criam-se expectativas e sonhos que apenas alguns poderão realizar; para o resto, sobra o infortúnio de uma vida de sacrifício por algo que nunca emanou de seu íntimo.

Antonio C. A. Araujo.
psicólogo de casais e familia.

PSICOLOGIAS...QUANDO O PONTO DE VISTA É FATÍDICO...


Toda psicologia serve para alguma coisa. Mas nem toda psicologia resolve. A psique é feita de camadas. Há um famoso sonho de Jung falando disso (em Memórias, Sonhos e Reflexões). Ele está numa casa e vai descendo os andares e nisso descobre que cada um é um específico ambiente histórico, cada um com seus móveis da época; até chegar a restos arqueológicos.


A verdade surge em camadas também. Se usarmos a fisica como exemplo, podemos dizer que a física newtoniana é correta e a quântica também. Cada uma delas se aplica a uma “camada” da realidade, a newtoniana para os objetos maiores, a quântica para os infinitesimais (e muito mais). O mesmo vale para a filosofia e outras compreensões da realidade que não vou aprofundar agora para não me delongar.


Falando em psicologia, eu que não sou freudiana, quando analiso sonhos percebo que alguns conceitos de Freud cabem à perfeição, ou melhor eu os vejo atuarem debaixo dos meus olhos! Nem por isso viro freudiana. Nem por isso tenho invalidado Jung, Montefoschi ou Hillman. A verdade vem aos pedaços, sendo o único problema a tendência totalitária do pensamento humano (a que forma igrejas, corporações e escolas) que visa contrabandear um pedaço pela totalidade…

Como escolher o “pedaço” melhor? A melhor psicologia é aquela que permite chegar mais fundo, ver mais longe, e entender com mais clareza. É aquela que proporciona mais “clicks” mentais, um maior despertar.


Assim como em todos os âmbitos do conhecimento humano, o mais notável é aquele que consegue explicar mais coisas, cujos princípios são mais amplos e mais apurados, ou seja, mais universais. A melhor psicologia tem como pano de fundo uma concepção da humanidade que permite uma maior gama de ações e possui um alto teor de fertilização.


É importante observar qual é a visão de ser humano sadio que as diversas linhas psicológicas têm. É sabido que Freud, por exemplo é fruto da época vitoriana, ele é judeu e sofreu com isso, tem uma história familiar marcante (como todos) e muito mais. Freud é um sujeito com sua história e contexto, cuja produção intelectual é o brilhante resultado de todos os elementos involvidos.


Ao escolher uma linha psicológica, uma pessoa alinha-se também com o pano de fundo que deu origem à tal psicologia, que ela saiba ou não. Esses fundos são como palcos, cada um com sua história. Saber delas é importante porque disso depende muitas vezes o avançar ou o estancamento da situação.
adriana nogueira.
Você tem que ser o espelho da mudança que está propondo. Se eu quero mudar o mundo, tenho que começar por mim.

Mahatma Gandhi

segunda-feira, 15 de março de 2010

QUANDO A GENTE RESOLVE SE AMAR... ... ...




Quando a gente resolve se amar, a vida acontece de outro jeito, adquire cores e movimentos, perfumes e texturas que não se deixavam ver antes disso. A gente muda de dimensão, deixa o deserto para trás, e é verão o ano inteiro. E, de dentro do espelho, outra pessoa olha em nossos olhos...uma pessoa que a gente nem sabia que existia.”



(La Zingarah)

SOLIDÃO E ARREPENDIMENTO...


SOLIDÃO E ARREPENDIMENTO ...

"É um fato absolutamente consumado de que a solidão é puramente uma soma de energia egoísta enraizada em nossa alma, e embora a pessoa talvez tenha razão em relação ao seu passado de sofrimento e seus esforços para não repetir novamente tal drama, a mensagem básica é a de que não devemos seguir dita trilha de isolamento". - ANTONIO CARLOS- PSICÓLOGO

"A solidão jamais pode ser encarada como sinônimo de tristeza, depressão ou infelicidade como boa parte das pessoas pensam, pois se seguirmos este raciocínio estaremos encobrindo o verdadeiro problema básico- A marca mais forte da solidão é a repetição constante de uma mesma experiência ou destino afetivo outrora vivenciado. O desafio final é exatamente este ponto, como se libertar de algo enraizado em nosso ser que nos leva sempre de volta ao início de uma jornada de desamparo e desilusão"- ANTONIO CARLOS- PSICÓLOGO.

No âmbito interpessoal fica claro que na atualidade um dos fatores de maior sofrimento psíquico é sem dúvida nenhuma a solidão sentida como um elemento corrosivo da saúde e bem estar pessoal. Se fôssemos obrigados a produzir um manual de sobrevivência psíquica para a nossa era, a primeira regra seria o aprendizado de como aumentar nossa tolerância à frustração. A solidão caminha exatamente no oposto, acentuando a desolação dos acontecimentos pretéritos; bloqueando a oportunidade de novas experiências de prazer, sendo que a conseqüência inevitável é a cristalização do luto eterno em nossa alma, obrigando a pessoa diariamente a vivenciar todo o tipo de medo e desconfiança perante novas perspectivas.
Uma das raízes pouco exploradas da solidão em todos os trabalhos teóricos é a questão do arrependimento. Talvez este seja um dos mais paralisantes sentimentos humanos, pois ao mesmo tempo carrega uma semente de orgulho perante a reparação de um erro, e o tédio ou falta de motivação para uma nova experiência. Aprofundando a tese acima descrita, a prova máxima do arrependimento é quando temos certeza de que nossas vivências atuais são muito piores do que os acontecimentos dolorosos de nosso passado, e é exatamente esta vivência dolorosa que a solidão visa não repetir, à custa do convívio vital com outros seres humanos.
É um fato absolutamente consumado de que a solidão é puramente uma soma de energia egoísta enraizada em nossa alma, e embora a pessoa talvez tenha razão em relação ao seu passado de sofrimento e seus esforços para não repetir novamente tal drama, a mensagem básica é a de que não devemos seguir dita trilha de isolamento.
A questão dinâmica da solidão se dá através de duas vertentes: Qual a capacidade de investimento profundo num novo plano afetivo versus a quantidade de mágoa acumulada pelo passado da pessoa transtornada pela carência? O aspecto central desta conscientização é a avaliação de onde provém nosso conflito básico, se no passado, presente ou o temor do futuro. Obviamente que dependendo do grau de sofrimento todas as três esferas podem ser afetadas, mas é fundamental a localização pelo menos parcial do início de determinado drama existencial.
A questão é absolutamente clara, a solidão é sinônimo irrefutável do passado, criando uma película em nossa esfera afetiva totalmente impermeável a qualquer nova experiência gratificante. Então devemos nos perguntar baseados nesta conclusão o que de nosso passado é profundamente saudável ou aproveitável? Sem dúvida alguma descobriremos que determinado acúmulo de experiências preenchem quase que na totalidade a possibilidade de um destino pessoal completamente diverso do que estamos acostumados a vivenciar. Neste ponto devemos inserir a questão do perdão no âmbito da solução da encruzilhada do problema apresentado.
Se boa parte das religiões tivessem um caráter sério, o perdão jamais poderia ser um instrumento de regozijo próprio ou de poder pessoal perante alguém que sabemos que sempre esteve em déficit com sua natureza humana, mas sobretudo a consciência pessoal e inalienável de que devemos prosseguir, pois caso contrário o resultado será a somatória de mágoa ou autocomiseração adquiridas no transcorrer de nossas experiências. Sempre a derradeira esperança é a possibilidade de realização futura, desde que cultivemos nosso potencial ou dever pessoal para novas empreitadas.
A solidão jamais pode ser encarada como sinônimo de tristeza, depressão ou infelicidade como boa parte das pessoas pensam, pois se seguirmos este raciocínio estaremos encobrindo o verdadeiro problema básico, pois a marca mais forte da solidão é a repetição constante de uma mesma experiência ou destino afetivo outrora vivenciado. O desafio final é exatamente este ponto, como se libertar de algo enraizado em nosso ser que nos leva sempre de volta ao início de uma jornada de desamparo e desilusão.
Todo o processo acima citado nos leva a conclusão de que a solidão apenas nos mostra como estamos absolutamente despreparados para a questão da morte em todos os sentidos, sendo que jamais reconhecemos que determinados sinais sociais nos mostram a finitude de nossas experiências gratificantes acumuladas, nos mostrando que a mais dolorosa experiência humana sempre foi a mudança em todas as esferas da existência, e a falta de instrução ou treinamento para algo tão óbvio da natureza humana passa a ser um dos pilares de toda a estrutura social e pessoal que petrificam o ser humano no medo e apatia. Jamais devemos nos esquecer que em suma a solidão apenas representa a total falta de investimento na esfera da troca afetiva.

texto do psicólogo-
antonio araujo

A RIQUEZA DE UM CASAMENTO ROMÂNTICO...



Do ponto de vista teórico, os casamentos com altos e duradouros lances de romantismo deveriam ser muito mais freqüentes que aqueles baseados em uma sexualidade rica e exuberante. Mas, na prática, isso não ocorre. Não quero dizer que sejam tão comuns as uniões sexualmente satisfatórias, mas que são raríssimos os casais que conseguem viver, ao longo de várias décadas, uma experiência sentimental bonita, daquelas de encher o coração de alegria e os olhos de lágrimas, de tanta emoção.
As coisas costumam ser mal colocadas desde o começo. A grande maioria dos casamentos ocorre entre uma pessoa apaixonada e outra que prefere ser objeto da paixão. Enquanto a primeira – mais generosa – oferece, a segunda – mais egoísta – recebe. A mais generosa tem coragem de amar. A egoísta tem medo de sofrer e se protege da dor do amor ao não se abrir demais para a relação. As uniões desse tipo apresentam momentos bonitos, é claro. Possibilitam até mesmo uma vida sexual de permanente conquista. Sim, porque o egoísta nunca se entrega totalmente ao outro, de modo que o generoso estará sempre tentando conquistá-lo. Esse fenômeno costuma gerar alguns instantes de profundo encontro, mas são momentos vãos, que logo se desfazem. E o corre-corre das brigas e da luta pela conquista volta.
No entanto, esse é apenas um dos aspectos da questão. Outro fator de peso está nas diferenças de temperamento (generosos e egoístas são bastante diferentes), de gosto e interesses. Na vida prática, no dia-a-dia, as divergências de opinião e a falta de um projeto comum provocam irritação permanente. E isso não vale só para as grandes diferenças. O cotidiano se faz realmente nas pequenas coisas: Onde vamos jantar? Que amigos vamos convidar? Onde vamos passar as férias? A que filme vamos assistir? Como agiremos com as crianças? O que faremos com os parentes? E assim por diante. São justamente estas pequenas contradições que provocam a irritação, a raiva e, portanto, a maioria das brigas. As afinidades aproximam as pessoas, enquanto as diferenças as afastam. Além do mais, a oposição é a raiz da inveja: o baixo inveja o alto; o gordo, o magro; o preguiçoso, o determinado; o introvertido, o sociável. E a inveja é inimiga do diálogo. Nesse tipo de união, as brigas serão o normal no relacionamento, e os momentos de encontro e harmonia serão exceções cada vez mais raras.
Eu disse que, do ponto de vista teórico, a felicidade romântica no casamento poderia ser bastante comum porque o amor não padece do desejo de novidade que tanto agrada ao sexo. Ao contrário, o amor é apego, é vontade de aconchego, de tranqüila intimidade. Trata-se de um sentimento que floresce e frutifica melhor quando tudo é exatamente igual e antigo. Gostamos da nossa casa, daquela velha roupa que nos agasalha tão bem. Gostamos de voltar aos mesmos lugares do passado, da nossa cidade, do nosso país. Queremos também sentir essa solidez e estabilidade com o nosso parceiro amoroso. Amor é paz e descanso e deriva justamente do fato de uma pessoa conhecer e entender bem a outra. Por isso, é importante que as afinidades, as semelhanças, predominem sobre as diferenças de temperamento, caráter e projetos de vida. Seres humanos parecidos poderão viver uma história de amor rica e de duração ilimitada. Não terão motivos para divergências. Não sentirão inveja.
Um último alerta – além da lição que se pode tirar da experiência, acima descrita, dos raros casais que vivem harmoniosamente – é que cada um deve procurar se unir a seu igual. Só assim o amor não será um momento fugaz. Para que a intimidade não se transforme em tédio e continue a ser rica e estimulante, é necessário que o casal faça planos em comum e que depois se empenhe em executá-los. De nada adianta fugir para uma ilha deserta para curtir a paixão maior. Quem fizer isso provavelmente voltará, depois de dois meses, decepcionado com a vida e com o amor. A vida é um veículo de duas rodas: só se equilibra em movimento. Para que duas pessoas se tornem uma unidade é preciso criar um objetivo: ter filhos, construir uma casa, um patrimônio, uma carreira profissional, um ideal… o conteúdo em si não interessa. Seja qual for, é a cumplicidade que o transforma em algo fundamental. Fazer planos é sempre uma aventura excitante. É sobre eles que mais adoramos sonhar juntos.

domingo, 14 de março de 2010

SEXO .... POLÍTICA E O PODER FEMININO DE MUDANÇA....



Ao longo dos primeiros anos da chamada revolução sexual (1960 em diante) havia uma idéia clara de que a emancipação da sexualidade implicaria numa diminuição da competitividade entre as pessoas que, por isso mesmo, se tornariam mais doces e amistosas. Isto determinaria um clima social de cumplicidade e companheirismo ao invés das tensões próprias do capitalismo e da sociedade de consumo que estava nascendo. O resultado é mais que conhecido: o livre exercício da sexualidade, especialmente do exibicionismo feminino, provocou efeito exatamente oposto. Ou seja, os homens ficaram extremamente sensibilizados e estimulados pelo fato das moças se mostrarem mais atraentes e disponíveis para o sexo e partiram para uma disputa brutal para conseguirem o sucesso necessário para serem os eleitos das mais belas.
A busca por sucesso, fama e fortuna se agravou e o capitalismo competitivo e consumista se estabeleceu de uma forma plena. As moças passaram a se preocupar mais ainda com a aparência física – mesmo aquelas também empenhadas em desenvolver atividade profissional e independência econômica – e os homens, depois da luta por sucesso material, também têm se empenhado em aparecer como belos aos olhos das mulheres. O mundo se tornou mais do que nunca aristocrático, onde beleza e riqueza (prendas raras) são os ingredientes mais valiosos.
Na verdade, a única novidade mesmo é a preocupação masculina com a aparência física. Sim, porque a história da humanidade tem sido esta. Os homens buscam o destaque e o poder para poderem se apresentar e serem recebidos sexualmente pelas mulheres mais belas e atraentes, que são as mais cobiçadas por quase todos. As mulheres menos belas se sentem tristes, assim como os homens menos ricos. Estes fazem parte da imensa maioria da população e parece gastarem a vida sonhando com o dia – ou com a hipótese quase mágica – em que poderão fazer parte daquela elite que teria tudo o que se pode pretender desta vida. A mim me entristece ver de forma assim clara e um tanto banal as razões que levaram estas elites a criarem organizações sociais brutalmente desniveladas, onde a desigualdade impera. A tristeza é maior ainda quando percebo que a maioria da população, aquela composta pelos excluídos, apóia e compactua com estes pontos de vista. Ou seja, acham legal a injustiça e a desigualdade social derivarem de prendas inatas, especialmente a beleza física feminina. Acham legal que a beleza física valha mais que as virtudes de caráter. Enquanto pensarem assim é claro que o mundo continuará a caminhar na mesma direção que tem caminhado e tudo leva a crer que irá nos levar, em poucos anos, para o abismo.
Uma conclusão importante que podemos extrair destas últimas décadas é a seguinte: os autores que relacionaram a sexualidade com a política (Marcuse, Reich, Foucault entre outros) tinham razão. A forma como vivemos nossa sexualidade em uma dada sociedade não é, em absoluto, inofensiva. Não há ingenuidade em relação ao tema. Uma prática sexual que estimule o jogo de sedução e conquista, que valorize beleza e riqueza (propriedades aristocráticas) estará gerando uma população de infelizes e frustrados. Eles poderão continuar sonhando com o dia em que serão incluídos no clube dos privilegiados, mas poderão agir de outra forma. Imaginem se as mulheres, de repente, passarem a valorizar mais os moços bons, gentis, delicados e atenciosos com elas, parceiros e cúmplices (com gosto em ouvir sobre suas vidas ao invés de só gostarem de falar de si e de suas glórias). Isso teria um potencial revolucionário extraordinário, pois os homens, como sabemos, querem mesmo é fazer sucesso com as mulheres. Se elas passarem a valorizar propriedades mais dignas no lugar dos corpos sarados e muito dinheiro no bolso (independente da sua origem) estariam promovendo uma revolução moral, social, econômica e política!
Muitos pensadores contemporâneos vêm desenvolvendo esta idéia. Ou seja, pensam muito seriamente no fato de que se algo de muito relevante e revolucionário pode vir a acontecer nos próximos tempos deveremos sua introdução às mulheres. Elas detêm um poder social, econômico e político crescente. Elas são a maioria na maior parte das universidades. Elas poderão repetir os procedimentos masculinos ou contribuir de forma radical para que possamos voltar a sonhar com sociedades mais justas. O fato delas estarem desenvolvendo condições de auto-suficiência econômica criará condições para que as escolhas sentimentais possam ser menos voltadas para os tradicionais interesses materiais e mais relacionadas com a presença de um parceiro carinhoso e respeitoso. Se isto acontecer, estaremos no início de um novo mundo.
Acho também que para isso poder acontecer temos que superar o mais depressa possível esta fase em que a sexualidade desvinculada de relacionamentos representativos está fazendo a cabeça de um grande número de moças e rapazes, como se estivessem se lambuzando no melado (nunca houve tamanha facilidade nesta área como agora). Quanto a isso não me preocupo muito porque penso mesmo que se trata de uma fase e que os próprios rapazes cada vez mais estarão interessados mesmo é em relacionamentos mais estáveis, duradouros e nos quais se poderão construir bases para uma intimidade mais profunda e que tanto nos gratifica e aconchega.

SER, TER OU PARECER.......




Estimulado pela “SP Fashion Week”, me pus, mais uma vez, a pensar sobre o que pretendemos com o que nos cobre – além de nos protegermos contra o frio e a vergonha. O tema é o da vaidade, esse prazer erótico fortíssimo presente em todos nós e que nos leva ao desejo de chamar a atenção, despertar olhares de admiração. Não adianta tentarmos nos livrar da vaidade, pois ela é parte integrante do nosso instinto sexual. Buscamos o destaque.
Ao comprarmos novas peças já levamos em conta o impacto que causarão. Ao nos prepararmos para sair, nos sentimos erotizados imaginando a reação “dos outros”. Buscamos usar o que melhor nos veste, o que nos caracteriza, o que nos faz atraentes. Gastamos uma boa parte do nosso tempo diante do espelho, tentando aprimorar nossa imagem.
Gostamos de parecer especiais e nos preocupamos bastante com nossa aparência (inclusive aqueles que adoram parecer desleixados!). Algumas pessoas gostam que sua imagem reflita aquilo que são: esportistas, intelectuais, artistas, membros de uma tribo tipo “góticos” ou “punks”, empresários de respeito, senhoras joviais e assim por diante. Tratam de usar roupas e adereços típicos, compondo sua imagem de forma discreta ou estravagante de acordo com o que pretendem transmitir.
Outras pessoas gostam de se exibir de acordo com o que têm, refletindo mais que tudo sua condição econômica: usam relógios caros, bolsas e sapatos de grifes renomadas – o que também lhes garantem um reforço de que são pessoas na moda e de gosto apurado –, jóias poderosas etc.
Outras ainda são fascinadas pela beleza das peças que muitas vezes são também as mais caras, sendo que têm os meios para se cobrir com elas. A preocupação maior é estética, de modo que costumam estar mais preocupadas com a qualidade do que com a quantidade do que possuem. Elas parecerão de acordo com o que são e têm. Vejo coerência nas atitudes das pessoas que se encaixam nos 3 casos. Penso que, além de se sentirem envaidecidas pelos eventuais elogios recebidos, poderão se sentir bem do ponto de vista da auto-estima – que só se alimenta de atitudes e conquistas verdadeiras.O que pensar, porém, daqueles que parecem o que não são ou não têm? Como fica a auto-estima daquela mulher que usa as roupas mais extravagantes e que se sabe sexualmente travada? Como se sente quem chama a atenção dos conhecidos por desfilar com uma bolsa ou relógio falsos? E aquele que se veste e age como intelectual e que jamais leu um livro? Não há auto-estima que resista! Penso que “o crime não compensa”, pois não há “mutreta” possível quando se trata da vida íntima. Seria muito melhor usar a imaginação e encontrar uma outra forma, mais criativa, de se apresentar diante dos olhos das outras pessoas.
Dr. ´Flávio Gikovate