terça-feira, 16 de março de 2010

MÁGOA E SAUDADES..(.ANÁLISE PSICOLOGICA)






Se pensarmos em nossas experiências passadas descobriremos duas formas de se lidar com o acúmulo de energia afetiva: uma é o inconformismo ou sentimento de revolta perante o que não obtemos ou ainda sobre algo que perdemos; a outra é a convicção interna de que nosso potencial não foi violado, embora tenhamos passado por experiências traumatizantes; e que tal potencial continua presente para ser dividido com alguém que sentimos ser especial para nosso ser. Inteligência neste mundo é a certeza da permanência de algo a despeito de toda frustração que vivenciamos, sendo que a maturidade é a troca da ingenuidade pela certeza de que podemos recomeçar sempre, abafando nosso rancor pessoal. O que é importante descobrirmos é se as outras pessoas de nosso convívio realmente nos amam ou apenas precisam de nós, pois ao tomarmos ciência dessa verdade, estaremos nos conscientizando sobre o quanto de poder ou amor depositamos em alguém. A saudade é a prova de que o ódio ou raiva são apenas defesas circunstanciais ou passionais perante nossas infelicidades, pois a mesma acaba quase sempre se sobrepondo a todas as dores vividas. A saudade é a certeza máxima de que quase sempre não temos controle e somos literalmente tragados pelas emoções, embora não as desejemos mais. Um dos aspectos positivos desta descoberta é que não que não aceitamos a morte de nosso afeto; isto é fundamental sabermos, embora devamos escolher outra forma ou pessoa para vivenciar ditas experiências. O mais importante é a sobrevivência de algo genuíno que tentamos viver. A mágoa se desvanece quando aceitamos que determinada pessoa nos doou por algum tempo algo bom, mas não foi capaz de dar continuidade aos nossos anseios Enxergar desta forma é praticamente nossa única chance de não cairmos no cultivo ao ódio e mágoa, e também percebermos a lição de constantes perdas que a vida nos impõe.

Temos de entender por que tudo quase sempre acaba em conflito. Por exemplo, por que escolhemos as pessoas erradas? Gostamos de levar uma relação como um desafio, e a paixão ardente ou desejo sexual muitas vezes podem ser pistas ao contrário do que estamos sonhando, revelando um futuro fracasso na tentativa de conquistarmos alguém. A paixão ou desejo muitas vezes não é o caminho mais seguro para a experiência do amor; apenas podem provar a dimensão de nossa carência e o quanto necessitamos de alguém para nos distrair da dolorosa sensação de vazio interior. A dialética da paixão é sentir algo arrebatador que faz com que esqueçamos nossa miserabilidade diária; em contrapartida, o fruto da mesma também pode ser a mágoa e ódio quando descobrimos que não detemos nenhum tipo de poder sobre o sentimento do outro. Nada corrói mais nossa alma do que a não correspondência de determinado investimento emocional, assim como a facilidade do companheiro em abandonar por completo e rapidamente o relacionamento. Constantemente nos sentimos fracos e abatidos, e a realidade é que em raras ocasiões de nossas vidas encontramos uma âncora para amenizarmos a turbulência de nossa insatisfação. Quando passamos por determinada decepção amorosa começa uma verdadeira corrida contra o tempo, pois é como o soar de um alerta que nos diz que qualquer futura expectativa acabará no mesmo sofrimento outrora experimentado. Este é o começo do desenvolvimento de uma neurose ou cultivo ao medo que se nada for feito nos acompanharão pelo resto de nossas vidas. O sabor do prazer ou gozo sempre será atormentado pelo medo da repetição do flagelo pessoal.

Todos de certa forma sabem que uma determinada pessoa é incapaz de preencher as expectativas de uma outra na sua totalidade, sendo que a mágoa por esta ótica é a raiva ou acúmulo de frustração não porque a pessoa necessariamente falhou, mas, por nos sentirmos "dependentes", seja de uma pessoa ou imagem. É fundamental um tempo para que a pessoa possa trabalhar com tais lembranças dolorosas, sendo esta uma das funções primordiais da psicoterapia. "Poderia dar certo; estou com saudades; me sinto subtraído sem a sua presença por mais dolorosa que fosse". Estas são as mensagens subliminares da mágoa que constantemente vem acompanhada ou revestida de saudade. É fato que esta última, apesar de tudo, é vital para a vida de um ser humano, pois nos aponta um caminho ou determinada história de experiência gratificante. A saudade revela sua companheira, a angústia, que nada mais é do que um sentimento pleno de impotência pessoal para recomeçar algo. A angústia é exatamente o terrível choque inicial que nos diz que não temos nenhuma chance ou saída. É a experiência subjetiva que mais se aproxima da morte. A própria paranóia caminha em paralelo, pois constantemente nos guia para a sensação de catástrofe, roubando por completo nosso tempo pessoal.

Analisando com paciência os dados acima, concluiremos que de certa forma a saudade é uma rebelião contra a certeza da perda ou morte, transferindo todo seu peso para a esfera emocional. Sempre necessitaremos de uma esperança de continuidade. Sabemos que nosso tempo é curto, diferentemente de outras espécies que visam completarem uma tarefa para a perpetuação instintiva da vida. Nosso dilema é muito maior, passando pela questão crucial do que vamos realmente deixar? Há muito tempo a psicologia já deveria ter introduzido a noção de que determinado bloqueio ou trauma, nada mais é do que o medo da morte deslocado para um evento afetivo. O que caracteriza o inconsciente atual é o temor de que a entrega plena para algo ou alguém nos trará a morte com maior rapidez. O sentido da economia seja no plano material ou pessoal é a tentativa de dosar todas as experiências, com a promessa de se ganhar mais tempo. O êxtase é substituído por uma rotina neurótica, que pelo menos traz a recompensa da postergação do final. A saudade como vemos se insere neste contexto amplo, e nada mais é do que um subterfúgio para não encararmos a máxima experiência de perda. Seja pela estética, segurança econômica ou religiosidade, o ser humano nunca revelou de forma tão clara e primitiva seu terrível pavor da morte, e nossa cultura é apenas um recheio mórbido e tedioso dessa verdade. Ao invés da busca romântica do ser amado como ocorria nos tempos antigos, parece que os esforços atuais caminham no sentido de quem sobreviverá perante toda a miséria em todos os níveis.

Fala-se muito na importância do desapego para minorar o sofrimento da mente. Acontece que o mesmo advém não de uma forma excêntrica de isolamento ou meditação, mas, quando conseguimos lidar com a bagagem do sofrimento e também ajudar para que outros trilhem uma estrada com menos angústia e tormento pessoal, apesar dos constantes erros no decorrer de tal tarefa. O desapego só tem um sinônimo chamado: "divisão". A mágoa também ocorre quando não há um apontamento ou reconhecimento de um esforço consciente ou inconsciente em benefício do outro; esta é uma das melhores pistas acerca de quem realmente nutre uma afeição especial por nossa pessoa. Percebam que em nossos tempos não é difícil o teste sobre quem realmente se encontra disponível; o grande problema passa a ser a imensa carga de carência ou fantasia que depositamos na outra pessoa, cegando por completo nossa percepção. A perda da ingenuidade se dá exatamente neste ponto, quando sentimos que nossas fantasias não têm mais o poder de entorpecer nossa mente, sendo que não gostamos de tal sensação ou perda de uma ilusão. Com toda a certeza a saudade jamais terá o poder de recuperar a potência das fantasias pretéritas. Mas o leitor irá indagar como evitar todo o exposto acima, já que parece que um dos maiores vícios do ser humano é exatamente o brincar ou manipular sentimentos alheios. Parece que a única coisa que nos resta da decepção é a análise do caráter de alguém. Entretanto, gostaria de ressaltar que a energia para qualquer recomeço é oriunda do mais profundo poço de pensamentos e frustrações que herdamos dos relacionamentos. A saída é não ter medo na mais profunda acepção da palavra, acerca dos piores pensamentos ou sensações que possam invadir nossas mentes. Qualquer combate contra a depressão ou negatividade passa necessariamente pela aceitação de que ambas já fazem parte de nosso cotidiano.

Ponderar sobre se o medo é muito mais potente do que a própria vivência negativa é condição fundamental para garantirmos nossa estabilidade mental e emocional. Descobriremos em seguida, que a saudade, mágoa ou ódio se entrelaçam em vários pontos ou circunstâncias com nossos mais profundos sentimentos de insegurança. A imagem positiva ou prazerosa da saudade, muitas vezes pode ser uma alucinação ou miragem que camufla o pânico pessoal, nos desviando da tarefa sempre vital do recomeço. O próprio amor que achamos que sentimos por determinada pessoa pode esconder dito pavor do reinício ou da perda, provando que nosso sentimento é somente apego. O desafio diário é manter uma relação ao menos saudável e amigável com nossos pensamentos, o que convenhamos, cada vez está mais difícil. Quase não conseguimos mais nos conscientizar da dialética de todos os processos da existência, e a cada dia nos tornamos mais compulsivos e apegados à questão da segurança em todas as esferas. A saudade e mágoa são a mais pura prova viva de que apesar de toda racionalização ou terapia que tenhamos efetuado, o conteúdo doloroso teima em permanecer vivo e atuante em nosso ser. Insisto novamente no entrelaçamento de diferentes emoções; quando mentalmente desejamos reviver experiências gratificantes passadas, se abre o portal para as mais drásticas vivências de angústia e depressão.

A história da psicanálise de FREUD corrobora o ímpeto pela nostalgia de experiências passadas. O mesmo disse que o amor nada mais era do que a sublimação ou desvio do instinto sexual para um projeto de convivência. O ponto ausente nesta tese é que o amor não é somente o desespero para se reativar um cuidado ou atenção que obtemos no passado, mas, uma completa fuga da certeza de que a partir de determinado momento do desenvolvimento de nossa vida, talvez tenhamos de conviver mental ou fisicamente com a experiência da dor sem nenhum amparo ou proteção. A própria doença mental é uma ficção do retorno a um período de ausência de responsabilidade ou conflito, sendo o aborto de qualquer tipo de desafio. A saudade em determinada via se junta a inveja como sentimento doloroso. Isto ocorre por determinada pessoa sentir que a outra lhe roubou uma parte "preciosa" de seu íntimo; e nada é mais torturante do que o pensamento obsessivo sobre a pessoa que nos deixou ter crescido após a separação, justamente através de algo único que a deixamos levar; pois caso a mesma permanecesse fragilizada, haveria sempre a esperança do retorno. O sofrimento da saudade sempre é amplificado por se saber que a partir de determinado momento não haverá a fuga para preocupações corriqueiras, sendo que quase nenhum ser humano foi treinado para vivenciar a experiência profunda do conflito, pois todos partem para escapismos das mais variadas formas. A síntese é que o amor também possui uma via de fuga perante experiências de medo e frustração, e não devemos deixar que o mesmo cresça nesta perspectiva.

Voltando a questão da interligação das emoções, descobriremos que a saudade também traz a tona o desejo de vingança. Esta é a mais pura confissão da insatisfação e derrota pessoal, sendo uma defesa mental contra a admissão do sentimento de inferioridade. O grande problema atual dos relacionamentos, é que parece que muitas pessoas querem viver tudo quando justamente a relação já se extinguiu. O fato é que quando se descobre amar alguém após a perda, isto jamais será um sentimento genuíno, mas, a mais pura prova de apego e posse. É muito difícil o lidar com tal situação, pois a angústia resultante também está enraizada na inveja e ciúmes. Este alerta tardio corrobora a inutilidade do orgulho pessoal, sendo que resta a reflexão sobre o quanto valia a pena determinada convivência. Infelizmente como disse acima, todos têm uma tendência a se concentrar em questões menores. Até uma possível infidelidade muitas vezes é equivalente a determinados segredos do passado que não ousamos revelar, embora no final sejam de uma banalização que nos surpreende. O fundamental é se conscientizar sobre qual o sentimento que restou, positivo ou negativo, e como podemos tentar reutiliza-lo numa nova parceria. Enxergar plenamente o lado positivo da derrocada é perceber que a própria criatividade sempre emana do conflito. A saudade deveria ser então o combustível para uma nova busca como citei anteriormente. Claro é o fato de que jamais poderemos ter uma maturidade suficiente para evitar novos erros. Aguçar nossa inteligência é compreender que os medos têm se sobreposto perante qualquer tipo de emoção ou sentimento. A medicina no último século expandiu o desafio do aumento da expectativa de vida, graças aos avanços científicos da área. Do ponto de vista psicológico, qual seria a meta na atualidade? Descoberta de mais remédios contra a depressão, sofrimento ou tédio? Penso que a resposta mais segura é o investimento no auto conhecimento.

Quem a todo custo clama por ser amado corre um grande risco. A mente receptiva para os anseios de alguém, muitas vezes desenvolve uma repulsa perante a excessiva demanda ou carência do outro. Quase todos fazem uma leitura que o excesso em determinada esfera afetiva se torna uma espécie de escravidão, sendo que ninguém quer ocupar o posto de inferioridade. Infelizmente isto ocorre com freqüência, e a saída tem se tornado a insensibilidade e fuga de um aprofundamento amoroso. Este é o retrato mais atualizado dos relacionamentos. O pânico coletivo é descobrir um dia que fomos objetos do depósito das piores partes de um ser humano, que jamais desejou uma troca verdadeira. Resumindo, não haveria nenhum mal na saudade, se a mesma não se associasse às piores emoções do ser humano, como p.ex: ódio, rancor e inveja. A compreensão plena e tranqüila de que determinadas lembranças jamais se extinguirão, como se fossem instintos como a fome ou sede, certamente nos colocaria num patamar de evolução. É total utopia o controle da mente. O máximo que podemos conseguir é o esvaziamento do depósito da frustração e animosidade que carregamos diariamente. Este é um treino que pode durar uma vida. O velho ditado popular de que a cura para uma frustração amorosa é a iniciar uma nova, não deixa por um lado de ser uma bobagem, pois o risco da comparação é um golpe fulminante para qualquer recomeço. A única saída é tentar se preparar e pensar sobre a dicotomia em qualquer aspecto da existência. O tédio ou a indolência que se sente num novo relacionamento é a prova do exposto acima.

A grande contradição deste texto é que após todas estas dissertações, o leitor sentirá que suas lembranças nunca foram tão ativadas. Seja amor, apego, ciúmes, inveja ou ódio, temos de admitir que determinado conteúdo afetivo jamais se esvaece; sendo que nosso sonho é o controle ou desligamento perante algo em que não fomos prontamente atendidos. Nosso lado infantilizado da exigência da satisfação de necessidades individuais através de outra pessoa, jamais deixará de ser o espectro de nossa alma. Nosso dilema existencial passa pela tentativa do esquecimento de frustrações, que nada mais são do que o ódio internalizado por sentirmos que não podemos ocupar um lugar de poder no universo alheio. A experiência do abandono sempre será uma das maiores torturas psicológicas que determinado ser humano tenta não vivenciar, sendo que a saudade é o mecanismo de defesa automático para compensar tal drama.

Bibliografia:
ADLER, ALFRED. O caráter neurótico. MADRID: Editora PAIDÓS, 1932.

O PROCESSO DO ÓDIO E AMOR...(ANÁLISE PSICOLÓGICA






"A hipocrisia é o mais belo monumento do ódio, sendo que seus lugares de visitação pública são: a política, a moral e a religião". (ANTONIO CARLOS- PSICÓLOGO)

"Amor, trabalho e relações sociais deveriam ser o centro da existência humana, porém, a tríade que guia nossa conduta nesses tempos é representada por: ódio, inveja e sabotagem do prazer.

"Só haveria algo positivo na inveja se pudéssemos reproduzir fielmente o modelo de vida de alguém realmente criativo.


Discutir o processo do ódio é sem dúvida nenhuma o maior preconceito relativo às questões humanas. É quase impossível encontrar alguém que admita sentir ou nutrir tal sentimento, dada toda a educação cristã presente em nossa sociedade. O fato é que admitido ou não, este é um sentimento que representa a essência humana, e não precisaremos observar muito para descobrirmos como se encontra disseminado em todas as condutas e desejos do ser humano.

O amor não deixa de ser algo totalmente ambíguo se pensarmos em seu desenvolvimento num determinado ser humano. Alguém que nunca quase foi amado ou protegido, crescerá sob a égide do ódio ou revolta; em contrapartida, é bastante comum vermos uma pessoa que foi amada e educada corretamente, crescer com o desejo de jamais se desvencilhar da proteção, ou até mesmo do caráter de exploração perante seu meio circundante, apenas desejando continuamente receber. A chama do amor é estritamente uma independência pessoal, aliada à um intenso desejo de receber e dar o prazer das mais diferentes formas: sexual, pessoal ou social. Obviamente a pessoa preparada para o amor, é aquela que conseguiu se livrar de todas as armadilhas pretéritas da criação social, sendo que será sempre um inflamado desejo de investimento no presente, não a dissipação de nossas energias afetivas na lembrança de um passado de dor, ou apenas a fantasia e ilusão de um futuro de felicidade.

Infelizmente poucas pessoas percebem que o amor é uma espécie de portal para as mais diversas emoções humanas: raiva, ódio, solidão, desamparo, abandono, êxtase, culpa dentre outras. O problema passa a existir quando desejamos apenas vivenciar as emoções positivas, esquecendo o outro lado da moeda. O amor em um relacionamento acaba quando nos sentimos indiferentes a felicidade e satisfação do outro, e o mesmo jamais existiu quando não temos energia ou vontade para revertermos tal quadro. Como quase todos sabem, o contrário do sentimento amoroso não é o ódio, mas, a indiferença, que não deixa de ser a prova máxima da incapacidade da escolha correta. Quase todos tentam começar a trilha do amor pela busca da beleza ou desejo sexual, sendo que o ponto crucial é se o outro está plenamente capacitado para nos completar. A própria beleza é uma entidade a parte, não necessitando do amor para sua existência; sua permanência e término seguem um caminho totalmente isolado de outros processos, devido a importância que o meio lhe outorga. O amor é um projeto que sempre incluirá mais de uma pessoa, e quando o desejamos apenas para um desejo privado, estamos apenas cultivando um sofrimento pessoal.

O grande mistério a ser resolvido quando tratamos deste assunto é : Quem é acariciado plenamente com o amor do outro? Alguém que o desejou desenfreadamente? Aquele que desde a tenra idade foi treinado para o mesmo? A personalidade quieta e tranqüila? Ou será que o mesmo é pura questão de sorte? Com toda a certeza, a ansiedade e frustração passam a ser barreiras naturais para a obtenção do mesmo. O que é vital percebermos seria os elementos que corroem dito sentimento. Sobre a própria troca, poucos param para refletir sobre suas sensações e estado emocional no momento em que lhes é exigido doar algo. Seja na sexualidade ou em outra área, o importante é a observação não apenas se o parceiro é capaz de cumprir nossos desejos, mas seu estado mental e como disse, emocional perante os mesmos; sempre o amor será um teste infinito da vontade. Tais reflexões nos levam a perceber qual papel adotamos perante alguém: devedor, culposo, submisso, ou uma pessoa livre e integrada. Não será difícil tomarmos consciência de que o amor para muitos é a fuga absoluta do dever, regredindo ou desejando um estágio de solidão, que por mais doloroso que seja, tranqüiliza a pessoa que resiste plenamente à doação. Também é notório o fato de que qualquer sentimento positivo jamais pode ser plantado no solo da inveja ou competição, do contrário, a relação sempre caminhará para uma tensão inesgotável.

Depois de milhares de explicações, teses e conselhos, é interessante notar como o projeto do amor é talvez um dos mais frágeis do arcabouço da personalidade humana. Como a desilusão e mágoa não demoram a aflorar quando nos vemos envolvidos por determinada pessoa. Parece que nosso sonho ou a mais profunda imagem idealizada de alguém, morre ao primeiro sinal de problema no percurso da relação. Inclusive quase todos compartilham da equação de que quanto maior o sonho, maior será a derrocada. Seria então o amor uma antítese absoluta do desejo ou imaginário temporal cultivado por nós? Seria o amor a prova derradeira de que não possuímos o poder sobre a realização concreta de nossos desejos e fantasias? Na maioria das vezes, nos deparamos com o conhecimento subjetivo de que nossas relações fracassadas apenas espelharam um processo incrivelmente pequeno de apego e orgulho. O amor sempre está associado ao ódio em virtude da corriqueira frustração pessoal da inversão do poder nos relacionamentos, quando se sabe que o parceiro já não mais necessita de nossa afetividade, e contudo, continuamos presos em uma imagem passada que o outro não deseja mais compartilhar. A raiva passa então a ser um mecanismo psicológico de defesa, perante todas as decepções que estão por vir. A raiva e o ódio sempre serão uma fácil escusa para um ser humano totalmente incapacitado para a busca de seu prazer e felicidade pessoal. Deveríamos aprender com tais sentimentos negativos, pois os mesmos são um dos mais precisos instrumentos de medição daquilo que realmente nos falta.

No decorrer da história da psicologia, quase sempre se ressaltou a permanência de resíduos infantis na afetividade adulta, sendo que boa parte dos relacionamentos atuais comprovam tal tese, pois, são nada mais do que uma mescla de infantilismo psíquico aliados à um neurótico desejo de proteção e amparo. Temos muito o que aprender sobre esta matéria, caso não desejemos que nosso futuro pessoal seja uma somatória de caos, terror e experiências de pura decepção. A prática da psicoterapia é essencial para a tomada de consciência de todas as questões levantadas, sendo que o seguir um caminho sem reflexão ou ajuda do próximo só eleva o potencial destrutivo de determinada pessoa.

Infelizmente as pessoas gostam de brincar com palavras, sendo que se faz sempre uma distinção entre os chamados "sentimentos hostis": inveja, raiva e ódio principalmente. Se pararmos para uma reflexão mais apurada descobriremos se tratarem de sinônimos, pois os três elementos citados estão diretamente relacionados à tentativa de impedir o livre fluir de determinado potencial humano. Obviamente quando impedimos que alguém se desenvolva em todos os sentidos, estamos tentando esconder todas as nossas frustrações pessoais e principalmente o prestar contas com nosso próprio potencial não efetuado. Aferir nosso potencial perante outrem sempre será uma das mais dolorosas experiências humanas. Quanto maior nosso sentimento de estarmos aquém de alguma expectativa ou determinada pessoa, maior será nosso desejo de procurarmos companheiros para nossa miserabilidade pessoal, sendo esta a essência máxima do ódio ou inveja, independente das posses ou recursos materiais de cada um.

Esmiuçando um pouco mais a tese acima descrita, concluímos que a própria mágoa nada mais é do que a constante atualização do ódio , sendo que adoramos nutrir dito sentimento diariamente. Em algumas ocasiões perdemos o controle, então surge a vingança como resposta ao apego do qual não desejamos nos livrar. Infelizmente toda a sociedade está mergulhada nesse processo, e quanto maior nosso complexo de inferioridade mais combustível é liberado para aumentar a chama do ódio. O efeito colateral mais grave disso tudo é que a cada dia está mais difícil efetuarmos determinadas tarefas que nos fazem bem ou nos proporcionam prazer, sendo que somos vítimas da sabotagem social e pessoal.

A verdade é que não temos capacidade para lidar com a frustração, sendo que somos absortos pela fúria quando as coisas não saíram como planejado. Deveríamos admitir que não possuímos nenhum treino para a contrariedade ou crítica, seja construtiva ou não, e o sentimento resultante é a raiva contra a pessoa que nos apontou algo.

É incrível observar como determinado sentimento tão arraigado na natureza humana é totalmente reprimido, agindo sempre nos bastidores de nossas relações.

Talvez nossa única saída seja sempre termos uma segunda opção, embora isso comprometa de forma definitiva as seguintes qualidades: confiança, entrega, dedicação e principalmente fidelidade. É incontestável que o ódio consegue sobrepor inclusive a questão do tempo, pois determinada contrariedade é suficiente para anular toda a energia depositada em algo ou determinada pessoa, sendo que o rancor sempre se torna a sensação resultante.

O tributo maior cobrado pelo ódio é estar à disposição do mesmo constantemente, exaurindo nossa energia para algo que realmente poderia dar certo. Como sempre há uma compensação, a única utilidade de viver dita experiência é a perda da ingenuidade, pois a mágoa nos revela com que tipo de pessoa estamos lidando verdadeiramente. Houve uma significativa mudança da introversão para a extroversão no processo acima descrito, pois na época dos primórdios da psicologia de FREUD se falava em repressão e sintomas oriundos da falta de prazer, pois as pessoas somatizavam sua infelicidade, e embora isso ocorra ainda hoje, há uma progressiva tendência para a exteriorização do dano pessoal, comprometendo ou se torcendo pela insatisfação alheia. O fato marcante é o extremo sentimento de tédio e aprisionamento na rotina diária, e as conseqüências psíquicas são: total insatisfação, angústia e principalmente impotência de lidar com ditas questões. Todos nos sentimos presos, seja na insatisfação, infelicidade, raiva ou vício de qualquer espécie. Assistimos passivos o desenrolar de nossa vida na mais pura insatisfação, juntamente com a extrema angústia de nossos desejos não realizados.

Somos muito sensíveis às experiências negativas e frustrantes, sendo que necessitamos urgentemente da novidade para reavermos nosso equilíbrio psicológico. Este apenas se manifestará no ato criativo, na nossa certeza interior de sempre produzirmos algo e nunca no tamanho de nossas economias ou vaidades pessoais.

Se prestarmos suficiente atenção para o ponto acima descrito, veremos a importância decisiva de sempre estarmos prontos para um recomeço. A própria questão religiosa do perdão se torna obsoleta no contexto citado, pois perdoar sempre é um ato que implica o extremo peso do passado com todas as suas impregnações e seqüelas, e não existe nenhum método religioso ou terapêutico que faça que nos esqueçamos de nossas pendências, exceto a certeza máxima e confiança pessoal de que nossa energia ainda não está acabada, e por respeito ao nosso íntimo devamos prosseguir, embora a maioria das pessoas não esteja preparada para tão árdua tarefa. O principal combustível do ódio é sem dúvida nenhuma o apego, pois o mesmo além de gerador da mágoa nutre de forma inimaginável o rancor, sendo que a tradução deste sentimento é o puro ódio por não se possuir mais determinada coisa.

Historicamente a psicologia provou que a grande raiz do sofrimento psíquico é o passado do indivíduo, sendo que o mesmo acarreta um distúrbio no sentido de reequilibrar a saúde psicológica perdida. Então é necessária a reflexão sobre o preço pago por todos sobre as convicções pessoais e religiosas que carregamos. Quanta soma de angústia ou desespero se fará necessária até a tomada de alguma atitude em relação ao que já ficou para trás? Sabemos que o egoísmo e individualismo são as piores saídas, embora permaneçamos nos mesmos por causa de nossa impotência e espírito individualista.

A tragédia do amor é a falta do mesmo ritmo de um sentimento que deveria ser compartilhado por duas pessoas, ocasionando o máximo de sofrimento para quem deseja estar profundamente envolvido. Infelizmente o amor nega a percepção das diferenças, bem como a possibilidade ou não de se alterar tal quadro; o resultado é a tortura pessoal diária e o aumento exacerbado da fome de nosso espírito por algo que realmente nos preencha.

Todos em algum momento de suas vidas já perceberam que o desejo só nos afasta a cada dia daquilo de que mais necessitamos. Quanto maior nossa volúpia por algo, mais distante se torna nosso sonho de nos sentirmos felizes e confiantes em nossa pessoa. O desejo só não é destrutivo quando temos a pessoa amada ao nosso lado e diariamente temos o deleite de cultivar o amor da relação. Tal fato porém é raríssimo, e como a maioria das pessoas não está capacitada para entregar aquilo que é o mais valioso, a chama do ódio permanecerá constantemente acesa. Desejar na ausência só alimenta nossa miséria pessoal se não traçarmos estratégias para a mudança do quadro citado.

Outro aspecto extremamente importante do ódio a ser elaborado é a questão da perda da identidade pessoal; pois quem estiver mergulhado em dito sentimento transfere sua alma ou os mais íntimos desejos para outra pessoa, seja através do rancor ou vingança, mas o fato é que a partir desse ponto sua vida pessoal é secundária perante o que nutre ou sente pelo outro.

Se verdadeiramente a humanidade almejasse alguma evolução no aspecto do ódio todos teriam que discutir abertamente suas raízes, principalmente no âmbito familiar. Por mais óbvio que seja para qualquer observador não religioso, é impressionante como se nega o fato dos pais desejarem o mesmo destino para seus filhos, sendo que muitas vezes esse desejo é camuflado pela dedicação e sacrifício, sendo que a conseqüência é um exacerbado sentimento de culpa carregado pelos descendentes.

A felicidade demonstrada por uma criança nada mais é do que a ausência da crítica perante determinado evento. Sua alienação básica é o seguro contra o mundo insano, ao mesmo tempo que nos relembra eternamente que poderíamos nos esquecer de certas coisas e seguirmos adiante.

O ódio sempre é um termômetro dos ataques ou injustiças dirigidas ao nosso íntimo. O grande problema é achar que suposto sentimento é o mesmo que destrutividade, sendo o objetivo desta última apenas a aniquilação. Obviamente um ato destrutivo pode ser resultante de um ódio intenso acumulado, porém não podemos nos esquecer que o ódio também pode ser benéfico ao nos mostrar o que nos causa mal estar.

Ódio e amor só caminham juntos devido ao fato do primeiro ser a prova máxima do fracasso de nosso investimento afetivo. O amor é o teste máximo do sucesso ou fracasso pessoal de um ser humano, e nem mesmo o dinheiro ou ambição são capazes de sobrepor tal afirmativa, apenas podem criar um anestésico temporário. O conceito acima descrito é tão nítido que nos tempos atuais as pessoas evitam o envolvimento profundo justamente com receio do sentimento alheio, que para muitos é o teste máximo do amor próprio. Para uma grande maioria ser amado incomoda, pois ditas pessoas não estão dispostas a retribuição. A sedução e conseqüente sentimento de poder há muito substituíram a verdadeira entrega.

A conclusão é que sempre nos identificamos com o vencedor, e temos um terrível medo de a cada dia estarmos mais distantes desse ideal internalizado. Nossa compaixão não é tanto pelo fracassado, mas principalmente uma autopiedade por toda a nossa insegurança. Enfim, a religião é uma tentativa de se criar uma mentira sobre a verdadeira natureza humana , pois a evolução e melhora das relações pessoais e sociais passam necessariamente pela diminuição do poder e controle entre as pessoas, mas infelizmente só temos assistido a mecanismos que impedem o prazer e desenvolvimento natural dos seres humanos. Não ser nocivo implica necessariamente não passar as piores coisas para alguém, coisa rara em nosso cotidiano. Como a cada dia que se passa nosso sofrimento pessoal tem se intensificado, desaprendemos ou não mais desejamos passar nosso melhor pedaço da alma humana.

A MUDANÇA CAMINHA EM PARALELO COM A DIMINUIÇÃO DA SAUDADE.........


A mente é um tribunal que sempre emite uma sentença eterna de sofrimento e angústia, caso não haja a intervenção terapêutica; e o psicólogo competente deverá não ter medo de fazer o papel de advogado e juiz de seu paciente, para que possa o liberar de um tormento que jamais terá um desenlace satisfatório. Apenas a passividade e a escuta são como determinadas testemunhas que foram convidadas para assistir a pena capital de um condenado. Ajuda nunca será um observatório do caos psíquico; nem também um turbilhão de emoções incontroláveis; mas o estabelecimento da confiança em uma pessoa de certa forma "estranha", que soube interpretar exatamente aquilo que sempre nos despertou medo, mágoa e ódio, mas que tanto insistimos para que permanecesse vivo nos recônditos de nossa mente.
A terapia não é apenas a dificuldade da revelação do segredo, mas o trabalho que sangra a nossa alma que é o de retirar o valor ou preço elevado de determinados afetos.O que quero ressaltar é que dito envolvimento deve ser a percepção por parte do paciente de que o terapeuta encarna a real figura de um amigo de que tanto precisou e jamais encontrou durante sua vida. A cláusula pétrea é mostrar ao paciente a verdade mais dolorosa possível: que no presente momento está infeliz e sofre brutalmente com toda a carga de tal condição; mas que tal estado jamais pode ser eterno. Nenhum ser humano é capaz de passar por determinada dificuldade feliz ou satisfeito. O que quase ninguém percebe é que num futuro próximo determinado potencial criativo é descendente de tal trava pretérita.
A felicidade é o tempo da gestação e elaboração de aspectos mórbidos e destrutivos que acabam se dissipando na esperança, desde que a pessoa não desista e saiba que esta última é a pura experiência subjetiva; mas extremamente real quando se possui a certeza do valor próprio; e o terapeuta deve ajudar o paciente a descobrir onde está escondido tal potencial.Fala-se tanto em mudar através do psicólogo, mas o que é isso realmente? A mudança caminha em paralelo com a diminuição da saudade, tanto positiva quanto negativa. Nenhum sofrimento jamais pode ser esquecido; mas também nenhum novo passo pode ser dado enquanto a energia estiver concentrada no passado. Todos conhecem a memória, e sabem de seu poder torturante neste âmbito. Esta é a batalha máxima que o psicólogo deverá travar com seu paciente.
O remoer a ferida evita o Pânico de se consumir aquilo que é bom. Não é necessariamente o "medo de ser feliz", mas que tal felicidade se esgote caso a gozemos diariamente. Poucos percebem tal questão. Temos no inconsciente uma idéia de "economia do prazer", sendo que o mesmo deve ficar guardado ou ser poupado. O núcleo econômico de nossa sociedade assim como a ambição é este: evitar a qualquer custo o vazio depois de determinada conquista. Em nossos tempos temos oferta de tudo em abundância: inteligência, sabedoria, beleza e diversas outras coisas. Discutir tudo isto seria um tanto tautológico. A única carência é o acesso a tudo o que é valorizado. Criam-se expectativas e sonhos que apenas alguns poderão realizar; para o resto, sobra o infortúnio de uma vida de sacrifício por algo que nunca emanou de seu íntimo.

Antonio C. A. Araujo.
psicólogo de casais e familia.

PSICOLOGIAS...QUANDO O PONTO DE VISTA É FATÍDICO...


Toda psicologia serve para alguma coisa. Mas nem toda psicologia resolve. A psique é feita de camadas. Há um famoso sonho de Jung falando disso (em Memórias, Sonhos e Reflexões). Ele está numa casa e vai descendo os andares e nisso descobre que cada um é um específico ambiente histórico, cada um com seus móveis da época; até chegar a restos arqueológicos.


A verdade surge em camadas também. Se usarmos a fisica como exemplo, podemos dizer que a física newtoniana é correta e a quântica também. Cada uma delas se aplica a uma “camada” da realidade, a newtoniana para os objetos maiores, a quântica para os infinitesimais (e muito mais). O mesmo vale para a filosofia e outras compreensões da realidade que não vou aprofundar agora para não me delongar.


Falando em psicologia, eu que não sou freudiana, quando analiso sonhos percebo que alguns conceitos de Freud cabem à perfeição, ou melhor eu os vejo atuarem debaixo dos meus olhos! Nem por isso viro freudiana. Nem por isso tenho invalidado Jung, Montefoschi ou Hillman. A verdade vem aos pedaços, sendo o único problema a tendência totalitária do pensamento humano (a que forma igrejas, corporações e escolas) que visa contrabandear um pedaço pela totalidade…

Como escolher o “pedaço” melhor? A melhor psicologia é aquela que permite chegar mais fundo, ver mais longe, e entender com mais clareza. É aquela que proporciona mais “clicks” mentais, um maior despertar.


Assim como em todos os âmbitos do conhecimento humano, o mais notável é aquele que consegue explicar mais coisas, cujos princípios são mais amplos e mais apurados, ou seja, mais universais. A melhor psicologia tem como pano de fundo uma concepção da humanidade que permite uma maior gama de ações e possui um alto teor de fertilização.


É importante observar qual é a visão de ser humano sadio que as diversas linhas psicológicas têm. É sabido que Freud, por exemplo é fruto da época vitoriana, ele é judeu e sofreu com isso, tem uma história familiar marcante (como todos) e muito mais. Freud é um sujeito com sua história e contexto, cuja produção intelectual é o brilhante resultado de todos os elementos involvidos.


Ao escolher uma linha psicológica, uma pessoa alinha-se também com o pano de fundo que deu origem à tal psicologia, que ela saiba ou não. Esses fundos são como palcos, cada um com sua história. Saber delas é importante porque disso depende muitas vezes o avançar ou o estancamento da situação.
adriana nogueira.
Você tem que ser o espelho da mudança que está propondo. Se eu quero mudar o mundo, tenho que começar por mim.

Mahatma Gandhi

segunda-feira, 15 de março de 2010

QUANDO A GENTE RESOLVE SE AMAR... ... ...




Quando a gente resolve se amar, a vida acontece de outro jeito, adquire cores e movimentos, perfumes e texturas que não se deixavam ver antes disso. A gente muda de dimensão, deixa o deserto para trás, e é verão o ano inteiro. E, de dentro do espelho, outra pessoa olha em nossos olhos...uma pessoa que a gente nem sabia que existia.”



(La Zingarah)

SOLIDÃO E ARREPENDIMENTO...


SOLIDÃO E ARREPENDIMENTO ...

"É um fato absolutamente consumado de que a solidão é puramente uma soma de energia egoísta enraizada em nossa alma, e embora a pessoa talvez tenha razão em relação ao seu passado de sofrimento e seus esforços para não repetir novamente tal drama, a mensagem básica é a de que não devemos seguir dita trilha de isolamento". - ANTONIO CARLOS- PSICÓLOGO

"A solidão jamais pode ser encarada como sinônimo de tristeza, depressão ou infelicidade como boa parte das pessoas pensam, pois se seguirmos este raciocínio estaremos encobrindo o verdadeiro problema básico- A marca mais forte da solidão é a repetição constante de uma mesma experiência ou destino afetivo outrora vivenciado. O desafio final é exatamente este ponto, como se libertar de algo enraizado em nosso ser que nos leva sempre de volta ao início de uma jornada de desamparo e desilusão"- ANTONIO CARLOS- PSICÓLOGO.

No âmbito interpessoal fica claro que na atualidade um dos fatores de maior sofrimento psíquico é sem dúvida nenhuma a solidão sentida como um elemento corrosivo da saúde e bem estar pessoal. Se fôssemos obrigados a produzir um manual de sobrevivência psíquica para a nossa era, a primeira regra seria o aprendizado de como aumentar nossa tolerância à frustração. A solidão caminha exatamente no oposto, acentuando a desolação dos acontecimentos pretéritos; bloqueando a oportunidade de novas experiências de prazer, sendo que a conseqüência inevitável é a cristalização do luto eterno em nossa alma, obrigando a pessoa diariamente a vivenciar todo o tipo de medo e desconfiança perante novas perspectivas.
Uma das raízes pouco exploradas da solidão em todos os trabalhos teóricos é a questão do arrependimento. Talvez este seja um dos mais paralisantes sentimentos humanos, pois ao mesmo tempo carrega uma semente de orgulho perante a reparação de um erro, e o tédio ou falta de motivação para uma nova experiência. Aprofundando a tese acima descrita, a prova máxima do arrependimento é quando temos certeza de que nossas vivências atuais são muito piores do que os acontecimentos dolorosos de nosso passado, e é exatamente esta vivência dolorosa que a solidão visa não repetir, à custa do convívio vital com outros seres humanos.
É um fato absolutamente consumado de que a solidão é puramente uma soma de energia egoísta enraizada em nossa alma, e embora a pessoa talvez tenha razão em relação ao seu passado de sofrimento e seus esforços para não repetir novamente tal drama, a mensagem básica é a de que não devemos seguir dita trilha de isolamento.
A questão dinâmica da solidão se dá através de duas vertentes: Qual a capacidade de investimento profundo num novo plano afetivo versus a quantidade de mágoa acumulada pelo passado da pessoa transtornada pela carência? O aspecto central desta conscientização é a avaliação de onde provém nosso conflito básico, se no passado, presente ou o temor do futuro. Obviamente que dependendo do grau de sofrimento todas as três esferas podem ser afetadas, mas é fundamental a localização pelo menos parcial do início de determinado drama existencial.
A questão é absolutamente clara, a solidão é sinônimo irrefutável do passado, criando uma película em nossa esfera afetiva totalmente impermeável a qualquer nova experiência gratificante. Então devemos nos perguntar baseados nesta conclusão o que de nosso passado é profundamente saudável ou aproveitável? Sem dúvida alguma descobriremos que determinado acúmulo de experiências preenchem quase que na totalidade a possibilidade de um destino pessoal completamente diverso do que estamos acostumados a vivenciar. Neste ponto devemos inserir a questão do perdão no âmbito da solução da encruzilhada do problema apresentado.
Se boa parte das religiões tivessem um caráter sério, o perdão jamais poderia ser um instrumento de regozijo próprio ou de poder pessoal perante alguém que sabemos que sempre esteve em déficit com sua natureza humana, mas sobretudo a consciência pessoal e inalienável de que devemos prosseguir, pois caso contrário o resultado será a somatória de mágoa ou autocomiseração adquiridas no transcorrer de nossas experiências. Sempre a derradeira esperança é a possibilidade de realização futura, desde que cultivemos nosso potencial ou dever pessoal para novas empreitadas.
A solidão jamais pode ser encarada como sinônimo de tristeza, depressão ou infelicidade como boa parte das pessoas pensam, pois se seguirmos este raciocínio estaremos encobrindo o verdadeiro problema básico, pois a marca mais forte da solidão é a repetição constante de uma mesma experiência ou destino afetivo outrora vivenciado. O desafio final é exatamente este ponto, como se libertar de algo enraizado em nosso ser que nos leva sempre de volta ao início de uma jornada de desamparo e desilusão.
Todo o processo acima citado nos leva a conclusão de que a solidão apenas nos mostra como estamos absolutamente despreparados para a questão da morte em todos os sentidos, sendo que jamais reconhecemos que determinados sinais sociais nos mostram a finitude de nossas experiências gratificantes acumuladas, nos mostrando que a mais dolorosa experiência humana sempre foi a mudança em todas as esferas da existência, e a falta de instrução ou treinamento para algo tão óbvio da natureza humana passa a ser um dos pilares de toda a estrutura social e pessoal que petrificam o ser humano no medo e apatia. Jamais devemos nos esquecer que em suma a solidão apenas representa a total falta de investimento na esfera da troca afetiva.

texto do psicólogo-
antonio araujo

A RIQUEZA DE UM CASAMENTO ROMÂNTICO...



Do ponto de vista teórico, os casamentos com altos e duradouros lances de romantismo deveriam ser muito mais freqüentes que aqueles baseados em uma sexualidade rica e exuberante. Mas, na prática, isso não ocorre. Não quero dizer que sejam tão comuns as uniões sexualmente satisfatórias, mas que são raríssimos os casais que conseguem viver, ao longo de várias décadas, uma experiência sentimental bonita, daquelas de encher o coração de alegria e os olhos de lágrimas, de tanta emoção.
As coisas costumam ser mal colocadas desde o começo. A grande maioria dos casamentos ocorre entre uma pessoa apaixonada e outra que prefere ser objeto da paixão. Enquanto a primeira – mais generosa – oferece, a segunda – mais egoísta – recebe. A mais generosa tem coragem de amar. A egoísta tem medo de sofrer e se protege da dor do amor ao não se abrir demais para a relação. As uniões desse tipo apresentam momentos bonitos, é claro. Possibilitam até mesmo uma vida sexual de permanente conquista. Sim, porque o egoísta nunca se entrega totalmente ao outro, de modo que o generoso estará sempre tentando conquistá-lo. Esse fenômeno costuma gerar alguns instantes de profundo encontro, mas são momentos vãos, que logo se desfazem. E o corre-corre das brigas e da luta pela conquista volta.
No entanto, esse é apenas um dos aspectos da questão. Outro fator de peso está nas diferenças de temperamento (generosos e egoístas são bastante diferentes), de gosto e interesses. Na vida prática, no dia-a-dia, as divergências de opinião e a falta de um projeto comum provocam irritação permanente. E isso não vale só para as grandes diferenças. O cotidiano se faz realmente nas pequenas coisas: Onde vamos jantar? Que amigos vamos convidar? Onde vamos passar as férias? A que filme vamos assistir? Como agiremos com as crianças? O que faremos com os parentes? E assim por diante. São justamente estas pequenas contradições que provocam a irritação, a raiva e, portanto, a maioria das brigas. As afinidades aproximam as pessoas, enquanto as diferenças as afastam. Além do mais, a oposição é a raiz da inveja: o baixo inveja o alto; o gordo, o magro; o preguiçoso, o determinado; o introvertido, o sociável. E a inveja é inimiga do diálogo. Nesse tipo de união, as brigas serão o normal no relacionamento, e os momentos de encontro e harmonia serão exceções cada vez mais raras.
Eu disse que, do ponto de vista teórico, a felicidade romântica no casamento poderia ser bastante comum porque o amor não padece do desejo de novidade que tanto agrada ao sexo. Ao contrário, o amor é apego, é vontade de aconchego, de tranqüila intimidade. Trata-se de um sentimento que floresce e frutifica melhor quando tudo é exatamente igual e antigo. Gostamos da nossa casa, daquela velha roupa que nos agasalha tão bem. Gostamos de voltar aos mesmos lugares do passado, da nossa cidade, do nosso país. Queremos também sentir essa solidez e estabilidade com o nosso parceiro amoroso. Amor é paz e descanso e deriva justamente do fato de uma pessoa conhecer e entender bem a outra. Por isso, é importante que as afinidades, as semelhanças, predominem sobre as diferenças de temperamento, caráter e projetos de vida. Seres humanos parecidos poderão viver uma história de amor rica e de duração ilimitada. Não terão motivos para divergências. Não sentirão inveja.
Um último alerta – além da lição que se pode tirar da experiência, acima descrita, dos raros casais que vivem harmoniosamente – é que cada um deve procurar se unir a seu igual. Só assim o amor não será um momento fugaz. Para que a intimidade não se transforme em tédio e continue a ser rica e estimulante, é necessário que o casal faça planos em comum e que depois se empenhe em executá-los. De nada adianta fugir para uma ilha deserta para curtir a paixão maior. Quem fizer isso provavelmente voltará, depois de dois meses, decepcionado com a vida e com o amor. A vida é um veículo de duas rodas: só se equilibra em movimento. Para que duas pessoas se tornem uma unidade é preciso criar um objetivo: ter filhos, construir uma casa, um patrimônio, uma carreira profissional, um ideal… o conteúdo em si não interessa. Seja qual for, é a cumplicidade que o transforma em algo fundamental. Fazer planos é sempre uma aventura excitante. É sobre eles que mais adoramos sonhar juntos.

domingo, 14 de março de 2010

SEXO .... POLÍTICA E O PODER FEMININO DE MUDANÇA....



Ao longo dos primeiros anos da chamada revolução sexual (1960 em diante) havia uma idéia clara de que a emancipação da sexualidade implicaria numa diminuição da competitividade entre as pessoas que, por isso mesmo, se tornariam mais doces e amistosas. Isto determinaria um clima social de cumplicidade e companheirismo ao invés das tensões próprias do capitalismo e da sociedade de consumo que estava nascendo. O resultado é mais que conhecido: o livre exercício da sexualidade, especialmente do exibicionismo feminino, provocou efeito exatamente oposto. Ou seja, os homens ficaram extremamente sensibilizados e estimulados pelo fato das moças se mostrarem mais atraentes e disponíveis para o sexo e partiram para uma disputa brutal para conseguirem o sucesso necessário para serem os eleitos das mais belas.
A busca por sucesso, fama e fortuna se agravou e o capitalismo competitivo e consumista se estabeleceu de uma forma plena. As moças passaram a se preocupar mais ainda com a aparência física – mesmo aquelas também empenhadas em desenvolver atividade profissional e independência econômica – e os homens, depois da luta por sucesso material, também têm se empenhado em aparecer como belos aos olhos das mulheres. O mundo se tornou mais do que nunca aristocrático, onde beleza e riqueza (prendas raras) são os ingredientes mais valiosos.
Na verdade, a única novidade mesmo é a preocupação masculina com a aparência física. Sim, porque a história da humanidade tem sido esta. Os homens buscam o destaque e o poder para poderem se apresentar e serem recebidos sexualmente pelas mulheres mais belas e atraentes, que são as mais cobiçadas por quase todos. As mulheres menos belas se sentem tristes, assim como os homens menos ricos. Estes fazem parte da imensa maioria da população e parece gastarem a vida sonhando com o dia – ou com a hipótese quase mágica – em que poderão fazer parte daquela elite que teria tudo o que se pode pretender desta vida. A mim me entristece ver de forma assim clara e um tanto banal as razões que levaram estas elites a criarem organizações sociais brutalmente desniveladas, onde a desigualdade impera. A tristeza é maior ainda quando percebo que a maioria da população, aquela composta pelos excluídos, apóia e compactua com estes pontos de vista. Ou seja, acham legal a injustiça e a desigualdade social derivarem de prendas inatas, especialmente a beleza física feminina. Acham legal que a beleza física valha mais que as virtudes de caráter. Enquanto pensarem assim é claro que o mundo continuará a caminhar na mesma direção que tem caminhado e tudo leva a crer que irá nos levar, em poucos anos, para o abismo.
Uma conclusão importante que podemos extrair destas últimas décadas é a seguinte: os autores que relacionaram a sexualidade com a política (Marcuse, Reich, Foucault entre outros) tinham razão. A forma como vivemos nossa sexualidade em uma dada sociedade não é, em absoluto, inofensiva. Não há ingenuidade em relação ao tema. Uma prática sexual que estimule o jogo de sedução e conquista, que valorize beleza e riqueza (propriedades aristocráticas) estará gerando uma população de infelizes e frustrados. Eles poderão continuar sonhando com o dia em que serão incluídos no clube dos privilegiados, mas poderão agir de outra forma. Imaginem se as mulheres, de repente, passarem a valorizar mais os moços bons, gentis, delicados e atenciosos com elas, parceiros e cúmplices (com gosto em ouvir sobre suas vidas ao invés de só gostarem de falar de si e de suas glórias). Isso teria um potencial revolucionário extraordinário, pois os homens, como sabemos, querem mesmo é fazer sucesso com as mulheres. Se elas passarem a valorizar propriedades mais dignas no lugar dos corpos sarados e muito dinheiro no bolso (independente da sua origem) estariam promovendo uma revolução moral, social, econômica e política!
Muitos pensadores contemporâneos vêm desenvolvendo esta idéia. Ou seja, pensam muito seriamente no fato de que se algo de muito relevante e revolucionário pode vir a acontecer nos próximos tempos deveremos sua introdução às mulheres. Elas detêm um poder social, econômico e político crescente. Elas são a maioria na maior parte das universidades. Elas poderão repetir os procedimentos masculinos ou contribuir de forma radical para que possamos voltar a sonhar com sociedades mais justas. O fato delas estarem desenvolvendo condições de auto-suficiência econômica criará condições para que as escolhas sentimentais possam ser menos voltadas para os tradicionais interesses materiais e mais relacionadas com a presença de um parceiro carinhoso e respeitoso. Se isto acontecer, estaremos no início de um novo mundo.
Acho também que para isso poder acontecer temos que superar o mais depressa possível esta fase em que a sexualidade desvinculada de relacionamentos representativos está fazendo a cabeça de um grande número de moças e rapazes, como se estivessem se lambuzando no melado (nunca houve tamanha facilidade nesta área como agora). Quanto a isso não me preocupo muito porque penso mesmo que se trata de uma fase e que os próprios rapazes cada vez mais estarão interessados mesmo é em relacionamentos mais estáveis, duradouros e nos quais se poderão construir bases para uma intimidade mais profunda e que tanto nos gratifica e aconchega.

SER, TER OU PARECER.......




Estimulado pela “SP Fashion Week”, me pus, mais uma vez, a pensar sobre o que pretendemos com o que nos cobre – além de nos protegermos contra o frio e a vergonha. O tema é o da vaidade, esse prazer erótico fortíssimo presente em todos nós e que nos leva ao desejo de chamar a atenção, despertar olhares de admiração. Não adianta tentarmos nos livrar da vaidade, pois ela é parte integrante do nosso instinto sexual. Buscamos o destaque.
Ao comprarmos novas peças já levamos em conta o impacto que causarão. Ao nos prepararmos para sair, nos sentimos erotizados imaginando a reação “dos outros”. Buscamos usar o que melhor nos veste, o que nos caracteriza, o que nos faz atraentes. Gastamos uma boa parte do nosso tempo diante do espelho, tentando aprimorar nossa imagem.
Gostamos de parecer especiais e nos preocupamos bastante com nossa aparência (inclusive aqueles que adoram parecer desleixados!). Algumas pessoas gostam que sua imagem reflita aquilo que são: esportistas, intelectuais, artistas, membros de uma tribo tipo “góticos” ou “punks”, empresários de respeito, senhoras joviais e assim por diante. Tratam de usar roupas e adereços típicos, compondo sua imagem de forma discreta ou estravagante de acordo com o que pretendem transmitir.
Outras pessoas gostam de se exibir de acordo com o que têm, refletindo mais que tudo sua condição econômica: usam relógios caros, bolsas e sapatos de grifes renomadas – o que também lhes garantem um reforço de que são pessoas na moda e de gosto apurado –, jóias poderosas etc.
Outras ainda são fascinadas pela beleza das peças que muitas vezes são também as mais caras, sendo que têm os meios para se cobrir com elas. A preocupação maior é estética, de modo que costumam estar mais preocupadas com a qualidade do que com a quantidade do que possuem. Elas parecerão de acordo com o que são e têm. Vejo coerência nas atitudes das pessoas que se encaixam nos 3 casos. Penso que, além de se sentirem envaidecidas pelos eventuais elogios recebidos, poderão se sentir bem do ponto de vista da auto-estima – que só se alimenta de atitudes e conquistas verdadeiras.O que pensar, porém, daqueles que parecem o que não são ou não têm? Como fica a auto-estima daquela mulher que usa as roupas mais extravagantes e que se sabe sexualmente travada? Como se sente quem chama a atenção dos conhecidos por desfilar com uma bolsa ou relógio falsos? E aquele que se veste e age como intelectual e que jamais leu um livro? Não há auto-estima que resista! Penso que “o crime não compensa”, pois não há “mutreta” possível quando se trata da vida íntima. Seria muito melhor usar a imaginação e encontrar uma outra forma, mais criativa, de se apresentar diante dos olhos das outras pessoas.
Dr. ´Flávio Gikovate

AMAR A SI MESMO ANTES DE AMAR AOS OUTROS?




Sempre me surpreendo ao ouvir as pessoas falarem, com convicção, frases conhecidas, tidas como verdades, sobre as quais pouco refletiram. Elas correspondem às crenças, pontos de vista que herdamos daqueles que nos antecederam. Temos o dever de repensar tudo, uma vez que novos conhecimentos podem criar maneiras mais sofisticadas de encarar os temas que tanto nos interessam.
Esta é uma destas frases: “se eu não conseguir me amar primeiro, não serei capaz de amar ninguém”. Isso é dito e pensado a propósito da possibilidade de estabelecermos um relacionamento íntimo, estável e de boa qualidade. Não se está falando em termos genéricos, de modo que ela não está diretamente ligada ao ditame bíblico de que devemos “amar ao próximo como a nós mesmos”.
O “próximo” do texto bíblico é qualquer pessoa com a qual estabelecemos algum tipo de relação e não aquele ser especial com quem queremos estabelecer um relacionamento íntimo, de preferência estável e definitivo. Além disso, penso que a idéia religiosa diz respeito ao tratamento e aos direitos, ou seja, de que devemos considerar os outros como portadores de direitos iguais àqueles que atribuímos a nós.
A forma como tenho pensado acerca do amor não nos permite falar em amor por si mesmo. Isso porque ele acontece sempre em condições interpessoais. O amor corresponde ao sentimento que temos por aquela pessoa cuja presença provoca em nós a adorável sensação de paz e aconchego. A primeira manifestação desse sentimento corresponde ao que acontece entre mãe e filho, talvez ainda durante a vida intra-uterina, mas, certamente, a partir do nascimento: a criança, desamparada e ameaçada por desconfortos de todo o tipo, se sente bem e aconchegada pela presença física da mãe e a ama; esta, por sua vez, sente enorme prazer em estar com seu bebê no colo e sente por ele enorme amor justamente porque ela também se sente aconchegada por ele.
O primeiro sentimento interpessoal é o de amor. É claro que a criança, frustrada pela ausência da mãe, também pode ficar revoltada e chorar muito por se sentir abandonada. Talvez o segundo sentimento seja mesmo de raiva, que também é interpessoal (depende de um agressor externo). À medida que os meses se passam e a criança vai se diferenciando, ela passa a pesquisar o mundo que a cerca, inclusive a si mesma. Ao tocar certas partes do seu corpo, experimenta uma sensação muito agradável de excitação. NÃO trata-se de excitação sexual, esta sim pessoal e auto-erótica.
Quando se pensa no sexo e amor como parte do mesmo processo, o que não é o meu ponto de vista, pode-se pensar que exista algum tipo de afeição da criança (e depois do adulto) por si mesmo. Acontece que com a separação entre esses dois fenômenos (sendo fato que o amor acontece antes do sexo), podemos pensar no sexo como um fenômeno pessoal, mas não no amor como tal. Assim, existe auto-erotismo, mas não existe amor por si mesmo: o amor pede objeto e o primeiro objeto é nossa mãe.
Estas considerações são de natureza mais teórica. Vamos agora à prática, na qual constatamos que a grande maioria das pessoas não tem um bom juízo de si mesma. Isso significa que elas não têm boa auto-estima, o que costuma ser tratado como sinônimo de ausência de amor por si mesmas. Estima é uma palavra que pode estar associada a amor, mas também significa valor; penso mais neste segundo aspecto, de modo que baixa auto-estima significa que não estou satisfeito com o meu jeito de ser. Eu sou o juiz e também aquele que é avaliado, no caso, de forma negativa. Se isso, de fato, implicar em incapacidade para amar, podemos afirmar que o amor não existe!
O que acontece não é nada disso. Aquele que tem de si um juízo negativo costuma se interessar por alguém que seja o seu oposto. Isso sim é a regra do que acontece na realidade: nos encantamos pelos que são o oposto de nós, já que não gostamos nem um pouco do nosso jeito de ser. As pessoas que acompanham meu trabalho sabem que considero este tipo de aliança um tanto precária e, hoje em dia, com tendência a uma vida curta.
Podemos dizer que quem não tem boa auto-estima (expressão melhor do que “aquele que não se ama”) tende a amar seu oposto. A qualidade deste tipo de relacionamento é muito duvidosa, de modo que, nesse sentido, podemos dizer que aqueles que têm uma boa auto-estima (expressão que substitui, com vantagens, “aquele que se ama”) tendem a estabelecer relacionamentos amorosos muito melhores encaixados e bastante mais gratificantes.
Ao pensarmos por esta ótica e se considerarmos como amor apenas este segundo tipo de relacionamento, entre pessoas de temperamento e caráter afins, podemos dizer que ele depende vitalmente de uma boa auto-estima. Como ela é rara, também serão raros os relacionamentos amorosos. Acontece que não me parece razoável pensar assim, já que os relacionamentos entre opostos também implicam em aconchego e intimidade – apesar dos problemas, conflitos, ciúmes e brigas de todos os tipos. Assim, só poderíamos mesmo é afirmar que para sermos muito felizes no amor temos antes que nos entender conosco mesmos. Talvez seja essencial um avanço na capacidade de ficar bem consigo mesmo, de correção daqueles aspectos que não gostamos em nós e do atingimento de um estado de conciliação com nossa forma de ser para que possamos estar verdadeiramente prontos para um relacionamento amoroso no qual as delícias do aconchego possam nos satisfazer plenamente.
dr. flàvio gikovate.
psicologo e escritor

NÃO ESTAMOS SÓZINHOS....


Nem tudo na vida são flores... Em algumas curvas talvez o medo nos domine...As dúvidas se aglomerem e por não encontrarmos respostas, como nosso coração se flagela...Caminhos são cortados, modificados e nem ao menos somos consultados...Quedas repentinas e que causam tristeza...Incertezas...Receios pelo porvir...Vontade de parar o tempo...De colecionar só alegrias...Vontade que a mudança ocorra logo...Ansiedade pela mudança que não pode ser evitada...Sonhos...Projetos...Lágrimas e sorrisos que se misturam...Vontade de gritar...De pegar a bolsa e fui...De ficar em silêncio, simplesmente longe de tanto tumulto...Renovar...Reencontrar a esperança...Ir adiante...Perdas que doem...Paciência e resignação, nem sempre fáceis de serem cultivadasQuantas questões...E nenhuma garantia...A vida apenas segue o seu rumo e lá vamos nós ...Porém, se todas as respostas nos faltam,........... É NA DIREÇÃO DAS RESPOSTAS QUE IREMOS ...... Com a única certeza que jamais se apagará:-NÃO ESTAMOS SOZINHOS!!!

A ARMADILHA DA AUTO-SABOTAGEM!!!!


Há momentos da vida que reconhecemos que estamos prontos para dar um novo salto, para efetivar uma mudança profunda. Nos lançamos num novo empreendimento, numa nova relação afetiva, mudamos de cidade e até mesmo de apelido. Mas, aos poucos, nós nos pegamos fazendo os mesmos erros de nossa vida passada. É como se tivéssemos dado um grande salto para cair no mesmo buraco. Caímos em armadilhas criadas por nós mesmos. Nos auto-sabotamos. Isso ocorre porque, apesar de querermos mudar, nosso inconsciente ainda não nos permitiu mudar! Em nosso íntimo, escutamos e obedecemos, sem nos darmos conta, ordens de nosso inconsciente geradas por frases que escutamos inúmeras vezes quando ainda éramos crianças. Toda família tem as suas. Por exemplo: Não fale com estranhos é uma clássica. Como a nossa mente foi programada para não falar com estranhos, cada vez que conhecemos uma nova pessoa nos sentimos ameaçados. Uma parte de nosso cérebro nos diz abra-se e a outra adverte cuidado. Num primeiro momento, o desafio em si é encorajador, por isso nos atiramos em novas experiências e estamos dispostos a enfrentar os preconceitos. No entanto, quando surgem as primeiras dificuldades que fazem com que nos sintamos incapazes de lidar com esse novo empreendimento, percebemos em nós a presença desta parte inconsciente que discordava que nos arriscássemos em mudar de atitude: Bem que eu já sabia que falar com estranhos era perigoso. Cada vez que desconfiamos de nossa capacidade de superar obstáculos, cultivamos um sentimento de covardia interior que bloqueia nossas emoções e nos paralisa. Muitas vezes, o medo da mudança é maior do que a força para mudar. Por isso, enquanto nos auto-iludirmos com soluções irreais e tivermos resistência em rever nossos erros e aprender com eles, estaremos bloqueados. Desta forma, a preguiça e o orgulho serão expressões de auto-sabotagem, isto é, de nosso medo de mudar. Dificilmente percebemos que nos auto-sabotamos. Nós nos auto-iludimos quando não lidamos diretamente com nosso problema raiz. A auto-ilusão é um jogo da mente que busca uma solução imediata para um conflito, ou seja, um modo de se adaptar a uma situação dolorosa, porém que não represente uma mudança ameaçadora. Por exemplo, se durante a infância absorvemos a idéia de que de ser rico é ser invejado e assim menos amado, cada vez que tivermos a possibilidade de ampliar nosso patrimônio nós nos sentiremos ameaçados! Então, passaremos a criar dívidas, comprando além de nossas possibilidades, para nos sentirmos ricos, porém com os problemas já conhecidos de ser pobres. Não é fácil perceber que a traição começa em nós mesmos, pois nem nos damos conta de que estamos nos auto-sabotando!Na auto-ilusão, tudo parece perfeito. Atribuímos ao tempo e aos outros a solução mágica de nossos problemas: com o tempo a dor de uma perda passará; seu amado irá se arrepender de ter deixado você e voltará para seus braços como se nada houvesse ocorrido. No entanto, só quando passarmos a ter consciência de nossos erros é que não seremos mais vítimas deles!Temos uma imagem idealizada de nós mesmos, que nos impede de sermos verdadeiros. Produzimos muitas ilusões a partir desta idealização. Muitas vezes, dizemos o que não sentimos de verdade. Isso ocorre porque não sentimos o que pensamos! Muitas vezes não queremos pensar naquilo que sentimos, pois, em geral, temos dificuldade para lidar com nossos sentimentos sem julgá-los. Sermos abertos para com nossos sentimentos demanda sinceridade e compaixão. Reconhecer que não estamos sentindo o que deveríamos sentir ou gostaríamos de estar sentindo é um desafio para conosco mesmos. Algumas de nossas auto-imagens não querem ser vistas! É nossa auto-imagem que gera sentimentos e pensamentos em nosso íntimo. Podemos nos exercitar para identificá-la. Mas este não é um exercício fácil, pois resistimos em olhar nosso lado sombrio. No entanto, uma coisa é certa: tudo que ignoramos sobre nossa parte sombria, cresce silenciosamente e um dia será tão forte que não haverá como deter sua ação. Portanto, é a nossa auto-imagem que dita nosso destino. O mestre do budismo tibetano Tarthang Tulku, escreve em seu livro The Self-Image (Ed. Crystal Mirror): A auto-imagem não é permanente. De fato, o sentimento em si existe, no entanto o seu poder de sustentação será totalmente perdido assim que você perder o interesse por alimentar a auto-imagem. Nesse instante, você pode ter uma experiência inteiramente diferente da que você julgou possível naquele estado anterior de dor. É tão fácil deixar a auto-imagem se perpetuar, dominar toda a sua vida e criar um estado de coisas desequilibrado... Como podemos nos envolver menos com nossa auto-imagem e nos tornar flexíveis? Somos seres humanos, não animais, e não precisamos viver como se estivéssemos enjaulados ou em cativeiro. No nível atual, antes de começarmos a meditar sobre a auto-imagem, não percebemos a diferença entre nossa auto-imagem e nosso 'eu'. Não temos um portão de acesso ou ponto de partida. Mas, se pudermos reconhecer apenas alguma pequena diferença entre a nossa auto-imagem e nós mesmos, ou 'eu' ou 'si mesmo', poderemos ver, então, qual parte é a auto-imagem. A auto-imagem pode representar uma espécie de fixação. Ela o apanha, e você como que a congela. Você aceita essa imagem estática, congelada, como um quadro verdadeiro e permanente de si mesmo, explica Peggy Lippit no capítulo sobre Auto-Imagem do livro Reflexões sobre a mente organizado por seu mestre Tarthang Tuku (Ed. Cultrix).Na próxima vez que você se pegar com frases prontas, aproveite para anotá-las! Elas revelam sua auto-imagem e são responsáveis por seus comportamentos repetitivos de auto-sabotagem. Ao encontrar a auto-imagem que gera sentimentos desagradáveis, temos a oportunidade de purificá-la em vez de apenas nos sentirmos mal. O processo de autoconhecimento poderá então se tornar um jogo divertido e curioso sobre nós mesmos!
Bel Cesar é psicóloga e pratica a psicoterapia.

DÚVIDAS DO COTIDIANO.....


Crescemos acreditando que o sexo e o amor andam juntos. E agora, como fica se o que observamos é bem diferente? Como explicar que a maioria dos machões que tanto desejam as mulheres são mesmo é chegados nos homens com quem bebem, confidenciam e se gabam de suas conquistas nas mesas dos bares? Como explicar que a maioria dos homossexuais sejam tão íntimos das mulheres e que sintam desejo pelos homens - em especial por aqueles que não são homossexuais explícitos - com os quais têm um relacionamento tenso e cheio de hostilidades recíprocas? Resposta: Tudo nos leva a pensar que, em nossa cultura, a sexualidade está mesmo é associada à agressividade e não ao amor e à amizade. Temos que parar de nos iludir e observar os fatos: o jogo de conquista e sedução é extremamente violento, de modo que podemos concluir que tesão e ódio andam juntos. Afinal de contas, porque as mulheres se interessam tanto em colocar próteses de silicone em seus seios se a maioria dos homens não gosta do efeito táctil que elas provocam? Resposta: A prótese provoca um efeito visual interessante, especialmente quando a mulher está com uma roupa decotada. Pode despertar o desejo visual masculino, prometendo algo que será um tanto frustrante na intimidade. Parece que despertar o desejo visual à distância é percebido como mais importante do que agradar o parceiro. Além do mais, as mulheres assim turbinadas podem se sentir por cima de suas concorrentes. Se um homem – ou uma mulher – se encanta por um dado parceiro em virtude do seu modo de ser, porque é que depois, ao longo do convívio, insiste tanto para que ele se modifique?Resposta: Nos encantamos por alguém por causa da admiração que suas qualidades nos provocam e também por causa da presença de alguns defeitos que nos permitem alguma defesa contra uma intensidade amorosa que não seríamos capazes de suportar. As qualidades nos atraem enquanto que os defeitos nos afastam. Resulta um grau de intimidade que toleramos. O parceiro sabe que não poderá se modificar porque isso determinaria um desequilíbrio perigoso para a continuidade do relacionamento. O casal briga bastante e tudo fica exatamente como está! Afinal de contas, o que uma mulher pretende quando usa, por exemplo, uma bolsa de grife, uma daquelas muito cobiçadas em virtude de estarem na última moda e serem caríssimas?Resposta: Os motivos podem ser variados, mas a única coisa indiscutível é que uma bolsa não provoca os olhares masculinos da forma que uma calça velha e justa pode fazer. Não conheço muitos homens que se sentem atraídos por mulheres em virtude de suas bolsas. Elas são, mais que tudo, símbolos de poder, de modo que suas donas são imediatamente percebidas como pertencentes à classe dominante – e, é claro, tratadas como tais. Não há dúvidas que a maioria das bolsas são muito belas, mas são usadas mesmo é para definir status social e também para provocar a inveja das outras mulheres. O que leva uma pessoa a quem ajudamos muito, que morou em nossa casa por um bom tempo e a quem demos todo o tipo de apoio moral e material, a desenvolver tamanha raiva contra a gente? Ela não deveria ser reconhecida e grata?Resposta: Outro dia, lendo a resenha de um livro, o autor citou Cícero (orador e político romano do século I antes de Cristo), que dizia que a gratidão é a maior de todas as virtudes. À primeira vista, pode parecer um exagero, já que aprendemos a pensar que todos aqueles a quem ajudamos não farão mais que a obrigação de nos serem gratos. Mas a verdade, a regra geral, é que aquele que recebe favores materiais ou ajuda emocional costuma desenvolver enorme hostilidade contra nós. A ingratidão é filha da inveja. É assim: aquele que recebe se sente por baixo, humilhado. Como precisa receber, não tem outra escolha e aceita o que estamos oferecendo. Quanto mais receber, mais humilhado e ressentido ficará. Acabará arranjando algum pretexto e se afastará, nos agredindo e nos acusando de algo que não fizemos. É preciso pensar duas vezes antes de decidirmos ajudar alguém!

DR. FLÁVIO GIKOVATE.

SINAIS QUE A VIDA TE DÁ.....


Depressa, depressa! Não vai dar tempo, você está atrasado, estão te esperando e ainda mais o trânsito, a chuva... Que horror tudo isso! Muitas e muitas vezes é assim que vivemos. É assim que muitas pessoas vivem!A chuva cai lá fora e parece envolver a cidade numa dormência total, como se as pessoas, as árvores, as casas tudo estivesse úmido e envolvido em uma sonolência que traz consigo, não a serenidade de nossas almas, mas o desassossego geral.Os dias parecem se arrastar penosamente.O ser humano há algum tempo perdeu o sentido das coisas e não consegue reconhecer os sinais que a vida nos dá.Quando mergulhamos nesse mundo de falta de calma, serenidade e tranqüilidade, criamos ao nosso redor um redemoinho de energias densas que nos cegam perante as energias que nos levariam a caminhos ideais.Os sábios antigos tinham uma outra forma muito inteligente de fazer esta colocação. diziam da importância de viver o momento presente, entender e vivenciar cada energia, cada pessoa, cada circunstância que lhe aparecer no aqui-agora. Mergulhar de fato no seu momento atual. Fazendo isso, você perceberá que a vida lhe dá sinais que podem transformar sua existência.

ANÁLISE PSICOLÓGICA DO SUICIDIO....


SUICÍDIO E TIMIDEZ(ANÁLISE PSICOLÓGICA)Pretendo neste estudo apontar os aspectos psicológicos que levam ao suicídio; bem como fazer um paralelo com a timidez, já que demonstrarei que ambos os processos caminham em paralelo; apenas a forma ou o resultado comportamental é que diferem. Há muito que estes dois fenômenos deveriam ser prioridade de uma política séria de saúde mental, pois as conseqüências são devastadoras; tanto no nível de perdas humanas, como um comprometimento total na qualidade das relações sociais. Obviamente a problemática é mundial; vide o episódio no Japão sobre o suicídio coletivo dos "hikikomoris" (tímidos ou reclusos). Neste caso específico a timidez caminhou para o suicídio, devido às pressões de uma determinada cultura que talvez não preste a atenção devida ao relacionamento humano, mas tão somente ao desempenho profissional e competição, embora não seja um aspecto encontrado apenas no Japão. A timidez como demonstrei em vários outros trabalhos* não é apenas um retraimento ou vergonha de se colocar no âmbito social, mas uma conduta neurotizada de tentar obter um poder ou vantagem através da não divisão do potencial íntimo do sujeito. O tímido teme a situação de prova a todo o momento; quando se retira do contato cria uma ficção de vitória por não ter que passar por determinado apuro, mesmo que isto lhe custe um prazer futuro. Foi o psicólogo ALFRED ADLER, contemporâneo de FREUD, que primeiro percebeu o simbolismo da timidez. Para o mesmo, o tímido tinha como meta de vida disfarçar seu profundo complexo de inferioridade. Ao contrário do que muitos imaginam, se tornam pessoas bem sucedidas do ponto de vista econômico, visando compensarem o lado pessoal rebaixado. O tímido na verdade comete uma espécie de "estelionato social"; sua lei é retirar, sendo que os aspectos de egoísmo estão totalmente presentes. Nos relacionamentos afetivos são aquelas pessoas que insistem em manter uma vida totalmente privada; como exemplos máximos: jamais permitem uma conta bancária em conjunto, seus ganhos e posses são mistérios para o parceiro; detestam discutir qualquer assunto relacionado a sentimentos; parece que o casamento foi uma coisa que lhes aconteceu e não uma escolha pessoal; seu prazer máximo é aguardar uma determinada ausência do outro para que possam se dedicar a determinado hábito ou prazer que não desejam compartilhar; enfim, aliam o prazer ao anonimato. O último estágio do processo da timidez é a depressão profunda ou o transtorno do pânico e até o suicídio, quando a pessoa não consegue mais nenhum tipo de satisfação devido a sua conduta masturbatória perante a vida. O suicídio entra exatamente neste ponto, sendo um último apelo ou protesto em relação a um poder desejado ou que foi retirado da pessoa. Ao contrário do que muitos pensam, o suicídio não é o último estágio do sofrimento, mas um atalho mórbido para não o vivenciar, sendo que assim como o tímido sua meta é a fuga. Não farei aqui nenhuma menção aos casos de doenças terminais ou eutanásia, pois estão numa categoria à parte; apenas enfocarei os aspectos psicológicos do suicídio nos casos que não há essa pressão por doença física. O suicídio e timidez têm como temática básica à questão de como enfrentar a profunda solidão. O primeiro não enxerga nenhuma alternativa para resolver o dilema; o segundo se acostumou e desfruta da mesma. O suicida desenvolve o pensamento de que não possui "nenhuma chance" sobre seus dilemas. Mas o por que desta radicalidade com tantas evidências de recomeço que a vida oferece? A questão passa por um aspecto temporal. Determinado trauma ou experiência de angústia pode causar a deturpação da noção do tempo, dando a impressão clara que determinado evento será novamente repetido. O suicida visa exatamente fugir dessa sua certeza inevitável do recomeço de sua dor. É como se seu passado tivesse destruído todas as suas defesas mentais, restando eliminar sua vida para não sucumbir perante a repetição citada. A fé sempre falha numa personalidade onde o tempo denota pura angústia.O suicida acabou se treinando para esquecer suas virtudes e fugir da dor que está novamente batendo a porta Neste ponto é vital fazermos uma diferenciação entre a teimosia e perseverança. A primeira é típica da personalidade suicida ou tímida, pois a leitura mental é linear, baseada no sofrimento ou em determinado saudosismo que a pessoa não deseja se despojar. Tanto o tímido como o suicida acha que seus esforços são em vão para mudar determinada condição. Apenas a conduta difere, sendo que o tímido adota uma introversão de comportamento e o suicida acaba por extroverter sua raiva contra si próprio. A perseverança ao contrário, é a mais pura arte de tentar ou buscar o não atingido através da convicção plena no potencial pessoal. O tempo não deixa de ser um prazer ou mestre para aqueles que se detém no processo, e não em resultados imediatos. A paciência é sinônima de vida, sendo que a rebelião é válida para darmos determinado passo, não para nos evadirmos de nossas tarefas. O suicida como dizia Adler reclama um poder a todo tempo, não permitindo que a interação dele com o chamado "destino" permeie sua vida. Almeja ser o carrasco de si por não aceitar a submissão a qualquer tipo de evento que fuja de seu domínio. Aceitar apenas o peso do presente, ou a angústia do passado e a certeza de um futuro continuado de sofrimento é negar a dimensão da vida sob todos os ângulos possíveis. Jamais existirá uma situação única de sofrimento ou até mesmo de criatividade; enfim, jamais estaremos sós, a não ser que fechemos as portas para a percepção da verdade. O fato é que tanto o suicida quanto o tímido adquiriram uma total intolerância de se sentirem fracos por determinado período. Voltando a questão exposta anteriormente da cisão temporal, poderíamos perguntar o por que apenas do lado negativo prevalecer na mente? Uma experiência de extrema gratificação jamais conseguirá tal efeito? Então o lado positivo está fadado à negligência ou esquecimento? A resposta é que o chamado trauma abala totalmente o sentido de poder pessoal e sentimento de superioridade. Nenhum ser humano almeja galgar uma posição de destaque para depois a perder. O problema é que este deleite que já fazia parte do cotidiano do indivíduo, quando retirado, tem o efeito devastador de potencializar todos os temores de determinada pessoa. A psicanálise sempre acreditou que esta fenda no narcisismo ou vaidade do sujeito se relacionava ao famoso "complexo de Édipo", sendo que a criança jamais aceitava ser preterida no papel amoroso perante um dos genitores. Tal abordagem sempre foi parcial; não é a perda do papel de destaque que abala, mas uma profunda convicção neurótica enraizada no elemento do ódio, que jamais aceita "perder" sob qualquer hipótese. É absolutamente incrível como várias escolas psicanalíticas deram tanta importância a fase oral (amamentação) e não a souberam interpretar. A essência do período infantil é "sugar" em todos os aspectos; na adolescência a ênfase é no desligamento perante os pais para que supostamente possa ser experimentada a liberdade ou determinados prazeres proibidos na fase anterior; o poder adulto se traduz principalmente na sobrevivência econômica, segurança material e emocional. Todo ser humano avança e retrocede nestes três pólos; e a tarefa da psicologia é simples: verificar quais deles estão inundando o consciente e inconsciente da pessoa. Há décadas ouvimos a falácia de que o suicida pode ser corajoso pelo seu ato. Jamais pode haver coragem na fuga de um processo doloroso que faz parte da vida, por mais que o detestemos. O tímido ao contrário do suicida consegue sobreviver, mas ambos têm em comum o ódio perante si próprios. No mito do complexo de Édipo há uma passagem simbólica sobre a essência da vida quando há a necessidade de se decifrar o enigma da esfinge; que resumidamente pergunta o que começa andando em quatro pernas (criança); depois duas (adulto); e finalmente três (a velhice simbolizada por uma bengala); o fato é que não é apenas o envelhecimento ou decrepitude que dão o sentido da vida, mas principalmente todas as fantasias de poder que tivemos em todas as épocas da vida e como se dissiparam; o que realmente conquistamos? Uma das únicas prevenções contra o suicídio é ter em mente a certeza de que tal ato não é motivado por nenhum acontecimento trágico, mas o fato de não ter historicamente ninguém para compartilhar seu drama. A solidão é o alicerce e combustível para toda incursão no desespero. Todo distúrbio psicológico é um tipo de comportamento que arrebata a consciência dando uma tônica de algo vitalício. Talvez todo o drama se deva a ficar estagnado na tristeza pessoal e social, se esquecendo da capacidade de proporcionar algum tipo de ânimo. O tímido ou suicida é o mais puro ator da amargura que ninguém deseja presenciar, como também é um péssimo representante da esperança. Desejar realmente salvar uma vida é não condenar a incapacidade de alguém para as funções coletivas; tentando "garimpar" na pessoa algo de especial que a mesma desconhece. Esta deve ser a função prioritária da psicoterapia nos dois tipos citados. Obviamente tal tarefa não é nada fácil, pois tanto o tímido quanto o suicida tentam culpar eternamente seu meio por não lhes terem propiciado mais potência pessoal; a ousadia de se retirar do meio social denota total desprezo pelas pessoas, apesar de ambos se acharem excêntricos ou até corajosos por tal ato. A mensagem é que não irão aceitar mais nenhuma regra ou obrigação de compartilhar algo de sua pessoa; sendo que eles mesmos agora serão os senhores absolutos no tocante ao manejo do sofrimento, ou se devem ou não continuar existindo Falando mais uma vez da prevenção, esta deveria se ater ao ponto da perda do controle, fazendo com que determinado indivíduo caminhe para o inusitado, se afastando da sociedade. As duas moléstias são a afirmação absoluta da solidão extrema como remédio para as aflições pessoais; se vingando de um mundo totalmente insensível e difícil no trato pessoal. Não que tal concepção esteja incorreta, mas penso que todos devem estar fartos de denúncias que não acompanham ações de transformação. O suicida tem a plena certeza de que sua extinção será um ato revolucionário, quando na verdade é a mais terrível desistência perante tudo o que imaginamos. A retirada social diz também do sentimento ou sensação de traição; ambos são inconformistas com a não durabilidade ou corte de determinada gratificação ou desejo de continuidade. Neste ponto, talvez os pais possam refazer o histórico do nascimento do egoísmo social, como exemplo, quando a criança relutou de todas as formas possíveis diante da vinda de um irmão; na adolescência o sofrimento e desespero descabido por não terem consumido determinada paixão. Se houve tentativa de suicídio, não se trata apenas do fato de tentar chamar a atenção, mas o estabelecimento de determinado apelo mórbido perante situações de crise. Lembro-me de um pesadelo certa vez relatado por um paciente, que o abalou profundamente: "Havia uma briga ou acerto de contas entre gangues, e traiçoeiramente um deles tirou uma espécie de arco e flecha de aço, desses dos filmes de ação e cegou cruelmente seu oponente".Quando acordou teve uma sensação real e desesperadora que seu fim estava próximo; fosse por possuir uma doença incurável, ou por não conseguir sair de seus conflitos pessoais, já que havia passado por uma separação conjugal totalmente conflitante. O incrível neste caso é que seu pesadelo revela a somatória avassaladora de todos os seus medos possíveis e imagináveis. Seu inconsciente abriu as portas da consciência para todos os temores. Entrou num profundo quadro de depressão e se aproximou seriamente do suicídio. O caso apresentado relata fielmente a fragilidade de determinada personalidade frente a expectativas irracionais ou até reais; mostrando a incapacidade para as elaborar. O fato a ser esclarecido é quando ocorre a perda total da autoconfiança, como é típico dos suicidas. A resposta embora um pouco esdrúxula, passa por uma questão de treinamento. Assim como outras necessidades fisiológicas, nossa mente precisa constantemente adotar uma postura sadia. ALFRED ADLER falava da importância corriqueira de selecionar um grupo de pessoas e dizer para as mesmas o quanto eram importantes e queridas pelo sujeito. Tal ação teria a finalidade de abrandar a inundação da consciência pelo irracional, se fixando numa tarefa de harmonia e solidariedade. Como está difícil hoje em dia selecionar tal grupo! Penso que é muito mais fácil dissuadir qualquer tipo de trauma, pesadelo, ou conteúdo intrapsíquico, do que partir para a prática afetiva. Mais uma vez nos deparamos com uma das essências da timidez: peregrinar por todo o sofrimento individual possível apenas para escapar das obrigações de relacionamentos sociais. É totalmente propício neste estudo estabelecer em que circunstâncias psicológicas ocorrem de fato o suicídio. A resposta é uma total intersecção entre a personalidade tímida e suicida; ocultando de todos o desejo de praticar o ato abominável contra si próprio. O suicida faz questão de brindar seu meio com a máxima novidade possível; a extinção de sua pessoa. O desaparecimento pessoal trará a punição eterna contra todos que desprezaram suas vocações não efetuadas; semeando todas as condições para que no presente e futuro se desenvolva o ápice da culpa em seu meio. A impaciência sobre sua vida é compensada pela certeza e paciência perante seu propósito de vingança que está por vir. O ato é um epitáfio para protestar sobre como suas sensações e sentimentos não causaram o impacto que gostaria. Compartilhar a dor e pensar no companheirismo estão fora de questão, mantendo a solidão máxima de sua intenção nefasta. Logicamente a desistência do suicida é motivada pela fuga total da contrariedade. Sempre devemos tomar o máximo de cuidado para não nos tornarmos "maus perdedores". ADLER observou apropriadamente que os casos de suicídio não são em função de coisas graves: doença, desemprego ou falência, perda de um filho, por exemplo; embora possam ocorrer nestas circunstâncias. A questão que ele descobriu é a banalidade de situações que convergem para tal ato. A contrariedade cotidiana pelo "pouco" sempre será muito mais grave. ADLER também constatou o histórico do comportamento infantil que poderia num futuro desencadear tal processo: crianças que simulavam doenças; desmaios; total perda de apetite; etc. O complexo de inferioridade possui uma de suas vertentes exatamente neste ponto; ampliar uma experiência corriqueira de infortúnio para uma dimensão extremamente exagerada. ADLER acreditava que até fisicamente este processo ocorria, quando um determinado órgão era transformado na somatória dos conflitos (inferioridade de órgão-como assim chamava). A psicosomática moderna comprova tal tese. A sabedoria é a plena aceitação de perder algo que há um bom tempo nos causa pesar; assim sendo, a teimosia citada anteriormente é sempre um reforço para medidas desenfreadas. O suicida radicaliza mais uma vez este conceito para a vida como um todo. O tímido se encolhe perante todas estas sensações. Muitos falam da suposta curiosidade ou protesto contra a morte, que levaria o suicida a cometer tal ato, forçando sua antecipação. Penso mais uma vez que nada disto procede. A essência da questão é uma personalidade em total desequilíbrio. Nenhum ser humano irá apressar algo que é duradouro por sua natureza. O ponto é a intolerância frente ao medo. Psicologicamente o suicida teme completamente a morte; o que ocorre é uma reação psicótica perante este temor desproporcional, contrariando por completo a verdade de seu íntimo. O suicida superdimensiona esta fenda mental, agindo apressadamente para dissuadir sua incompletude perante o susto e medo. Como seria interessante que a medicina se concentrasse no estudo de tal questão, ao invés de procurar apenas fatores bioquímicos. O suicida assim como os tímidos, em última instância negam suas verdades: infelicidade e bloqueio histórico para pedir ajuda. A única saída é se conscientizarem na psicoterapia de que suas vidas têm sido a fuga por completo de situações que desencadeiem uma sensibilidade para qual nunca aceitaram treinamento; percebendo como sempre foi torturante ter que se expor. Infelizmente a própria psicologia não "ousa" muitas das vezes em casos considerados problemáticos, se atendo a velhas fórmulas ou conceitos teóricos ineficazes perante o contexto de nossa época. A psiquiatria nivela ou socializa todas as enfermidades pela medicação. Ambas têm sido ineptas na empatia com o sofrimento do homem moderno, sendo o fruto de um modelo de civilização totalmente decadente. A melhora da qualidade de vida do ponto de vista material traz compensatóriamente um aumento exorbitante do medo generalizado da pessoa; e isso não é apenas conseqüência do apego, mas da impossibilidade de explorarmos os contatos e relações afetivas. A timidez já é há muito tempo o distúrbio psicológico que traduz fielmente nosso modelo social; forçando todos ao conformismo e abstinência da satisfação pessoal. Quanto maior a atitude egoísta ou de retirada social, maior será a ilusão de uma blindagem que nos poupe do sofrimento e decepção pelas expectativas que alimentamos por determinada pessoa. O que acontece nos dias de hoje é à busca da salvação do ego pessoal através da concentração em determinado pólo. Superestima-se uma habilidade pessoal ou profissional com o intuito da fuga da rejeição. Seja a beleza; o computador para o tímido; dinheiro; ou até mesmo a inteligência, todos tentam a sobrevivência num mundo onde a própria alma se tornou uma espécie de vitrine; escondendo as demais potencialidades do ser humano. Todos se tornam míopes no sentido não apenas de visualizarem suas reais possibilidades; mas também no tocante as reais conseqüências de suas capacidades perante uma sociedade onde o consumo engoliu todas as características humanas. Enfim, o suicídio, timidez e solidão são a exposição mais precisa do inferno de nossa alma, embora os três elementos possuam características de introversão.
ANTONIO.C A. ARAUJO

CONSEQUÊNCIAS DO NAMORO VIRTUAL!!!!


Sites de namoro:Pesquisa inédita no país acerca das consequências do namoro virtual -->"Quem optou por um modelo de vida baseado na competição, seja econômica ou narcisista, selou um destino de solidão". (ALFRED ADLER-PSICÓLOGO). Em outros textos sobre o namoro virtual havia ressaltado que essa forma atual de busca de parceiros afetivos via net, tinha como característica principal à aceleração das etapas de desenvolvimento do processo amoroso, sendo que as relações geradas por essa modalidade conduziam quase sempre a relações descartáveis de afetividade, como se fossem o vulgo “ficar”, só que transportado para o plano virtual. A verdade máxima implícita na matéria é que a solidão de nossa era acaba sendo absorvida pelo setor da informática, ou seja, problemas de relação de cunho essencialmente humanos como o diálogo, por exemplo, acabam repassados para uma esfera totalmente oposta. Obviamente as pessoas que procuram tal serviço embora muitas vezes não admitam, foram marcadas afetivamente por experiências de extrema frustração amorosa. Isso por si só conduz a convicção de que essas pessoas quase já não acreditam mais na possibilidade de novo prazer afetivo, dada a grande carga de agressividade oriunda de toda essa trajetória. A questão da necessidade de novo parceira (a) versus todo o passado extremamente mal resolvido e incompleto deveria ser um ponto central de reflexão. Em resumo fica patente que o usuário do namoro virtual não acredita que outro ser humano possa lhe proporcionar prazer ou satisfação, pois está totalmente aprisionado ao seu passado de desencanto afetivo e amoroso como disse acima. Embora diga em tom veemente que deseja novas experiências, seu único intuito é “navegar”, realizando dessa forma seus anseios voyerísticos, pois seu temor máximo é o da aproximação. O fato marcante é que o indivíduo solitário, preso dessa máquina supostamente encarregada de lhe proporcionar contatos-o computador, se fechou em um estilo de vida absolutamente acomodado e reticente a uma profunda troca amorosa. Assim sendo, embora busquem contatos ou aventuras, as pessoas que se utilizam o computador tendem a tecerem exigências quase que perfeccionistas de beleza ou conduta, o que sempre afastará a mínima possibilidade de uma nova amizade ou namoro verdadeiro O exposto acima apenas reflete o pânico que a pessoa vivencia diante da possibilidade de uma nova rejeição, e sua defesa é a exigência da perfeição ou a fantasia num grau extremo. Seria de fundamental importância por parte das pessoas que buscam o namoro através da virtualidade, refletirem até que ponto mecanismos artificiais ajudam ou reforçam determinada situação traumática que atormenta seus mais profundos anseios e desejos Enfim, a conclusão é a de que as pessoas que dependem quase que exclusivamente da virtualidade para fazer contatos, seja através dos chamados chats ou sites de namoro, não acreditam mais em si próprias, e esse profundo sofrimento ou rancor resultante são totalmente direcionados para relacionamentos baseados na disputa de poder, narcisismo e descrença numa profunda intimidade entre dois seres humanos, se adotando papéis distorcidos para se obter gratificação sexual ou companheirismo.

sábado, 13 de março de 2010

PORQUÊ????


Como vou esperar o respeito do outro, se o outro é meu espelho, e ele vê que eu não me respeito...?Como vou evitar que o outro me humilhe, se o outro é meu espelho, e deixo claro a ele que não dignifico a mim mesmo...?Como vou desejar ser honrado pelo outro, se o outro é meu espelho, e ele percebe que não honro a mim mesmo...?Como pretendo que o outro goste de mim, se o outro é o meu espelho, e ele sente que eu não gosto de mim mesmo...?Como ouso reclamar o ser manipulado pelo outro, se o outro é meu espelho, e é nítido para ele que eu não domino a mim mesmo...?Como questiono o outro decidir por mim, se o outro é meu espelho, e lhe deixo claro o quanto sou incapaz de decidir por mim mesmo...?Como vou querer que o outro honre meus desejos, se o outro é meu espelho, e não consegue notar desejo algum em mim mesmo...?Como posso impedir que o outro viva por mim, se o outro é meu espelho, e meu reflexo indica que não tenho personalidade para viver por mim mesmo...?Como posso negar que o outro se ama através de mim, se o outro é meu espelho, e seu coração vê o meu, que não amo a mim mesmo...?Como vou exigir o valor que vem do outro, se o outro é meu espelho, e ele não enxerga em mim qualquer valor por mim mesmo...?Como me espanto pelo desprezo do outro, se o outro é meu espelho, e ele mesmo se espanta porque eu não prezo a mim mesmo...?Como acho justo sofrer por virar uma utilidade para o outro, se o outro é meu espelho, e meu comportamento lhe indica que eu não possuo vontade por mim mesmo...?Como posso impedir o outro de me derrotar, se o outro é meu espelho, e nos nossos embates, surge a verdade, que se sou fraco, é porque nem conheço a mim mesmo...?Como vou deixar de obedecer ao outro, a todos os outros, a qualquer um outro, se não posso obedecer a mim mesmo...? Porque...“manda-se naquele que não pode obedecer a si próprio...”

AUTOCONHECIMENTO!!!!


A primeira definição para o autoconhecimento é a aceitação plena de todos os sentimentos que habitam a alma humana, deixando de lado a hipocrisia ou fala social de que não sentimos determinadas emoções, do tipo: raiva, ódio e vingança. A tão almejada paz interior só advém quando não negarmos o que permeia a vida...

SOMOS TODOS IRMÃOS!!!!