TIPOS PSICOLÓGICOS DE NOSSA ATUALIDADE
O primeiro psicólogo da história a tentar defini-los (CARL GUSTAV JUNG) certamente sentiria um mal estar absoluto, pois seu modelo consistia em quatro tipos específicos: introvertido; extrovertido; colérico e fleumático.
O primeiro era resistente ao contato social,
o segundo era amplamente narcisista,
o terceiro encarnava o tipo agressivo,
e o último a frieza de sentimentos.
Transportando para nossa atualidade gostaria de expor ainda quatro tipos básicos: -
o perverso;
o tímido;
o autopunitivo
ou sabotador
o impulsivo-agressivo
. Obviamente estes não explicam o ser humano por completo, apenas é uma espécie de criar um quadro para o entendimento pessoal e social.
Em contrapartida ao tipo psicológico descrito temos o tímido, toda a ousadia do primeiro é totalmente negada no segundo; ao contrário do outro o tímido odeia desafios, principalmente quando sente que os mesmos serão um teste para sua auto-imagem, teme profundamente ser rejeitado, e não tem confiança alguma em seu potencial afetivo ou de conquista. Descrevi este tipo detalhadamente no decorrer de meus outros textos.
O tímido tenta tirar lucro de sua não participação, conhecendo e sendo um bom ouvinte do outro e retendo totalmente a fala sobre si próprio.
O histórico dessa patologia remete a diversos fatores constitucionais: falta de um ambiente familiar mais caloroso e afetivo, não reforço dos pais em relação aos ganhos pessoais da criança, e principalmente uma imagem depreciativa de seu lado físico e afetivo.
O tímido acredita ser incapaz de despertar a atenção alheia quando o tema central é sua pessoa. O fato que mais marcou minha atenção no estudo durante anos sobre tal tipo é algo que talvez não fosse muito percebido pela psicologia, a canalização de toda a energia reprimida das áreas citadas para a esfera material. É impressionante como comecei a notar que quase todo tímido era tremendamente bem sucedido na questão econômica, e achava um tanto estranho, já que a falta de sociabilização poderia ser um obstáculo para seu progresso. Mas tudo faz um tremendo sentido num mundo onde pouco importa vínculos, e sim máquinas, cálculos ou informática, o tímido é o senhor supremo do impessoal, sabe tirar um proveito mágico desse atalho que a sociedade oferece. Torna-se um cidadão exemplar, exatamente para jamais ser alvo do que mais teme que é a crítica.
Na verdade voltando a falar de espelhos da sociedade o tímido representa uma parte de nossa era, abdicação da emoção e motivação genuína, em troca rotina e caráter metódico. Cumprem perfeitamente todas as convenções sociais, seu núcleo é estar constantemente protegido, seja pelo lado econômico ou por se diluir na multidão solitária. Seu preço obviamente é a falta constante de uma inspiração criativa, que deleite seu sentido de vida.
O tímido pode ser encarado como aquele personagem descrito por WILHEM REICH em seu famoso livro “escute Zé ninguém”, como o homem moderno, submisso por completo aos ditames sociais, sem prazer verdadeiro, mero personagem, nunca diretor de sua peça de vida, o medo reina absoluto em seu cotidiano, acho que não preciso dizer mais nada.
Sobre a questão política colocada por REICH, o mesmo enfatizava que era o homem comum quem verdadeiramente impedia qualquer tipo de transformação. O que a maioria dos psicólogos sociais e sociólogos não perceberam é que a entropia do movimento político não se deu apenas pelo fim do chamado estado socialista, está é apenas uma parte do problema.
Na cena brasileira após o estado repressor assistimos o surgimento do totalitarismo do estado jurídico, sendo assim qualquer transgressão como greves ou coisa do tipo não só é punida com pesadas multas aos sindicatos, mas também a aniquilação de lideranças com sucessivos processos judiciais contra os mesmos, e numa sociedade em que ninguém tem disponibilidade de tempo para nada, tal medida é fatal contra qualquer rebelião. Percebam que se pensarmos no histórico de alguns movimentos, não era a ditadura que era temida, pelo contrário, era honroso lutar contra a mesma, fora o lucro político de tal fato, se não me engano boa parte de nossos políticos atuais foram militantes contra a ditadura. O estado sabe muito bem que uma tirania será quase de imediata respondida com ódio, seja a guerrilha ou protestos, mas a burocracia não, pois a função da mesma é justamente sufocar qualquer espírito. Estou dizendo isso, pois tal fenômeno explica a verdadeira timidez social em termos de qualquer mudança, tudo é imposto, e o indivíduo está desaparecendo nessa neblina burocrática, o resultado é o que já pontuei em outros textos, a transferência de um protesto social para transtornos psicológicos, obviamente que não estou explicando a origem destes apenas por tal evento, mas é parte de seu alicerce.
Não apenas a célebre frase de JOHN LENNON (“não confiem em ninguém depois dos trinta”), mas, principalmente a motivação e vontade morrem talvez após essa idade, e o que sobra é a busca de um conforto material paralisante e recheado do mais puro vazio, e todos sabem disso, mas estão completamente viciados, e vamos “tocando a vida”, esse é o fato. O incrível é que esse estado de direito impositivo burocrático acabou por ser a própria salvação da psicanálise, nunca a mesma esteve tão em voga, justamente pelo excesso de proibições na esfera pessoal, ou seja, o clássico conceito da repressão, chave mestra da teoria citada nunca andou tão em moda.
Antonio C.Araujo
psicoterapeuta






























