domingo, 21 de março de 2010

PORQUE BUSCAMOS PESSOAS O OPOSTO DE NÓS...



Há em nós essa vontade de diluição e, ao mesmo tempo, pavor dela. Além do mais, nas histórias de amor - vemos essa dupla tendência: fascínio e medo presentes o tempo todo. Os indivíduos fascinam-se pelas histórias amorosas e entram em pânico diante delas.
É evidente que o amor, quando entre pessoas muito afins, é uma emoção muito forte. Dá uma sensação de simbiose, de diluição, onde um vai se perder no outro e isso pode ameaçar muito a individualidade. Muitas vezes são buscadas soluções intermediárias. Uma delas é a busca de pessoas opostas, com quantidade de defeitos suficientes para que a simbiose não se dê profundamente. Do mesmo modo que as qualidades fascinam e determinam a integração, os defeitos repelem. Então, uma cota certinha de qualidade e defeitos define uma coisa intermediária, um meio-termo ao qual o indivíduo se sente ligado, mas não a ponto de ameaçar a sua individualidade.

SOMOS TODOS IRMÃOS....

sábado, 20 de março de 2010

Mudar mesmo quando não acreditamos na mudança .


Mudar mesmo quando não acreditamos na mudança .

Todos nós sabemos o quanto é difícil mudar de atitude, mesmo que isso implique em seguir um caminho melhor.

O cérebro percorre automática e velozmente os caminhos neuronais já formados há muito tempo. Por isso, fazer o que nos é habitual é tão fácil. Mas quando se trata de formar um novo caminho neuronal, uma nova sinapse, é preciso tempo e esforço para seu aprendizado. É como quando aprendemos a dirigir. Primeiro, temos que prestar atenção em todos os detalhes, depois dirigimos sem ter de pensar no que estamos fazendo.

Assim também ocorre com as atitudes mentais, quando pensar e reagir de um determinado modo torna-se familiar e nossa reação é automática. Por exemplo, o hábito de sentir-se alvo de ataques externos. Por termos vivido muitas vezes agressões em relação à nossa pessoa, conhecemos o papel do bode expiatório. No entanto, nem sempre estamos sendo atacados, mas facilmente nos sentimos alvo das agressões alheias... Identificar quando isto está de fato ocorrendo e nosso hábito de nos sentir atacados é a primeira tarefa do autoconhecimento. A segunda se trata de aprender a sair cada vez mais rápido do campo de batalha! Seja ele real ou imaginário...

Pema Chödrön comenta numa palestra sobre Felicidade (veja True Happiness em www.amazon.com) sobre três estados que nos encontramos diante das mudanças.

O primeiro é quando já compreendemos que uma atitude mental nos faz mal, então, saímos dela automaticamente. O segundo, quando já sabemos que nos faz mal, mas estamos parcialmente convictos de que somos capazes de mudar e, a terceira, quando sabemos que nos faz mal, mas acreditamos ser impossível mudar.

No primeiro estado, deixar de agir de um modo negativo já não exige mais esforço, pois se tornou uma escolha. Como desistimos de nos torturar, de nos sentirmos frustrados diante de certa atitude mental, toda vez que ela vem à tona naturalmente a identificamos e buscamos saídas efetivas para deixá-la.

Por exemplo, o ressentimento. Toda vez que percebemos que estamos ressentidos, lembramos de escolher deixar essa postura de nos sentirmos prejudicados. Esta lembrança é a sabedoria intuitiva que nos diz: Procure uma saída, dê um salto, caia fora.

No segundo estado, apesar de estarmos convictos de que determinada atitude mental é negativa, nos sentimos propensos a permanecer nela. Seja porque ainda temos a esperança de tirar algum proveito desta postura ou porque nos sentimos tão familiarizados com ela, isto é, ela faz tão parte de nós, que duvidamos se somos capazes de mudar.

Facilmente nos encontramos presos neste estado, pressionados pela expectativa de sermos quem idealizamos ser e a realidade na qual nos encontramos.

Podemos já ter entendido que cultivar a atitude de que deveríamos ou poderíamos fazer isso e aquilo nada adianta, se não a colocarmos em prática. Viver em constante estado condicional nos leva a nos distanciar de nós mesmos! Afinal, quando estamos sob a custódia de idealizações exigentes, deixamos de nos sentir reais para nós mesmos!

Mas, apesar de já saber que de nada ajuda nos culparmos, nos colocarmos para baixo, ainda não temos a capacidade de mudar.

Neste segundo estado mental, a saída encontra-se em buscar o caminho do meio: nem nos exigir demais, nem nos denegrir. Assim, este estado de meia confiança pode tornar-se um possível ponto de partida. Nele, começamos a desenvolver a autocompaixão. Deste modo, tornamo-nos mais flexíveis e empáticos em relação a nós mesmos e aos outros. Lenta, mas, suavemente, o caminho obstruído começa a se abrir.

Pema Chödrön ressalta que neste momento é importante lembrar que não importa se nos consideramos merecedores ou não da mudança, porque a escolha de mudar não é uma questão moral baseada no julgamento de ser ou não merecedor de felicidade, mas sim da escolha de melhorar e progredir, isto é, de dar o salto.

Por fim, temos o terceiro estado: quando entendemos que a mudança é necessária e poderia nos trazer algo positivo, mas, simplesmente, não acreditamos sermos capazes de mudar.

Ficamos presos neste estado enquanto ainda acreditamos que esta atitude vai nos trazer algum benefício, mesmo que passageiro. Há algo que nos conforta diante da idéia de não termos que nos esforçar para mudar. Desta forma, enquanto não nos sentirmos angustiados, iremos permanecer tal como estamos. No entanto, inevitavelmente, uma hora ou outra, seremos tocados pela dor de tal atitude mental negativa. Então, cada vez que nos sentirmos novamente desesperados, estaremos mais descrentes que podemos encontrar uma saída. É um círculo vicioso: sofremos, nos acomodamos com o sofrimento e sofremos novamente, mais e mais...

Por isso, não vale a pena cultivar este terceiro estado. Uma maneira de passar deste estado sem saída, para o segundo -o da meia confiança- é reconhecer os momentos, mesmo que fugazes, de bem-estar.

O antídoto é a autocompaixão: despertar o desejo de se resgatar do próprio sofrimento. Assim, gradualmente nos tornamos receptivos para receber ajuda, seja alheia ou de nós mesmos, isto é, quando reconhecemos que temos recursos internos que não estávamos usando.

Mesmo sendo difícil mudar um padrão negativo, não nos resta outra escolha se não quisermos continuar sofrendo!

Não estamos condenados a sofrer para sempre. Aliás, a única virtude da negatividade é que ela também é impermanente!

O QUE ESTA POR TRÀS DOS DESAJUSTES DA HUMANIDADE....




Auto-estima

A falta de amor por si mesmo é a causa essencial que está por trás dos desequilíbrios na maioria dos seres humanos desajustados. Sem esta qualidade básica, ninguém pode se direcionar na vida de modo positivo.

Infelizmente, nem todos os pais possuem a consciência do quanto é importante que a auto-estima seja estimulada desde cedo nas crianças. Muitos, ao contrário, por serem excessivamente críticos e exigentes, jamais se sentem satisfeitos com o desempenho do filho e fazem questão de afirmar isto, sempre cobrando mais perfeição ou comparando-o com outros, que eles julguem mais inteligentes ou habilidosos.

E esta é uma atitude das mais devastadoras, pois acontece numa fase em que a imagem que a pessoa tem de si mesma está sendo construída. O resultado é um ser humano inseguro, incapaz de sentir-se satisfeito consigo próprio, ainda que alcance alguns resultados positivos na vida. Ou seja, ele nunca estará realizado e sempre vai ter a sensação de que poderia ter feito melhor.

Cria-se um vazio interior, que procura ser preenchido de inúmeras formas, seja através de um desejo compulsivo por comida, por bebida ou alguma outra droga mais poderosa, ou por uma dependência afetiva, algo enfim que lhe dê a sensação, por algum tempo, de que é alguém de valor.

Nada pode substituir o amor, a atenção e o estímulo às qualidades positivas de uma pessoa, como forma de garantir que ela desenvolva uma auto-confiança indestrutível.
Ensinar alguém a amar a si mesmo, não é um estímulo ao egoísmo. Ao contrário, é uma maneira de fazer com que ele desenvolva sua capacidade de amar, para que só então possa direcionar este amor ao mundo exterior.

" ....A primeira amizade precisa ser consigo mesmo,
mas muito raramente se encontra uma pessoa que seja amistosa consigo mesma.
.....Ensinaram-nos a condenar a nós mesmos. O amor-próprio foi considerado como um pecado. Não é.
Ele é a base de todos os outros amores, e é somente através dele que o amor altruísta é possível.
Como o amor-próprio foi condenado, todas as outras possibilidades de amor desapareceram.
Essa foi a estratégia muito ladina para destruir o amor.
É como se você dissesse a uma árvore: "Não se alimente da terra, isso é pecado.
Não se alimente da lua, da chuva, do sol e das estrelas; isso é egoísmo.
Seja altruísta, sirva outras árvores".
Parece lógico, e esse é o perigo.
Parece lógico: se você deseja servir os outros, sacrifique-se; servir significa sacrificar-se.
Mas, se uma árvore se sacrificar, ela morrerá e não será capaz de servir nenhuma outra árvore;
de maneira nenhuma será capaz de existir.
Ensinaram-lhe: "Não ame a si mesmo". Essa foi praticamente a mensagem universal das pretensas religiões organizadas.
Não de Jesus, mas certamente do cristianismo; não de Buda, mas do budismo -
de todas as religiões organizadas, este foi o ensinamento: condene a si mesmo, você é um pecador, você não tem valor.
E, por causa dessa condenação, a árvore do ser humano se retraiu, perdeu o brilho, não pode mais festejar.
As pessoas vão dando um jeito de se arrastar, não têm raízes na existência - estão desenraizadas.
Elas estão tentando prestar serviço aos outros e não podem, porque nem foram amistosas consigo mesmas.
......Eu não tenho nenhuma condenação, não crio nenhuma culpa em você.
Eu não digo: "Isto é pecado".
Eu não digo que o amarei só quando você preencher certas condições.
Eu o amo como você é, porque essa é a maneira que uma pessoa pode ser amada.
Eu o aceito como você é, porque sei que esse é o único modo que você pode ser.
É assim que o todo desejou que você fosse. É como o todo destinou-o a ser.
Relaxe e aceite-se e alegre-se - e então vem a transformação.
Ela não vem através de esforços.
Ela vem pela aceitação de si mesmo com tal profundidade de amor e felicidade, que não há nenhuma condição, consciente, inconsciente, conhecida, desconhecida.
O amor é alquímico. Se você se amar, a sua parte feia desaparece, é absorvida, é transformada.
A energia é liberada daquela forma.
Todas as coisas chamadas de pecado simplesmente desaparecem.
Eu não digo que você tenha que mudá-las; você tem que amar o seu ser, e elas mudam.
A mudança é um sub-produto, uma conseqüência.
Ame-se. Esse deveria ser o mandamento fundamental.
Ame-se. Tudo o mais se seguirá, mas este é o alicerce.
OSHO.

O OUTRO LADO DO ESPELHO!!!!


No entanto, quanto mais o homem avança no autoconhecimento, mais apurada torna-se a sua percepção, ou seja, quanto mais nos conhecemos, mais conhecemos as dimensões - ou realidades - nas quais estamos inseridos.

Se nos detivermos nas percepções básicas que representam os cinco sentidos, é sinal de que o nosso conhecimento e visão de vida, encontram-se associados à realidade física, material. E esse padrão perceptivo é reflexo da cultura do mundo ocidental que predomina entre nós, limitando o nosso nível de conhecimento e de desenvolvimento da percepção suprasensorial.
FLÁVIO BASTOS.

Vejamos um exemplo: o fuxico como é chamado o que antes era conhecido como "fofoca". O culto às aparências é outro exemplo corriqueiro no âmbito das percepções primárias. E, assim, encontramos inúmeros exemplos que formam uma mentalidade inserida num paradigma que representa uma visão de vida...

Possuímos um corpo físico e quando nos enxergamos no espelho, vemos um ser que identifica-se com a imagem refletida. Essa imagem é a nossa identidade material.

Quando vamos ao velório de uma pessoa amiga, visualizamos no esquife a imagem física que identifica aquela pessoa como nossa conhecida da dimensão material.

Desde que nascemos, os nossos sentidos são desenvolvidos de uma forma que conseguimos perceber somente as informações captadas da realidade material. Inclusive, as nossas relações afetivas que envolvem emoções e sentimentos, encontram-se associadas às percepções que sintonizam à dimensão física.

Na verdade, somos seres bitolados na forma de perceber a vida e, geralmente, não nos damos conta disso, pois os condicionamentos em forma de padrão comportamental permanecem, inconscientemente, agindo e influenciando as nossas escolhas.

Buscamos o conhecimento, mas o conhecimento voltado para a área pela qual temos afinidades, e que possa trazer-nos, principalmente, um bom retorno financeiro...

Pouco sabemos sobre a origem das doenças, porque, geralmente, combatemos o efeito e não a causa. O "efeito" é aquilo que visualizamos. A "causa" é aquilo que não percebemos por falta de conhecimento que transcenda o nível da matéria.

Apurar a percepção através do conhecimento de si mesmo, é ir em busca do que existe além da imagem refletida no espelho, ou do conhecimento das dimensões extrafísicas às quais estamos interligados.

No entanto, tal tarefa exige uma mudança de paradigma que não se restringe à uma única experiência vital do espírito. Não podemos mudar da "noite para o dia" o que levou séculos para internalizar em nosso inconsciente...

Contudo, em uma vivência podemos progredir consideravelmente, se tivermos persistência e força de vontade na busca de "ter olhos de ver e ouvidos de ouvir", além do conhecimento que limita-nos ao mundo das aparências.

Portanto, a percepção que vai além das aparências não se conforma com a imagem refletida no espelho, ou não se acomoda com a imagem inerte do amigo deitado no esquife. A percepção que vai além dos cinco sentidos não se conforma com a mentalidade de fuxicos ou de cultos à aparência que subestima o potencial humano e limita, consideravelmente, o conhecimento.

Precisamos avançar muito além da ilusão das aparências... e a jornada começa quando criamos coragem para dar o primeiro passo em direção ao outro lado do espelho.

CRESCE O INTERESSE DA CIÊNCIA PELA FELICIDADE.....





Cresce interesse da ciência pela felicidade, diz antropóloga
Lúcia Nórcio - A FIB - Felicidade Interna Bruta

"Somente nos últimos seis meses, foram divulgados 27.335 estudos e artigos publicados em revistas científicas abordando de aspectos bioquímicos até aspectos psicológicos sobre felicidade," afirmou a antropóloga e psicóloga Susan Andrews.

Susan, que é responsável pela implantação no Brasil de programas baseados no conceito da Felicidade Interna Bruta (FIB), disse que o interesse da ciência pela felicidade é crescente.

Efeitos da felicidade sobre a saúde

Com base nesses estudos, Susan afirmou que pessoas mais felizes têm sistemas imunológicos mais fortes, têm melhor desempenho no trabalho, adoecem menos, vivem mais e têm casamentos mais sólidos.

"A depressão se tornou uma das principais doenças da sociedade contemporânea. São esses os principais fatores que têm motivado a investigação científica, uma vez que um maior conhecimento sobre o que constitui a felicidade e como medi-la permitirá construir políticas mais eficientes com reflexos positivos sobre a saúde pública," disse.

Sai o PIB, entra a FIB

A antropóloga participa, em Foz do Iguaçu, da 5ª Conferência Internacional sobre Felicidade Interna Bruta (FIB), que discute até hoje (23) o conceito que surgiu no Butão, na Ásia, de medir o bem-estar de forma mais ampla do que o Produto Interno Bruto (PIB), comumente utilizado para mensurar o progresso material de um país.

A ideia tem a adesão de vários países, que se utilizam de alguns indicadores para orientar a elaboração de políticas públicas.

Bioquímica do corpo humano

Susan explicou que, na bioquímica do corpo humano, uma das substâncias associadas à felicidade é o hormônio cortisol, produzido pelas glândulas suprarrenais.

Pessoas felizes tendem a ter 32% menos cortisol. Em contrapartida, o hormônio é encontrado em abundância em pessoas com alto nível de estresse.

"É preciso ter consciência de que quando uma pessoa está infeliz, seu fígado está infeliz, seu estômago está infeliz, sua pele está infeliz. Os reflexos negativos se espalham pelo corpo inteiro".

TERAPIA TRAZ FELICIDADE 32 VEZES MAIS QUE O DINHEIRO....




Terapia traz felicidade 32 vezes mais do que dinheiro


Um estudo feita nas universidades de Warwick e Manchester, ambas no Reino Unido, concluiu que a psicoterapia pode ser 32 vezes mais efetiva em fazer alguém feliz do que simplesmente a obtenção de mais dinheiro.

Segundo os pesquisadores, além das implicações óbvias para o bem-estar geral da população, a pesquisa poderá ter implicações diretas sobre as grandes somas de dinheiro disputadas nos tribunais em processos de ressarcimento de danos morais.

Como aumentar a felicidade?

Chris Boyce e Alex Wood compararam grandes conjuntos de dados onde milhares de pessoas haviam feito relatos sobre o seu bem-estar.

Eles compararam então as situações nas quais o bem-estar mudou devido à psicoterapia, com as situações nas quais o bem-estar aumentou devido à obtenção repentina de grandes somas de dinheiro, incluindo de prêmios de loteria a aumentos de salário.

Eles verificaram que 4 meses de terapia psicológica têm o maior efeito sobre o bem-estar. O ganho em bem-estar durante a terapia - que custa em média £800,00 - somente era superado por um aumento nos ganhos equivalente a £25.000,00.

Desta forma, em termos estritamente econômicos, a pesquisa demonstrou que é 32 vezes mais efetivo gastar o seu dinheiro em uma terapia do que perseguir um ganho financeiro capaz de lhe dar o mesmo aumento de bem-estar.

Felicidade Interna Bruta

Os governos buscam o crescimento econômico a todo custo, na crença de que ela irá aumentar o bem-estar dos seus cidadãos - ainda mais agora, em tempos de substituição do PIB pela FIB - Felicidade Interna Bruta.

No entanto, a pesquisa sugere que mais dinheiro só leva a aumentos quase desprezíveis da felicidade e é uma maneira ineficiente de buscar o aumento da felicidade de uma população.

A pesquisa sugere que, se os governantes estiverem realmente preocupados com a melhoria do bem-estar da população, seria melhor aumentar o acesso e a disponibilidade de cuidados à saúde, em seus diversos aspectos, sobretudo os psicológicos.

Valorização excessiva do dinheiro

"Frequentemente, a importância do dinheiro para melhorar o nosso bem-estar e trazer maior a felicidade é largamente sobrevalorizada em nossa sociedade," dizem os pesquisadores no estudo, que acaba de ser publicado no periódico científico Health Economics, Policy and Law.

"Os benefícios de ter uma boa saúde mental, por outro lado, muitas vezes não são devidamente levados em conta e as pessoas não se apercebem do poderoso efeito que a terapia psicológica, como o aconselhamento geral, pode ter na melhoria do nosso bem-estar," concluem eles.

PÍLULA DA JUVENTUDE ELEVA EXPECTATIVA DE VIDA PARA 110 ANOS....


Pílula da Juventude eleva expectativa de vida para 110 anos

Um composto químico descoberto na Ilha de Páscoa aumentou o tempo de vida de camundongos em até 38%, o que equivaleria a aumentar a expectativa de vida de um homem de 80 para 110 anos.[Imagem: Wikipedia]

Outro mistério da Ilha de Páscoa

As gigantescas estátuas de pedra da Ilha de Páscoa continuam impassíveis, há 13 séculos, esperando por alguém que consiga explicar como elas foram construídas e como foram carregadas por uma ilha quase sem recursos naturais.

Mas agora a ilha começa a revelar um outro mistério: um composto químico, encontrado no solo da ilha, pode se transformar em uma pílula da juventude, capaz de aumentar o tempo de vida entre 28% e 38%. Em uma pessoa com expectativa de vida de 80 anos, isso significa que ela poderia atingir uma idade entre 102 e 110 anos.

Pílula da Juventude

Pesquisadores da Universidade do Texas (EUA) conseguiram sintetizar o composto, que foi batizado de rapamicina - em homenagem ao nome polinésio da Ilha de Páscoa, que é Rapa Nui. A pesquisa foi publicada no exemplar desta quinta-feira da revista Nature.

A "pílula da juventude" por enquanto foi testada apenas em camundongos, resultando em um aumento do tempo de vida dos animais entre 28 e 38%. Em termos humanos, isso seria mais do que o ganho esperado em anos extras de vida se todas as doenças do coração e o câncer pudessem ser evitados e curados.

A rapamicina foi dada aos camundongos em um período de suas vidas que equivaleria a dar o medicamento a um humano com 60 anos de idade.

"Eu estou na pesquisa sobre o envelhecimento há 35 anos e vi muitas intervenções chamadas 'antienvelhecimento' ao longo desses anos que nunca tiveram sucesso," diz o Dr. Arlan G. Richardson, um dos envolvidos na descoberta.

"Eu nunca pensei que iria encontrar uma pílula antienvelhecimento para as pessoas ao longo de toda a minha vida; entretanto, a rapamicina está se mostrando muito promissora em fazer exatamente isso," diz ele.

Rapamicina

A rapamicina foi descoberta nos anos 1970. O composto chamou a atenção por suas propriedades antifúngicas e mais tarde passou a ser usada para evitar rejeição de órgãos transplantados. Ela é também usada em stents implantados em pacientes cardíacos durante cirurgias de angioplastia para manter as coronárias abertas. E atualmente está sendo estudada para uso no combate ao câncer.

Agora os cientistas descobriram que a adição da rapamicina à dieta de camundongos velhos aumenta seu tempo de vida significativamente. Os testes foram repetidos em três centros de pesquisas e os resultados foram os mesmos em todos eles.

Formas de evitar o envelhecimento

Os pesquisadores do envelhecimento atualmente conhecem apenas duas formas de aumentar o tempo de vida em mamíferos: a restrição calórica e a manipulação genética. A rapamicina aparentemente desabilita as mesmas rotas moleculares sobre as quais age a restrição da ingestão de alimentos calóricos.

Ela faz isto por meio de uma proteína chamada mTOR, que controla vários processos no metabolismo das células e que responde ao estresse.

Microencapsulamento

A rapamicina não é estável o suficiente para ser utilizada como alimento, não conseguindo superar o trato digestivo para atingir a corrente sanguínea.

Para superar essa deficiência, os cientistas utilizaram uma técnica chamada microencapsulamento, um processo por meio do qual um composto químico recebe um revestimento na forma de micropartículas, permitindo que rapamicina passe pelo estômago, sendo liberada no intestino, de onde ela atinge a corrente sanguínea.

Aumento do tempo de vida

O objetivo original era começar a alimentar os camundongos com 4 meses de idade, mas por causa da demora no desenvolvimento do microencapsulamento, os camundongos só começaram a receber o composto quando tinham 20 meses de idade - o equivalente a um homem com 60 anos de idade.

"Eu acreditava que não iria funcionar porque os camundongos eram muito velhos quando o tratamento começou," diz o Dr. Richardson. "A maioria das pesquisas indica que a restrição calórica não funciona quando adotada em animais muito velhos. O fato de que a rapamicina aumentou o tempo de vida de camundongos relativamente velhos foi totalmente inesperado."

Efeitos colaterais graves

Agora começarão os estudos com vistas a testar a rapamicina em humanos visando o aumento da longevidade. Uma pílula da juventude que possa ser comprada na farmácia, contudo, não deverá estar disponível em pouco tempo. Isso porque, em seu uso médico atual, a rapamicina apresenta uma série de efeitos colaterais graves.

Contudo, a pesquisa poderá apontar novas formas de atuação sobre as rotas químicas do corpo humano que levem ao longamente sonhado objetivo de uma vida mais longa e saudável. Nesta semana, outra pesquisa revelou que os morcegos podem ter uma dica para uma vida mais longa para os humanos - Cientistas descobrem uma "fonte da juventude" em caverna de morcegos

SER FELIZ E POSITIVA FAZ BEM AO CORAÇÃO!!!


Emoções positivas para o coração...

Pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, descobriram uma ligação direta entre as emoções e as doenças cardíacas.

O estudo, o primeiro a demonstrar uma relação direta entre as emoções positivas e as doenças coronarianas, foi publicado na revista da Sociedade Europeia de Cardiologia.

Efeito positivo

"Ser feliz faz bem para o seu coração," afirma Karina Davidson, que coordenou a pesquisa, um estudo observacional sobre uma amostra da população que passou por eventos cardíacos de diversos tipos.

O estudo sugere que pode ser possível ajudar as pessoas a evitar as doenças cardíacas melhorando suas emoções positivas.

Ao longo de um período de 10 anos, Davidson e seus colegas acompanharam 1.739 adultos saudáveis (862 homens e 877 mulheres). No início do estudo, enfermeiras treinadas avaliaram o risco de doenças cardíacas de cada um dos participantes e o grau de expressão de emoções positivas, que é conhecido como um "efeito positivo."

Emoções agradáveis

O efeito positivo foi definido como a experimentação de emoções agradáveis, como alegria, felicidade, entusiasmo e contentamento. Esses sentimentos são normalmente estáveis e característicos da personalidade, sobretudo entre os adultos.

Depois de levar em conta idade, sexo, fatores de risco cardiovasculares e emoções negativas, os pesquisadores descobriram que, ao longo do período de 10 anos, um maior efeito positivo esteve associado com um risco de doenças 22% menor por ponto - em uma escala de cinco pontos que mede os níveis de expressão do efeito positivo, variando de "nenhum" para "extremo".

"Nós também descobrimos que se alguém, que era normalmente positivo, apresentou algum sintoma depressivo no período da pesquisa, isto não afetou o menor risco em geral da doença cardíaca," diz Davidson.

Como as emoções afetam o coração

Os pesquisadores especulam sobre os possíveis mecanismos pelos quais as emoções positivas podem oferecer uma proteção de longo prazo contra as doenças do coração.

Entre as possibilidades, eles listam a influência das emoções positivas sobre a variabilidade da frequência cardíaca, sobre os padrões de sono e sobre o abandono do cigarro.

"Nós temos diversas explicações possíveis," diz a Dra. Davidson. "Primeiro, as pessoas com o efeito positivo podem ter períodos maiores de relaxamento fisiológico. Segundo, eles podem se recuperar mais rapidamente de eventos estressantes, não gastando muito tempo revivendo-os, o que pode causar danos fisiológicos."

Como o cérebro guarda as memórias...




Programa de computador "lê a mente" e adivinha pensamentos
Por meio da análise de imagens da atividade cerebral, programa desenvolvido por cientistas britânicos acerta em quais de três filmes, exibidos anteriormente, voluntários estavam pensando por meio de uma análise do hipocampo.

Armazenamento das memórias

Um grupo de pesquisadores britânicos desenvolveu um sistema informatizado que se mostrou capaz de adivinhar o que pessoas estavam pensando por meio da análise da atividade cerebral.

O estudo foi feito por cientistas do Centro de Neuroimagem Wellcome Trust da University College London, na Inglaterra, e publicado revista Current Biology.

O objetivo do trabalho foi ampliar o conhecimento de como o cérebro armazena memórias.

Memórias espaciais

O estudo, liderado pela professora Eleanor Maguire, é uma continuação de um trabalho publicado no ano passado em que o mesmo grupo mostrou como memórias espaciais são gravadas em padrões regulares de atividade no hipocampo, área no cérebro responsável pela memória e aprendizagem.

"Em nosso experimento anterior, investigamos as memórias básicas com relação à localização de uma pessoa em determinado ambiente. Mas o mais interessante é olhar para memórias episódicas, as memórias complexas, do dia a dia, que incluem informações de onde você está, o que está fazendo e como está se sentindo", disse a pesquisadora.

Memórias episódicas

Para explorar como as memórias episódicas são armazenadas, os pesquisadores exibiram a dez voluntários três filmes curtos e pediram que tentassem memorizar o que viram.

Os filmes eram bem simples e compartilhavam alguns detalhes. Todos incluíam uma mulher que fazia uma tarefa comum em um típico cenário urbano. Os filmes tinham a mesma duração: sete segundos. Um deles, por exemplo, mostrava uma mulher andando em uma rua e bebendo café de um copo de papel para, no fim, jogar o copo no lixo. Outro filme mostrava uma outra mulher colocando uma carta na caixa de correio.

Em seguida, os pesquisadores pediram aos voluntários que tentassem memorizar os três filmes, na sequência em que foram exibidos. Enquanto isso era feito, seus cérebros eram examinados por ressonância magnética, de modo a registrar a atividade cerebral por meio da medição de alterações no fluxo sanguíneo.

Computador que adivinha o pensamento

Um programa de computador desenvolvido para o estudo analisou os padrões registrados para tentar identificar qual dos filmes a pessoa estava tentando memorizar apenas pela atividade cerebral.

"O programa foi capaz de estimar corretamente em qual dos filmes o voluntário estava pensando em um número de vezes muito acima do que se pode esperar apenas pela probabilidade de tentativa e erro. Os resultados sugerem que nossas memórias são gravadas em um padrão regular", disse Martin Chadwick, autor principal do estudo.

Como o cérebro guarda as memórias

Embora uma rede que reúne diversas áreas do cérebro esteja envolvida no processo de armazenamento de memórias, os pesquisadores decidiram centralizar o estudo no lobo temporal médio, uma região que se suspeita estar envolvida principalmente na memória episódica. A região inclui o hipocampo, área que o grupo estudou extensivamente nos últimos anos.

Os cientistas observaram que as principais áreas envolvidas no armazenamento de memórias eram o hipocampo e as regiões imediatamente ao lado. Entretanto, o programa de computador teve aproveitamento melhor ao analisar a atividade apenas no hipocampo, indicando que essa é a região mais importante para o armazenamento de memórias episódicas.

"Agora que estamos conseguindo um retrato mais claro de como nossas memórias são armazenadas, esperamos examinar como elas são afetadas pelo tempo, pelo processo de envelhecimento e por danos ao cérebro", disse Maguire.

CINCO EMOÇÔES BÁSICAS QUE NÃO SABIAMOS ...


Cinco emoções que você nunca soube que tinha...
Um dos testes idealizados por Paul Ekman para reconhecimento das emoções. 1) Tristeza. 2) Nojo. 3) Alegria. 4) Raiva controlada. 5) Medo controlado. 6) Raiva controlada. 7) Medo ou surpresa. 8) Desdém ou orgulho. 9) Preocupação, apreensão ou leve medo.[Imagem: Paul Ekman

Seis emoções básicas

Alegria, tristeza, raiva, medo, surpresa e nojo. Você provavelmente não vai concordar, mas estas são, segundo os psicólogos, as seis emoções básicas do ser humano.

São as chamadas Big Six, as Seis Grandes emoções, consideradas universais no sentido de que qualquer ser humano, ao senti-las, não conseguirá evitar mostrá-las no rosto e as mostrará sempre com as mesmas expressões faciais.

E por que ficaram de fora todos aqueles sentimentos mais nobres, amizade, amor e compaixão, por exemplo, universalmente aceitos como representações da mais pura seiva do espírito humano?

Animalidade científica

Você pode diferenciar entre emoções e sentimentos, se quiser. Mas aqui a questão é metodológica. A ciência estuda o ser humano no seu aspecto biológico. A rigor, afirmam os cientistas mais puristas, só existe o biológico - a mente emana do cérebro, o espírito emana do corpo, enfim... o software emana do hardware. Ou seja, apesar de soar esdrúxula para 99% dos não-cientistas, a proposta mais científica atualmente aceita é a de que, quando se trata do ser humano, o superior deriva do inferior.

Assim, num mundo totalmente biológico, as emoções que devem ser levadas a sério, segundo os cientistas, são aquelas que existem para cumprir um papel como auxiliares na sobrevivência.

Logo, "emoções de verdade" devem motivar atividades que nos ajudem a ter algum tipo de sucesso em uma "luta pela vida", contra inimigos, contra animais ferozes, contra concorrentes na reprodução e contra as hostilidades da própria natureza - do tipo que se vê em documentários sobre o início da evolução humana, quando ainda estávamos mais próximos dos símios.

Mas os tempos, como sempre, estão mudando, ou não seriam tempos. Até mesmo a ciência vem abrindo espaço, ainda pouco espaço, é verdade, para a "humanidade do homem", tirando-o daquele paraíso perdido selvagem, idealizado pelos cientistas para exorcizar desse animal tão diferente tudo aquilo que o faz ser diferente dos outros animais. E a ciência vai, aos poucos, aderindo ao fato por ela mesma desvendado de que, afinal de contas, evoluímos.

Emoções do homem moderno

Nossos ancestrais podem ter tido a necessidade diária do medo para fugir dos predadores, da raiva para vencer os inimigos e do nojo para evitar as doenças. Mas a vida em civilização trouxe elementos mais sutis à tona, fazendo surgir um monte de novos candidatos a emoções básicas em um mundo onde a vida vai muito além da sobrevivência.

Avareza, vergonha, tédio, depressão, ciúme e amor, por exemplo, podem ser indicados como marcas registradas da idade moderna. E não apenas estas. Algumas emoções mais obscuras podem estar se tornando cada vez mais relevantes.

Jessica Griggs, escrevendo para a revista britânica New Scientist, entrevistou especialistas e compilou uma lista. A seguir, estão suas cinco preferidas, aquelas que poderiam se juntar às outras para eventualmente formar as Big Eleven. Ou talvez fosse melhor chamá-las de B11, já nos preparando para os infindáveis acréscimos que, com maior ou menor emoção, cada um tentará fazer por si próprio.


Jonathan Haidt mantém diversos sites sobre as emoções e os sentimentos, incluindo A Hipótese da Felicidade.

Elevação

Em meio à turbulência econômica do ano passado, o discurso de posse do Presidente Barack Obama foi forte e inspirador. Milhões de eleitores, absorvendo cada uma de suas palavras, tinham lágrimas nos olhos, uma sensação de formigamento na parte de trás do pescoço e uma sensação quente no peito como se ali estivesse uma abertura para permitir que o amor e a esperança jorrassem.

Este sentimento é o que Jonathan Haidt, da Universidade da Virgínia, chama de elevação. O pesquisador acredita ter encontrado os traços da elevação na liberação de oxitocina, que gera sensações de acolhimento e calma. É esse hormônio que ativa o nervo vago e estimula os músculos da garganta e do pescoço - o que explicaria as sensações dos eleitores de Obama.

A oxitocina já foi apontada em várias pesquisas como estando ligada a sentimentos nobres - veja, por exemplo, a reportagem Nascidos para o amor: teoria defende a sobrevivência do mais bondoso.

É também a oxitocina que faz as mães liberarem o leite que amamenta seus filhos. Em seus experimentos, Haidt identificou a liberação de um maior volume de oxitocina em mães que, ao amamentar, assistiam programas de TV inspiradores, e menos naquelas que assistiam programas sem sentido emocional.

Assim, a elevação tem tanto um componente fisiológico quanto um componente motivacional. No entanto, ao contrário dos Seis Grandes emoções, ela não tem uma expressão facial característica evidente, o que pode explicar por que ela saiu dos radares da pesquisa científica há muito tempo. "Se você observar o contexto, você pode ser capaz de detectar um ligeiro abrandamento das expressões," diz Haidt. "Às vezes, as sobrancelhas são levantadas como se a pessoa estivesse triste."

A elevação também é relativamente rara. Geralmente as pessoas a experimentam menos de uma vez por semana, embora existam grandes diferenças individuais. Contudo, sempre que ela surge, está envolvida com coisas altamente significativas.

"Se você pedir às pessoas que relembrem as melhores experiências de toda a sua vida, os momentos de elevação provavelmente estarão entre os cinco primeiros", diz Haidt.

Mais do que isso, se pudermos domar a elevação e aproveitá-la para construir a confiança mútua, isto poderia ter relevância especial no mundo moderno para reforçar ou reparar relações interpessoais. Haidt vislumbra um tempo, por exemplo, quando os terapeutas conjugais poderão tentar induzir a elevação a fim de aumentar a eficácia das sessões de aconselhamento de casais.


O psicólogo Paul Ekman é um dos pioneiros no estudo das emoções e de suas expressões faciais, tendo pesquisado as emoções entre várias culturas ao redor do mundo. [Imagem: Tenzin Choejor]
Interesse

Sua cabeça inclina-se levemente para um lado, sua fala se acelera e os músculos em sua testa e em torno dos seus olhos se contraem conforme você se vê absorvido em aprender uma música nova, entender a termodinâmica do Universo ou talvez simplesmente revisar sua coleção de selos.

O interesse pode ser mais difícil de detectar do que o medo ou a alegria, mas ele de fato possui uma das marcas fundamentais de uma emoção básica - a sua própria expressão facial. Desde 1960, quando Paul Ekman fez os trabalhos pioneiros neste campo, os psicólogos têm procurado por expressões faciais universais para ajudar a medir e classificar as emoções.

O interesse também parece ter um propósito. O psicólogo Paul Silvia, da Universidade de Carolina do Norte, acredita que ele motiva as pessoas a aprender - não por dinheiro, não para uma prova, mas para seu próprio bem, para aumentar os seus conhecimentos apenas porque eles desejam esse conhecimento.

Isto poderia explicar porque o interesse encontrou seu próprio espaço no mundo moderno. Ele pode ser visto como um contrapeso para o medo e a ansiedade que envolvem os eventos com os quais não estamos familiarizados. Sem o interesse poderíamos nos afastar das coisas novas ou complicadas porque elas tendem a nos deixar nervosos. "Isso faz sentido se pensarmos em termos de história evolutiva, quando as situações desconhecidas podem muitas vezes serem perigosas," diz Paul. "Mas, no mundo moderno, isto seria desastroso porque não poderíamos prosperar intelectualmente".

Outro argumento forte para elevar o status do interesse como emoção básica é que ele pode dar errado. Um critério que alguns psicólogos usam para definir uma emoção básica é que ela deve ter aberrações ou patologias associadas. O medo excessivo, por exemplo, gera o pânico ou a ansiedade crônica. Da mesma forma, interesse demais resulta em comportamentos compulsivos, repetitivos e extenuantes.

Assim, como o interesse entra na liga das emoções? Como criaturas naturalmente curiosas, nós o experimentamos diariamente e dedicamos um bocado de tempo e inteligência com as coisas que nos interessam. Apenas isso já seria suficiente para torná-lo um "Big".

Mas o poder real do interesse, de acordo com Paul, reside na sua capacidade de nos manter engajados em nossas vidas frenéticas, em vez de deixar-nos dominar pela sobrecarga de informações. Esta também é uma razão para tentar compreender o que estimula o interesse. "Temos de encontrar formas de ajudar as pessoas a aprenderem, para evitar que elas se tornem ansiosas e se deem bem frente a essa quantidade monstruosa de informação", diz ele.


Sara Algoe, da Universidade da Carolina do Norte, descobriu que a gratidão faz os casais sentirem-se mais conectados. [Imagem: Divulgação]
Gratidão

A gratidão ainda tem um longo caminho a percorrer antes que possa satisfazer os critérios mais rigorosos para se enquadrar como uma emoção básica. Sua expressão facial ainda não foi identificada, embora se possa especular com, talvez, um sorriso e uma leve inclinação frontal da cabeça.

No tocante a um propósito, contudo, a gratidão nos motiva a agir: ela nos faz querer reconhecer e retribuir uma gentileza ou um gesto de bondade. Assim, a gratidão pode simplesmente assegurar um mecanismo de compensação, mas novas pesquisas sugerem que pode haver mais do que isso.

Sara Algoe, da Universidade da Carolina do Norte, descobriu que a gratidão faz os casais sentirem-se mais conectados. Ela argumenta que os gestos verdadeiramente significativos nos ajudam a encontrar as pessoas que realmente nos cativam. O sentimento de gratidão é um sinal de que devemos conhecer melhor essas pessoas já que provavelmente poderemos contar com elas no futuro.

Assim, uma vez que você está em um relacionamento romântico, o sentimento de gratidão serve como um pequeno lembrete de quão importante e significativo é o seu parceiro. A longo prazo, diz Algoe, a gratidão está lá para ajudar a promover um ciclo positivo de dar e receber, criando uma espiral ascendente de satisfação no relacionamento.

Se Algoe estiver correta, a gratidão tem grandes benefícios potenciais no mundo moderno. Relacionamentos de alta qualidade são bons para nossa saúde, conforme destaca sua colega Barbara Fredrickson. Ela vai mais longe em seu livro Positividade, sugerindo que o cultivo da gratidão poderia aumentar a harmonia social em grupos e comunidades, promover uma menor a rotatividade entre os trabalhadores, aumentar o voluntariado nas comunidades, eventualmente diminuir a criminalidade e induzir à produção de menos lixo e menos desperdício de recursos.


Jessica Tracy, uma das poucas psicólogas no mundo que trabalham com o orgulho, faz a distinção entre o que ela chama de "orgulho arrogante" e "orgulho autêntico". [Imagem: Divulgação]
Orgulho

O vaidoso e arrogante sentimento de orgulho tem sido chamado de o mais mortífero dentre os sete pecados mortais.

No entanto, o orgulho também pode ser nobre. Todos nós conhecemos a sensação de realização e autoestima que surge quando nos saímos bem em alguma coisa, seja conseguir uma promoção, construir algo, ganhar uma corrida ou descobrir uma solução em um jogo de palavras cruzadas.

É por isso que Jessica Tracy, da Universidade da Columbia Britânica, no Canadá, uma das poucas psicólogas que trabalham com o orgulho, faz a distinção entre o que ela chama de "orgulho arrogante" e "orgulho autêntico".

O orgulho pode se manifestar de duas maneiras diferentes, mas não podemos diferenciá-las a partir da expressão facial ou corporal. Os dois tipos fazem as pessoas inclinarem a cabeça para trás, estender os braços, afastando-os do corpo e tentar olhar tão amplamente quanto possível. Como Charles Darwin destacou em seu livro A Expressão das Emoções nos Homens e nos Animais, uma pessoa orgulhosa parece "inchada". Portanto, há uma característica visual do orgulhoso. Mas, ao contrário das emoções básicas, a face desempenha um papel pequeno, com um leve sorriso.

O orgulho também difere das Seis Grandes por ser uma emoção "autoconsciente". Como a vergonha, a culpa e o embaraço, o orgulho exige um sentido de autonomia e a capacidade de se autoavaliar. "A fim de experimentar o orgulho," explica Tracy, "eu preciso pensar em quem eu sou, quem eu quero ser e como o evento que acabou de acontecer se reflete sobre mim e sobre minhas ambições."

Então, qual é o objetivo do orgulho e por que temos dois orgulhos diferentes mas que têm a mesma aparência? Em geral, quando as pessoas veem uma expressão de orgulho elas a associam com um status elevado. Assim, o orgulho nos motiva a fazer bem as coisas para para ganharmos respeito.

Há duas maneiras distintas ganhar prestígio e respeito, o que talvez explique as duas facetas do orgulho.

O status pode assumir duas formas, explica o antropólogo Joe Henrich, também da Universidade da Columbia Britânica. A primeira é baseada na dominação e é comumente vista em primatas não-humanos, onde os indivíduos maiores e mais fortes são reverenciados porque poderiam ferir ou matar os outros. Os equivalentes humanos incluem o bullying e os chefes ditadores.

O segundo tipo de status é o prestígio. Neste caso, o respeito e o poder são obtidos através do conhecimento ou da habilidade. "Isso se encaixa nos dois tipos de orgulho," diz Tracy. "Um está associado à agressividade e ao excesso de confiança, enquanto o outro motiva a realização, o trabalho duro e o comportamento altruísta."

Confusão

A confusão é difícil de descrever. É um sentimento que todos já experimentamos, seja em um teatro, numa galeria de arte ou vagando meio perdido em uma cidade desconhecida.

Dacher Keltner, da Universidade da Califórnia, sugere que confusão é a "sensação de que o ambiente está dando informações insuficientes ou contraditórias".

Mas seria a confusão realmente uma emoção?

Para alguns psicólogos, a ideia é escandalosa. No entanto, Paul Silvia acha que a confusão deve ser entendida como uma emoção básica simplesmente porque ela é tão fácil de detectar. As sobrancelhas franzem, os olhos semicerram-se, os lábios se apertam - você reconhece a confusão quando a vê. De fato, um estudo descobriu que esta é a segunda expressão mais reconhecível no dia a dia, sendo superada apenas pela alegria.

Mas para o que serve a confusão? É uma emoção baseada no conhecimento, na mesma "família" do interesse e da surpresa, diz Paul. Ele acredita que a confusão é a maneira do nosso cérebro nos dizer que a forma como estamos encarando as coisas não está funcionando, que o nosso modelo mental do mundo é falho ou inadequado. Algumas vezes isso nos fará bater em retirada, mas também pode nos motivar a mudar a nossa atenção ou mudar a nossa estratégia de aprendizagem, diz ele.

Uma ideia relacionada é que uma expressão facial de confusão emite um alerta para que outras pessoas possam ajudar a pessoa confusa. Se for assim, a confusão serve para trazer novos conhecimentos e incentivar as relações sociais, tornando-a, talvez, a emoção perfeita para o século.CINCO EMOÇ~OES BÁSICAS

HINO AO AMOR!!!!

Hino ao amor


Ainda que eu fale línguas,
as dos homenes ou as dos anjos,
se não tiver amor,
serei como o bronze que soa,
ou como o címbalo que retine.

Ainda que eu tenha o dom da profecia,
o conhecimento de todos os mistérios
e de toda a ciência,
ainda que tenha toda a fé,
a ponto de transportar montanhas,
se não tiver amor, nada serei.

Ainda que eu distribua
todos os meus bens ao famintos
ainda que entregue
meu corpo para ser queimado,
se não tiver amor,
nada disso me aproveitará.

O amor é paciente,
o amor é prestativo,
não é invejoso, não se ostenta,
não se incha de orgulho.
Não se faz de inconveniente,
não procura o seu próprio interesse,
não se irrita, não guarda rancor.
Não se alegra com a injustiça,
mas se recozija com a verdade.
Tudo desculpa, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.

O amor jamais passará.
Mas, havendo professias, desaparecerão;
havendo linguas, cessarão;
havendo ciência, passará.
Porque o nosso conhecimento é limitado,
e limitada é a nossa profecia.
Quando porém vier o que é perfeito,
o que é limitado desaparecerá.

Quando eu era menino,
falava como um menino,
pensava como um menino,
raciocinava como um menino.
Depois que me tornei homem
desisti das coisas de menino.

Agora vemos em espelho.
e de maneira confusa,
mas, depois, veremos face a face.
Agora meu conhecimento é limitado,
mas, depois, conhecerei como sou conhecido.

Agora, portanto, permanecem a Fé,
a Esperança, e o Amor.
Estes três.
Porém, o maior deles é o Amor.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Decifra-me...


Decifra-me...

Não venha me falar de razão,
Não me cobre lógica,
Não me peça coerência,
Eu sou pura emoção.
Tenho razões e motivações próprias,
Sou movido por paixão,
Essa é minha religião e minha ciência.
Não meça meus sentimentos,
Nem tente compará-los a nada,
Deles sei eu,
Eu e meus fantasmas,
Eu e meus medos,
Eu e minha alma.
Sua incerteza me fere,
Mas não me mata.
Suas dúvidas me açoitam,
Mas não deixam cicatrizes.
Não me fale de nuvens,
Eu sou Sol e Lua,
Não conte as poças,
Eu sou mar,
Profundo, intenso, passional.
Não exija prazos e datas,
Eu sou eterno e atemporal.
Não imponha condições,
Eu sou absolutamente incondicional.
Não espere explicações,
Não as tenho, apenas aconteço,
Sem hora, local ou ordem.
Vivo em cada molécula,
Sou o todo e sou uno,
Você não me vê,
Mas me sente.
Estou tanto na sua solidão,
Quanto no meu sorriso.
Vive-se por mim,
Morre-se por mim,
Sobrevive-se sem mim.
Eu sou começo e fim,
E todo o meio.
Sou seu objetivo,
Sua razão que a razão
Ignora e desconhece.
Tenho milhões de definições,
Todas certas,
Todas imperfeitas,
Todas lógicas apenas
Em motivações pessoais,
Todas corretas,
Todas erradas.
Sou tudo,
Sem mim, tudo é nada.
Sou amanhecer,
Sou Fênix,
Renasço das cinzas,
Sei quando tenho que morrer,
Sei que sempre irei renascer.
Mudo protagonista,
Nunca a história.
Mudo de cenário,
Mas não de roteiro.
Sou música,
Ecôo, reverbero, sacudo.
Sou fogo,
Queimo, destruo, incinero.
Sou água,
Afogo, inundo, invado.
Sou tempo,
Sem medidas, sem marcações.
Sou clima,
Proporcional a minha fase.
Sou vento,
Arrasto, balanço, carrego.
Sou furacão,
Destruo, devasto, arraso.
Mas sou tijolo,
Construo, recomeço...
Sou cada estação,
No seu apogeu e glória.
Sou seu problema
E sua solução.
Sou seu veneno
E seu antídoto
Sou sua memória
E seu esquecimento.
Eu sou seu reino, seu altar
E seu trono.
Sou sua prisão,
Sou seu abandono e
Sou sua liberdade.
Sua luz,
Sua escuridão
E seu desejo de ambas,
Velo seu sono...
Poderia continuar me descrevendo
Mas já te dei uma idéia do que sou.
Muito prazer, tenho vários nomes,
Mas aqui, na sua terra,
Chamam-me de AMOR.

APRENDI....



Aprendi que se aprende errando

Que crescer não significa fazer aniversário
Que o silêncio é a melhor resposta, quando se ouve uma bobagem
Que trabalhar significa não só ganhar dinheiro
Que amigos a gente conquista mostrando o que somos
Que os verdadeiros amigos sempre ficam com você até o fim
Que a maldade se esconde atrás de uma bela face
Que não se espera a felicidade chegar, mas se procura por ela
Que quando penso saber de tudo ainda não aprendi nada
Que a Natureza é a coisa mais bela na Vida
Que amar significa se dar por inteiro
Que um só dia pode ser mais importante que muitos anos
Que se pode conversar com estrelas
Que se pode confessar com a Lua
Que se pode viajar além do infinito
Que ouvir uma palavra de carinho faz bem à saúde
Que dar um carinho também faz...
Que sonhar é preciso
Que se deve ser criança a vida toda
Que nosso ser é livre
Que Deus não proíbe nada em nome do amor
Que o julgamento alheio não é importante
Que o que realmente importa é a Paz interior
E finalmente, aprendi que não se pode morrer...

SEM APRENDER A VIVER...

SER LOUCO??




Há horas na vida,
Em que é inevitável
Parar e analisar o mundo,
As pessoas que nos cercam

E de repente vem a sensação
De estar um pouco só,
De se sentir um louco
Em meio a uma multidão.

Mas sabe,

O que é ser louco
Num mundo dito tão normal,
Mas tão cheio de conflitos,
De tristezas e egoísmo?

Um mundo que ainda valoriza
tanto o ter,
E tão pouco o ser,

Um mundo que planeja
e projeta tanto o amanhã
Que acaba esquecendo do agora,

Um mundo que mata
e que não é feliz,
Que não sorri,
que tem pressa de crescer,
Que se esqueceu
De apreciar estrelas
E de celebrar um novo dia.

De repente,

Ser louco parece fascinante,
Nos permite ousar sermos livres
E pensar com mais pureza,
Acreditar no impossível
E fazer real aquilo
Em que ninguém acredita.

Ser louco nos alforria
da sensatez total,
Da vida de escritório,
Das algemas da mentira,
Da prisão da inveja.

Ser louco nos permite ser criança
Até quando quisermos,
Distribuir sorrisos num dia de chuva
E se lambuzar com chocolate,

Afinal aos loucos tudo é permitido.

Enquanto os sãos morrem de amor,
Os loucos vão vivendo dele,

Enquanto o mundo normal
Corre atrás do dinheiro,
Nós loucos perseguimos a felicidade,

Enquanto os sãos fazem guerra,
Nós lutamos alucinadamente
Pela paz,

Onde os sãos se desesperam,
Nós loucos sabemos esperar,

Quando o mundo desiste,
Nós permanecemos loucos de amor.

Ser normal pode ser conveniente,
Mas ser louco é ser muito mais feliz.

UM ABRAÇO AJUDA CURAR NOSSAS FERIDAS....


Tem abraços de todo jeito, todo tamanho, e que significam tantas coisas...

Tem o abraço de diz :
"Sou muito feliz porque tenho a sua amizade"

E tem abraços que querem dizer :
"Eu tenho muito orgulho de você".

Tem abraços especiais para dizer:
"Não existe no mundo ninguém como você".

Tem abraços ternos, abraços com carinho,
Para expressar os sentimentos tristes.
Abraços que murmuram "Sinto muito", quando alguém precisa de um amigo.

Tem abraços para todas as ocasiões,
Todos com as suas razões.

Tem abraço manso, abraço de urso, abraço grande e aquele abração.
Mas o melhor abraço é um que diz "Eu estou sempre pensando em você."

E tem o tipo especial que você vai receber
Este abraço que diz "EU AMO VOCÊ !"



A maior de todas as volúpias

É o abraço

Abraço de braços

De pernas

De mãos

De olhos

De lábios

De beijos

De desejos

De peitos

De corações

De ilusões

De prazer e de dor

Abraço de amor

Abraços

Laços que ato

E não desato...

quinta-feira, 18 de março de 2010

QUEM NÃO RECEBER O REINO DE DEUS COMO UMA CRIANÇA,NÃO ENTRARÀ NELE...


Somos ainda seres em evolução, nascidos em um planeta de transformação, e as experiências do nascimento e da infância poderão deixar marcas dolorosas. A criança muitas vezes poderá ter sido rejeitada e magoada. Outras vezes as experiências físicas ou psicológicas não foram tão negativas, mas foram percebidas como tais pela criança, seja pelo ciúmes, egoísmo, ou condicionamentos anteriores, deixando na psique o registro de uma criança ferida.

O tema da “criança” foi abordado no Evangelho de diferentes maneiras. Uma delas é a que nos recorda de que somos crianças no espírito, na evolução, mas que nessa pequena dimensão criança repousa a centelha do espírito divino em sua pureza original, que confia, busca e se entrega.

Em Marcos capitulo 10, versículo 13-16 conta-se que algumas pessoas traziam crianças para que Jesus as tocasse. Os discípulos, porém as repreendiam.Vendo isso Jesus se aborreceu e disse: - “Deixai as crianças virem a mim. Não as impeçais, porque a elas é que pertence o reino de Deus. Em verdade vos digo: quem não receber o reino de Deus como uma criança, não entrará nele”. E abraçava as crianças impondo as mãos sobre elas, as abençoava.

Este versículo indica que se não resgatarmos aquela essência numinosa da criança concebida, não despertaremos o Reino de Deus que nos habita. Este Reino não é uma realização material, mas sim espiritual, é um estado de consciência mais amplo. Um estado da plenitude, paz, equilíbrio e harmonia. Um Reino de bondade e felicidade. A criança divina é que nos traz o amor incondicional, a confiança original, a leveza para “entrarmos” nesse Reino. A criança divina tem asas, voa acima das limitações humanas, pois se agarra aos “pais” divinos. Esta dimensão psíquica se permite ser protegida, esclarecida e amparada.

A criança divina em suas asas, poderá levá-lo as mais lindas paisagens, levá-lo ao bom, verdadeiro e belo. Ela brinca, tem alegria e espontaneidade. É a manifestação do eu superior, a essência maior que faz a travessia do espiritual sutil ao espiritual manifesto.
Jean-Yves Leloup, no romance de Maria Madalena, descreve a cerimônia do lava pés, que Cristo realizou com os apóstolos, como sendo uma experiência de lavar e curar todos os males da criança ferida, para que então eles pudessem se libertar dos bloqueios, caminharem levando a Boa Nova que era a mensagem do Cristo Vivo, aquele que não morre jamais.

Assim nós precisamos também cuidar de nossa criança ferida, acolhê-la, legitimar suas dores, mas ir além; não alimentar suas ressentimentos e experiências de injustiças, que só iriam, impedir nossa evolução, não nos deixando enxergar o sentido maior e aprendizagem desta existência.

É necessário ajudar a criança interior, sentida, magoada que às vezes insiste em nutrir e alimentar seu papel de vítima para ter migalhas de atenção humana, perdendo o grande banquete que Deus lhe oferece de uma vida mais plena para aqueles que ousam caminhar, confiar.

Podemos curar as feridas desta criança, ajudá-la a caminhar, mas, sobretudo recordá-la de que em essência ela é divina. Lembrá-la que uma força maior a fez sobreviver e chegar até os dias atuais, apesar de todas as dificuldades encontradas. Novas oportunidades surgirão e novos passos poderão ser dados. A vida venceu mesmo quando o olhar limitado não conseguia alcançar a amplitude e significado de todo sofrimento.

Esse é o convite: - Despertar a criança divina para receber o Reino de Deus.

Essa é a mensagem: - Seguir em frente, porque dela é o Reino dos céus, da transparência e do amor incondicional.

Por traz de toda criança ferida, há uma criança divina pedindo passagem. Ela nos agradece e nos recompensa, quando permitimos que ela ocupe o seu lugar. Manifesta em nossa vida a simplicidade, a expressão mais pura do amor.

Nela é que reside preciosos tesouros de nossa espiritualidade, tais como a alegria, a entrega, a bondade, espontaneidade e confiança incondicional ao Pai, a grande forma de Amor que a tudo criou. Que nos deu olhos para ver, mas que tudo fará para que verdadeiramente possamos enxergar com o nosso coração. Tal como afirmava o pequeno Príncipe de Saint Exupéry: - “Só se vê bem com o coração o essencial é invisível aos olhos.” Nossa criança divina, enxerga com coração... , nos desperta para a Vida.
extraido do livro
"maria madalena
autor jean yves leloup

À PSICOLOGIA É UMA CIÊNCIA PRÀTICA.....


A psicologia é uma ciência prática que deve servir para ajudar as pessoas a melhorar a sua qualidade de vida, o seu relacionamento consigo mesmo e com os demais. Idéias devem ser postas em prática; mas se elas forem falhas - -, devem ser substituídas por novas. Temos de retomar a noção de uma ciência em atividade, como aconteceu nos primeiros anos da psicanálise, e a idéia de uma ciência em processo de desenvolvimento e mudança.

Não estou defendendo aqui dramática e fanaticamente as minhas idéias. Apenas abordei algumas delas e as exponho a julgamento.São observaçôes de mais de 30 anos de consultório. Se aparecerem opiniões mais consistentes e que contradigam as que aqui foram colocadas, abandonarei imediatamente as minhas idéias e procurarei me adequar às novas, que expliquem e justifiquem melhor os novos fatos.
Para mim, esta é a essência de um modo aberto de pensar que poderá levar a bons resultados. E estamos aqui para colecionar novos dados - trabalhando, todos, em assuntos de psicologia, para que um dia ela se transforme em uma ciência a mais objetiva e útil possível.
Flàvio gikovate
psicanalista e escritor.

CRIAR E VIVER SE INTERLIGAM....


Tenho certeza que muitos de nós já pensamos que criatividade é um dom de grandes artistas, que criar algo novo está nas mãos de poucos felizardos, de pessoas especiais diferentes do ser humano comum. Porém, para minha surpresa descobri um livro, chamado Criatividade e Processos de Criação de Fayga Ostrower, nele a autora diz que criar e viver se interligam, que criatividade é um potencial inerente ao ser humano.

Que ótimo! Então, somos todos criativos por natureza?!
O segredo, na minha interpretação das palavras de Fayga, está em estarmos atentos ao que acontece ao nosso redor e ao mesmo tempo nos conhecermos internamente. Segundo Fayga, os processos criativos são uma interligação dos dois níveis da existência humana: o nível individual e o nível cultural. É realmente muito interessante pararmos para pensar que a inspiração para a criação de algo novo está ao nosso redor, todos os dias em qualquer lugar e também dentro de nossos pensamentos e associações naturais de nossa mente.
Outro ponto importante que o livro descreve é sobre a forma, criar é basicamente formar e nós seres humanos formamos idéias o tempo todo, nós observamos as situações ao nosso redor, interiorizamos e damos significados a elas de acordo com nossas experiências.

“ O homem cria não apenas porque quer ou porque gosta, e sim porque precisa; ele só pode crescer, enquanto ser humano, coerentemente, ordenado, dando forma, criando”. Fayga Ostrower

Vamos buscar nosso “flâneur” do séc XXI, aquela figura que vagava nas ruas de Paris observando cada detalhe, despretensioso, com muita liberdade, assimilando, identificando-se, prezando pela tranquilidade e pela oportunidade de observar cada detalhe nas ruas. O “flâneur” do século XIX representou a angústia da Revolução Industrial ficou famoso nos poemas de Charles-Pierre Baudelaire, que o retratava como uma figura angustiada pela Revolução Industrial, pela rapidez dos trens, dos bondes, das construções. O “flâneur” eternizado por Baudelaire, foi também assunto na obra de Walter Benjamin em Charles Baudelaire Um Lírico no Auge do Capitalismo.

Quem seriam os “flâneurs” do séc XXI, os ávidos intenautas, acompanhando as mudanças na sociedade através da tela do computador? Aqueles que optaram por uma vida mais tranquila com a oportunidade de ir ao trabalho a pé ou de bicicleta, observando atentamente os pequenos detalhes da cidade, imperceptíveis aos motoristas? Como as folhas que caíram no outono, a terra mais brilhante após a chuva, o beijinho carinhoso da mãe que deixa o filho na escola? De uma forma ou de outra, as sensações estão diante de nós, nossa mente pronta para codificar, nossa criatividade pronta para aflorar.

Fonte:
OSTROWER, Fayga. Criatividade e Processos de Criação. 22. ed. Petrópolis:
Vozes, 2008.
BENJAMIN, Walter. Charles Baudelaire, um lírico no auge do capitalismo. Obras escolhidas III. Trad. José Carlos Martins Barbosa e Hemerson Alves Baptista. 2ª. ed. São Paulo:

quarta-feira, 17 de março de 2010

DICAS PARA ESTIMULAR A NOSSA CRIATIVIDADE!!!!


Segundo o psicólogo cognitivo Robert J. Sternberg, a criatividade pode ser definida como "... o processo de produção de algo que é original e de valor" (2003). A criatividade é toda sobre encontrar novas maneiras de resolver problemas e situações que se aproxima. Esta não é uma habilidade restrita a artistas plásticos, músicos e escritores, é uma habilidade útil para pessoas de todas as esferas da vida. Se você sempre quis para impulsionar sua criatividade, essas dicas podem ajudar.
1. Comprometer-se ao desenvolvimento de sua criatividade
O primeiro passo é se dedicar integralmente ao desenvolvimento de suas habilidades criativas. Não adie seus esforços. Metas de Setembro, recorrer a ajuda dos outros e pôr de lado tempo cada dia para desenvolver suas habilidadeS
2. Torne-se um perito
Uma das melhores maneiras de desenvolver a criatividade é se tornar um especialista nessa área. Por ter uma rica compreensão do tema, você será mais capaz de pensar de novo ou de soluções inovadoras para os problemas.
3. Recompensa sua curiosidade
s
Um obstáculo comum para desenvolver a criatividade é o sentido que a curiosidade é uma indulgência. Ao invés de repreender a si mesmo, recompensar-se quando você está curioso sobre algo. Dê a si mesmo a oportunidade de explorar novos temas.
4. Perceber que a criatividade é a sua própria recompensa vezes
Enquanto recompensar a si mesmo é importante, também é importante para desenvolver a motivação intrínseca. Às vezes, a verdadeira recompensa da criatividade é o processo em si, não o produto.
5. Esteja disposto a assumir riscos…
Quando se trata de construir a sua criatividade, você precisa estar disposto a correr riscos a fim de avançar suas habilidades. Apesar de seus esforços não podem levar ao sucesso de cada vez, você ainda será impulsionar o seu talento criativo e as habilidades do edifício que irá atendê-lo bem no futuro.
6. Construa sua confiança
Insegurança em suas habilidades podem suprimir a criatividade, que é por isso que é importante para criar confiança. Tome nota dos progressos que você tenha feito, recomendo seus esforços e estar sempre à procura de formas de recompensar a sua criatividade.
7. Faça a tempo para a criatividade
Você não será capaz de desenvolver seus talentos criativos se você não dar tempo para eles. Agenda algum tempo cada semana para se concentrar em algum tipo de projeto criativo.
8. Superar as atitudes negativas que o Bloco Criatividade
De acordo com um estudo de 2006 publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences, humores positivos pode aumentar a sua capacidade de pensar criativamente. Segundo o Dr. Adam Anderson, autor sênior do estudo, "Se você está fazendo algo que exige que você seja criativo ou estar em um think tank, você quer estar em um lugar com bom humor." Foco na eliminação de pensamentos negativos ou auto-críticas que possam prejudicar sua capacidade de desenvolver fortes habilidades criativas.
9. Fight Your Fear of Failure
O medo de que você pode cometer um erro ou falha em seus esforços pode paralisar seu progresso. Sempre que você encontrar-se abrigam tais sentimentos, lembre-se que os erros são apenas parte do processo. Enquanto você pode ocasionalmente tropeçar em seu caminho para a criatividade, você acabará por atingir suas metas.
10. Brainstorm de idéias inspiram Novo
Brainstorming é uma técnica comum em ambientes acadêmicos e profissionais, mas também pode ser uma poderosa ferramenta para desenvolver a sua criatividade. Iniciar suspendendo seu julgamento e auto-crítica, em seguida, começar a escrever as idéias e as possíveis soluções relacionadas. O objetivo é gerar tantas idéias quanto possível em um período relativamente curto de tempo. Em seguida, se concentrar em esclarecer e refinar suas idéias, a fim de chegar à melhor escolha possível.

NÃO ACREDITA NO AMOR,POR MEDO DE SOFRER...


Tornei-me uma pessoa que não acredita no amor. Talvez por nunca ter encontrado alguém que me amasse de verdade. Aprendi a me amar e amar os animais mas, em relação aos homens, esse sentimento não brota mais. Já me apaixonei várias vezes e só sofri com isso.

Meu namorado me faz acreditar que não vale mesmo a pena perder tempo sofrendo por ninguém. Que não se deve esperar nada. Só que eu não consigo me separar dele. Traio e fico feliz com a traição. Não corto a relação, não me liberto.

Desejo ser livre, conhecer homens apenas para me divertir, sem compromisso, sem me apegar… Só que tenho medo de ficar sozinha.Como faço para realizar o desejo de ser livre??????

betty milan responde...

Ter se apaixonado não quer dizer ter amado. O mais provável é que você não tenha amado ninguém de verdade. Inclusive você própria. Se você se amasse verdadeiramente, não ficaria com um homem de quem não espera nada e que você tem prazer em trair, ou seja, com quem mantém uma relação sadomasoquista. Você faz dele um corno - mas, por outro lado, fica com um homem que você desvaloriza, se torna vítima da vingança. É a história do feitiço que se volta contra o feiticeiro.

Você não se liberta porque não pode abrir mão do gozo sadomasoquista que a relação atual propicia. Em outras palavras, se deixa escravizar por este gozo, do qual precisa se libertar se quiser passar para outra, se quiser trocar de pele.

Agora, para que outra você quer passar? Parece que a sua proposta é a do libertino, que faz pouco do amor e sobretudo não quer se apegar. Contudo, na prática, a proposta frequentemente não se realiza. O libertino acaba se envolvendo. Um bom exemplo disso é o romance de Laclos, Ligações Perigosas. Você pode ler ou assistir ao filme - de tão bom, o texto teve mais de uma adaptação para o cinema.

O libertino se envolve porque o amor é a nossa vocação primeira, a vocação dos mortais. Faz a eternidade soar e assim suspende a morte. Nada nos satisfaz mais. Daí talvez o poema de Drummond:

Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar?
Amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar
Sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Por Betty Milan
revista veja

A FELICIDADE DO ENCAIXE AMOROSO...


Nada provoca nas pessoas maior sensação de felicidade do que o encaixe amoroso. Por outro lado, nada provoca no ser humano maior pavor do que a felicidade. E ao se aproximar o encaixe amoroso, as pessoas sujeitam-se a qualquer negócio para se afastar, porque a sensação de felicidade, plenitude, completude e harmonia é tamanha que o indivíduo passa a ter certeza de que, no mínimo, um raio cairá sobre a sua cabeça e ele, seguramente, morrerá. E a sensação é essa mesma, é fortíssima; quem ainda não a sentiu é porque não chegou perto da felicidade; ao chegar, verão que isso é absolutamente verdadeiro, não é uma hipótese, é um fato. É um medo difuso, uma iminência de catástrofe responsável pela existência milenar dos rituais supersticiosos; e o medo da felicidade é a sua causa: pessoas batendo na madeira e fazendo "figas" quando estão muito felizes. Se não houvesse medo não existiria esse ritual de proteção da "ira dos deuses" – parece que até eles se enfurecem quando estamos muito felizes. Tememos a nossa destruição pelos invejosos. E todo o conceito de "olho gordo" também se fundamenta e vem à tona nesse medo da felicidade. Sentimos que não temos estrutura para suportar tudo o que temos e que, certamente, algo de ruim nos acontecerá. Com isso, nós mesmos malogramos nossa felicidade; antes que os deuses "nos matem", destruímos sozinhos aquilo que nos está dando tanta alegria!

Essa é a grande causa da maior parte das brigas e dificuldades entre as pessoas que se amam demais e se entendem muito bem; sempre inventam um problema para ficar na dúvida se devem ou não ficar juntas. Não havendo obstáculos externos, quando jovens e decidem se casar, um sempre acaba falando ao outro: "Não sei se estou pronto, se quero, se já é hora", etc.; começa-se a procurar "pêlo em ovo". Quando demoram mais na decisão de se casar, aumenta a chance de ser um bom casamento! Uma mau casamento pode ser decidido em três dias. Na verdade, o problema é "apenas" o medo da felicidade manifestando-se e, por vezes, bloqueando a sexualidade principalmente nos homens, o que é muito fácil, pois o homem é um animal fraco e meio assustado.

O medo da felicidade implica atraso na coragem de as pessoas se comprometerem e errarem na escolha (assim, não correrão o risco de "morrerem destruídas por um raio"). Se o ficar rico redunda em muita felicidade, é preferível ficarmos pobres, porque assim "garantiremos a nossa sobrevivência". É dessa forma que aparece psiquicamente a questão do medo da felicidade. E temos de tentar entender a sua origem; creio que está ligada ao trauma do nascimento e, portanto, é uma coisa dificílima e sem "cura". Não conheci ninguém sem esse medo.

Sem dúvida, existem pessoas com menos medo; e elas são os nossos ídolos – dotadas de uma incrível coragem em todos os níveis, até no profissional. Mas aí, ao serem bem-sucedidas nessa área, destroem o sentimental. Quero ver as pessoas felizes e também que tudo lhes dê certo, porque dar certo no sentimental e ficar pobre é fácil. Quero que o indivíduo consiga tudo o que for bom para ele sem entrar em pânico, nem ter de "negociar" com os deuses, fato este curiosíssimo; sim, porque são negociações exatamente como as salariais: "Tenho isso, então dou aquilo; abro mão daquele outro; sustento meu irmãozinho vagabundo porque assim apaziguo a minha culpa de ter as coisas que tenho". E assim todos vão negociando sempre para aplacar a "ira dos deuses".

De uma forma ou de outra, nosso cérebro registrou a fase da simbiose uterina como um período de harmonia – talvez sem contratempos – quando comparado com o que acontece depois do nascimento. O primeiro registro cerebral é a harmonia e o segundo é a sua dramática ruptura: o nascimento, que é o grande trauma, tão bem descrito por Otto Rank – na minha opinião, um dos psicanalistas mais importantes. Sempre que se chega a uma sensação de harmonia parece que se ativa a lembrança em algum lugar do cérebro que nos assusta. Agora, não é mais o nascimento, é a morte. A destruição parece que se torna iminente sempre que a situação está muito agradável.

Volto a dizer: nada provoca uma sensação de medo mais forte que a felicidade amorosa, até por ser o que mais se parece com a simbiose uterina e, portanto, com a origem do próprio fenômeno, do medo da felicidade. A sensação de paz representa o útero. Se tudo estiver bem, evidentemente a próxima sensação é a de que algo horrível acontecerá e destruirá a paz.

Todo o pensamento místico e religioso acabou por reforçar isso terrivelmente com concepções ligadas à idéia de que o prazer e a felicidade são pecados, ou, pelo menos, não são grandes virtudes; mas o sofrimento, o sacrifício e coisas desse tipo o são. Portanto, quando o indivíduo está feliz, além de ter o medo da felicidade – e, conseqüentemente, essa sensação desagradável de iminência de tragédia –, também começa a se sentir em pecado. E esta sensação parece aumentar as chances de real punição, não só pela inveja dos humanos, mas também pela "ira dos deuses".

Para mim, esse é o grande obstáculo para se atingir a felicidade e está sendo subestimado. Não há solução absoluta para isso: a consciência – saber que tais mecanismos existem e que quando está tudo bem tendemos a fazer bobagens – é fundamental. Quantas vezes não ouvimos: "Está tudo bom, mas estou com medo de que não vai durar". O que isto significa? Eu mesmo já não estou agüentando tanta felicidade e tomarei uma providência para liquidar esse bem-estar, me autodestruir.
Hoje em dia, quando tenho um pensamento desse tipo, imediatamente penso: "O que é que vou fazer por não estar suportando tanta felicidade?" Eu me interdito, quer dizer, me impeço de fazer qualquer coisa que fuja da minha rotina básica, e se o fizer será destrutivo. Estou prontinho para cometer um erro, porque estou muito bem! E isso reativa um reflexo condicionado profundo e difícil de ser desfeito totalmente.

Enfim, termino reforçando um elemento, digamos assim, mais geral e mais teórico. A verdade é que nestes 100 anos de desenvolvimento da psicologia, as questões do amor e do casamento em nada evoluíram. As pessoas continuam pensando muito mal sobre o assunto, além de desinformadas. Foram muito mais bem informadas sobre a questão sexual do que sobre a questão romântica. A desinformação grassa e um amontoado de idéias, na minha opinião, duvidosas – pelo menos não-provadas – abundam, as quais, insisto, deveriam ser banidas do nosso pensamento. Conjeturas que não podem ser confirmadas ou infirmadas são um perigo para o pensamento; deixam-nos em uma situação meio sem saída. Elas passam a ser uma questão de fé e a ciência não pode viver de questões de fé. Bons conceitos têm de levar a bons resultados, caso contrário, é porque não são bons. Quando teoria e prática não combinam, tem de valer a prática. E na nossa especialidade, muitas vezes tem valido a teoria, que é o que não nos interessa; só se ela chegar a algum resultado prático, concreto, útil e de val
or.
texto do livro "vida a dois"
dr.f´lavio gikovate.
psiquiatra e psicanalista.

UMA ANÁLISE SOBRE A RECEPTIVIDADE DA MULHER EM RELAÇÃO AO SEXO....


A Mulher Está Mesmo Sempre Receptiva Para o Sexo

Tenho um pouco de medo das comparações que costumamos fazer entre o que observamos em outros animais e em nós. As semelhanças existem, é claro. Acho, porém, que devemos dar maior ênfase às diferenças, pois são elas que definem cada espécie. Assim, costuma-se dizer que as mulheres, dferentemente de outras fêmeas, vivem num cio permanente. Vamos refletir um pouco sobre esta questão palpitante.

As fêmeas dos mamíferos superiores entram no cio quando estão ovulando, ou seja, quando estão disponíveis para a fecundação. O subproduto de hormônios femininos fazem surgir odores especiais na urina delas; estes são captados pelos machos daquela espécie. Ao dectarem o cheiro peculiar ficam excitados e partem em disparada na direção daquela fêmea que o está exalando. Disputam com outros machos a primazia da cópula que, ao ocorrer, dá início ao processo que interrompe o ciclo reprodutor da fêmea. Assim, percebemos que as fêmeas das outras espécies estão disponíveis e atraem os machos apenas durante o período de fertilidade, ou seja, durante o cio.

Nas comparações que fazemos ao estudarmos o tema em nossa espécie, fica claro que as mulheres atraem os homens durante todo o ciclo menstrual, inclusive durante a menstruação. Se analisamos o caso do ponto de vista do desejo que elas despertam nos homens, podemos pensar que vivem um cio constante, visto que as outras fêmeas só atraem os machos durante esse período específico. Este seria um modo muito incompleto de analisar a questão, além de me parecer um tanto curioso tentarmos pensar sobre o que acontece com uma mulher apenas por aquilo que ela desperta nos homens. Dizer que a mulher vive no cio me parece uma visão masculina e, até certo ponto, machista.
Temos que nos ater ao outro lado da questão, que é o que acontece com a mulher. O fato de o desejo sexual, na nossa espécie, ser intermediado basicamente pela visão faz com que a mulher apareça como interessante sexualmente ao olhos dos homens o tempo todo. Isto não quer dizer que ela se sinta disponível para a intimidade sexual durante todos os dias do mês. E mais: mesmo se pode ter relações a qualquer tempo, não quer dizer que não existam dias do ciclo nos quais se sinta mais excitada. Não é mesmo impossível que estes dias de maior disponibilidade coincidam com aqueles da ovulação. Uma coisa é a mulher despertar o desejo do homem o tempo todo e outra coisa é ela estar o tempo todo com a mesma disposição para o sexo.

Insisto em que isto não nos permite nenhuma conclusão a respeito do que as mulheres sentem a respeito do assunto. Como a norma tradicional e nossa cultura sempre foi a de que cabe os homens a iniciativa sexual, sendo que até há pouco tempo não era dado à mulher o direito de recusa, é claro que nunca se questionou com seriedade o que, de fato, acontece com ela.

Não é impossível que muitas mulheres vivenciaram sentimentos de incopetência sexual por não estarem sempre com um desejo equivalente ao que despertavam em seus companheiros. É claro que muitos homens se sentiram rejeitados injustificadamente porque não encontraram mulheres disponíveis para eles – para o sexo e não para eles – exatamente naqueles dias em que elas tanto os provocavam e excitavam por sua aparência sensual com maior facilidade porque a dependência prática que se estabelece é muito menor. Inteiros que se aproximam e se amam não se sentem donos do outro pelo simples fato de os amarem. Não existem os direitos de mandar e desmandar no outro apenas porque há o elo amoroso. Inteiros que se sentem insatisfeitos podem ir embora. Esta é a novidade maior, pois não há mais lugar para abusos e dominações.

Assim, sem que tenhamos percebido, a capacidade de conceder que caracteriza as pessoas generosas tem diminuído em virtude de elas poderem ficar melhor consigo mesmas. Passam a pretender parceiros mais delicados, mais preocupados com o direito delas, menos egoístas. Assim, egoísmo e generosidade estão saindo da moda. Sim, porque se o generoso quer que se preste atenção nele e nos seus desejos de ser generoso e está se encaminhando na direção do senso de justiça. Com isto ao haverá mais lugar para o egoísmo que só existe porque há generosidade. O que tem acontecido? Inteiros se aproximam, se “curtem” , estabelecem elos onde há preocupação permanente em agradar o outro ao mesmo tempo que não abrem mãos de seus direitos individuais. A palavra-chave desta nova e mais sofisticada forma de amar é a mesma que sempre e existiu nas amizades: RESPEITO.

DROGAS E CRACK:-ESTUDO PSICOLÓGICO E SOCIAL.


Drogas: crack: Estudo psicológico e social





Este estudo é um guia para a extrema aflição de pais ou responsáveis e amigos de pessoas que viveram ou vivem esta verdadeira tragédia moderna e nada silenciosa diria. Não irei abordar nenhum aspecto médico dos efeitos do consumo da droga, pois não seria minha área, me atendo exclusivamente aos fenômenos psicológicos. Para não perder tempo à essência de dita droga é a aceleração em todos os sentidos, uma espécie de “banda larga” de todas as drogas; o que o álcool ou outros entorpecentes levariam anos para consumir o indivíduo, esta o faz em pouquíssimo tempo. O próprio modo de uso da droga denota seu simbolismo: lata de alumínio, cinza de cigarro, tudo que podemos não apenas considerar lixo, mas ao mesmo tempo diz da frieza e falta absoluta de preocupação com qualquer aspecto da saúde, aliás o que dirá dos efeitos da exposição do alumínio no organismo. O suposto atrativo desta droga é o baixo custo da mesma (cerca de 5 reais a pedra), porém, ledo engano, já que é a droga que mais leva a perdas financeiras por incrível que pareça, pois a pessoa a fuma durante dois, três dias quase que ininterruptamente, pois o efeito dura cerca de dez minutos, então no final das contas é uma falsa imagem de droga barata, pois seu consumo é desenfreado. Na verdade o crack é a loucura potencializada do próprio sistema de consumo que talvez inveje o mesmo, um produto para ser consumido diariamente, apelando de todas as formas possíveis para obtê-lo.



O perfil do usuário da droga passa essencialmente pela solidão, já que boa parte dos usuários gosta de consumir a droga sozinhos, em hotéis ou motéis, a não ser que não tenham recursos para o mesmo, consomem em grupo. A quase ausência de cheiro da droga (levemente borracha queimada), facilita seu uso em quase qualquer local, este é um dos fatores que também ajudou a disseminar tal entorpecente. Inicialmente a droga como disse era consumida quase que por indigentes digamos, (nos estados unidos é conhecida como a cocaína dos mendigos), para após se disseminar em todas as classes sociais; o fato é que guardando as devidas proporções, é uma droga que leva o individuo `a total mendicância, mantendo parece seu rótulo de origem. Diz-se que vários outros tipos de drogas induzem ao uso do crack, tipo maconha e álcool. A afirmação é absolutamente verdadeira, pois se ativa uma euforia que é a base para o início do consumo do crack, adiante irei discorrer sobre esse ponto. O fato é que repetindo o que disse tudo leva a aceleração em nossa sociedade, seja o crack que irá matar mais rápido, anabolizantes, sites de namoro que aceleram os relacionamentos, cortando fases cruciais dos mesmos, cirurgias de estômago para apressar regimes, então se criou também uma droga acelerada em todos os aspectos (dependência e efeitos colaterais).



Alguns pais cujos filhos são dependentes de crack me disseram incrivelmente que um dia gostariam de experimentá-lo a fim de entender tanto amor e dedicação perante a droga. Isto é mais uma prova do devastador poder desta droga, pois ao contrário de outras arrasta quase que todos para seu redemoinho malévolo. O crack é o resto de cocaína misturada com bicarbonato de sódio, amônia e água destilada que resulta nas pedras que são fumadas no cachimbo ou lata; nesta última se amassa a mesma, se coloca cinza de cigarro junto com a pedra, se fazendo orifícios na lata, se acende e a pedra vai se consumindo e o usuário traga a fumaça pelo bocal. É cerca de 6 a 10 vezes mais forte que a cocaína, fazendo o efeito para o cérebro em apenas 15 segundos após a inalação; causa aumento de pressão, suor intenso, aceleração dos batimentos cardíacos, insônia e desnutrição quase que completa. Já é a droga mais consumida na classe média alta, em função de vários fatores (acessibilidade, quase ausência de cheiro e o baixo preço, pois a lei da economia também impera nesse setor, embora como disse seja um falseamento a droga custar pouco).



Os usuários relatam em boa parte dos casos sentirem idéias ou delírios paranóicos que vão ser flagrados consumindo o crack, ou puras idéias de perseguição ou que serão assassinados; tais fenômenos também ocorrem com outras drogas, mas parece que a paranóia é o ponto crucial desta. Outro fator preponderante é que o consumo quase sempre foi motivado anteriormente por um suposto estado de euforia, como se a sensação de felicidade empurrasse o usuário para o consumo do entorpecente. A verdade é que a droga é a tentativa mais tresloucada de perpetuar algo impossível, um eterno estágio de satisfação ou êxtase. Taxativamente digo que o usuário desta e de outras drogas sofre de transtorno bipolar ou a antiga síndrome da dupla personalidade. Por um lado todos notam que são pessoas extremamente amáveis, sedutoras, agradáveis, sendo que todos desejam sua convivência ou companhia. São doadoras por natureza, cordiais, ajudam os mais necessitados e solícitos no infortúnio alheio. Mas a droga rapidamente revela sua outra faceta de crueldade, egoísmo e pouca relevância com o sofrimento dos familiares e amigos. O estado de drogadicção faz com que toda a agressividade latente venha à tona; usando a própria simbologia do crack, é como uma lata que colocássemos dentro do mar para retirar a areia do fundo, no caso todos os instintos caóticos e destrutivos que um ser humano pode vivenciar. A questão social e psicológica pouco debatida em relação aos entorpecentes, não é necessariamente uma droga em questão, mas que a coisa se assemelha ao desenfreado consumo tecnológico, ou seja, qual será a grande novidade de um televisor ou aparelho eletrônico, e paralelamente o que virá após cocaína, crack ou outros entorpecentes? O mecanismo é o mesmo e todos tem de estar atentos para tal fenômeno. Que qualquer droga é nociva já é mais do que um apanágio na literatura médica, a grande questão é o porque sempre determinado problema se reveste de uma capa ou roupa nova; imitação do modelo de consumo é claro.



Qualquer tentativa de tratamento passa inicialmente pela compreensão mais do que profunda que se criou com a droga um deus corruptor, que lhe fornece um prazer onde o preço é inquestionável: a total escravidão psíquica e física da pessoa. Um outro problema muito sério na questão da droga é o conceito da chamada co-dependência. Esta é via régia consciente e inconsciente que mais alimenta pelo lado psíquico a permanência da drogadicção. São os familiares ao redor do drogado que sob a justificativa de estarem imersos no problema, acabam tirando uma vantagem absolutamente neurótica da situação. Necessitam do cuidar do outro como um farol para sua vida que até então estava pacata ou sem sentido. Há uma espécie de pacto com o sofrimento, pois o mesmo desvia todo o foco da atenção de problemas pessoais e existenciais não resolvidos. Quantos pais na vivência clínica que observei atuavam tal fenômeno, principalmente ao vê-los dando dinheiro ao filho mesmo sabendo que o mesmo iria consumir drogas, com a desculpa de evitar que caísse na marginalidade, ou ainda quantos tratamentos não observei serem interrompidos quando se diagnosticou que algum familiar também deveria se submeter a uma psicoterapia. A co-dependência apesar de todo o infortúnio dá vida e preenchimento para aquela pessoa que se encontrava ociosa do ponto de vista psicológico, é também uma posse e apego sobre o outro, sendo a certeza de que apesar de tudo o que está vivenciando poderia talvez adiar o confronto com sua solidão pessoal ou carência, por isso a entrega plena para o problema do filho ou parente.



Outra essência psicológica da co-dependência fica bem evidente: necessidade de regressão a estágios primários ou infantis de cuidado ou amparo por parte do usuário, e reconquista de um poder absoluto sobre a pessoa por parte dos familiares. É um retorno à fase oral no drogadicto com aquele imenso prazer de sucção sentido quando era bebê, acompanhado de um familiar nas necessidades anteriores ou posteriores desse estágio. É imensa a sedução de regredir a uma etapa onde necessitará de cuidado extremo, e do outro lado à sobrevivência do drogado dependerá quase que inteiramente dos responsáveis ou familiares, esse é o traçado exato da co-dependência, voltar ao vínculo de outrora, só que por um lado totalmente trágico ou neurotizado. Sem dúvida a conseqüência de todo esse processo é a doença que se instalará em todos que participam disso.



Mas afinal de contas quais os substratos inconscientes que reforçam a compulsão? Agressividade, solidão, narcisismo, carência, timidez. Fica difícil dizer qual deles é preponderante. Em quase todos os usuários a agressividade e revolta latente sempre foram à tônica de seu psiquismo. A solidão juntamente com a carência forma o repertório psicológico do sujeito; a timidez é sempre freqüente, odiando falar de si próprio, aliás esta última é um ícone da maioria dos usuários do crack ou outras drogas, pois o dito entusiasmo, euforia ou alegria que poderiam ser compartilhados com alguém, são totalmente “privatizados” numa esfera química, compulsiva, doentia e totalmente individualista. O narcisismo também é um grande aliado do problema, sendo que a maioria dos usuários sofre desse distúrbio, seus familiares conhecem muito bem os sintomas: arrogância, prepotência, teimosia, falar demais e escutar pouco, provocações dentre outros. Afora esse histórico narcisista podemos inferir que se vangloriam por sensações únicas que a droga lhes proporciona, uma espécie de xamã às avessas em nosso cotidiano.



O crack sob a ótica psicológica é escolhido principalmente por aquelas pessoas que apresentam um caráter extremamente narcisista como disse, mas o leitor deve se perguntar porque uma droga tão “suja” possa ser referência para tal personalidade? Exatamente pela dialética da questão, alguém com extremo orgulho ou vaidade se lança no mais profundo abismo de perder tudo o mais rapidamente possível, o famoso processo da compensação ou contradição agindo sempre de forma inconsciente. Esse é exatamente o poço de todos que se aventuram em tal empreitada, achando que teriam o controle sobre algo tão macabro, é o erro mais mortal de todos e até ingenuidade, pois se nem com o álcool a pessoa consegue uma parceria equilibrada, o que dirá de algo que é o resto de uma química tão destrutiva. Voltamos ao narcisismo principalmente da juventude achando que poderia desafiar aquilo que não tem nenhuma competência para lidar, essa é outra questão psíquica da droga, se testar, desafiar e depois ficar totalmente preso na armadilha. A conseqüência psicológica mais nefasta que observei nos usuários do crack é a amplificação ao extremo da ansiedade. Mesmo nas raras ocasiões onde se encontram sem o uso, seu comportamental delata a todo o instante dito fenômeno, não conseguindo a concentração e eficácia para qualquer tipo de projeto ou raciocínio, ou seja é uma droga que continua agindo quase que indefinidamente, não importando num dado momento se há ou não o consumo, mas sobretudo a persistência dos sintomas; é um processo um tanto diferente da crise de abstinência alcoólica, onde há a falta mas não existe tanto o efeito, no crack não dá para diferenciar o que é a dita crise e o efeito propriamente, e sempre o condutor disso tudo é a extrema ansiedade. O crack na própria definição de alguns usuários é a “raspa mais profunda de um lixo produzido pelo capeta”, o fato interessante também segundo os usuários é o clima não só de terror ou paranóia descritos anteriormente, mas a imensa carga negativa criada pela droga, já que diversas pessoas morreram brutalmente na cadeia de produção e venda da mesma. Este fato do clima circundante perante a droga é novo e deveria ser objeto de um estudo mais aprofundado.



O drogado sem nenhuma sombra de dúvida é uma pessoa sensível, sendo que a droga era sua esperança de tentar algo diferente, uma ruptura com o horror do tédio diário em nossa sociedade. Além do fracasso de tal meta, há ainda um elemento pior que o mesmo nunca se dá conta, de que sua doença conseguiu até atrair a solidariedade e compaixão de seu meio, o que seria precisamente a cura para qualquer tédio, mas infelizmente a nuvem de entorpecimento em sua percepção não lhe permite que visualize tal fato. Um outro problema em relação aos familiares é o forte sentimento de inveja desenvolvido por alguns irmãos por terem a certeza de estar se privilegiando uma pessoa que a despeito de todo o sacrifício depositado, não consegue não apenas ser grata, mas que também não estabelece mais nenhum tipo de vínculo, excetuando com a droga. Não se pode falar de cura para o crack, justamente por ele ter sido eleito como algo divino na estrutura psíquica do usuário. Assim como jamais se pode destruir o conceito de deus, na droga se dá o mesmo justamente pela religiosidade que a mesma contém ao reverso. Não há qualquer prova científica do uso de drogas poder ser genético, o que há no início é um distúrbio psíquico que levou ao uso para depois se tornar um fator químico.



O tão alardeado conceito da curiosidade de experimentar uma droga é totalmente limitado do ponto de vista psicológico. Pois esta pessoa com a curiosidade geralmente é um adolescente carente, solitário ou com forte complexo de inferioridade, ou então alguém como disse extremamente narcisista onde sua ousadia faz a escolha pela “banda larga das drogas” já nas primeiras vezes. É preciso não se criar mitos, ninguém tem curiosidade de chegar perto de uma cobra extremamente venenosa, a não ser que queira um exibicionismo suicida. Qualquer curiosidade quanto a algo que interfere na mente do sujeito denota de cara um problema mal resolvido do ponto de vista psíquico, e é importante todos saberem disso, pois do contrário estaríamos romantizando o uso da droga. Outro mito é que a droga é uma fuga dos problemas do cotidiano, ninguém poderá se furtar das adversidades da vida, e todos tem consciência disso. A droga é uma muleta para alguém que num determinado ponto assumiu ou sentiu-se derrotado, ou não soube elaborar sua revolta pessoal, ou ainda que teima em que seu meio fosse exatamente o modelo que tem em sua mente. Quando ouvimos aquele famoso relato que necessitou da bebida ou qualquer outra coisa para aliviar um pouco a timidez, a esfera mental da pessoa já sabe que se encontra na perda ou com um sério problema que não consegue resolver, assim sendo a droga passa a ser a válvula de escape para o não confronto com o mais puro medo, pois insisto que a pessoa já sabe de antemão que não iria efetuar tal projeto sonhado, não é a fuga, mas dissimular seu complexo de inferioridade.



O problema da suposta cura das drogas, não passa apenas pela dificuldade de superação do pólo químico, mas poucos perceberam que a droga é um catalisador ao extremo do apego e medo da mudança, sendo o atestado máximo da descrença em algo diferente, um alinhamento da neurose obsessiva compulsiva com uma rotina de caos. Na seqüência elaborei alguns passos apenas do ponto de vista psicológico, uma espécie dos 12 passos do AA estritamente psíquico como disse, para que usuários e familiares reflitam talvez com um profissional toda a problemática.





1) Aceitar que sua busca inicial pelo crack ou qualquer outra droga foi motivada não apenas pela curiosidade ou embalo, mas nasceu do espírito competitivo do sujeito, além do forte desejo de infringir limites, revolta (contra a família ou o meio social), solidão, comparação, tristeza e inveja perante algo material ou pessoal. A droga sempre irá representar um conflito psicológico assumido ou não.



2) A extrema necessidade de consumo cresceu em paralelo ao absoluto fracasso e indolência de sua vida pessoal, e a droga representa a potencialização de um comodismo na sua rotina de infelicidade e destrutividade.



3) A falta de tentativa para uma recuperação está associada à sua profunda insensibilidade em relação às pessoas que realmente gostam e se importam com o indivíduo, e tal desleixo se torna um instrumento sádico contra si próprio e seu meio.



4) A busca pela droga representa a timidez ou incapacidade de troca do sujeito, privatizando determinado prazer de forma alucinatória, se recusando a satisfação no plano real.



5) O drogado nunca almejou depositar a confiança em alguém, por arrogância ou prepotência, tais fatores inibem verdadeiras ações de ajuda ou restauração.



6) O drogado é um imenso narcisista, e tal característica sempre o levou a extrapolar qualquer senso de limite, isso se torna um aliado em sua extravagância que apenas trouxe dor e sofrimento para seus familiares e amigos.



7) Sua ambição desmedida contraditoriamente o leva a perder tudo, não apenas em função da droga, mas acaba forçando também que seu meio invista tudo apenas nele, não bastasse esse egoísmo não assimilado pelo sujeito, o mesmo nunca tem o valor real das coisas, a regra é apenas obtê-las, não importando se terão ou não uma duração. Notem que boa parte dos drogados tem como peculiaridade serem talentosos ou com espírito empreendedor, porém acabam sempre no fundo do poço por não refrearem seus instintos megalomaníacos.



8) Perceber que a ansiedade sempre foi à alavanca mestre para o início do comportamento de drogadicção, e o fracasso em controlar a mesma é nunca ter feito realmente um inventário psicológico sobre suas reais necessidades ou desejos, estes sempre foram difusos no decorrer de sua história de vida.



9) Perceber que a palavra “cura” não tem nenhum significado no caso da droga, já que será um espírito ou entidade que rondará seu psiquismo até o final de sua vida, assim sendo, o projeto para a melhora passa por a cada dia sabotar a primazia e hegemonia do vício.



10) Sendo novamente enfático, a compulsão é quase que incurável, desse modo o próprio indivíduo deverá fazer a transposição da mesma para atos e comportamentos que o beneficiem, e contar com a ajuda de si mesmo e profissional de que conseguirá tal empreitada.



11) Quando sair de uma internação ou estiver “limpo”, amplificar ao máximo a sensação de bem estar que a ausência da droga fornece e perceber como é valioso tal momento. O fato é que se a droga era uma religião, tem agora de cultivar essa devoção no sentido contrário, exaltando diariamente sua capacidade de recuperação e mudança.



12) Este talvez seja o princípio mais simples e o mais importante, saber que sozinho jamais conseguirá superar tal dificuldade, pois a droga é como a imagem de um lutador profissional contra um amador, assim sendo necessita-se de ajuda ou mais pessoas para lutar contra tão forte oponente, enfim, o orgulho ou arrogância contra um adversário com o dobro da capacidade só levará o indivíduo à derrota.



13) Perceber como a mentira foi sempre à substância mais aderente na problemática da droga, e que deve lutar diariamente para não se utilizar a mesma seja em qualquer área, pois assim como algumas drogas levam a outras, a mentira certamente pavimenta sempre uma estrada para a recaída.



14) Novamente falando em ansiedade perceber as seqüelas da mesma em atitudes ou comportamentos diários, e ter consciência de que quanto mais tentar uma hegemonia ou imposição de seus conceitos ou idéias, mais poderá voltar ao estado de outrora, pois outro conceito da droga é a insistência de um passado comportamental do ponto de vista psicológico.