quinta-feira, 13 de maio de 2010

VOCE PREFERE OS OBEDIENTES OU OS REBELDES?

Os pais preferem lidar com um filho revoltado a imaginar que ele tenha uma vida servil..





VOLTEI AO presídio feminino do Butantã, em São Paulo, para ser jurado de um concurso de miss atrás das grades, com três premiações: Miss Cultura, Miss Simpatia e Miss Beleza.


No concurso de beleza, a administração decidiu que seriam premiadas cinco mulheres, sem hierarquia. Foi uma ótima ideia. A eleição de uma miss sempre deixa a impressão de que exista um único cânone de beleza. De fato, as cinco mulheres premiadas eram bonitas de maneiras muito diferentes. Mas, sobre a diversidade da beleza, escreverei outro dia.
No concurso de Miss Simpatia, o júri só podia se deixar contaminar pela torcida da plateia. Afinal, simpatia é também saber conquistar amizades, muitas amizades.



Mas vamos ao concurso de Miss Cultura. Cada uma das sete finalistas produziu uma redação sobre um dos temas que tinham sido propostos pelos organizadores. Nós, do júri, recebemos as redações, lemos, ponderamos e, no dia do concurso, escutamos as candidatas lendo seu texto e, eventualmente, respondendo às nossas perguntas.

Os próprios temas levaram as mulheres a falar de seus planos de futuro, do uso que elas fizeram ou fariam do tempo de detenção, do arrependimento, da saudade etc. Com isso, era quase inevitável que as considerações das concorrentes fossem sempre muito próximas ao que a sociedade espera que um detento pense e declare. Mas, cuidado, não há crítica alguma nessa minha observação, até porque nada do que as candidatas escreveram soava fingido.

Então qual é o meu problema? Eu preferiria que as candidatas se mostrassem revoltadas e agressivas? Claro que não. No entanto, ao ler as redações, eu me preocupava, paradoxalmente, com a rebeldia das autoras, como se ela fosse uma qualidade que não poderia se perder, que, mesmo numa penitenciária, deveria ser preservada. Que loucura é essa?

Pois bem, é uma loucura absolutamente banal, uma loucura própria de nossa cultura. Se não fosse por ela, aliás, a tarefa dos pais e dos educadores seria imensamente mais fácil. Explico.
Todos queremos que filhos ou alunos respeitem nossa autoridade. Agora, todos também consideramos que nossa tarefa de pais ou educadores só será cumprida quando filhos e alunos pensarem por conta própria, ou seja, quando eles sejam capazes de desconsiderar nossos conselhos e desobedecer a nossas ordens.

Seria cômodo se, como nas sociedades tradicionais, a gente dispusesse de ritos de passagem sancionando a entrada na idade adulta: aos 15 anos e um dia, saia sozinho pela savana, armado de uma lança, e só volte tendo matado seu primeiro leão. A partir de então, você será autônomo.
Infelizmente, para nós, o tempo de se tornar adulto se estende sem limites definidos: não sabemos quando ele acaba e, mais problemático ainda, não sabemos quando começa. Consequência: pais e educadores podem sofrer, exasperados pela rebeldia de moleques e meninas incontroláveis e, ao mesmo tempo, deliciar-se ao relatar as travessuras de filhos e alunos. Qualquer terapeuta já atendeu pais "desesperados" com a insubordinação dos filhos, mas que, de repente, abrem um sorriso extasiado na hora de contar "o horror" que é sua vida com esses descendentes que os desrespeitam.

Eis o problema que torna educar quase impossível, em nossa cultura: a autonomia, para nós, é um valor tão importante que ela precisa ser confirmada pela desobediência. Com isso, qualquer pai prefere, no fundo, lidar com um filho revoltado a imaginar que o filho possa ter uma vida servil e, portanto, medíocre.

Os santos mais respeitados são os que foram grandes pecadores e descrentes (Agostinho, Francisco, o próprio Paulo etc.). No imaginário cristão, aliás, uma conversão tem mais valor do que a fé de quem sempre acreditou. A parábola do pastor que deixa o rebanho para procurar a ovelha perdida sugere que, assim como a gente, talvez Deus prefira os rebeldes.

Uma anedota. Em maio de 1969, no átrio da Universidade de Genebra, junto com amigos anarquistas, eu distribuía panfletos criticando a iminente visita do papa à cidade.

Um professor, passando por nós, perguntou-me: "Será que o senhor tem uma autorização para distribuir esses panfletos?". Respondi imediatamente: "Senhor, tenho muito mais do que uma autorização, tenho uma proibição formal".

Fato coerente com o que acabo de argumentar, ele achou engraçada minha impertinência e deixou que continuássemos...
CONTARDO CALIGARIS
PSICANALISTA

MOMENTOS INESQUECÍVEIS-...... LAGO ESMERALDA- CANADA

ESTE LUGAR MARAVILHOSO É UM SANTUÁRIO... É DEUS PRESENTE...




O Canadá tem os mais lindos lagos do mundo.
localizados á uns 800 kms de Vancouver,..........fica dentro do Parque Nacional de Banff-
patrimônio da humanidade-Unesco 1985
No verão a luz do dia se estende até ás 23 horas
A cor verde das águas é devido à presença de minúscula particulas de rocha ,que flutuam no lago por causa da erosão.E é de uma transparência
fantástica.
Vence quem pensa só o que precisa para vencer...

quarta-feira, 12 de maio de 2010

SÓ SEXO...



Tenho25 anos.
Minha vida sempre foi normal, cursei a universidade, consegui um bom trabalho e cresci intelectualmente. Tive bons namorados, mas de uns tempos pra cá as coisas estão mudando. Só me interesso por rapazes que nada têm a ver comigo. No começo, fantasio coisas boas.
Depois, percebo que só querem sexo e os satisfaço.
Sou uma fonte para eles. O problema é que eu busco o carinho nessas relações e não encontro.
Saio, sou paquerada, mas não tenho vontade de ficar com ninguém.
Volto para os antigos, com quem faço sexo sem compromisso e sem a necessidade de conquista.
Isso já dura dois anos e eu não consigo mudar essa situação.
Acho que só tenho sexo a oferecer e receber!!!
 Não consigo me abrir de nenhuma outra maneira para as pessoas.

Me ajude.


Resposta:-


A sua história me fez pensar na de Catherine Millet, cujo livro foi um grande sucesso. Nele, a autora conta que fez do sexo um refúgio para evitar olhares que a envergonhavam e diálogos para os quais não estava preparada.
Diz que respondia a qualquer proposta e estava sempre disponível, “por todas as aberturas do corpo e em toda a extensão da consciência”.
Cita no livro comentários de parceiros que eu reproduzo para clarificar a experiência dela:


- “Você nunca dizia não, não recusava nada.”


- “Você não era inerte, mas tampouco demonstrativa.”


- “Você fazia as coisas com naturalidade, nem reticente e nem obcecada.”


- “Na orgia, você era sempre a primeira a começar, estava sempre na proa…”


Como você, Catherine Millet poderia dizer que só tem sexo a oferecer e receber, mas ela não usaria três exclamações no final da frase. Viveu a experiência dela com naturalidade por ter se reconhecido na cultura libertina francesa e ser uma heroína da libertinagem antes de ter se tornado uma heroína da literatura.


Acho que você usa as exclamações por dois motivos. Primeiro, porque nós não temos a cultura da libertinagem e a sua experiência te escandaliza. Segundo, porque a relação só de sexo não é o que você quer. Mas, se é como objeto sexual que você se apresenta e estabelece a relação, esta obviamente só pode se limitar a sexo.


Para sair da situação em que você se encontra, precisa descobrir por que só pode se apresentar como objeto do gozo alheio e não como quem deseja ser amada. Nessa posição, você precisaria oferecer a sua falta e teria que abrir mão do narcisismo.


Por Betty Milan
Psicanalista e escritora e colunista da revista veja.
extraído da revista veja desta semana.

QUEM AMA QUER FAZER A DIFERENÇA NA VIDA DO AMADO.

O individualismo não combina com o amor.


 Quando duas pessoas se amam é

impossível uma não se envolver com a vida da outra, apoiando-a


ou desafiando-a, conforme as necessidades, para que possam evoluir juntas.


Trata-se, é claro, de um processo de mão dupla, que não pode ser visto como invasão ou cobrança.


 Afinal, quem ama quer fazer diferença na vida de seu amor.

ARRANCANDO OS CABELOS...MANIA OU DOENÇA?



A tricotilomania é um distúrbio caracterizado por arrancar cabelos sem fins estéticos.

As pessoas que padecem destes distúrbio têm um défice no controle dos impulsos e fazem-no numa tentativa de controlo do nervosismo e ansiedade.

Os casos diferem quanto à severidade, podendo passar apenas pelo enrolar dos cabelos no dedo para depois os puxar, havendo ainda quem fique calvo ou com grandes falhas no couro cabeludo.

O acto em si costuma ocorrer em situações isoladas, ou na presença de pessoas conhecidas.

Casos hão em que os pacientes chegam a ingerir próprios cabelos (tricotilofagia), situação considerada gravíssima, pois levará à formação de uma espécie de ‘bola de pêlo’ no estômago.

Na população geral, a tricotilomania é mais frequente nas mulheres do que nos homens, e o início mais frequente é na infância ou adolescência.

Esta patologia pode ser transitória, episódica ou contínua. Isto é, a pessoa pode passar semanas ou meses sem apresentar esse comportamento e, repentinamente, recomeçar tudo de novo. O carácter pode ser crónico.

Existe a possibilidade de tratamento, e é importante a procura de uma profissional especializado, pois grande parte das vezes estas pessoas são marginalizadas pelos que as rodeiam, devido à falta de entendimento, alegando que as vítimas estão fora de si.

A reclusão social é frequente, e não raras vezes por detrás da doença existe um quadro de depressão e ansiedade.

Estudos indicam que as terapias psicoterápicas costumam ter uma eficácia que ronda os 60%, contudo as melhoras são graduais e o processo, dependendo do caso, pode necessitar de um acompanhamento entre um a dois anos.


É importante alertar todas as pessoas que sofrem deste distúrbio tenham coragem para o revelar e procurar ajuda.

Existe um forte estigma envolto dele, mas, na verdade, trata-se de uma doença como outra qualquer.
Manda quem não sente. Vence quem pensa só o que precisa para vencer...

terça-feira, 11 de maio de 2010

AH!!! O AMOR....

Amo como ama o amor.
 Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?



Fernando Pessoa

TODOS NÓS PRECISAMOS NOS SENTIR ESPECIAIS...

Para durar, o amor deve ser um constante exercício de conquista.

Enganam-se as pessoas que pensam que o casamento é hora de sossegar, que a sedimentação da relação garante, por si só, a sua sobrevivência. Se não for cultivado diariamente, com pequenos e também grandes gestos de atenção, o relacionamento se acomoda, o sexo esfria, o entusiasmo vai embora. A disposição para o cuidado com o outro é que mantém a chama acesa.


Tudo começa movido pelo elemento fogo: é paixão! Arrebatadora! Corações em brasa, corpos ardentes, disponibilidade total, olhares enamorados, admiração mútua... Uma beleza! Ele e ela foram bem-sucedidos na conquista e entendem que o amor se instalou inexoravelmente. Casam-se, então, e, no momento em que firmam esse compromisso, tornam-se irremediavelmente "felizes para sempre"!

Com o passar do tempo, o fogo abranda e o gráfico da paixão ameaça raspar na base do papel. O entusiasmo arrefece, o envolvimento se afrouxa, o olhar já não pousa sobre os olhos do outro. Os beijos já não são ardentes e dão lugar a protocolares bicotas. O sexo deixa de ser tão frequente, parece não suscitar o mesmo élan. E a motivação para os programas a dois diminui. A vida é assim, certo?

Errado. E o erro está em acreditar que a manutenção de um casamento - e do fogo, claro - seja algo automático, que deveria decorrer naturalmente do simples fato de a relação ter-se sedimentado.

Uma relação amorosa é um grande desafio. O jogo começa quando se pensa que terminou (com a efetivação da união). Não se sustentará, a menos que seja vivido como um constante exercício de conquista. Amor é labor. E há de ser assim, ou perecerá.

Nada na vida funciona bem, a menos que se renove. O banho precisa ser tomado com cuidado todos os dias. O alimento precisa ser preparado novamente, com o mesmo capricho. O filho precisa ser levado a dormir e deverá ouvir um conto de fadas, de novo e de novo, todos os dias, ou não se estruturará como sujeito íntegro, com fé na vida e capaz de, a exemplo dos pais, saber renová-la a cada dia, em todos os instantes de seu futuro.

A renovação da conquista é tão importante quanto reafirmar a escolha amorosa. Nenhuma dessas duas coisas se pode pressupor como automaticamente presente, ou natural em uma relação. Para que uma casa fique firme, é preciso construir as paredes, tijolo por tijolo, instalar o telhado, telha por telha, cuidar do acabamento e, finalmente, não deixar de lado a manutenção. Se a casa da união não recebe a energia cuidadosa de quem a botou no mundo, tende a "adoecer" e pode ruir.





Para conquistar o parceiro, a parceira, tudo de que se necessita é disposição pessoal para o cuidado.
Regar a planta, remover as ervas daninhas, nutrir. A saladinha de alface com tomate de todos os dias pode ser enfeitada com estrelas de carambola, ou com iscas de pêssego. Pode ser servida em travessas diferentes, com alguma arte. Ele - ou ela - perceberá o cuidado, experimentará gratidão e verá renovar-se no peito o bem querer. Quando chegar em casa à noite e for tomar o seu banho, ele pode fazer a barba uma vez mais; ela apreciará o gesto. Ela pode escolher a roupa que vai vestir, em lugar de aproveitar aquela camisetinha básica "que nem estava cheirando a usada"; ele saberá.

Quando um percebe que foi considerado pelo outro - e geralmente o significado disso está em que um cuidado foi tomado e um tempo de dedicação foi empregado -, isso é o que basta para que se renove o sentimento de bom gosto na escolha de parceria! "Ah, como é bom meu amor importar-se comigo e tratar bem de mim". A chama amorosa se renova e dá sustentação à continuidade e ao crescimento do vínculo e do prazer de vivê-lo.

DEVAGAR QUASE PARANDO....




A preguiça é a pouca ou falta de disposição ou aversão ao trabalho, demora ou lentidão para fazer qualquer coisa.
É o tédio ou a tristeza em relação aos bens interiores e espirituais.
É um aborrecimento natural pelo trabalho no dia-a-dia, se o mesmo não tiver seu esforço recompensado.


Este sentimento faz com que as pessoas desqualifiquem os problemas e a possibilidade de solução.
A preguiça não se resume na preguiça física, mas também na preguiça de pensar, sentir e agir.
A crença básica da preguiça é "Não necessito aprender nada", levando a um movimento limitador das idéias e ações no cotidiano e traduzido pelo "deixa para depois".
A origem da palavra vem do hebraico: atsêl, que pode ser traduzida por lentidão ou indolência.
A preguiça é considerada pecado mortal ao se opor diretamente ao amor a Deus.


A característica básica da preguiça pode ser encontrada em pessoas que freqüentemente adiam compromissos, decisões, projetos, mudanças, ou até simples afazeres rotineiros, comprometendo o resultado desejado, com a justificativa de que não houve tempo, ou que irá realizar outro dia, mas que na verdade, tentam ocultar uma insegurança exagerada em sua própria capacidade de agir.

Utilizam-se do desânimo, esquecimento, como estratégia para fugir da necessidade de arregaçar as mangas e enfrentar a parte que lhes cabe realizar na vida. É como se sentissem imobilizadas perante à vida.


Fernando pessoa

segunda-feira, 10 de maio de 2010

APARANDO AS ARESTAS....



Casal que se ama de verdade usa as brigas para melhorar a relação
É comum se ouvir que casais que se amam não brigam.
Não é verdade.
As brigas podem ser enriquecedoras. Elas são uma forma de os parceiros mostrarem as suas características e seu potencial, manterem a privacidade e a individualidade.
Mas se eles se envolvem tanto na atividade de brigar que perdem de vista a união e o afeto mútuos, o amor corre perigo.


Não há receita para se manter uma relação feliz. Mas parceiros que se propõem a aprender e crescer juntos com certeza serão capazes de criar novas formas de lidar com as brigas e o entorno delas. Ao descobrir que nem sempre são desastrosas, podem até ser úteis, é provável que comecem a usá-las de maneira construtiva.


As brigas são perigosas quando o casal se envolve tanto na atividade de brigar - atacar, defender, instrumentar-se e arranjar argumentos - que perde de vista a união e o afeto mútuos. Essas com certeza são desnecessárias, inúteis, porém não inócuas, porque deixam sempre uma marca de dor, mágoa e desgaste na relação.






Em um relacionamento, as abrigas podem ser uma forma de os companheiros se fazerem conhecer, de mostrarem suas características e todo o seu potencial para o parceiro, de lutar para manter a privacidade,o espaço, a individualidade. São aspectos importantes e enriquecedores da união.


Evitar desentendimentos pode ser a principal causa de deterioração da relação e impedimento da intimidade. Se uma pessoa tem compulsão para evitá-los, está presa na mesma armadilha de outra que briga compulsivamente por qualquer detalhe. Como se trata de compulsão, as duas atitudes são mais fortes que o afeto e o espaço da união.


Para que uma briga seja útil, os parceiros precisam aprender a expressar a raiva sem atacar, destrutivamente, a união; não aplicar "golpes baixos"; não insultar; não desenterrar problemas antigos; não despejar sobre o companheiro queixas e frustrações acumuladas; expressar sentimentos, não acusações; fazer apenas críticas construtivas; ouvir e reconhecer o que o parceiro acabou de dizer, em vez de argumentar logo em contrário.


Depois de cada briga, ao baixar a poeira, os dois devem sentar-se para conversar e compreender o que ocorreu.
Assim, terão mais conhecimento de si e do outro, além de maior possibilidade de controle, a fim de evitar brigas estéreis.
O conhecimento de que cada um pode cometer erros e descontrolar-se vai ajudar ambos a se empenharem para se recuperar.
Isso pode ser feito por meio da conversa sobre o modo como os dois cometem erros e os efeitos que produzem.


Como as brigas são inevitáveis, o casal deve treinar a fim de buscar maneiras mais adequadas para elas. Uma forma é usar pequenas regras de funcionamento nessas ocasiões.
Algumas são:
não fazer perguntas usando "por quê", pois significa censurar, o que não ajuda em nada; procurar ater-se a um tema, sem se lembrar de outros que também atrapalham, já que isso tira o foco e desestrutura a questão em discussão; não trazer à tona assuntos do passado: o problema é o que ocorre agora, não o que poderia ou não ter havido em outros tempos; não interromper, dando chance à outra pessoa de terminar o seu pensamento.


Aspecto igualmente importante é que, nesses momentos, as pessoas deixam de lado muitas de suas máscaras sociais e aparecem mais suas verdadeiras características, tanto as melhores como as piores. Elas podem usar essa real fotografia de seu funcionamento para mapear o que poderia ser melhorado no aspecto comum e também no individual.


Sempre haverá alguma coisa para fazer um dos parceiros explodir. Portanto, em vez de se dedicar a evitar brigas, como se vê, é possível desenvolver a habilidade de se recobrar e de tirar proveito delas.
Assim como lavamos o corpo deveríamos lavar o destino, mudar de vida como mudamos de roupa — não para salvar a vida, como comemos e dormimos, mas por aquele respeito alheio por nós mesmos, a que propriamente chamamos asseio.


Fernando Pessoa - Livro do Desassossego

ENQUANTO...






"Enquanto não superarmos a ânsia do amor sem limites,


não podemos crescer emocionalmente.

Enquanto não


atravessarmos a dor de nossa própria solidão,


continuaremos a nos buscar em outras metades.


Para viver a dois, antes, é necessário ser um"


Fernando Pessoa

quinta-feira, 6 de maio de 2010

TENHO VONTADE DE PROCURÁ-LO ...MAIS FICO SEM GRAÇA...

Tenho 28 anos, sou casada, sem filhos.


 O que me traz aqui é uma dúvida cruel.
 Conheço meu marido há quase cinco anos e estou casada há dois. No início do namoro, éramos insaciáveis na cama.
 Não podíamos ficar a sós que...
já estávamos transando. Casamos e, depois disso, tudo mudou.


 É uma vez por semana, ou pior, cada 15 dias. Já passamos até um mês sem nada.
 Eu o amo e sei que ele me ama, mas não sei o que está acontecendo.


 Às vezes tenho vontade de procurá-lo, porém fico meio sem graça.


O problema é que a abstinência me faz lembrar de parceiros antigos e eu inclusive me pergunto onde posso achá-los para remoçar.


 Sei que meu marido não merece ser traído, ele é muito bom. Sei que ele não tem outra porque já investiguei.


O que eu faço?




RESPOSTA:-
O que me chamou a atenção no seu e-mail foi o “procurá-lo”.


Usualmente se emprega o verbo procurar para o ato de tomar a iniciativa sexual e ninguém estranha.


 O verbo, porém, ao dizer bem que um procura e o outro é procurado, indica duas posições subjetivas diferentes.
Quem procura está numa posição menos cômoda e narcisisticamente menos satisfatória do que o indivíduo procurado.
Tradicionalmente, esta segunda posição é a da mulher, que deve pairar indiferente no pedestal do qual ela só desce por amor.
 Será que você é presa a uma tradição que obriga a mulher a esperar?
Que tira a sua iniciativa desvalorizando o desejo dela?
Uma tradição que, num certo sentido, condena à traição porque só deixa a opção da fantasia.


O melhor seria você procurar o marido para falar de vocês dois, de como era, de como é e de como você gostaria que fosse.
 Se você o ama, sabe como se dirigir a ele porque o amor torna particularmente inteligente.
Considere, no entanto, a possibilidade da sua insatisfação não ser só sexual.
Tem a ver também com o amor, que não pode ser confundido com o sexo, mas se manifesta suntuosamente através dele, celebrando o corpo do amado e propiciando a este maneiras novas de se expressar e de existir.


São tantas as maneiras que elas foram repertoriadas pelos indianos no Kamasutra, um livro clássico porque o kama é, no hinduísmo, um dos três grandes móveis da ação humana. O seu equivalente entre nós ocidentais é Eros – o Deus do amor na Grécia e a pulsão sexual na Psicanálise.


Por Betty Milan

ESTUDOS CONFIRMAM BATER EM CRIANÇA AS TORNA MAIS AGRESSIVA.....

Os castigos físicos repetidos impostos a crianças de três anos levam, frequentemente, à agressividade aos cinco, segundo um estudo divulgado na capital americana.


Os resultados reforçam as conclusões de pesquisas anteriores segundo as quais as crianças que sofrem punições físicas têm quociente intelectual mais baixo e que os castigos frequentes estão ligados à ansiedade e a problemas maiores de conduta criminal ou violenta, depressão e consumo excessivo de álcool.


Cientistas acompanharam o comportamento de 2.500 mães em diferentes pontos dos Estados Unidos.


Quase a metade relatou que não havia castigado fisicamente seus filhos de três anos durante os últimos 30 dias, enquanto 27,9% admitiram que o fizeram em uma ou duas oportunidades e 26,5%, mais de duas vezes.


Dois anos mais tarde, as mães que haviam castigado os filhos com maior frequência reportaram nos filhos, já com cinco anos, maiores níveis de agressão, tais como os atos de gritar, brigar, destruir coisas, crueldade ou agressividade para com os outros.


"Há formas efetivas de disciplinar crianças além de impor castigos físicos", comentou a diretora do estudo, Catherine Taylor da Faculdade de Medicina da Universidade Tulane.


"A boa notícia é que se o pais evitarem bater em seus filhos, usando métodos efetivos, não físicos de disciplina, meninos e meninas têm mais possibilidades de serem mais saudáveis, de se comportarem melhor", acrescentou.


A Academia Americana de Pediatria recomenda castigos como o cancelamento de privilégios e medidas lógicas como retirar os brinquedos pelo restante do dia se a criança não os recolhe, por exemplo.


O estudo será publicado na edição de maio da revista "Pediatrics".


Fonte: Folha online

HOMENS CUIDADO!!!..MULHER BONITA FAZ MAL A SAÚDE....






Homens cuidado:-

ficar frente a frente com uma mulher bonita faz mal à saúde. É o que sugere um estudo de cientistas da Universidade de Valência, na Espanha. Os pesquisadores descobriram que, se um homem passa pelo menos cinco minutos ao lado de uma bela mulher, seu corpo acelera a produção do hormônio cortisol, que aumenta a pressão arterial e o nível de açúcar no sangue.

O cortisol é produzido pela glândula supra-renal quando uma pessoa encontra-se sob stress físico ou psicológico. A produção acelerada desse hormônio está relacionada a problemas cardíacos. O efeito "prejudicial" da mulher bonita é ampliado se o homem considera que ela é "muita areia para o seu caminhãozinho".

Durante a pesquisa, os cientistas examinaram o comportamento de 84 rapazes. Os voluntários recebiam um Sudoku para solucionar e eram, então, encaminhados a uma sala onde estavam um homem e uma mulher. Pouco tempo depois, a mulher deixou a sala. Sozinhos com outro homem, os voluntários não apresentaram quaisquer alterações nos níveis de cortisol. Já quando o homem deixou a sala e os rapazes ficaram sozinhos com a mulher, seus níveis do hormônio ficaram elevados.

"O estudo mostra que o nível de cortisol dos homens aumenta após um rápido contato de cinco minutos com uma mulher jovem e atraente", afirmaram os pesquisadores. Em pequenas doses, o cortisol pode ter efeito positivo, como um aumento das sensações de alerta e bem-estar. Em níveis mais altos, porém, o hormônio eleva o risco de diabetes, hipertensão, impotência sexual e ataque cardíaco.
JORNAL ONLINE O BONDE.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

FANTASIA........... SONHAR É O ANALGÉSICO DA VIDA.....

                                QUEM SABERIA PERDER?

Gostaria de falar um pouco sobre algo que nos acompanha ao longo de toda nossa vida.

Trata-se da fantasia e conseqüentemente da frustração!

Antes, porém, gostaria de esclarecer que a fantasia à que me refiro é a fantasia inconsciente presente em cada um de nós. Roteiro imaginário em que o sujeito está presente e que representa, de modo mais ou menos deformado pelos processos defensivos, a realização de um desejo e, em última análise, de um desejo inconsciente. (Dicionário de Psicanálise – Laplanche e Pontalis).

Fantasia é o MEU desejo de que tudo na vida aconteça da forma como EU quero! Pronto. Já podemos ter uma boa noção do que chamamos de fantasia.

Até aqui você pode estar concluindo que fantasia é algo ruim, e devemos então exterminá-la de nossa existência e pronto, tudo resolvido! Negativo!
A fantasia pode ser entendida como uma espécie de defesa, cujo objetivo é dar conta de uma ruptura ética em nosso desenvolvimento, ou seja, uma defesa contra nossas ansiedades.

Ansiedades estas que têm início ao nascer.

Imaginem um bebê, quentinho e protegido no útero da mãe, recebendo alimento, contando com a presença desta que lhe carrega em seu ventre todo o tempo, desenvolvendo-se dentro do que imaginamos ser uma sensação de plenitude, etc. De repente, escorrega por entre as pernas da mãe em direção ao mundo externo, arrancado do seu mundo quentinho e protegido, passando a sentir estranhas sensações corpóreas e desconhecidas como frio, fome, sede, despertando incertezas e medos que serão confirmados ou não, pela forma como o seu meio ambiente se apresentar.

Bem vindo à vida real!

De qualquer forma, algo é sentido como perdido. Aquela sensação perfeita, longe das intempéries da vida real foi perdida.

Aquela plenitude uterina....Nunca mais!

O mundo real se apresenta cheio de obstáculos, conflitos, frustrações, gerando medos e angustias, totalmente contrário do mundo outrora vivido sem nada disso, agora desejado e fantasiado.

É preciso fazer alguma coisa com estas sensações de medo e insegurança trazidas pela realidade. Um dos dois princípios que regem o funcionamento mental, segundo Freud, é o principio do prazer. Contrário do principio de realidade que aponta para a vida real, a atividade psíquica tem por objetivo evitar o desprazer e proporcionar o prazer.

Através de algo chamado recalque, tais ansiedades permanecerão escondidas no inconsciente, longe de nossa percepção consciente.
Mecanismos de defesas como onipotência, cisão, idealização, negação, são criados pelo aparelho psíquico para garantir que tais desprazeres mantenham-se afastados.
São estes mecanismos que nos garantem a ilusão de poder controlar o processo da vida, mantendo as frustrações afastadas, ou simplesmente negando-as, ou ainda idealizando grandes objetos que nos garantam a segurança.

Processos estes cuja utilidade é tornar a realidade suportável.

Assim, vivemos protegidos por armaduras rígidas, que nos protegem no combate diário contra o senhor desprazer.

Logo, passamos a viver uma realidade, recheada por fantasias que amenizam a dureza da vida.

Começamos a entender que o conceito de realidade é singular para cada ser vivo.

Único. Eu percebo a minha realidade através das minhas fantasias.

Viver somente na realidade seria algo impossível.
As fantasias tornam o viver mais ameno, satisfatório.

Fantasiar é sonhar.

E sonhar, é necessário.

Sonhar é o analgésico da vida. O desejo de realizar um sonho faz o ser evoluir em vários aspectos. O ser humano não se mantém na realidade sem o apoio dos sonhos e esperanças, ou melhor, dos desejos. Até aí tudo certo. Muitos sonhos e desejos devem ser realizados, afinal, são eles que nos impulsionam na direção da criatividade, proporcionando evolução, desenvolvimento, crescimento, etc.

No entanto, existe dentro de cada um, inconscientemente, o desejo de realização de um sonho maior.

Alcançar a plenitude! Aquela, outrora perdida.

O retorno ao estado pleno onde não exista a dor, a frustração, a fome, etc. Um estado somente de realizações e segurança.

A mesma segurança sentida um dia no útero materno. Um mundo pronto para atender a todas as demandas do ser.

Assim, eu passo a desejar que o mundo real atenda a estas demandas: um mundo pronto para me servir, me reconhecer, me agradar, me acolher, onde tudo TEM QUE SER DO JEITO QUE EU QUERO!

Este desejo torna-se o grande sonho.

Não um sonho qualquer, mas o sonho.

A realização de todos os meus problemas.

Sem ele, eu estarei no limbo da vida cruel e ordinária.

Com ele, estarei na plenitude. Na busca por este ideal inconsciente, ocorrerá um deslocamento para objetos e situações diversas, onde a plenitude ou esta sensação maior será agora sentida através da realização ou conquista de algo, que me faça sentir mesmo que temporariamente, vivendo em um mundo pleno.

É como se estes objetos agora denominados de objetos bons, garantissem certa segurança inconsciente diante das intempéries da vida.
Assim, por exemplo, um carro importado, um cargo alto na empresa, qualificações, MBA, etc, etc, etc, podem representar a plenitude, tornando-se um objeto bom, necessário para que certas pessoas sintam-se plenas, reforçando a fantasia de segurança e poder diante dos medos internos.

Até mesmo a escolha de uma profissão, pode vir junto com a promessa de uma vida plena.

Para piorar, pode vir mediante a fantasia do outro, projetada em cada um de nós.

Um médico certa vez virou-se para mim e disse: “Cheguei à conclusão de que me tornei médico, porque este era o desejo do meu pai”.

Além de criarmos nossas fantasias, ainda somos bombardeados pela fantasia do outro, ou seja, neste caso, o desejo do pai, que muitas vezes vive a sua fantasia realizada através de um filho.

No que tange aos relacionamentos amorosos, verificamos verdadeiros desastres regidos pela não compatibilidade entre as fantasias de cada um, uma vez que o parceiro(a), é aquele que deverá assumir a responsabilidade de levar o outro ao estado pleno, correspondendo ao desejo inconsciente.

É bastante comum escutarmos comentários como: “Quando nos casamos, ele era outra pessoa. Agora, tudo acabou”. Muitas vezes, nos casamos com nossas fantasias, sem perceber de fato o ser real por detrás daquele véu ilusório que criamos. É o chamado “sonho de princesa ou príncipe”, casar-se com um ser que nos ame, nos mantenha longe dos perigos reais e imaginários, nos assegure felicidade e riquezas, filhos, etc, etc, etc

. No entanto, quando a fantasia vai dando lugar para a realidade, e o príncipe deixa sua capa e cavalo branco de lado, tornando-se um ser humano real, o conto de fadas tende a acabar.

O parceiro até então escolhido não é mais sentido como aquele que seria capaz de resolver o problema interno do outro. Daí, pessoas partem para uma nova tentativa de realizar este desejo, este sonho.
Surge um novo parceiro, e com ele, a promessa de que desta vez, vai dar TUDO CERTO DA FORMA COMO EU QUERO!

Citando outro exemplo, quem nunca vibrou aguardando uma festa tão desejada, e depois de sua realização sentiu uma pontada de decepção? Claro, na imaginação, a festa sempre é perfeita, com a paquera perfeita, com todos os amigos desejados, etc.
Na fantasia, a festa já aconteceu plena, perfeita. Na realidade, basta aquele amigo faltar na festa para causar uma ponta de decepção, dizendo: Achei que seria mais legal! Não foi como havia imaginado!

Viver somente na fantasia é frustrante, pois nos impede de curtir o real, da forma como se apresenta diante de cada um de nós.

Recentemente, estava eu quase fechando negócio na compra de um imóvel, no bairro que sempre morei, na rua desejada, no andar perfeito, com a vista maravilhosa.
Infelizmente, não deu certo.
Entrei numa pequena depressão, e precisei da ajuda do meu analista para entender que estava vivendo na fantasia.
Era como se a cidade de São Paulo se resumisse somente ao bairro desejado.
Naquele momento, tinha a certeza de que não seria feliz em nenhum outro lugar.
O sonho havia acabado num simples telefonema.
Trabalhando com meu analista, percebi que aquele bairro, onde por sinal cresci, bem como aquele apartamento, representavam muito mais do que imaginava. Representavam um sonho.

Aquele sonho de alcançar a situação plena, onde tudo estaria resolvido na minha vida inconsciente. Um resgate ao meu passado, revivendo minha infância no hoje.
O apartamento, não era só um apartamento. Era o sonho que precisei dar conta no final. Foi preciso jogá-lo fora, pois na real, ele não traria de volta a sensação da plenitude, buscada na infância, na adolescência, e hoje na fase adulta.

Após viver o luto do sonho jogado fora, o apartamento passou a ser somente um bom apartamento num bairro muito legal. Mas foi preciso um certo trabalho para dar conta disso.
Jogar um sonho fora e viver seu luto é algo doloroso. Daí, nossas frustrações.
A plenitude não existe!
Muitas vezes quando não realizamos nossos desejos, não obtemos o carro, a casa, o cargo desejado, sentimos um imenso vazio, como se o grande sonho tivesse sido perdido.
Lembrando que este sonho já foi perdido há muito tempo, somente não nos demos conta. O objeto bom foi perdido. A fantasia foi perdida. Um projeto foi perdido. Caímos então na depressão.
Muitas vezes, reagimos com agressividade, carinhas feias, etc, dando verdadeiros showzinhos mimados, cada vez que o mundo não corresponde a nossa fantasia.
Falta de tolerância em lidar com frustrações. E na fantasia, é o mundo que está errado.
Melanie Klein denominou o estagio do desenvolvimento do ser, onde aprendemos a lidar com a perda deste “sonho” como posição depressiva. Neste estágio, aprendemos a tolerar as frustrações, a perda, vivenciar o luto, assumir responsabilidades diante da vida, lidar com sentimentos de culpa e desejo de reparação. No entanto, a passagem por esta posição nunca é devidamente concluída por nós.

Assistimos diariamente homens e mulheres serem lançados à depressão por não saberem lidar com suas perdas.
A vida não necessariamente se ajustará aos seus desejos da forma como você fantasiou!

Para encerrar, lembrei-me de uma música linda chamada “Quem saberia perder”, composta e cantada pela dupla Sá e Guarabira, cujo refrão diz: “Diga quem nunca levanta de noite querendo de volta o perdido”.
Quanto ao apartamento (sonho) que perdi, ainda tenho esperanças de que apareça outro (sonho) a venda naquele mesmo prédio, afinal, a esperança é a última que morre. Porém, ela morre um dia.
No entanto, como nossos queridos poetas cantam:

Quem saberia perder?

Sergio Rossoni é Psicanalista, Músico e Escritor

O desejo sexual masculino vive de mãos dadas com a agressividade...



Foram interessantes e diversificadas as manifestações dos participantes do fórum.

Parece que os homens não têm dúvidas sobre o poder sensual que as mulheres exercem sobre eles, e muitos acham que elas não são conscientes de sua força.

Eu tenho dúvidas acerca da ingenuidade feminina, mas vamos deixar isto para depois.

As mulheres continuam divididas em dois grupos: as que ficam aliviadas por não serem “anormais” – já que não sentem o desejo como hoje lhes é proposto – e aquelas que estão certas de que não há diferenças entre os sexos no que diz respeito ao funcionamento da sexualidade.

Estas últimas acreditam que eventuais dificuldades ainda existentes no modo de agir das mulheres são resíduos de uma época em que a educação repressiva as oprimia e limitava.

As primeiras acreditam que homens e mulheres são e serão diferentes do ponto de vista erótico.

O tempo irá mostrar quem está com a razão.
Reconheço que existiam – e ainda existem – enormes pressões sociais que definem um modo de ser próprio para os homens e outro para as mulheres.
Considero que estamos vivendo um processo de mudanças irreversíveis que certamente desembocarão em um estilo de vida “unissex”.
Reafirmo, porém, meu ponto de vista de que às diferenças anatômicas – óbvias – correspondem diferenças no funcionamento dos órgãos reprodutores e sexuais, e também do modo como sentimos a excitação, o desejo e as descargas orgásticas.

Penso que seria um raciocínio machista querer entender a sexualidade feminina tomando por base e referência o que acontece com os homens. Sim, porque o desejo das mulheres de se igualarem a eles equivale a dizer que elas os estão considerando como o padrão de referência e de superioridade.
Meu modo de pensar é outro:
gosto de tentar entender o que se passa dentro das mulheres sem levar para dentro delas minha mente masculina.
Quero tentar saber como elas sentem e não como eu me sentiria se estivesse no lugar delas.
Acho que temos de aprender a lidar melhor com as diferenças e não tentarmos igualar tudo. Cada pessoa é única, ímpar e não tem similar.

Se dois irmãos gêmeos univitelinos têm enormes diferenças psicológicas, que dizer de homens e mulheres?

Vamos tentar avançar um pouco na direção da hipótese que estou defendendo: a de que o desejo sexual está, em nossa sociedade, fortemente vinculado à agressividade.

Desta vez, tratarei apenas dos homens e de dois exemplos extremos.

O primeiro deles caracteriza o modo de ser dos machões conquistadores e sedutores.

Estes homens, que talvez correspondam a uma boa metade da população masculina, são ativos na abordagem das mulheres, insinuantes e muitas vezes inconvenientes.

Acham que “não existem mulheres honestas, apenas mal-cantadas.”

Quando se aproximam de alguma “gostosa”, emitem ruídos que são indicativos, ao mesmo tempo, de raiva e desejo.

Imitam sons próprios das relações sexuais, aspiram forte o ar entre dentes semi-cerrados.

Estando junto com outros homens, dirão, com aquela expressão facial de raiva e tesão e com os punhos cerrados, “olha aquela ‘goxtoosa’!”

A insistência deles faz bem à vaidade de muitas mulheres, que acabam aceitando sua abordagem.

O resto já é conhecido: falam tudo o que elas querem ouvir até conseguirem levá-las para a cama.

Depois disso desaparecem, adoram quando elas correm atrás deles e, sempre que podem, as humilham e rejeitam ao máximo.
Nada de muito romântico, a não ser algumas palavras mentirosas ditas para induzi-las ao ato sexual.

Não se satisfazem apenas com isso, de modo que é fundamental contar para os amigos que “eu comi a fulaninha.”
Estes homens assim grosseiros costumam ser muito dedicados aos seus amigos.

Adoram conversar com eles, passam horas em mesas de bar trocando idéias e conselhos, falando de negócios, futebol e, é claro, de mulheres – sempre com aquela postura de desdém e hostilidade, que não pode ter outra fonte que não a inveja.

Que outra razão além da inveja levaria muitos deles a, no carnaval, se vestir como mulheres?

O exemplo oposto é o dos homossexuais masculinos.

Estes se dão muito bem e são amigos das mulheres, o que é quase impossível para a maioria dos homens.

Não as desejam e não as hostilizam.

Muitos não têm nenhuma inveja delas, pois só um pequeno grupo de homossexuais gostaria de ser do sexo feminino – os travestis e aqueles excessivamente efeminados seriam o exemplo deste caso.

Os homossexuais masculinos raramente tiveram, durante a infância, problemas com suas mães.

Mais freqüentemente se indispuseram com pais violentos e que não compreendiam a maneira mais delicada deles se conduzirem.

Muitos foram objeto de chacota por parte dos colegas “machinhos” exatamente por força da mesma forma sensível e pouco agressiva de se comportarem.

Crescem e se tornam adolescentes com raiva dos homens que os humilharam.

O que acontece?

O desejo acompanha a raiva!

As práticas sexuais entre os homossexuais são, como regra, promíscuas e nada românticas.

Criaturas delicadas e requintadas na forma de viver o cotidiano se deliciam com os contextos eróticos mais grosseiros e sujos que se pode imaginar.
Homens sofisticados, artistas ou intelectuais de grande erudição fazem sexo com outros homens em banheiros públicos!

Os machões, que tanto assediam as mulheres, as desejam e as odeiam.

São amigos de verdade de outros homens, para os quais confidenciam inclusive suas fraquezas – o que é um importante sinal de desarmamento e confiança.

Os homossexuais desejam e odeiam os homens.

O relacionamento com eles é tenso e difícil fora do contexto erótico.

Para todos os outros fins que não os sexuais parece que preferem a amizade e a companhia das mulheres.

Esquisito, não?
Manifestem-se, falem de si, das pessoas que vocês conhecem. Dêem suas opiniões. Vamos trabalhar juntos para ver se conseguimos elucidar esta questão importantíssima para que homens e mulheres possam, um dia, vir a se amar e, ao mesmo tempo, se dar bem nas relações sexuais.
texto do psicanalista Flávio Gikovate

terça-feira, 4 de maio de 2010

MOMENTOS INESQUECIVEIS:- LAGO PEYTO NO CANADA

lake-louise - canadá





O Canadá tem os mais lindos lagos do mundo.
localizados á uns 800 kms de Vancouver,..........fica dentro do Parque Nacional de Banff-
patrimônio da humanidade-Unesco 1985
No verão a luz do dia se estende até ás 23 horas
A cor verde das águas é devido à presença de minúscula particulas de rocha ,que flutuam no lago por causa da erosão

GRITAMOS ..............PORQUE PERDEMOS A CALMA?





Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta aos seus discípulos:





'Porque é que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?'

 'Gritamos porque perdemos a calma', disse um deles. 'Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?' Questionou novamente o pensador. 'Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça', exclamou o outro discípulo.





E o mestre volta a perguntar:





'Então não é possível falar-lhe em voz baixa?'





Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador.





Então ele esclareceu:





'Vocês sabem porque se grita com uma pessoa que está aborrecida?'





O facto é que, quando as duas pessoas estão aborrecidas, os seus corações afastam-se muito.





Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente.

Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para se ouvirem um ao outro, através da grande distância.





Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão apaixonadas?





Elas não gritam. Falam suavemente.





E por quê?

Porque os seus corações estão muito perto.

A distância entre elas é pequena.

Às vezes os seus corações estão tão próximos, que nem falam, somente sussurram.

E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer de sussurrar, apenas se olham, e basta.

Os seus corações entendem-se. É isso é o que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.'





Por fim, o pensador conclui, dizendo:

'Quando vocês discutirem, não deixem que os vossos corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta'...
   M.GHANDI.

A VIDA ...

Já perdoei erros quase imperdoáveis,


Tentei substituir pessoas insubstituíveis e


Esquecer pessoas inesquecíveis.


Já fiz coisas por impulso,


Já me decepcionei com pessoas


Quando nunca pensei me decepcionar,


Mas também decepcionei alguém.


Já abracei pra proteger,


Já dei risada quando não podia,


Já fiz amigos eternos,


Já amei e fui amado,


Mas também


Já fui rejeitado.


Já fui amado e não soube amar.


Já chorei ouvindo música e vendo fotos,


Já liguei só pra escutar uma voz,


Já me apaixonei por um sorriso,


Já pensei que fosse morrer de tanta saudade e...


... Tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo)!


Mas sobrevivi!


E ainda vivo!


Não passo pela vida...


... E você também não deveria passar.


Viva!


Bom mesmo é ir a luta com determinação,


Abraçar a vida e viver com paixão,


Perder com classe e vencer com ousadia,


Porque o mundo pertence a quem se atreve e


A VIDA É MUITO


Para ser insignificante!


meus agradescimentos ao poeta
Augusto Branco.

SE A VIDA É UM PALCO AO INVÉS DE REPRESENTAR UM PERSONAGEM , DEVERÍAMOS APRENDER A DANÇAR!!!

                                           adoraria ter mais jogo de cintura....




Somos os atores de nós mesmos, por isso é que necessitamos saber com
clareza de que modo estamos atuando e sendo a cada instante, podendo assim desenvolver as nossas habilidades, tornando-nos os senhores criadores das nossas realidades com maior consciência, deixando de sermos autômatos conscienciais, ou seja, sem a percepção lúcida de nós mesmos.


A proposta é o agir de modo simultâneo, porém extremamente consciente, ora como participantes ativos inseridos dentro de um suposto contexto, ora como observadores, porém sem jamais nos perdermos novamente daquilo que somos em essência.








Ao longo dos nossos estudos, temos notado o importante auxílio, suporte e complementação que a Psicologia, têm oferecido.


A meditação também passa a ter importância definitiva no movimento de conhecimento e transformação pessoal.


 É por intermédio da meditação que a pessoa pode passar por alguns estágios em que seu complexo bioenergético fica totalmente ativado pela energia vital gerada e, de acordo com os nossos estudos, já sabemos que esta pessoa obterá um novo impulso que facilitará sobremaneira sua transformação pessoal em vários níveis; estando muito mais dinamizada e fortalecida para conseguir aprofundar-se em si mesma, podendo se transformar de modo mais autoconsciente e centrado.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

"INTUIÇÃO"....UM MESTRE DENTRO DE NÓS...


O HOMEM BUSCA GRADUAR-SE EM TODAS AS FORMAS POSSÍVEIS DE CURSOS,E ABARROTA O INTELECTO DE CONHECIMENTO,TUDO PELA SIMPLES RAZÃO DE MANTER A VIDA E GARANTIR SITUAÇÕES DE CONFORTO.ALGUNS POUCOS VISAM O BENEFÍCIO DA HUMANIDADE.NADA DE ERRADO QUANTO A META,MAS OS MÉTODOS TORNARIAM MAIS AGRADÁVEL O VIVER SE ELE TRILHASSE PELO CAMINHO MAIS FÁCIL,QUE O DE SEGUIR NÃO A VOZ DA MENTE CONSCIENTE MAS A DA "INTUIÇÃO".


MAS O SER HUMANO CARECE DE "AUTO-CONFIANÇA"


EXISTE UM MESTRE DENTRO DE NÓS QUE TEM A RESPOSTA PARA TODAS AS  NOSSAS INDAGAÇÕES,MAS, NÃO É UTILIZADO,E ASSIM 90%  DOS PODERES DO SER HUMANO SE DESPERDIÇAM E ELE ACABA UTILIZANDO SÓ 10%  OU MENOS.

SUA INTUIÇÃO É O SEU "EU"SUPERIOR MANIFESTANDO-SE,E ELE ESTA CONECTADO COM A GRANDE VIDA .A VERDADEIRA REALIDADE NÃO É O  QUE VÊEN OS NOSSOS OLHOS E  O QUE SENTEN OS NOSSOS SENTIDOS.

ILUMINADOS MESTRES QUE A HUMANIDADE CONHECEU VALERAN-SE DESSE PODER INCONSCIENTES -  O POÇO DE ÀGUAS PROFUNDAS E SILENCIOSAS DENTRO DELES ,A QUE SE PODE DAR O NOME DE DEUS INTERNO,OU O' 'REINO DENTRO DE VÓS" DE QUE FALOU JESUS.EINSTEIN,QUE ERA UM MÍSTICO,REVELOU:- PENSO NOVENTA E NOVE VEZES E NADA DESCUBRO;DEIXO DE PENSAR E MERGULHO EM PROFUNDO SILÊNCIO E EIS QUE A VERDADE ME REVELA.
DEVEMOS CONVERSAR A TODO INSTANTE COM A NOSSA INTUIÇÃO,FAZER-LHE PERGUNTAS QUE DESEJAMOS,COMO SE CÁRREGASSEMOS A TIRACOLO UM MESTRE DE MAGISTRAL SABEDORIA,SEMPRE DISPONÍVEL.
TIRACOLO NÃO É BEM O TERMO,PORQUE A VERDADE É ELE QUE NOS CARREGA.NOSSA CONFiRMAÇÃO FÍSICA É APENAS UMA EXTREMIDADE(E A MAIS BAIXA) DE NOSSO CORPO MULTIDIMENSIONAL,QUE É A NOSSA TOTALIDADE E ALCANÇA AS PROFUNDEZAS DO COSMOS.
POR ESSA RAZÃO É QUE TEMOS TODOS OS ATRIBUTOS DA SUPREMA INTELIGÊNCIA,EIS QUE A COMPOMOS,POR ISSO SOMOS GRANDES EM NOSSA ESSÊNCIA SUPRAFÌSICA ,QUE É A NOSSA VERDADE ÙNICA.
NADA DEVEMOS TEMER,....... SE VISITARMOS MAIS ASSIDÚAMENTEO SANTUÁRIO DENTRO DE NÓS MESMOS OUVINDO A VÓZ DE DEUS.


NÃO HÁ OUTRO LUGUAR ONDE POSSAMOS OUVI-LA.

Projeto Vênus parte 2

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas e esquecer os caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” 


  FERNANDO PESSOA

"Meu Amanhecer é lindo, se você comigo está!"

Homens e mulheres não podem esquecer que são capazes de amar...




A competitividade e o medo que marcaram as últimas décadas afastaram as pessoas do amor, deixaram-nas desconfiadas e controladas demais, reprimiram sua inteligência relacional. É hora de lutar por uma nova mudança de hábitos e valores, abrir corações e mentes para deixar circular a energia amorosa. Só assim será possível mudar a cultura e fazer um mundo melhor.


Precisamos de uma medida urgente: Roberto Carlos (68) e/ou Tom Jobim (19271994) "na veia", pelo amor de Deus!

 É indispensável renovarmos, resgatarmos a capacidade amorosa de que somos todos possuidores, mas que, por não ser trazida à consciência ou exercida com assiduidade, está arriscada a se atrofiar, ou a manifestar sua face mais terrível.


No campo amoroso, as últimas décadas têm sido marcadas pelo medo e seu expediente defensivo predileto:

 o controle.

 Sob essas circunstâncias, o amor fica impedido de cumprir seus desígnios:-
 capacitar as pessoas para os relacionamentos; abrir seus corações para o novo, a diversidade, a experiência; torná-las corajosas, capazes de correr riscos, confiantes; capacitá-las para a preservação do bom, do íntegro, do evolutivo; lembrá-las de que são potentes; preenchê-las de boa vontade e otimismo para lidar bem com conflitos; torná-las respeitosas para com o outro; deixá-las plenas de alegria e brilho no olhar; revelar sua fragilidade e, graças a isso, evidenciar sua imensa força; afrouxar as travas e as defesas habituais, deixando-as disponíveis, afáveis; capacitá-las para o relacionamento em todos os planos; dissolver sua rigidez e promover sua flexibilidade; aquecê-las; conferir-lhes dignidade, ética, urbanidade; sensualizá-las; despertar-lhes os sentidos e os sentimentos; revolucionar seus costumes e valores, transformando-os em atributos mais humanos, justos, inteligentes.


Deixei para o final da lista a inteligência, no intento de evidenciar que só o amor é capaz de suscitar nas pessoas um tipo de inteligência rara hoje:-

 a inteligência relacional, modalidade ética de Eros, em que o outro é visto como igual.

 Com ela, preserva-se a noção de simetria cooperadora e democrática. Essa posição contrasta com a inteligência cognitiva, cortical, mais valorizada numa sociedade competitiva como a nossa, que promove o poder, em especial no universo do trabalho.

Embora útil, esse conceito de inteligência perde eficácia quando se quer aplicá-lo ao campo relacional, amoroso.


Sejamos inteligentes relacionalmente, pois. Custa algum esforço, porque requer mudança de hábitos e valores, mas é viável e certamente contribuirá para a transformação da cultura.


As produções assinadas pelo Rei e por Tom discorrem sobre o exercício amoroso, sobre a comunicação no âmbito do amor e, o que talvez seja mais importante numa época tensa como a nossa, sobre o amor possível.


Por que deveria um parceiro dizer ao outro "Ai de você se inventar de chegar depois da quarta-feira", se ele pode dizer a"Meu manhecer é lindo, se você comigo está!" O que quer uma pessoa quando diz ao seu amor que não aguenta mais cobranças, quando pode declarar


"Eu sou apenas um pobre amador, apaixonado, um aprendiz do seu amor".


Faz enorme diferença grifar o bom, em lugar de enfatizar o ruim, afirmar algo a respeito de si mesmo, em vez de apontar ao outro o dedo em riste, com queixas, acusações e ameaças!

Convoco o leitor a assumir a mais revolucionária das posições: -

a amorosa.

 Somos todos responsáveis pelo presente que construímos e pelo futuro que se plantará sobre ele. Somos pais e mães, parceiros amorosos, participantes das ações que movem o mundo.

 Somos multiplicadores. Podemos escolher o que queremos ver amplificado no mundo.
* Alberto Lima, psicoterapeuta de orientação junguiana, é professor-doutor em Psicologia Clínica e autor de O Pai e a Psique (Editora Paulus) e

O MEDO ...




O medo é a jaula que nos impede de irmos aonde deveríamos, a distração da tranqüilidade e felicidade, é estar constantemente no passado, uma espécie de condicionamento que fala que jamais poderemos ousar outro destino. Achamos que nossos temores são um alerta, e através deles escolhemos sempre o mais cômodo, o menos arriscado, damos um total aval para a insatisfação, apenas por pensarmos que estaremos protegidos.

sábado, 1 de maio de 2010

O QUE AS MULHERES MAIS QUEREM?





OS ensinamentos da literatura para a nossa vida sentimental são infindáveis.
A título de exemplo, focalizo Os Contos de Canterbury, do inglês Geoffrey Chaucer, que deu origem ao filme do italiano Pier Paolo Pasolini.


Num dos contos, Chaucer não só aborda aquela que viria a ser uma das principais questões de Freud como lhe dá uma resposta da maior atualidade, o que é surpreendente tendo em vista que a obra foi escrita no século XIV. Chaucer conta a história de um rapaz que violou uma jovem e escapou da morte imediata graças à rainha. Ela decidiu que comutaria a pena capital se, no prazo de um ano, ele respondesse à seguinte pergunta:


"O que as mulheres mais querem?".


O rapaz, então, saiu pelo mundo propondo a questão a todas as mulheres, sem encontrar duas que lhe dissessem a mesma coisa. Até deparar com uma senhora que parecia ter mais de 100 anos e que lhe deu uma resposta convincente:


"O que as mulheres mais desejam é a liberdade.


Querem ser livres para fazer o que bem entenderem". Quando o rapaz reproduziu essa resposta para a rainha, o silêncio tomou conta do salão. Como nenhuma das mulheres presentes – solteiras, casadas ou viúvas – discordou dessa afirmativa, a pena de morte foi definitivamente suspensa.


O conto permanece moderno, pois encerra uma verdade que não é datada sobre o desejo feminino: ele é tão indissociável da liberdade quanto o masculino.
Esse é o motivo pelo qual só há entendimento verdadeiro entre os dois sexos quando o fato de um ser livre é decisivo para o outro.


Nesse caso, e só nele, existe a afinidade sentimental verdadeira.
"Vá em frente, não tenha medo, faça o que você quer"
é a fala amorosa que deveria uni-los. E um caminho, assim, poderia ser trilhado sem maiores "percalços".


A psicanalista e escritora Betty Milan assina a coluna Consultório Sentimental em VEJA.com.

CADA UM CONSTRÓI A SUA ÉTICA.... ... ...

A ética no amor já não é a mesma para todos.
 Cada um elabora a sua.
O código individual é construído a partir da educação, dos próprios desejos e de determinados sentimentos. Para alguns, ser ético é obedecer aos instintos e não se reprimir, por exemplo, diante de uma forte atração sexual, ainda que ela surja fora da relação amorosa.
Para outros, a infidelidade é inadmissível.


 Quando duas pessoas assim se amam, o confronto é inevitável.


Os pensadores da atualidade chamam a atenção para uma mudança fundamental na mentalidade humana. No passado, acreditava-se em princípios universais que, mesmo transgredidos, eram aceitos por todos em uma cultura. A pessoa, ao transgredir, sabia estar indo de encontro à Verdade de seu grupo.


Hoje temos uma dispersão da Verdade. Cada um constrói sua ética e tenta agir de acordo com ela.


 A elaboração dessa ética varia de pessoa para pessoa.
Nela se misturam mandatos advindos da educação, da realização dos desejos próprios e de um cuidado com os outros, seja por amor, seja por convicção filosófica. Não estou falando de elaboração consciente, que pode existir, ou se manifestar em algum instante, mas de uma forma não-consciente de agir.


Muitas vezes a ética explícita não é a mesma do inconsciente, o que provoca mal-estar e sentimento de culpa em algumas situações.
 Por exemplo:
a ética de uma pessoa lhe diz que a infidelidade não é reprovável, mas ela se sente culpada quando acontece. Vamos pensar em um caso concreto: um jovem adulto, criado em ambiente religioso e repressor, apresenta dificuldades sexuais, as quais o desvalorizam e revoltam.
Ele se rebela contra a educação recebida e elabora uma ética própria, em que a sexualidade é um direito de todos
. Algo importante está ocorrendo.
 O rapaz desafia, a partir de seus instintos e desejos, a força dos mandatos parentais, que, à sua revelia, se tornaram parte deleo. E sua elaboração ética vai além. Para ele, é possível haver infidelidade na relação amorosa, pois esta não deve impedir que um intenso desejo sexual seja realizado. Sua ética está no respeito ao impulso.
 Pode-se pensar que este fragmento ético tem sua origem afetiva no desejo de experimentação e variedade (não quero repetir o argumento biológico darwiniano da máxima transmissão dos caracteres hereditários).


Pois bem, esta é a ética que ele apresenta à namorada: ambos teriam o direito a aventuras sexuais. Talvez peça a ela discrição, pois se vier a saber da infidelidade sofrerá.
A moça, porém, tem outra ética.
Para ela a fidelidade sexual é um princípio cuja quebra é inaceitável. Se o namorado tiver uma aventura, terminará o namoro. Temos aqui duas éticas em confronto, o que não acontecia no tempo em que havia apenas uma Verdade: para o rapaz o ético é não impedir a realização de um forte impulso; para a moça o ético é preservar a fidelidade a qualquer custo.


 Uma diferença de ajuizamento e um impasse.


O mais coerente seria terminarem o namoro antes que um aprofundamento da relação viesse a fazê-los sofrer na eventualidade de uma traição.
 Acontece que os dois se amam.
 Um deles irá ceder.
 Mas será uma frágil renúncia.
 Ou ela se sentirá ofendida se houver infidelidade ou ele se sentirá cerceado por não poder se entregar a um desejo intenso.
 A situação poderá dar origem à dubiedade.
Mantendo-se fiel a sua ética, à qual não pode renunciar já que se trata de um princípio básico, ele "sabe" que em situações excepcionais cederá ao desejo. Mas como está interessado na namorada, não deixa claros, nem para si nem para ela, seus sentimentos. Ela aceita esse estado ambíguo porque não quer um rompimento. Ambos concordam em manter uma semimentira e uma semiverdade. Está criado o cenário para sofrimento futuro.
* Nahman Armony, médico psicanalista.