Quantas vezes, ainda que na presença de alguém, temos a nítida sensação que em qualquer momento podemos ser abandonados?
Quantas vezes, diante de um atraso, sentimos verdadeiro pânico?
Quantas vezes nos desesperamos diante da possibilidade da pessoa amada nos deixar?
Quem viveu o abandono durante a infância pode sentir um medo incontrolável de ser deixado,
procurando evitar a todo custo ser abandonado novamente.
Quando falamos de abandono não é apenas em casos em que uma criança é literalmente abandonada por seus pais, a quem se espera ser amada e cuidada, mas aquelas que são abandonadas através da negligência de suas necessidades básicas, da falta de respeito por seus sentimentos, do controle excessivo, da manipulação pela culpa, ainda que ocultos, durante a infância.
Crianças abandonadas, psicológica ou realmente, entram na vida adulta, com uma noção profunda de que o mundo é um lugar perigoso e ameaçador, não confiando em ninguém, porque na verdade não desenvolveu mecanismos para confiar em si mesma.
O abandono está diretamente relacionado com situações de rejeições registradas na infância e que pode se intensificar durante toda a vida, principalmente quando se vivencia outras situações de rejeição e/ou abandono.
Cada vez que vivenciamos situações de perda é como se estivéssemos revivendo a situação original de abandono, do qual dificilmente se esquece.
Podemos sim, reprimir, fugir desses sentimentos, mas raramente conseguimos lidar sem sofrimento diante de qualquer possibilidade de perda e/ou rejeição.
Quando somos rejeitados em nosso jeito de olhar, expressar, falar, comer, sentir, existir, não obtendo reconhecimento de nosso valor, principalmente quando somos crianças, é inevitável que se registre como abandono, pois de alguma maneira, ainda que inconsciente, abandonamos a nós mesmos para nos tornarmos quem esperam que sejamos.
Sente-se abandonado quem não se sentiu acima de tudo amado e isso pode ser sentido antes mesmo de nascer, ainda no útero materno.
Pais que rejeitam seu filho durante a gestação pode deixar muitas seqüelas, em nós, adultos.
Toda criança fica aterrorizada diante da perspectiva do abandono.
Para a criança, o abandono por parte dos pais é equivalente à morte, pois além de se sentir abandonada, ela mesma aprende a se abandonar.
Conforme percebemos, consciente ou inconscientemente, e ainda muito pequenos, que a maneira com que agimos não agrada aos nossos pais, vamos tentando nos adequar ou adaptar nosso jeito de ser e, aos poucos, vamos nos distanciando de quem somos de verdade, agindo de maneira a sermos aceitos.
É quando começamos a desenvolver o que chamamos de um falso self, a um estado de incomunicação consigo mesmo, gerando uma sensação de vazio.
O falso self ou um "eu" idealizado......... é um mecanismo de defesa, mas que dificulta o encontro com o "eu" verdadeiro.
É muito comum que crianças que cresceram em famílias com algum desequilíbrio, proveniente do alcoolismo, agressividade, maus-tratos, ou qualquer outro tipo de abuso, tenha sofrido a negação de seu verdadeiro eu.
Crianças que sofreram em silêncio e sem chorar, ou como alguns relatam: chorando por dentro, podem aprender a reprimir seus sentimentos, pois uma criança só pode demonstrar o que sente quando existe ali alguém que a possa aceitar completamente, ouvindo, entendo e dando-lhe apoio, o que nesses casos, raramente acontece.
Pode acontecer dessa criança desenvolver-se de modo a revelar apenas o que é esperado dela, dificilmente suspeitando o quanto existe de si mesma por trás das máscaras que teve que criar para sobreviver.
Alguns pais, inconscientemente, numa tentativa de encobrir sua falta de amor - o que é muito comum, por mais assustador que seja para alguns - declaram muitas vezes seu amor pelos filhos de forma repetitiva e mecânica, como se precisassem provar para si mesmos seu amor, onde as crianças sentem que suas palavras não condizem aos seus verdadeiros sentimentos, podendo gerar uma busca desesperada por esse amor, cuja busca pode se estender durante toda a vida.
Ficar só para essas pessoas pode ser uma defesa para evitar novamente o abandono, gerando um conflito constante entre a necessidade de ser cuidado e o medo de ser abandonado.
É muito comum a criança se sentir abandonada em famílias muito numerosas, onde há muitos irmãos, e os pais não conseguem dar atenção a todos.
Ou quando os pais constantemente estão ausentes pelos mais diferentes motivos, seja em função do trabalho excessivo, viagens, doenças, internações constantes, ou até pela dificuldade em cuidar de uma criança, não conseguindo fazer com que se sinta amada nem desejada naquela família.
A sensação de ter valor é essencial à saúde mental.
Essa certeza deve ser obtida na infância.
Por isso que a qualidade do tempo que os pais dedicam aos seus filhos indica para elas o grau em que os pais as valorizam.
Por outro lado, a criança que é verdadeiramente amada, sentindo-se valiosa quando criança, aprenderá a cuidar de si mesma de todas as maneiras que forem necessárias, não se abandonando quando adulta.
Assim como crianças que passaram maior parte de seu tempo com pessoas que eram pagas para cuidar delas, em colégio interno, distante de seus pais, não recebendo amor verdadeiro, mesmo tendo tudo que o dinheiro pode comprar, poderão ser adultos como qualquer outra criança de tenha vindo de um lar caótico e disfuncional, crescendo sentindo-se pouco valiosa, não merecedora do cuidado de ninguém, podendo ter muita dificuldade em cuidar de si mesma.
Ou seja, a maneira com que nos cuidamos quando adultos, muitas vezes reflete a maneira com que fomos cuidados quando crianças.
Precisamos chegar a ponto de perdoar aqueles que de alguma forma nos abandonaram ou que nos causaram uma dor profunda.
Para alguns, essa é uma tarefa fácil, mas temos que admitir que para outros, pode ser praticamente impossível.
Como perdoar um pai bruto, que o fazia trabalhar desde muito pequeno ou pedir dinheiro, do qual depois consumia em jogos e bebidas?
Como perdoar um pai que abusou sexualmente da filha, psicologicamente do filho?
Como perdoar uma mãe que trancava os filhos no armário ou no quarto ao lado enquanto se encontrava com outro homem dentro da casa, ou quando deixava os filhos sozinhos em casa dizendo que ia trabalhar, quando na verdade ia se divertir?
Como perdoar pais que sempre ocultaram a verdade, insistindo na mentira?
Como perdoar um irmão que abusou sexualmente da irmã? Como perdoar uma mãe que demonstrava suas insatisfações através de gritos com seus filhos?
Como perdoar um pai que batia constantemente na mãe na presença dos filhos?
Como perdoar aqueles que roubaram a infância e inocência de muitas crianças? Como perdoar aqueles que o deixaram, o abandonaram?
Não é possível perdoar se o perdão for entendido como negação do fato, pois precisamos sentir a dor que ficou reprimida em nossa alma.
Perdoar não significa aceitar, mas se permitir sentir e expressar toda a raiva e dor reprimida e encontrar caminhos saudáveis que podem transformar esses sentimentos em experiência e aprendizado.
Ao nos tornarmos mais conscientes de nossas feridas, entre elas as geradas pelo abandono, podemos agir sobre aquilo que vivenciamos, aprendendo a respeitar nossos sentimentos mais profundos, assumindo a responsabilidade pelas mudanças que podemos nos permitir vivenciar no momento presente. Não se trata de regresso ao lar, porque muitas vezes esse lar nunca existiu. É a descoberta de um novo lar, o qual cada um de nós pode construir, sem mais se abandonar.
domingo, 11 de abril de 2010
CORAGEM DE SE EXPOR...
Às vezes, fico me perguntando porque é tão difícil ser transparente?
Costumamos acreditar que ser transparente é simplesmente ser sincero, não enganar os outros.
Mas ser transparente é muito mais do que isso.
É ter coragem de se expor, de ser frágil, de chorar, de falar do que a gente sente...
Ser transparente é desnudar a alma, é deixar cair as máscaras, baixar as armas, destruir os imensos e grossos muros que nos empenhamos tanto para levantar...
Ser transparente é permitir que toda a nossa doçura aflore, desabroche, transborde!
Mas infelizmente, quase sempre,a maioria de nós decide não correr esse risco.
Preferimos a dureza da razão à leveza que exporia toda a fragilidade humana. Preferimos o nó na garganta às lágrimas que brotam do mais profundo de nosso ser...
Preferimos nos perder numa busca insana por respostas imediatas à simplesmente nos entregar e admitir que não sabemos, que temos medo!
Por mais doloroso que seja ter de construir uma máscara que nos distancia cada vez mais de quem realmente somos, preferimos assim: manter uma imagem que nos dê a sensação de proteção...
E assim, vamos nos afogando mais e mais em falsas palavras, em falsas atitudes, em falsos sentimentos.
Não porque sejamos pessoas mentirosas, mas apenas porque nos perdemos de nós mesmos e já não sabemos onde está nossa brandura, nosso amor mais intenso e não-contaminado.
Com o passar dos anos, um vazio frio e escuro nos faz perceber que já não sabemos dar e nem pedir o que de mais precioso temos a compartilhar, doçura, compaixão... a compreensão de que todos nós sofremos,nos sentimos sós, imensamente tristes e choramos baixinho antes de dormir, num silêncio que nos remete a uma saudade desesperada de nós mesmos... daquilo que pulsa e grita dentro de nós,mas que não temos coragem de mostrar àqueles que mais amamos!
Porque, infelizmente, aprendemos que é melhor revidar, descontar, agredir, acusar,criticar e julgar do que simplesmente dizer:
“Você está me machucando... pode parar, por favor?"
Mas...falar com brandura....levando o outro a se colocar em nosso lugar....
. Porque aprendemos que dizer isso é ser fraco, é ser bobo, é ser menos do que o outro.
Quando, na verdade, se agíssemos com o coração, poderíamos evitar tanta dor, tanta dor...
Sugiro que deixemos explodir toda a nossa doçura!
Que consigamos não prender o choro, não conter a gargalhada, não esconder tanto o nosso medo,não desejar parecer tão invencível...
.Que consigamos não tentar controlar tanto, responder tanto, competir tanto, que consigamos docemente viver, sentir, amar...
E que você seja não só razão, mas também coração, não só um escudo, mas também sentimento. Seja transparente,apesar de todo o risco que isso possa significar.
PESQUISA REVELA QUE OS HOMENS SAO ESCRAVOS DOS HORMÔNIOS ASSIM COMO AS MULHERES....
A química da atração
Uma surpresa: estudos revelam que os homens são tão escravos de seus hormônios quanto as mulheres
Se você é homem, avistou aquele rostinho bonito no meio da multidão e teve a absoluta certeza de que "ela" é a mulher ideal, melhor esperar algumas horas antes de se declarar. Um estudo feito por um instituto britânico de pesquisa, divulgado na semana passada, afirma que as pequenas alterações nos níveis de testosterona que ocorrem ao longo do dia têm influência decisiva na escolha de uma parceira. No início da manhã, quando o organismo masculino está inundado pelo hormônio, as chances são de que ele irá optar pela mulher de traços mais delicados e femininos.
À tarde,
com o nível mais baixo de testosterona, pode muito bem se deixar encantar por uma moça de traços faciais mais pesados, masculinizados. Uma surpresa do estudo, realizado no Laboratório de Pesquisa da Face da Universidade de Aberdeen, na Escócia, é a revelação de que as preferências sexuais masculinas não são tão mais estáveis que as femininas, como sempre se supôs. "Já havíamos mostrado quanto as mulheres são vulneráveis às mudanças hormonais na hora de escolher seu parceiro, mas ainda não havia um trabalho que avaliasse as oscilações hormonais em homens e suas preferências sexuais", disse a VEJA o psicólogo Benedict Jones, de Aberdeen, um dos responsáveis pelo estudo.
A pesquisa avaliou trinta homens, todos heterossexuais e saudáveis, com idade média de 20 anos e níveis de testosterona normais (entre 280 e 930 nanogramas por decilitro em homens com menos de 40 anos). Foi pedido a eles que escolhessem a figura mais atraente entre quarenta pares de fotografias com rostos de mulheres e de homens. Cada par era composto de duas fotos modificadas por computador do mesmo rosto. As mudanças eram sutis, mas calculadas com precisão para acentuar as características físicas de cada sexo. A face mais feminina recebeu lábios carnudos, cílios longos e fartos, nariz pequeno e fino. O rosto mais masculino exibia sobrancelhas espessas, queixo proeminente e lábios finos. As fotos foram observadas pelos participantes em quatro sessões, com intervalo de uma semana entre elas. A primeira foi realizada quando o nível de testosterona individual atingia o pico e a última quando a quantidade do hormônio era muito baixa. O resultado não poderia ter sido mais esclarecedor. Com a testosterona nas alturas, os homens escolheram em geral as fotos de mulheres com feições marcadamente femininas. Com os índices baixos, eles optaram muitas vezes por rostos femininos com traços masculinizados. Em alguns casos, até preferiram rostos de homens com feições bem femininas.
A testosterona, hormônio produzido a partir da glândula hipófise, é o principal motivador sexual do ser humano, uma espécie de gatilho reprodutivo que detona o desejo em ambos os sexos. Em um homem saudável, os níveis de testosterona podem oscilar 15% durante um dia. É essa pequena margem para cima e para baixo que torna o estudo relevante. "É impressionante como uma flutuação tão pequena implicou mudanças significativas. O estudo comprovou como os hormônios são poderosos nos seres humanos e como eles trabalham a favor da evolução, ajudando na escolha do parceiro ideal", explicou o psicólogo Benedict Jones.
As mulheres têm uma matemática hormonal totalmente distinta da masculina – e muito mais complexa. Durante os 28 dias do ciclo menstrual, hormônios femininos, como o estrógeno e a progesterona, e masculino, a testosterona, sobem e descem drasticamente no organismo da mulher. Ao interagirem, esses três hormônios produzem reações psíquicas e físicas distintas em cada uma das quatro semanas do mês. Do primeiro ao quinto dia, a maioria das mulheres não está sequer preocupada com sexo. Na hora de escolherem um parceiro, se realmente precisarem fazer isso, elas vão preferir o sujeito pacato, companheiro de todas as horas, com feições suaves. A partir daí, o estrógeno e a testosterona começam a aumentar. No 14º dia, o nível de testosterona está alto. A mulher entra no período de ovulação, a fase fértil, quando o corpo está preparado para a concepção. Nessa fase do ciclo, aumenta a atração por homens mais másculos. É a vez dos altos, fortes, de traços embrutecidos, como os do ator inglês Daniel Craig, o atual James Bond.
Descobrir os elementos que compõem a química da paixão é um desafio. "Tudo o que aparece de novo apenas serve para comprovar a grande teoria da evolução de Charles Darwin. Mas são apenas gotas em um imenso oceano", diz Lisa Welling, do Laboratório de Pesquisa da Face. "A atração é algo rico e complexo, em que inúmeras variáveis, inclusive ambientais, interagem", pondera a psiquiatra Carmita Abdo, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Apesar das descobertas recentes nos campos da genética, da psicologia e da fisiologia, a total compreensão da química da atração continua um desafio da ciência – um mistério tão grande como o próprio amor.
Uma surpresa: estudos revelam que os homens são tão escravos de seus hormônios quanto as mulheres
Se você é homem, avistou aquele rostinho bonito no meio da multidão e teve a absoluta certeza de que "ela" é a mulher ideal, melhor esperar algumas horas antes de se declarar. Um estudo feito por um instituto britânico de pesquisa, divulgado na semana passada, afirma que as pequenas alterações nos níveis de testosterona que ocorrem ao longo do dia têm influência decisiva na escolha de uma parceira. No início da manhã, quando o organismo masculino está inundado pelo hormônio, as chances são de que ele irá optar pela mulher de traços mais delicados e femininos.
À tarde,
com o nível mais baixo de testosterona, pode muito bem se deixar encantar por uma moça de traços faciais mais pesados, masculinizados. Uma surpresa do estudo, realizado no Laboratório de Pesquisa da Face da Universidade de Aberdeen, na Escócia, é a revelação de que as preferências sexuais masculinas não são tão mais estáveis que as femininas, como sempre se supôs. "Já havíamos mostrado quanto as mulheres são vulneráveis às mudanças hormonais na hora de escolher seu parceiro, mas ainda não havia um trabalho que avaliasse as oscilações hormonais em homens e suas preferências sexuais", disse a VEJA o psicólogo Benedict Jones, de Aberdeen, um dos responsáveis pelo estudo.
A pesquisa avaliou trinta homens, todos heterossexuais e saudáveis, com idade média de 20 anos e níveis de testosterona normais (entre 280 e 930 nanogramas por decilitro em homens com menos de 40 anos). Foi pedido a eles que escolhessem a figura mais atraente entre quarenta pares de fotografias com rostos de mulheres e de homens. Cada par era composto de duas fotos modificadas por computador do mesmo rosto. As mudanças eram sutis, mas calculadas com precisão para acentuar as características físicas de cada sexo. A face mais feminina recebeu lábios carnudos, cílios longos e fartos, nariz pequeno e fino. O rosto mais masculino exibia sobrancelhas espessas, queixo proeminente e lábios finos. As fotos foram observadas pelos participantes em quatro sessões, com intervalo de uma semana entre elas. A primeira foi realizada quando o nível de testosterona individual atingia o pico e a última quando a quantidade do hormônio era muito baixa. O resultado não poderia ter sido mais esclarecedor. Com a testosterona nas alturas, os homens escolheram em geral as fotos de mulheres com feições marcadamente femininas. Com os índices baixos, eles optaram muitas vezes por rostos femininos com traços masculinizados. Em alguns casos, até preferiram rostos de homens com feições bem femininas.
A testosterona, hormônio produzido a partir da glândula hipófise, é o principal motivador sexual do ser humano, uma espécie de gatilho reprodutivo que detona o desejo em ambos os sexos. Em um homem saudável, os níveis de testosterona podem oscilar 15% durante um dia. É essa pequena margem para cima e para baixo que torna o estudo relevante. "É impressionante como uma flutuação tão pequena implicou mudanças significativas. O estudo comprovou como os hormônios são poderosos nos seres humanos e como eles trabalham a favor da evolução, ajudando na escolha do parceiro ideal", explicou o psicólogo Benedict Jones.
As mulheres têm uma matemática hormonal totalmente distinta da masculina – e muito mais complexa. Durante os 28 dias do ciclo menstrual, hormônios femininos, como o estrógeno e a progesterona, e masculino, a testosterona, sobem e descem drasticamente no organismo da mulher. Ao interagirem, esses três hormônios produzem reações psíquicas e físicas distintas em cada uma das quatro semanas do mês. Do primeiro ao quinto dia, a maioria das mulheres não está sequer preocupada com sexo. Na hora de escolherem um parceiro, se realmente precisarem fazer isso, elas vão preferir o sujeito pacato, companheiro de todas as horas, com feições suaves. A partir daí, o estrógeno e a testosterona começam a aumentar. No 14º dia, o nível de testosterona está alto. A mulher entra no período de ovulação, a fase fértil, quando o corpo está preparado para a concepção. Nessa fase do ciclo, aumenta a atração por homens mais másculos. É a vez dos altos, fortes, de traços embrutecidos, como os do ator inglês Daniel Craig, o atual James Bond.
Descobrir os elementos que compõem a química da paixão é um desafio. "Tudo o que aparece de novo apenas serve para comprovar a grande teoria da evolução de Charles Darwin. Mas são apenas gotas em um imenso oceano", diz Lisa Welling, do Laboratório de Pesquisa da Face. "A atração é algo rico e complexo, em que inúmeras variáveis, inclusive ambientais, interagem", pondera a psiquiatra Carmita Abdo, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Apesar das descobertas recentes nos campos da genética, da psicologia e da fisiologia, a total compreensão da química da atração continua um desafio da ciência – um mistério tão grande como o próprio amor.
sábado, 10 de abril de 2010
O PERVERSO "DESEJA RECEBER MUITO E DOAR POUCO."...
Tanto a psicologia, psiquiatria e ciências sociais deveriam se esforçar na tentativa de unificar a problemática máxima da humanidade, ao invés de se aterem a conceitos diagnósticos; pois desta forma tratariam a perversão de "desejar receber muito e doar pouco".
A inversão dessa verdadeira "tara" contemporânea é a única esperança para melhores dias afetivos e emocionais para toda a humanidade.
Mas o leitor irá indagar como evitar a exploração seguindo tal premissa?
Obviamente como medida sócio educativa devemos lançar no ostracismo aquele que não deseja dividir.
Escolher um grupo de pessoas saudáveis seja na amizade ou afetividade é uma das mais altas tarefas de nossa alma na atualidade.
O drama de nosso desenvolvimento é que não fomos treinados ou ensinados para os impactos emotivos nas diferentes etapas de nossa vida.
Cito alguns como exemplos:
como lidar ou dizer um "não"; como evitar que uma relação fracassada aumente sua potência pela omissão e comodismo; como se desvencilhar de apegos que nos causam insatisfação; como conviver com alguém que constantemente nos gera um profundo incômodo...
O"ORGULHO"... È O NOSSO INIMIGO OCULTO QUE TEM COMO AMIGO ÌNTIMO O "MEDO"...
Nunca em qualquer outra época, o ser humano necessitou tanto da proximidade de seu semelhante, porém nunca foi tão negado esse fato, pelo receio das pessoas serem taxadas de dependentes, assim sendo deveríamos rever nosso orgulho, pois descobriremos ser este último o maior inimigo de nossos mais íntimos desejos".
A questão do medo juntamente com a solidão, ocupa o topo dos sentimentos experenciados pela maioria das pessoas em nossos tempos.
Desde cedo somos criados ou vivemos temerosos da perda da segurança em todos os aspectos da personalidade.
Esse fato revela a incrível contradição de toda uma era de revolucionárias conquistas tecnológicas, pois parece que nada tem aliviado os mais arraigados temores humanos.
E o ponto não é apenas o raciocínio um tanto simplista, quando dizemos que boa parte dos avanços são acessíveis apenas a alguns privilegiados, e embora isso seja correto, deixa de lado toda a dimensão da tarefa humana da convivência e busca de satisfação entre os seus semelhantes.
Infelizmente este último tópico passa por uma enorme crise, já que a busca de relações saudáveis e de cooperação não tem sido a tônica em nossa sociedade, mas tão somente a segurança e destaque econômico.
Obviamente o lado pessoal está totalmente renegado ao segundo plano, pois todos estão extremamente ocupados em tentar ganhar dinheiro.
Esse estudo seria absolutamente desnecessário para se confirmar tão óbvia conclusão, mas o que pretendo é mostrar o impacto disso na psique humana, como acabamos reagindo a isso, e o que nos tornamos.
O medo ou pânico, é a prova fatídica de que apenas restou lidar com o lado mais cruel e diabólico de nossa alma, é o atestado final de que renunciamos a todo o tipo de genuíno e verdadeiro contato humano, seja em forma de amizades, ou na questão afetiva.
Todos sabemos das dificuldades de se viver em nossa atual sociedade, e a fim de nos prevenirmos contra o sofrimento diário de nosso emprego ou relações, acabamos por adotar a insensibilidade ou negligência como forma de conduta.
Acontece que nosso organismo irá compensar tal atitude, pois este último sempre terá a função reguladora, assim sendo, quanto maior a atitude de insensibilidade do homem moderno perante suas relações, maior será o grau de sensibilidade corporal, e sua conseqüente exposição a todo o tipo de manifestações psicossomáticas, como Por exemplo, a síndrome do pânico.
É curioso notar que um dos sintomas que mais prevalecem em tal doença, é o medo da pessoa sair sozinha com receio de que seja acometida de uma crise repentina de pânico.
Está demonstrado um claríssimo sinal de desamparo e necessidade de cuidados especiais, uma espécie de pedido de socorro, ou ainda forçar que o ambiente ao seu redor sempre acompanhe a pessoa.
No histórico desses pacientes sempre encontramos grande soma de isolamento pessoal e social, sendo que a doença parece ser o último refúgio para que essa situação se resolva de uma vez por todas.
O medo é taxativo....
é a prova mais absoluta de que nossa vida anda muito mal, que estamos vazios, desprovidos de sentido, de que não possuímos ninguém para compartilhar nosso eu, o medo nos obriga a enxergarmos nosso drama interior, nossa ira com relação ao modelo de vida que levamos metodicamente, sem nenhum sentido mais amplo.
Nossa tarefa se torna maior a cada dia, pois não basta nos rebelarmos contra os sintomas, mas também em relação a um modelo social deteriorado, e se não agirmos rapidamente teremos um terceiro, nossa angústia frente à impotência de alterarmos determinada situação.
O modo como determinada pessoa expõe sua vida, compartilha seus problemas, divide seus sentimentos, é a maior pista não apenas de sua maturidade, mas também de sua coragem e valor que dá aos que lhe estão mais próximos.
O egoísta pode ser considerado o mais miserável de todos os sujeitos, pois o mesmo tem a concepção de possuir apenas uma ou algumas coisas de valor, recusando-se a troca, por achar que jamais reconquistará determinado objeto doado, adotando uma postura de isolamento e temor perante as pessoas.
Na verdade dedicamos ao medo toda a energia que não pudemos trocar em outras áreas, como, por exemplo, nas relações sociais e companheirismo, assim sendo, o medo é o irmão gêmeo da solidão, seu mais fiel escudeiro e a prova de que não prestamos muita atenção no quanto sempre fez falta o contato humano.
O medo é a antítese do crescimento, regulando nossa vida pelo mínimo, é o fator máximo da adaptabilidade do ser humano, infelizmente explorado por todos os sistemas e governos.
O medo é a jaula que nos impede de irmos aonde deveríamos, a distração da tranqüilidade e felicidade, é estar constantemente no passado, uma espécie de condicionamento que fala que jamais poderemos ousar outro destino.
Achamos que nossos temores são um alerta, e através deles escolhemos sempre o mais cômodo, o menos arriscado, damos um total aval para a insatisfação, apenas por pensarmos que estaremos protegidos.
A conseqüência em nossa psique não poderia ser pior, pois tudo isso resulta numa verdadeira tortura mental, e acabamos sempre pensando o pior, já que nosso organismo sempre está precavido.
Ficamos com a segurança e também com toda a negatividade que a mesma nos oferece, pois o medo de arriscar passa a ser o medo de viver, e temerários escondemos inclusive nossos sentimentos, aliás, penso que não há tortura maior nos dias de hoje, do que sentir o medo e isolamento, e ao mesmo tempo não poder compartilha-lo com nossos semelhantes seja por timidez ou receio do julgamento que farão a nosso respeito.
A clausura e retraimento trazem a força do medo no seu mais alto grau, pois o mesmo apenas prevalece nas almas que sentem que seu lado humano é improdutivo perante seu meio, que sua energia vital não está maximizada no contato social, desperdiçando dessa forma sua afetividade e alegria de viver.
Caso não tomemos consciência dos aspectos citados, o medo cada vez mais se apossará de todos o segmento de nossa existência, seja no temor da perda do emprego, o de se sentir só, doenças psicossomáticas, insônia e depressão.
Claro é o fato de que tudo isso já está ocorrendo, porém parece que a maioria das pessoas ainda não se deu conta da amplitude e alastramento do problema, pois essa verdadeira epidemia já ocupa nosso lar, esperando apenas o momento para reinar absoluta em nossa existência.
A questão do medo juntamente com a solidão, ocupa o topo dos sentimentos experenciados pela maioria das pessoas em nossos tempos.
Desde cedo somos criados ou vivemos temerosos da perda da segurança em todos os aspectos da personalidade.
Esse fato revela a incrível contradição de toda uma era de revolucionárias conquistas tecnológicas, pois parece que nada tem aliviado os mais arraigados temores humanos.
E o ponto não é apenas o raciocínio um tanto simplista, quando dizemos que boa parte dos avanços são acessíveis apenas a alguns privilegiados, e embora isso seja correto, deixa de lado toda a dimensão da tarefa humana da convivência e busca de satisfação entre os seus semelhantes.
Infelizmente este último tópico passa por uma enorme crise, já que a busca de relações saudáveis e de cooperação não tem sido a tônica em nossa sociedade, mas tão somente a segurança e destaque econômico.
Obviamente o lado pessoal está totalmente renegado ao segundo plano, pois todos estão extremamente ocupados em tentar ganhar dinheiro.
Esse estudo seria absolutamente desnecessário para se confirmar tão óbvia conclusão, mas o que pretendo é mostrar o impacto disso na psique humana, como acabamos reagindo a isso, e o que nos tornamos.
O medo ou pânico, é a prova fatídica de que apenas restou lidar com o lado mais cruel e diabólico de nossa alma, é o atestado final de que renunciamos a todo o tipo de genuíno e verdadeiro contato humano, seja em forma de amizades, ou na questão afetiva.
Todos sabemos das dificuldades de se viver em nossa atual sociedade, e a fim de nos prevenirmos contra o sofrimento diário de nosso emprego ou relações, acabamos por adotar a insensibilidade ou negligência como forma de conduta.
Acontece que nosso organismo irá compensar tal atitude, pois este último sempre terá a função reguladora, assim sendo, quanto maior a atitude de insensibilidade do homem moderno perante suas relações, maior será o grau de sensibilidade corporal, e sua conseqüente exposição a todo o tipo de manifestações psicossomáticas, como Por exemplo, a síndrome do pânico.
É curioso notar que um dos sintomas que mais prevalecem em tal doença, é o medo da pessoa sair sozinha com receio de que seja acometida de uma crise repentina de pânico.
Está demonstrado um claríssimo sinal de desamparo e necessidade de cuidados especiais, uma espécie de pedido de socorro, ou ainda forçar que o ambiente ao seu redor sempre acompanhe a pessoa.
No histórico desses pacientes sempre encontramos grande soma de isolamento pessoal e social, sendo que a doença parece ser o último refúgio para que essa situação se resolva de uma vez por todas.
O medo é taxativo....
é a prova mais absoluta de que nossa vida anda muito mal, que estamos vazios, desprovidos de sentido, de que não possuímos ninguém para compartilhar nosso eu, o medo nos obriga a enxergarmos nosso drama interior, nossa ira com relação ao modelo de vida que levamos metodicamente, sem nenhum sentido mais amplo.
Nossa tarefa se torna maior a cada dia, pois não basta nos rebelarmos contra os sintomas, mas também em relação a um modelo social deteriorado, e se não agirmos rapidamente teremos um terceiro, nossa angústia frente à impotência de alterarmos determinada situação.
O modo como determinada pessoa expõe sua vida, compartilha seus problemas, divide seus sentimentos, é a maior pista não apenas de sua maturidade, mas também de sua coragem e valor que dá aos que lhe estão mais próximos.
O egoísta pode ser considerado o mais miserável de todos os sujeitos, pois o mesmo tem a concepção de possuir apenas uma ou algumas coisas de valor, recusando-se a troca, por achar que jamais reconquistará determinado objeto doado, adotando uma postura de isolamento e temor perante as pessoas.
Na verdade dedicamos ao medo toda a energia que não pudemos trocar em outras áreas, como, por exemplo, nas relações sociais e companheirismo, assim sendo, o medo é o irmão gêmeo da solidão, seu mais fiel escudeiro e a prova de que não prestamos muita atenção no quanto sempre fez falta o contato humano.
O medo é a antítese do crescimento, regulando nossa vida pelo mínimo, é o fator máximo da adaptabilidade do ser humano, infelizmente explorado por todos os sistemas e governos.
O medo é a jaula que nos impede de irmos aonde deveríamos, a distração da tranqüilidade e felicidade, é estar constantemente no passado, uma espécie de condicionamento que fala que jamais poderemos ousar outro destino.
Achamos que nossos temores são um alerta, e através deles escolhemos sempre o mais cômodo, o menos arriscado, damos um total aval para a insatisfação, apenas por pensarmos que estaremos protegidos.
A conseqüência em nossa psique não poderia ser pior, pois tudo isso resulta numa verdadeira tortura mental, e acabamos sempre pensando o pior, já que nosso organismo sempre está precavido.
Ficamos com a segurança e também com toda a negatividade que a mesma nos oferece, pois o medo de arriscar passa a ser o medo de viver, e temerários escondemos inclusive nossos sentimentos, aliás, penso que não há tortura maior nos dias de hoje, do que sentir o medo e isolamento, e ao mesmo tempo não poder compartilha-lo com nossos semelhantes seja por timidez ou receio do julgamento que farão a nosso respeito.
A clausura e retraimento trazem a força do medo no seu mais alto grau, pois o mesmo apenas prevalece nas almas que sentem que seu lado humano é improdutivo perante seu meio, que sua energia vital não está maximizada no contato social, desperdiçando dessa forma sua afetividade e alegria de viver.
Caso não tomemos consciência dos aspectos citados, o medo cada vez mais se apossará de todos o segmento de nossa existência, seja no temor da perda do emprego, o de se sentir só, doenças psicossomáticas, insônia e depressão.
Claro é o fato de que tudo isso já está ocorrendo, porém parece que a maioria das pessoas ainda não se deu conta da amplitude e alastramento do problema, pois essa verdadeira epidemia já ocupa nosso lar, esperando apenas o momento para reinar absoluta em nossa existência.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Doenças relacionadas às emoções.
Realmente podemos ficar doentes devido ao enfraquecimento de nossa aura.
Distúrbios emocionais, insatisfações ou aborrecimentos constantes, e principalmente o pessimismo, a baixa estima, o não amar a si mesmo (a), muito comum e freqüente em certas pessoas, podem enfraquecer nosso campo de proteção áurica, causando-nos diversas doenças.
Praticamente, todos já ouvimos dizer que muitas doenças são causadas por nós mesmos, por situações e conflitos que criamos com nosso comportamento diante da vida, nossa boca, nosso pensamento, nossas ações. Nada pode estar mais perto da verdade.
Abaixo , estão algumas possíveis situações de doenças de nosso corpo físico e que às vezes são causadas pelo enfraquecimento desta nossa proteção natural.
Acidentes:
Raiva, frustração e rebelião.
Alergias:
Aparecem naquele s que estão sempre nervosos e irritados com as atitudes das outras pessoas com quem convivem. Se você tem alergias procure ser mais calmo e compreensivo com aqueles que o rodeiam.
Anemia: Você é uma pessoa que praticamente não tem nenhuma confiança em si mesma.
Aparelho Respiratório:
Pessoas que estão sempre desesperadas, sempre correndo e que gostam de fazer tudo ao mesmo tempo. O resultado disso é que, muitas vezes, elas não terminam nenhum de seus afazeres, ou não fazem nada direito.
Artrite:
Perfeccionismo. Pessoa muito crítica com as outras pessoas que a rodeiam, sejam elas amigos, familiares, companheiros de trabalho, etc... Você também é uma pessoa insistente, talvez levando essa insistência longe demais. Às vezes é bom deixar de lado, desistir de alguma situação difícil, caso não esteja recebendo o apoio de que necessita. Persistir em algo muito complicado, sem ajuda de ninguém, pode lhe trazer sérios problemas com os ossos de seu corpo ou então uma artrite.
Asma:
Complexo de culpa.
Ataques:
Pensamentos negativos, quem não é feliz.
Bexiga:
Segurando a dor para si mesmo.
Braços:
Emoções antigas.
Bulimia:
Ódio de si mesmo, achando não ser bom o suficiente.
Cabeça:
O que nós mostramos ao mundo.
Câncer:
Ressentimento profundo.
Coluna:
Geralmente, essas pessoas gostam de fazer tudo sozinhas e depois, acabam sempre reclamando que ninguém dá uma mãozinha. Ou querem carregar os outros ou o mundo nos ombros ( nas costas ) ! Muito peso ...
Coração:
Pessoas que não vivem do amor e da felicidade.
Dedos:
Ego, raiva, medo, preocupação, perda, pretenção.
Dentes
(cáries dentárias ou gengivites): Talvez quase ninguém saiba, mas os dentes representam a família. Se você é esteio de sua família, a pessoa a quem cabe tomar todas as decisões, arcando com todas as responsabilidades e conseqüências, é muito propensa a ter problemas com seus dentes, ou a desenvolver uma gengivite.
Dor:
Culpa, medo de ser punido.
Estômago
( problemas digestivos): Dificuldade de assumir novas idéias e novas experiências.Se você anda comendo muito, talvez seja a única forma que esteja encontrando para estagnar ou conter seus impulsos de criação. Ou então, pode ainda significar que esteja totalmente insatisfeito com sua vida sexual, amorosa, sentimental, conjugal.
Fígado:
Pessoa que acumula o sentimento de raiva dentro de si. Procure liberar sua raiva e não guarde rancor de ninguém. Quanto mais raiva guardar, pior será para você.
Frigidez:
Medo, culpa sexual
Garganta:
Medo de mudanças, dificuldade em falar e frustração.Quando você tiver algum distúrbio nesta região de seu corpo, não pense duas vezes antes de liberar toda sua criatividade, para assim ampliar a proteção de sua aura. Fale, exponha suas idéias, mesmo correndo o risco de não serem aceitas.
Gastrite:
Este tipo de sintoma quase sempre se manifesta em pessoas que guardam para si os problemas, são, maioria das vezes, pessoas introvertidas e que demonstram uma falsa calma e tranqüilidade.
Genitais:
Rejeição sexual.
Gordura localizada:
Para o conceito esotérico, este tipo de gordura, principalmente quando localizada nas coxas, significa que, quando era criança, você não recebeu aquele carinho tão especial e necessário do colo de sua mãe que com o calor de seu corpo transmitia o amor e a segurança que precisava. Inconscientemente, esta carência está registrada em seu íntimo, fazendo-o desenvolver algum tipo de gordura localizada.
Impotência:
Medo, inveja do próximo. Stress.
Joelho:
Inflexibilidade, ego, medo de mudanças, há um excesso de humildade.
Mãos:
Pão duro ( não gostam de gastar dinheiro).
Obesidade:
Insegurança. Ansiedade.
Orelhas:
Dificuldade de aceitar o que lhe é dito.
Pele:
Pessoas que possuem poder sobre você.
Pernas:
Medo de enfrentar as coisas novas do dia a dia.
Pés:
Dificuldade em compreender a si próprio. Suas opiniões quase nunca são escutadas ou respeitadas pelas pessoas mais próximas.
Pescoço:
Pessoas muito teimosas e inflexíveis. Para estas pessoas, a aura nesta parte do corpo não vai além de alguns centímetros de proteção.
Retenção de Líquidos:
Na alquimia, a água representa intuição. Se você tem tendência a reter líquidos em seu organismo, deve ser uma pessoa de intuição muito forte. Não tenha medo e libere suas manifestações intuitivas.
Rins:
É exatamente no chackra supra-renal que as mágoas se acumulam, diminuindo muito a proteção do campo áurico dessa região. Não é por acaso que, em uma situação de separação, por exemplo, que geralmente traz consigo muita mágoa, tristeza e dor, os envolvidos acabam desenvolvendo alguma coisa relacionada a este órgão, como é o caso de um cálculo renal.
Tumor:
Feridas antigas, tormento, não se permitindo a cura.
Úlcera:
Medo de não ser bom o suficiente.
Varizes:
Geralmente são aquelas pessoas que não aceitam as condições que lhes são impostas, querendo que tudo ocorra sempre ao seu jeito.
Você pode estar se perguntando:
"O que fazer para mudar essa situação?"
Sabendo que uma das possíveis causas de sua doença pode ser algo relacionado ao que foi dito, que tal começar mudando seu comportamento em relação à vida e às pessoas com quem você convive?
ORE BASTANTE. A ORAÇÃO TAMBÉM FUNCIONA COMO MÁGICA E É PRATICAMENTE INFALÍVEL.
Ao se deitar e/ou ao se levantar, reze.
Faça uma oração bonita.
Converse carinhosamente com Deus.
Seja amável e doce com as pessoas.
Mas não se esqueça de consultar seu médico e psicólogo de confiança.
Mas, especialmente pratique Meditação Transcendental, Respiração Pranayama do Yoga, Relaxamento e exercícios físicos regularmente !!!
texto de
jane eyre de mello
quinta-feira, 8 de abril de 2010
O impossível e o feminino (1981)
Betty Milan
Este artigo integra o livro
O saber do inconsciente / Trilogia psi
“Quem sou eu?” Esta é a questão de todo ser humano. Para responder a ela, os homens e as mulheres fazem um percurso diverso. Aqui me interessa o feminino. De que modo o problema da identidade se coloca para uma mulher e é por ela vivido nas várias etapas da sua existência? A que fantasias se vê obrigada a renunciar para tornar-se sujeito de sua história?
Focalizo a mulher, e não a menina. A identidade desta é função do pai, de quem a menina recebe o nome, e da mãe, com quem ela se identifica querendo ocupar-lhe o lugar. Resulta por um lado de uma dádiva e por outro supõe uma rivalidade, que faz da menina a Outra — com maiúscula, porque não se trata de uma outra, outrinha, e sim de uma outra especial, a amante — relativamente à mãe, levando-a a viver no culto do pai. Não só porque é ele que, simbolizando a lei, lhe dá a liberdade de sonhar, mas ainda por não desmentir a fantasia da menina sobre o próprio sexo, a de ser um menino, ter sido dotada — como imagina que a mãe foi — de um pênis. Deixar a infância é deixar de poder se reconhecer no menino, abrir mão da fantasia de casar-se com o pai, e projetar-se no casamento ou na carreira, renunciando nos dois casos a uma identidade certa, dada para a vida toda e que nada ameaça a mulher de perder.
A via sendo a do casamento, a identidade feminina depende do marido que, entretanto, só dá o nome em troca de um filho garantidamente seu. Ou seja, casando-se, a mulher estará sujeita a dois credores: o marido, a quem deve o filho, e este, a quem deve o pai. Quanto ao homem, sua identidade atual não depende do casamento, mas o futuro dela sim e nesta medida também ele terá dois credores: a esposa e o filho.
Assim, o casamento faz do cônjuge um credor, amarrando necessariamente a sexualidade. A mulher, para não ameaçar a identidade do marido, só pode vivê-la na ordem do dever e este, podendo viver sua sexualidade fora, terá que restringi-la aos limites da hora marcada, fazer do sexo uma forma de bater o ponto. Isto é, dentro e fora, ainda que ele não o suponha, estará cumprindo um dever. Don Juan não passa de uma ilusão de liberdade.
Disso resulta que nem a ele nem a ela é dado encontrar realmente o outro sexo e, assim, viver o próprio. Como esta é a regra e o casamento deixou de ser apenas uma instituição para ser uma promessa de felicidade, tornou-se uma instituição falida, em que a mulher é a memória de um dever. Nenhum desejo lhe é suposto, nenhum direito de se alterar ou qualquer imprevisibilidade. Seu papel é o de esperar e soterrar o desejo nos afazeres domésticos. Mas, para aceitar as ausências do marido, precisará ter renunciado à sua presença, ter-se tornado sinônimo da casa ou da ordem que sustenta o casamento. Daí o fascínio da esposa pela Outra, simultaneamente idealizada e abominada — a Outra, em quem a mulher, por um lado, recupera imaginariamente o lugar ocupado na infância e, por outro, vê aquilo que a ameaça como esposa, posição que desde a infância, como a mãe, ela queria ter.
Assim, a identidade feminina se constitui através da Outra, num percurso em que o seu significado varia.
Numa primeira instância, ocupando o lugar dela, a mulher ainda menina não se reconhece na Outra. Depois, já casada, encontra-a como que pela primeira vez, como se fosse um enigma, passando daí a cultuá-la. Ama-a odiando-a, endeusa-a, fazendo dela o inexplicável a que se agarra para afastar de si o encontro consigo mesma como ser sexuado, isto é, em falta do outro sexo, imerso na sua incompletude.
A via não sendo a do casamento, porém a da carreira, a questão da identidade se coloca diversamente. Trata-se aí de conquistá-la através do trabalho e, para ter um nome, a mulher estará agora sujeita a outro credor — o público —, ao qual serve e do qual recebe a imagem em que se reconhece. Mas o público nada mais é do que a presença de uma ausência, o caminho que depende dele é solitário, e a identidade resultante é mortífera como a de Narciso que, vendo-se numa fonte, é tomado de amores pela própria imagem, procura atingi-la sem conseguir, esquece de comer e beber, consumindo-se na adoração de si mesmo.
Se a solução da carreira é impossível, é que nela todo outro é instrumento de um projeto que nega o encontro, não há interlocutor verdadeiro e a mulher — como Narciso, que era adorado por Eco — só escuta o próprio nome, até o limite de viver a identidade como uma alucinação, um efeito puramente imaginário, se não um engodo. Aqui, ela, que se queria a Outra, encarnava como o andrógino o feminino e o masculino, considerava-se onipotente, se vê, como ele, obrigada a encarar o corte que separou um sexo do outro para entregá-lo ao Amor, ao desejo impossível de ser Um.
Agora, a busca será a do próprio desejo, a tentativa será a de obrigar o eu a se dizer e o risco de não saber, na celebração de uma identidade sempre por se dar — desafio assumido de encontrar para perder. Daqui, a única saída é a morte, mas, tendo renunciado à fantasia de ser A Mulher para se tornar apenas uma, ela, que estava perdida, acha enfim sua porta de entrada para a vida.
Betty Milan
Este artigo integra o livro
O saber do inconsciente / Trilogia psi
“Quem sou eu?” Esta é a questão de todo ser humano. Para responder a ela, os homens e as mulheres fazem um percurso diverso. Aqui me interessa o feminino. De que modo o problema da identidade se coloca para uma mulher e é por ela vivido nas várias etapas da sua existência? A que fantasias se vê obrigada a renunciar para tornar-se sujeito de sua história?
Focalizo a mulher, e não a menina. A identidade desta é função do pai, de quem a menina recebe o nome, e da mãe, com quem ela se identifica querendo ocupar-lhe o lugar. Resulta por um lado de uma dádiva e por outro supõe uma rivalidade, que faz da menina a Outra — com maiúscula, porque não se trata de uma outra, outrinha, e sim de uma outra especial, a amante — relativamente à mãe, levando-a a viver no culto do pai. Não só porque é ele que, simbolizando a lei, lhe dá a liberdade de sonhar, mas ainda por não desmentir a fantasia da menina sobre o próprio sexo, a de ser um menino, ter sido dotada — como imagina que a mãe foi — de um pênis. Deixar a infância é deixar de poder se reconhecer no menino, abrir mão da fantasia de casar-se com o pai, e projetar-se no casamento ou na carreira, renunciando nos dois casos a uma identidade certa, dada para a vida toda e que nada ameaça a mulher de perder.
A via sendo a do casamento, a identidade feminina depende do marido que, entretanto, só dá o nome em troca de um filho garantidamente seu. Ou seja, casando-se, a mulher estará sujeita a dois credores: o marido, a quem deve o filho, e este, a quem deve o pai. Quanto ao homem, sua identidade atual não depende do casamento, mas o futuro dela sim e nesta medida também ele terá dois credores: a esposa e o filho.
Assim, o casamento faz do cônjuge um credor, amarrando necessariamente a sexualidade. A mulher, para não ameaçar a identidade do marido, só pode vivê-la na ordem do dever e este, podendo viver sua sexualidade fora, terá que restringi-la aos limites da hora marcada, fazer do sexo uma forma de bater o ponto. Isto é, dentro e fora, ainda que ele não o suponha, estará cumprindo um dever. Don Juan não passa de uma ilusão de liberdade.
Disso resulta que nem a ele nem a ela é dado encontrar realmente o outro sexo e, assim, viver o próprio. Como esta é a regra e o casamento deixou de ser apenas uma instituição para ser uma promessa de felicidade, tornou-se uma instituição falida, em que a mulher é a memória de um dever. Nenhum desejo lhe é suposto, nenhum direito de se alterar ou qualquer imprevisibilidade. Seu papel é o de esperar e soterrar o desejo nos afazeres domésticos. Mas, para aceitar as ausências do marido, precisará ter renunciado à sua presença, ter-se tornado sinônimo da casa ou da ordem que sustenta o casamento. Daí o fascínio da esposa pela Outra, simultaneamente idealizada e abominada — a Outra, em quem a mulher, por um lado, recupera imaginariamente o lugar ocupado na infância e, por outro, vê aquilo que a ameaça como esposa, posição que desde a infância, como a mãe, ela queria ter.
Assim, a identidade feminina se constitui através da Outra, num percurso em que o seu significado varia.
Numa primeira instância, ocupando o lugar dela, a mulher ainda menina não se reconhece na Outra. Depois, já casada, encontra-a como que pela primeira vez, como se fosse um enigma, passando daí a cultuá-la. Ama-a odiando-a, endeusa-a, fazendo dela o inexplicável a que se agarra para afastar de si o encontro consigo mesma como ser sexuado, isto é, em falta do outro sexo, imerso na sua incompletude.
A via não sendo a do casamento, porém a da carreira, a questão da identidade se coloca diversamente. Trata-se aí de conquistá-la através do trabalho e, para ter um nome, a mulher estará agora sujeita a outro credor — o público —, ao qual serve e do qual recebe a imagem em que se reconhece. Mas o público nada mais é do que a presença de uma ausência, o caminho que depende dele é solitário, e a identidade resultante é mortífera como a de Narciso que, vendo-se numa fonte, é tomado de amores pela própria imagem, procura atingi-la sem conseguir, esquece de comer e beber, consumindo-se na adoração de si mesmo.
Se a solução da carreira é impossível, é que nela todo outro é instrumento de um projeto que nega o encontro, não há interlocutor verdadeiro e a mulher — como Narciso, que era adorado por Eco — só escuta o próprio nome, até o limite de viver a identidade como uma alucinação, um efeito puramente imaginário, se não um engodo. Aqui, ela, que se queria a Outra, encarnava como o andrógino o feminino e o masculino, considerava-se onipotente, se vê, como ele, obrigada a encarar o corte que separou um sexo do outro para entregá-lo ao Amor, ao desejo impossível de ser Um.
Agora, a busca será a do próprio desejo, a tentativa será a de obrigar o eu a se dizer e o risco de não saber, na celebração de uma identidade sempre por se dar — desafio assumido de encontrar para perder. Daqui, a única saída é a morte, mas, tendo renunciado à fantasia de ser A Mulher para se tornar apenas uma, ela, que estava perdida, acha enfim sua porta de entrada para a vida.
Insônia e transtornos mentais !!
Insônia e transtornos mentais
Estudo questiona quem vem primeiro: a insônia ou o transtorno
Dormir pouco e mal pode causar distúrbios psiquiátricos e induzir a comportamentos que levem os médicos a confundi-los com doenças mentais que é preciso medicar.
Esta é a conclusão de um trabalho publicado hoje pela revista "New Scientist". A má interpretação dos problemas derivados da falta de sono adequado leva milhares de pessoas a receber tratamentos com remédios, o que além de não ajudar, ainda pode estar piorando a saúde.
O psicólogo da Universidade de Berkeley (EUA) Matt Walker considera "muito preocupante" constatar que uma grande proporção de pessoas que sofrem apenas transtornos do sono estejam sendo tratadas como se tivessem doenças psiquiátricas.
O estudo inverte a relação de causa e consequência da ideia compartilhada pela maioria dos psiquiatras de que as pessoas com doenças mentais dormem mal. "É fácil dizer que é normal que um paciente depressivo ou com esquizofrenia não dorme bem e não se perguntar se há uma relação causal em sentido oposto", afirma Robert Stickgold, especialista em estudos do sono da Universidade de Harvard (EUA).
Dormir mal também pode explicar outros comportamentos característicos associados a diversas doenças mentais, como os surtos maníacos sofridos pelas pessoas com transtorno bipolar ou que apresentam problemas de déficit de atenção.
Segundo o pesquisador, é a falta de sono que provoca os problemas e não o contrário, algo que é conhecido desde tempos imemoriais em que pessoas são impedidas de dormir como forma de tortura.
Fonte: Abril
Estudo questiona quem vem primeiro: a insônia ou o transtorno
Dormir pouco e mal pode causar distúrbios psiquiátricos e induzir a comportamentos que levem os médicos a confundi-los com doenças mentais que é preciso medicar.
Esta é a conclusão de um trabalho publicado hoje pela revista "New Scientist". A má interpretação dos problemas derivados da falta de sono adequado leva milhares de pessoas a receber tratamentos com remédios, o que além de não ajudar, ainda pode estar piorando a saúde.
O psicólogo da Universidade de Berkeley (EUA) Matt Walker considera "muito preocupante" constatar que uma grande proporção de pessoas que sofrem apenas transtornos do sono estejam sendo tratadas como se tivessem doenças psiquiátricas.
O estudo inverte a relação de causa e consequência da ideia compartilhada pela maioria dos psiquiatras de que as pessoas com doenças mentais dormem mal. "É fácil dizer que é normal que um paciente depressivo ou com esquizofrenia não dorme bem e não se perguntar se há uma relação causal em sentido oposto", afirma Robert Stickgold, especialista em estudos do sono da Universidade de Harvard (EUA).
Dormir mal também pode explicar outros comportamentos característicos associados a diversas doenças mentais, como os surtos maníacos sofridos pelas pessoas com transtorno bipolar ou que apresentam problemas de déficit de atenção.
Segundo o pesquisador, é a falta de sono que provoca os problemas e não o contrário, algo que é conhecido desde tempos imemoriais em que pessoas são impedidas de dormir como forma de tortura.
Fonte: Abril
quarta-feira, 7 de abril de 2010
A PAZ QUE TRAGO EM MEU PEITO...
A paz que hoje trago em meu peito é
a tranqüilidade de aceitar os outros como são,
e a disposição para mudar as próprias imperfeições.
É a humildade para reconhecer
que não sei tudo e aprender até com os insetos...
É a vontade de dividir o pouco que tenho
e não me aprisionar ao que não possuo.
É melhorar o que está ao meu alcance,
aceitar o que não pode ser mudado
e ter lucidez para distinguir uma coisa da outra.
É admitir que nem sempre tenho razão e,
mesmo que tenha, não brigar por ela.
A paz que hoje trago em meu peito
é a confiança naquele que criou e governa o mundo...
A certeza da vida futura e a convicção de que receberei,
das leis soberanas da vida, o que a elas tiver oferecido.
Pense nisso!
Às vezes, para manter a paz que hoje mora em teu peito,
é preciso usar um poderoso aliado chamado silêncio.
Lembra-te de usar o silêncio
quando ouvir palavras infelizes.
Quando alguém está irritado.
Quando a maledicência te procura.
Quando a ofensa te golpeia.
Quando alguém se encoleriza.
Quando a crítica te fere.
Quando escutas uma calúnia.
Quando a ignorância te acusa.
Quando o orgulho te humilha.
Quando a vaidade te provoca.
O silêncio é a gentileza do perdão
que se cala e espera o tempo,
por isso é uma poderosa ferramenta
para construir e manter a paz..
A PAZ QUE TRAGO EM MEU PEITO
È A CERTEZA QUE SOU CAPAZ DE AMAR...
a tranqüilidade de aceitar os outros como são,
e a disposição para mudar as próprias imperfeições.
É a humildade para reconhecer
que não sei tudo e aprender até com os insetos...
É a vontade de dividir o pouco que tenho
e não me aprisionar ao que não possuo.
É melhorar o que está ao meu alcance,
aceitar o que não pode ser mudado
e ter lucidez para distinguir uma coisa da outra.
É admitir que nem sempre tenho razão e,
mesmo que tenha, não brigar por ela.
A paz que hoje trago em meu peito
é a confiança naquele que criou e governa o mundo...
A certeza da vida futura e a convicção de que receberei,
das leis soberanas da vida, o que a elas tiver oferecido.
Pense nisso!
Às vezes, para manter a paz que hoje mora em teu peito,
é preciso usar um poderoso aliado chamado silêncio.
Lembra-te de usar o silêncio
quando ouvir palavras infelizes.
Quando alguém está irritado.
Quando a maledicência te procura.
Quando a ofensa te golpeia.
Quando alguém se encoleriza.
Quando a crítica te fere.
Quando escutas uma calúnia.
Quando a ignorância te acusa.
Quando o orgulho te humilha.
Quando a vaidade te provoca.
O silêncio é a gentileza do perdão
que se cala e espera o tempo,
por isso é uma poderosa ferramenta
para construir e manter a paz..
A PAZ QUE TRAGO EM MEU PEITO
È A CERTEZA QUE SOU CAPAZ DE AMAR...
SÍNDROME DE PÃNICO:- QUAL É O NOSSO VALOR PERANTE OS OUTROS????
Se excluirmos a questão sobre o dinheiro e trabalho, parece que nossa
mente apenas vive focalizando dois pólos opostos:
seja na fantasia e devaneio de uma satisfação qualquer;
ou no mais completo pensamento de medo.
Quantos pensamentos de medo e fantasia têm aproximadamente durante o dia?
Quais são os mesmos e sua temática central?
A fantasia embora tenha a função de entretenimento, não deixa de ser um pesado fardo por revelar toda a carência da pessoa.
As imagens mentais do medo não são necessariamente o vício sobre determinada antecipação de algo catastrófico, mas assim como a fantasia reforça o tédio e amargura perante o distanciamento daquilo que elegemos como sonho.
O preenchimento de uma ausência quase sempre se completa com a mais pura agonia ou caos psíquico.
Pensemos em certas fobias do tipo: verificar várias vezes se a porta está fechada ou a chave do gás.
O significado inconsciente de tal conduta não é apenas o medo do acidente ou um dever e obrigação imposta pela mente. Sua raiz remete a uma disciplina internalizada que visa a fuga a qualquer custo da crítica ou rejeição. A mente de uma forma constante almeja o distanciamento de um passado ou uma situação que foi humilhante para a pessoa; desenvolvendo um trabalho extra como compensação e defesa contra novos ataques. A psicanálise no decorrer da história imputou conteúdos sexualizados para quase todo o tipo de fobia.
Torna-se um tanto hilário se pensarmos no medo de dirigir como protagonista de algum conflito de ordem sexual; pode até ser que exista de alguma maneira, mas temos de tomar cuidado para não perdermos o foco da situação.
A estrutura social nos coloca não apenas o dilema da sobrevivência econômica,
mas qual valor temos perante os outros.
O cerne de várias fobias passa pela questão do poder do sujeito perante o meio e como o manipula.
No caso citado do medo de dirigir, quase sempre encontramos uma pessoa que historicamente apresentou grandes dificuldades com a crítica e agressividade.
O medo de ser atacada e lhe tomarem seu espaço ou ego pessoal é transportado para a esfera do dirigir onde todos esses elementos são testados incessantemente. A segunda questão seria:
Em que época da vida lembra que começaram a se desenvolver tais pensamentos onde o núcleo é o medo?
Confia plenamente que os traumas vividos representam fielmente sua condição atual?
Gostaria apenas de fazer um parêntese sobre o que está sendo desenvolvido neste estudo.
É óbvio que ninguém jamais conseguirá viver sem o medo ou se abster de sonhar ou desejar algo.
Ambas as coisas são parte intrínseca da condição humana. O que cabe é a conscientização sobre nossa deficiência na obtenção da parte prática de viver bem.
Sobre a questão acima levantada é interessante notar como quase todos têm um perfil traçado exatamente acerca da origem de sua insatisfação ou infelicidade, como se a mente respondesse de forma lógica aos desafios apresentados.
A própria natureza do trauma ou conflito é a arte da dissimulação visando a manutenção constante de determinado estado afetivo.
A cognição e pensamento do ser humano visam a constante repetição dos eventos, na esperança de poder os controlar algum dia.
Nenhuma pessoa seria estúpida o suficiente para se acostumar ao sofrimento, mas o que a mesma não percebe são seus esforços internos para se deter em determinado hábito.
Mas neste ponto já podemos formular a pergunta central do texto e que desafia a psicologia desde seu princípio:
Por que tememos tão intensamente as mudanças?
Quando ocorre uma mudança no indivíduo para algo melhor ou mais produtivo, o primeiro desafio do mesmo é estar atento e saber lidar com a mais pura inveja.
Esta traz temores inconscientes de toda ordem, não exatamente de perder o que foi conquistado, mas o terrível sentimento de culpa por estar em uma situação diferenciada.
Podemos afirmar que tanto os elementos construtivos ou destrutivos do ser humano sempre irão permanecer intactos no substrato inconsciente. Se o esquema econômico e social fez com que, por exemplo, a solidariedade se tornasse supérflua no rol da sobrevivência, a mesma irá se deslocar para outra esfera; na identificação e solidarização com a infelicidade absoluta do outro e obrigação de seguir o mesmo traçado.
Todos sabemos da dificuldade e dor de ver o outro muito melhor do que nós mesmos, e quando alguém consegue destaque ou detém determinado potencial, fatalmente o travará perante esta torcida consciente e inconsciente da negatividade.
Precisamos treinar muito para acreditarmos em nossa auto estima.
JEAN PAUL SARTRE dizia que o “inferno é o outro”; tal afirmativa encerra um contra-senso; por um lado realmente o outro é o inferno no tocante a inveja perante algo que temos ou detemos; mas também sempre precisaremos de uma platéia, seja por nossos anseios narcisistas e agressivos, ou por um desejo genuíno de tentarmos nos integrar na coletividade.
ALFRED ADLER, contemporâneo de FREUD e criador da psicologia social,
achava que o senso de uma real comunidade, no sentido profundo de amparar o outro era a meta máxima do desenvolvimento emocional da pessoa. O ser humano não é nem bom ou mal por natureza, mas carrega todos os potencias de energias ou afetos que se cristalizarão em conformidade com o meio e subjetividade de quem reage ao mesmo.
· Outra pergunta fundamental é:
Qual o receio ou medo de proporcionar prazer a alguém?
Este é mais um dos dilemas de nossa era no tocante a relacionamentos. O pavor de dar o melhor de si e não obter retorno ou impacto sobre o outro permeia toda a esfera afetiva.
O lacônico “ficar”, é o produto mais fiel desse processo. Na verdade o contraponto do consumismo é a total economia psíquica e sentimental de prover o que se possui de melhor para alguém.
· Sobre as fobias em si;
qual sua origem?
Como exemplos: medo de elevador ou lugares fechados,
qual o significado?
Um dos mais antigos e primeiros colaboradores de FREUD chamado OTTO RANK, elaborou uma teoria que denominou “trauma do nascimento”.
A própria condição biológica de como a criança vinha ao mundo já era por si só um fator do mais puro stress.
Se sentir confinado remeteria a esta antiga imagem mnêmica, seguindo tal postulado. Embora não possamos desprezar tal tese, creio que a mesma é correta, mas se encontra de certa forma invertida do ponto de vista psicológico.
Não é bem a imagem do nascimento que se agrega ao medo,
mas seu correlato, a morte.
O medo do confinamento representa a emissão simbólica de flashes acerca do destino inevitável da humanidade;
achando que o sufocamento é seu elemento central, obviamente por uma associação biopsíquica ao elemento ar; prova disto é o antigo medo de ser enterrado vivo.
Mas não é apenas a questão do confinamento ou ausência do elemento vital do ar que dão a dimensão do medo que estamos analisando. Pensemos no medo do elevador; seria um tanto simplista o associar também a morte ou sufocamento.
A psicanálise também sempre fez relação deste distúrbio novamente com a questão da sexualidade.
Simbolicamente estar diante de outras pessoas representaria uma falha narcísica, como se seu “pênis” ou atributo pessoal estivesse sendo testado ou comparado.
Notem que por mais surrealista que possa parecer tal interpretação, não deixa de ser uma relativa verdade; prova disso é a fantasia sexual de efetuar relações sexuais dentro do elevador, que seria uma reação a tal medo citado.
O que ficou de fora nessa análise toda é o elemento social da questão. O medo do elevador denota também uma personalidade tímida e refratária ao contato social;
ou uma grande dificuldade de se sentir natural perante estranhos.
A fobia social é o embate final sobre a aferição de sua mais profunda intimidade em relação ao meio.
ADLER brilhantemente classificou determinadas fobias como a “fuga da situação de prova”, e como a pessoa se recusava a fazer qualquer tipo de teste, sairia “vitoriosa” no plano mental simplesmente pela não participação.
· Como fica a síndrome do pânico dentro do que foi citado até agora?
Pensemos num dos sintomas da referida moléstia-o medo de sair na rua.
Qualquer psicólogo um pouco experiente já percebeu fazendo um levantamento pregresso da história do sujeito, que antes da afecção acometer o mesmo, sua personalidade era exatamente oposta; mostrava coragem, espírito empreendedor, liderança acima de tudo.
Porém, em determinado momento começou a ocorrer o processo inverso. Isto é o que ADLER denominava como “arranjo psíquico”, um protesto mental contra as tarefas ou responsabilidades que o sujeito não desejava mais carregar.
O desejo de sair, encontrar pessoas e tudo o mais ainda persistiria, só que agora a perspectiva mudava radicalmente; a doença seria uma forma prática de forçar o ambiente a lhe proporcionar todas as suas necessidades de modo que desaparecessem suas obrigações ou esforços pessoais.
Não é muito mais simples e eficiente estar paralisado a espera de que alguém nos acuda ou venha em socorro dos nossos anseios?
Não se trata de negar a doença, mas perceber sua mais profunda raiz na dimensão psíquica e sociológica.
É uma tarefa das mais ingratas nos posicionarmos diariamente, sendo que quando descobrimos um atalho, vale de tudo, até suportar um sofrimento alto para evitarmos novos constrangimentos, embora contraditoriamente a doença traga talvez o pior de todos.
A medicina e psiquiatria ostensivamente negam tal núcleo, em função da massificação e banalização dos medicamentos. O conforto da pílula pelo menos deveria acompanhar uma frase ou palavra do médico com o intuito de resgatar a potência perdida do sujeito.
· Nos dias atuais tais fobias relacionadas dizem muito mais da fuga dos verdadeiros problemas do sujeito como foi citado, do que qualquer outra coisa.
O que estou tentando dizer como centro deste texto é que a fobia não passa de uma denúncia ou instrumento que a pessoa utiliza para expor seu sofrimento de forma disfarçada, por vergonha ou temor de passar a mensagem direta.
A fobia é a timidez de revelar a infelicidade de forma real e prática, o desgosto profundo de uma alma que sente que não têm apoio e consideração em relação ao meio.
· Medo da crítica; falar em público; comer (anorexia nervosa e bulimia); perder o emprego ou insegurança econômica. Todos eles são os reais medos sem nenhum atalho ou maquiagem.
Notem que se observarmos atentamente, além do temor a crítica citada possuem a mesma base central;
o lidar com a autoridade.
Pensemos na insegurança de perder o emprego.
O que aconteceu com essa pessoa no passado? Teve conflitos de trabalho ou com determinadas regras, temendo a repetição? Por que não poderia colocar suas habilidades em outro lugar?
O receio da idade ou do preconceito do sistema vigente? Não é a mesma coisa da obsessão por um corpo perfeito, que dará a ilusão de ser apreciada ou desejada continuadamente; fugindo do mais terrível pesadelo que é a rejeição?
O medo de falar não é a mesma coisa?
Como estruturamos nossa relação com a autoridade seja real ou simbólica (um valor conferido pelo sistema), dará a dimensão de todo o nosso caráter: submisso ou passivo; desafiador; cooperativo, e por fim retraído.
O ser humano procura obviamente sempre um patamar de segurança e estabilidade, detestando mudanças bruscas que o obriguem a nova labuta pelo recomeço do que julga serem suas necessidades.
Mas então neste ponto não poderíamos falar tanto sobre o medo como centro da questão, e sim de como todos de tornam acomodados e indolentes para novos desafios.
Descobrir que tipo de autoridade está internalizada no inconsciente da pessoa e de que forma sempre reagirá perante a mesma é tarefa profilática que o psicólogo deverá exercer.
· Ninguém pode contestar que a opinião alheia é quase que um deus absoluto em nossa era, e que milhões de pessoas permutam suas mais profundas convicções e talentos pessoais para se evadirem da crítica e agressividade do meio.
Restam apenas alguns tipos que se tornaram até “excêntricos”, por não temerem a estrutura social.
A própria psicologia durante décadas reforçou a terrível mentira de que o ideal da pessoa era estar bem com ela mesma; se esquecendo de que diariamente todos os esforços são para chamar a atenção de alguém para uma personalidade totalmente carente.
A carência além de também ser temida, traz à tona sua irmã gêmea que é sem dúvida o maior medo de todos: a solidão.
· Qual o grau de solidão que sentiu no decorrer da vida e como lidou com o mesmo?
A solidão além de nos mostrar de forma imediata à privação de nossas necessidades, agrega também o elemento da inveja, pois começamos a pensar que apenas nosso ser não conseguiu comungar daquilo que é vital ou prazeroso.
Há uma base histórica familiar que originou tão dolorosa sensação de desamparo, devendo o psicólogo a refazer, sob o risco da pessoa nunca sentir confiança em seu íntimo.
A gênese da solidão além da falta ou carência é um sentimento absoluto de derrota, fazendo com que a pessoa desesperadamente tente mostrar algo de si que seja valioso, para não ser riscada em absoluto do mapa das relações sociais. Tal esforço infelizmente acaba sendo em vão, pois sua sensação de inferioridade não permite que cative as pessoas ao seu redor.
Pensemos nos atuais “ORKUTS”, “*”SITES DE NAMORO” e coisas do gênero.
O sistema social além de criar toda a solidão consegue uma forma de lucrar com a mesma”. Em nossa era a expressão: “antes só do que mal acompanhado”, é pura escusa ou racionalização; os instrumentos virtuais de busca de parceiros citados provam o grau enorme de miserabilidade afetiva e social; num quadro destes é muito difícil discriminar quando a solidão seria até saudável para se fazer uma reflexão pessoal, sendo que a sensação de perda do potencial é muito mais forte, pela ausência de testemunhas sobre seu valor próprio; coisa que a solidão provoca.
ATIVIDADE E PASSIVIDADE...
Atividade e Passividade, assim como outros termos que se fazem opostos como, masculino e feminino, fálico e castrado e sadismo e masoquismo, podem determinar um tipo de comportamento.
Definem também tipos de metas ou objetivos pulsionais. Um modelo de meta, pode ser o de corresponder a pulsão oral, que será satisfeita com a atividade de sucção.
A passividade de uma meta pode ser observada por exemplo, em indivíduos que desejam ser maltratados (masoquismo) ou ser visto (exibicionista). A fim de se posicionar para obter satisfação, o indivíduo comporta-se assumindo estar a mercê do outro. Toda posição passiva é inseparável do seu oposto.
O masoquismo é um sadismo voltado contra a própria pessoa. Corresponde a um retorno sobre a própria pessoa e ao mesmo tempo a uma inversão da atividade em passividade.
Ruth Mack Brunswick(1) mostra que desde criança começa a relação passiva com a mãe que satisfaz todas as necessidades. Na mãe ativa pode estar a identificação da atividade.
Victor Dias(2) comenta que por volta dos 3 anos, a criança já tem instalado o processo de busca. A falta desse processo de busca e da angústia, gera o acomodamento psicológico.
As sensações de medo, insegurança e incompletude podem gerar um processo de busca e o aparecimento da angústia patológica. A fim de evitar o sentimento desta angústia, que é a ameaça de conteúdos inconscientes bloqueados, o psiquismo vai buscar justificativa nas defesas intrapsíquicas. Assim o indivíduo diminui o processo de busca e a angústia patológica relacionada.
Há a fase do acomodamento psicológico, na qual o indivíduo - apesar de ter seus bloqueios do desenvolvimento psicológico com todas as conseqüências daí advindas - consegue ficar compensando com pouca angústia. É a fase em que vivem a maioria das pessoas.
Acrescentando o conceito de inibido quanto a meta, que é o que qualifica uma pulsão que, sob o feito de obstáculos externos ou internos, não atinge o seu modo direto de satisfação (ou meta) e encontra uma satisfação atenuada em atividade ou relações que podem ser consideradas como aproximações mais ou menos longínquas da meta primitiva.
A compensação da angústia patológica e o abrandamento do processo de busca fazem com quem as pessoas consigam cumprir parte de suas necessidades internas e uma parte das exigências sociais a que estão submetidas.
É um equilíbrio instável, mas um equilíbrio que pode ser bem satisfatório e durar até a vida toda.
Note que a transformação do sadismo em masoquismo, não implica simultaneamente a passagem da atividade à passividade e uma inversão dos papéis entre aquele que inflige e o que é vítima de sofrimentos.
Com a noção de sadomasoquismo, na qual o conflito psíquico e sua forma central, o conflito edipiano, podem ser compreendidos como um conflito de exigências, pois a posição de quem exige é virtualmente uma posição de perseguido-perseguidor, porque a medição da exigência introduz necessarimente as relações sadomasoquistas do tipo dominação-submissão que toda a interferência do poder implica.
Um dos mecanismos de defesa são os Vínculos Compensatórios. São vínculos que o indivíduo vai criando, que o ajudam a estabilizar-se, apesar da sua falha de desenvolvimento psicológico. Podem ser: casamento, uma amizade, um emprego, um relacionamento com a cidade,... Rotinas de vínculos que de alguma maneira ajudam esse individuo a ter uma noção, embora externa, da sua própria identidade. Por ex., um time de futebol. Ser corinthiano passa a ser, de repente, uma identidade e não apenas o participante da torcida de um time.
Então, diz-se que o individuo com mecanismos reparatórios oriundos da estrutura intrapsiquica, com exarcebação do psiquismo organizado e diferenciado e uma série de vínculos compensatórios, entra numa fase de acomodamento, isto é, consegue uma estabilização psicológica, onde consegue produzir e levar sua vida.
Estabelecer vínculos compensatórios com pessoas, animais, coisas, situações, filosofias, religiões, etc. que de alguma forma lhe assegurem uma identidade, que embora não seja a sua verdadeira, passa por lhe produzir uma sensação de existir mais palpável. Os vínculos compensatórios têm uma finalidade bastante grande pois permitem freqüentemente, que o individuo se organize e se estruture na vida. Por outro lado, o indivíduo fica preso ao vinculo compensatório pois depende dele para ter sua identidade mais completa.
Diante do que foi aqui exposto, é interessante avaliar que comportamento vem exercendo durante a vida. Porque sempre é tempo de promover modificações, caso sinta vontade de mudar. Sair da passividade ou acomodação, podem lhe trazer uma nova visão, ou novos objetivos de vida.
Bibliografia: - Vocabulário de Psicanálise, Laplanche e Pontalis
Definem também tipos de metas ou objetivos pulsionais. Um modelo de meta, pode ser o de corresponder a pulsão oral, que será satisfeita com a atividade de sucção.
A passividade de uma meta pode ser observada por exemplo, em indivíduos que desejam ser maltratados (masoquismo) ou ser visto (exibicionista). A fim de se posicionar para obter satisfação, o indivíduo comporta-se assumindo estar a mercê do outro. Toda posição passiva é inseparável do seu oposto.
O masoquismo é um sadismo voltado contra a própria pessoa. Corresponde a um retorno sobre a própria pessoa e ao mesmo tempo a uma inversão da atividade em passividade.
Ruth Mack Brunswick(1) mostra que desde criança começa a relação passiva com a mãe que satisfaz todas as necessidades. Na mãe ativa pode estar a identificação da atividade.
Victor Dias(2) comenta que por volta dos 3 anos, a criança já tem instalado o processo de busca. A falta desse processo de busca e da angústia, gera o acomodamento psicológico.
As sensações de medo, insegurança e incompletude podem gerar um processo de busca e o aparecimento da angústia patológica. A fim de evitar o sentimento desta angústia, que é a ameaça de conteúdos inconscientes bloqueados, o psiquismo vai buscar justificativa nas defesas intrapsíquicas. Assim o indivíduo diminui o processo de busca e a angústia patológica relacionada.
Há a fase do acomodamento psicológico, na qual o indivíduo - apesar de ter seus bloqueios do desenvolvimento psicológico com todas as conseqüências daí advindas - consegue ficar compensando com pouca angústia. É a fase em que vivem a maioria das pessoas.
Acrescentando o conceito de inibido quanto a meta, que é o que qualifica uma pulsão que, sob o feito de obstáculos externos ou internos, não atinge o seu modo direto de satisfação (ou meta) e encontra uma satisfação atenuada em atividade ou relações que podem ser consideradas como aproximações mais ou menos longínquas da meta primitiva.
A compensação da angústia patológica e o abrandamento do processo de busca fazem com quem as pessoas consigam cumprir parte de suas necessidades internas e uma parte das exigências sociais a que estão submetidas.
É um equilíbrio instável, mas um equilíbrio que pode ser bem satisfatório e durar até a vida toda.
Note que a transformação do sadismo em masoquismo, não implica simultaneamente a passagem da atividade à passividade e uma inversão dos papéis entre aquele que inflige e o que é vítima de sofrimentos.
Com a noção de sadomasoquismo, na qual o conflito psíquico e sua forma central, o conflito edipiano, podem ser compreendidos como um conflito de exigências, pois a posição de quem exige é virtualmente uma posição de perseguido-perseguidor, porque a medição da exigência introduz necessarimente as relações sadomasoquistas do tipo dominação-submissão que toda a interferência do poder implica.
Um dos mecanismos de defesa são os Vínculos Compensatórios. São vínculos que o indivíduo vai criando, que o ajudam a estabilizar-se, apesar da sua falha de desenvolvimento psicológico. Podem ser: casamento, uma amizade, um emprego, um relacionamento com a cidade,... Rotinas de vínculos que de alguma maneira ajudam esse individuo a ter uma noção, embora externa, da sua própria identidade. Por ex., um time de futebol. Ser corinthiano passa a ser, de repente, uma identidade e não apenas o participante da torcida de um time.
Então, diz-se que o individuo com mecanismos reparatórios oriundos da estrutura intrapsiquica, com exarcebação do psiquismo organizado e diferenciado e uma série de vínculos compensatórios, entra numa fase de acomodamento, isto é, consegue uma estabilização psicológica, onde consegue produzir e levar sua vida.
Estabelecer vínculos compensatórios com pessoas, animais, coisas, situações, filosofias, religiões, etc. que de alguma forma lhe assegurem uma identidade, que embora não seja a sua verdadeira, passa por lhe produzir uma sensação de existir mais palpável. Os vínculos compensatórios têm uma finalidade bastante grande pois permitem freqüentemente, que o individuo se organize e se estruture na vida. Por outro lado, o indivíduo fica preso ao vinculo compensatório pois depende dele para ter sua identidade mais completa.
Diante do que foi aqui exposto, é interessante avaliar que comportamento vem exercendo durante a vida. Porque sempre é tempo de promover modificações, caso sinta vontade de mudar. Sair da passividade ou acomodação, podem lhe trazer uma nova visão, ou novos objetivos de vida.
Bibliografia: - Vocabulário de Psicanálise, Laplanche e Pontalis
terça-feira, 6 de abril de 2010
A PRESENÇA DO AMADO TRANSFORMA QUALQUER LUGAR NUM OÁSIS
A delícia maior do sexo com quem se ama acontece logo depois do climax: abrimos os olhos e a solidão desaparece ao abraçarmos o parceiro.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
ABERRAÇAO!!!
Fui criada ouvindo pai, mãe e tia dizerem que sexo era a parte mais suja do ser humano. Além de ser constantemente vigiada, só tive contato com o sexo masculino aos 15 anos, no colégio misto. Não namorei por medo de engravidar. Meu pai era machista e violento. Ameaçava me matar se eu engravidasse. Tomei horror a crianças. Ele me dizia que eu era responsável pela união da família dele e da minha mãe. Mas aos 16 anos, fui estuprada por um pai de santo, que teoricamente conseguiria resolver os problemas da família, e tomei horror aos homens.
Aos 36 tive pela primeira vez uma relação sexual com meu primeiro namorado, que era tão incapaz de me dar carinho quanto meu pai e minha mãe. Sexo sem carinho eu não quero. Dá pra entender? Hoje, canto os homens e tento esquecer o carinho mas, na hora H, minha vagina se fecha. Será que me tornei frígida ou tenho que fazer uma cirurgia para resolver esse problema? Será que devo contratar um garoto de programa?
E o medo?
Tornei-me médica para ver o corpo, o sexo e as pessoas de forma racional.
Cuido da genitália masculina. Tenho poder sobre o pênis, mas prazer com ele eu não tenho, pois não consigo confiar no seu dono.
BETTY MILAN
RESPONDE:
Você escreve que “sexo sem carinho eu não quero”. E você me pergunta: “Dá pra entender?”. Eu entendi. Mas parece que não é o seu caso. Você não só teve um primeiro namorado incapaz de te dar carinho como também transa hoje com homens de quem você só se aproxima pelo sexo. Ou seja, faz o contrário do que quer, está em permanente contradição com você mesma e a vagina contraída é a expressão disso. Você diz “vem” para o outro se aproximar e não ter como chegar verdadeiramente.
Sua conduta é sádica porque foi isso que você aprendeu com a sua família, que não teve por você o menor respeito. Emporcalhou o sexo com o discurso: “É a parte mais suja do ser humano” e a maternidade com a ameaça de morte. Óbvio que a solução não está na cirurgia e tampouco no garoto de programa. Ela está no discurso que você poderá reinventar se fizer análise. Por outro lado, você precisa se perguntar o que significa para você cuidar da genitália masculina. O médico em princípio não tem poder sobre qualquer parte do corpo do doente. O único poder que ele tem é o de curar, se isso lhe for dado.
Aos 36 tive pela primeira vez uma relação sexual com meu primeiro namorado, que era tão incapaz de me dar carinho quanto meu pai e minha mãe. Sexo sem carinho eu não quero. Dá pra entender? Hoje, canto os homens e tento esquecer o carinho mas, na hora H, minha vagina se fecha. Será que me tornei frígida ou tenho que fazer uma cirurgia para resolver esse problema? Será que devo contratar um garoto de programa?
E o medo?
Tornei-me médica para ver o corpo, o sexo e as pessoas de forma racional.
Cuido da genitália masculina. Tenho poder sobre o pênis, mas prazer com ele eu não tenho, pois não consigo confiar no seu dono.
BETTY MILAN
RESPONDE:
Você escreve que “sexo sem carinho eu não quero”. E você me pergunta: “Dá pra entender?”. Eu entendi. Mas parece que não é o seu caso. Você não só teve um primeiro namorado incapaz de te dar carinho como também transa hoje com homens de quem você só se aproxima pelo sexo. Ou seja, faz o contrário do que quer, está em permanente contradição com você mesma e a vagina contraída é a expressão disso. Você diz “vem” para o outro se aproximar e não ter como chegar verdadeiramente.
Sua conduta é sádica porque foi isso que você aprendeu com a sua família, que não teve por você o menor respeito. Emporcalhou o sexo com o discurso: “É a parte mais suja do ser humano” e a maternidade com a ameaça de morte. Óbvio que a solução não está na cirurgia e tampouco no garoto de programa. Ela está no discurso que você poderá reinventar se fizer análise. Por outro lado, você precisa se perguntar o que significa para você cuidar da genitália masculina. O médico em princípio não tem poder sobre qualquer parte do corpo do doente. O único poder que ele tem é o de curar, se isso lhe for dado.
Por Betty Milan
revista veja
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Desvendando a bipolaridade
É interessante a invenção de novos nomes ou diagnósticos para descrever velhas patologias conhecidas. Assim como a síndrome de pânico foi uma mera derivativa das chamadas fobias, a bipolaridade é o nome moderno para o chamado transtorno maníaco-depressivo. A renomeação de moléstias segue o princípio da maquiagem moderna farmacológica, dando certa ilusão de um instrumento mais efetivo e poderoso no combate à doença. Como todos sabem, a bipolaridade é definida principalmente pela constante e repetitiva oscilação do humor e comportamento do sujeito; ora um estado depressivo, melancólico, ou a euforia, alegria e uma energização que deixa perplexo todos que convivem com a pessoa. A primeira coisa interessante para se notar é que ao contrário do que muitos pensam, o fenômeno da agressividade não se encontra no pólo maníaco, mas justamente na fase depressiva. A explicação é simples, a agressividade permeia dito pólo como uma reação à frustração da pouca durabilidade da fase maníaca e também como uma forma de contaminar completamente o ambiente ao seu redor, “como nunca irei superar tal situação, desejo que sintam a mesma angústia”. Claro que neste ponto entram elementos poderosos de inveja e vingança contra o meio. Infelizmente o bipolar sempre irá comemorar o insucesso ou infortúnio do outro, a projeção é seu mais puro e doce alimento. (claro que não estou emitindo um juízo de valor sobre o caráter de ninguém, apenas relatando uma manifestação comportamental frente ao transtorno)
O que mais chama atenção em tal enfermidade é quando da passagem depressiva para a maníaca, como disse anteriormente, há um vigor ou paz de espírito quase que sobrenaturais, causando uma total frustração no acompanhante ou familiar da pessoa, que não se conforma que o indivíduo não consiga se estabilizar em tal estágio, pois teria amplos recursos para tal empreitada. Mas neste ponto, o leitor irá indagar que é justamente a bipolaridade que não permite tal fato. O que desejo concluir é que a lamúria, tendência ao auto-sofrimento, autocomiseração é incrivelmente mais potente do que qualquer princípio da realidade que traga satisfação ou estabilidade. A mensagem máxima de todo esse processo mórbido, é a insistência numa ingenuidade ou infantilidade, achando que o meio ao seu redor deve ter eterna paciência e compreensão perante todos os mecanismos confusos e difusos apresentados. O bipolar reclama um amor incondicional, ao mesmo tempo em que tenta condicionar os outros para a aceitação de sua estrutura neurótica de personalidade. A bipolaridade não deixa de ser um fenômeno psicológico que denuncia com exatidão o espírito sociológico de nosso tempo: “tenho pleno potencial para o amor, afeto e harmonia, mas, repentinamente me lembro de meu contrato quase que vitalício assinado com o caos ou perturbação nos relacionamentos, tudo isso oriundo de um mimo não resolvido perante uma suposta rejeição das figuras parentais. O bipolar apela o tempo todo, forçando seu direito ao amor que não obteve, sendo que não resgata em hipótese alguma suas falhas pessoais nesse histórico de convívio.
A instabilidade histórica do bipolar se origina em sua angústia pessoal de identificar quem é o modelo afetivo que irá lhe proporcionar segurança; ora é o pai, a mãe, ou o ódio contra ambos, nunca havendo uma linha linear. Parece não existir uma vontade interna para a superação do problema. A medicação é vista como uma espécie de império absoluto, sendo que na maioria dos casos a psicoterapia é encarada com total desconfiança. O fato é que a manifestação mórbida possui um caráter muito forte de sedução, seja pela pena ou compaixão, exigindo uma resposta constante de pleno cuidado por parte do meio ao redor da pessoa. A insistência da psicoterapia passa a ser fundamental, pois acima de tudo, o bipolar deve a si mesmo uma explicação para todo o seu excesso. Gostaria neste ponto de colocar uma tese talvez estranha, mas que na minha concepção é bastante inovadora. E se determinado transtorno mental for um derivado de um protesto familiar ou social reprimido? Antes que alguém ache tal tese absurda, pensem que o maior medo em nossos dias é em relação à opinião alheia, coisa que o bipolar dribla com a máxima maestria, se utilizando da descompensação como escusa de suas atitudes. Este é exatamente o ponto chave, sendo que a doença é o que sobrou de certa forma de uma mitigação política e ideológica; a rebeldia ou protesto social é totalmente convertido para o pólo psicológico. Obviamente não estou querendo inferir que determinada pessoa avessa à política irá desenvolver a bipolaridade, mas, apenas ressalto o transporte de um fenômeno social para uma área privada da personalidade. A mente parece que capta qualquer aspecto importante de algum derivativo social, sendo que o mesmo jamais se apaga, apenas adquire novo molde ou formato. O bipolar encena num microcosmo toda uma esfera política e histórica da humanidade, de luta pela atenção, poder, compaixão, sedução e diversos outros fenômenos sociais. Nunca podemos pensar num modelo individualizado de tratamento sem a compreensão paralela que a doença é criativa ao adquirir determinados formatos dos moldes econômicos e sociais de nossa era.
A grande questão que se coloca é quando realmente estaremos plenamente motivados a atacar de frente determinado problema, pois parece que sempre o estamos mascarando ou rodeando. O desequilíbrio psicológico nunca é por acaso, é principalmente uma seqüência histórica de frustração e desilusão. Uma reflexão vital que todos devem fazer é sobre o tipo de poder que tentam adquirir durante a vida: criatividade, poder econômico, político, sedução e beleza ou através da doença. A necessidade de ser notado é praticamente um correlato das necessidades fisiológicas do ser humano, seja de uma forma saudável ou em tons bizarros. Nomeando de bipolaridade ou psicose maníaco-depressiva, como devemos interpretar a fundo tal fenômeno? Tanto a ascensão ou o famoso pico, quanto à queda ou depressão, remetem ao famoso conceito do psicólogo ALFRED ADLER acerca do complexo de superioridade e inferioridade. A bipolaridade nada mais é do que este intercâmbio psicológico. Na mania, a euforia, certeza da vitória, autoestima em elevação e sensação de auto-suficiência, e ainda tentativa de destaque tendo ou não os recursos para tal empreitada; na fase depressiva o choro, culpa, lamúria, necessidade de projeção do caos pessoal para outras pessoas, e insistência no mecanismo da sedução, através da pena ou solidariedade do meio enquanto a pessoa permanecer recaída.
Será que vale a pena, digamos assim, chamar a atenção ou atuar algo psicossomático constantemente? A resposta novamente nos remete ao complexo de poder. Se não temos uma vaga cativa na cena política, social ou econômica, resta o uso do corpo ou enfermidade da alma para sermos lembrados. É interessante como sempre notei o aspecto mais do que ambicioso do bipolar. Assim como no começo do estudo, faço um alerta quanto a qualquer concepção reducionista; sem sombra de dúvida, pessoas abastadas e com poder também podem descarregar suas frustrações nas enfermidades mentais, apenas estou salientando a existência do fenômeno em determinadas pessoas onde impera um vazio de poder pessoal. Quando determinado sujeito começa a notar que seu espírito talvez seja estéril, começa a manipular ou até brincar com os conteúdos psicossomáticos citados, visando uma diversificação deformada ou amplificação corrupta de seu self ou sentido de existência. Ao contrário do obsessivo, o bipolar rejeita qualquer tipo de ordem ou organização de sua conduta diária de vida. Tudo é sempre através do improviso ou impulsividade, sendo que o resultado é bastante óbvio; uma perda em todas as esferas: econômica, pessoal e afetiva. Pensemos neste ponto na questão do dinheiro; igualmente ao maníaco-depressivo de antigamente que perdia sua casa em jogo de azar, o bipolar traça o mesmo caminho de forma talvez resumida ou dissimulada; dívidas bancárias, protestos contra seu nome, perda de objetos comuns, esquecimento ou falta de cuidado com seus bens, enfim, jamais consegue cuidar efetivamente de seu patrimônio, pois se sente eternamente miserável ou dependente, atuando como uma criança que não tardará a estragar algo valioso que lhe foi fornecido ou conquistado, o consumismo é apenas uma fachada contra a terrível ansiedade que se abate sobre a pessoa.
Antonio C. Araujo
psicoterapeuta
Antonio C. Araujo
psicoterapeuta
A CARPA APRENDE A CRESCER....
A carpa japonesa ( koi) tem a capacidade natural de crescer de acordo com o tamanho do seu ambiente. Assim, num pequeno tanque, ela geralmente não passa de cinco ou sete centímetros - mas pode atingir três vezes este tamanho, se colocada num lago.Da mesma maneira, as pessoas tem a tendência de crescer de acordo com o ambiente que as cerca. Só que, neste caso, não estamos falando de características físicas, mas de desenvolvimento emocional, espiritual, e intelectual.Enquanto a carpa é obrigada, para seu próprio bem, a aceitar os limites do seu mundo, nós estamos livres para estabelecer as fronteiras de nossos sonhos. Se somos um peixe maior do que o tanque em que fomos criados, ao invés de nos adaptarmos a ele, devíamos buscar o oceano - mesmo que a adaptação inicial seja desconfortável e dolorosa.
domingo, 4 de abril de 2010
EXISTE REALMENTE QUIMICA SEXUAL??
Pensando em excitação, um casal pode ter vida sexual legal por toda a vida.
O desejo pede novidades;
a excitação só pede troca de carícias.
Insisto em que o gozo real só é alcançado quando se encontra um parceiro ideal e quando ambos desejam realmente amar, o resto como disse é pura quantidade ou festival narcisista usando o sexo como ator central. que a cultura moderna ainda não absorveu é que o experimentar livremente sem qualquer tipo de compromisso não diz necessariamente de uma pessoa capaz do gozo, o núcleo do mesmo é a capacidade de atrair alguém que realmente irá acrescentar algo em sua alma.A infelicidade sexual não é e nunca foi nenhum tipo de distúrbio ou disfunção sexual, mas exatamente o que disse, não conseguir atrair um cúmplice para a própria relação em si própria. O sexo está cada vez mais se assemelhando ao que escrevi outrora num texto sobre o conceito de deus, uma tela em branco onde se projeta tudo o que supostamente acreditamos ou buscamos, no caso sexual: vaidade, sedução, disputa, competição, solidão, medo e frustração. Venho dizendo neste estudo que há muito o sexo está totalmente globalizado por várias esferas afora reprodução e prazer. Outro ponto vital acerca da sexualidade e que todos também já sentiram, é que jamais o ato sexual compulsivo preencherá um determinado vazio existencial ou carência, pelo contrário, só irá reforçá-los ou os amplificar. O sexo isoladamente só acentua a terrível e torturante certeza de que o indivíduo jamais foi amado ou sequer gostado, e digo isso sem nenhum tipo de cunho moral ou ideológico, mas na experiência clínica da solidão avassaladora que a sexualidade desgarrada produz nas pessoas. Claro está o medo do compromisso em nossa era, seja por fatores econômicos, ou pelo receio de ser rejeitado ou abandonado. Porém, já estou dizendo há muito tempo que a solidão já é o principal problema de cunho psicológico de nossa atualidade. A sexualidade embora tenha um poder incrível, perde terreno a cada dia para o isolamento do ser humano que a sociedade ajudou a construir e moldar. A verdade é que todos estão perdidos em relação ao que realmente é prazeroso, faz-se sexo ou se experimenta novas posições, apenas por se ler num livro, assim como vamos assistir determinado filme porque alguém nos disse que o mesmo é ótimo. Não que haja problema nisso, mas falta uma total criatividade na chamada arte do prazer. Assim como o adolescente naturalmente descobre a masturbação e conseqüente gozo sexual, o adulto deveria encarar a sexualidade com maior naturalidade; o principal causador dos distúrbios sexuais na atualidade é a pressão e exigência muitas vezes de cunho irracional ou fantasioso.
O desejo pede novidades;
a excitação só pede troca de carícias.
É vital chegarmos à raiz da questão, ou seja, a sexualidade genuína sempre estará ao lado das pessoas comprometidas efetivamente com o bem estar do próximo; sendo que o resto é puro teatro ou performance de poder. A insaciável busca da prostituição pelos homens não deixa de ser uma tentativa clássica de violação das regras que o sistema mantém, pois a rebelião é com a obrigatoriedade da troca ou o suposto enjôo de conviver sempre com a mesma pessoa no âmbito sexual. Para a mulher em nossos dias, resta ainda o sofrimento supremo de tal traição, ou então se possuir os requisitos sociais da beleza e sedução, tentar a todo custo uma espécie de leilão de seus dotes físicos ou ilusão de encontrar o parceiro mais do que perfeito por tal condição citada. A sexualidade neste ponto se assemelha a drogadicção, se formando não apenas vícios, mas patamares intransigentes acerca do suposto valor da troca sexual, seguindo uma linha linear de conduta e obsessiva perante o que a sociedade impõe. O problema maior é que tudo que se está colocando não é em função do companheirismo ou amizade, mas um palco macabro de dissimulação e teatralidade apenas em função da conquista, seja pela beleza ou aspecto econômico.
sábado, 3 de abril de 2010
O TIMIDO É O OPOSTO DO PERVERSO.....
TIPOS PSICOLÓGICOS DE NOSSA ATUALIDADE
O primeiro psicólogo da história a tentar defini-los (CARL GUSTAV JUNG) certamente sentiria um mal estar absoluto, pois seu modelo consistia em quatro tipos específicos: introvertido; extrovertido; colérico e fleumático.
O primeiro era resistente ao contato social,
o segundo era amplamente narcisista,
o terceiro encarnava o tipo agressivo,
e o último a frieza de sentimentos.
Transportando para nossa atualidade gostaria de expor ainda quatro tipos básicos: -
o perverso;
o tímido;
o autopunitivo
ou sabotador
o impulsivo-agressivo
. Obviamente estes não explicam o ser humano por completo, apenas é uma espécie de criar um quadro para o entendimento pessoal e social.
Em contrapartida ao tipo psicológico descrito temos o tímido, toda a ousadia do primeiro é totalmente negada no segundo; ao contrário do outro o tímido odeia desafios, principalmente quando sente que os mesmos serão um teste para sua auto-imagem, teme profundamente ser rejeitado, e não tem confiança alguma em seu potencial afetivo ou de conquista. Descrevi este tipo detalhadamente no decorrer de meus outros textos.
O tímido tenta tirar lucro de sua não participação, conhecendo e sendo um bom ouvinte do outro e retendo totalmente a fala sobre si próprio.
O histórico dessa patologia remete a diversos fatores constitucionais: falta de um ambiente familiar mais caloroso e afetivo, não reforço dos pais em relação aos ganhos pessoais da criança, e principalmente uma imagem depreciativa de seu lado físico e afetivo.
O tímido acredita ser incapaz de despertar a atenção alheia quando o tema central é sua pessoa. O fato que mais marcou minha atenção no estudo durante anos sobre tal tipo é algo que talvez não fosse muito percebido pela psicologia, a canalização de toda a energia reprimida das áreas citadas para a esfera material. É impressionante como comecei a notar que quase todo tímido era tremendamente bem sucedido na questão econômica, e achava um tanto estranho, já que a falta de sociabilização poderia ser um obstáculo para seu progresso. Mas tudo faz um tremendo sentido num mundo onde pouco importa vínculos, e sim máquinas, cálculos ou informática, o tímido é o senhor supremo do impessoal, sabe tirar um proveito mágico desse atalho que a sociedade oferece. Torna-se um cidadão exemplar, exatamente para jamais ser alvo do que mais teme que é a crítica.
Na verdade voltando a falar de espelhos da sociedade o tímido representa uma parte de nossa era, abdicação da emoção e motivação genuína, em troca rotina e caráter metódico. Cumprem perfeitamente todas as convenções sociais, seu núcleo é estar constantemente protegido, seja pelo lado econômico ou por se diluir na multidão solitária. Seu preço obviamente é a falta constante de uma inspiração criativa, que deleite seu sentido de vida.
O tímido pode ser encarado como aquele personagem descrito por WILHEM REICH em seu famoso livro “escute Zé ninguém”, como o homem moderno, submisso por completo aos ditames sociais, sem prazer verdadeiro, mero personagem, nunca diretor de sua peça de vida, o medo reina absoluto em seu cotidiano, acho que não preciso dizer mais nada.
Sobre a questão política colocada por REICH, o mesmo enfatizava que era o homem comum quem verdadeiramente impedia qualquer tipo de transformação. O que a maioria dos psicólogos sociais e sociólogos não perceberam é que a entropia do movimento político não se deu apenas pelo fim do chamado estado socialista, está é apenas uma parte do problema.
Na cena brasileira após o estado repressor assistimos o surgimento do totalitarismo do estado jurídico, sendo assim qualquer transgressão como greves ou coisa do tipo não só é punida com pesadas multas aos sindicatos, mas também a aniquilação de lideranças com sucessivos processos judiciais contra os mesmos, e numa sociedade em que ninguém tem disponibilidade de tempo para nada, tal medida é fatal contra qualquer rebelião. Percebam que se pensarmos no histórico de alguns movimentos, não era a ditadura que era temida, pelo contrário, era honroso lutar contra a mesma, fora o lucro político de tal fato, se não me engano boa parte de nossos políticos atuais foram militantes contra a ditadura. O estado sabe muito bem que uma tirania será quase de imediata respondida com ódio, seja a guerrilha ou protestos, mas a burocracia não, pois a função da mesma é justamente sufocar qualquer espírito. Estou dizendo isso, pois tal fenômeno explica a verdadeira timidez social em termos de qualquer mudança, tudo é imposto, e o indivíduo está desaparecendo nessa neblina burocrática, o resultado é o que já pontuei em outros textos, a transferência de um protesto social para transtornos psicológicos, obviamente que não estou explicando a origem destes apenas por tal evento, mas é parte de seu alicerce.
Não apenas a célebre frase de JOHN LENNON (“não confiem em ninguém depois dos trinta”), mas, principalmente a motivação e vontade morrem talvez após essa idade, e o que sobra é a busca de um conforto material paralisante e recheado do mais puro vazio, e todos sabem disso, mas estão completamente viciados, e vamos “tocando a vida”, esse é o fato. O incrível é que esse estado de direito impositivo burocrático acabou por ser a própria salvação da psicanálise, nunca a mesma esteve tão em voga, justamente pelo excesso de proibições na esfera pessoal, ou seja, o clássico conceito da repressão, chave mestra da teoria citada nunca andou tão em moda.
Antonio C.Araujo
psicoterapeuta
O PERVERSO CRESCEU NA CAUDA DA DECADENCIA DO LADO POLÍTICO E SOCIAL DE NOSSA SOCIEDADE MODERNA....
O TIPO PSICOLÓGICO-
O PERVERSO...
É sem dúvida alguma o grande líder da atualidade, não tem nenhum receio ou pudor para incrementar sua vaidade pessoal ou narcisismo, a despeito do sofrimento alheio.
É um orgulho fazer do mundo um palco ou museu 24 horas para expor suas perversões ou manias, sem nenhum senso crítico ou sentimento de culpa, o que vale é seu direito individualista para o gozo pessoal, independentemente se causará ou dano ao outro.
O perverso institui um tribunal de exceção, por não conseguir trabalhar a frustração, não admite em hipótese alguma perdas ou rejeições, é um ultraje alguém lhe impor regras ou limites, já que a coletividade segundo seu pensamento lhe é devedora eterna.
O perverso capitaliza na plenitude sua falta ou castração segundo os conceitos da psicanálise, não lhe é possível nenhum interdito, qualquer experiência tem de estar direcionado ao seu gozo íntimo, o outro deverá acatar com parcimônia sua posição de escravo referente ao desejo do mesmo, não pode haver protesto ou rebelião, o perverso é o fundador de um estado totalitário no campo sexual e afetivo, sua tirania não é a aniquilação do outro, mas a completa subserviência perante seus desejos.
O perverso se acha o pioneiro e o mais criativo na arte do gozo, tem a certeza de uma criatividade única nesse terreno, não aceita competidores apenas pessoas que possam incrementar suas crenças fantasiosas.
Ele é único, um resquício de uma monarquia no terreno sexual, engrandecendo sua soberba e egoísmo citados.
É seu direito ser único na arte de transgredir, rechaçar o amor em nome de uma eterna experimentação de gozos.
A sociedade é seu laboratório para a masturbação.
.O perverso não deixa de ser um fronteiriço entre a neurose e psicose, vive a primeira em suas relações profissionais.
E a segunda na sexualidade, não apenas por causa da falta de limites, mas pela absoluta frieza que passa para seus parceiros.
. Outra analogia a fazer é com o drogado que se queixa do seu problema, procura muitas vezes o tratamento com a plena certeza de que jamais largará seu vício, no máximo deseja obter um mínimo de controle, e esta é exatamente a contradição dos dois tipos, criaram um plano inconsciente onde jamais pode haver tal controle ou interdito.
É mais do que evidente dizer que falar em cura nesses casos é pouquíssimo provável, o que sempre lançou um desafio enorme para a psicologia e psiquiatria, como lidar com esse tipo psicológico.
O que me espanta é que nunca houve um estudo de caso longo, ou seja, como um perverso de 30 anos atrás se posiciona hoje quando arrefeceu seu instinto sexual?
Percebam como seria útil a observação clínica de um caso desse tipo, houve sublimação com o tempo, após a derrocada da sexualidade, se instalou a profunda depressão, houve tentativas se suicídio, toda a energia foi talvez transportada para o lado material?
O perverso cresceu na cauda da decadência do lado político e social de nossa sociedade moderna, não deixa de ser um grande espelho da mesma, o que vale é uma satisfação imediata e narcísica sem o menor compromisso sentimental ou afetivo, a palavra mais distante do dicionário do perverso É...... O AMOR...
Antonio Carlos Araujo
psicologo
Penso que vivem melhor aquelas pessoas que sentem menos desejo.
:
Como explicar a conduta de uma pessoa gulosa, que adora comer e que mastiga pouco, mantém pouco tempo o alimento na boca - que é onde se sente o paladar do alimento - e engole tudo o mais rápido possível?
Porque pessoas que "curtem" tanto o sexo têm tanta pressa de terminar o ato, tanta preocupação com a ejaculação ou o orgasmo, quando o legal seria vivenciar longamente a excitação e o prazer que ela determina?
Resposta
: É curioso observar que temos uma atitude dúbia em relação aos prazeres em geral: buscamos chegar neles de forma intensíssima e depois parece que temos um certo medo de exagerar no seu usufruto. É como se uma cota muito grande de prazer nos estivesse sendo negada, como se fosse pecaminoso usufruir demais das delícias da vida material, especialmente os prazeres do corpo - que talvez sejam exatamente os que mais gostamos. Temos medo que uma dose excessiva de satisfação e alegria venha a nos trazer dissabores em seguida. Somos vítimas de um pensamento supersticioso, gerado no âmago de nossa vida íntima e desde muito cedo, segundo o qual uma grande alegria aumenta as chances de que algo de negativo aconteça. Assim, tendemos sempre a buscar o prazer e também a fugir dele. Na prática, ao nos depararmos com a satisfação grande, fazemos com que ela dure um tempo pequeno, o tempo que somos capazes de tolerar sem nos assustarmos demais e não ficarmos com medo de que algo negativo venha a nos acontecer imediatamente. Talvez essa seja a causa de alguns maus hábitos, segundo os quais fazemos com que nossa qualidade de vida seja um tanto inferior àquela que poderia ser. A verdade é que temos medo de um excesso de felicidade, medo de que nos traga conseqüências danosas. Assim sendo, dosamos nossos prazeres dentro daquilo que nos parece suportável e não tão ameaçador.
Numa época em que as pessoas em geral, e os jovens em particular, têm acesso máximo à informação, a curiosidade e a inquietação intelectual não deveriam estar aumentadas? É o que está acontecendo?
Resposta:
De fato, é o que deveríamos esperar. As pessoas hoje têm na televisão, por exemplo, uma fonte muito grande e agradável de informações. A televisão ocupa o lugar central na grande maioria das salas de estar das casas brasileiras. A maior parte da população gasta mais de 20 horas por semana diante dela. Acontece que seu efeito é exatamente o oposto: parece que hipnotiza, que torna as pessoas preguiçosas para pensar, que aceitaram de se entreter de uma forma passiva, apenas recebendo aquelas imagens e sons sem nenhuma crítica, sem nenhuma reflexão.
O resultado parece nos encaminhar na direção da falta de disposição para qualquer tipo de esforço ativo, como é o caso da leitura de um artigo mais comprido em uma revista. A leitura de um livro parece se tornar uma tarefa quase impossível, pois requer esforço ativo, concentração grande - sim, porque se a pessoa se distrai por um momento tem que voltar até o ponto em que estava prestando atenção. Na televisão, as distrações nem sequer são notadas, pois tudo caminha por conta própria e a pessoa pega o fio da meada mais adiante sem esforço. O que tem acontecido é péssimo, pois são inúmeros os jovens que hoje não desenvolveram atenção e concentração suficientes para poderem desenvolver um forte interesse.
Temos uma geração de apáticos, preguiçosos e que se sentam passivamente horas a fio diante da telinha.
Vejam a ironia e o curioso da vida: o videogame e os jogos interativos da Internet parecem ser os responsáveis pela interrupção desse ciclo terrível.
Neles os participantes têm que atuar, coisa que não vinham fazendo há décadas! Têm que prestar atenção e a distração poderá ser fatal. Têm que voltar a se interessar ativamente, o que parece ser a retomada de vida inteligente em nosso planeta. O que parecia uma atividade improdutiva e ainda mais alienante vem se transformando em instrumento para acabar com a letargia de toda uma geração.
Vivemos numa cultura que nos estimula a sentir um grande número de desejos e nos ensina que desejar, e de forma intensa, é uma coisa boa.
Será isso verdade?
As pessoas portadoras de desejos fortes levam uma vida mais gratificante e são mais felizes?
Resposta:
Não deixa de ser curioso que tenhamos acreditado nisso. Afinal de contas, estar desejando corresponde a um estado de incompletude, de insatisfação pelo fato de que algo nos falta. Talvez a única exceção seja o desejo sexual, onde a inquietação que ele provoca pode ser sentido como agradável, como algo que provoca a sensação de excitação, um desequilíbrio que é temporariamente agradável. Agora, todos os outros desejos, tanto os de natureza física - fome, sede, frio, etc - como os relacionados com anseios criados pela cultura em que vivemos - desejo de possuir algum bem material, de usufruir de algum tipo de privilégio, de ser famoso, etc - só podem gerar insatisfação, frustração e tristeza. Somos ensinados a desejar porque aprendemos que, ao nos sentirmos frustrados, ganhamos uma força e uma energia extra no sentido de perseguirmos aquilo que queremos muito ter ou ser. Isso pode ativar nossa garra e competitividade, mas gera uma insatisfação muito prolongada, muito maior do que o prazer que experimentaremos quando formos capazes de satisfazer nossa vontade.
O mais grave é que a sociedade está sempre criando novos objetos de desejo, de modo que quando pensamos que temos tudo, algo novo parece essencial à nossa felicidade.
Penso que vivem melhor aquelas pessoas que sentem menos desejo.
Penso que o próprio desejo sexual não deveria ser estimulado ao máximo e a satisfação desse desejo não deveria ter se transformado em mais um motivo de orgulho e de competição - sendo vencedor aquele que consegue efetivar mais vezes o contato físico capaz de resolver o desejo.
Penso mesmo que muito melhor do que ter muitos desejos, e conseguir realizá-los graças a esforços enormes, é não desejar tanto, é se satisfazer com o parceiro sexual que se tem - desde que seja bom, é claro - e com os bens materiais que conseguimos obter sem que tenhamos que nos sacrificar tanto.
DR. FLAVIO GIKOVTE
Como explicar a conduta de uma pessoa gulosa, que adora comer e que mastiga pouco, mantém pouco tempo o alimento na boca - que é onde se sente o paladar do alimento - e engole tudo o mais rápido possível?
Porque pessoas que "curtem" tanto o sexo têm tanta pressa de terminar o ato, tanta preocupação com a ejaculação ou o orgasmo, quando o legal seria vivenciar longamente a excitação e o prazer que ela determina?
Resposta
: É curioso observar que temos uma atitude dúbia em relação aos prazeres em geral: buscamos chegar neles de forma intensíssima e depois parece que temos um certo medo de exagerar no seu usufruto. É como se uma cota muito grande de prazer nos estivesse sendo negada, como se fosse pecaminoso usufruir demais das delícias da vida material, especialmente os prazeres do corpo - que talvez sejam exatamente os que mais gostamos. Temos medo que uma dose excessiva de satisfação e alegria venha a nos trazer dissabores em seguida. Somos vítimas de um pensamento supersticioso, gerado no âmago de nossa vida íntima e desde muito cedo, segundo o qual uma grande alegria aumenta as chances de que algo de negativo aconteça. Assim, tendemos sempre a buscar o prazer e também a fugir dele. Na prática, ao nos depararmos com a satisfação grande, fazemos com que ela dure um tempo pequeno, o tempo que somos capazes de tolerar sem nos assustarmos demais e não ficarmos com medo de que algo negativo venha a nos acontecer imediatamente. Talvez essa seja a causa de alguns maus hábitos, segundo os quais fazemos com que nossa qualidade de vida seja um tanto inferior àquela que poderia ser. A verdade é que temos medo de um excesso de felicidade, medo de que nos traga conseqüências danosas. Assim sendo, dosamos nossos prazeres dentro daquilo que nos parece suportável e não tão ameaçador.
Numa época em que as pessoas em geral, e os jovens em particular, têm acesso máximo à informação, a curiosidade e a inquietação intelectual não deveriam estar aumentadas? É o que está acontecendo?
Resposta:
De fato, é o que deveríamos esperar. As pessoas hoje têm na televisão, por exemplo, uma fonte muito grande e agradável de informações. A televisão ocupa o lugar central na grande maioria das salas de estar das casas brasileiras. A maior parte da população gasta mais de 20 horas por semana diante dela. Acontece que seu efeito é exatamente o oposto: parece que hipnotiza, que torna as pessoas preguiçosas para pensar, que aceitaram de se entreter de uma forma passiva, apenas recebendo aquelas imagens e sons sem nenhuma crítica, sem nenhuma reflexão.
O resultado parece nos encaminhar na direção da falta de disposição para qualquer tipo de esforço ativo, como é o caso da leitura de um artigo mais comprido em uma revista. A leitura de um livro parece se tornar uma tarefa quase impossível, pois requer esforço ativo, concentração grande - sim, porque se a pessoa se distrai por um momento tem que voltar até o ponto em que estava prestando atenção. Na televisão, as distrações nem sequer são notadas, pois tudo caminha por conta própria e a pessoa pega o fio da meada mais adiante sem esforço. O que tem acontecido é péssimo, pois são inúmeros os jovens que hoje não desenvolveram atenção e concentração suficientes para poderem desenvolver um forte interesse.
Temos uma geração de apáticos, preguiçosos e que se sentam passivamente horas a fio diante da telinha.
Vejam a ironia e o curioso da vida: o videogame e os jogos interativos da Internet parecem ser os responsáveis pela interrupção desse ciclo terrível.
Neles os participantes têm que atuar, coisa que não vinham fazendo há décadas! Têm que prestar atenção e a distração poderá ser fatal. Têm que voltar a se interessar ativamente, o que parece ser a retomada de vida inteligente em nosso planeta. O que parecia uma atividade improdutiva e ainda mais alienante vem se transformando em instrumento para acabar com a letargia de toda uma geração.
Vivemos numa cultura que nos estimula a sentir um grande número de desejos e nos ensina que desejar, e de forma intensa, é uma coisa boa.
Será isso verdade?
As pessoas portadoras de desejos fortes levam uma vida mais gratificante e são mais felizes?
Resposta:
Não deixa de ser curioso que tenhamos acreditado nisso. Afinal de contas, estar desejando corresponde a um estado de incompletude, de insatisfação pelo fato de que algo nos falta. Talvez a única exceção seja o desejo sexual, onde a inquietação que ele provoca pode ser sentido como agradável, como algo que provoca a sensação de excitação, um desequilíbrio que é temporariamente agradável. Agora, todos os outros desejos, tanto os de natureza física - fome, sede, frio, etc - como os relacionados com anseios criados pela cultura em que vivemos - desejo de possuir algum bem material, de usufruir de algum tipo de privilégio, de ser famoso, etc - só podem gerar insatisfação, frustração e tristeza. Somos ensinados a desejar porque aprendemos que, ao nos sentirmos frustrados, ganhamos uma força e uma energia extra no sentido de perseguirmos aquilo que queremos muito ter ou ser. Isso pode ativar nossa garra e competitividade, mas gera uma insatisfação muito prolongada, muito maior do que o prazer que experimentaremos quando formos capazes de satisfazer nossa vontade.
O mais grave é que a sociedade está sempre criando novos objetos de desejo, de modo que quando pensamos que temos tudo, algo novo parece essencial à nossa felicidade.
Penso que vivem melhor aquelas pessoas que sentem menos desejo.
Penso que o próprio desejo sexual não deveria ser estimulado ao máximo e a satisfação desse desejo não deveria ter se transformado em mais um motivo de orgulho e de competição - sendo vencedor aquele que consegue efetivar mais vezes o contato físico capaz de resolver o desejo.
Penso mesmo que muito melhor do que ter muitos desejos, e conseguir realizá-los graças a esforços enormes, é não desejar tanto, é se satisfazer com o parceiro sexual que se tem - desde que seja bom, é claro - e com os bens materiais que conseguimos obter sem que tenhamos que nos sacrificar tanto.
DR. FLAVIO GIKOVTE
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